{"id":32872,"date":"2025-05-29T11:54:40","date_gmt":"2025-05-29T14:54:40","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32872"},"modified":"2025-05-29T11:54:40","modified_gmt":"2025-05-29T14:54:40","slug":"pcb-e-o-trabalho-clandestino-nas-fabricas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32872","title":{"rendered":"PCB e o trabalho clandestino nas f\u00e1bricas (2)"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32871\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?attachment_id=32871\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.png?fit=1126%2C1674&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1126,1674\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.png?fit=605%2C900&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-32871\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.png?resize=605%2C900&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"900\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.png?resize=605%2C900&amp;ssl=1 605w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.png?resize=202%2C300&amp;ssl=1 202w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.png?w=1126&amp;ssl=1 1126w\" sizes=\"auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Um plano detalhado de inser\u00e7\u00e3o no proletariado<\/strong><\/p>\n<p>Edmilson Costa &#8211; doutor em economia pela Unicamp e secret\u00e1rio geral do PCB.<\/p>\n<p>O jornal Voz Oper\u00e1ria de janeiro de 1969 destaca com veem\u00eancia que o AI-5 teve como objetivo golpear o movimento oper\u00e1rio para ampliar as arbitrariedades contra os sindicatos e, inclusive, contra a Justi\u00e7a do Trabalho. Portanto, os trabalhadores e as trabalhadoras encontravam-se diante de condi\u00e7\u00f5es muito mais dif\u00edceis que o per\u00edodo anterior e que, naquelas circunst\u00e2ncias, a unidade e a organiza\u00e7\u00e3o da classe assumiam um papel ainda mais decisivo na luta contra a nova ofensiva da ditadura. O jornal registra ainda que as novas medidas tomadas pelo regime foram uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o e \u00e0s greves dos trabalhadores e trabalhadoras na luta contra o arrocho salarial:<\/p>\n<p>\u201cO ano de 1968 marcou um n\u00edvel mais alto nas lutas dos trabalhadores, depois de enfrentarem e superarem enormes dificuldades impostas pelo golpe de abril de 1964. Em v\u00e1rios Estados foi golpeada a pol\u00edtica de arrocho salarial. Numerosas e vigorosas greves foram desencadeadas em importantes setores profissionais, como banc\u00e1rios, metal\u00fargicos, gr\u00e1ficos e assalariados agr\u00edcolas. Libertos das interven\u00e7\u00f5es, grande parte dos sindicatos come\u00e7ou a passar \u00e0s m\u00e3os de verdadeiros representantes dos trabalhadores. Concorridas e movimentadas assembleias eram realizadas. Importantes encontros de \u00e2mbito regional e nacional eram promovidos, contribuindo para uma unidade mais ampla dos trabalhadores em torno de programas comuns\u201d.<\/p>\n<p>&#8220;Nessa conjuntura e diante das novas dificuldades, um novo e \u00e1rduo caminho dever\u00e1 ser perseguido&#8221;, diz o n\u00famero seguinte do jornal. Mesmo sem abrir m\u00e3o do trabalho sindical, apesar da ditadura querer transformar as entidades em institui\u00e7\u00f5es recreativas, a hora era de redobrar esfor\u00e7os para a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho no interior das empresas. \u201c&#8230; Os trabalhadores devem ter certeza de uma coisa, que a base de sua organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 a empresa. Podem fechar os sindicatos ou limitar seu poder de decis\u00e3o. Entretanto, as f\u00e1bricas eles n\u00e3o fecham. Sem deixar um s\u00f3 momento a luta pelo fortalecimento de seus sindicatos, atrav\u00e9s de uma maci\u00e7a sindicaliza\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o em suas atividades, os trabalhadores devem intensificar cada vez mais a sua organiza\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho. N\u00e3o importam as formas de organiza\u00e7\u00e3o, se conselhos sindicais ou comiss\u00f5es sindicais, etc. O importante \u00e9 unir e criar as condi\u00e7\u00f5es mais elementares de organiza\u00e7\u00e3o. No processo de lutas por suas reivindica\u00e7\u00f5es, quer no \u00e2mbito das empresas ou das reivindica\u00e7\u00f5es gerais, os trabalhadores criar\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es &#8230; para o desenvolvimento de lutas de lutas vigorosas da classe oper\u00e1ria e do nosso povo contra a ditadura implantada em nosso pa\u00eds desde abril de 1964\u201d.<\/p>\n<p>Por iniciativa do Comit\u00ea Central (CC), em outubro de 1968, foi realizado um ativo sindical nacional para se debater o desafio hist\u00f3rico de constru\u00e7\u00e3o do Partido no interior da classe oper\u00e1ria e, especialmente, nas grandes empresas. Em fevereiro de 1969 o pr\u00f3prio CC formulou uma resolu\u00e7\u00e3o pela qual determinava a todos os Comit\u00eas Estaduais e Territoriais a constru\u00e7\u00e3o do Partido nas empresas, \u201cfundamentalmente nas grandes empresas\u201d, bem como estimulava todas as organiza\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias a realizarem encontros visando a permuta de experi\u00eancias e as formas de organiza\u00e7\u00e3o do Partido nas empresas.<\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o de julho de 1969, a Voz Oper\u00e1ria divulgou um longo documento onde fundamenta o desafio hist\u00f3rico aprovado no VI Congresso, reafirmando a concep\u00e7\u00e3o de que a revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno de massas e n\u00e3o pode ser guiada pela a\u00e7\u00e3o imediatista da pressa pequeno-burguesa; realiza um diagn\u00f3stico das modifica\u00e7\u00f5es ocorridas na sociedade brasileira, tais como a din\u00e2mica do processo de industrializa\u00e7\u00e3o, a concentra\u00e7\u00e3o do proletariado nas grandes empresas e o aumento dos assalariados no campo, bem como destaca a proletariza\u00e7\u00e3o de vastos setores da pequena burguesia e o crescimento desses setores nos centros urbanos. Essas modifica\u00e7\u00f5es ocorridas no capitalismo brasileiro \u2013 ressalta o documento &#8211; n\u00e3o solucionaram os problemas que afligiam a popula\u00e7\u00e3o. Por isso era fundamental organizar os trabalhadores e as trabalhadoras nos locais de trabalho, preferencialmente nas empresas industriais.