{"id":32988,"date":"2025-07-09T12:30:07","date_gmt":"2025-07-09T15:30:07","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=32988"},"modified":"2025-07-09T12:30:07","modified_gmt":"2025-07-09T15:30:07","slug":"a-vitoriosa-luta-de-libertacao-dos-povos-africanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32988","title":{"rendered":"A vitoriosa luta de liberta\u00e7\u00e3o dos povos africanos"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"32989\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32988\/image-6-15-768x403-1\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-6-15-768x403-1.jpg?fit=768%2C403&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"768,403\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-6-15-768&amp;#215;403 (1)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-6-15-768x403-1.jpg?fit=747%2C392&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-32989\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-6-15-768x403-1.jpg?resize=747%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-6-15-768x403-1.jpg?w=768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-6-15-768x403-1.jpg?resize=300%2C157&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Desfile p\u00fablico em comemora\u00e7\u00e3o \u00e0 vit\u00f3ria da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique na Guerra de Independ\u00eancia. Foto: Jos\u00e9 Chasin\/Wikimedia<\/p>\n<p>Carlos Lopes Pereira<\/p>\n<p>ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>H\u00e1 quase meio s\u00e9culo, quatro das cinco col\u00f4nias africanas sob dom\u00ednio de Portugal \u2013 Mo\u00e7ambique, Cabo Verde, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e Angola \u2013 proclamaram ao longo de 1975 a sua independ\u00eancia. Mas a luta de liberta\u00e7\u00e3o nacional dos povos mo\u00e7ambicano, cabo-verdiano, santomense e angolano come\u00e7ou antes. E n\u00e3o terminou ainda\u2026<\/p>\n<p>Assinala-se neste ano o 50.\u00ba anivers\u00e1rio das independ\u00eancias, proclamadas em 1975, de Mo\u00e7ambique (a 25 de Junho), de Cabo Verde (a 5 de Julho), de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe (a 12 de Julho) e de Angola (a 11 de Novembro). A outra antiga col\u00f4nia africana sob dom\u00ednio de Portugal, a Guin\u00e9, comemorou mais cedo os 50 anos da sua independ\u00eancia, j\u00e1 que a Rep\u00fablica da Guin\u00e9-Bissau nasceu a 24 de Setembro de 1973, proclamada unilateralmente ainda em plena luta armada de liberta\u00e7\u00e3o nacional contra o colonialismo portugu\u00eas.<\/p>\n<p>A emerg\u00eancia destes novos Estados africanos tem ra\u00edzes nas seculares lutas emancipadoras dos seus povos, oprimidos, explorados e humilhados, mas que sempre resistiram \u00e0 domina\u00e7\u00e3o estrangeira. Essa resist\u00eancia, desde os tempos da escravatura e do tr\u00e1fico negreiro e, depois, do trabalho for\u00e7ado, assumiu diversas formas, incluindo a luta armada. Na Guin\u00e9, em Angola, em Mo\u00e7ambique, as \u00abguerras de pacifica\u00e7\u00e3o\u00bb \u2013 na verdade de submiss\u00e3o dos povos africanos aos pa\u00edses colonialistas, decidida na Confer\u00eancia de Berlim (1884-85) \u2013 s\u00f3 terminaram em princ\u00edpios do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes, a oposi\u00e7\u00e3o multiforme aos ocupantes intensificou-se e os ideais \u00abprotonacionalistas\u00bb alargaram-se e consolidaram-se, quer atrav\u00e9s de revoltas, de manifesta\u00e7\u00f5es e de greves, quer em torno de grupos \u00abnativistas\u00bb (por exemplo, a Liga Nacional Africana), de movimentos culturais, de revistas (como A Mensagem, em Angola) e jornais (como A Voz de Cabo Verde, na Praia, o Brado Africano, em Louren\u00e7o Marques) e mesmo de algumas tentativas \u2013 em geral reprimidas brutalmente \u2013 de forma\u00e7\u00e3o de sindicatos ou de simples associa\u00e7\u00f5es recreativas. A partir do final da Segunda Guerra Mundial, com o surgimento de um contexto internacional favor\u00e1vel \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o dos povos, a resist\u00eancia organizada contra a domina\u00e7\u00e3o estrangeira intensificou-se em pa\u00edses da \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina. A derrota do nazifascismo, o crescente prest\u00edgio da URSS e das suas bandeiras de liberta\u00e7\u00e3o dos povos oprimidos, a independ\u00eancia da Indon\u00e9sia e da \u00cdndia, a cria\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Popular da China, mais tarde o come\u00e7o da insurrei\u00e7\u00e3o armada na Arg\u00e9lia, a Confer\u00eancia de Bandung, as her\u00f3icas lutas dos vietnamitas na Indochina, a vitoriosa Revolu\u00e7\u00e3o Cubana \u2013 tudo isso favoreceu os ideais emancipalistas nas ent\u00e3o col\u00f3nias portuguesas em \u00c1frica.<\/p>\n<p>Na segunda metade da d\u00e9cada de quarenta do s\u00e9culo XX, jovens de Cabo Verde, Guin\u00e9, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, Angola e Mo\u00e7ambique vieram para Portugal prosseguir os seus estudos superiores \u2013 nas col\u00f4nias, nessa \u00e9poca, n\u00e3o havia universidades. O guineense-cabo-verdiano Am\u00edlcar Cabral, os angolanos Agostinho Neto, M\u00e1rio de Andrade e L\u00facio Lara, os santomenses Francisco Tenreiro e Alda Esp\u00edrito Santo, o guineense Vasco Cabral, os mo\u00e7ambicanos Marcelino dos Santos e No\u00e9mia de Sousa foram, entre outros, alguns desses estudantes que se envolveram e evidenciaram, ainda na metr\u00f3pole colonial, em actividades antifascistas e anticolonialistas e, mais tarde, nos seus pa\u00edses de origem, nas lutas de liberta\u00e7\u00e3o nacional e, ap\u00f3s as independ\u00eancias, na governan\u00e7a dos novos Estados.<\/p>\n<p>Entre 1945 e 1960, no per\u00edodo em que viveram em Portugal, esses jovens estudaram e lutaram lado a lado com outros companheiros, portugueses e africanos, intervindo nas associa\u00e7\u00f5es estudantis, na Casa dos Estudantes do Imp\u00e9rio \u2013 um alfobre de quadros nacionalistas patriotas \u2013, alguns deles nas estruturas clandestinas do Partido Comunista Portugu\u00eas, no movimento pela paz, em organiza\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas como o Movimento de Unidade Democr\u00e1tica (MUD) Juvenil, que combatiam a ditadura fascista-colonialista portuguesa. Ao mesmo tempo, mantinham liga\u00e7\u00f5es com os patriotas nas col\u00f4nias \u2013 chegaram a fundar, em 1954, em Lisboa, um Clube Mar\u00edtimo Africano, onde estudantes, marinheiros e outros trabalhadores conviviam e trocavam not\u00edcias e informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para alguns jovens africanos vivendo na metr\u00f3pole do imp\u00e9rio colonial portugu\u00eas, esses anos foram \u00abtempos de aprendizagem\u00bb da luta antifascista e anticolonialista, da leitura dos cl\u00e1ssicos marxistas, do estudo da Hist\u00f3ria e da Cultura dos seus povos (criaram um Centro de Estudos Africanos, em 1951), da \u00abreafricaniza\u00e7\u00e3o dos esp\u00edritos\u00bb, do conhecimento mais profundo dos combates emancipadores vitoriosos na \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina \u2013, tempos em que se empenharam tamb\u00e9m no lan\u00e7amento da luta organizada de liberta\u00e7\u00e3o nacional das suas p\u00e1trias, ent\u00e3o sob dom\u00ednio de Portugal.