{"id":3351,"date":"2012-08-13T14:41:19","date_gmt":"2012-08-13T14:41:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3351"},"modified":"2012-08-13T14:41:19","modified_gmt":"2012-08-13T14:41:19","slug":"estatais-investiram-so-20-do-orcamento-ate-junho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3351","title":{"rendered":"Estatais investiram s\u00f3 20% do or\u00e7amento at\u00e9 junho"},"content":{"rendered":"\n<p>At\u00e9 o fim do primeiro semestre, as empresas estatais conseguiram executar s\u00f3 19,7% do or\u00e7amento de investimento previsto para 2012, excluindo a Petrobras e suas subsidi\u00e1rias. Mesmo tendo desembolsado R$ 4 bilh\u00f5es, um valor recorde para o per\u00edodo de janeiro a junho, ficou patente a dificuldade em tirar do papel investimentos j\u00e1 autorizados pelo governo.<\/p>\n<p>A lentid\u00e3o nos gastos afeta estatais de \u00e1reas estrat\u00e9gicas para a infraestrutura e a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, como Infraero, Correios, Dataprev, Eletronuclear, Telebr\u00e1s e seis companhias docas. Em todas elas, os desembolsos se mantiveram abaixo de 20% do or\u00e7amento autorizado para o ano, colocando em xeque a capacidade dessas empresas de investir todo o dinheiro dispon\u00edvel em 2012.<\/p>\n<p>Geralmente, a dificuldade em gastar esbarra em problemas j\u00e1 conhecidos da m\u00e1quina p\u00fablica, como a demora nos processos de licita\u00e7\u00e3o. Um exemplo disso pode ser visto na Eletronuclear, que tem R$ 2,6 bilh\u00f5es para investir neste ano, mas s\u00f3 conseguiu aplicar 8,4% dos recursos at\u00e9 junho.<\/p>\n<p>A estatal \u00e9 respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o da usina nuclear Angra 3, um projeto de aproximadamente R$ 10 bilh\u00f5es, com in\u00edcio de suas opera\u00e7\u00f5es comerciais previsto para dezembro de 2015.<\/p>\n<p>Na semana passada, o cronograma foi modificado, levando essa previs\u00e3o para julho de 2016 &#8211; atraso de sete meses. Tudo por causa da demora em concluir a licita\u00e7\u00e3o para contratar os servi\u00e7os de montagem eletromec\u00e2nica, a principal concorr\u00eancia em andamento, que foi objeto de recursos e pedidos de impugna\u00e7\u00e3o por empresas que participaram da disputa. Um concorrente que n\u00e3o foi habilitado na fase de pr\u00e9-qualifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m recorreu ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>O assistente da presid\u00eancia da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimar\u00e3es, est\u00e1 otimista com a supera\u00e7\u00e3o dos problemas e trabalha com a perspectiva de que os vencedores da licita\u00e7\u00e3o comecem a fazer seus servi\u00e7os no fim de 2012. &#8220;Os principais problemas que levaram ao atraso de Angra 3 est\u00e3o equacionados e haver\u00e1 uma acelera\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o financeira, de forma que, em 2013, as obras ter\u00e3o ritmo sustentado para cumprir o novo cronograma&#8221;, afirma Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o da Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) tamb\u00e9m preocupa. De olho na Copa do Mundo de 2014 e na Olimp\u00edada de 2016, ela ganhou um or\u00e7amento de R$ 377 milh\u00f5es para investir neste ano, mas \u00e9 campe\u00e3 em baixo desempenho: executou 0,3% disso no primeiro semestre.<\/p>\n<p>Os dois principais projetos da estatal enfrentam restri\u00e7\u00f5es judiciais. A implanta\u00e7\u00e3o de um p\u00eder em Y &#8211; o que permitiria a atra\u00e7\u00e3o de seis navios de passageiros ao mesmo tempo &#8211; e o refor\u00e7o estrutural do Cais da Gamboa est\u00e3o com as licita\u00e7\u00f5es paradas. &#8220;O baixo desempenho da CDRJ se justifica pelo fato de as duas principais licita\u00e7\u00f5es estarem com pend\u00eancias judiciais&#8221;, informou, em nota, a Secretaria de Portos.<\/p>\n<p>O novo p\u00eder era um dos trunfos do governo para amenizar a falta de capacidade hoteleira e aumentar a oferta de leitos tur\u00edsticos no Rio, durante a realiza\u00e7\u00e3o dos eventos esportivos. Pelas estimativas do setor, a atra\u00e7\u00e3o de seis navios ajudaria a oferecer at\u00e9 dez mil &#8220;leitos flutuantes&#8221;, j\u00e1 na Copa de 2014. As obras deveriam ter come\u00e7ado em maio de 2011. Depois, o in\u00edcio foi adiado para fevereiro de 2012, mas nem a licita\u00e7\u00e3o foi conclu\u00edda. Diante do impasse, o cronograma fica totalmente amea\u00e7ado, j\u00e1 que se estimava em 34 meses o tempo necess\u00e1rio para construir o p\u00eder.<\/p>\n<p>O governo diz que, apesar de todos os obst\u00e1culos, h\u00e1 uma n\u00edtida evolu\u00e7\u00e3o no ritmo de investimentos das estatais. Em 2010, a execu\u00e7\u00e3o foi de R$ 3,143 bilh\u00f5es nos seis primeiros meses do ano, excetuando os gastos da Petrobras. Os investimentos aumentaram para R$ 3,492 bilh\u00f5es de janeiro a junho de 2011. Agora, chegaram a exatos R$ 4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A meta oficial \u00e9 acelerar os investimentos das estatais no segundo semestre e levar o n\u00edvel de execu\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento para 80% a 85% at\u00e9 o fim do ano. Al\u00e9m das barreiras que engessam historicamente a m\u00e1quina p\u00fablica, como atrasos nas licita\u00e7\u00f5es, t\u00e9cnicos do governo apontam o surgimento de um fato &#8220;novo&#8221;: muitas empresas t\u00eam dificuldade, com as r\u00e1pidas mudan\u00e7as no ambiente econ\u00f4mico, de implementar planos de neg\u00f3cios formulados nos \u00faltimos meses de 2011.