{"id":32845,"date":"2025-05-19T20:38:12","date_gmt":"2025-05-19T23:38:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32845"},"modified":"2025-05-19T20:38:12","modified_gmt":"2025-05-19T23:38:12","slug":"argumentos-envenenados-e-o-seu-antidoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32845","title":{"rendered":"Argumentos envenenados e o seu ant\u00eddoto"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32846\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32845\/image-6-4\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-6.png?fit=612%2C459&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"612,459\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image (6)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-6.png?fit=300%2C225&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-6.png?fit=612%2C459&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-32846\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-6.png?resize=612%2C459&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"612\" height=\"459\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-6.png?w=612&amp;ssl=1 612w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-6.png?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 612px) 100vw, 612px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>CHUVA DE VENENO NUNCA MAIS!<\/p>\n<p>Camilo da Mata, militante da Organiza\u00e7\u00e3o Popular &#8211; OPA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governador do Cear\u00e1, Elmano de Freitas, tem repetido insistentemente que o consumo de agrot\u00f3xico no Estado aumentou ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da Lei Z\u00e9 Maria do Tom\u00e9, aprovada em 2019 e que proibia a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xicos. A valer, o que o chefe do executivo estadual faz \u00e9 insinuar nas entrelinhas que de nada importa ou mesmo que a culpa pelo aumento do consumo do qu\u00edmico empresarial no Estado decorre da proibi\u00e7\u00e3o da chuva de veneno. Um argumento, este sim igualmente envenenado, cujo objetivo \u00e9 justificar uma lei criminosa, a que autoriza a pulveriza\u00e7\u00e3o por drones, sancionada por ele e mais 22 deputados em dezembro de 2024.<\/p>\n<p>O consumo de agrot\u00f3xico realmente subiu depois que a Lei Z\u00e9 Maria do Tom\u00e9 entrou em vigor, mas n\u00e3o foi por causa dela. Ali\u00e1s, ele subiu antes, durante e depois da lei. Subiu apesar da lei! O porqu\u00ea isso ocorre veremos agora.<\/p>\n<p>O fato de as pol\u00edticas governamentais estarem em total conson\u00e2ncia com a l\u00f3gica do agroneg\u00f3cio \u00e9 o principal fator do crescente e constante consumo de agrot\u00f3xico. \u00c9 a l\u00f3gica para a qual governam e legislam a maioria dos parlamentares. A empresa quer lucro, e quanto mais vende, mais lucro obt\u00e9m, independentemente das consequ\u00eancias. A empresa que produz veneno quer vender mais veneno, e vende mais quanto mais largas s\u00e3o as facilidades.<\/p>\n<p>Assim sendo, o Plano Safra 2024-2025, do Governo Federal, que destina quase 500 bilh\u00f5es de reais de dinheiro dos cofres p\u00fablicos para o agroneg\u00f3cio, tornou-se o maior da hist\u00f3ria do Brasil. Sem contar toda infraestrutura, \u00e1gua e terras fartas que s\u00e3o disponibilizadas pelo Estado para as grandes empresas do ramo. No Cear\u00e1, o agrot\u00f3xico paga zero por cento de imposto para circular! \u00c9 como um assassino que se movimenta livremente fazendo suas maldades \u00e0 luz do dia, sem ser incomodado pela for\u00e7a da lei, ou pior, sendo respaldado por ela.<\/p>\n<p>Por falar em assassino, o que mandou matar Z\u00e9 Maria do Tom\u00e9 segue soltinho da Silva, recebendo facilidades e honrarias. Z\u00e9 Maria foi assassinado com mais de 20 tiros pelas costas quando protestava contra a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de veneno e denunciava o roubo das terras da Chapada do Apodi por parte das empresas.<\/p>\n<p>De 1990 a 2021, foram despejados 1.300% a mais de agrot\u00f3xicos no ambiente e nos corpos brasileiros. Agora, imagina o que seria de n\u00f3s sem os cinco anos em que a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea esteve proibida no Cear\u00e1!