{"id":33315,"date":"2025-11-06T10:44:09","date_gmt":"2025-11-06T13:44:09","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33315"},"modified":"2025-11-06T11:39:01","modified_gmt":"2025-11-06T14:39:01","slug":"33315","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33315","title":{"rendered":"Mariana\/MG: 10 anos do crime-rompimento"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33316\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33315\/attachment\/1000089646\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1000089646.jpg?fit=1024%2C1280&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1024,1280\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"1000089646\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1000089646.jpg?fit=720%2C900&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-33316\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1000089646.jpg?resize=720%2C900&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"900\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1000089646.jpg?resize=720%2C900&amp;ssl=1 720w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1000089646.jpg?resize=240%2C300&amp;ssl=1 240w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1000089646.jpg?resize=768%2C960&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1000089646.jpg?w=1024&amp;ssl=1 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Mais de 3 s\u00e9culos de luta contra a minera\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria<\/p>\n<p>UJC de Mariana &#8211; MG<\/p>\n<p>Neste 05 de novembro de 2025 completam 10 anos do maior crime socioambiental da hist\u00f3ria brasileira, o rompimento da Barragem do Fund\u00e3o, em Mariana (MG). Esse crime, bem como o rompimento da Barragem do C\u00f3rrego do Feij\u00e3o (Brumadinho, MG), que ocorreu menos de 5 anos depois, s\u00e3o express\u00f5es da continuidade da explora\u00e7\u00e3o e espolia\u00e7\u00e3o dos nossos recursos e do nosso povo. O Estado de Minas Gerais se constituiu no ciclo do ouro e dos diamantes no per\u00edodo colonial, com a explora\u00e7\u00e3o-exporta\u00e7\u00e3o das nossas montanhas por meio da escraviza\u00e7\u00e3o violenta do nosso povo.<\/p>\n<p>Desde a sanha colonial, que inaugurou a l\u00f3gica do capital nessas terras, at\u00e9 os presentes dias a lei da constante e expansiva explora\u00e7\u00e3o leva os nossos min\u00e9rios junto com o suor e o sangue dos trabalhadores e das trabalhadoras, em correias transportadoras e trens de mil vag\u00f5es, para o estrangeiro, deixando os territ\u00f3rios devastados, empoeirados e o povo trabalhador doente. O min\u00e9rio extra\u00eddo em propor\u00e7\u00f5es exponenciais nos nossos territ\u00f3rios segue sendo exportado e hoje usado para construir armas, bombas e tanques que destroem outros territ\u00f3rios e interrompem a vida de trabalhadores e trabalhadoras ao redor do globo.<\/p>\n<p>O crime-rompimento da Barragem do Fund\u00e3o (Vale, Samarco e BHP) despejou mais de 60 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeito sobre o Rio Doce e devastou territ\u00f3rios inteiros ao longo dos mais de 500 km percorridos pelo mar de lama. As comunidades atingidas, em grande medida rurais, tradicionais, ribeirinhas, ind\u00edgenas, quilombolas, tiveram seus territ\u00f3rios e modos de vida roubados, interrompidos por um crime que, dez anos depois, segue sem repara\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n<p>Dezenove foram as pessoas direta e imediatamente vitimadas pelo mar de lama &#8211; sendo 14 trabalhadores da minera\u00e7\u00e3o &#8211; mas tantos outros foram vitimados pela brutalidade tanto do processo de repactua\u00e7\u00e3o, como das tantas viol\u00eancias acumuladas ao longo de anos de conv\u00edvio com a minera\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria. O rompimento, que foi previsto, calculado &#8211; e portanto poderia ter sido controlado &#8211; ocorreu tamb\u00e9m devido \u00e0 neglig\u00eancia do Estado, que h\u00e1 anos convive com laudos e relat\u00f3rios adulterados, vistorias inconsistentes &#8211; elaborados por empresas terceirizadas contratadas pelas pr\u00f3prias mineradoras &#8211; e que constataram que a barragem estava segura quando n\u00e3o estava.