<\/p>\n<p>Conforme lembrou um funcion\u00e1rio do governo que acompanha o assunto, a taxa b\u00e1sica de juros caiu quatro pontos percentuais e o c\u00e2mbio mudou de patamar, desde janeiro. Por outro lado, o cen\u00e1rio internacional se deteriorou, aumentando a dificuldade de obter empr\u00e9stimos fora dos bancos p\u00fablicos. Tudo isso exige ajustes no planejamento, o que pode atrasar a execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Empresa Brasileira de Correios e Tel\u00e9grafos (ECT), que executou 15,9% dos recursos para investimentos em 2012, a promessa \u00e9 acelerar os desembolsos no segundo semestre. Segundo a estatal, &#8220;diversas licita\u00e7\u00f5es e projetos iniciados no primeiro semestre se concretizar\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses&#8221;, tornando fact\u00edvel a expectativa de atingir uma execu\u00e7\u00e3o de &#8220;mais de 80%&#8221; at\u00e9 o fim do ano. S\u00f3 na compra de terrenos para a constru\u00e7\u00e3o de centros de triagem &#8211; em S\u00e3o Paulo, no Distrito Federal e na Bahia &#8211; a estatal pretende investir R$ 186 milh\u00f5es, segundo sua assessoria.<\/p>\n<p>Os investimentos da Infraero tamb\u00e9m demoram a ganhar velocidade. Com pressa para avan\u00e7ar nas obras de amplia\u00e7\u00e3o dos aeroportos, a empresa desembolsou 18,4% do previsto para todo o ano. Mesmo assim, ela aplicou R$ 369 milh\u00f5es entre janeiro e junho, mais do que duplicando o valor executado &#8211; R$ 144 milh\u00f5es &#8211; em igual per\u00edodo de 2011. Projetos importantes, com contratos assinados e ordens de servi\u00e7o expedidas recentemente, tendem a acelerar o ritmo de gastos. \u00c9 o caso da amplia\u00e7\u00e3o do terminal de passageiros de Fortaleza e a constru\u00e7\u00e3o de uma nova torre de controle em Salvador.<\/p>\n<p>O economista Mansueto de Almeida, do Ipea, n\u00e3o v\u00ea com tanto otimismo as chances de acelera\u00e7\u00e3o dos investimentos. &#8220;Se a execu\u00e7\u00e3o foi ruim no primeiro semestre, n\u00e3o h\u00e1 tantas raz\u00f5es para melhorar muito no segundo semestre.&#8221;<\/p>\n<p>Para todo o ano de 2012, o or\u00e7amento das estatais para investir chega a R$ 107 bilh\u00f5es, dos quais R$ 86,8 bilh\u00f5es s\u00e3o da Petrobras e suas subsidi\u00e1rias. As demais empresas t\u00eam R$ 20,2 bilh\u00f5es para gastar em seus projetos. Ambos os valores s\u00e3o recordes.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Cortes de juros e de compuls\u00f3rios na China est\u00e3o no foco dos mercados<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Havia uma expectativa geral de que o pior momento para a economia chinesa neste ano j\u00e1 havia ficado para tr\u00e1s e que a recupera\u00e7\u00e3o viria mais claramente no segundo semestre. Pode at\u00e9 ser que esse cen\u00e1rio ainda se concretize, mas, de pr\u00e1tico, esse sinal ainda n\u00e3o apareceu.<\/p>\n<p>Diante da s\u00e9rie de indicadores divulgados nos \u00faltimos dias, analistas consultados j\u00e1 esperam cortes de 25 a 50 pontos base nas taxas de juros, e de at\u00e9 100 pontos base nos compuls\u00f3rios nas pr\u00f3ximas semanas.<\/p>\n<p>Depois da escorregada do PIB para 7,6% no segundo trimestre, ante 8,1% no primeiro, as proje\u00e7\u00f5es do mercado apontavam para uma acelera\u00e7\u00e3o no terceiro, resultado das diversas a\u00e7\u00f5es tomadas pelo governo chin\u00eas desde abril. As quedas de juro, compuls\u00f3rios e medidas fiscais mostram-se, entretanto, insuficientes para mitigar a desacelera\u00e7\u00e3o advinda n\u00e3o apenas do mercado dom\u00e9stico chin\u00eas, mas da crise na Europa.<\/p>\n<p>O comportamento das exporta\u00e7\u00f5es em julho s\u00e3o bom exemplo disso. As vendas agregadas subiram apenas 1%, de 11,3% em junho e 20,3% em julho do ano passado. Houve um p\u00e9 no freio consider\u00e1vel nas vendas para a Uni\u00e3o Europeia, que ca\u00edram 16,2% no m\u00eas passado, enquanto cresciam 22% h\u00e1 um ano. Para os EUA, ocorreu um leve crescimento de 0,6%, mas irris\u00f3rio diante da alta de 9,5% no mesmo per\u00edodo em 2011.<\/p>\n<p>Com a baixa demanda europeia e americana, a compra de produtos chineses deslocou-se para a \u00c1sia (maior mercado, com 48,9% de participa\u00e7\u00e3o), com crescimento de 13% em julho, e para a Am\u00e9rica Latina, com 22%. Destaque-se que, de um ano para c\u00e1, a participa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia nas exporta\u00e7\u00f5es chinesas caiu de 20% para 16,6%, enquanto a dos EUA manteve-se est\u00e1vel em 17%.<\/p>\n<p>As importa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m cresceram menos do que o esperado, 4,7% no m\u00eas passado. Em junho a alta havia sido de 6,3% e, em julho de 2011, de 23%. Em termos de composi\u00e7\u00e3o por blocos, pouco mudou no \u00faltimo ano, tendo as participa\u00e7\u00f5es nas compras ficado relativamente est\u00e1veis na Uni\u00e3o Europeia (12,6%), \u00c1sia (57%) e EUA (6,7%). Houve alta na \u00c1frica do Sul (2,7% ante 1,4%) e quedas na Am\u00e9rica Latina (6,8%, de 7,8%) e Jap\u00e3o (10,7% ante 11,3%).