<\/p>\n<p>Especificamente no que se refere \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o no interior das empresas, o documento real\u00e7ava que o trabalho junto \u00e0 classe oper\u00e1ria \u00e9 determinante porque o proletariado fabril, ao estar integrado no processo de produ\u00e7\u00e3o e ser explorado, re\u00fane a caracter\u00edstica de classe unida na luta por suas reivindica\u00e7\u00f5es e pelo socialismo de maneira mais firme e consequente que qualquer outra classe. Por isso, o Partido deveria centralizar sua organiza\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cNa grande empresa a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores \u00e9 muito maior, devido ao desenvolvimento tecnol\u00f3gico e \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, que contribuem para extrair do oper\u00e1rio o m\u00e1ximo de suas for\u00e7as. O trabalhador da grande empresa pode verificar com relativa facilidade como ele \u00e9 explorado no trabalho, inclusive pelo seu esgotamento f\u00edsico, e como se acumula a riqueza dos donos das empresas. A grandeza da f\u00e1brica e a variada complexidade de suas m\u00e1quinas deixam claro para os oper\u00e1rios porque eles n\u00e3o det\u00eam os meios de produ\u00e7\u00e3o. Trabalhando juntos, centenas e milhares de pessoas, torna-se mais f\u00e1cil conhecerem-se entre si; sofrendo a mesma explora\u00e7\u00e3o, subordinados \u00e0s mesmas normas e regulamentos do grande patr\u00e3o, o caminho para a unidade, a organiza\u00e7\u00e3o e a solidariedade fica mais claro e melhor para ser trilhado. Esses fatores fortalecem a consci\u00eancia de classe, bem como estimulam o \u00f3dio aos patr\u00f5es exploradores, agu\u00e7ando a luta de classes e a necessidade de transformar esse sistema social e pol\u00edtico numa sociedade em que n\u00e3o haja explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem\u201d.<\/p>\n<p>Para o PCB, a pol\u00edtica de concentra\u00e7\u00e3o nas grandes empresas n\u00e3o significava o abandono da organiza\u00e7\u00e3o nas empresas de servi\u00e7os, comerciais, escolas ou escrit\u00f3rios ou junto aos trabalhadores rurais, afinal esses outros setores do proletariado s\u00e3o aliados do proletariado fabril no processo da revolu\u00e7\u00e3o brasileira. A orienta\u00e7\u00e3o do documento era de que esse trabalho fosse implementado a partir das reivindica\u00e7\u00f5es mais imediatas dos trabalhadores, o que seria de mais f\u00e1cil compreens\u00e3o e possibilitaria aproximar os trabalhadores do Partido.<\/p>\n<p>\u201cAqueles que ingressam no Partido o fazem por muitos motivos, por\u00e9m, a maioria n\u00e3o conhece a ideologia do Partido, nem assimila sua pol\u00edtica de organiza\u00e7\u00e3o. A nossa primeira tarefa deve ser a de formar a consci\u00eancia partid\u00e1ria entre os novos recrutas, atrav\u00e9s do trabalho ideol\u00f3gico e pol\u00edtico em termos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos e de forma sistematizada. Sem isso, o n\u00famero de ativistas entre os filiados ser\u00e1 sempre inexpressivo &#8230; O trabalho de educa\u00e7\u00e3o \u00e9 decisivo nessa tarefa, por\u00e9m \u00e9 preciso compreender como educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas os cursos, mas toda a atividade partid\u00e1ria, a vida do Partido, isto \u00e9, a vida revolucion\u00e1ria\u201d. Entre outras maneiras de formar a milit\u00e2ncia, o documento recomendava o estudo de livros e revistas, os c\u00edrculos de estudo, semin\u00e1rios e cursos. Al\u00e9m dessas tarefas, o Partido fez ainda um conjunto de recomenda\u00e7\u00f5es aos \u00f3rg\u00e3os intermedi\u00e1rios no sentido de que deveriam estudar as condi\u00e7\u00f5es dos seus locais de atua\u00e7\u00e3o, as empresas onde seria realizado o trabalho e os problemas mais sentidos pelos trabalhadores e pelas trabalhadoras, porque s\u00f3 assim poderiam se aproximar do operariado e cumprir o desafio hist\u00f3ria dessa constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estavam assim criadas as condi\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do desafio hist\u00f3rico. Isso foi realizado atrav\u00e9s da elabora\u00e7\u00e3o de um plano detalhado sobre a constru\u00e7\u00e3o de bases comunistas nas grandes empresas. Trata-se do documento de seis p\u00e1ginas no qual se estabelecem os princ\u00edpios, objetivos, diretrizes espec\u00edficas, prazos e recomenda\u00e7\u00f5es gerais, ou seja, um roteiro pormenorizado para a implementa\u00e7\u00e3o do plano. Datado de fevereiro de 1970, o documento se intitula \u201cRoteiro do Plano de Constru\u00e7\u00e3o e Consolida\u00e7\u00e3o do Partido nas Empresas (Placconpe)\u201d e seus redatores o dedicam ao centen\u00e1rio de Lenin. Mais uma vez o documento reafirmava que a constru\u00e7\u00e3o do Partido nas grandes empresas, tanto nas empresas industriais, dos transportes, comunica\u00e7\u00e3o, comerciais, de servi\u00e7os e agroindustriais e agropecu\u00e1ria e entre os assalariados rurais, era uma tarefa estrat\u00e9gica para a luta n\u00e3o s\u00f3 para derrotar a ditadura, mas para criar as condi\u00e7\u00f5es visando a realiza\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>O Plano estabelecia para as organiza\u00e7\u00f5es de base do Partido um prazo de dois anos para a implementa\u00e7\u00e3o das tarefas e definia que cada escal\u00e3o partid\u00e1rio deveria realizar uma planifica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para o trabalho de organiza\u00e7\u00e3o das bases em sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, bem como determinava que o Comit\u00ea Central deveria realizar