{"id":33466,"date":"2025-12-24T13:40:01","date_gmt":"2025-12-24T16:40:01","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33466"},"modified":"2025-12-24T13:40:01","modified_gmt":"2025-12-24T16:40:01","slug":"destruicao-ambiental-na-terra-do-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33466","title":{"rendered":"Destrui\u00e7\u00e3o ambiental na Terra do Sol"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33467\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33466\/attachment\/1000117612\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1000117612.jpg?fit=769%2C586&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"769,586\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"1000117612\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1000117612.jpg?fit=300%2C229&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1000117612.jpg?fit=747%2C569&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-33467\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1000117612.jpg?resize=747%2C569&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"569\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1000117612.jpg?w=769&amp;ssl=1 769w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1000117612.jpg?resize=300%2C229&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>C\u00e9lula Z\u00e9 Maria do Tom\u00e9<br \/>\nPCB do Cear\u00e1<\/p>\n<p>A L\u00d3GICA DA EXPANS\u00c3O CAPITALISTA E A DEPREDA\u00c7\u00c3O DA NATUREZA NA TERRA DO SOL<\/p>\n<p>\u201cO sol h\u00e1 de brilhar mais uma vez<br \/>\nA luz h\u00e1 de chegar aos cora\u00e7\u00f5es<br \/>\nDo mal ser\u00e1 queimada a semente<br \/>\nO amor ser\u00e1 eterno novamente\u201d.<\/p>\n<p>O capital, como toda rela\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o envolve apenas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, mas tamb\u00e9m a forma como n\u00f3s, seres humanos, nos relacionamos com a natureza. Essa din\u00e2mica com o mundo natural trazida pelo capital tem um car\u00e1ter predat\u00f3rio, onde a produ\u00e7\u00e3o para o mercado despreza completamente os cuidados para com a pr\u00f3pria preserva\u00e7\u00e3o da vida no planeta. As consequ\u00eancias diretas de s\u00e9culos de depreda\u00e7\u00e3o do meio ambiente ganham hoje intensidade maior, no palco das lutas de classes no Estado do Cear\u00e1. \u00c9 o que ocorre, por exemplo, com a produ\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio verde (ou hub) na regi\u00e3o do complexo do Pec\u00e9m, a minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio e fosfato em Santa Quit\u00e9ria e a aprova\u00e7\u00e3o da lei de pulveriza\u00e7\u00e3o por drones no ano passado (2024), que, na pr\u00e1tica, anula a lei Z\u00e9 Maria do Tom\u00e9, no qual o Estado proibia a pulveriza\u00e7\u00e3o de pesticidas. Todos esses empreendimentos n\u00e3o s\u00f3 comprometem a reprodu\u00e7\u00e3o da vida marinha, amea\u00e7am a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, do solo e das plantas, como representam diretamente uma amea\u00e7a para as popula\u00e7\u00f5es costeiras, \u00e0 agricultura familiar, como a popula\u00e7\u00e3o cearense em geral.<\/p>\n<p>Contudo, os empreendimentos do grande capital que amea\u00e7am diretamente n\u00e3o s\u00f3 a vida humana, como nosso ecossistema, n\u00e3o se resumem \u00e0s iniciativas do agroneg\u00f3cio no interior do estado. Historicamente, a din\u00e2mica de expans\u00e3o urbana na capital sempre foi orientada pelos interesses da burguesia, revelando um padr\u00e3o estrutural de conflito entre o crescimento urbano e a preserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas ambientalmente sens\u00edveis. Fortaleza \u2013 que j\u00e1 perdeu cerca de 84% de sua cobertura vegetal nativa \u2013 enfrenta hoje uma intensifica\u00e7\u00e3o dessas tens\u00f5es justamente nos poucos remanescentes de \u00e1reas verdes ainda existentes.<\/p>\n<p>Dentro deste tensionamento, tanto o Governo do Estado como a Prefeitura de Fortaleza t\u00eam claramente se posicionado dentro dos interesses do grande capital. No caso da Prefeitura, esta aparece como agente central, seja na concess\u00e3o de conformidade urban\u00edstica, seja na flexibiliza\u00e7\u00e3o de normas do Plano Diretor e da Lei de Uso e Ocupa\u00e7\u00e3o do Solo, seja ainda na condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de conselhos e inst\u00e2ncias decis\u00f3rias que autorizam interven\u00e7\u00f5es em \u00e1reas protegidas. O caso mais emblem\u00e1tico e recente desse padr\u00e3o \u00e9 o desmatamento da chamada \u201cFloresta do Aeroporto\u201d, no entorno do Aeroporto Internacional Pinto Martins. Entre 2024 e 2025, foram suprimidos entre 32 e 46 hectares de vegeta\u00e7\u00e3o nativa caracterizada como Mata Atl\u00e2ntica em est\u00e1gio m\u00e9dio a avan\u00e7ado de regenera\u00e7\u00e3o. Esse epis\u00f3dio n\u00e3o pode ser compreendido como um caso isolado. Ele se insere em um contexto mais amplo de press\u00f5es urban\u00edsticas sobre \u00e1reas protegidas em Fortaleza, como ocorre historicamente na regi\u00e3o da Sabiaguaba, nas margens do rio Coc\u00f3 e nas lagoas urbanas dos bairros Maraponga, Parangaba e Messejana.