{"id":3321,"date":"2012-08-09T20:58:20","date_gmt":"2012-08-09T20:58:20","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3321"},"modified":"2012-08-09T20:58:20","modified_gmt":"2012-08-09T20:58:20","slug":"pacotes-nao-adiantam-industria-continuara-sentindo-efeitos-do-modelo-neoliberal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3321","title":{"rendered":"\u2018Pacotes\u2019 n\u00e3o adiantam: ind\u00fastria continuar\u00e1 sentindo efeitos do modelo neoliberal"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A pol\u00edtica neoliberal iniciada na d\u00e9cada de 90 causou estragos severos ao parque industrial brasileiro, com o sucateamento de v\u00e1rios setores industriais como o de auto-pe\u00e7as, cal\u00e7ados, brinquedos, bem como o desmantelamento de v\u00e1rias elos das cadeias industriais, como eletro-eletr\u00f4nicos. Essa pol\u00edtica, implementada mediante a abertura radical da economia, arrocho salarial, elevadas taxas de juros, privatiza\u00e7\u00f5es e sobrevaloriza\u00e7\u00e3o do real, tornou mais baratos m\u00e1quinas, equipamentos e produtos em geral oriundos do exterior, o que se refletiu num aumento acelerado das exporta\u00e7\u00f5es, d\u00e9ficit na balan\u00e7a comercial durante todo o governo FHC, aumento do desemprego, queda no consumo e sucateamento do parque industrial.<\/em><\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o de FHC por Lula e depois Dilma n\u00e3o mudou no essencial esse pol\u00edtica: os juros continuaram os mais altos do mundo, a abertura da economia n\u00e3o apresentou mudan\u00e7as substantivas, o real continuou sobrevalorizado, muito embora num patamar inferior ao do governo FHC, o que permitiu um al\u00edvio no setor exportador. J\u00e1 a d\u00edvida interna, que aumentou de maneira extraordin\u00e1ria no governo anterior, continuou sendo instrumento chave para a administra\u00e7\u00e3o da economia e cobrando um percentual cada vez maior do or\u00e7amento para o pagamento dos juros.<\/p>\n<p>A economia brasileira e, especialmente, seu parque industrial, que j\u00e1 vinha sofrendo os efeitos negativos em fun\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada perdida dos anos 80, passou a apresentar elevados \u00edndices de defasagem em rela\u00e7\u00e3o ao resto do mundo, especialmente no que se refere aos elementos mais din\u00e2micos da terceira revolu\u00e7\u00e3o industrial, como as tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, engenharia gen\u00e9tica, biotecnologia, rob\u00f3tica, microeletr\u00f4nica, novos materiais, entre outros, mas tamb\u00e9m o pr\u00f3prio parque industrial interno sofreu as conseq\u00fc\u00eancias dessa pol\u00edtica de terra arrasada.<\/p>\n<p><strong>Cai o peso do setor industrial no PIB<\/strong><\/p>\n<p>O reflexo mais expressivo dessa conjuntura pode ser medido por uma redu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o do setor industrial na forma\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB), avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio e uma lenta mais permanente reprimariza\u00e7\u00e3o sofisticada da economia e do setor exportador, o que os especialistas est\u00e3o denominando de desindustrializa\u00e7\u00e3o. Por exemplo, em 2004, ano do in\u00edcio do governo FHC, a participa\u00e7\u00e3o do setor industrial no PIB era de 19,2%, percentual que foi caindo sucessivamente at\u00e9 atingir os 14,6% em 2011.<\/p>\n<p>Se avaliarmos mais especificamente o desempenho do setor industrial, veremos que, ap\u00f3s a crise sist\u00eamica global, essa situa\u00e7\u00e3o veio a se agravar ainda mais: antes da crise (2002-2008), o PIB industrial cresceu a uma m\u00e9dia de 3,5% ao ano, mas no per\u00edodo correspondente a 2009-2011 o crescimento m\u00e9dio do PIB industrial foi de apenas 1,9%. O desempenho na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o foi ainda mais dram\u00e1tico: antes da crise o PIB da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o cresceu em m\u00e9dia 3,3%, performance que regrediu ap\u00f3s a crise para magros 0,2% (Exame, No. 47, abril de 2012).<\/p>\n<p>Outro dado que demonstra a regress\u00e3o industrial do Pa\u00eds, pode ser constatado pelo desempenho do setor exportador. Entre 2007 e 2011: a participa\u00e7\u00e3o dos produtos agropecu\u00e1rios no conjunto das exporta\u00e7\u00f5es aumentou de 32% para 48% , enquanto as exporta\u00e7\u00f5es do setor produtor de manufaturados caiu de 52% para 36% no mesmo per\u00edodo, o que demonstra claramente o processo de reprimariza\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo verificado na economia brasileira.<\/p>\n<p>Esse desempenho, \u00e9 verdade, n\u00e3o deve ser creditado exclusivamente \u00e0 pol\u00edtica interna. Alguns fatores externos tamb\u00e9m contribu\u00edram para essa conjuntura. As pol\u00edticas de facilidade quantitativas dos pa\u00edses centrais, o protecionismo, aliado \u00e0s barreiras tarif\u00e1rias e n\u00e3o tarif\u00e1rias, as pol\u00edticas de desvaloriza\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias dos Estados Unidos e China, o aumento dos pre\u00e7os das commodities e redu\u00e7\u00e3o dos valores dos produtos manufaturados, entre outros pontos, tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis, muito embora a pol\u00edtica governamental de submiss\u00e3o ao neoliberalismo a \u00e0s estrat\u00e9gias do capital financeiro internacional podem ser consideradas os vetores principais da crise na ind\u00fastria brasileira.<\/p>\n<p><strong>Os \u2018pacotes\u2019 de Dilma<\/strong><\/p>\n<p>Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, o governo Dilma vem lan\u00e7ando v\u00e1rios \u201cpacotes\u201d de est\u00edmulo \u00e0 economia e, especialmente, \u00e0 ind\u00fastria, que envolvem repasses do Tesouro para o BNDES e a \u201cdesonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos\u201d de v\u00e1rios setores industriais, redu\u00e7\u00e3o do IPI e cr\u00e9ditos para a exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nenhuma medida foi anunciada no sentido de favorecer os trabalhadores. O governo nem exigiu das empresas beneficiadas o compromisso de garantia do emprego.<\/p>\n<p>Na verdade, o governo est\u00e1 apenas enxugando gelo, uma vez que a pol\u00edtica econ\u00f4mica em geral continua, em sua ess\u00eancia, ligada \u00e0s pol\u00edticas neoliberais. Mesmo com as recentes medidas para baixar os juros, as taxas praticadas no Brasil ainda est\u00e3o entre as maiores do mundo e a economia continua sendo administrada em fun\u00e7\u00e3o do pagamento dos servi\u00e7os da d\u00edvida interna. Somente nos dois \u00faltimos anos, o Pa\u00eds pagou, s\u00f3 de juros dessa d\u00edvida, mais de R$ 400 bilh\u00f5es, recursos suficientes para resolver a maior parte dos problemas sociais do Pa\u00eds, o que significa uma cavalar transfer\u00eancia de riqueza do setor p\u00fablico para os principais grupos privados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: IP\n\n\n\n\n\n\n\n\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3321\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[96],"tags":[],"class_list":["post-3321","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c109-imprensa-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Rz","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3321","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3321"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3321\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}