uma pol\u00edtica de destina\u00e7\u00e3o de recursos para a constru\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o do plano. Como o documento enfatizava, para que fosse realizado um processo de constru\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o organizativa, presumia-se que j\u00e1 existiam bases organizadas e que o plano se encarregaria de absorver as experi\u00eancias em curso e definir um trabalho met\u00f3dico e planejado a partir de ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Para os redatores do documento, o Placconpe abriria caminho para a aplica\u00e7\u00e3o plena do desafio hist\u00f3rico definido pelo VI Congresso e contribuiria para organizar e conduzir as massas para tarefas como a luta pela conquista das liberdades, a anistia geral, a convoca\u00e7\u00e3o de uma assembleia constituinte e a forma\u00e7\u00e3o de um governo das for\u00e7as antiditatoriais. Nesse processo, diz o documento, \u00e9 fundamental garantir uma posi\u00e7\u00e3o independente da classe oper\u00e1ria que, com essas diretrizes, prosseguir\u00e1 sua luta at\u00e9 a conquista do socialismo no Brasil. Em termos pr\u00e1ticos, o Placconpe fixava as seguintes diretrizes para a constru\u00e7\u00e3o do Partido entre os trabalhadores nos seguintes setores: \u201cNas massas das empresas industriais, fundamentalmente nas grandes empresas; nas empresas de transporte, comunica\u00e7\u00e3o e nos grandes emp\u00f3rios comerciais; nas empresas agroindustriais e agropecu\u00e1rias (bem) como entre assalariados e semi-assalariados agr\u00edcolas, fundamentalmente nas grandes concentra\u00e7\u00f5es; nos servi\u00e7os p\u00fablicos, nas universidades e escolas t\u00e9cnico-profissionais, incluindo professores e estudantes fundamentalmente\u201d.<\/p>\n<p>O documento esclarecia que era importante fortalecer as organiza\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes nas empresas e formar novas organiza\u00e7\u00f5es de base dentro de uma pol\u00edtica de massas, visando ligar essas c\u00e9lulas clandestinas \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es de massa nas empresas e nas categorias profissionais. Entre os pr\u00e9-requisitos para que um plano dessa natureza tivesse \u00eaxito, era necess\u00e1rio um diagn\u00f3stico sobre a \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o de cada organiza\u00e7\u00e3o de base, sobre as empresas onde seria realizado o trabalho, bem como em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade do militante a ser recrutado (oper\u00e1rio, l\u00edder de massas, jovem, t\u00e9cnico), de forma a desenvolver uma pol\u00edtica de constru\u00e7\u00e3o dentro da cultura comunista, especialmente levando em conta o centralismo democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>O Placconpe recomendava ainda que o trabalho de constru\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho deveria ser combinado com o fortalecimento dos sindicatos nas empresas e junto aos trabalhadores e \u00e0s trabalhadoras, al\u00e9m do necess\u00e1rio trabalho ideol\u00f3gico de forma\u00e7\u00e3o para elevar a consci\u00eancia revolucion\u00e1ria dos quadros dirigentes de forma a estimular iniciativas e firmeza nas a\u00e7\u00f5es de massa. Outro elemento importante do plano era o processo de planifica\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o da linha pol\u00edtica elaborada no VI Congresso e o trabalho de solidariedade entre trabalhadores e trabalhadoras.<\/p>\n<p>\u201cPlanificar, em cada escal\u00e3o partid\u00e1rio, a forma\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o de base da empresa e tamb\u00e9m de camponeses e estudantes. Ajud\u00e1-los a assimilar e aplicar a linha pol\u00edtica do Partido e, igualmente, a forma\u00e7\u00e3o de quadros, incluindo cursos, c\u00edrculo de estudos, palestras, debates e pesquisa e etc. A planifica\u00e7\u00e3o dessa medida deve ser iniciativa dos \u00f3rg\u00e3os intermedi\u00e1rios, com o apoiamento das organiza\u00e7\u00f5es de base &#8230; Orientar a organiza\u00e7\u00e3o e o funcionamento da solidariedade de massa e a pr\u00e1tica do internacionalismo prolet\u00e1rio em todos os escal\u00f5es partid\u00e1rios, ganhando as bases para a participa\u00e7\u00e3o ativa do trabalho de solidariedade\u201d.<\/p>\n<p>O Plano tamb\u00e9m definiu um roteiro de discuss\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o das tarefas, ressaltando que esse trabalho estaria subordinado ao Comit\u00ea Central. As discuss\u00f5es deveriam come\u00e7ar nos Comit\u00eas Estaduais, Territoriais e nas Grandes Empresas, onde seriam aprovados os objetivos, diretrizes e metodologias de trabalho e, posteriormente, essas discuss\u00f5es seriam realizadas pelos \u00f3rg\u00e3os intermedi\u00e1rios e de base, que deveriam especificar as tarefas de cada \u00f3rg\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, entre as quais as seguintes tarefas:<\/p>\n<p>\u201cRelacionar as empresas existentes na \u00e1rea da organiza\u00e7\u00e3o, de acordo com o grupo de empresas (A, B C, e D), selecionar aquelas que devem ser objetivo de planejamento e definir as que s\u00e3o fundamentalmente importantes para a pol\u00edtica de concentra\u00e7\u00e3o &#8230; Selecionando o que fazer &#8230; onde e como, quem e quando fazer\u201d. Previa ainda a mobiliza\u00e7\u00e3o de militantes para que o processo de discuss\u00e3o envolvesse a todos, de forma a que pudesse implementar o plano de baixo para cima, garantindo que os objetivos nacionais fossem resultado do debate realizado por cada base. Com essa estrutura de trabalho, o Placconpe advertia tamb\u00e9m para a necessidade de organizar os trabalhadores e as trabalhadoras tanto para o trabalho legal quanto ilegal, bem como observar com aten\u00e7\u00e3o as normas de seguran\u00e7a e vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Finalmente, o Plano estabelecia o prazo de dois anos para o cumprimento dessas tarefas, divididos em dois per\u00edodos, envolvendo a