<\/p>\n<p>Dif\u00edcil acreditar que algu\u00e9m pode insinuar seriamente que a proibi\u00e7\u00e3o da pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea faz aumentar o uso de veneno ou que n\u00e3o tem a menor import\u00e2ncia. Ora, o que \u00e9 melhor para uma empresa multinacional que lucra com a morte: ter liberadas dez maneiras diferentes de envenenar, ou contar apenas com metade delas, tendo as outras cinco proibidas?<\/p>\n<p>Dos 10 agrot\u00f3xicos mais vendidos no Brasil, cinco est\u00e3o banidos da Uni\u00e3o Europeia. O que interessa mais a uma empresa que produz agrot\u00f3xicos: ter todos os seus produtos liberados para a comercializa\u00e7\u00e3o ou somente parte deles?<\/p>\n<p>O consumo de veneno cresce porque governadores e parlamentares, com raras e honradas exce\u00e7\u00f5es, eleitos pelo povo, governam e legislam contra o povo, ainda que isso os torne fora-da-lei. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender: se a lei Z\u00e9 Maria do Tom\u00e9 pro\u00edbe a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea de agrot\u00f3xico, \u00e9 de se supor que nem de bolinha de papel arremessada ao ar o veneno poderia ser lan\u00e7ado. Ou seja, a lei que autoriza a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea por drones \u00e9 uma lei fora-da-lei, j\u00e1 que, em tese, a lei Z\u00e9 Maria do Tom\u00e9 continua em vigor.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, na Europa, a pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea \u00e9 proibida, seja de avi\u00e3o, drone ou disco voador. Das duas, uma: ou o povo brasileiro \u00e9 uma esp\u00e9cie mutante com superpoderes que nos tornam imunes ao veneno; ou, se faz mal l\u00e1, faz mal aqui tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Outra justificativa utilizada pelo governador \u00e9 a de que os drones protegem o trabalhador, j\u00e1 que este n\u00e3o precisaria manusear diretamente o produto t\u00f3xico. Como n\u00e3o?! Por acaso \u00e9 o empres\u00e1rio quem abastece o drone? \u00c9 ele quem controla a m\u00e1quina ou mora nas imedia\u00e7\u00f5es de onde est\u00e1 chovendo veneno? O que se diz mesmo \u00e9 que os grandes homens de neg\u00f3cio sequer se alimentam do que seus trabalhadores produzem. Preferem o natural ao pl\u00e1stico. Eles sabem bem o mal que fazem.<\/p>\n<p>Esse argumento do governador, t\u00e3o envenenado quanto o primeiro, assemelha-se bastante \u00e0quele que se tornou corriqueiro escutar nos \u00faltimos tempos: de que pol\u00edtica p\u00fablica de seguran\u00e7a \u00e9 armar o \u201ccidad\u00e3o de bem\u201d. \u201cSe voc\u00ea tem dinheiro, n\u00f3s o licenciamos para que se arme, com pistola, fuzil ou drone.\u201d<\/p>\n<p>Os trabalhadores n\u00e3o querem ter de escolher entre morrer com tiro de pistola ou de fuzil. Os trabalhadores e trabalhadoras n\u00e3o querem ser envenenados de jeito nenhum! O que precisam e almejam s\u00e3o pol\u00edticas p\u00fablicas que lhes proporcionem condi\u00e7\u00f5es de vida digna.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque n\u00e3o confundamos Pol\u00edtica P\u00fablica, aquela que deveria existir em benef\u00edcio de toda a popula\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar por quem mais precisa, com trabalhar para a ind\u00fastria das armas ou para a ind\u00fastria do veneno, que, diga-se de passagem, s\u00e3o uma coisa s\u00f3. A Monsanto, por exemplo, uma das gigantes do agroneg\u00f3cio, \u00e9 respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de muni\u00e7\u00f5es de f\u00f3sforo branco, utilizadas pelo Estado de Israel contra os palestinos. Quando a Pol\u00edtica \u00e9 verdadeiramente P\u00fablica, ela enfrenta aquilo que faz mal ao p\u00fablico, e n\u00e3o o favorece.