{"id":33386,"date":"2025-11-26T19:24:11","date_gmt":"2025-11-26T22:24:11","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33386"},"modified":"2025-11-26T19:24:11","modified_gmt":"2025-11-26T22:24:11","slug":"o-governo-trump-brinca-com-fogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33386","title":{"rendered":"O governo Trump brinca com fogo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33387\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33386\/unnamed-57\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1.jpg?fit=900%2C506&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"900,506\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1.jpg?fit=747%2C420&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-33387\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1.jpg?resize=747%2C420&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1.jpg?w=900&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/unnamed-1.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>\u2013 Devem informar Trump que o resultado da sua aposta na viol\u00eancia militar pode ser um Armagedom nuclear<\/p>\n<p>Atilio Boron [*]<\/p>\n<p>O invulgar envio de navios de guerra dos EUA para as Cara\u00edbas e, sobretudo, para as imedia\u00e7\u00f5es do mar territorial da Venezuela, \u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o das m\u00faltiplas declara\u00e7\u00f5es de Trump e de altos funcion\u00e1rios do seu governo que h\u00e1 meses anunciam que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Venezuela, &#8220;todas as op\u00e7\u00f5es est\u00e3o em cima da mesa&#8221;.<\/p>\n<p>O objetivo: produzir a t\u00e3o ansiada &#8220;mudan\u00e7a de regime&#8221;, pelo que esse pa\u00eds tem grandes chances de ser alvo de uma crescente agress\u00e3o militar. Na verdade, isso j\u00e1 come\u00e7ou: 20 barcos destru\u00eddos nas \u00e1guas do Caribe e tamb\u00e9m do Pac\u00edfico, com 76 pessoas assassinadas extrajudicialmente por ordem de Trump, falam de uma guerra que j\u00e1 come\u00e7ou. [1]<\/p>\n<p>O pretexto de que se tratava de &#8220;barcos de narcotraficantes&#8221; e que os seus ocupantes seriam traficantes de droga \u00e9 uma mentira grosseira que nenhuma pessoa medianamente sensata pode acreditar. N\u00e3o h\u00e1 qualquer evid\u00eancia que sustente as afirma\u00e7\u00f5es da Casa Branca: os ocupantes dos barcos n\u00e3o foram detidos nem identificados, n\u00e3o foram interrogados para saber quem eram os seus chefes e assim avan\u00e7ar no combate ao narcotr\u00e1fico, nem a suposta droga foi apreendida. O mais prov\u00e1vel, como afirmaram os presidentes da Venezuela e da Col\u00f4mbia, \u00e9 que as infelizes v\u00edtimas fossem humildes pescadores ou migrantes.<\/p>\n<p>Os traficantes de droga cuidam dos seus neg\u00f3cios e n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o est\u00fapidos a ponto de se aventurar em mar aberto quando todos os olhos das for\u00e7as armadas dos EUA est\u00e3o vigiando cada cent\u00edmetro do Caribe com navios e drones. Mas o s\u00f3rdido personagem que preside a Casa Branca queria fazer uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a e enviar uma mensagem a outros atores do sistema internacional \u2014 tanto aos seus aliados quanto aos seus advers\u00e1rios e inimigos \u2014 e ordenou esses ataques criminosos para que todos percebessem que os EUA &#8220;estavam grandes novamente&#8221; e haviam recuperado o cetro de valent\u00e3o do bairro, que podia agir com total impunidade e que, a partir de agora, os seus desejos seriam ordens que deveriam ser obedecidas sem questionar.<\/p>\n<p>Num excelente artigo publicado h\u00e1 poucos dias, Vijay Prashad fez uma revis\u00e3o dos antecedentes hist\u00f3ricos das diferentes modalidades de intervencionismo militar dos EUA, todas elas com pouqu\u00edssimas chances de sucesso, segundo o autor, no caso da atual ofensiva contra a Rep\u00fablica Bolivariana da Venezuela.