prepara\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o: \u201cO per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o \u00e9 de seis meses \u2013 inicia-se em primeiro de maio e termina em 31 de outubro de 1970. O per\u00edodo de execu\u00e7\u00e3o \u00e9 de um ano e meio \u2013 inicia-se em primeiro de novembro de 1970 e termina em 30 de abril de 1972. O per\u00edodo de execu\u00e7\u00e3o est\u00e1 dividido em tr\u00eas fases &#8211; de seis meses cada uma \u2013 para efeito de controle global em todo o territ\u00f3rio nacional\u201d . Ap\u00f3s o estabelecimento dos prazos, estabelecia-se um conjunto de medidas pr\u00e1ticas orientando a forma com que as organiza\u00e7\u00f5es do Partido deveriam fazer para aplic\u00e1-lo: \u201cRecrutar e organizar os trabalhadores assalariados nos quatro grupos de empresas objetivados de acordo com os pr\u00e9-requisitos estabelecidos; estruturar novas organiza\u00e7\u00f5es de base de empresas e consolid\u00e1-las, fortalecendo as existentes e as novas, com a pr\u00e1tica do trabalho ideol\u00f3gico e pol\u00edtico das massas; recrutar e organizar nas empresas de \u00e2mbito nacional de grande regi\u00e3o geogr\u00e1fica \u00e0 base de planos espec\u00edficos, sob o controle do CC (Comit\u00ea Central, EC) e apoiados nos \u00f3rg\u00e3os estaduais e municipais, onde se encontram instalados, objetivando a constru\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o de cada organiza\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Prossegue o documento de orienta\u00e7\u00e3o do trabalho nas grandes empresas: \u201corientar os membros do Partido nas organiza\u00e7\u00f5es de base a filiarem-se \u00e0s entidades de massa da empresa ou categoria profissional e planificar na base e nos \u00f3rg\u00e3os intermedi\u00e1rios a forma\u00e7\u00e3o e funcionamento das fra\u00e7\u00f5es (\u00f3rg\u00e3o coordenador de uma determinada tarefa de uma categoria, EC); organizar o trabalho de finan\u00e7as na organiza\u00e7\u00e3o de base e concentrar no M\u00eas Nacional das Finan\u00e7as (outubro); adotar no CC e em todos os \u00f3rg\u00e3os intermedi\u00e1rios uma pol\u00edtica correta de destina\u00e7\u00e3o dos recursos financeiros para a constru\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o do Partido nas empresas, tendo em vista a pol\u00edtica de concentra\u00e7\u00e3o\u201d. O Placconpe previa ainda uma pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o dos militantes, um trabalho de agita\u00e7\u00e3o e propaganda pelas bases e a distribui\u00e7\u00e3o do jornal clandestino do Partido, a Voz Oper\u00e1ria, entre os trabalhadores.<\/p>\n<p>Bellentani, o ferramenteiro da revolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A regi\u00e3o em que o PCB apostou como espa\u00e7o-piloto para a implementa\u00e7\u00e3o desse projeto foi o ABC Paulista e, especialmente, a maior empresa metal\u00fargica da regi\u00e3o, a Volkswagen, que na \u00e9poca tinha cerca de 30 mil oper\u00e1rios. A decis\u00e3o de centralizar o trabalho no ABC estava dentro da an\u00e1lise da conjuntura brasileira e do desenvolvimento industrial que o Comit\u00ea Central tinha elaborado em resolu\u00e7\u00f5es anteriores para justificar a constru\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria nas grandes empresas. Isso porque nessa regi\u00e3o encontravam-se praticamente todas as empresas automobil\u00edsticas, as maiores metal\u00fargicas e produtoras de autope\u00e7as do pa\u00eds, bem como o maior contingente do proletariado. Como o desafio hist\u00f3rico era a constru\u00e7\u00e3o de um forte e numeroso Partido na classe oper\u00e1ria, a decis\u00e3o de centralizar o trabalho no ABC era o caminho natural do PCB. Al\u00e9m disso, o Partido tinha uma longa tradi\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. Em 1947 o marceneiro Armando Mazzo foi eleito prefeito de Santo Andr\u00e9, tornando-se o primeiro prefeito comunista do Brasil. De igual forma, o PCB sempre teve bases oper\u00e1rias na regi\u00e3o, mesmo ap\u00f3s as persegui\u00e7\u00f5es realizadas pela ditadura. Essa tradi\u00e7\u00e3o de luta na regi\u00e3o possibilitava ao Partido ter um conhecimento melhor que outras organiza\u00e7\u00f5es no teatro de opera\u00e7\u00f5es onde iria desenvolver a constru\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas comunistas. Por isso, o ABC foi transformado em local privilegiado para essa opera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica junto \u00e0 classe oper\u00e1ria contra a ditadura.<\/p>\n<p>Vejamos o que nos informa o principal organizador do trabalho pol\u00edtico na regi\u00e3o, o ferramenteiro da Volks, Lucio Bellentani, que tamb\u00e9m era o secret\u00e1rio pol\u00edtico do Comit\u00ea de Empresa da Volks e principal organizador clandestino dos oper\u00e1rios na regi\u00e3o. \u201cEntrei para a Volks em setembro de 1964 e no in\u00edcio de 1965 o Ant\u00f4nio Turini, que j\u00e1 trabalhava na empresa e era militante do PCB, me recrutou. A partir da\u00ed come\u00e7amos nossa milit\u00e2ncia. Mas \u00e9 importante dizer que meu pai e minha m\u00e3e eram militantes do PCB. No in\u00edcio, come\u00e7amos a discutir a necessidade de organizar o Partido na f\u00e1brica e no Munic\u00edpio, mas essa organiza\u00e7\u00e3o visava inicialmente mais o trabalho de oposi\u00e7\u00e3o sindical porque o Sindicato dos Metal\u00fargicos, naquela \u00e9poca, era dirigido por um grande pelego, o Paulo Vidal\u201d. O Partido chegou a lan\u00e7ar, em 1970, uma chapa de oposi\u00e7\u00e3o no Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo. Essa chapa era composta por militantes do Partido e por integrantes da cooperativa dos trabalhadores, mas n\u00e3o obteve \u00eaxito na elei\u00e7\u00e3o. \u201cUma coisa interessante nessa elei\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de que Lula era da outra chapa e foi eleito como suplente \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o dos Metal\u00fargicos\u201d.