{"id":33158,"date":"2025-09-17T11:50:34","date_gmt":"2025-09-17T14:50:34","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33158"},"modified":"2025-09-17T11:50:34","modified_gmt":"2025-09-17T14:50:34","slug":"a-vergonha-suprema-da-nossa-civilizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33158","title":{"rendered":"A vergonha suprema da &#8220;nossa civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33159\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33158\/unnamed-55\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/unnamed.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"705,470\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/unnamed.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-33159\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/unnamed.jpg?resize=705%2C470&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"705\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/unnamed.jpg?w=705&amp;ssl=1 705w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/unnamed.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Palestinos passam por entre os escombros do edif\u00edcio residencial al-Roya, na zona oeste da cidade de Gaza, ap\u00f3s um ataque a\u00e9reo israelense, em 8 de setembro de 2025<br \/>\nCr\u00e9ditos: Mohammed Saber \/ EPA<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o\u00a0 &#8211;\u00a0 ABRILABRIL<\/p>\n<p>Se a preocupa\u00e7\u00e3o dos nossos governos fosse outra, equivalente \u00e0 que n\u00f3s sentimos, h\u00e1 muito que as a\u00e7\u00f5es genocidas sionistas teriam sido interrompidas e existiria o Estado vi\u00e1vel a que os palestinos t\u00eam direito.<\/p>\n<p>Os projetos para a constru\u00e7\u00e3o de uma luxuosa est\u00e2ncia de turismo mundial na Faixa de Gaza constituem o mais repugnante exemplo de desumanidade e de agress\u00e3o aos direitos humanos resultante da perversa degrada\u00e7\u00e3o a que chegou o chamado \u00abmundo ocidental\u00bb, ou \u00abocidente coletivo\u00bb, que se diz deposit\u00e1rio da \u00abnossa civiliza\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>A obra prevista, que se inspira no novo riquismo arquitet\u00f4nico e violador do ambiente de Dubai e de outras est\u00e2ncias das petromonarquias \u00e1rabes, mas ultrapassa at\u00e9 as condi\u00e7\u00f5es luxuosas por elas proporcionadas, ir\u00e1 se assentar num genoc\u00eddio, numa limpeza \u00e9tnica, em pilhas de centenas de milhares de restos mortais de seres humanos depositados em cemit\u00e9rios formais ou improvisados, em valas comuns ou que jazem pulverizados entre milh\u00f5es de toneladas de escombros.<\/p>\n<p>As consci\u00eancias dos energ\u00famenos mais ricos do mundo, acompanhadas pelas de estratos das classes m\u00e9dias e altas da Am\u00e9rica, da Europa e da \u00c1sia dispostas a empenhar-se para exibir o status grandioso que almejam desde sempre, estar\u00e3o serenas e pacificadas ao gozar das del\u00edcias dos spas das mil e uma noites. E tamb\u00e9m ao degustar os manjares servidos em lugares onde dezenas de milhares de crian\u00e7as morreram de fome ou, mais prosaicamente, ao banhar-se nas \u00e1guas mediterr\u00e2nicas paradis\u00edacas livres da presen\u00e7a dos vasos de guerra israelenses e nas quais os paup\u00e9rrimos pescadores palestinos foram sempre proibidos de cultivar o seu sustento.<\/p>\n<p>O fara\u00f4nico empreendimento que o mega construtor civil Donald Trump, em fun\u00e7\u00f5es de presidente dos Estados Unidos da Am\u00e9rica e de imperador ocidental, planeja construir na Faixa de Gaza \u00e9 um ambicioso ca\u00e7ador e gerador de fortunas em que se transformar\u00e1 grande parte do \u00abnovo Oriente M\u00e9dio\u00bb que o capitalismo neoliberal pretende fazer nascer a partir do exterm\u00ednio do povo palestino. Ou, com mais propriedade, da \u00absolu\u00e7\u00e3o final\u00bb do \u00abproblema palestino\u00bb.