<\/p>\n<p>Os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o das ex-col\u00f4nias portuguesas<\/p>\n<p>Em 1956, Am\u00edlcar Cabral, que terminara os seus estudos universit\u00e1rios em Lisboa e estivera dois anos na Guin\u00e9 como engenheiro agr\u00f4nomo, trabalhou em Portugal e em Angola e viajou muito entre Lisboa e Luanda. Numa passagem por Bissau, em setembro, fundou com outros patriotas guineenses e cabo-verdianos, clandestinamente, o Partido Africano da Independ\u00eancia (PAI), mais tarde da Guin\u00e9 e Cabo Verde (PAIGC).<\/p>\n<p>No mesmo ano, um pouco mais tarde, em dezembro, patriotas angolanos criaram, em Luanda, unificando pequenas organiza\u00e7\u00f5es anteriores, o Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA).<\/p>\n<p>Desde cedo, os patriotas nacionalistas angolanos, guineenses, cabo-verdianos, mo\u00e7ambicanos e santomenses preconizaram a unidade de a\u00e7\u00e3o contra o colonialismo portugu\u00eas, o inimigo comum. J\u00e1 nos anos 50, em Lisboa, tinham formado o Movimento Democr\u00e1tico das Col\u00f4nias Portuguesas e, depois, o Movimento pela Liberta\u00e7\u00e3o dos Povos das Col\u00f4nias Portuguesas, ambos com vida ef\u00eamera. Em 1957, pela conjuga\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os do MPLA, do PAIGC, de nacionalistas de Mo\u00e7ambique e de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, nascia na sequ\u00eancia de uma \u00abreuni\u00e3o de consulta e estudo para o desenvolvimento da luta contra o colonialismo portugu\u00eas\u00bb, realizada em Paris, o Movimento Anti-Colonialista (MAC). Sempre com o objetivo de melhorar a coordena\u00e7\u00e3o da luta comum contra o colonialismo portugu\u00eas, o MAC foi dissolvido, em janeiro de 1960, por ocasi\u00e3o da II Confer\u00eancia dos Povos Africanos, em Tunes, e substitu\u00eddo pela Frente Revolucion\u00e1ria Africana para a Independ\u00eancia Nacional (FRAIN). Em abril de 1961, em Casablanca, por iniciativa de Am\u00edlcar Cabral, M\u00e1rio de Andrade e Marcelino dos Santos, com o apoio de Marrocos, foi criada a CONCP (Confer\u00eancia das Organiza\u00e7\u00f5es Nacionalistas das Col\u00f4nias Portuguesas), que substituiu a FRAIN, ainda com a finalidade de coordenar e unir for\u00e7as contra o inimigo comum, o colonialismo portugu\u00eas.<\/p>\n<p>O CLSTP (Comit\u00ea de Liberta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe), fundado em 1960, no ex\u00edlio, juntou-se tamb\u00e9m \u00e0 CONCP. Mais tarde, em 1972, mudou a designa\u00e7\u00e3o para MLSTP (Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe). A CONCP manteve-se ativa at\u00e9 1975, com a independ\u00eancia de Angola. Tinha cumprido a sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, nos primeiros dias de 1960, Am\u00edlcar Cabral deixou Portugal e, com outros patriotas, instalou o secretariado-geral do PAIGC em Conakry. A dire\u00e7\u00e3o do MPLA no exterior fixou-se tamb\u00e9m, durante algum tempo, na capital da rec\u00e9m-independente Rep\u00fablica da Guin\u00e9, dirigida pelo Partido Democr\u00e1tico da Guin\u00e9 (PDG), do presidente Ahmed S\u00e9kou Tour\u00e9.<\/p>\n<p>Nessa altura, na Guin\u00e9 e no Senegal, no seio da emigra\u00e7\u00e3o guineense e cabo-verdiana, surgiram outros pequenos grupos nacionalistas, que o PAIGC logrou integrar no seu seio, numa pol\u00edtica de unidade. A partir do come\u00e7o dos anos 60, o Partido de Am\u00edlcar Cabral tornou-se assim o \u00fanico movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional a liderar e desenvolver a luta pol\u00edtica e, mais tarde, tamb\u00e9m armada, dos povos guineense e cabo-verdiano.