<\/p>\n<p>Do lado da demanda dom\u00e9stica, outro sinal de fraqueza: os novos empr\u00e9stimos ca\u00edram para 540 bilh\u00f5es de renminbis no m\u00eas passado, de 920 bilh\u00f5es em junho. A expectativa do mercado era de 700 bilh\u00f5es. Os empr\u00e9stimos de m\u00e9dio e longo prazo somaram 92 bilh\u00f5es de renminbis para as empresas e 110 bilh\u00f5es para as fam\u00edlias, ante 163 bilh\u00f5es e 119 bilh\u00f5es em junho, respectivamente. Em rela\u00e7\u00e3o a julho de 2011, o cr\u00e9dito \u00e0s empresas caiu 12% e o cr\u00e9dito \u00e0s fam\u00edlias, 3%.<\/p>\n<p>J\u00e1 a emiss\u00e3o de t\u00edtulos privados atingiu 249 bilh\u00f5es de renminbis em julho, ante 42 bilh\u00f5es em julho do ano passado, resultado do maior acesso das empresas ao mercado de t\u00edtulos. Nesse sentido, vale lembrar que as medidas tomadas pelo governo chin\u00eas n\u00e3o foram in\u00f3cuas, pois devem ter evitado uma parada mais abrupta na economia.<\/p>\n<p>Tudo somado, analistas voltados para a \u00c1sia j\u00e1 consideram um terceiro trimestre mais fraco e, portanto, uma taxa de crescimento mais pr\u00f3xima da &#8220;meta&#8221; do governo, de 7,5% para 2012. As proje\u00e7\u00f5es para 2013, ao menos \u00e0 luz dos \u00faltimos dados, tendem tamb\u00e9m a ser revistas para baixo.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o agora \u00e9 saber como o governo chin\u00eas tratar\u00e1 esse equil\u00edbrio fr\u00e1gil entre evitar medidas que possam reacender bolhas, como em 2008\/09, e amparar a economia no sentido de faz\u00ea-la crescer a taxas mais modestas, por\u00e9m n\u00e3o recessivas, considerando o tamanho do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Como na Europa e nos EUA, o cen\u00e1rio pol\u00edtico tende a ter cada vez mais peso nas decis\u00f5es por mais flexibiliza\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias e fiscais neste segundo semestre. \u00c9 um ano de transi\u00e7\u00e3o de poder na China e o atual governo, chefiado por Wen Jiabao, deixar\u00e1 o cargo em mar\u00e7o. Analistas destacam que, na pr\u00e1tica, a partir do 18\u00ba Congresso do Partido em outubro, as novas configura\u00e7\u00f5es pol\u00edticas estar\u00e3o mais claras. Isso implica novas estrat\u00e9gias em lidar com o momento econ\u00f4mico atual.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Recupera\u00e7\u00e3o em julho \u00e9 suave, concentrada em ve\u00edculos<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os primeiros indicadores econ\u00f4micos de julho apontam para uma recupera\u00e7\u00e3o ainda suave da atividade, concentrada principalmente no setor automobil\u00edstico, n\u00e3o revelando uma retomada mais firme e generalizada. A produ\u00e7\u00e3o e o licenciamento de ve\u00edculos tiveram mais um bom desempenho no m\u00eas passado, mas \u00e9 menos favor\u00e1vel o quadro pintado por sondagens importantes, como as da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) e o \u00cdndice Gerente de Compras (PMI, na sigla em ingl\u00eas) do HSBC. A confian\u00e7a dos empres\u00e1rios caiu na ind\u00fastria e no setor de servi\u00e7os, segundo a pesquisa da FGV, e a sondagem do HSBC indicou contra\u00e7\u00e3o da atividade em julho nos dois segmentos.<\/p>\n<p>O economista Robson Pereira, do Bradesco, v\u00ea um &#8220;cen\u00e1rio relativamente neutro em julho&#8221;, com exce\u00e7\u00e3o do setor de ve\u00edculos, que manteve a recupera\u00e7\u00e3o iniciada em junho, com as vendas e a produ\u00e7\u00e3o impulsionadas pela redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Segundo estimativas do banco, a fabrica\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis em julho cresceu 2,8% em rela\u00e7\u00e3o a junho, feito o ajuste sazonal &#8211; nas contas da LCA Consultores, a alta foi de 3,6%.<\/p>\n<p>As vendas foram bem em julho. A m\u00e9dia di\u00e1ria de licenciamentos de autom\u00f3veis e comerciais leves caiu 5,9% em rela\u00e7\u00e3o a junho, m\u00eas em que havia subido 35,9%, segundo os dados com ajuste da LCA. A m\u00e9dia di\u00e1ria em julho ficou em 16 mil unidades, abaixo dos 17 mil de junho, mas bem acima dos 12,3 mil de janeiro a maio.<\/p>\n<p>Outra not\u00edcia positiva para o setor \u00e9 o n\u00edvel de estoques, diz o economista-chefe da LCA, Br\u00e1ulio Borges. Em julho, os estoques equivaliam a 28 dias de vendas, feito o ajuste sazonal, bem abaixo dos 44 atingidos em maio, o recorde da s\u00e9rie iniciada em 2008. Borges tamb\u00e9m ressalta o aumento da produ\u00e7\u00e3o de caminh\u00f5es e \u00f4nibus em julho, de 17,6% sobre junho, na s\u00e9rie livre de influ\u00eancias sazonais.<\/p>\n<p>Pereira destaca, contudo, que outros indicadores apontam um quadro menos favor\u00e1vel para a atividade em julho. O \u00cdndice de Confian\u00e7a da Ind\u00fastria da FGV caiu 0,5% em julho, ficando em 102,7 pontos, na s\u00e9rie com ajuste sazonal, abaixo da m\u00e9dia dos \u00faltimos cinco anos, de 105,8 pontos. A piora se deveu principalmente \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o atual dos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>A confian\u00e7a no setor de servi\u00e7os recuou pela quarta vez seguida, caindo 2,1%, atingindo 120,6 pontos, o n\u00edvel mais baixo desde julho de 2009. No caso desse segmento, a queda se deveu tanto devido \u00e0 percep\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao momento atual quanto pelas expectativas para os pr\u00f3ximos meses. &#8220;Esses resultados foram corroborados pelos PMIs [a pesquisa do HSBC], o que causa uma certa preocupa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O PMI da ind\u00fastria ficou em 48,7 pontos, pela quarta vez abaixo de 50 pontos, o que aponta retra\u00e7\u00e3o da atividade no setor. A produ\u00e7\u00e3o e os novos pedidos ca\u00edram pelo quarto m\u00eas seguido, assim como o n\u00edvel de emprego. A mesma pesquisa para o setor de servi\u00e7os teve um tombo forte, passando de 53 pontos em junho para 48,9 pontos em julho.