{"id":3332,"date":"2012-08-10T14:28:34","date_gmt":"2012-08-10T14:28:34","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3332"},"modified":"2017-10-14T00:14:19","modified_gmt":"2017-10-14T03:14:19","slug":"o-estado-de-bem-estar-ocidental-ascensao-e-queda-do-bloco-sovietico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3332","title":{"rendered":"O Estado de Bem-Estar Ocidental: Ascens\u00e3o e Queda do Bloco Sovi\u00e9tico"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.contrainjerencia.com\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/james_petras.jpg\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->James Petras<\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Uma das mais marcantes quest\u00f5es socioecon\u00f4micas das duas d\u00e9cadas passadas \u00e9 a revers\u00e3o do meio s\u00e9culo anterior no que se refere \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o do bem-estar social na Europa e Am\u00e9rica do Norte. Cortes sem precedentes nos servi\u00e7os sociais, nas indeniza\u00e7\u00f5es trabalhistas, nos empregos p\u00fablicos, nas pens\u00f5es, nos programas de sa\u00fade, nos gastos em educa\u00e7\u00e3o,no tempo de f\u00e9rias e na seguran\u00e7a do trabalho s\u00e3o acompanhadas de taxa\u00e7\u00f5es, de regress\u00e3o de impostos, de aumento da idade de aposentadoria, bem como do aumento das desigualdades, da inseguran\u00e7a trabalhista e da acelera\u00e7\u00e3o do ritmo nos locais de trabalho.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagemp\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal\/images\/stories\/outras-opinioes.png?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/>A queda do \u201cEstado de bem-estar social\u201d [Welfare State] p\u00f5e por terra a ideia veiculada pelos economistas ortodoxos, que argumentam que o \u201camadurecimento\u201d do capitalismo, seu \u201cestado avan\u00e7ado\u201d, com alta tecnologia e servi\u00e7os sofisticados, seriam acompanhados por um maior bem-estar e mais altos padr\u00f5es de vida e de renda. Enquanto \u00e9 verdade que \u201cservi\u00e7os e tecnologia\u201d t\u00eam se multiplicado, o setor econ\u00f4mico tornou-se mais polarizado, entre funcion\u00e1rios mal pagos do com\u00e9rcio varejista e os super ricos negociadores de a\u00e7\u00f5es e investidores financeiros. A informatiza\u00e7\u00e3o da economia levou \u00e0 contabilidade eletr\u00f4nica, controles de custos e r\u00e1pidos movimentos de fundos especulativos em busca do lucro m\u00e1ximo, enquanto, ao mesmo tempo, provoca brutais redu\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias para programas sociais.<\/p>\n<p>Esta \u201cGrande Revers\u00e3o\u201d parece ser de longo prazo, um processo de larga escala centrado nos grandes pa\u00edses capitalistas dominantes da Europa Ocidental e da Am\u00e9rica do Norte e nos antigos pa\u00edses comunistas da Europa Oriental. Cabe-nos examinar as causas sist\u00eamicas que transcendem as idiossincrasias de cada na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As Origens da Grande Revers\u00e3o<\/p>\n<p>Existem duas linhas de investiga\u00e7\u00e3o que precisam ser elucidadas a fim de compreender o decl\u00ednio do Estado de bem-estar e a queda massiva dos padr\u00f5es de vida. Uma linha de an\u00e1lise examina a profunda mudan\u00e7a no ambiente internacional: n\u00f3s mudamos de um sistema bi-polar competitivo, baseado na rivalidade entre os Estados coletivistas de bem-estar do Bloco oriental e os Estados capitalistas da Europa e Am\u00e9rica do Norte para um sistema monopolizado pelos Estados capitalistas em competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma segunda linha de investiga\u00e7\u00e3o nos conduz ao exame das mudan\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es sociais internas dos Estados capitalistas: ou seja, da passagem de intensas lutas de classes para a colabora\u00e7\u00e3o de classe a longo prazo, como princ\u00edpio organizador das rela\u00e7\u00f5es entre trabalho e capital.