<\/p>\n<p>Um tal cen\u00e1rio id\u00edlico transformar-se-\u00e1 na mais ilustrativa imagem de marca da democracia liberal, ficando por saber-se em que se distinguir\u00e1 esta do fascismo trumpiano, do nazismo-banderista de Kiev, das ditaduras terroristas \u00e1rabes e da perversidade exot\u00e9rica, racista e exterminadora do sionismo. Em suma, um magma indestrin\u00e7\u00e1vel que representar\u00e1, finalmente, a \u00abnossa civiliza\u00e7\u00e3o\u00bb num globalismo totalit\u00e1rio em marcha. Desde que consiga, \u00e9 claro, vergar os BRICS, destro\u00e7ar a Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai, fazer descarrilar e naufragar a Iniciativa Cintura e Estrada, minar a Uni\u00e3o Econ\u00f4mica Euroasi\u00e1tica, virar a R\u00fassia contra a China, a \u00cdndia contra a China e a R\u00fassia contra a \u00cdndia e desbaratar todas as formas de solidariedade e desenvolvimento que avan\u00e7am no resto do mundo, para desespero da sacrossanta \u00abordem internacional baseada em regras\u00bb. A\u00ed, por\u00e9m, como se diz no riqu\u00edssimo vern\u00e1culo portugu\u00eas, \u00ab\u00e9 que a porca torce o rabo\u00bb.<\/p>\n<p>Um Far West no Middle East (um faroeste no Oriente M\u00e9dio)<\/p>\n<p>Antes de nos atermos diretamente \u00e0 desumanidade selv\u00e1tica e \u00e0 miss\u00e3o sangrenta atrav\u00e9s da qual o colonialismo ocidental pretende regenerar os territ\u00f3rios palestinos ocupados, reflitamos um pouco sobre o enquadramento internacional que a chacina adquiriu.<\/p>\n<p>Vivemos numa democracia liberal, dizem-nos as gangues governamentais da Uni\u00e3o Europeia e da Am\u00e9rica do Norte, de bra\u00e7os dados com as oposi\u00e7\u00f5es que invocam \u00abestatuto governativo\u00bb. Em Portugal explicam-nos, sem pudor nem vergonha, que se trata de continuar o caminho aberto em 25 de Abril de 1974. Um desmando que deveria fazer pensar e proporcionar uma honesta autocr\u00edtica a todos os que, invocando as melhores das inten\u00e7\u00f5es, recorreram \u00e0s hordas saudosas do salazarismo, por mais polidas que estivessem, para fazer triunfar o 25 de Novembro e, eles o diziam, recolocar Portugal na leg\u00edtima senda do 25 de Abril. Vejam aonde isso nos conduziu.<\/p>\n<p>Ora a democracia liberal, onde os seguidores de Salazar, Pinochet e agora do transtornado ditador fascista argentino Javier Milei desempenham pap\u00e9is cada vez mais influentes, guia-se pela tal \u00abordem internacional baseada em regras\u00bb, uma doutrina que espezinha o Direito Internacional ao mesmo tempo em que formata a opini\u00e3o dos cidad\u00e3os numa confus\u00e3o \u00fanica e unificada.<\/p>\n<p>A democracia liberal, com a sua ordem casu\u00edstica e ilegal, \u00e9 o regime da arbitrariedade, do golpismo, do oportunismo, da persegui\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o livre e da privacidade de cada qual para servir os maiores interesses econ\u00f4micos e financeiros mundiais. Sendo estes movidos por uma elite criminosa, mafiosa e traficante cada vez mais rica e restrita.<\/p>\n<p>A \u00abordem baseada em regras\u00bb tem a guerra como a principal plataforma de atua\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 por acaso que Donald Trump, num gesto raro de honestidade e lucidez, tenha decidido substituir o Departamento da Defesa (minist\u00e9rio, Pent\u00e1gono) por um Departamento da Guerra. Ficou tudo claro: o chefe do Ocidente acaba de confirmar que, quando a OTAN, a Uni\u00e3o Europeia e os nossos governos falam em \u00abdoutrina de defesa\u00bb ou investimentos \u00abna defesa\u00bb, querem dizer \u00abdoutrina de guerra\u00bb ou investimentos na guerra. Seria bom que, por uma quest\u00e3o de coer\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica de seguidismo rasteiro, o nosso governo ressuscitasse a terminologia salazarenta de \u00abMinist\u00e9rio da Guerra\u00bb. Para maior ventura de Ventura.<\/p>\n<p>A democracia liberal \u00e9 tudo isto, mais a mentira, uma pr\u00e1tica necess\u00e1ria, por\u00e9m nunca suficiente, para que todos acreditemos que vivemos em democracia.<\/p>\n<p>Por esta via era inevit\u00e1vel o que est\u00e1 acontecendo. A mentalidade sem lei do velho faroeste colonizador estadunidense, assentado no exterm\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e respectiva substitui\u00e7\u00e3o por uma popula\u00e7\u00e3o imigrante, configurou o estilo de vida ocidental, o padr\u00e3o da democracia liberal.