{"id":33216,"date":"2025-10-07T20:38:45","date_gmt":"2025-10-07T23:38:45","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33216"},"modified":"2025-10-07T20:38:45","modified_gmt":"2025-10-07T23:38:45","slug":"um-agente-laranja-ronda-a-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33216","title":{"rendered":"Um agente laranja ronda a Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33217\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33216\/attachment\/1000076843\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1000076843.jpg?fit=899%2C520&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"899,520\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"1000076843\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1000076843.jpg?fit=747%2C432&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-33217\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1000076843.jpg?resize=747%2C432&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"432\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1000076843.jpg?w=899&amp;ssl=1 899w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1000076843.jpg?resize=300%2C174&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/1000076843.jpg?resize=768%2C444&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Leonardo Silva Andrada &#8211; militante do PCB de Juiz de Fora (MG)<\/p>\n<p>\u201c[O imperialismo] Na apar\u00eancia \u00e9 muito poderoso, mas, na verdade, n\u00e3o \u00e9 nada a temer;<br \/>\n\u00e9 um tigre de papel. De fora um tigre, dentro \u00e9 feito de papel, incapaz de resistir ao vento e \u00e0 chuva.\u201d<br \/>\nMao Zedong<\/p>\n<p>Um fantasma ronda a Am\u00e9rica Latina: o fantasma da interven\u00e7\u00e3o imperialista. Aumento de tarifas, deslocamento da marinha de guerra e declara\u00e7\u00f5es amea\u00e7adoras foram algumas das express\u00f5es recentes, na busca por encurtar a r\u00e9dea que controla a regi\u00e3o. Nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, o centro do imp\u00e9rio escolheu um CEO com postura comercial agressiva, como op\u00e7\u00e3o t\u00e1tica no enfrentamento aos efeitos mais sens\u00edveis de sua debacle. Donald Trump executa a plataforma anunciada como marca de seu governo, para tentar reverter os \u00edndices negativos que traduzem a derrocada.<\/p>\n<p>Circulam opini\u00f5es garantindo que testemunhamos o colapso do dom\u00ednio estadunidense, mas a hist\u00f3ria do capitalismo \u2013 sua vertente yankee inclu\u00edda \u2013 recomenda cautela, em face da comprovada capacidade para contornar crises com paliativos mais ou menos eficientes. Em qualquer caso, ainda que ajustes de grande impacto consigam postergar o colapso final, s\u00e3o ineg\u00e1veis os sintomas de um per\u00edodo historicamente denso, que demanda opera\u00e7\u00f5es de grande alcance para adequar-se \u00e0s condi\u00e7\u00f5es presentes. Do tipo, pelo menos, que vimos em 1973, quando o esgotamento do modelo gestado em Bretton Woods reclamou transforma\u00e7\u00f5es profundas na engenharia institucional que estruturou o capitalismo p\u00f3s guerra, visando se conformar \u00e0s necessidades da fra\u00e7\u00e3o financeira \u2013 modelo que pautou um novo ciclo, em seguida chamado de neoliberalismo. Ou talvez o rearranjo de menor escopo operado em 2001, ano que marca historicamente o in\u00edcio da hegemonia estadunidense isolada que ora d\u00e1 sinais de fadiga.<\/p>\n<p>A guerra ao terror de Bush Junior foi a s\u00edntese propagand\u00edstica de uma gama de movimentos t\u00e1ticos necess\u00e1rios \u00e0 estrutura\u00e7\u00e3o do poder imperialista no per\u00edodo de fim da hist\u00f3ria, como peremptoriamente alardeavam seus ide\u00f3logos. Ao longo da d\u00e9cada transcorrida em seguida ao fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, os organismos multilaterais a servi\u00e7o da domina\u00e7\u00e3o financeira espraiaram o projeto neoliberal gestado em 73 por uma ampla parcela do planeta; a tarefa para a administra\u00e7\u00e3o imperial, nesse momento, foi reorganizar a pol\u00edtica global de forma a garantir que o excedente produzido em economias desregulamentadas continuasse fluindo em dire\u00e7\u00e3o a Wall Street, para seguir financiando os d\u00e9ficits fiscal e comercial que sustentam o militarismo e o consumismo destrutivo do american way of life, al\u00e9m de atualizar a secular pr\u00e1tica colonialista de garantir o acesso a recursos e mercados.