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o de que Paulo Vidal era um pelego e aliado dos patr\u00f5es e da ditadura pode ser confirmada pela Voz Oper\u00e1ria de junho de 1970, em mat\u00e9ria assinada por Amador Bueno, na qual ele relata uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es de Vidal contra a classe oper\u00e1ria e, pelos dados objetivos que exp\u00f5e, devia ser um militante que estava presente no movimento sindical da cidade e nas assembleias do sindicato. \u201cO presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos de S\u00e3o Bernardo do Campo, al\u00e9m de se colocar a servi\u00e7o das empresas, \u00e9 um agente do aparelho policial e repressivo do governo, remetendo para o SNI, DOPS e etc., relat\u00f3rios das assembleias, como fez na assembleia do dia 20 de fevereiro \u00faltimo, \u00e0 qual tratava de debater o reajuste salarial do \u00faltimo diss\u00eddio coletivo &#8230; Na assembleia do Cine Anchieta &#8230; foi surpreendido com a participa\u00e7\u00e3o de uma massa com mais de mil trabalhadores e percebendo que a esmagadora maioria defendia um reajuste de 35% (enquanto ele queria apenas 30%, EC) e a unidade com os demais metal\u00fargicos do interior do Estado, procurou manobrar, ganhar tempo e vencer pelo cansa\u00e7o. Ficou ainda mais apavorado com o n\u00edvel de consci\u00eancia pol\u00edtica demonstrada pelos trabalhadores que renderam um minuto de silencio em homenagem e solidariedade aos companheiros presos pela ditadura&#8221;. Percebendo que estava derrotado, o agente patronal foi manobrando, desde as 19:15 horas e s\u00f3 \u00e0 meia noite, quando a massa cansada e irritada se havia retirado em sinal de protesto e a assembleia estava reduzida a 141 pessoas, \u00e9 que permitiu a vota\u00e7\u00e3o das resolu\u00e7\u00f5es\u201d. S\u00f3 assim Paulo Vidal teria conseguido aprovar suas resolu\u00e7\u00f5es, inclusive impedindo a recontagem dos votos. As resolu\u00e7\u00f5es eram t\u00e3o absurdas que o pr\u00f3prio Tribunal Regional do Trabalho n\u00e3o as aceitou e julgou o processo coletivo em conjunto com os metal\u00fargicos do interior, que aprovaram os 35%.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o do ABC concentrava-se n\u00e3o s\u00f3 o n\u00facleo duro da classe oper\u00e1ria, com centenas de milhares de trabalhadores sendo que a Volks era a maior f\u00e1brica da regi\u00e3o. A organiza\u00e7\u00e3o do Partido na Volks, conta Bellentani, envolvia paci\u00eancia, seguran\u00e7a e vigil\u00e2ncia, afinal n\u00e3o se pode esquecer que o pa\u00eds estava vivendo uma ditadura. O Comit\u00ea Central, empenhado na implementa\u00e7\u00e3o do projeto, prestava muita assist\u00eancia \u00e0s lideran\u00e7as comunistas da regi\u00e3o, com orienta\u00e7\u00e3o e muitos cursos de forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Bellentani conta que, entre os fatos que inspiraram a organiza\u00e7\u00e3o na Volks, estavam as leituras que fazia da guerra do Vietn\u00e3 e a maneira como o general Giap organizava os guerrilheiros, de forma compartimentada, em plena guerra. Ent\u00e3o Bellentani deduziu que, se era poss\u00edvel organizar guerrilheiros nas selvas, debaixo de balas e bombas, tamb\u00e9m era poss\u00edvel organizar os trabalhadores numa ditadura.<\/p>\n<p>E assim foi feito. \u201cEnt\u00e3o fomos realizando o trabalho de organiza\u00e7\u00e3o. A base foi crescendo. Muitas vezes a gente fazia reuni\u00e3o dentro da pr\u00f3pria f\u00e1brica, \u00e0s vezes no vesti\u00e1rio, nos banheiros. Essas reuni\u00f5es eram mais para a distribui\u00e7\u00e3o de tarefas e material, entrega de boletins, prepara\u00e7\u00e3o para as assembleias no sindicato. Mas isso era feito com o m\u00e1ximo de cuidado: quando nos reun\u00edamos, deix\u00e1vamos algu\u00e9m na porta dos vesti\u00e1rios vigiando. Se aparecesse qualquer estranho, o companheiro assobiava e a gente se dispersava\u201d.<\/p>\n<p>Esse processo de organiza\u00e7\u00e3o foi se tornando cada vez maior com o recrutamento de novos militantes e o Partido chegou a ter organiza\u00e7\u00e3o de base em quase todas as se\u00e7\u00f5es da empresa. \u201cEm 1970 e 1971 n\u00f3s distribu\u00edamos cerca de 300 exemplares da Voz Oper\u00e1ria no interior da f\u00e1brica e t\u00ednhamos cerca de 200 oper\u00e1rios contribuindo mensalmente para o Partido. Inclusive est\u00e1vamos planejando comprar uma gr\u00e1fica off-set, que na \u00e9poca era uma coisa muito avan\u00e7ada. J\u00e1 t\u00ednhamos dinheiro para isso &#8230; As bases eram organizadas pelas se\u00e7\u00f5es com no m\u00e1ximo seis pessoas.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o era compartimentada, sendo que os trabalhadores-militantes n\u00e3o se conheciam e apenas o respons\u00e1vel de cada base tinha contato com algu\u00e9m do comit\u00ea dirigente dos comunistas da empresa. \u201cEsse Comit\u00ea era constitu\u00eddo pelos seguintes camaradas: Lucio Bellentani, Ant\u00f4nio Turini, Afonso Espanhol, Ane Marie e Henrich Plage. Estes dois \u00faltimos eram alem\u00e3es, mas viviam h\u00e1 muito tempo no Brasil e o Heinrich Plage era gerente de um departamento da f\u00e1brica, o que nos permitia obter informa\u00e7\u00f5es sobre os planos da empresa. Tamb\u00e9m faz\u00edamos boletins no reco-reco, que era um mime\u00f3grafo de m\u00e3o. Mas a partir do momento em que a seguran\u00e7a da empresa come\u00e7ou a encontrar material nosso, aumentou a seguran\u00e7a e eles passaram a fazer revista dos trabalhadores na entrada e na sa\u00edda da f\u00e1brica\u201d.