<\/p>\n<p>J\u00e1 o fluxo de ve\u00edculos pesados nas rodovias em julho ficou est\u00e1vel na compara\u00e7\u00e3o com junho, segundo dessazonaliza\u00e7\u00e3o da Tend\u00eancias Consultoria. A expedi\u00e7\u00e3o de papel\u00e3o ondulado caiu 0,7%, no ajuste sazonal do Bradesco, e 1,8% no da Tend\u00eancias. O n\u00famero do economista Rafael Bacciotti, da Tend\u00eancias, fica no meio do caminho &#8211; 0,4%. Bacciotti, como Pereira, diz que a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 concentrada no setor de ve\u00edculos.<\/p>\n<p>Borges v\u00ea um quadro um pouco mais favor\u00e1vel para a atividade. Ele diz que o consumo de energia el\u00e9trica, expurgada a influ\u00eancia da temperatura, subiu 0,3%, feito o ajuste sazonal, a primeira alta depois de tr\u00eas quedas seguidas. Borges tamb\u00e9m destaca a evolu\u00e7\u00e3o recente do M1 &#8211; a soma do papel moeda em poder do p\u00fablico e do dinheiro dos dep\u00f3sitos \u00e0 vista -, um indicador que, segundo ele, mostra correla\u00e7\u00e3o elevada com a demanda interna. Em julho, a m\u00e9dia di\u00e1ria do M1 aumentou 2,1% acima da infla\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a junho, na s\u00e9rie com ajuste da LCA.<\/p>\n<p>Embora Pereira seja um pouco mais cauteloso que Borges ao analisar o ritmo da atividade em julho, os dois veem uma retomada em curso. &#8220;\u00c9 natural, em momentos de virada do ciclo econ\u00f4mico, que inicialmente poucos indicadores e setores mostrem expans\u00e3o. Com o tempo, a difus\u00e3o do crescimento vai se tornando maior&#8221;, diz o economista do Bradesco, uma avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o muito diferente da de Borges.<\/p>\n<p>Para Borges, o fato de o cr\u00e9dito ter voltado a fluir, o mercado de trabalho continuar aquecido, o n\u00edvel de estoques estar mais ajustado e o patamar mais baixo dos juros v\u00e3o contribuir para a retomada mais forte nos pr\u00f3ximos meses. O que joga contra, segundo Borges, \u00e9 a fraca demanda externa. Europa e Argentina, destino de cerca de 50% das exporta\u00e7\u00f5es de manufaturados, t\u00eam atividade fraca. Ele estima que a produ\u00e7\u00e3o industrial em julho tenha crescido cerca de 0,5% sobre junho, enquanto Pereira espera alta de 0,3%.<\/p>\n<p>O coordenador de sondagens conjunturais da FGV, Aloisio Campelo, n\u00e3o mostra otimismo com o desempenho da ind\u00fastria em julho. Para ele, a expectativa do empresariado \u00e9 de recupera\u00e7\u00e3o da atividade na segunda metade do ano, mas parece que a aposta dominante aponta para uma retomada mais forte apenas no quarto trimestre.<\/p>\n<p>&#8220;Os estoques est\u00e3o mais ajustados, mas a demanda continua n\u00e3o vindo.&#8221; A fatia das empresas que relatam uma demanda interna forte caiu de 14,7% em junho para 14,5% em julho, enquanto a das que informam procura fraca subiu de 9,6% para 9,9%. J\u00e1 o percentual das que dizem ter uma demanda externa forte subiu de 4,5% para 10,2% no per\u00edodo, mas as que reclamam de procura externa fraca pulou de 13,1% para 16,4%.<\/p>\n<p>Em julho, ocorreu uma melhora no \u00edndice de produ\u00e7\u00e3o prevista. A fatia de empresas que vem veem uma produ\u00e7\u00e3o maior nos pr\u00f3ximos tr\u00eas meses subiu de 36,6% em junho para 42,5% em julho, ao passo que aumentou de 14% para 17,2% as que preveem um n\u00edvel menor. Para Campelo, por\u00e9m, a melhora precisa ser relativizada, j\u00e1 que o avan\u00e7o n\u00e3o foi acentuado.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Declara\u00e7\u00f5es de Netanyahu e boatos de a\u00e7\u00e3o militar aumentam tens\u00e3o com Ir\u00e3<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse ontem que a maior parte das amea\u00e7as \u00e0 seguran\u00e7a do pa\u00eds se tornam menores diante da possibilidade de o Ir\u00e3 obter armas nucleares. Segundo a m\u00eddia israelense, Teer\u00e3 tem intensificado seus esfor\u00e7os para produzi-las.<\/p>\n<p>Os coment\u00e1rios do primeiro-ministro, feitos ap\u00f3s a reuni\u00e3o semanal de gabinete, e as not\u00edcias de primeira p\u00e1gina Haaretz, cr\u00edtico de Netanyahu, e no jornal conservador Israel Hayom ocorrem em meio a um debate cada vez mais intenso sobre se Israel deve ou n\u00e3o atacar o Ir\u00e3 em raz\u00e3o de seu programa nuclear. Os jornais Haaretz e Israel Hayom publicaram ontem que o Ir\u00e3 teria feito progressos significativos para o desenvolvimento de armas nucleares, com base em fontes an\u00f4nimas. O debate desafia os apelos dos EUA por mais tempo para que as san\u00e7\u00f5es contra Teer\u00e3 deem resultado.