{"id":33382,"date":"2025-11-26T19:22:16","date_gmt":"2025-11-26T22:22:16","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33382"},"modified":"2025-11-26T19:22:24","modified_gmt":"2025-11-26T22:22:24","slug":"33382","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33382","title":{"rendered":"&#8220;Palestinos continuam morrendo sob fogo israelense&#8221;"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_33383\" aria-describedby=\"caption-attachment-33383\" style=\"width: 747px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33383\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33382\/netherlands-un-israel-palestinian-diplomacy\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/FrancescaAlbanese.jpg?fit=1024%2C649&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1024,649\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;ANP\/AFP via Getty Images&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;UN Special Rapporteur for the occupied Palestinian territories Francesca Albanese takes part in a talk at The Hague Humanity Hub on February 12, 2025. 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Os seus relat\u00f3rios, realizados no cumprimento do mandato que lhe foi atribu\u00eddo pela ONU, constituem uma implac\u00e1vel den\u00fancia dos crimes do sionismo e da cumplicidade internacional que n\u00e3o s\u00f3 apoia, financia e arma, como permite que permane\u00e7am impunes. Publicamos esta sua importante entrevista quando o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU aprova uma Resolu\u00e7\u00e3o que, para muitos defensores da causa palestina, n\u00e3o garante que seja finalmente colocado um fim a esta trag\u00e9dia. Basta ver o papel que nela \u00e9 atribu\u00eddo aos EUA, um dos seus maiores respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>A figura de Francesca Albanese est\u00e1 na mira do governo de Donald Trump. Os seus relat\u00f3rios sobre os crimes israelenses contra a Palestina incomodam Telavive e a Casa Branca, e as suas investiga\u00e7\u00f5es sobre a cumplicidade de empresas e Estados ocidentais tamb\u00e9m n\u00e3o foram bem recebidas em muitas capitais europeias.<\/p>\n<p>Washington aplica san\u00e7\u00f5es contra ela desde antes do ver\u00e3o, o que a impede de viajar para os Estados Unidos ou receber pagamentos de entidades ou cidad\u00e3os americanos, entre outras coisas. Ela \u00e9 a primeira relatora na hist\u00f3ria das Na\u00e7\u00f5es Unidas a receber este tipo de penaliza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m aplicada contra o Tribunal Penal Internacional.<\/p>\n<p>Essa animosidade contrasta com o grande apoio social que Albanese reuniu em n\u00edvel global. Ela limita-se a fazer o seu trabalho \u2013 investigar o que acontece na Palestina \u2013 e a cumprir o mandato atribu\u00eddo pela ONU. Ela fala sem medo a linguagem do direito internacional, com um compromisso firme, e j\u00e1 prepara um novo relat\u00f3rio, que se centrar\u00e1 nas torturas e abusos sexuais contra a popula\u00e7\u00e3o palestina.<\/p>\n<p>Rec\u00e9m-chegada da \u00c1frica do Sul, atende-nos nesta entrevista por videoconfer\u00eancia desde a It\u00e1lia, realizada para o podcast \u00abDonde callan las armas\u00bb (Onde as armas se calam), do Centre Del\u00e0s de Estudios por la Paz, que foi ao ar em plataformas e no elDiario.es. Nela, lembra que, j\u00e1 em Janeiro de 2024, o Tribunal Internacional de Justi\u00e7a alertou para o risco de genoc\u00eddio em Gaza. Desde ent\u00e3o, se n\u00e3o antes, os pa\u00edses tinham a obriga\u00e7\u00e3o de tomar medidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O seu \u00faltimo relat\u00f3rio, publicado recentemente, intitula-se \u00abGenoc\u00eddio em Gaza: um crime coletivo\u00bb e nele ela pede aos Estados que suspendam as suas rela\u00e7\u00f5es e alian\u00e7as com Israel.