<\/p>\n<p>A principal proposi\u00e7\u00e3o que informa este ensaio \u00e9 de que a emerg\u00eancia do Estado de bem-estar foi uma consequ\u00eancia hist\u00f3rica de um per\u00edodo em que havia altos n\u00edveis de competi\u00e7\u00e3o entre owelfarianismo coletivista e o capitalismo, bem como refere-se a um momento em que o sindicalismo classista e os movimentos sociais tinham ascend\u00eancia sobre as organiza\u00e7\u00f5es que promoviam a colabora\u00e7\u00e3o de classes.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que os dois processos s\u00e3o interligados: como os Estados coletivistas implementaram melhores condi\u00e7\u00f5es de bem-estar para seus cidad\u00e3os, sindicatos e movimentos sociais no Oeste tinham incentivos sociais e exemplos positivos para motivar seus membros e desafiar os capitalistas a corresponder \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o do bloco coletivista.<\/p>\n<p>As Origens e Desenvolvimento do Estado de Bem-Estar Ocidental<\/p>\n<p>Imediatamente ap\u00f3s a derrota dos regimes fascistas-capitalistas, com a queda da Alemanha Nazista, a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e seus aliados na Europa Oriental ingressaram num programa amplo de reconstru\u00e7\u00e3o, recupera\u00e7\u00e3o, crescimento econ\u00f4mico e consolida\u00e7\u00e3o do seu poder, baseando-se em reformas socioecon\u00f4micas de bem-estar e longo alcance. O grande medo entre os regimes capitalistas ocidentais era de que a classe trabalhadora do Ocidente poderia \u201cseguir\u201d o exemplo sovi\u00e9tico ou, no m\u00ednimo, apoiar partidos e a\u00e7\u00f5es que comprometeriam a recupera\u00e7\u00e3o capitalista. Dado o descr\u00e9dito pol\u00edtico de muitos capitalistas ocidentais por conta de sua colabora\u00e7\u00e3o com os nazistas ou sua oposi\u00e7\u00e3o fraca e tardia \u00e0 vers\u00e3o fascista do capitalismo, eles n\u00e3o podiam recorrer aos m\u00e9todos demasiadamente repressivos do passado. Em vez disso, as classes capitalistas ocidentais realizaram uma estrat\u00e9gia dupla para enfrentar as reformas welfare-coletivistas sovi\u00e9ticas: repress\u00e3o seletiva dos comunistas dom\u00e9sticos e da esquerda radical; concess\u00f5es de bem-estar para assegurar a lealdade dos sindicatos e partidos social-democratas e democratas crist\u00e3os.<\/p>\n<p>Com a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e o crescimento do p\u00f3s-guerra, a competi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e econ\u00f4mica se intensificou: o bloco sovi\u00e9tico implementou reformas abrangentes, incluindo pleno emprego, seguran\u00e7a no emprego garantida, assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade universal, educa\u00e7\u00e3o gratuita, f\u00e9rias remuneradas de um m\u00eas, pens\u00f5es integrais, campos de ver\u00e3o e hot\u00e9is de f\u00e9rias gratuitos para fam\u00edlias de trabalhadores e licen\u00e7a-maternidade remunerada e prolongada. Eles enfatizaram a import\u00e2ncia do bem-estar social sobre o consumo individual. O ocidente capitalista estava sob press\u00e3o para aproximar-se das vantagens do bem-estar do Leste, enquanto expandia o consumo individual baseado em cr\u00e9dito barato e condi\u00e7\u00f5es de parcelamento tornadas poss\u00edveis pelas suas economias mais avan\u00e7adas. A partir da metade dos anos 1940 at\u00e9 a metade dos anos 1970, o Ocidente competiu com o Bloco Sovi\u00e9tico com dois objetivos em mente: reter a lealdade dos trabalhadores no ocidente e, ao mesmo tempo, promover o isolamento dos setores militantes sindicais e seduzir os trabalhadores ocidentais com promessas de programas de bem-estar equivalentes e de maior consumo individual.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os nos programas de bem-estar, no Ocidente e no Oriente, havia grandes protestos de trabalhadores no Leste da Europa: eles focavam na independ\u00eancia nacional, na tutela paternalista autorit\u00e1ria dos sindicatos e no acesso insuficiente aos bens de consumo. No Ocidente, havia grandes levantes de trabalhadores e estudantes na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia pedindo o fim da domina\u00e7\u00e3o capitalista nos locais de trabalho e na vida social. Havia oposi\u00e7\u00e3o popular \u00e0s guerras imperialistas (Indochina, Arg\u00e9lia, etc.), aos atributos autorit\u00e1rios do Estado capitalista (racismo) e \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o generalizada de riqueza.