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Fontes renov\u00e1veis devem ter avan\u00e7o mesmo com pr\u00e9-sal<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O perfil da matriz energ\u00e9tica brasileira n\u00e3o ser\u00e1 alterado nos pr\u00f3ximos anos com a explora\u00e7\u00e3o progressiva de petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal, afirmou o presidente da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), Maur\u00edcio Tolmasquim, em palestra durante o 13\u00ba Encontro Internacional de Energia promovido pela Fiesp. &#8220;Estamos caminhando para ser o primeiro pa\u00eds exportador de petr\u00f3leo com uma matriz limpa, porque temos espa\u00e7o para crescer em todos os segmentos de produ\u00e7\u00e3o de energia&#8221;, afirmou. De acordo com a EPE, que \u00e9 ligada ao Minist\u00e9rio das Minas e Energia, as fontes renov\u00e1veis respondem por 44% da oferta interna e devem aumentar para 46% em 2020.<\/p>\n<p>O estudo da EPE prev\u00ea uma expans\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo dos atuais 2,2 milh\u00f5es de barris\/dia para 5,3 milh\u00f5es em 2020, dos quais 2,8 milh\u00f5es seriam suficientes para abastecer o mercado interno. &#8220;Esse excedente de 2,5 milh\u00f5es de barris\/dia dar\u00e1 ao pa\u00eds oportunidades que v\u00e3o muito al\u00e9m da mera obten\u00e7\u00e3o de divisas. O petr\u00f3leo refor\u00e7ar\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o do Brasil no cen\u00e1rio mundial, favorecendo a negocia\u00e7\u00e3o de contrapartidas comerciais com outros pa\u00edses. Teremos mais facilidade para incluir cl\u00e1usulas de transfer\u00eancia de tecnologia na importa\u00e7\u00e3o de bens de alto valor agregado&#8221;, avaliou Tolmasquim.<\/p>\n<p>Ele ressalvou que n\u00e3o h\u00e1 motivo para que essa abund\u00e2ncia de petr\u00f3leo e g\u00e1s interfira nos planos de expans\u00e3o das fontes de energia renov\u00e1vel, que d\u00e3o ao pa\u00eds um diferencial reconhecido no mundo todo. O \u00edndice brasileiro de 44% de energia limpa \u00e9 mais de tr\u00eas vezes maior do que os 13,3% da m\u00e9dia mundial e supera em quase seis vezes os 7,6% da OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico &#8211; dados de 2009).<\/p>\n<p>A EPE estima uma evolu\u00e7\u00e3o da capacidade instalada do Sistema El\u00e9trico Interligado Nacional (SIN) dos atuais 117 GW para 173 GW em 2020, um salto de 41,8%. Na gera\u00e7\u00e3o dessa eletricidade, as fontes renov\u00e1veis manteriam a mesma propor\u00e7\u00e3o de hoje, de 84%. As grandes hidrel\u00e9tricas, que respondem por 72% do SIN, teriam sua participa\u00e7\u00e3o reduzida para 65% dentro de nove anos, diferen\u00e7a que seria compensada pelo aumento no desempenho das usinas e\u00f3licas, que passariam do suprimento atual de 1% do sistema el\u00e9trico para 8% em 2020. As demais fontes de energia el\u00e9trica permaneceriam com os mesmos \u00edndices de fornecimento de hoje: 7% para os biocombust\u00edveis e 4% para as pequenas centrais el\u00e9tricas, no caso das fontes renov\u00e1veis, e 14% para as termoel\u00e9tricas e 2% para as usinas nucleares, entre as n\u00e3o renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>O estudo mostra que as hidrel\u00e9tricas respondem sozinhas por 14,7% da matriz energ\u00e9tica brasileira, bem acima da m\u00e9dia mundial de 2,3%, mas aqu\u00e9m do potencial hidrel\u00e9trico do pa\u00eds, que aproveita um ter\u00e7o dos rios. A maior parte desse potencial n\u00e3o aproveitado fica na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que a constru\u00e7\u00e3o de usinas na Amaz\u00f4nia s\u00e3o importantes para o pa\u00eds e devemos lutar por elas. Mas n\u00e3o podemos ignorar que as resist\u00eancias por parte dos ambientalistas ser\u00e3o cada vez maiores&#8221;, afirmou Tolmasquim. J\u00e1 o presidente do Conselho de Infraestrutura da Fiesp, Rodolpho Tourinho, mediador do encontro, observou que as classes produtoras precisam ser mais firmes e unidas no apoio \u00e0s usinas na Amaz\u00f4nia, para neutralizar as cr\u00edticas.<\/p>\n<p>&#8220;Estive recentemente em Belo Monte e n\u00e3o vi nenhuma restri\u00e7\u00e3o \u00e0 usina por parte das comunidades locais. Ao contr\u00e1rio, todos l\u00e1 est\u00e3o muito satisfeitos com a obra, com o que ela j\u00e1 representa em empregos e em desenvolvimento para a regi\u00e3o. Acho que devemos deixar claro o nosso apoio a esse e outros projetos&#8221;, declarou.<\/p>\n<p>Se a constru\u00e7\u00e3o de novas hidrel\u00e9tricas exigem compensa\u00e7\u00f5es cada vez mais custosas, a explora\u00e7\u00e3o da energia e\u00f3lica vive um momento diferente. Desde que passou a ser disponibilizada em leil\u00f5es, poucos anos atr\u00e1s, a eletricidade gerada pela for\u00e7a dos ventos vem crescendo exponencialmente no pa\u00eds, tornando-se mais competitiva. A produ\u00e7\u00e3o anual passou de 237 MW em 2006 para 414 MW em 2008, 1.040 MW em 2010, 1.471 MW em 2011 e deve mais que dobrar este ano, segundo a EPE, alcan\u00e7ando 3.135 MW. Com isso, o pre\u00e7o do MW\/hora despencou de R$ 306 em 2005 para R$ 169 em 2009, R$ 135 em 2010 e R$ 103 em 2011.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de limpa, a energia e\u00f3lica \u00e9 complementar \u00e0 h\u00eddrica, pois os ventos aumentam nos meses em que chove menos, de maio a novembro. &#8220;A Dinamarca vende energia e\u00f3lica para a Noruega \u00e0 noite e compra dela energia h\u00eddrica de dia. E o Brasil produz as duas coisas&#8221;, disse Tolmasquim.