<\/p>\n<p>\u00c9 isso mesmo. Nele, argumento que, sem o apoio diplom\u00e1tico, pol\u00edtico, militar, econ\u00f4mico e comercial de muitos Estados, Israel n\u00e3o teria conseguido atingir esse n\u00edvel de impunidade, nem teria tido a capacidade de aumentar a viol\u00eancia contra os palestinos, passando de um apartheid colonial de colonatos para um genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Os Estados membros permitiram que Israel continuasse a construir colonatos para deslocar \u00e0 for\u00e7a os palestinos da terra que supostamente \u00e9 para a sua autodetermina\u00e7\u00e3o, para o seu Estado soberano e independente. Como \u00e9 que esse Estado poderia se materializar enquanto Israel continuava a construir colonatos, deslocando \u00e0 for\u00e7a os palestinos durante meio s\u00e9culo e prendendo milhares todos os anos?<\/p>\n<p>Israel nunca prestou contas por nada. Mesmo agora, ap\u00f3s a morte de pelo menos 70.000 pessoas, entre elas mais de 20.000 crian\u00e7as, os l\u00edderes israelenses continuam a ser recebidos com total impunidade. Israel continua a ser membro das Na\u00e7\u00f5es Unidas, participa do Campeonato Mundial de Futebol e \u00e9 recebido na Bienal de Veneza. N\u00e3o h\u00e1 qualquer consequ\u00eancia.<\/p>\n<p>H\u00e1 um n\u00edvel de impunidade e aquiesc\u00eancia perante os crimes de Israel que criou o ambiente perfeito para que o Estado sionista continue a cometer genoc\u00eddio contra os palestinos, destruindo-os como grupo.<\/p>\n<p>No seu relat\u00f3rio, solicita tamb\u00e9m a suspens\u00e3o de Israel das Na\u00e7\u00f5es Unidas at\u00e9 que cumpra. Por que e como \u00e9 que isso poderia ser feito?<\/p>\n<p>Com vontade pol\u00edtica. Estive recentemente na \u00c1frica do Sul e compreendi algo muito importante. Nelson Mandela dizia que \u00aba nossa liberdade ser\u00e1 incompleta sem a liberdade do povo palestino\u00bb, porque a Palestina foi a \u00faltima experi\u00eancia colonial de coloniza\u00e7\u00e3o europeia. Foi isso que ligou a \u00c1frica do Sul ao apartheid: o colonialismo ocidental.<\/p>\n<p>O povo judeu, ap\u00f3s o Holocausto, em muitos casos, n\u00e3o tinha para onde ir. Mas mudaram-se para a Palestina n\u00e3o como migrantes nem como refugiados, mas como parte de um projeto que j\u00e1 tinha sido concebido para despojar a popula\u00e7\u00e3o nativa. E isto tem sido sustentado pelos pa\u00edses ocidentais, principalmente pelos Estados Unidos, que t\u00eam usado Israel.<\/p>\n<p>Questiono a ideia de que Israel controla os Estados Unidos. N\u00e3o, n\u00e3o, \u00e9 o contr\u00e1rio. S\u00e3o os Estados Unidos que precisam de Israel.<\/p>\n<p>Em que sentido?<\/p>\n<p>Como porta de entrada para controlar uma grande regi\u00e3o rica em recursos, onde j\u00e1 conta com numerosos aliados. E onde est\u00e1 culminando o seu plano para aniquilar qualquer forma de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Grande Israel n\u00e3o \u00e9 um projeto de controle territorial, mas sim de uma domina\u00e7\u00e3o quase metaf\u00edsica para controlar os recursos. Por vezes, os l\u00edderes israelenses aparecem brandindo mapas da Grande Israel que v\u00e3o do Nilo ao Iraque. Ou\u00e7o as pessoas dizer que isso nunca acontecer\u00e1, que Israel nunca ocupar\u00e1 desde o Sinai at\u00e9 o Iraque. Mas ser\u00e1 que isso n\u00e3o est\u00e1 j\u00e1 a acontecer?<\/p>\n<p>Porque vejam como os supostos advers\u00e1rios de Israel foram derrotados um a um. N\u00e3o defendo Saddam Hussein ou Kadhafi que, ao mesmo tempo, foram aliados \u00abconvenientes\u00bb do Ocidente at\u00e9 o deixarem de ser. O Iraque caiu, a L\u00edbia caiu, a S\u00edria caiu.<\/p>\n<p>Os palestinos s\u00e3o hoje a espinha cravada n\u00e3o s\u00f3 de Israel, mas de todo o sistema, porque s\u00e3o o \u00faltimo povo que resiste. Por isso, entendo que agora, mais do que nunca, se deve enfatizar o movimento antiapartheid, que deve ter um alcance global.