<\/p>\n<p>Em outros termos, as novas lutas no Ocidente e no Oriente foram condi\u00e7\u00f5es para a consolida\u00e7\u00e3o do Estado de bem-estar e a expans\u00e3o do poder pol\u00edtico e social popular sobre o Estado e o processo produtivo.<\/p>\n<p>A competi\u00e7\u00e3o continuada entre o sistema de bem-estar coletivista e o capitalista assegurava que n\u00e3o haveria recuo das reformas alcan\u00e7adas. De todo modo, as derrotas das revoltas populares dos anos sessenta e setenta asseguraram que n\u00e3o haveria mais avan\u00e7os no bem-estar social a partir de ent\u00e3o. Mais importante, um &#8220;impasse&#8221; constituiu-se entre as classes dominantes e os trabalhadores em ambos os blocos, levando a uma estagna\u00e7\u00e3o das economias, \u00e0 burocratiza\u00e7\u00e3o dos sindicatos e a demandas por parte das classes capitalistas por uma din\u00e2mica e por novas lideran\u00e7as capazes de desafiar o bloco coletivista e sistematicamente desmantelar o Estado de bem-estar.<\/p>\n<p>O Processo de Revers\u00e3o: De Reagan-Thatcher a Gorbachev<\/p>\n<p>A grande ilus\u00e3o, que arrebatou as massas do bloco welfare-coletivista, era a no\u00e7\u00e3o de que a promessa ocidental do consumo de massas poderia ser combinada com programas avan\u00e7ados de bem-estar que eles h\u00e1 muito tempo davam como certa. Os sinais pol\u00edticos do Ocidente, contudo, foram se movendo na dire\u00e7\u00e3o oposta. Com a ascend\u00eancia do Presidente Ronald Reagan nos EUA e da Primeira Ministra Margaret Thatcher na Gr\u00e3 Bretanha, os capitalistas recuperaram controle total sobre a agenda social, disferindo golpes mortais ao que restou da milit\u00e2ncia sindical e lan\u00e7ando uma corrida armamentista de larga escala com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica para derrubar sua economia. Al\u00e9m disso, o \u201cwelfarismo\u201d no Leste foi plenamente minado por uma classe emergente em ascens\u00e3o, elites educadas que juntaram-se com cleptocratas, neoliberais, novos g\u00e2ngsters e qualquer outro que tenha defendido os \u201cvalores ocidentais\u201d. Eles receberam sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e material das funda\u00e7\u00f5es do ocidente, das ag\u00eancias de intelig\u00eancia ocidentais, do Vaticano (especialmente na Pol\u00f4nia), de partidos social-democratas da Europa e da AFL-CIO [Federa\u00e7\u00e3o Americana do Trabalho e Congresso de Organiza\u00e7\u00f5es Industriais] dos EUA enquanto, nas periferias, um verniz ideol\u00f3gico foi fornecido pelos auto-intitulados \u201canti-stalinistas\u201d de esquerda no Ocidente.<\/p>\n<p>Todo o programa de bem-estar do bloco sovi\u00e9tico foi constru\u00eddo de alto a baixo e, como resultado, n\u00e3o produziu uma consci\u00eancia de classe politizada, independente e uma organiza\u00e7\u00e3o de classe militante para defender-se do assalto de larga escala lan\u00e7ado pelo bloco g\u00e2ngster-cleptocr\u00e1tico-clerical-neoliberal-\u2018anti-stalinista\u2019. Do mesmo modo, no Ocidente, todo o programa do bem-estar social foi amarrado aos partidos social-democratas europeus, ao Partido Democrata dos EUA e a uma hierarquia sindical carente tanto de consci\u00eancia de classe como de interesse pela luta de classes. Sua maior preocupa\u00e7\u00e3o, como burocratas sindicais, era a de recolher as taxas dos afiliados, manter o poder da organiza\u00e7\u00e3o interna sobre seus feudos e seu pr\u00f3prio enriquecimento pessoal.