[2]<\/p>\n<p>Vejamos. Uma delas, inspirada na experi\u00eancia do golpe de Estado de 1964 no Brasil, consiste em deslocar um numeroso contingente militar para \u00e1guas territoriais \u2014 naquele caso, no Rio de Janeiro \u2014 e que o simples posicionamento do formid\u00e1vel poderio naval norte-americano incentive os setores da extrema direita a tomar as ruas, produzir todo tipo de excessos, montar protestos sangrentos (guarimbas), o que provocaria uma ruptura nas for\u00e7as armadas bolivarianas e a r\u00e1pida transi\u00e7\u00e3o de um setor delas para o campo da oposi\u00e7\u00e3o fascista, precipitando a ruptura da ordem constitucional e a destitui\u00e7\u00e3o do presidente Nicol\u00e1s Maduro. Nem Prashad nem o autor destas linhas atribuem qualquer probabilidade a essa conjectura.<\/p>\n<p>O segundo cen\u00e1rio \u00e9 o que o nosso autor chama de \u201cop\u00e7\u00e3o Panam\u00e1\u201d, pela decis\u00e3o tomada por Washington em 1989 de enviar um contingente de tropas especializadas para capturar o presidente Manuel Noriega e lev\u00e1-lo prisioneiro para os EUA. Essa opera\u00e7\u00e3o foi ferozmente resistida pela popula\u00e7\u00e3o desarmada do Panam\u00e1 e exigiu a mobiliza\u00e7\u00e3o de cerca de 26.000 soldados e levou quase um m\u00eas de combates. Repetir isso em um pa\u00eds do tamanho territorial e populacional da Venezuela exigiria mobilizar uma for\u00e7a expedicion\u00e1ria de v\u00e1rias centenas de milhares de soldados para lutar contra um ex\u00e9rcito bem equipado e mil\u00edcias populares armadas. Essas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o se d\u00e3o de forma alguma na Venezuela.<\/p>\n<p>A terceira modalidade seria a que Prashad denomina a &#8220;op\u00e7\u00e3o Iraque&#8221;: bombardeamentos massivos contra Caracas e outras cidades, provocando grandes destrui\u00e7\u00f5es, ocupar infraestruturas-chave \u2014 eletricidade, \u00e1gua, servi\u00e7os essenciais \u2014, semear o p\u00e2nico na popula\u00e7\u00e3o e desmoralizar e dividir as for\u00e7as armadas, seguido de tentativas de linchamento da alta lideran\u00e7a venezuelana.<\/p>\n<p>Mas, como aponta o nosso autor, ao contr\u00e1rio do caso iraquiano, na Venezuela, o enraizamento do chavismo nos bairros populares, o seu alto grau de organiza\u00e7\u00e3o \u2014 e de consci\u00eancia anti-imperialista \u2014 e a identifica\u00e7\u00e3o das for\u00e7as armadas com o projeto bolivariano frustrariam completamente essa iniciativa. Podem causar muitos danos e provocar muitas mortes, mas o governo bolivariano continuaria firme nos seus postos de comando.<\/p>\n<p>Outra alternativa que n\u00e3o deve ser descartada, porque tem sido repetidamente utilizada pelos EUA, \u00e9 uma &#8220;opera\u00e7\u00e3o terrorista de bandeira falsa&#8221;. O imp\u00e9rio poderia, por exemplo, montar um ataque a algum dos navios que est\u00e3o na zona, ou nas proximidades de Trinidad e Tobago, ou Porto Rico, ou um atentado contra alguma sede de uma embaixada dos EUA ou mesmo dentro do pa\u00eds. Tal \u00e9 o desespero para se apoderar do petr\u00f3leo venezuelano que os criminosos que pululam em torno da Casa Branca seriam capazes de ordenar a realiza\u00e7\u00e3o de um auto-ataque, como detonar uma bomba na Times Square ou na Grand Central Station de Nova Iorque para culpar o &#8220;regime&#8221; de Maduro por esses crimes e assim justificar a agress\u00e3o que seria ent\u00e3o apresentada como &#8220;defensiva&#8221;. No entanto, \u00e9 claro que isso n\u00e3o resolve os inconvenientes expostos acima.<\/p>\n<p>A quinta op\u00e7\u00e3o seria um assassinato que poria um fim abrupto \u00e0 presid\u00eancia de Nicol\u00e1s Maduro. A tecnologia utilizada pelos israelenses para esses fins foi testada com a elimina\u00e7\u00e3o de boa parte da lideran\u00e7a do Hamas e do Hezbollah. Lembremos que j\u00e1 tentaram contra Maduro com dois drones em 2018, e o ataque foi repelido.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que, tendo em conta que as dezoito organiza\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em a Comunidade de Intelig\u00eancia dos EUA (sic!) e que, no total, empregam aproximadamente um milh\u00e3o e quatrocentos mil agentes, algumas centenas deles estejam estacionados e a operar na Venezuela h\u00e1 algum tempo, e que tenham recrutado n\u00e3o poucos colaboradores locais entre a direita e a extrema-direita fascista.