<\/p>\n<p>A partir deste movimento contra o apartheid, que papel podem e devem desempenhar os sindicatos, os juristas e a sociedade civil, aos que no seu relat\u00f3rio pede que ajam?<\/p>\n<p>Temos de compreender o \u00abefeito Palestina\u00bb. A Palestina representou um despertar, a p\u00edlula vermelha em Matrix: mostrou-nos o mundo em que vivemos. Isto n\u00e3o \u00e9 novo, porque quantas pessoas morreram ou foram eliminadas? Quantas foram apagadas pelo colonialismo dos assentamentos?<\/p>\n<p>Hoje compreendemos que continuam os interesses financeiros e multinacionais que controlam as pessoas ou os seus recursos. Os seus recursos e os seus povos est\u00e3o no meio, s\u00e3o inc\u00f4modos, por isso \u00e9 necess\u00e1rio mat\u00e1-los, para garantir que sejam pacificados, seja escravizados ou domesticados.<\/p>\n<p>Hoje, a Palestina nos mostra que estamos unidos no sentido de que, se n\u00e3o possu\u00edmos grandes capitais, se n\u00e3o controlamos os algoritmos, se n\u00e3o temos acesso ao poder militar \u2014 que ainda est\u00e1 parcialmente nas m\u00e3os dos Estados, mas cada vez mais tamb\u00e9m nas m\u00e3os de mercen\u00e1rios \u2014, se n\u00e3o fazemos parte dele, somos vulner\u00e1veis. De certa forma, somos n\u00f3s que queremos a paz, e acredito que tamb\u00e9m fa\u00e7o parte disso como membro do sistema de direitos humanos.<\/p>\n<p>Existem anticorpos pac\u00edficos que ainda querem preservar a paz e resistir a este sistema. \u00c9 importante compreender que existe algo que funciona como um apartheid global. O apartheid \u00e9 um sistema de domina\u00e7\u00e3o imposto por um grupo racial sobre outro ou outros, e inclui a pr\u00e1tica de atos desumanos. \u00c9 isso que vemos hoje.<\/p>\n<p>Existe um apartheid global porque Israel \u00e9 protegido por uma comunidade global. Perante isso, h\u00e1 pessoas que se rebelam contra o sistema, fazem greves, protestam, mostram desacordo. Mas precisamos passar do despertar para a estrat\u00e9gia de resist\u00eancia. Rebelar-se. Isso \u00e9 um apelo \u00e0 luta armada? De forma alguma. Mas a resist\u00eancia pac\u00edfica deve ser ativa.<\/p>\n<p>Como?<\/p>\n<p>De muitas maneiras. Os cidad\u00e3os devem deixar de comprar certos produtos, sobretudo os fabricados em Israel, mas tamb\u00e9m todos os produtos relacionados com a ilegalidade da ocupa\u00e7\u00e3o. \u00c9 prov\u00e1vel que as empresas que exploram e se beneficiam do genoc\u00eddio palestino sejam tamb\u00e9m as que se beneficiam da crise no Sud\u00e3o e no Congo, e da crise de acesso aos direitos humanos na Europa.<\/p>\n<p>Pensemos no Airbnb. O Airbnb est\u00e1 transformando os centros das nossas belas cidades em dormit\u00f3rios, em alojamentos do tipo &#8220;bed and breakfast&#8221;, agravando a crise da habita\u00e7\u00e3o, deslocando as pessoas e mudando a vida das nossas comunidades. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7os culturais nos bairros. Vi isto pela primeira vez em Madri, h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. E agora est\u00e1 acontecendo na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Tudo est\u00e1 se tornando funcional para o mercado, funcional para que algu\u00e9m fique cada vez mais rico. Alguns se beneficiam, mas a maioria n\u00e3o. A maioria perde. \u00c9 por isso que precisamos descobrir um novo sentido de solidariedade.<\/p>\n<p>A Palestina reflete onde estamos, quem somos hoje. E todos nos encontramos automatizados, enfraquecidos e fr\u00e1geis nesta situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que acho importante observar e agir, compreender qual \u00e9 o nosso papel.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es devem, antes de tudo e acima de tudo, romper la\u00e7os com Israel e, em seguida, compreender quais Estados est\u00e3o associados a Israel. As empresas devem desinvestir e os cidad\u00e3os devem, no m\u00ednimo, deixar de comprar produtos da ocupa\u00e7\u00e3o ilegal.