<\/p>\n<p>O colapso do bloco sovi\u00e9tico foi precipitado pela entrega sem precedentes, por parte do regime de Gorbachev, dos Estados aliados do Pacto de Vars\u00f3via para o poder da OTAN. Os funcion\u00e1rios comunistas locais foram rapidamente substitu\u00eddos por procuradores neoliberais e pr\u00f3-ocidentais. Eles rapidamente procederam o lan\u00e7amento de um assalto de larga escala \u00e0 propriedade p\u00fablica e desmantelaram a legisla\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o trabalhista b\u00e1sica e a seguran\u00e7a do trabalho, que havia sido uma parte inerente das rela\u00e7\u00f5es coletivistas entre a administra\u00e7\u00e3o e o trabalho.<\/p>\n<p>Com poucas not\u00e1veis exce\u00e7\u00f5es\u200b\u200b, toda a estrutura formal do welfarismo-coletivista foi esmagada. Logo depois veio a desilus\u00e3o em massa, entre os trabalhadores do bloco oriental, como os seus sindicatos \u201canti-stalinistas\u201d ocidentalizados que os presentearam com demiss\u00f5es em massa. A grande maioria dos militantes trabalhadores dos estaleiros de Gdansk, filiados ao Movimento &#8220;Solidariedade&#8221; da Pol\u00f4nia, foram demitidos e obrigados a perseguir biscates, enquanto seus t\u00e3o aclamados &#8216;l\u00edderes&#8217;, de longa data benefici\u00e1rios de apoio material das ag\u00eancias de intelig\u00eancia e sindicatos ocidentais, converteram-se em pr\u00f3speros pol\u00edticos, editores e empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Os sindicatos ocidentais e a esquerda &#8220;anti-stalinista&#8221; (social-democratas, trotskistas e toda seita e corrente intelectual em meio a isso), fizeram um belo servi\u00e7o, n\u00e3o s\u00f3 ao acabar com o sistema coletivista (sob o slogan: &#8220;Qualquer coisa \u00e9 melhor do que o stalinismo&#8221;) mas de acabar com o Estado de bem-estar de dezenas de milh\u00f5es de trabalhadores, pensionistas e suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Uma vez que o welfare-coletivista foi destru\u00eddo, a classe capitalista ocidental n\u00e3o mais precisou competir pela correspond\u00eancia de benef\u00edcios de bem-estar. A Grande Revers\u00e3o entrava em marcha acelerada.<\/p>\n<p>Pelas duas d\u00e9cadas seguintes, os regimes ocidentais, liberais, conservadores e social-democratas, cada um por sua vez, cortaram fora a legisla\u00e7\u00e3o do bem-estar: pens\u00f5es foram cortadas e a idade de aposentadoria foi estendida \u00e0 medida em que se instituiu a doutrina do &#8220;trabalhe at\u00e9 cair&#8221;. A seguran\u00e7a no trabalho desapareceu, as prote\u00e7\u00f5es no local de trabalho foram eliminadas, indeniza\u00e7\u00f5es foram cortadas e as demiss\u00f5es dos trabalhadores foram simplificadas, ao mesmo tempo em que a mobilidade do capital floresceu.<\/p>\n<p>A globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal explorou vastas reservas de trabalho qualificado mal pago dos antigos pa\u00edses coletivistas. Os trabalhadores \u201canti-stalinistas\u201d herdaram o pior de todos os mundos: perderam a rede de prote\u00e7\u00e3o do bem-estar social do Leste e falharam na garantia dos n\u00edveis de consumo individual e de prosperidade do Ocidente. O capital alem\u00e3o explorou o trabalho mais barato checo e polon\u00eas, enquanto os pol\u00edticos checos privatizaram as ind\u00fastrias estatais altamente sofisticadas e os servi\u00e7os sociais, aumentando os custos e restringindo o acesso aos servi\u00e7os remanescentes.<\/p>\n<p>Em nome da \u201ccompetitividade\u201d o capital ocidental desindustrializou e realocou exitosamente vastas ind\u00fastrias com uma virtual falta de resist\u00eancia dos burocratizados sindicatos \u201canti-stalinistas\u201d. Sem mais competir com os coletivistas sobre quem teria o melhor sistema de bem-estar, os capitalistas ocidentais agora competiam entre eles pr\u00f3prios sobre quem teria os mais baixos custos com trabalho e encargos sociais, a mais flex\u00edvel prote\u00e7\u00e3o ambiental e trabalhista e as mais f\u00e1ceis e pouco custosas leis para demitir empregados e alugar trabalhadores prec\u00e1rios.<\/p>\n<p>O ex\u00e9rcito inteiro dos impotentes esquerdistas \u201canti-stalinistas\u201d, confortavelmente estabelecido nas universidades, urraram at\u00e9 ficarem roucos contra a \u201cofensiva neoliberal\u201d e a \u201cnecessidade de uma estrat\u00e9gia anti-capitalista\u201d, sem a menor reflex\u00e3o sobre como eles contribu\u00edram para minar o pr\u00f3prio Estado de bem-estar que havia educado, alimentado e empregado os trabalhadores.