[3]<\/p>\n<p>Mas uma opera\u00e7\u00e3o deste tipo, no caso muito improv\u00e1vel de ser bem-sucedida e assassinar o presidente Maduro, n\u00e3o produziria necessariamente a t\u00e3o almejada &#8220;mudan\u00e7a de regime&#8221; que Washington persegue. O chavismo \u00e9 uma for\u00e7a tel\u00farica na Venezuela, \u00e9 a express\u00e3o mais genu\u00edna da soberania popular e do legado de Sim\u00f3n Bol\u00edvar, e sobreviveria a essas lament\u00e1veis vicissitudes, no improv\u00e1vel caso de elas ocorrerem. Haveria uma mudan\u00e7a na lideran\u00e7a, sem d\u00favida, imposta pelas circunst\u00e2ncias, mas a revolu\u00e7\u00e3o bolivariana continuaria seu curso.<\/p>\n<p>Agora bem: assim colocadas as coisas, conv\u00e9m ampliar o foco desta reflex\u00e3o para tomar nota do contexto internacional em que se produziria a agress\u00e3o militar ianque. Um dado decisivo do mesmo \u00e9 a muta\u00e7\u00e3o experimentada nos \u00faltimos anos e que provocou o colapso do unipolarismo norte-americano e a emerg\u00eancia de um sistema internacional multipolar ou polic\u00eantrico cujos pilares: China, R\u00fassia, Ir\u00e3, \u00cdndia, os BRICS em geral, j\u00e1 adquiriram uma gravidade econ\u00f4mica superior \u00e0 dos pa\u00edses do G7, ou seja, aos EUA e seus indignos vassalos: Canad\u00e1, Fran\u00e7a, Alemanha, It\u00e1lia, Jap\u00e3o e Reino Unido. E quem diz influ\u00eancia econ\u00f4mica tamb\u00e9m diz influ\u00eancia pol\u00edtica, cultural (note-se a &#8220;desocidentaliza\u00e7\u00e3o&#8221; da antiga periferia colonial), diplom\u00e1tica e militar.<\/p>\n<p>Acrescente-se a isso os evidentes ind\u00edcios do decl\u00ednio do poderio norte-americano, percebido at\u00e9 mesmo pelos mais fervorosos exegetas do imperialismo, na gal\u00e1xia das novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e rob\u00f3tica e a presen\u00e7a declinante do d\u00f3lar na economia mundial para delinear os contornos de um novo sistema internacional p\u00f3s-hegem\u00f4nico e no qual o regresso \u00e0 &#8220;diplomacia das canhoneiras&#8221; poderia tentar outros atores do sistema internacional a seguir o (mau) exemplo dos EUA.<\/p>\n<p>Se a for\u00e7a bruta \u00e9 agora o que rege o funcionamento das rela\u00e7\u00f5es internacionais, que raz\u00f5es teria a China para esperar at\u00e9 2049, quando se completar\u00e1 o primeiro centen\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o, para reintegrar a prov\u00edncia rebelde de Taiwan \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o nacional? Por que n\u00e3o imitar os EUA e faz\u00ea-lo agora, aproveitando sua enorme superioridade militar e o fato de que Washington est\u00e1 envolvido em uma guerra cara e prolongada em sua pr\u00f3pria vizinhan\u00e7a? Como reagiriam os EUA, atolados em uma guerra imposs\u00edvel de vencer na Venezuela, diante de tal movimento militar de Pequim? Retiraria as suas tropas da rep\u00fablica bolivariana, numa fuga ca\u00f3tica como fizeram no Afeganist\u00e3o, atravessando meio mundo para enfrentar o pa\u00eds que, segundo todos os documentos oficiais dos EUA, designam como uma entidade maligna e seu inimigo n\u00famero um, o rival a ser derrotado? Ou Washington se limitaria a solicitar uma sess\u00e3o urgente do Conselho de Seguran\u00e7a, o que provocaria uma gargalhada universal?<\/p>\n<p>Enviaria \u00e0s pressas o porta-avi\u00f5es USS Gerald Ford novamente para o sul da \u00c1sia, onde chegaria ap\u00f3s duas semanas de marcha for\u00e7ada? Apagaria com o cotovelo as suas d\u00e9cadas de apoio incondicional a Taiwan e jogaria no lixo os centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares transferidos para essa ilha como ajuda militar e econ\u00f4mica? \u00c9 conveniente que os assessores e especialistas da Casa Branca pensem nessas coisas antes de escalar a agress\u00e3o contra a Venezuela.