<\/p>\n<p>Outra que faz dobradinha com a hidroeletricidade \u00e9 a biomassa, produzida de maio a novembro, quando acontece o corte e a moagem da cana. O documento da EPE prev\u00ea um salto na produ\u00e7\u00e3o de etanol, passando dos atuais 27,6 bilh\u00f5es de litros para 63,1 bilh\u00f5es de litros em 2020. Com isso, a queima de baga\u00e7o, que hoje produz 8,5 GW, passaria a gerar 16,4 GW, com crescimento proporcional do excedente energ\u00e9tico exportado para o SIN dos atuais 5 GW para 9,6 GW.<\/p>\n<p>A EPE faz um ensaio tamb\u00e9m com a energia solar. Como o pre\u00e7o de gera\u00e7\u00e3o dessa energia ainda \u00e9 alto no pa\u00eds &#8211; embora tenha ca\u00eddo pela metade nos \u00faltimos dez anos -, o estudo faz simula\u00e7\u00f5es de como ela pode se tornar competitiva. Com um custo m\u00e9dio de R$ 602 o MW\/h, a energia solar s\u00f3 \u00e9 competitiva na \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o de dez concession\u00e1rias brasileiras, que abastecem 15% do consumo residencial. Com uma redu\u00e7\u00e3o nos juros do financiamento, o custo cairia para R$ 585 e seria vi\u00e1vel para 17 concession\u00e1rias, que abastecem 21% das resid\u00eancias. Com isen\u00e7\u00e3o fiscal, o pre\u00e7o iria para R$ 549, vi\u00e1vel para 28 concession\u00e1rias, que fornecem 29% do consumo residencial. Com incentivo de Imposto de Renda, o custo seria de R$ 465, vi\u00e1vel para 52 concession\u00e1rias, que respondem por 69% do mercado residencial. Com todos esses incentivos, o custo desabaria para R$ 409, vi\u00e1vel para 60 concession\u00e1rias, que abrangem 98% do consumo residencial nacional.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Crise leva empresas a adiar investimentos de US$ 95 bilh\u00f5es<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>N\u00famero se refere apenas a projetos suspensos ou postergados nos \u00faltimos dois meses; s\u00f3 na Petrobr\u00e1s, essa cifra \u00e9 de quase US$ 70 bi<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois meses, pelo menos US$ 95 bilh\u00f5es em investimentos no Brasil foram suspensos ou tiveram seus cronogramas de entrada em opera\u00e7\u00e3o postergados. A lista inclui companhias como Anglo American, Vale, Braskem, JAC Motors e, principalmente, a Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p>Apenas a estatal do petr\u00f3leo revisou projetos or\u00e7ados em quase US$ 70 bilh\u00f5es. A siderurgia tamb\u00e9m foi muito afetada por essa pisada no freio. O setor trabalhava com um plano de investimentos de US$ 17,4 bilh\u00f5es at\u00e9 2017, adiado sem previs\u00e3o de retomada.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos projetos que est\u00e3o na geladeira, outros empreendimentos dados como certos agora enfrentam muita dificuldade para sair do papel. \u00c9 o caso da constru\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas ainda em estudo por Volkswagen, Volvo, BMW e Land Rover, no Rio. Juntos, esse projetos est\u00e3o or\u00e7ados em cerca de US$ 4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A interrup\u00e7\u00e3o reflete a cautela das companhias diante da desacelera\u00e7\u00e3o da economia brasileira e da crise na Europa e nos Estados Unidos, que reduz a demanda externa por seus produtos. &#8220;Nesse contexto, \u00e9 natural as empresas adiarem investimentos para privilegiar a gera\u00e7\u00e3o de caixa&#8221;, diz o professor de economia da PUC-SP, Antonio Corr\u00eaa de Lacerda. Ele calcula que o Produto Interno Bruto (PIB) acumulado de julho de 2011 a junho de 2012 esteja pr\u00f3ximo de zero, o que significa estagna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Lacerda classifica o quadro como um &#8220;efeito cautela&#8221; de grandes grupos, que n\u00e3o veem urg\u00eancia em ampliar sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o. O lado positivo, diz, \u00e9 que n\u00e3o houve projetos cancelados. O problema \u00e9 que o adiamento de planos por empresas \u00e2ncoras do Pa\u00eds gera uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia. &#8220;Quando uma Vale ou uma Petrobr\u00e1s adiam ou reduzem investimentos, isso se multiplica. H\u00e1 um efeito manada entre fornecedores e concorrentes&#8221;, acredita.<\/p>\n<p>Desafio. O presidente da Vale, Murilo Ferreira, n\u00e3o esconde a preocupa\u00e7\u00e3o com o atual momento &#8220;desafiador&#8221;. Durante a divulga\u00e7\u00e3o do \u00faltimo balan\u00e7o financeiro da mineradora, Ferreira revelou que decidiu reavaliar semanalmente o or\u00e7amento de todos os projetos de expans\u00e3o e que a nova postura j\u00e1 vai nortear a elabora\u00e7\u00e3o do plano estrat\u00e9gico da companhia para 2013.<\/p>\n<p>Para o economista e presidente da Inter B Consultoria, Claudio Frischtak, o aumento da capacidade ociosa da ind\u00fastria nos \u00faltimos meses levantou uma &#8220;bandeira vermelha&#8221; para o investimento. As companhias, ressalta, s\u00f3 levam adiante projetos de expans\u00e3o quando h\u00e1 uma perspectiva positiva de crescimento do mercado, o que n\u00e3o se vislumbra atualmente. &#8220;O mercado jogou um balde de \u00e1gua fria. Ainda tem investimentos avan\u00e7ando, mas n\u00e3o no mesmo ritmo, n\u00e3o captando os mesmos recursos.