<\/p>\n<p>Milit\u00e2ncia do Trabalho: Norte e Sul<\/p>\n<p>Os programas de bem-estar na Europa Ocidental e Am\u00e9rica do Norte foram especialmente atingidos pela perda de um sistema social competidor no Leste, pelo influxo e impacto do trabalho barato do Leste e porque seus pr\u00f3prios sindicatos tornaram-se auxiliares dos partidos neoliberais socialistas, trabalhistas e democr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Em contraste, no Sul, em particular na Am\u00e9rica Latina e, num grau menor, na \u00c1sia, o neoliberalismo anti-bem-estar durou apenas uma d\u00e9cada. Na Am\u00e9rica Latina o neoliberalismo rapidamente foi submetido a intensa press\u00e3o, quando uma nova onda de milit\u00e2ncia de classe irrompeu e reconquistou algum terreno perdido. Pelo fim da primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo \u2013 o trabalho na Am\u00e9rica Latina estava aumentando sua parcela na renda nacional, encargos sociais estavam aumentando e o Estado de bem-estar estava em processo de moment\u00e2nea recupera\u00e7\u00e3o, em contraste direto com o que estava ocorrendo na Europa Ocidental e Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n<p>Revoltas sociais e poderosos movimentos populares conduziram a regimes e pol\u00edticas de esquerda e centro-esquerda na Am\u00e9rica Latina. Poderosas ondas de lutas nacionais derrubaram os regimes neoliberais. Uma crescente onda de protestos oper\u00e1rios e camponeses na China levou a um aumento salarial de 10% a 30% nos cintur\u00f5es industriais e promoveu a restaura\u00e7\u00e3o da sa\u00fade e do sistema p\u00fablico de educa\u00e7\u00e3o. Enfrentando uma nova revolta aut\u00f3ctone, sociocultural e de trabalhadores, o Estado Chin\u00eas e a elite empresarial rapidamente promoveram uma legisla\u00e7\u00e3o de bem-estar social no momento em que na\u00e7\u00f5es do sul da Europa como Gr\u00e9cia, Espanha, Portugal e It\u00e1lia estavam no processo de demitir trabalhadores e arrochar sal\u00e1rios, reduzindo a renda m\u00ednima, aumentando a idade de aposentadoria e cortando encargos sociais.<\/p>\n<p>Os regimes capitalistas do Ocidente n\u00e3o mais encaravam competi\u00e7\u00e3o dos sistemas de bem-estar rivais do bloco oriental desde que todos abra\u00e7aram o ethos do \u201cquanto menor, melhor\u201d: menores encargos sociais significavam maiores subs\u00eddios aos neg\u00f3cios, maiores lucros para lan\u00e7ar guerras imperialistas e para estabelecer o aparato estatal policial de \u201cseguran\u00e7a nacional\u201d. Redu\u00e7\u00e3o das taxa\u00e7\u00f5es do capital conduz a maiores lucros.<\/p>\n<p>A esquerda ocidental e intelectuais liberais tiveram um papel vital em ofuscar a importante contribui\u00e7\u00e3o positiva que o bem-estar sovi\u00e9tico prestou ao pressionar os regimes capitalistas do Ocidente para seguir seu exemplo. Durante as d\u00e9cadas que se seguiram \u00e0 morte de Stalin e como a sociedade sovi\u00e9tica caminhava rumo a um sistema h\u00edbrido de welfarismo autorit\u00e1rio, estes intelectuais continuaram a se referir a tais regimes como \u201cstalinistas\u201d, obscurecendo a sua principal fonte de legitima\u00e7\u00e3o entre os seus cidad\u00e3os \u2013 seu avan\u00e7ado sistema de bem-estar. Os mesmos intelectuais iriam clamar que o \u201csistema stalinista\u201d era um obst\u00e1culo ao socialismo e viraram os trabalhadores contra seus aspectos positivos como Estado de bem-estar, mantendo o foco exclusivamente no velho \u201cGulag\u201d. Eles argumentavam que a \u201cqueda do stalinismo\u201d iria promover uma grande abertura pelo \u201csocialismo democr\u00e1tico revolucion\u00e1rio\u201d. Na realidade, a queda do welfarismo-coletivista levou \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica do Estado de bem-estar, tanto no Leste quanto no Oeste, favorecendo a ascend\u00eancia das mais virulentas formas do primitivo capitalismo neoliberal. Por sua vez, isto levou ao encolhimento do movimento sindical e estimulou a \u201cvirada \u00e0 direita\u201d dos partidos social-democratas e trabalhistas atrav\u00e9s das ideologias do &#8220;Novo Trabalhismo\u201d e da \u201cTerceira Via\u201d.