<\/p>\n<p>Como a empresa identificou que algo estranho estava acontecendo, come\u00e7ou tamb\u00e9m a se organizar para intensificar a vigil\u00e2ncia e a repress\u00e3o aos trabalhadores. Dessa forma, o Comit\u00ea da F\u00e1brica tra\u00e7ou uma nova estrat\u00e9gia tanto para a continuidade do trabalho dentro da empresa quanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a dos militantes. Quando tinham que distribuir algum material para os trabalhadores e as trabalhadoras ou fazer panfletagem dentro da empresa, era feito um planejamento com v\u00e1rios dias de anteced\u00eancia para que o material entrasse com seguran\u00e7a. \u201cDecidimos que os militantes deveriam levar o material dentro das marmitas, enrolados num saco pl\u00e1stico embaixo do arroz ou do feij\u00e3o. A\u00ed \u00edamos armazenando o material num fundo falso de um arm\u00e1rio da ferramentaria at\u00e9 o dia em que ir\u00edamos distribuir. N\u00f3s t\u00ednhamos tanta aten\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a que aqueles que companheiros atuavam no sindicato se reuniam em separado dos que atuavam somente na empresa. O processo de distribui\u00e7\u00e3o era o seguinte: bot\u00e1vamos nos ganchos e nas esteiras e o material ia rodando pela f\u00e1brica e os oper\u00e1rios iam pegando. Distribu\u00edmos tamb\u00e9m nos pontos de \u00f4nibus onde passavam os oper\u00e1rios\u201d. Da Volks o trabalho foi se estendendo para outras grandes empresas da regi\u00e3o: \u201cT\u00ednhamos gente na Williams, Mercedes, Motores Perkins, Rolls Royce, entre outras. N\u00e3o eram t\u00e3o organizados como na Volks, mas se espelhavam nesse trabalho que faz\u00edamos na Volks e a assist\u00eancias \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o nas outras empresas era feita pelos camaradas da Volks.\u201d<\/p>\n<p>Um dos elementos mais importantes na estrat\u00e9gia do PCB era a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, atrav\u00e9s da qual seria poss\u00edvel formar quadros oper\u00e1rios dedicados \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o, uma vez que o Partido avaliava que os oper\u00e1rios geralmente traziam consigo concep\u00e7\u00f5es estranhas ao proletariado e, caso fossem deixados \u00e0 pr\u00f3pria sorte, n\u00e3o iriam al\u00e9m da consci\u00eancia sindicalista. Por isso, era fundamental o trabalho de educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, conforme assinala a Voz Oper\u00e1ria de fevereiro de 1971. \u201cA experi\u00eancia tem demonstrado que, apesar de todas as dificuldades &#8230; \u00e9 poss\u00edvel organizar bases do Partido nas grandes empresas. Entretanto, essas bases, em geral, s\u00f3 conseguem se consolidar na medida em que, ao lado do trabalho de organiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 levado \u00e0 frente o trabalho de educa\u00e7\u00e3o de seus membros\u201d.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, Voz Oper\u00e1ria toma como exemplo o trabalho que estava sendo realizado no ABC paulista, muito embora numa linguagem cifrada para despistar a pol\u00edcia. \u201cA experi\u00eancia de S\u00e3o Paulo tem demonstrado que uma atividade de massas concreta dentro da empresa \u2013 como tem sido o trabalho nos conselhos ou comiss\u00f5es sindicais ou, em alguns casos, o trabalho de agita\u00e7\u00e3o e propaganda em torno de problemas que est\u00e3o afetando as massas da empresa em quest\u00e3o -, permite o recrutamento de novos membros para o Partido e a estrutura\u00e7\u00e3o de novas bases. Da\u00ed em diante o trabalho de educa\u00e7\u00e3o desses novos militantes, que atualmente est\u00e1 sendo feito em torno do estudo do &#8216;ABC do PCB&#8217;, adquire uma import\u00e2ncia fundamental, uma vez que lhes permite a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de conhecimento dos problemas do Partido e de alguns elementos de nossa teoria\u201d. Ou seja, o trabalho de forma\u00e7\u00e3o era fundamental para a educa\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da milit\u00e2ncia oper\u00e1ria, contribuindo para impulsionar a a\u00e7\u00e3o tanto nas empresas quanto junto \u00e0s massas.<\/p>\n<p>Todo esse trabalho de organiza\u00e7\u00e3o caiu quando foi preso Amauri Dagnone, um antigo militante que atuava na \u00e1rea sindical e tinha conhecimento do comit\u00ea dirigente comunista da empresa. Ele n\u00e3o suportou as torturas e entregou seus camaradas. O primeiro a cair foi o principal dirigente, o pr\u00f3prio Bellentani, que come\u00e7ou a ser torturado dentro da pr\u00f3pria empresa. Como Bellentani n\u00e3o colaborava com os torturadores, apesar da insist\u00eancia de Amauri, que dizia que se ele n\u00e3o falasse a pol\u00edcia o mataria, o pr\u00f3prio Amauri foi levado ao interior da Volks e foi apontando quem ele reconhecia como sendo do Partido. \u201cContando comigo, foram sete pris\u00f5es na Volks, Ant\u00f4nio Turini, Afonso Espanhol, Heinrich Plage, Ane Marie, Geraldo e Rubens. A dire\u00e7\u00e3o da base caiu. Mas eles n\u00e3o abriram nada, tanto que a organiza\u00e7\u00e3o na empresa n\u00e3o caiu toda, nem a organiza\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio.\u201d<\/p>\n<p>Essa organiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 viria a ser desbaratada dois anos depois com a ofensiva realizada contra o Partido na chamada Opera\u00e7\u00e3o Radar em 1974\/1975, quando a milit\u00e2ncia na regi\u00e3o e praticamente toda a milit\u00e2ncia nacional do Partido foi presa e quando tamb\u00e9m foi assassinado na tortura um ter\u00e7o do Comit\u00ea Central, o principal dirigente da Juventude Comunista, dois dirigentes do Comit\u00ea Militar, organizados na Pol\u00edcia Militar de S\u00e3o Paulo, e dirigentes estaduais, jornalistas e oper\u00e1rios como Wladimir Herzog e Manuel Fiel Filho.<\/p>\n<p>Bellentani costuma contar um epis\u00f3dio que teria despertado a f\u00faria n\u00e3o s\u00f3 da Volks, mas tamb\u00e9m da pol\u00edcia pol\u00edtica contra o Partido Comunista Brasileiro no interior da Volks. Foi exatamente no dia em que o ent\u00e3o ditador Garrastazu M\u00e9dici encarregou o ministro da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio, Pratini de Morais, a represent\u00e1-lo nas comemora\u00e7\u00f5es da fabrica\u00e7\u00e3o de um milh\u00e3o de carros pela Volks. Para tanto, confeccionou uma medalha (a Medalha do Fusca) para dar aos oper\u00e1rios. Como o Comit\u00ea de F\u00e1brica tinha informa\u00e7\u00f5es a partir de um de seus membros, que era da ger\u00eancia, os comunistas prepararam uma recep\u00e7\u00e3o especial dentro da Volks para as autoridades. Eles confeccionaram 10 mil panfletos, introduziram clandestinamente na empresa e, no dia do evento, os colocaram nas esteiras da f\u00e1brica na hora da comemora\u00e7\u00e3o. Enquanto as autoridades estavam comemorando, entre as quais o governador Abreu Sodr\u00e9 e o prefeito Paulo Maluf, o panfleto denunciando os problemas que os oper\u00e1rios vinham sofrendo e a pr\u00f3pria ditadura, corria pela esteira para espanto e indigna\u00e7\u00e3o dos presentes. Al\u00e9m disso, o Comit\u00ea Comunista fez uma intensa campanha junto aos trabalhadores para que devolvessem as medalhas.