<\/p>\n<p>E como os drones da morte fazem mal! Como \u00e9 amplamente denunciado pelas m\u00eddias populares, no Brasil, eles s\u00e3o empregados at\u00e9 mesmo como armas de guerra, despejando veneno contra comunidades no intuito de expuls\u00e1-las. Inclusive, enquanto escrevo estas linhas, chegam-me v\u00eddeos de v\u00e1rios locais do Cear\u00e1 apresentando a devasta\u00e7\u00e3o que o veneno aplicado por drones provoca nas comunidades do entorno (acesse pelo insta: @movimento_revogaja).<\/p>\n<p>O agroneg\u00f3cio quer todas as terras para ele. Como destr\u00f3i tudo que encontra pela frente, precisa sempre de mais terras novas, de mais florestas para devorar. A expans\u00e3o geogr\u00e1fica da soja que o diga! Triplicou nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, enquanto a desapropria\u00e7\u00e3o de latif\u00fandios para fins de Reforma Agr\u00e1ria praticamente zerou. O avan\u00e7o de um modelo representa necessariamente o recuo do outro.<\/p>\n<p>A pulveriza\u00e7\u00e3o a\u00e9rea \u00e9 t\u00e3o indefens\u00e1vel, que nem em termos de mira d\u00e1 para se argumentar. Pesquisas da EMBRAPA demonstram que apenas 32% do veneno lan\u00e7ado ao ar atingem o alvo, e os 68% restantes podem alcan\u00e7ar at\u00e9 32 km de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Nas comunidades da Chapada do Apodi, especialmente em Quixer\u00e9, Limoeiro e Tabuleiro do Norte, t\u00e3o logo se aprovou a lei fora-da-lei, a catinga de veneno tomou conta do ar. As m\u00e3es n\u00e3o t\u00eam mais sossego: \u201cMoro numa das \u00faltimas casas da comunidade e n\u00e3o consigo respirar direito com o mau cheiro. N\u00e3o tenho mais paz. Passo o dia preocupada com meu filho que est\u00e1 na escola.\u201d A escola fica bem perto de onde est\u00e3o os drones.<\/p>\n<p>\u00c0 beira da revolta, mulheres da comunidade fazem um convite anti-\u00d3leo-de-Peroba: \u201cGovernador e deputados que aprovaram a lei dos drones, venham morar uns dias com a gente. Os senhores e suas fam\u00edlias. Venham comer de nossa comida, beber de nossa \u00e1gua, respirar de nosso ar. Seus filhos estudar\u00e3o em nossas escolas. Venham! Ser\u00e3o bem acolhidos.\u201d<\/p>\n<p>Como diz a can\u00e7\u00e3o: \u201cQuem t\u00e1 perto sofre mais, mas quem t\u00e1 longe a morte vai atr\u00e1s\u201d. No Brasil, s\u00e3o quase um milh\u00e3o de novos casos de c\u00e2ncer a cada tr\u00eas anos. A doen\u00e7a se alastra no campo e na cidade.<\/p>\n<p>Para finalizar: Se o governador realmente se preocupa com a sa\u00fade do trabalhador, deve escut\u00e1-lo antes de qualquer coisa. Uma excelente oportunidade \u00e9 considerar o resultado das dezenas de milhares de votos do Plebiscito Popular Contra a Chuva de Veneno, fazer as pazes com seu passado de advogado dos Sem Terra e revogar a maldita lei fora-da-lei que ajudou a criar. O povo saber\u00e1 reconhecer.<\/p>\n<p>Do contr\u00e1rio, n\u00e3o tenhamos d\u00favida: estar\u00e1 matando novamente Z\u00e9 Maria e sendo c\u00famplice dos adoecimentos e mortes que seguir\u00e3o aumentando com o crescimento do agroneg\u00f3cio. Sem contar que ir contra a vontade soberana e consciente do povo \u00e9 algo completamente in\u00fatil, pois s\u00f3 servir\u00e1 para ampliar a indigna\u00e7\u00e3o e a revolta dos que sofrem.<\/p>\n<p>Enfim: se tem veneno, tem ant\u00eddoto.<\/p>\n<p>Fonte:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/opaorganizacaopopular.blogspot.com\/2025\/05\/argumentos-envenenados-e-o-antidoto.html\">OPA &#8211; Organiza\u00e7\u00e3o Popular: ARGUMENTOS ENVENENADOS E O ANT\u00cdDOTO &#8211; CHUVA DE VENENO NUNCA MAIS!<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32845\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[66,10],"tags":[224],"class_list":["post-32845","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c79-nacional","category-s19-opiniao","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8xL","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32845","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32845"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32845\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32847,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32845\/revisions\/32847"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32845"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}