<\/p>\n<p>Os intelectuais da esquerda \u201canti-stalinista\u201d nunca entraram em qualquer reflex\u00e3o s\u00e9ria a respeito de seu pr\u00f3prio papel na derrubada do Estado de bem-estar coletivo, bem como n\u00e3o assumiram qualquer responsabilidade pelas devastadoras consequ\u00eancias socioecon\u00f4micas, tanto no Leste quanto no Ocidente. Al\u00e9m disso, os mesmos intelectuais n\u00e3o tiveram reservas nesta \u201cEra p\u00f3s-sovi\u00e9tica\u201d para apoiar (\u201ccriticamente\u201d, \u00e9 claro) o Partido Trabalhista Ingl\u00eas, o Partido Socialista Franc\u00eas, o Partido Democrata de Clinton-Obama e outros \u201cmales menores\u201d que praticavam o neoliberalismo. Eles apoiaram a total destrui\u00e7\u00e3o da Iugosl\u00e1via e as guerras coloniais no Oriente M\u00e9dio, Norte da \u00c1frica e Sul da \u00c1sia, lideradas pelos EUA. N\u00e3o foram poucos os intelectuais \u201canti-stalinistas\u201d na Inglaterra e na Fran\u00e7a que brindaram em copos de champagne com os generais, banqueiros e elites do petr\u00f3leo quando da invas\u00e3o sangrenta e devasta\u00e7\u00e3o da OTAN na L\u00edbia \u2013 o \u00fanico Estado de bem-estar na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Os intelectuais de esquerda \u201canti-stalinistas\u201d, ora bem abrigados em privilegiadas posi\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias em Londres, Paris, Nova Iorque e Los Angeles n\u00e3o foram pessoalmente afetados pela revers\u00e3o dos programas de bem-estar ocidentais. Eles se recusam insistentemente a reconhecer o papel construtivo que os concorrentes programas de bem-estar sovi\u00e9ticos tiveram ao for\u00e7ar o Ocidente a \u201cacompanhar\u201d em uma esp\u00e9cie de &#8220;corrida de bem-estar social&#8221;, proporcionando benef\u00edcios para a sua classe trabalhadora. Ao inv\u00e9s disso, eles argumentam (em seus f\u00f3runs acad\u00eamicos) que uma maior \u201cmilit\u00e2ncia dos trabalhadores\u201d (dificilmente poss\u00edvel com uma associa\u00e7\u00e3o sindical decrescente e burocratizada) e maiores e mais frequentes \u201cf\u00f3runs de intelectuais socialistas\u201d (onde eles podem apresentar suas pr\u00f3prias an\u00e1lises radicais&#8230; uns para os outros) ir\u00e3o eventualmente restaurar o sistema de bem-estar. De fato, n\u00edveis hist\u00f3ricos de regress\u00e3o, na medida em que se considere a legisla\u00e7\u00e3o de bem-estar, continuam intactos. Existe uma rela\u00e7\u00e3o inversa (e perversa) entre a proemin\u00eancia acad\u00eamica da esquerda \u201canti-stalinista\u201d e o decl\u00ednio das pol\u00edticas do Estado de bem-estar. E os intelectuais \u201canti-stalinistas\u201d ainda se interrogam sobre a guinada ao populismo demag\u00f3gico de extrema-direita em meio \u00e0 pressionada classe trabalhadora!<\/p>\n<p>Se compararmos e examinarmos a relativa influ\u00eancia dos intelectuais \u201canti-stalinistas\u201d na forma\u00e7\u00e3o do Estado de bem-estar com rela\u00e7\u00e3o ao impacto do desmantalamento do sistema coletivista de bem-estar no bloco do Leste, a evid\u00eancia \u00e9 absurdamente clara: os sistemas de bem-estar ocidentais foram muito mais influenciados pelos seus competidores sist\u00eamicos do que pelas piedosas cr\u00edticas dos acad\u00eamicos \u201canti-stalinistas\u201d marginais. A metaf\u00edsica \u201canti-stalinista\u201d cegou uma gera\u00e7\u00e3o inteira de intelectuais para a complexa intera\u00e7\u00e3o e vantagens de um sistema competitivo internacional onde os rivais oferecem medidas de bem-estar para legitimar seu pr\u00f3prio governo e minar os advers\u00e1rios. A realidade da pol\u00edtica do poder global levou a esquerda \u201canti-stalinista\u201d a tornar-se lacaia da luta dos capitalistas ocidentais para conter os custos do bem-estar e estabelecer a plataforma de lan\u00e7amento para uma contra-revolu\u00e7\u00e3o neoliberal. As profundas estruturas do capitalismo foram as primeiras benefici\u00e1rias do anti-stalinismo.