<\/p>\n<p>Em Angola, a par do MPLA, surgem tamb\u00e9m, nos anos 50, a UPNA (Uni\u00e3o das Popula\u00e7\u00f5es do Norte de Angola), mais tarde UPA (Uni\u00e3o das Popula\u00e7\u00f5es de Angola) \u2013 de car\u00e1ter tribal e racista \u2013 e depois FNLA (Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional de Angola), encabe\u00e7ada por Holden Roberto e apoiada pelo Zaire e pelo imperialismo estadunidense; e, em 1966, a Unita (Uni\u00e3o Nacional para a Independ\u00eancia Total de Angola), chefiada por Jonas Savimbi e apoiada pelos Estados Unidos da Am\u00e9rica. At\u00e9 \u00e0 independ\u00eancia, e depois, no terreno, estas duas forma\u00e7\u00f5es (FNLA e Unita) lutaram, sobretudo, contra o MPLA, em conluio com o ex\u00e9rcito colonial portugu\u00eas. Depois de abril de 1974, aliaram-se \u00e0 \u00c1frica do Sul do apartheid contra a Rep\u00fablica Popular de Angola.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a Angola, importa destacar que Agostinho Neto, a grande figura do nacionalismo angolano, foi perseguido pelo fascismo portugu\u00eas com especial ferocidade. Estudante de medicina em Portugal, primeiro em Coimbra e depois em Lisboa, relaciona-se com outros estudantes e participa com as for\u00e7as progressistas nas lutas contra a ditadura fascista-colonialista. Foi preso pela PIDE em 1952 e acusado de liga\u00e7\u00f5es ao PCP. A sua segunda pris\u00e3o ocorreu entre 1955 e 1957 e passou pelos c\u00e1rceres de Caxias e do Aljube antes de ser transferido para a cadeia da PIDE no Porto. Foi julgado, juntamente com meia centena de democratas portugueses, no Tribunal Plen\u00e1rio Criminal do Porto, por \u00abatividades subversivas de car\u00e1cter comunista\u00bb. J\u00e1 m\u00e9dico, regressado a Angola, foi preso em 1960, em Luanda, e transferido com a fam\u00edlia para Lisboa. Deportado para Cabo Verde, foi ali, na ilha de Santo Ant\u00e3o, em 1961, que tomou conhecimento da revolta na Baixa de Cassanje, em janeiro, e do 4 de fevereiro, em Luanda, que marcou o in\u00edcio da luta armada de liberta\u00e7\u00e3o nacional em Angola.<\/p>\n<p>Regressando a Lisboa, foi preso de novo no Aljube e, depois, fixaram-lhe resid\u00eancia em Lisboa. Poucos meses depois, em julho de 1962, numa arrojada opera\u00e7\u00e3o organizada pelo Partido Comunista Portugu\u00eas, na clandestinidade, em coordena\u00e7\u00e3o com o MPLA, Agostinho Neto e a fam\u00edlia, juntamente com Vasco Cabral, patriota guineense tamb\u00e9m perseguido pela PIDE (que o acusava de ser membro do PCP), fogem de Portugal. Bem sucedida a sa\u00edda do pa\u00eds \u2013 a bordo de um pequeno barco, numa arriscada viagem entre Lisboa e T\u00e2nger \u2013, Agostinho Neto regressou \u00e0 \u00c1frica e a Angola e retomou, \u00e0 frente do MPLA, o seu posto de combate. Proclamaria, em 11 de novembro de 1975, em Luanda, a independ\u00eancia da Rep\u00fablica Popular de Angola, tornando-se o primeiro presidente do jovem Estado.<\/p>\n<p>Em Mo\u00e7ambique, em 1962, era criada a Frente de Liberta\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique (FRELIMO), resultado da fus\u00e3o de tr\u00eas organiza\u00e7\u00f5es, entre as quais a UDENAMO, onde militava Marcelino dos Santos, principal organizador dessa unidade. Eduardo Mondlane foi o primeiro presidente da FRELIMO, o \u00fanico movimento que combateu de armas na m\u00e3o o colonialismo portugu\u00eas em Mo\u00e7ambique. Mondlane foi assassinado em 1969 pela PIDE e substitu\u00eddo, mais tarde, por Samora Machel, que liderou a luta armada pela independ\u00eancia e, depois, a partir de junho de 1975, tornou-se o primeiro presidente da Rep\u00fablica Popular de Mo\u00e7ambique. Morreu em 1986, num acidente de avia\u00e7\u00e3o, muito provavelmente provocado por agentes do apartheid sul-africano.