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a assinatura do plano de Trump em Sharm el-Sheikh, algumas entidades, como a Uni\u00e3o Europeia, a Eurovis\u00e3o e outras, deixaram de dizer que iriam estudar a possibilidade de suspender os seus acordos com Israel. Est\u00e3o ignorando o direito internacional?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que estejam ignorando a lei: est\u00e3o violando a lei. E est\u00e3o mentindo com este plano. O cessar-fogo \u00e9 uma mentira. N\u00e3o h\u00e1 cessar-fogo. N\u00e3o h\u00e1 cessar-fogo porque mais de 250 palestinos morreram em Gaza [por ataques israelenses] desde o suposto cessar-fogo.<\/p>\n<p>E n\u00e3o h\u00e1 paz porque n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a. Como pode haver paz? H\u00e1 apenas um genoc\u00eddio que deixou menos de dois milh\u00f5es de sobreviventes em Gaza que n\u00e3o conseguir\u00e3o sobreviver, que continuar\u00e3o a morrer, oprimidos, sem acesso aos seus direitos e muito menos \u00e0 justi\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 t\u00e3o c\u00ednico o que os nossos l\u00edderes fazem que \u00e9 inconceb\u00edvel. Nunca imaginei encontrar-me diante de tal hipocrisia estrutural e institucionalizada. Chamam-lhe cessar-fogo, enquanto os palestinos continuam a morrer pelo fogo israelense. E a aten\u00e7\u00e3o foi desviada. Por um lado, continuar\u00e3o a dizer que j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 necessidade de protestar, ridicularizam e reprimem os protestos.<\/p>\n<p>As confer\u00eancias sobre a Palestina n\u00e3o podem ser realizadas em muitos lugares, esses vetos chegam agora com mais histeria do que antes. Recentemente, o Coll\u00e8ge de France cancelou a Confer\u00eancia sobre a Palestina, onde eu iria falar com Dominique de Villepin. Na It\u00e1lia, outra palestra de um historiador muito famoso, com 50 anos de experi\u00eancia docente e dezenas de livros publicados, tamb\u00e9m foi cancelada. E no Reino Unido, Starmer recebe o [presidente de Israel], Isaac Herzog: j\u00e1 se sabe, t\u00eam neg\u00f3cios a tratar.<\/p>\n<p>Os que est\u00e3o no poder t\u00eam assuntos a tratar, ent\u00e3o dizem-nos: \u00abCala-te, volta aos teus assuntos, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de protestar\u00bb. O plano [para Gaza] apresentado em Sharm El Sheikh \u00e9 o que torna mais evidente essa sensa\u00e7\u00e3o de apar\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que, neste momento, solidarizar-se com a Palestina \u00e9 mais importante do que nunca. N\u00e3o se trata apenas deles, trata-se de n\u00f3s. Trata-se da nossa liberdade, porque n\u00e3o \u00e9 normal viver numa Europa que trai os valores com os quais se comprometeu.<\/p>\n<p>Sim, continua a se negociar e a cantar com israelenses que podem ter cometido crimes de guerra, porque qualquer pessoa que tenha passado pelo ex\u00e9rcito israelense nos \u00faltimos dois anos \u00e9 muito prov\u00e1vel que tenha cometido crimes contra palestinos, em Gaza ou mesmo na Cisjord\u00e2nia. Com o devido respeito, deveriam ser investigados antes de virem para a Europa.<\/p>\n<p>E aos Estados-Membros: lamento, mas as autoridades israelenses n\u00e3o deveriam ser recebidas com tapete vermelho em lugar nenhum. Dado que, neste momento, a maioria dos Estados da Europa \u00e9 governada por l\u00edderes que s\u00e3o covardes ou c\u00famplices, \u00e9 necess\u00e1ria uma resist\u00eancia cont\u00ednua por parte do povo.<\/p>\n<p>Em 1974, a \u00c1frica do Sul do apartheid foi suspensa como membro pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, at\u00e9 1994. Por que agora, ap\u00f3s dois anos de genoc\u00eddio, Israel n\u00e3o foi suspenso?