&#8221;<\/p>\n<p>Para Fernando Puga, chefe do departamento de an\u00e1lise econ\u00f4mica do BNDES, essa s\u00e9rie de adiamentos reflete a expressiva oscila\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio mundial e a dificuldade de se chegar a uma solu\u00e7\u00e3o para a crise europeia. Embora o BNDES acredite que o investimento v\u00e1 crescer acima do PIB nos pr\u00f3ximos meses, o fraco desempenho do in\u00edcio do ano impedir\u00e1 uma recupera\u00e7\u00e3o frente a 2011. No ano passado, a taxa de investimento do Pa\u00eds foi de 19,3%, j\u00e1 abaixo do n\u00edvel pr\u00e9-crise (19,1% em 2008).<\/p>\n<p>&#8220;Na melhor das hip\u00f3teses, vamos manter constante a taxa de investimento em 2012, mas o cen\u00e1rio mais prov\u00e1vel \u00e9 de uma ligeira queda. O primeiro trimestre vai fazer o investimento no ano andar de lado&#8221;, diz Puga.<\/p>\n<p>Os desembolsos do BNDES de janeiro a maio cresceram apenas 1% frente ao mesmo per\u00edodo de 2011, estacionando em R$ 43,8 bilh\u00f5es. Mas o economista destaca que houve alta nas consultas (27%) e enquadramentos (13%), o que sinaliza a disposi\u00e7\u00e3o para investimentos futuros.<\/p>\n<p>Apesar dos adiamentos acenderem o sinal amarelo, a vis\u00e3o de especialistas ouvidos pela Ag\u00eancia Estado \u00e9 de que a retomada come\u00e7ar\u00e1 entre o fim de 2012 e o in\u00edcio de 2013. A despeito da queda de 5,5% da produ\u00e7\u00e3o industrial e da desconfian\u00e7a do empresariado quanto \u00e0 efic\u00e1cia do Plano Brasil Maior, a aposta \u00e9 que a queda da taxa Selic e as medidas de est\u00edmulo, como a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos e redu\u00e7\u00e3o do IPI para autom\u00f3veis, fa\u00e7am efeito a partir do segundo semestre.<\/p>\n<p>Freio. &#8220;\u00c9 um freio de arruma\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 limitado. As empresas n\u00e3o podem deixar de investir diante da concorr\u00eancia&#8221;, diz Lacerda. A perspectiva \u00e9 que a recupera\u00e7\u00e3o chegue primeiro aos setores puxados pelo consumo dom\u00e9stico, como servi\u00e7os, linha branca e automotivo. Mas o maior impulso deve vir da infraestrutura. H\u00e1 grande expectativa em torno do an\u00fancio do chamado &#8220;PAC das Concess\u00f5es&#8221; at\u00e9 o fim do m\u00eas. O setor p\u00fablico dever\u00e1 preparar o terreno para investimentos privados, clareando a regula\u00e7\u00e3o, preparando a modelagem e financiando via BNDES.<\/p>\n<p>No caso das produtoras de commodities, o rearranjo deve ser mais longo, j\u00e1 que elas t\u00eam sua demanda e cota\u00e7\u00e3o afetadas diretamente pela deteriora\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio externo. Diante de um excedente de mais de 500 milh\u00f5es de toneladas de a\u00e7o no mundo e consumo do produto estagnado no mercado interno, o Instituto A\u00e7o Brasil (IABr) diz que os US$ 17,4 bilh\u00f5es em investimentos em expans\u00e3o e novas capacidades previstos at\u00e9 2017 est\u00e3o congelados.<\/p>\n<p>As sider\u00fargicas brasileiras operam com apenas 68% de sua capacidade instalada, bem abaixo da m\u00e9dia hist\u00f3rica, de mais de 80%.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea petroqu\u00edmica, a Braskem mant\u00e9m o plano de investir cerca de R$ 1,7 bilh\u00e3o este ano, mas admite que o agravamento da crise pode adiar a nova f\u00e1brica de polipropileno prevista para ser erguida na Bahia.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Consumo de bens de capital em leve alta<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um in\u00edcio de ano marcado por uma brusca queda do investimento em m\u00e1quinas e equipamentos, o consumo aparente de bens de capital teve alguma recupera\u00e7\u00e3o no segundo trimestre. Os economistas consultados pelo Valor divergem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 magnitude desse aumento, mas consideram que a produ\u00e7\u00e3o nacional (descontada a exporta\u00e7\u00e3o) somada \u00e0 importa\u00e7\u00e3o desses itens deixou forte varia\u00e7\u00e3o negativa no primeiro trimestre para voltar a crescer entre abril e junho, sempre na compara\u00e7\u00e3o com os tr\u00eas meses imediatamente anteriores, feitos os ajustes sazonais. As contas, contudo, variam de uma fraqu\u00edssima alta de 0,1% at\u00e9 j\u00e1 expressivos 5,7% de recupera\u00e7\u00e3o no segundo trimestre frente ao primeiro.<\/p>\n<p>Analistas advertem que essa retomada \u00e9 decorrente de uma normaliza\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o tombo no primeiro trimestre, j\u00e1 que crescimento mais intenso dos investimentos s\u00f3 deve ser visto nos \u00faltimos tr\u00eas meses do ano.