<\/p>\n<p>As lutas pela independ\u00eancia e a cegueira da ditadura fascista<\/p>\n<p>Em finais de 1960, \u00e0 semelhan\u00e7a do que o MPLA j\u00e1 tinha feito, o PAIGC dirigiu um memorando ao governo fascista e colonialista de Portugal propondo uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica, negociada, para a independ\u00eancia das col\u00f4nias sob domina\u00e7\u00e3o portuguesa.<\/p>\n<p>\u00abA via pela qual vai ser feita a liquida\u00e7\u00e3o total do colonialismo portugu\u00eas na Guin\u00e9 e em Cabo Verde depende exclusivamente do governo portugu\u00eas. No entanto, os nossos povos e o nosso Partido, que est\u00e3o preparados e se preparam cada vez mais para enfrentar o pior, julgam ser seu dever lembrar ao governo portugu\u00eas que ainda n\u00e3o \u00e9 tarde para proceder \u00e0 liquida\u00e7\u00e3o pac\u00edfica da domina\u00e7\u00e3o colonial portuguesa nas nossas terras. A menos que o governo portugu\u00eas queira arrastar o povo de Portugal para o desastre de uma guerra colonial na Guin\u00e9 e em Cabo Verde\u00bb \u2013 escreveu Am\u00edlcar Cabral numa carta de 15 de novembro de 1960, assinada por ele e outros dirigentes do PAIGC.<\/p>\n<p>Menos de um ano depois, em outubro de 1961, os patriotas nacionalistas da Guin\u00e9 e de Cabo Verde enviaram de novo uma \u00abnota aberta\u00bb do PAIGC ao governo de Lisboa, \u00faltima tentativa para \u00aba liquida\u00e7\u00e3o pac\u00edfica da domina\u00e7\u00e3o colonial nas nossas p\u00e1trias africanas\u00bb. Em v\u00e3o: Salazar n\u00e3o respondeu e preferiu lan\u00e7ar o povo portugu\u00eas, e os povos das col\u00f4nias, numa guerra que duraria 13 anos, provocando milhares de mortos e feridos e causando enormes danos para todas as partes envolvidas.<\/p>\n<p>Estima-se que tenham participado na guerra colonial, nas tr\u00eas frentes, 800 mil jovens portugueses. Morreram cerca de 10 mil militares portugueses e foram feridos cerca de 100 mil. Mais de 200 mil jovens recusaram-se a cumprir o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio, tornando-se desertores ou refrat\u00e1rios. As baixas entre os guerrilheiros e os civis angolanos, guineenses e mo\u00e7ambicanos s\u00e3o dif\u00edceis de calcular.<\/p>\n<p>Perante a intransig\u00eancia da ditadura e sem outra alternativa que n\u00e3o fosse responder com viol\u00eancia libertadora \u00e0 viol\u00eancia colonialista, o MPLA desencadeou a luta armada de liberta\u00e7\u00e3o nacional em 4 de fevereiro de 1961, em Angola; o PAIGC em 1963, na Guin\u00e9; e a FRELIMO em 1964, em Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>A guerra emancipadora avan\u00e7ou nas tr\u00eas frentes e, embora \u00e0 custa de enormes sacrif\u00edcios dos povos africanos, a situa\u00e7\u00e3o evoluiu favoravelmente aos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m em Cabo Verde, o PAIGC, e em S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, o MLSTP, desenvolveram a luta no plano pol\u00edtico, mobilizando os povos das ilhas para os objetivos da independ\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>Com o apoio dos pa\u00edses socialistas \u2013 principalmente da URSS, de Cuba, da China \u2013 e dos pa\u00edses africanos progressistas, o PAIGC, o MPLA e a FRELIMO derrotaram ao fim de 13 anos de guerra o ex\u00e9rcito colonial portugu\u00eas, financiado e armado pelos pa\u00edses da OTAN (EUA, Gr\u00e3-Bretanha, Rep\u00fablica Federal da Alemanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, etc.) e pelos regimes racistas da \u00c1frica do Sul e da Rod\u00e9sia.