<\/p>\n<p>Porque o sistema \u00e9 inteligente e se protege a si mesmo. Aprendeu como se pode tolerar a impunidade e sabe que hoje n\u00e3o estamos na fase da descoloniza\u00e7\u00e3o, mas no p\u00f3s-11 de Setembro. Inclusive alguns Estados africanos est\u00e3o muito ativos, exceto a \u00c1frica do Sul, com as suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es, assim como a Nam\u00edbia e a Arg\u00e9lia. Mas h\u00e1 poucos Estados que tiveram a coragem de defender a Palestina. Depois, h\u00e1 a Mal\u00e1sia; a Indon\u00e9sia, que n\u00e3o est\u00e1 muito segura. \u00c9 dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Devemos realmente pedir aos governos que rompam rela\u00e7\u00f5es com Israel, sabendo que n\u00e3o o far\u00e3o. \u00c9 por isso que s\u00e3o os estivadores de toda a Europa que devem entrar em greve, com o apoio popular. Deveria haver um m\u00eas de greve. Compreendo que \u00e9 dif\u00edcil, para todos.<\/p>\n<p>Acha que amanh\u00e3 voltaremos ao normal depois deste genoc\u00eddio? O sistema est\u00e1 mostrando a sua pior face. E isto \u00e9 apenas o come\u00e7o. Estamos nos abrindo a novas formas de controle e repress\u00e3o.<\/p>\n<p>Olha para o Reino Unido: l\u00e1, jornalistas e ativistas s\u00e3o detidos sob acusa\u00e7\u00f5es de terrorismo. Olha para a Alemanha, onde a pol\u00edcia de Berlim n\u00e3o perde oportunidade de usar cassetetes para reprimir brutalmente os manifestantes. Olhem para a Fran\u00e7a, um pa\u00eds supostamente liberal, cancelando eventos, impedindo protestos e manifesta\u00e7\u00f5es. Ou a It\u00e1lia. Onde est\u00e1 a liberdade?<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia \u00e9 agora mesmo a explica\u00e7\u00e3o de quem ganhou a Guerra Fria. Quem ganhou a Guerra Fria? Nem sequer \u00e9 a democracia, \u00e9 o neoliberalismo. Porque, em nome dos interesses econ\u00f4micos e financeiros, todo o resto, incluindo as nossas liberdades, \u00e9 sacrificado.<\/p>\n<p>H\u00e1 algumas semanas, vimos Netanyahu na Assembleia das Na\u00e7\u00f5es Unidas. A senhora n\u00e3o p\u00f4de comparecer devido \u00e0s san\u00e7\u00f5es impostas pelos Estados Unidos. O que significa isso? Que mensagem transmite isso?<\/p>\n<p>A fraqueza do sistema. Estou consternada com a forma como os Estados-membros reagiram a algo t\u00e3o grave. J\u00e1 deveria haver uma a\u00e7\u00e3o no Tribunal Internacional de Justi\u00e7a contra os Estados Unidos pela viola\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o sobre Privil\u00e9gios e Imunidades e da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho que lhes agradar, podem discordar de mim. Podem at\u00e9 tentar me destituir do meu mandato. Mas n\u00e3o podem me atacar pessoalmente, porque isso \u00e9 um golpe no cora\u00e7\u00e3o do sistema de confian\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Estou protegida pelo direito internacional pelo exerc\u00edcio das minhas fun\u00e7\u00f5es, do meu mandato. E o fa\u00e7o gratuitamente. Por que t\u00eam de me atacar no meu patrim\u00f4nio pessoal, nas minhas finan\u00e7as? J\u00e1 dediquei tr\u00eas anos da minha vida a este mandato de forma altru\u00edsta.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas mentiras sobre mim, mas n\u00e3o importa, porque manchar a reputa\u00e7\u00e3o das pessoas, difamar, aniquilar algu\u00e9m, \u00e9 parte essencial da destrui\u00e7\u00e3o. Mas os Estados-Membros me deixaram sozinha, enquanto permitem que os Estados Unidos se comportem como um rufi\u00e3o, como um abusador puro e duro. \u00c9 um gangster. Costumo compar\u00e1-lo com a m\u00e1fia, porque \u00e9 um uso do poder t\u00e3o violento e ostensivo que nos leva a perguntar: onde est\u00e3o os outros 191 Estados-Membros da comunidade internacional?<\/p>\n<p>Por isso, penso que podem continuar a me atacar, mas sou apenas uma pessoa. O movimento come\u00e7ou e \u00e9 um processo de tomada de consci\u00eancia; quanto mais danos causarem a pessoas como eu, maior ser\u00e1 o despertar.