{"id":3312,"date":"2012-08-09T01:20:14","date_gmt":"2012-08-09T01:20:14","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3312"},"modified":"2012-08-09T01:20:14","modified_gmt":"2012-08-09T01:20:14","slug":"apos-tres-anos-poder-em-honduras-segue-nas-maos-de-golpistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3312","title":{"rendered":"Ap\u00f3s tr\u00eas anos, poder em Honduras segue nas m\u00e3os de golpistas"},"content":{"rendered":"\n<p>Nas Honduras, o golpe que derrubou o presidente Manuel Zelaya deteriorou a situa\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f3mica do pa\u00eds. A ruptura da ordem constitucional, o consequente isolamento internacional, a revers\u00e3o das principais reformas impulsionadas por Zelaya, assim como a remilitariza\u00e7\u00e3o da sociedade e a eclos\u00e3o de uma crise pol\u00edtica, econ\u00f3mica e social sem precedentes levaram o pa\u00eds \u00e0 beira do colapso.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em 28 de junho de 2009, Honduras acordou em meio a um pesadelo. O ent\u00e3o presidente Manuel Zelaya havia sofrido um golpe de Estado e foi for\u00e7ado a abandonar o pa\u00eds durante a madrugada. A crise iniciada com o golpe afetou profundamente a sociedade hondurenha, que at\u00e9 hoje n\u00e3o se recuperou do epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>Para Victor Meza, diretor do CEDOH (Centro de Documenta\u00e7\u00e3o de Honduras) e ex-ministro do Interior durante o governo Zelaya, o golpe atentou contra o estado de direito. \u201cFoi uma barb\u00e1rie cometida por um bando delinquente de militares mercen\u00e1rios e grupos empresariais ultraconservadores\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o foi confirmada pela Comiss\u00e3o da Verdade e da Reconcilia\u00e7\u00e3o, presidida pelo ex-vice-presidente da Guatemala, Eduardo Stein. A inst\u00e2ncia indicou em seu relat\u00f3rio final que o Congresso Nacional \u201cn\u00e3o tinha atribui\u00e7\u00f5es para destituir o presidente e nem para nomear um substituto\u201d. Nesse sentido, a nomea\u00e7\u00e3o de Roberto Micheletti como presidente interino de Honduras \u201cfoi ilegal e seu governo foi um governo de fato\u201d.<\/p>\n<p>A ruptura da ordem constitucional, o consequente isolamento internacional, a revers\u00e3o das principais reformas impulsionadas por Zelaya, assim como a remilitariza\u00e7\u00e3o da sociedade e a eclos\u00e3o de uma crise pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social sem precedentes levaram o pa\u00eds \u00e0 beira do colapso.<\/p>\n<p>O suspeito processo eleitoral que, em novembro de 2009, ascendeu Porf\u00edrio Lobo \u00e0 Presid\u00eancia e a assinatura dos Acordos de Cartagena, que em maio de 2011 abriram espa\u00e7o para o regresso do ex-presidente Zelaya ao pa\u00eds n\u00e3o serviram para normalizar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o membro da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica do FNRP (Frente Nacional de Resist\u00eancia Popular), Carlos H. Reyes, o golpe n\u00e3o apenas perseguiu o objetivo de aprofundar o modelo neoliberal e entregar a grupos olig\u00e1rquicos o controle do Estado, mas tamb\u00e9m freou as reformas impulsionadas com o apoio das for\u00e7as sociais do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cTudo isso gerou um grande retrocesso que se agravou com a aprova\u00e7\u00e3o de leis que surgiram para atropelar os direitos dos trabalhadores, camponeses e setores populares em geral. Aproveitaram-se da conjuntura para continuar concedendo nossos recursos naturais, estendendo benef\u00edcios para grandes transnacionais e privatizando os servi\u00e7os p\u00fablicos\u201d, disse Reyes em entrevista ao Opera Mundi.<\/p>\n<p>Para Eugenio Sosa, analista pol\u00edtico hondurenho, \u201cas institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o erodidas e deslegitimadas perante a popula\u00e7\u00e3o por sua incapacidade de enfrentar os grandes dilemas que afetam o pa\u00eds. Os dados s\u00e3o dram\u00e1ticos e a maioria das pessoas convive com um sentimento crescente de inseguran\u00e7a e desespero\u201d.<\/p>\n<p>Durante a gest\u00e3o de Porf\u00edrio Lobo foram registradas quase 13 mil mortes violentas, o equivalente a 20 v\u00edtimas di\u00e1rias. Uma das categorias mais vitimadas foi a jornal\u00edstica. No total, 29 profissionais da imprensa foram assassinados ao longo dos \u00faltimos anos, 24 deles durante o mandato de Lobo.<\/p>\n<p>Mais al\u00e9m, o conflito agr\u00e1rio que atinge o norte do pa\u00eds \u2013 mais especificamente a zona de Bajo Agu\u00e1n \u2013 deixou um saldo de quase 50 camponeses assassinados ap\u00f3s o golpe. No mesmo per\u00edodo, foram mortos 68 membros da comunidade LGBT (L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais). Desses, 46 durante a atual administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 atores invis\u00edveis, como o crime organizado e o narcotr\u00e1fico, que permeiam todas as institui\u00e7\u00f5es e poderes do Estado. Depois do golpe aproveitaram a debilidade institucional para se refor\u00e7arem ainda mais, como \u00e9 o caso dram\u00e1tico da pol\u00edcia\u201d, explicou Sosa.