<\/p>\n<p>A definitiva caracteriza\u00e7\u00e3o do momento como desintegra\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o global estadunidense ainda depende de dois elementos fundamentais: tempo e estudo em profundidade, para al\u00e9m do impressionismo. Se \u00e9 prematuro vaticinar que testemunhamos o in\u00edcio do fim, \u00e9 razo\u00e1vel assumir que tais impress\u00f5es derivam de sinais inequ\u00edvocos da conjuntura. As consequ\u00eancias associadas a tais sinais podem ser exageradas, eventualmente wishful thinking, mas eles existem e merecem considera\u00e7\u00e3o. Os \u00edndices da presen\u00e7a chinesa no Brasil desafiam, sem alarde, a efetividade de dois s\u00e9culos da pol\u00edtica externa dos EUA para Am\u00e9rica Latina, desde a Doutrina Monroe, as Diplomacias do D\u00f3lar e da Canhoneira, o Big Stick e suas variedades conjunturais, sempre partindo do pressuposto de que do Rio Bravo del Norte \u00e0 Patagonia, tudo e todos se submetem a Washington.<\/p>\n<p>A China \u00e9 hoje o maior parceiro comercial do Brasil: em 2024 suas importa\u00e7\u00f5es atingiram 94 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, mais do que o dobro dos 40 bilh\u00f5es de importa\u00e7\u00f5es dos EUA. No encontro dos BRICS realizado em julho passado, foram anunciados investimentos na infraestrutura para escoamento da produ\u00e7\u00e3o. O mais significativo entre eles prev\u00ea a realiza\u00e7\u00e3o de estudos para a viabilidade econ\u00f4mica e ambiental de uma ferrovia ligando o litoral do Atl\u00e2ntico, na Bahia, ao litoral do Pac\u00edfico, no Peru, cortando cinco estados brasileiros e o sul do pa\u00eds vizinho. A concretiza\u00e7\u00e3o desse projeto teria um impacto consider\u00e1vel na trajet\u00f3ria hist\u00f3rica do capitalismo brasileiro, em diferentes n\u00edveis. N\u00e3o s\u00f3 amplia o descolamento da \u00e1rea de influ\u00eancia de Washington, mas tamb\u00e9m diminui a centralidade do transporte rodovi\u00e1rio e toda a cadeia produtiva automobil\u00edstica e do petr\u00f3leo, caracter\u00edstica marcante do nosso modelo econ\u00f4mico desde o per\u00edodo da substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es de JK, subordinada ao capital estadunidense. Na mesma reuni\u00e3o houve mais uma rodada de negocia\u00e7\u00f5es para substitui\u00e7\u00e3o do meio de pagamento em transa\u00e7\u00f5es internacionais. Manter o d\u00f3lar como moeda padr\u00e3o do com\u00e9rcio exterior \u00e9 engrenagem fundamental para a preserva\u00e7\u00e3o dos pilares da economia estadunidense. O fim dessa escora institu\u00edda em meio ao butim da II Guerra exp\u00f5e a economia interna dos EUA a todos os efeitos delet\u00e9rios de seu duplo d\u00e9ficit. Por essa raz\u00e3o, tentativas de se desvencilhar da r\u00e9dea monet\u00e1ria s\u00e3o combatidas de forma intransigente por qualquer presidente estadunidense, seja ele burro ou elefante. Emblema dessa postura foi o destino que coube a dois l\u00edderes que ousaram desafiar o dogma: Muammar Khadafi e Saddam Hussein.<\/p>\n<p>Diante de tamanhas afrontas ao ancestral controle da Casa Branca, o presidente-apresentador de reality show anunciou um pacote de tarifas especiais para os produtos brasileiros, cuidando para que fique clara a conex\u00e3o com o julgamento de Bolsonaro e seus apoiadores. Acreditar que decis\u00f5es dessa categoria podem ser tomadas por amizade e proximidade ideol\u00f3gica, \u00e9 pr\u00f3prio de quem tem pouca afinidade com a din\u00e2mica pol\u00edtica. Os ataques endere\u00e7ados ao Brasil t\u00eam como vetor o enfraquecimento de um governo que tem dado sinais de aproxima\u00e7\u00e3o com a pol\u00edtica internacional gestada no bloco que apresenta a principal concorr\u00eancia \u00e0 domina\u00e7\u00e3o global estadunidense na presente quadra hist\u00f3rica. Ao mesmo tempo em que incide sobre o elo mais fraco dos BRICS, buscando intervir de alguma forma nas articula\u00e7\u00f5es que almejam consolidar as novas posi\u00e7\u00f5es de seus membros, camufla suas reais inten\u00e7\u00f5es ao escolher os Bolsonaro como aliados estrat\u00e9gicos no teatro de opera\u00e7\u00f5es brasileiro. Ap\u00f3s insistentes tentativas fracassadas, os agentes do neofascismo foram presenteados com declara\u00e7\u00f5es e medidas favor\u00e1veis a seu pleito de premia\u00e7\u00e3o dos golpistas. Dado o hist\u00f3rico dos personagens, bem como a circunst\u00e2ncia do an\u00fancio, \u00e9 leg\u00edtimo supor que algo foi oferecido como esp\u00f3lio \u2013 e as especula\u00e7\u00f5es podem envolver interesses ligados a fra\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas no capitalismo financeiro e informacional contempor\u00e2neo, como livre a\u00e7\u00e3o para as corpora\u00e7\u00f5es de m\u00eddia online, ou o acesso privilegiado \u00e0s cobi\u00e7adas terras raras e seus valiosos recursos minerais.