<\/p>\n<p>No seu \u00faltimo relat\u00f3rio, menciona a Espanha quatro vezes, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s medidas aprovadas contra o com\u00e9rcio de armas, \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es de armamento realizadas a partir da Espanha nestes dois anos, \u00e0s manobras militares da Espanha com Israel no \u00e2mbito dos exerc\u00edcios INIOCHOS 2025 e ao papel dos trabalhadores nos portos que tentam bloquear o tr\u00e2nsito de armamento. O que deve a Espanha fazer agora?<\/p>\n<p>A Espanha, por v\u00e1rias raz\u00f5es, tem estado na vanguarda Da Europa, juntamente com a Eslov\u00eania, nesta resist\u00eancia. Praticamente tem estado sozinha. N\u00e3o creio que a Irlanda ou a Noruega se tenham aproximado do que a Espanha fez. E n\u00e3o diria a Espanha como Governo, embora haja figuras muito \u00edntegras que se pronunciaram abertamente.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma combina\u00e7\u00e3o de elementos de sucesso na Espanha. A liberdade de imprensa \u00e9 um deles, a liberdade acad\u00eamica, muitos avan\u00e7os foram alcan\u00e7ados nas universidades, n\u00e3o s\u00f3 gra\u00e7as aos estudantes, mas tamb\u00e9m \u00e0 academia, aos pr\u00f3prios professores e trabalhadores. Tem sido realmente interessante.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, mesmo a Espanha n\u00e3o est\u00e1 onde deveria estar, embora tenha feito muito mais e melhor do que outros pa\u00edses da Europa, mas tem de romper todos os la\u00e7os com Israel. E \u00e9 preciso travar uma batalha pela prote\u00e7\u00e3o do multilateralismo.<\/p>\n<p>Fiquei desconcertada com a resist\u00eancia da Espanha, por exemplo, a fazer parte do Grupo de Haia como uma das for\u00e7as l\u00edderes. Refiro-me a este grupo de Estados que decidiu cortar la\u00e7os militares, n\u00e3o oferecer portos para o transporte de mercadorias para Israel e n\u00e3o ser um reduto de impunidade, permitindo que a justi\u00e7a funcione, principalmente para aqueles que t\u00eam ordens de pris\u00e3o. Por exemplo, n\u00e3o ceder espa\u00e7o a\u00e9reo para os tr\u00e2nsitos de Netanyahu e outros como ele.<\/p>\n<p>Espero que a Espanha fa\u00e7a parte integralmente do Grupo de Haia, mas tamb\u00e9m que incentive outros pa\u00edses europeus a faz\u00ea-lo. A Eslov\u00eania j\u00e1 est\u00e1 dentro, e poderia haver outros pa\u00edses como a B\u00e9lgica, o Luxemburgo ou a Irlanda.<\/p>\n<p>Devemos estar conscientes de que \u00e9 realmente mors tua, vita mea [a tua morte, a minha vida]; se \u00e9 por interesses econ\u00f4micos que n\u00e3o se podem romper os la\u00e7os com Israel, mais cedo ou mais tarde isso ir\u00e1 se virar contra n\u00f3s e a nos estrangular. Estamos realmente alimentando cobras no nosso pr\u00f3prio peito, como dizemos em italiano.<\/p>\n<p>Esta entrevista faz parte do podcast \u00abDonde callan las armas\u00bb (Onde as armas silenciam), do Centre Del\u00e0s de Estudios por la Paz, transmitido em plataformas como Ivoox e Spotify.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.eldiario.es\/internacional\/francesca-albanese-llaman-alto-fuego-palestinos-siguen-muriendo-fuego-israeli_128_12763502.html\">https:\/\/www.eldiario.es\/internacional\/francesca-albanese-llaman-alto-fuego-palestinos-siguen-muriendo-fuego-israeli_128_12763502.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33382\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,10],"tags":[233],"class_list":["post-33382","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/s659gw-33382","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33382","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33382"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33382\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33385,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33382\/revisions\/33385"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33382"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33382"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33382"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}