<\/p>\n<p><strong>Direitos Humanos<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com dados do COFADEH (Comit\u00ea de Familiares de Detentos Desaparecidos em Honduras), ap\u00f3s o golpe de Estado, foram registradas mais de 12 mil viola\u00e7\u00f5es a direitos humanos fundamentais, incluindo 2189 assassinatos de mulheres e a morte de 7315 jovens.<\/p>\n<p>\u201cO golpismo segue enraizado no pa\u00eds e h\u00e1 total impunidade. Temos um Estado colapsado e uma institucionalidade falida que engaveta os casos enquanto todo o pa\u00eds submerge cada vez mais na criminaliza\u00e7\u00e3o de movimentos sociais, na militariza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e na aprova\u00e7\u00e3o de leis que atentam contra os direitos humanos\u201d, disse Dina Meza, jornalista e ativista do COFADEH.<\/p>\n<p>Segundo ela, Honduras est\u00e1 vivendo uma crise de direitos humanos nunca antes vista. \u201cN\u00e3o temos a menor d\u00favida de que existe uma estrat\u00e9gia para instaurar o terror na popula\u00e7\u00e3o e para usar o assassinato pol\u00edtico como instrumento para frear o avan\u00e7o das manifesta\u00e7\u00f5es sociais e da cria\u00e7\u00e3o de alternativas pol\u00edticas\u201d, manifestou Meza.<\/p>\n<p><strong>Crise econ\u00f4mica<\/strong><\/p>\n<p>Nesse contexto, s\u00e3o inevit\u00e1veis as repercuss\u00f5es econ\u00f4micas. Para o economista e professor universit\u00e1rio Wilfredo Gir\u00f3n Castillo, o golpe deteriorou completamente a economia de Honduras. \u201cO pa\u00eds n\u00e3o produz, o governo n\u00e3o conseguiu recuperar seu fluxo de caixa e o \u00fanico setor que segue crescendo e acumulando capital \u00e9 o banc\u00e1rio; isso \u00e0s custas do endividamento do Estado. Os demais setores est\u00e3o agonizando\u201d, disse Gir\u00f3n ao Opera Mundi.<\/p>\n<p>De acordo com ele, a oligarquia nacional segue controlando as finan\u00e7as e o Estado continua se endividando. \u201cO endividamento gerado pelo governo com bancos privados para financiar o golpe n\u00e3o apenas colocou o Estado de joelhos, mas tamb\u00e9m se intensificou ao longo desses tr\u00eas anos\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para o economista, a \u00fanica forma de sair desta crise \u00e9 uma mudan\u00e7a de modelo econ\u00f4mico e pol\u00edtico, e sua abertura para pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>\u201cEstamos em um beco sem sa\u00edda, com um Estado quebrado e um setor produtivo que n\u00e3o produz. As primeiras consequ\u00eancias j\u00e1 est\u00e3o sendo vividas com a classe m\u00e9dia caminhando para o empobrecimento\u201d, disse Gir\u00f3n.<\/p>\n<p><strong>Expectativas<\/strong><\/p>\n<p>Diante desta dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o, os integrantes do FNRP fundaram, em junho de 2011, o partido Libre (Liberdade e Refunda\u00e7\u00e3o) \u2013 bra\u00e7o pol\u00edtico da resist\u00eancia hondurenha. O novo partido, que j\u00e1 foi inscrito perante as autoridades eleitorais, conduzir\u00e1 elei\u00e7\u00f5es internas em novembro deste ano, para escolher seus candidatos a cargos populares nas elei\u00e7\u00f5es nacionais de 2013.<\/p>\n<p>\u201cEm Honduras, houve avan\u00e7os e retrocessos. Estamos em uma fase de transi\u00e7\u00e3o para a devolu\u00e7\u00e3o de garantias b\u00e1sicas aos cidad\u00e3os e para uma reconstru\u00e7\u00e3o plena do tecido institucional que foi violentado e despeda\u00e7ado pelo golpe. Conseguimos diversificar o espectro pol\u00edtico da sociedade, debilitando o sistema bipartid\u00e1rio, e h\u00e1 um despertar de consci\u00eancia no sentido de que as mudan\u00e7as s\u00e3o poss\u00edveis e necess\u00e1rias\u201d, explicou Meza.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo dia 1\u00ba de julho, na cidade de Santa B\u00e1rbara, oeste do pa\u00eds, o Libre lan\u00e7ar\u00e1 a candidatura para a Presid\u00eancia de Xiomara Castro, mulher do presidente deposto Manuel Zelaya. \u201cAs elei\u00e7\u00f5es de 2013 v\u00e3o marcar uma nova etapa para Honduras e para a candidatura de Xiomara Castro, que est\u00e1 gerando muitas expectativas\u201d, explicou Sosa.<\/p>\n<p>Diante do avan\u00e7o desta nova op\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-social, o COFADEH adverte sobre um poss\u00edvel recrudescimento da viol\u00eancia seletiva. \u201cNa medida em que avan\u00e7a o processo eleitoral, tamb\u00e9m se incrementa a viol\u00eancia. J\u00e1 temos sete pessoas assassinadas que postulavam cargos pelo Libre\u201d, alertou Dina Meza.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2571\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2571<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: ODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nGiorgio Trucchi\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3312\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[30],"tags":[],"class_list":["post-3312","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c38-honduras"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Rq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3312"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3312\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}