<\/p>\n<p>O primeiro primeiro-ministro de Israel, o cidad\u00e3o polaco David Ben-Gurion, nascido David Grun e de m\u00e3e Scheindel, costumava dizer que n\u00e3o via qualquer problema no tratamento genocida dado aos \u00edndios dos EUA, porque \u00abuma ra\u00e7a superior\u00bb foi tomar conta do territ\u00f3rio. \u00abDeus os fez, Deus os juntou\u00bb, dir\u00e1 o povo. O comportamento de Israel n\u00e3o \u00e9 mais do que a r\u00e9plica do massacre dos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica do Norte (e do Sul) para instala\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o imigrante, embora praticada com meios mais sofisticados e baseada numa doutrina de inspira\u00e7\u00e3o divina para justificar as carnificinas terrenas. Mais uma raz\u00e3o para se perceber que o eixo Estados Unidos-Israel \u00e9 \u00abindestrut\u00edvel\u00bb, como se diz em ambos os pa\u00edses. Tenhamos sempre presente que a vers\u00e3o israelense mais comum sobre a cria\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e9 a de que \u00abDeus prometeu-nos esta terra h\u00e1 cinco mil anos\u00bb. Uma cl\u00e1usula delirante assumida, com toda a naturalidade, pela \u00abordem nacional baseada em regras\u00bb.<\/p>\n<p>Dizem os chefes e os propagandistas da democracia liberal, mentindo com quantos dentes t\u00eam na boca, que defendem a solu\u00e7\u00e3o \u00abde dois Estados na Palestina\u00bb, porque \u00e9 isso que est\u00e1 estabelecido no Direito Internacional, coisa que desprezam com todas as suas for\u00e7as.<\/p>\n<p>Existe uma exce\u00e7\u00e3o honrosa, que se afirma cada vez com mais coragem e esp\u00edrito humanit\u00e1rio, mesmo sabendo que n\u00e3o passa de uma voz a pregar no cruel deserto ocidental: o governo espanhol e o seu presidente, Pedro Sanchez. Sanchez n\u00e3o contorna a realidade ao garantir que estamos perante o genoc\u00eddio de um povo, n\u00e3o quer saber de Von der Leyen, Costas, Trumps e Netanyahus para nada. E, ao contr\u00e1rio dos seus parceiros na Uni\u00e3o Europeia e na OTAN, tomou medidas para que, ele o diz, ainda seja poss\u00edvel salvaguardar a \u00absolu\u00e7\u00e3o de dois Estados\u00bb. Por\u00e9m, como diz o povo, \u00abn\u00e3o h\u00e1 regra sem exce\u00e7\u00e3o\u00bb e, no transtornado Ocidente, \u00e9 a regra que continua a vigorar.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m mais do que eles, os chefes e propagandistas da democracia liberal, sabe que est\u00e3o proferindo uma das suas supremas e deslavadas mentiras. Enquanto falam em \u00abdois Estados\u00bb em ritmo de mantra, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu (ali\u00e1s Mileikovsky, do seu pai polaco), assegura que vai acelerar a coloniza\u00e7\u00e3o da Cisjord\u00e2nia e o massacre em Gaza (para \u00abcombater o Hamas\u00bb), de modo a que n\u00e3o seja poss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o de um Estado Palestino. O chefe do governo de Telavive, perseguido pela justi\u00e7a internacional mas pavoneando-se onde for necess\u00e1rio na Uni\u00e3o Europeia e nos Estados Unidos, n\u00e3o tem pejo em dizer o que sente e em praticar a \u00abordem internacional baseada em regras\u00bb, atitude em que \u00e9 bem mais honesto do que os seus aliados. Os nossos governos superam em hipocrisia o criminoso sionista. Falam, falam e voltam a falar num Estado Palestino, vertem l\u00e1grimas de crocodilo pelos mortos, as crian\u00e7as e os famintos, indignam-se enquanto se vergam \u00e0s ordens dos embaixadores de Israel que o Mossad distribui pelo mundo e, no fim, assistem ao exterm\u00ednio do povo palestino sem mexerem uma palha.<\/p>\n<p>Porque n\u00e3o um resort?<br \/>\nPerante estes comportamentos haver\u00e1 raz\u00e3o para nos surpreendermos com os planos de constru\u00e7\u00e3o de um resort balnear de luxo sobre pilhas de centenas de milhares de cad\u00e1veres e os restos de vidas penosas deixados por dois milh\u00f5es de mortos-vivos? No fundo, planos como esses mais n\u00e3o s\u00e3o do que uma manifesta\u00e7\u00e3o monstruosa, \u00e9 certo, da desumanidade e do desprezo pelas pessoas inerentes \u00e0 democracia liberal. Se a preocupa\u00e7\u00e3o dos nossos governos fosse outra, equivalente \u00e0 que n\u00f3s sentimos, h\u00e1 muito que as a\u00e7\u00f5es genocidas sionistas teriam sido interrompidas e existiria o Estado vi\u00e1vel a que os palestinos t\u00eam direito. Um Estado cuja institui\u00e7\u00e3o ser\u00e1 uma realidade, queira ou n\u00e3o o sionismo \u2013 a \u00fanica d\u00favida \u00e9 saber quando. Os governos e os regimes criminosos n\u00e3o duram para sempre e a Hist\u00f3ria est\u00e1 cheia de derrocadas de regimes terroristas an\u00e1logos. Destino que espera, tamb\u00e9m, o totalitarismo neoliberal.