<\/p>\n<p>E o derrotaram apesar dos crimes cometidos pelos colonialistas contra os povos africanos \u2013 crimes, entre muitos outros, como os b\u00e1rbaros assassinatos de Eduardo Mondlane, em 1969, e de Am\u00edlcar Cabral, em 1973; os massacres de popula\u00e7\u00f5es civis como o de Batep\u00e1, em S\u00e3o Tom\u00e9, em 1953; o de Pidjiguiti, em Bissau, em 1959; o de Mueda, em Mo\u00e7ambique, em 1960; e o da Baixa do Cassanje, em 1961, em Angola; as agress\u00f5es contra pa\u00edses vizinhos da Guin\u00e9, de Angola e de Mo\u00e7ambique; os ataques indiscriminados contra aldeias e seus campos agr\u00edcolas; as pris\u00f5es em massa e as torturas de patriotas africanos (enviados para a Ilha das Galinhas, na Guin\u00e9; para o Tarrafal, em Cabo Verde; para a Machava, em Mo\u00e7ambique; para S\u00e3o Nicolau, em Angola, entre outros c\u00e1rceres do colonialismo).<\/p>\n<p>As vit\u00f3rias pol\u00edticas e militares dos guerrilheiros guineenses e cabo-verdianos, angolanos e mo\u00e7ambicanos, em especial a proclama\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia da Rep\u00fablica da Guin\u00e9-Bissau, nas \u00e1reas libertadas do Bo\u00e9, em setembro de 1973, ainda em plena luta armada de liberta\u00e7\u00e3o nacional, aceleraram o fim do conflito.<\/p>\n<p>O setor progressista das For\u00e7as Armadas portuguesas \u2013 compreendendo que a guerra colonial estava perdida do ponto de vista militar \u2013 levou a cabo o levante de 25 de Abril de 1974, que logo se transformou em revolu\u00e7\u00e3o pela interven\u00e7\u00e3o popular e abriu caminho ao reconhecimento, por Portugal, em setembro de 1974, da Rep\u00fablica da Guin\u00e9-Bissau e, em 1975, da independ\u00eancia de Mo\u00e7ambique, Cabo Verde, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e Angola, embora neste caso com grande resist\u00eancia das for\u00e7as conservadoras e neocolonialistas no poder. Faz agora 50 anos.<\/p>\n<p>Os objetivos da luta que ficaram por cumprir<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo XX, os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional das antigas col\u00f4nias portuguesas em \u00c1frica definiram com clareza os prop\u00f3sitos do seu combate emancipador, mais al\u00e9m da conquista da independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Em 1965, na 2.\u00aa reuni\u00e3o da CONCP, que decorreu em Dar-es-Salam, Am\u00edlcar Cabral, intervindo em nome do PAIGC, do MPLA e da FRELIMO, referiu-se aos objetivos da luta, reafirmando: \u00ab(\u2026) N\u00e3o lutamos simplesmente para p\u00f4r uma bandeira no nosso pa\u00eds e para ter um hino. N\u00f3s, da CONCP, queremos que nos nossos pa\u00edses martirizados durante s\u00e9culos, humilhados, insultados, que nos nossos pa\u00edses nunca possa reinar o insulto, e que nunca mais os nossos povos sejam explorados, n\u00e3o s\u00f3 pelos imperialistas, n\u00e3o s\u00f3 pelos europeus, n\u00e3o s\u00f3 pelas pessoas de pele branca, porque n\u00e3o confundimos a explora\u00e7\u00e3o ou os fatores de explora\u00e7\u00e3o com a cor da pele dos homens; n\u00e3o queremos mais a explora\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds, mesmo feita por negros\u00bb. E, falando do futuro, insistiu que lutavam para construir, nos seus pa\u00edses, em Angola, em Mo\u00e7ambique, na Guin\u00e9, em S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, \u00abuma vida de felicidade, uma vida onde cada homem respeitar\u00e1 todos os homens, onde a disciplina n\u00e3o ser\u00e1 imposta, onde n\u00e3o faltar\u00e1 o trabalho a ningu\u00e9m, onde os sal\u00e1rios ser\u00e3o justos, onde cada um ter\u00e1 o direito a tudo o que o homem construiu, criou para a felicidade dos homens. \u00c9 para isso que lutamos\u00bb. E avisou que \u00abse n\u00e3o o conseguirmos, teremos faltado aos nossos deveres, n\u00e3o atingiremos o objetivo da nossa luta\u00bb.