<\/p>\n<p>\u201cGrande parte das medalhas foram devolvidas nas bancadas das chefias. Quando eu estava preso, os torturadores esfregaram na minha cara o jornalzinho que distribu\u00edmos naquele dia\u201d. Com as pris\u00f5es dos dirigentes oper\u00e1rios do PCB no interior da Volks e, posteriormente, com o desmantelamento e pris\u00f5es dos outros militantes durante a Opera\u00e7\u00e3o Radar, o trabalho dos comunistas foi desbaratado na regi\u00e3o do ABC, muito embora em S\u00e3o Caetano, o dirigente do Comit\u00ea Central do PCB, Jos\u00e9 Ferreira da Silva, o Frei Chico, irm\u00e3o de Lula, tenha sido por tr\u00eas vezes eleito para o Sindicato dos Metal\u00fargicos e em nenhuma conseguiu assumir por determina\u00e7\u00e3o da ditadura. Com essa opera\u00e7\u00e3o, a pol\u00edcia pol\u00edtica conseguiu desmantelar todo o trabalho que o PCB tinha desenvolvido na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O trabalho de organiza\u00e7\u00e3o do proletariado nas grandes empresas, com a experi\u00eancia acumulada no ABC, j\u00e1 tinha se espalhado para outras regi\u00f5es oper\u00e1rias do pa\u00eds. Uma das \u00faltimas experi\u00eancias exitosas deste trabalho foi a greve dos motoristas e cobradores de \u00f4nibus na cidade de S\u00e3o Paulo, realizada em 1974, sob a dire\u00e7\u00e3o do PCB, tendo \u00e0 frente o presidente do Sindicato, Alcides Bouno, militante do Partido. O PCB tinha j\u00e1 organiza\u00e7\u00e3o de base na CMTC (Companhia Metropolitana dos Transportes Coletivos, empresa p\u00fablica municipal) e em empresas privadas, al\u00e9m de dirigentes da Federa\u00e7\u00e3o dos Transportes. Conforme noticiado pela Voz Oper\u00e1ria de junho de 1974, a greve ocorreu no dia dois de maio de 1974 e paralisou parcialmente a cidade, atingindo cerca de dois milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>O movimento foi desencadeado em protesto contra o reajuste salarial determinado pelo Tribunal Regional do Trabalho, considerado insuficiente pelos trabalhadores. Para a Voz Oper\u00e1ria, que noticiou o evento, o movimento obteve uma das maiores repercuss\u00f5es naqueles anos e demonstrou n\u00e3o s\u00f3 a insatisfa\u00e7\u00e3o com a pol\u00edtica salarial da ditadura, comprovando que os trabalhadores e as trabalhadoras j\u00e1 n\u00e3o suportavam mais os reajustes salariais abaixo da infla\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de indicar a organiza\u00e7\u00e3o do Partido junto aos motoristas e cobradores de \u00f4nibus. Al\u00e9m disso, o jornal informou ainda que a popula\u00e7\u00e3o foi simp\u00e1tica ao movimento, porque possivelmente j\u00e1 n\u00e3o confiava nas promessas das autoridades governamentais. Como foi realizada essa greve na maior cidade do pa\u00eds, em pleno regime de terror e ofensiva para liquidar o PCB? O articulista an\u00f4nimo da Voz Oper\u00e1ria descreve com tantos detalhes a greve dos \u00f4nibus na cidade de S\u00e3o Paulo, cujo relato demonstra que era testemunha ocular ou participante dos fatos relatados pelo jornal.<\/p>\n<p>\u201cNo dia 2 de maio a cidade foi parcialmente paralisada com uma greve de motoristas e cobradores das empresas particulares. Esse movimento teve profundas repercuss\u00f5es, pois milhares de oper\u00e1rios n\u00e3o puderam ir ao trabalho. A greve foi total nas seguintes empresas: &#8216;Alto do Pari&#8217;, 11 linhas; &#8216;Empresa Paulista de \u00f4nibus&#8217;, cinco linhas; &#8216;Via\u00e7\u00e3o Urbana Penhas&#8217;, cinco linhas; &#8216;Empresa S\u00e3o Miguel&#8217;, dez linhas; &#8216;Cia. Auxiliar&#8217;, nove linhas; &#8216;Via\u00e7\u00e3o Itaquera&#8217;, duas linhas; &#8216;Penha-S\u00e3o Miguel&#8217;, 328 \u00f4nibus ficaram encostados na garagem. Segundo o sr. Paulo Marinho, diretor da CMTC, a greve atingiu uma \u00e1rea de 360 quil\u00f4metros quadrados, onde vivem dois milh\u00f5es de pessoas\u201d. Voz Oper\u00e1ria prossegue na descri\u00e7\u00e3o detalhada da greve: \u201cNa madrugada do dia 2, principalmente na Zona Leste de S\u00e3o Paulo, nos pontos de \u00f4nibus, as filas come\u00e7aram a se formar &#8230; As filas come\u00e7aram a crescer \u00e0s quatro e meia da manh\u00e3 nas ruas de S\u00e3o Miguel Paulista, Itaquera, Guaianazes e outros 20 bairros da Zona Leste, onde cerca de um milh\u00e3o de pessoas usa diariamente o sistema de \u00f4nibus. No final da tarde, no Parque D. Pedro, onde se localiza o ponto final da maioria dos \u00f4nibus da Zona Leste, a cavalaria da Pol\u00edcia Militar ocupou militarmente o local, a fim de impedir protestos populares\u201d.<\/p>\n<p>Um dos aspectos importantes desse movimento grevista foi o fato de que a greve interferiu no processo de trabalho de v\u00e1rias empresas da capital, na interrup\u00e7\u00e3o das aulas em col\u00e9gios e faculdades e, especialmente, teve o apoio da popula\u00e7\u00e3o que, mesmo sendo privada do transporte para ir ao trabalho ou \u00e0s aulas, compreendeu as raz\u00f5es dos trabalhadores e de suas reivindica\u00e7\u00f5es, conforme relata Voz Oper\u00e1ria: \u201cDezenas de viaturas policiais foram mobilizadas para impedir o protesto dos passageiros. Pelos c\u00e1lculos da CMTC s\u00f3 na Zona Leste deixaram de circular 1.282 \u00f4nibus. Milhares de oper\u00e1rios n\u00e3o puderam ir ao trabalho ou chegaram com horas de atraso. Segundo um assessor da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias (de S\u00e3o Paulo, EC) o movimento grevista representou uma queda razo\u00e1vel na produtividade de centenas de empresas. Milhares de estudantes tamb\u00e9m n\u00e3o puderam ir \u00e0s aulas. Fato muito significativo foi a rea\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o: poucas pessoas ficaram contra os motoristas e cobradores, porque a grande maioria reconheceu que era justo, pois sabem que os rodovi\u00e1rios ganham muito pouco, trabalham v\u00e1rias horas extras por dia em condi\u00e7\u00f5es duras\u201d.