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o que est\u00e1 em vigor no mundinho ocidental, por enquanto, \u00e9 a \u00abordem internacional baseada em regras\u00bb. \u00c9 verdade que o Direito Internacional n\u00e3o permite a Donald Trump exercer soberania sobre um territ\u00f3rio que n\u00e3o pertence ao seu pa\u00eds, a Faixa de Gaza, para a\u00ed dar vaz\u00e3o a pervers\u00f5es negociais. Da mesma maneira, as conven\u00e7\u00f5es internacionais impedem Israel de provocar altera\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas e estruturais nos territ\u00f3rios que tem sob ocupa\u00e7\u00e3o: Gaza, Cisjord\u00e2nia e Jerusal\u00e9m Leste. A ordem internacional arbitr\u00e1ria existe exatamente para que o Ocidente cometa essas ilegalidades, mas isso n\u00e3o quer dizer que o Direito Internacional tenha sido revogado para sempre. A parte imensa do mundo que est\u00e1 para al\u00e9m do quintalzinho representado pelo chamado \u00abocidente coletivo\u00bb, equivalente a pouco mais de 15%, trabalha pela sua reposi\u00e7\u00e3o e tem dado passos estrat\u00e9gicos fundamentais para que isso aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, contudo, ainda permite aos governantes e seguidores do conceito transviado de democracia liberal sonharem com o para\u00edso tur\u00edstico numa Faixa de Gaza arrasada e terraplanada com tudo o que nela existe, incluindo a vida humana.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenhamos d\u00favidas de que, assim que o Egito abrir as portas em Rafah, na fronteira sul do enclave, grande parte da popula\u00e7\u00e3o de Gaza nem necessitar\u00e1 de ser empurrada pelos agentes sionistas: fugir\u00e1, pura e simplesmente, em busca nem que seja de umas migalhas que agora lhes negam, das tendas que substituam as casas que lhes arrasaram, de uma sopa preparada por uma caridadezinha sempre pronta a exibir-se para socorrer os desvalidos, de uma nova vida penosa e incerta que, afinal, h\u00e1 muito lhe prometem no deserto.<\/p>\n<p>As gangues pol\u00edticas ocidentais, ent\u00e3o j\u00e1 aliviadas por, finalmente, ter sido resolvido o \u00abproblema palestino\u00bb, juntar-se-\u00e3o na inaugura\u00e7\u00e3o pomposa do para\u00edso de Gaza e espojar-se-\u00e3o de gozo sobre as amenidades de um luxo raro criadas sobre os escombros humanos, materiais e civilizacionais de uma cultura milenar \u00e0 qual a nossa foi beber quase tudo. Com exce\u00e7\u00e3o, claro, das pervers\u00f5es e dos desvios comportamentais selvagens a que se dedica.<\/p>\n<p>Nessa ocasi\u00e3o, por outro lado e perante as chocantes evid\u00eancias, ser\u00e3o muitos mais os cidad\u00e3os ocidentais saturados das prega\u00e7\u00f5es sobre a defesa dos direitos humanos, o bem-estar das popula\u00e7\u00f5es e as garantias do primado da democracia e do Estado de direito proferidas pelos seus dirigentes. Ao viverem em realidades paralelas e usarem as pessoas como instrumentos dos interesses que existem para as aviltar, os governos e os regimes da democracia liberal cavam, a prazo, as pr\u00f3prias sepulturas, a exemplo do que aconteceu com numerosas ditaduras que tiveram a honestidade de se assumirem como tal, e das quais herdaram muitos e nefastos m\u00e9todos e comportamentos.<\/p>\n<p>A solidariedade com o povo palestino e o ativismo popular em sua defesa, que crescem em todo o mundo, e em Portugal tamb\u00e9m, est\u00e3o contribuindo para minar o poder da mentira dos sociopatas da democracia liberal \u2013 at\u00e9 o dia em que os forcemos a perder o p\u00e9.<\/p>\n<p>E quem sabe se isso n\u00e3o ir\u00e1 acontecer antes de ser edificado o mir\u00edfico e doentio resort de Gaza? Em boa verdade, tudo depende de n\u00f3s e est\u00e1 longe de ser uma tarefa imposs\u00edvel. Evocando mais uma vez a Hist\u00f3ria, recordemos que ela est\u00e1 repleta de bons exemplos de justi\u00e7a e liberta\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 preciso fazer por isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33158\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,9,255,10,78],"tags":[222],"class_list":["post-33158","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s10-internacional","category-israel","category-s19-opiniao","category-c91-solidariedade-a-palestina","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8CO","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33158"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33160,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33158\/revisions\/33160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}