<\/p>\n<p>O balan\u00e7o dos 50 anos de independ\u00eancia, em Mo\u00e7ambique, Cabo Verde, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e Angola, tal como o da Guin\u00e9-Bissau, ser\u00e1 feito, naturalmente, de forma soberana, pelo povo de cada um desses pa\u00edses africanos e respectivas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais. Mas \u00e9 evidente que, apesar dos imensos problemas deixados pelo colonialismo \u2013 o analfabetismo, a pobreza, o desemprego, as dificuldades na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o, no abastecimento de \u00e1gua e de electricidade, na habita\u00e7\u00e3o condigna, nos transportes \u2013, das guerras, do garrote da d\u00edvida, fen\u00f4menos de corrup\u00e7\u00e3o, apesar de tudo isso, e ao contr\u00e1rio do que pretendem os saudosos do fascismo e do colonialismo, a independ\u00eancia foi um avan\u00e7o hist\u00f3rico irrepet\u00edvel, um acelerador do desenvolvimento que beneficiou milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Importa tamb\u00e9m sublinhar que, sendo verdade que, neste meio s\u00e9culo (1975-2025), o objetivo maior da constru\u00e7\u00e3o de sociedades sem explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi atingido nos novos Estados africanos, ex-col\u00f4nias portuguesas, n\u00e3o \u00e9 menos certo que a independ\u00eancia de Mo\u00e7ambique e de Angola foi fundamental para as transforma\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas que, nesse per\u00edodo, ocorreram na \u00c1frica Austral.<\/p>\n<p>Com a solidariedade combatente dos povos mo\u00e7ambicano e angolano \u2013 e com a ajuda internacionalista de Cuba \u2013, o Zimbabwe, em 1980, e a Nam\u00edbia, em 1990, tornaram-se independentes. Entretanto, em 1988, a hist\u00f3rica vit\u00f3ria militar das for\u00e7as angolanas e cubanas em Cuito Cuanavale, sobre as for\u00e7as sul-africanas e da Unita, abriu o caminho para a liberta\u00e7\u00e3o de Nelson Mandela (1990) e o desmantelamento do apartheid na \u00c1frica do Sul, culminando com as primeiras elei\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas sul-africanas, em 1994.<\/p>\n<p>Ainda hoje, em boa parte da \u00c1frica Austral, os partidos da independ\u00eancia e da vit\u00f3ria sobre os regimes racistas mant\u00eam-se no poder \u2013 em Angola, Mo\u00e7ambique, Nam\u00edbia, Zimbabwe, \u00c1frica do Sul, Tanz\u00e2nia \u2013, apesar dos esfor\u00e7os do imperialismo para minar e enfraquecer esta frente progressista.<\/p>\n<p>\u2605\u2605\u2605<\/p>\n<p>\u00abVarrer totalmente do solo de \u00c1frica todas as manifesta\u00e7\u00f5es do imperialismo\u00bb<\/p>\n<p>\u00ab(\u2026) Queremos dizer-vos que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c1frica, n\u00f3s, da CONCP, estamos confiantes no destino da \u00c1frica. Temos na pr\u00f3pria \u00c1frica exemplos a seguir e temos igualmente em \u00c1frica exemplos que n\u00e3o devemos seguir. A \u00c1frica \u00e9, pois, hoje, rica de exemplos, e se n\u00f3s, amanh\u00e3, trairmos os interesses dos nossos povos, n\u00e3o ser\u00e1 porque n\u00e3o o soub\u00e9ssemos, ser\u00e1 porque quisemos trair e n\u00e3o teremos ent\u00e3o qualquer desculpa.