<\/p>\n<p>O recorde de movimento no porto de Santos, concomitante \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o do pacote de tarifas especiais, \u00e9 mais um entre os sintomas que v\u00eam se acumulando, de um momento de transi\u00e7\u00e3o profunda no car\u00e1ter e nos tra\u00e7os definidores da nova fase hist\u00f3rica do capitalismo, com a supera\u00e7\u00e3o da hegemonia solit\u00e1ria e isolada dos EUA. Meio s\u00e9culo depois, talvez o Departamento de Estado j\u00e1 n\u00e3o se entusiasme tanto com uma decis\u00e3o de seu mais conhecido Secret\u00e1rio. Como parte de uma estrat\u00e9gia de corros\u00e3o do poder e a influ\u00eancia da URSS, Henry Kissinger patrocinou a pol\u00edtica de reaproxima\u00e7\u00e3o com a China, que se inicia com a visita de Nixon em 1972 e se efetiva no final da d\u00e9cada, com o restabelecimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas em 1979. Independente do ju\u00edzo que se fa\u00e7a do socialismo de mercado chin\u00eas, sua origem remonta ao estabelecimento das Zonas Econ\u00f4micas Especiais, cria\u00e7\u00e3o de Deng Xiaoping em 1980, buscando dinamizar a economia chinesa a partir dos recursos proporcionados pela reaproxima\u00e7\u00e3o com o centro do sistema capitalista ocidental.<\/p>\n<p>Quanto ao que vir\u00e1 dessa altera\u00e7\u00e3o no eixo geopol\u00edtico latino-americano, \u00e9 necess\u00e1ria uma interpreta\u00e7\u00e3o acurada do car\u00e1ter e do sentido do regime chin\u00eas. Entender como \u00e9 seu Estado, de que forma se relaciona com a sociedade e as organiza\u00e7\u00f5es, como as institui\u00e7\u00f5es operam, em que assenta sua economia. Enfim, em que sentido aponta a luta de classes e como a atua\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Chin\u00eas participa dessa din\u00e2mica. Que \u00e9 uma forma desdobrada de buscar observar como se apresenta, na hist\u00f3ria, o crit\u00e9rio moral defendido por Lenin: bom \u00e9 o que ajuda a revolu\u00e7\u00e3o. Maiores considera\u00e7\u00f5es sobre as virtudes e contradi\u00e7\u00f5es do atual modelo chin\u00eas merecem uma discuss\u00e3o pr\u00f3pria, n\u00e3o sendo de grande utilidade qualquer determina\u00e7\u00e3o apressada de um par\u00e1grafo ou dois.<\/p>\n<p>O ac\u00famulo hist\u00f3rico da propaganda ideol\u00f3gica anticomunista oferece \u00e0 ofensiva imperialista farto material para dissimular seus ataques \u00e0 China. Se o debate sobre o car\u00e1ter do regime chin\u00eas \u00e9 intenso e nuan\u00e7ado, capturando o interesse e relevantes esfor\u00e7os de intelectuais e militantes, as coisas s\u00e3o planas e simples no senso comum, facilitado pela simbologia que n\u00e3o carrega legendas explicativas: trata-se de comunismo, como o pr\u00f3prio nome do partido dirigente explicita. Disso resulta que toda interven\u00e7\u00e3o t\u00e1tica visando minar a atua\u00e7\u00e3o de setores chineses na economia brasileira, tem farto apoio garantido de sa\u00edda, gra\u00e7as ao p\u00e2nico diante da bandeira vermelha que amea\u00e7a as fam\u00edlias, o cristianismo, a liberdade e as posses. Pode ajudar a dissipar o efeito da propaganda ideol\u00f3gica antichinesa, o muito concreto recorde de movimento no Porto de Santos j\u00e1 mencionado, que faz relevante contrapeso \u00e0s potenciais perdas econ\u00f4micas que adviriam do cancelamento de encomendas em raz\u00e3o da eleva\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma possibilidade hist\u00f3rica de reorienta\u00e7\u00e3o do capitalismo brasileiro, no sentido de romper com o ancestral papel dependente do centro do imperialismo, com vistas a participar em condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis no bloco que ora desafia a Terra da Liberdade. Para al\u00e9m da propaganda, \u00e9 preciso lidar com a base material que determina as posi\u00e7\u00f5es relativas no concerto das na\u00e7\u00f5es, ou minimamente na Orquestra de C\u00e2mara que se desenha. Em