<\/p>\n<p>O recente caso de desmatamento em vista das obras do VLT, noticiado pelo jornal Di\u00e1rio do Nordeste, refor\u00e7a esse padr\u00e3o estrutural. Desde sua concep\u00e7\u00e3o, ainda no contexto dos projetos associados \u00e0 Copa do Mundo de 2014, o VLT foi anunciado como uma alternativa moderna, menos poluente e socialmente inclusiva de transporte urbano. No entanto, a implanta\u00e7\u00e3o concreta do tra\u00e7ado revelou uma s\u00e9rie de impactos ambientais e sociais pouco debatidos publicamente, entre eles o desmatamento de \u00e1reas verdes urbanas e a supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o em zonas ambientalmente sens\u00edveis. Ao longo do eixo Parangaba\u2013Mucuripe, o VLT atravessa regi\u00f5es densamente ocupadas, \u00e1reas pr\u00f3ximas a cursos d\u2019\u00e1gua, fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o urbana remanescente e zonas de amortecimento de \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o, como o entorno do rio Coc\u00f3. Para viabilizar a obra, houve supress\u00e3o de \u00e1rvores, limpeza de faixas vegetadas e remo\u00e7\u00e3o de cobertura verde ao longo da antiga linha f\u00e9rrea e de \u00e1reas adjacentes, muitas delas j\u00e1 pressionadas historicamente pela urbaniza\u00e7\u00e3o desordenada. Embora parte dessas \u00e1reas n\u00e3o estivesse formalmente classificada como unidade de conserva\u00e7\u00e3o, cumpria fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas importantes, como regula\u00e7\u00e3o microclim\u00e1tica, drenagem natural e abrigo de fauna urbana.<\/p>\n<p>Todo este cen\u00e1rio tem, em sua raiz, quatro fontes dignas de nota: a reorienta\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica das zonas de interesse do grande capital internacional monopolista (e o novo papel do nosso Estado dentro dessa reorienta\u00e7\u00e3o); a fragilidade pol\u00edtica demonstrada pelos governos de concilia\u00e7\u00e3o de classes protagonizados pelo lulo-petismo diante das chantagens e imposi\u00e7\u00f5es dos interesses do grande capital; o avan\u00e7o da ultradireita nas casas legislativas (tanto na C\u00e2mara Municipal, como na Assembleia Legislativa) e o esvaziamento dos p\u00f3los de organiza\u00e7\u00e3o popular da cidade, tais como os sindicatos, as associa\u00e7\u00f5es de moradores e as comunidades eclesiais de base, o que resultou na grande perda de influ\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es populares.<\/p>\n<p>Esse novo cen\u00e1rio tende a pulverizar as lutas sociais para quest\u00f5es pontuais que, apesar de terem sua import\u00e2ncia, s\u00e3o insuficientes para deter o avan\u00e7o do processo de reordenamento interno operado pelo grande capital em nossa cidade. No contexto das disputas eleitorais que surgem no ano que vem, o processo pol\u00edtico rebaixa-se ainda mais para uma discuss\u00e3o personalista, onde muito se fala sobre a vida pessoal dos candidatos e pouco se discute sobre os eixos estrat\u00e9gicos que orientam a din\u00e2mica pol\u00edtica e social de nosso Estado.<\/p>\n<p>Entendendo a gravidade de tais riscos e o sentido pol\u00edtico diretamente associado \u00e0 luta de classes resultante da contradi\u00e7\u00e3o Capital x Trabalho, o PCB lan\u00e7a \u00e0s demais organiza\u00e7\u00f5es sindicais, populares e a toda milit\u00e2ncia social do Estado do Cear\u00e1 um chamado que \u00e9, ao mesmo tempo, um desafio: o de se discutir a proposi\u00e7\u00e3o de um programa popular para o nosso Estado a ser assinado por todas as candidaturas de esquerda como seu programa de governo. Entendemos que s\u00f3 barrar o avan\u00e7o da ultradireita n\u00e3o basta, \u00e9 preciso oferecer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o cearense uma alternativa popular e de orienta\u00e7\u00e3o anticapitalista, para recuperar n\u00e3o s\u00f3 as nossas rela\u00e7\u00f5es como seres humanos, mas tamb\u00e9m nosso meio ambiente do alto n\u00edvel de depreda\u00e7\u00e3o que vem ocorrendo sensivelmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Lutar, Criar, Poder Popular!<br \/>\nPor um programa popular e anticapitalista para o nosso estado!<br \/>\nVamos fazer o sol da esperan\u00e7a iluminar a Terra da Luz mais uma vez!<\/p>\n<p>Partido Comunista Brasileiro \u2013 C\u00e9lula Z\u00e9 Maria do Tom\u00e9<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33466\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[207],"tags":[223],"class_list":["post-33466","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-lutas-nos-estados","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8HM","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33466"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33466\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33468,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33466\/revisions\/33468"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}