<\/p>\n<p>Em \u00c1frica, somos pela liberta\u00e7\u00e3o total do continente africano do jugo colonial, porque sabemos que o colonialismo \u00e9 um instrumento do imperialismo. Queremos, pois, ver varrida totalmente do solo de \u00c1frica todas as manifesta\u00e7\u00f5es do imperialismo, estamos na CONCP inflexivelmente contra o neocolonialismo, seja qual for a forma que ele tomar. A nossa luta n\u00e3o \u00e9 apenas contra o colonialismo portugu\u00eas; queremos, no \u00e2mbito da nossa luta, contribuir da forma mais eficaz para expulsar para sempre do nosso continente a domina\u00e7\u00e3o estrangeira.<\/p>\n<p>Em \u00c1frica, batemo-nos pela unidade africana, mas pela unidade africana a favor dos povos africanos. Consideramos que a unidade \u00e9 um meio e n\u00e3o um fim. A unidade pode refor\u00e7ar, pode acelerar a realiza\u00e7\u00e3o dos fins, mas n\u00e3o devemos trair o objetivo em vista. \u00c9 por isso mesmo que n\u00e3o estamos muito apressados em reclamar a unidade africana. Sabemos que ela surgir\u00e1 passo a passo, como um resultado dos esfor\u00e7os fecundos dos povos africanos. Surgir\u00e1 a servi\u00e7o da \u00c1frica, a servi\u00e7o da humanidade. Estamos convencidos, absolutamente convencidos, na CONCP, que a valoriza\u00e7\u00e3o, em conjunto, das riquezas do nosso continente, das capacidades humanas, morais, culturais do nosso continente, contribuir\u00e1 para criar um espa\u00e7o humano rico, consideravelmente rico, que por seu lado contribuir\u00e1 para enriquecer ainda mais a humanidade. Mas n\u00e3o queremos que o sonho deste fim possa trair nas suas realiza\u00e7\u00f5es os interesses de cada povo africano. N\u00f3s, por exemplo, na Guin\u00e9 e em Cabo Verde, declaramos abertamente no programa do nosso Partido que estamos prontos a nos unir seja com que pa\u00eds africano for, e para isso apenas pomos uma condi\u00e7\u00e3o: que as conquistas, as aquisi\u00e7\u00f5es do nosso povo na luta de liberta\u00e7\u00e3o nacional, as aquisi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais, de justi\u00e7a que pretendemos e realizamos j\u00e1, pouco a pouco, que tudo isto n\u00e3o seja comprometido por unidades com outros povos. \u00c9 a nossa \u00fanica condi\u00e7\u00e3o para a unidade.<\/p>\n<p>Somos, em \u00c1frica, a favor de uma pol\u00edtica africana que procure defender em primeiro lugar os interesses dos povos africanos, de cada pa\u00eds africano, mas a favor tamb\u00e9m de uma pol\u00edtica que n\u00e3o esque\u00e7a em momento algum os interesses do mundo, de toda a humanidade. Somos a favor de uma pol\u00edtica de paz em \u00c1frica e de colabora\u00e7\u00e3o fraternal com todos os povos do mundo. (\u2026)\u00bb.<\/p>\n<p>[Trecho do discurso pronunciado por Am\u00edlcar Cabral, em 5 de Outubro de 1965, na sess\u00e3o plen\u00e1ria da II Confer\u00eancia das Organiza\u00e7\u00f5es Nacionalistas das Col\u00f4nias Portuguesas (CONCP), em Dar-es-Salam]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/32988\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[177,65,10],"tags":[233],"class_list":["post-32988","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8A4","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32988","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32988"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32988\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":32990,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32988\/revisions\/32990"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}