qualquer dos casos, a infraestrutura brasileira n\u00e3o faz frente \u00e0 russa ou \u00e0 chinesa, n\u00e3o h\u00e1 como discutir; mas disp\u00f5e de recursos estrat\u00e9gicos. Gr\u00e3os, bovinos, min\u00e9rio de ferro, petr\u00f3leo, e mais recentemente terras raras foram inclu\u00eddas no portf\u00f3lio. Adicionalmente, o ber\u00e7o espl\u00eandido \u00e9 posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica estrat\u00e9gica no hemisf\u00e9rio, e conta com infraestrutura de transportes de liga\u00e7\u00e3o continental. Em s\u00edntese, fornece commodities, log\u00edstica de escoamento e mercado consumidor em grande escala, al\u00e9m de reservas de potencial desenvolvimento ulterior, como um parque industrial maduro e estrutura acad\u00eamica para pesquisa, potencialidades que dependem de investimentos adequados para alcan\u00e7ar um outro patamar de contribui\u00e7\u00e3o para desenvolvimento aut\u00f4nomo.<\/p>\n<p>O teor do discurso de Donald Trump na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, acenando positivamente para Lula, n\u00e3o deve entusiasmar a ponto de induzir a equ\u00edvocos de avalia\u00e7\u00e3o. Estes podem ser deixados ao ufanismo dos apoiadores mais devotos do presidente brasileiro, por um lado, ou ao servilismo de seus advers\u00e1rios mais entreguistas, por outro. Trump adota uma t\u00e1tica de negociante que se apresenta como movimentos aparentemente err\u00e1ticos e contradit\u00f3rios, e n\u00e3o seria a primeira vez que agride verbalmente um visitante cordialmente convidado \u00e0 Casa Branca. De resto, sua interven\u00e7\u00e3o na balan\u00e7a comercial com o Brasil atingiu tamb\u00e9m interesses de sua pr\u00f3pria base, cuja press\u00e3o pode ter influenciado na subst\u00e2ncia do discurso. Em s\u00edntese, qualquer tentativa de antecipa\u00e7\u00e3o do que de fato ser\u00e1 negociado em uma eventual reuni\u00e3o entre os dois presidentes, a forma como essa conversa se dar\u00e1 e, principalmente, seu impacto real nas tarifas e na composi\u00e7\u00e3o futura das transa\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses, \u00e9 do campo da especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em que dire\u00e7\u00e3o apontar\u00e1 o leme do governo brasileiro, diante desse momento f\u00e1ustico do desenvolvimento econ\u00f4mico? H\u00e1 uma possibilidade concreta de reorienta\u00e7\u00e3o da rota hist\u00f3rica do capitalismo dependente e esse \u00e9 o roteiro mais avan\u00e7ado que se afigura no horizonte, por ora. At\u00e9 o momento, a conjuntura n\u00e3o oferece quaisquer elementos para os exerc\u00edcios nostrad\u00e2micos de antecipa\u00e7\u00e3o da ru\u00edna final e supera\u00e7\u00e3o desse modo de produ\u00e7\u00e3o. Parece mais sensato esperar algo como completar a revolu\u00e7\u00e3o burguesa, que a burguesia nativa nunca p\u00f4de nem quis realizar, no sentido que Florestan Fernandes deu a tal gesto: concluir a independ\u00eancia, estruturar uma efetiva comunidade pol\u00edtica, forjar enfim uma na\u00e7\u00e3o. Em verdade, um dos termos da equa\u00e7\u00e3o continua oculto; o aprofundamento democr\u00e1tico, por ancestral que seja sua reivindica\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o consta efetivamente do programa dispon\u00edvel \u2013 mas a men\u00e7\u00e3o \u00e9 oportuna. Por sua densidade e alcance, o significado do aprofundamento da rela\u00e7\u00e3o com os BRICS deve ser o eixo definidor das elei\u00e7\u00f5es de 2026. \u00c9 imprescind\u00edvel a organiza\u00e7\u00e3o e impulsionamento de um grande movimento de massas que sirva de esteio para a reorienta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que podemos operar \u2013 e que se adequadamente conduzida, pode criar condi\u00e7\u00f5es muito mais favor\u00e1veis a desdobramentos e transforma\u00e7\u00f5es ainda mais significativas; sempre observando a r\u00e9gua de Lenin.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33216\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,10],"tags":[228],"class_list":["post-33216","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8DK","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33216"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33216\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33218,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33216\/revisions\/33218"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}