<\/p>\n<p>Diante da greve e da disposi\u00e7\u00e3o dos trabalhadores de enfrentar os patr\u00f5es e a pol\u00edtica de arrocho salarial, a ditadura procurou de todas as formas desarticular o movimento, mediante a censura aos jornais, que foram proibidos de noticiar a greve. A pol\u00edcia pol\u00edtica foi \u00e0 casa daqueles que considerava l\u00edderes da greve e prendeu dezenas de motoristas. Diz Voz Oper\u00e1ria: \u201cOs jornais foram proibidos de dar uma not\u00edcia verdadeira sobre o que houve. As televis\u00f5es receberam ordem de censura para nada dizerem. Mas a BBC de Londres, no mesmo dia, deu uma informa\u00e7\u00e3o sobre o movimento grevista &#8230; As autoridades tudo fizeram para impedir o movimento. Desde a noite anterior, agentes do DOPS procuraram os motoristas e cobradores em casa a fim de amea\u00e7\u00e1-los e lev\u00e1-los para o trabalho. Todos os motoristas da pol\u00edcia e da Prefeitura foram mobilizados para conduzir os \u00f4nibus. Mas em muitos casos se perderam nas ruas, pois a maioria n\u00e3o conhecia os itiner\u00e1rios dos \u00f4nibus. A pol\u00edcia tamb\u00e9m prendeu dezenas de motoristas que consideravam os cabe\u00e7as da greve\u201d. Mesmo com toda repress\u00e3o, essa greve hist\u00f3rica e relativamente an\u00f4nima para as novas gera\u00e7\u00f5es e ausente dos livros oficiais de Hist\u00f3ria, demonstrou que, mesmo nas mais dram\u00e1ticas condi\u00e7\u00f5es, a classe trabalhadora tem capacidade de resistir e lutar por seus interesses.<\/p>\n<p>\u00c9 muito controverso especular sobre conjunturas que poderiam ter acontecido. Os fatos da vida s\u00e3o reais e concretos e, por isso mesmo, qualquer avalia\u00e7\u00e3o baseada naquilo que poderia ter acontecido \u00e9 mesmo mera especula\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o se pode tamb\u00e9m deixar de avaliar elementos da realidade que ocorreram na mesma conjuntura real e que contribu\u00edram para que determinadas for\u00e7as pol\u00edticas e sociais n\u00e3o pudessem ter tido oportunidade de realizar todo o ciclo de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Trata-se de uma interven\u00e7\u00e3o brutal de um inimigo muito mais poderoso no processo conjuntural, no caso espec\u00edfico, a ofensiva da ditadura para destruir o PCB, e n\u00e3o um resultado do curso natural dos acontecimentos. Com certeza a ditadura sabia perfeitamente quem era seu inimigo estrat\u00e9gico e, por isso, buscou cortar pela raiz um trabalho de base que vinha sendo constru\u00eddo com paci\u00eancia e hero\u00edsmo por dedicados militantes comunistas. Eles n\u00e3o queriam a emerg\u00eancia de um PCB enraizado na classe oper\u00e1ria no processo da chamada abertura lenta, segura e gradual.<\/p>\n<p>Os v\u00e1rios documentos da intelig\u00eancia militar que chegaram ao conhecimento p\u00fablico indicam que ocorreu uma opera\u00e7\u00e3o de Estado-Maior da ditadura, numa cadeia hier\u00e1rquica que envolvia desde o presidente da Rep\u00fablica, os principais chefes militares e da intelig\u00eancia, at\u00e9 os esbirros que comandavam e praticavam a viol\u00eancia e os assassinatos nas salas de tortura, com o objetivo de liquidar o PCB. Eles tinham pavor da emerg\u00eancia de um PCB enraizado na classe oper\u00e1ria no processo da chamada abertura lenta, segura e gradual. Nessa ofensiva, a ditadura matou na tortura os principais dirigentes do Comit\u00ea Central, v\u00e1rios dirigentes estaduais e prendeu praticamente toda a milit\u00e2ncia do Partido no Brasil. S\u00e3o raros os militantes comunistas daquele per\u00edodo que n\u00e3o foram presos. Essa opera\u00e7\u00e3o desarticulou o PCB por alguns anos, uma vez que seus dirigentes estavam mortos, presos ou no ex\u00edlio quando come\u00e7aram as movimenta\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias no ABC no in\u00edcio da segunda metade da d\u00e9cada de 70.<\/p>\n<p>Essa conjuntura, aliada aos erros do Comit\u00ea Central que voltou do ex\u00edlio, abriu espa\u00e7o para que outras for\u00e7as pol\u00edticas emergissem na conjuntura, quando os comunistas ainda estavam desarticulados e curando as feridas provocadas pela repress\u00e3o. Possivelmente a hist\u00f3ria do movimento oper\u00e1rio na regi\u00e3o do ABC e no Brasil teria sido outra se a ditadura n\u00e3o tivesse destru\u00eddo o trabalho dos comunistas entre o proletariado brasileiro. Mas a experi\u00eancia realizada no ABC, que a Hist\u00f3ria ainda n\u00e3o tinha contado, pode ser considerada uma das mais her\u00f3icas e belas p\u00e1ginas da resist\u00eancia dos comunistas e da classe oper\u00e1ria na luta contra a ditadura brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32872\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[365,56,46,5,383,15],"tags":[222],"class_list":["post-32872","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-centenario-do-pcb","category-c67-greve","category-c56-memoria","category-s4-pcb","category-pronunciamentos-da-secretaria-geral","category-s18-sindical","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8yc","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32872","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32872"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32872\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32873,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32872\/revisions\/32873"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}