<\/p>\n<p>O que Trump est\u00e1 amea\u00e7ando fazer ilumina a grande diferen\u00e7a existente entre a situa\u00e7\u00e3o da Venezuela \u2013 por enquanto apenas amea\u00e7ada \u2013 e a da Ucr\u00e2nia. Como assim? Washington est\u00e1 prestes a atacar militarmente um pa\u00eds que h\u00e1 dez anos sofre um bloqueio imposto por Barack Obama e que n\u00e3o representa qualquer amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional dos Estados Unidos. A Ucr\u00e2nia, por outro lado, sofreu um golpe de Estado arquitetado pela administra\u00e7\u00e3o Obama, que destituiu um governo legitimamente eleito e que contava com a b\u00ean\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia, que mantinha rela\u00e7\u00f5es normais com Moscovo, e o substituiu por uma sucess\u00e3o de governos neofascistas que, desde o primeiro dia, come\u00e7aram a atacar a minoria russ\u00f3fona da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 isso: a OTAN, a maior organiza\u00e7\u00e3o criminosa do mundo (Noam Chomsky dixit), estava tentando incorporar a Ucr\u00e2nia nas suas fileiras, o que representava uma amea\u00e7a existencial \u00e0 seguran\u00e7a nacional russa. Por isso, Moscou n\u00e3o teve outra alternativa sen\u00e3o lan\u00e7ar a sua &#8220;opera\u00e7\u00e3o militar especial&#8221;, uma guerra preventiva diante dos sinais claros de agress\u00e3o que vinham da Ucr\u00e2nia, transformada num proxy dos EUA e da OTAN. Como explicou de forma irrefut\u00e1vel John Mearsheimer, professor da Universidade de Chicago, &#8220;o argumento com o qual me identifico, e que \u00e9 claramente a opini\u00e3o minorit\u00e1ria no Ocidente, \u00e9 que os EUA e os seus aliados provocaram a guerra&#8221;.[4] Jeffrey Sachs, economista da Universidade de Columbia, defende esta mesma tese com muita informa\u00e7\u00e3o adicional no v\u00eddeo que citamos abaixo.[5]<\/p>\n<p>Nenhuma dessas condi\u00e7\u00f5es se aplica ao caso venezuelano que, preciso reiterar, n\u00e3o prejudica em nada a seguran\u00e7a nacional dos EUA. Al\u00e9m das suas diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas e da atitude agressiva de Washington, o governo venezuelano nunca deixou de vender petr\u00f3leo aos EUA. Por isso, tal como foi feito para legitimar a invas\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o do Iraque a partir de 2003, a Casa Branca recorre \u00e0 inven\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria fantasiosa e falaciosa, uma narrativa rid\u00edcula segundo a qual o presidente Nicol\u00e1s Maduro seria o chefe de um fantasmag\u00f3rico &#8220;Cartel dos Soles&#8221;, cuja exist\u00eancia \u00e9 t\u00e3o verdadeira quanto as &#8220;armas de destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a&#8221; que supostamente existiam no Iraque, e que, nessa condi\u00e7\u00e3o, est\u00e1 condenando \u00e0 morte dezenas de milhares de cidad\u00e3os norte-americanos.<\/p>\n<p>Dadas todas estas considera\u00e7\u00f5es, seria bom que Trump prestasse aten\u00e7\u00e3o \u00e0s declara\u00e7\u00f5es emitidas por Moscou e Pequim, rejeitando a op\u00e7\u00e3o militar para resolver conflitos internacionais. A Am\u00e9rica Latina e as Cara\u00edbas, disseram ambos, n\u00e3o s\u00e3o o quintal de ningu\u00e9m. A arrog\u00e2ncia de Trump, sobre quem pesam in\u00fameras acusa\u00e7\u00f5es judiciais, \u00e0s quais se juntou recentemente a de pedofilia, ati\u00e7aria a fogueira nos numerosos focos de tens\u00e3o que colocariam o mundo em perigo perante uma poss\u00edvel escalada nuclear e que obrigariam Washington a lutar e sangrar em v\u00e1rias frentes de guerra.<\/p>\n<p>Por exemplo, reacender a disputa entre a \u00cdndia e o Paquist\u00e3o, duas pot\u00eancias at\u00f4micas menores, estimulada pelo exemplo dos EUA ao atacar a Venezuela. Ou a disputa intermin\u00e1vel do sionismo israelense com os seus vizinhos, principalmente a S\u00edria, a quem Telavive despojou dos cruciais Montes Gol\u00e3, e da ajuda do L\u00edbano e do Ir\u00e3. Ou da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica da Coreia, uma pequena pot\u00eancia at\u00f4mica, contra a Coreia do Sul. As for\u00e7as armadas do imp\u00e9rio se veriam diante de um ac\u00famulo de conflitos que enfraqueceriam muito a defesa do pr\u00f3prio territ\u00f3rio norte-americano.