<\/p>\n<p>A derrubada da ordem legal dos Estados coletivistas conduziu \u00e0s mais egr\u00e9gias formas de capitalismo predat\u00f3rio e mafioso na antiga URSS e na\u00e7\u00f5es do Pacto de Vars\u00f3via. Contrariamente \u00e0s desilus\u00f5es da esquerda \u201canti-stalinista\u201d, nenhuma democracia socialista \u201cp\u00f3s-stalinista\u201d emergiu em lugar algum. Os operadores-chave na derrubada do Estado do welfare-coletivista e benefici\u00e1rios do v\u00e1cuo de poder foram os oligarcas bilion\u00e1rios, que pilharam a R\u00fassia e o Leste, o cartel de drogas e escravos brancos de muitos bilh\u00f5es de d\u00f3lares, que transformou centenas de milhares de trabalhadores fabris desempregados e seus filhos na Ucr\u00e2nia, Moldova, Pol\u00f4nia, Hungria, Kosovo, Rom\u00eania e de toda parte em alco\u00f3latras, prostitutas e dependentes de drogas.<\/p>\n<p>Demograficamente, os maiores perdedores na derrubada do sistema de welfare-coletivista t\u00eam sido as mulheres trabalhadoras: elas perderam seus empregos, suas licen\u00e7as-maternidade, assist\u00eancia aos filhos e prote\u00e7\u00f5es legais. Elas sofreram com uma viol\u00eancia dom\u00e9stica epid\u00eamica sob os punhos de seus maridos b\u00eabados e desempregados. As m\u00e9dias de mortalidade materna e infantil subiram, num sistema de sa\u00fade p\u00fablica prec\u00e1rio. As mulheres da classe trabalhadora do Leste sofreram uma perda sem precedentes de status material e de direitos. Isto conduziu ao maior decl\u00ednio demogr\u00e1fico da hist\u00f3ria do p\u00f3s-guerra \u2013 taxas de natalidade em queda livre, aumento da m\u00e9dia de mortes e desesperan\u00e7a generalizada. No Ocidente, as feministas \u201canti-stalinistas\u201d ignoraram sua pr\u00f3pria cumplicidade na escraviza\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o de suas \u201cirm\u00e3s\u201d no Leste. (Elas estavam muito ocupadas festejando a subida de Vaclav Havel).<\/p>\n<p>\u00c9 claro, os intelectuais \u201canti-stalinistas\u201d v\u00e3o dizer que as consequ\u00eancias que eles imaginavam est\u00e3o muito longe daquilo que se deu e eles v\u00e3o se recusar a assumir qualquer responsabilidade pelas consequ\u00eancias reais das suas a\u00e7\u00f5es, da sua cumplicidade e das ilus\u00f5es que criaram. Sua alega\u00e7\u00e3o ultrajante de que &#8220;qualquer coisa \u00e9 melhor do que o stalinismo&#8221; \u00e9 desonesta diante do grande abismo contendo uma gera\u00e7\u00e3o perdida de trabalhadores do bloco oriental e suas fam\u00edlias. Eles precisam come\u00e7ar a contar o grande ex\u00e9rcito de v\u00e1rios milh\u00f5es de desempregados em todo o Leste, as milh\u00f5es de v\u00edtimas assoladas pelo HIV e pela tuberculose na R\u00fassia e na Europa Oriental (onde nem a tuberculose nem o HIV representavam uma amea\u00e7a antes da \u201cqueda\u201d), as vidas destro\u00e7adas de milh\u00f5es de jovens e mulheres presas nos prost\u00edbulos de Tel Aviv, Pristina, Bucareste, Hamburgo, Barcelona, \u200b\u200bAmman, T\u00e2nger e Brooklyn&#8230;<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>O \u00fanico grande golpe aos programas de bem-estar tal como conhecemos, que foram desenvolvidos durante as quatro d\u00e9cadas de 1940 a 1980, foi o fim da rivalidade entre o Bloco sovi\u00e9tico e a Europa Ocidental e Am\u00e9rica do Norte. Apesar da natureza autorit\u00e1ria do bloco oriental e o car\u00e1ter imperialista do Ocidente, ambos costuraram legitimidade e vantagens pol\u00edticas pela garantia da lealdade das massas de trabalhadores e por meio de concess\u00f5es sociais e econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Hoje, diante da \u201creviravolta\u201d neoliberal, as grandes lutas de classe se desenvolvem pela defesa dos resqu\u00edcios do Estado de bem-estar, os restos cadav\u00e9ricos de um per\u00edodo anterior. No presente h\u00e1 muito pouca perspectiva de qualquer retorno aos sistemas internacionais de bem-estar em competi\u00e7\u00e3o, a menos que olhemos para alguns poucos pa\u00edses progressistas, como Venezuela, que instituiu uma s\u00e9rie de reformas na sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e trabalho, financiadas pelo setor do petr\u00f3leo nacionalizado.