<\/p>\n<p>\u00c9 essa a realidade ainda hoje, ap\u00f3s 10 anos e dois crimes-rompimentos, dos territ\u00f3rios atingidos pela minera\u00e7\u00e3o, que lidam com a omiss\u00e3o do poder p\u00fablico diante das informa\u00e7\u00f5es mentirosas e fraudulentas das empresas, as quais entram nos territ\u00f3rios portando-se como donas de tudo &#8211; e todos. Os territ\u00f3rios atingidos tamb\u00e9m lidam com a \u00e1gua contaminada por metais pesados &#8211; como l\u00edtio e ars\u00eanio &#8211; quando n\u00e3o a escassez dessa \u00e1gua impr\u00f3pria, com o ar extremamente empoeirado, com os altos \u00edndices de doen\u00e7as respirat\u00f3rias, com a maior incid\u00eancia de determinados tipos de c\u00e2ncer e com o adoecimento psicol\u00f3gico generalizado.<\/p>\n<p>O chamado \u2018\u2019terrorismo de barragem\u2019\u2019, promovido ativamente pelas mineradoras nos territ\u00f3rios, se expressa em formas como o acionamento ocasional e n\u00e3o alertado das sirenas, a instala\u00e7\u00e3o de placas de \u201crota de fuga\u201d, \u201cponto de encontro\u201d, a constante nega\u00e7\u00e3o do acesso das comunidades a informa\u00e7\u00f5es consistentes: a normaliza\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie. E tudo isso tem fun\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica: expulsar as comunidades dos seus territ\u00f3rios para saquear &#8211; mais uma vez &#8211; tudo que h\u00e1 no subsolo, os min\u00e9rios, as \u00e1guas, at\u00e9 a \u00faltima gota de suor.<\/p>\n<p>H\u00e1 10 anos aconteceu o rompimento, mas h\u00e1 muito mais de 10 anos diversas fam\u00edlias v\u00eam sofrendo direta, ou indiretamente, com a viol\u00eancia da minera\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria, que se refaz com a aus\u00eancia da repara\u00e7\u00e3o integral, ou mesmo a repara\u00e7\u00e3o justa. H\u00e1 dez anos, ningu\u00e9m &#8211; dos grandes diretores e acionistas das mineradoras &#8211; foi preso, sequer julgado ou indiciado, seguem impunes reproduzindo viol\u00eancias diversas nesses e noutros territ\u00f3rios. Por isso, nos somamos aos movimentos e \u00e0s comiss\u00f5es dos atingidos, denunciando esse crime continuado, e construindo, nas trincheiras de luta contra este modelo devastador de minera\u00e7\u00e3o, o novo modo de nos relacionar com os territ\u00f3rios e recursos.<\/p>\n<p>Nas lutas de enfrentamento \u00e0s crueldades desse sistema de minera\u00e7\u00e3o, entendemos a import\u00e2ncia de um modelo de minera\u00e7\u00e3o que seja controlado pelos\/as trabalhadores\/as e submetido aos interesses das comunidades, dos territ\u00f3rios e do bem comum. Compreendemos tamb\u00e9m que isso \u00e9 incompat\u00edvel com o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, que imp\u00f5e historicamente a l\u00f3gica de explora\u00e7\u00e3o-exporta\u00e7\u00e3o, levando os recursos em propor\u00e7\u00f5es cada vez maiores, e deixando os danos, tamb\u00e9m em propor\u00e7\u00f5es exponenciais.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00f3s da Uni\u00e3o da Juventude Comunista, a juventude do Partido Comunista Brasileiro, nos somamos \u00e0 luta das e dos atingidos e dos movimentos sociais e populares que enfrentam cotidianamente a brutalidade desse modelo predat\u00f3rio de minera\u00e7\u00e3o. Nos somamos \u00e0 defesa e \u00e0 luta pelo fim desse modelo de minera\u00e7\u00e3o e pela constru\u00e7\u00e3o de um novo modelo de minera\u00e7\u00e3o, pautado pela soberania popular, pelo controle do estado submetido \u00e0s necessidades e vontades da classe trabalhadora e dos territ\u00f3rios.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33315\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[239,207],"tags":[224],"class_list":["post-33315","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiental","category-lutas-nos-estados","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/s659gw-33315","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33315","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33315"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33315\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33318,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33315\/revisions\/33318"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33315"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33315"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33315"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}