<\/p>\n<p>\u00c9 sabido que o petr\u00f3leo venezuelano, a maior reserva do mundo, exerce uma \u201catra\u00e7\u00e3o fatal\u201d sobre os administradores do imp\u00e9rio. Mas alguns assessores deveriam informar ao incompetente gabinete de Trump 2.0 que o resultado final de sua aposta na viol\u00eancia militar pode ser um Armagedom nuclear de propor\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas e que ele deve cessar sua agress\u00e3o militar contra a Venezuela e apostar na negocia\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica, fazendo ouvidos moucos aos fascistas venezuelanos liderados por Mar\u00eda Corina Machado, m\u00e1xima cultora da viol\u00eancia naquele pa\u00eds, e aos discursos dos delinquentes de Miami que, liderados por Marco Rubio, desembarcaram em Washington cegos pelo seu \u00f3dio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana e ao chavismo.<\/p>\n<p>Informar tamb\u00e9m ao presidente que, num exerc\u00edcio de simula\u00e7\u00e3o realizado pelo programa &#8220;Ci\u00eancia e Seguran\u00e7a Global&#8221; da Universidade de Princeton, concluiu-se que, em um conflito em que os EUA e a R\u00fassia recorressem aos seus arsenais nucleares, &#8220;90 milh\u00f5es de pessoas morreriam ou ficariam feridas apenas nas primeiras horas do conflito&#8221;. [6]<\/p>\n<p>E, nesse momento, nada importa quem venha a se apoderar do petr\u00f3leo venezuelano, saudita ou de qualquer outro lugar, porque em poucas semanas a nuvem at\u00f4mica resultante do bombardeamento nuclear acabaria com todas as formas de vida do planeta. Seria a primeira vez que uma guerra promovida pelos EUA longe de casa: na Europa, no sul da \u00c1sia, no norte de \u00c1frica, teria como cen\u00e1rio sombrio as grandes cidades americanas.<\/p>\n<p>Primeira, acrescentemos, e \u00faltima vez, porque depois n\u00e3o haveria outra. Cabe aqui reproduzir a resposta que Albert Einstein deu a um jornalista que lhe perguntou se ele sabia como seria a terceira guerra mundial. Sua resposta poupa milhares de argumentos: \u201cN\u00e3o sei como ser\u00e1 a terceira guerra mundial, s\u00f3 sei que a quarta ser\u00e1 com pedras e lan\u00e7as.\u201d Isso se sobrevivermos a vinte anos de inverno nuclear.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1] N\u00fameros em 9\/novembro\/2025.<br \/>\n[2] Ver &#8220;EUA continuam a sua tentativa de derrubar a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana da Venezuela&#8221;, Boletim 45 (2025) do Instituto Tricontinental de Investiga\u00e7\u00e3o Social.<br \/>\n[3] www.intelligence.gov\/how-the-ic-works\/&#8230;<br \/>\n[4] www.sinpermiso.info\/textos\/quien-causo-la-guerra-de-ucrania<br \/>\n[5] Veja a explica\u00e7\u00e3o detalhada de Sachs neste v\u00eddeo: www.youtube.com\/watch?v=7x5enM9Mo4M<br \/>\n[6] Cf. www.elperiodico.com\/es\/tendencias-21\/20220308\/guerra-nuclear-tendria-horas-victimas-13338816<\/p>\n<p>[*] Soci\u00f3logo argentino.<br \/>\nO original encontra-se em<a href=\"http:\/\/www.lahaine.org\/mundo.php\/el-gobierno-de-trump-juega-con-fuego\"> www.lahaine.org\/mundo.php\/el-gobierno-de-trump-juega-con-fuego<\/a><br \/>\nEste artigo encontra-se em resistir.info<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33386\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,10],"tags":[227],"class_list":["post-33386","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8Gu","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33386","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33386"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33386\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33388,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33386\/revisions\/33388"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33386"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33386"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33386"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}