<\/p>\n<p>Um dos paradoxos da hist\u00f3ria do welfarismo no Leste Europeu pode ser encontrado no fato de que a maioria das lutas trabalhistas em andamento (na Rep\u00fablica Checa Pol\u00f4nia, Hungria e outros pa\u00edses que tiveram a revers\u00e3o de seus regimes coletivistas), envolve a defesa da pens\u00e3o, da aposentadoria, sa\u00fade p\u00fablica, emprego, educa\u00e7\u00e3o e outras pol\u00edticas de bem-estar \u2013 os res\u00edduos \u201cstalinistas\u201d. Em outros termos, enquanto intelectuais ocidentais ainda se vangloriam com seu triunfo sobre o stalinismo, os trabalhadores realmente existentes no Leste est\u00e3o engajados em lutas militantes di\u00e1rias para reter e reconquistar os elementos positivos daqueles Estados malignos. Em nenhum lugar isso \u00e9 mais evidente do que na R\u00fassia e na China, onde as privatiza\u00e7\u00f5es significaram perda de postos de trabalho e, no caso da China, a perda brutal de benef\u00edcios p\u00fablicos de sa\u00fade. Hoje as fam\u00edlias dos trabalhadores com doen\u00e7as s\u00e9rias est\u00e3o arruinadas pelos custos da assist\u00eancia m\u00e9dica privada.<\/p>\n<p>No mundo atual, o \u201canti-stalinismo\u201d \u00e9 uma met\u00e1fora para uma gera\u00e7\u00e3o falida, \u00e0s margens das pol\u00edticas de massas. Estas foram superadas por um virulento neoliberalismo, que tomou de empr\u00e9stimo sua linguagem pejorativa (Blair e Bush tamb\u00e9m eram \u201canti-stalinistas\u201d) no curso da demoli\u00e7\u00e3o do Estado de bem-estar. Hoje em dia o \u00edmpeto das massas pela reconstru\u00e7\u00e3o do Estado de bem-estar \u00e9 encontrado nestes pa\u00edses, que perderam ou est\u00e3o em processo de perder toda a sua rede de seguran\u00e7a social \u2013 como a Gr\u00e9cia, Portugal, Espanha e It\u00e1lia \u2013 e nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, onde levantes populares, baseados na luta de classes ligadas aos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional, est\u00e3o em ascens\u00e3o.<\/p>\n<p>As novas lutas de massas pelo bem-estar fazem poucas refer\u00eancias diretas \u00e0s antigas experi\u00eancias coletivistas e ainda menos ao discurso vazio da esquerda \u201canti-stalinista\u201d. Este \u00faltimo est\u00e1 preso em um t\u00fanel do tempo obsoleto e irrelevante. O que \u00e9 evidente, no entanto, \u00e9 que o bem-estar, programas sociais e de trabalho, que foram ganhos e perdidos na sequ\u00eancia do desaparecimento do bloco sovi\u00e9tico, voltaram como objetivos estrat\u00e9gicos que motivam lutas atuais e futuras lutas dos trabalhadores.<\/p>\n<p>O que precisa ser explorado mais aprofundadamente \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre o aumento dos vastos aparatos estatais policiais no Ocidente e o decl\u00ednio e desmantelamento de seus Estados de bem-estar respectivos: o crescimento da &#8220;Seguran\u00e7a nacional&#8221; e da &#8220;Guerra ao Terror&#8221; corre em paralelo com o decl\u00ednio da seguran\u00e7a social, dos programas de sa\u00fade p\u00fablica e da grande queda nos padr\u00f5es de vida para centenas de milh\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Contra Injerencia\n\n\n\n\n\n\n\n\nJames Petras\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3332\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[104],"tags":[],"class_list":["post-3332","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c117-outras-opinioes"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-RK","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3332","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3332"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3332\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3332"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}