<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos de Br\u00e1ulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, a absor\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica desses itens avan\u00e7ou 5,7% no segundo trimestre sobre o primeiro, na s\u00e9rie com ajuste sazonal, ap\u00f3s queda de 10% no trimestre anterior, em fun\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a de padr\u00e3o na emiss\u00e3o de poluentes por caminh\u00f5es desde janeiro. Essa alta recente junto com uma pequena recupera\u00e7\u00e3o nas vendas de ve\u00edculos pesados e ao aumento &#8211; tamb\u00e9m dessazonalizado pela LCA &#8211; de 6% nas importa\u00e7\u00f5es entre o primeiro e o segundo trimestres, faz Borges projetar alta pr\u00f3xima de 1% na Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo (FBCF), medida do que se investe em m\u00e1quinas e em constru\u00e7\u00e3o civil dentro do Produto Interno Bruto (PIB) no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Os c\u00e1lculos de Fernando Rocha, s\u00f3cio e economista da gestora de recursos JGP, mostram uma alta mais moderada, embora ainda forte. Puxada principalmente pelo aumento de 3,6% da produ\u00e7\u00e3o de bens de capital no per\u00edodo, a demanda interna por esses itens avan\u00e7ou 3% no segundo trimestre, sempre em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro, com ajuste. Ainda assim, afirma Rocha, como o desempenho da constru\u00e7\u00e3o civil &#8211; que \u00e9 contabilizada como investimento no PIB &#8211; foi mais fraco, a forma\u00e7\u00e3o de capital fixo ainda deve recuar algo como 0,5% no segundo trimestre, ap\u00f3s queda de 1,8% nos primeiros tr\u00eas meses do ano passado.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, a queda do investimento no PIB ainda ser\u00e1 forte entre abril e junho, de 3,5%, acentuando as perdas em rela\u00e7\u00e3o ao recuo de 2,1% observados nos tr\u00eas primeiros meses do ano, na mesma base de compara\u00e7\u00e3o. Para Rocha, o segundo trimestre marcar\u00e1 o ponto mais baixo da s\u00e9rie e da\u00ed em diante haver\u00e1 recupera\u00e7\u00e3o. No fim do ano, estima, o investimento deve crescer 1,7% sobre o quarto trimestre do ano passado.<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio Bicalho, economista do Ita\u00fa Unibanco, faz avalia\u00e7\u00e3o semelhante. Para ele, o investimento deve ter crescido entre 0,5% e 1% entre abril e junho. &#8220;O quadro ainda \u00e9 de fraqueza dos investimentos e s\u00f3 deve haver recupera\u00e7\u00e3o consistente no quarto trimestre, ap\u00f3s a atividade econ\u00f4mica dar sinais mais evidentes de retomada&#8221;, afirma. De acordo com os c\u00e1lculos do Ita\u00fa Unibanco, a demanda dom\u00e9stica por bens de capital cresceu 0,1% no segundo trimestre, ap\u00f3s queda de 7,5% nos primeiros tr\u00eas meses do ano.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Vale, economista-chefe da MB Associados, tem progn\u00f3stico menos otimista e, em sua vis\u00e3o, o investimento deve continuar decepcionando no segundo semestre, um dos principais fatores que explicam sua proje\u00e7\u00e3o de apenas 1,5% para o PIB em 2012.<\/p>\n<p>A MB estima que, na passagem do primeiro para o segundo trimestre, em uma compara\u00e7\u00e3o dessazonalizada, a demanda interna por bens de capital cresceu 0,3%, ap\u00f3s forte recuo de 8,4% no per\u00edodo anterior. Para Vale, o dado, apesar de ter deixado o patamar negativo, \u00e9 sinal de um trimestre com investimento ainda parado.<\/p>\n<p>Apesar da pequena retomada no segundo trimestre, nos primeiros seis meses do ano a demanda dom\u00e9stica por bens de capital encolheu 10,2% sobre o mesmo per\u00edodo de 2011, maior tombo nessa base de compara\u00e7\u00e3o desde 2007, segundo os c\u00e1lculos da MB, com exce\u00e7\u00e3o de 2009, ano em que a crise atingiu em cheio a demanda por bens de capital e a absor\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica desses itens caiu 20,5% no acumulado de janeiro a junho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira metade de 2008.<\/p>\n<p>No primeiro semestre deste ano, per\u00edodo em que a produ\u00e7\u00e3o total da ind\u00fastria encolheu 3,8% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira metade de 2011, o segmento de bens de capital foi o destaque negativo, com produ\u00e7\u00e3o 12,5% menor. A importa\u00e7\u00e3o de bens de capital, por sua vez, seguiu crescendo, embora em ritmo bem menor que o observado em outros anos. A alta, em volume, foi de 3,7% na primeira metade do ano frente igual per\u00edodo do ano passado, segundo dados da Funda\u00e7\u00e3o Centro de Estudos do Com\u00e9rcio Exterior (Funcex), varia\u00e7\u00e3o vista sem entusiasmo por Rodrigo Branco, economista da entidade. Em 2011, as compras externas de m\u00e1quinas haviam crescido 26,8% nessa compara\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s alta de 24,3% na primeira metade de 2010.<\/p>\n<p>Vale observa que o resultado negativo no primeiro semestre n\u00e3o se deve somente \u00e0 entrada em vigor das novas normas de emiss\u00e3o de poluentes para caminh\u00f5es, que antecipou a fabrica\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos pesados no ano passado e a paralisou no in\u00edcio do ano. O ramo equipamentos de transporte, onde est\u00e3o os caminh\u00f5es, registrou recuo de 16,8% nos primeiros seis meses do ano, mas tamb\u00e9m houve queda na produ\u00e7\u00e3o de bens de capital para a constru\u00e7\u00e3o civil (menos 14,2%), para fins industriais (menos 1,7%) e para fins industriais seriados (menos 2,8%).<\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m sabe o que vai acontecer com a Europa, h\u00e1 o risco de um colapso da economia mundial e o investidor fica travado&#8221;, diz, acrescentando que a ind\u00fastria n\u00e3o deve deslanchar na segunda metade do ano, mesmo com a expectativa de novas medidas para dinamizar o setor.<\/p>\n<p>J\u00e1 Aur\u00e9lio Bicalho, do Ita\u00fa, considera que ao longo do terceiro trimestre a economia deve mostrar rea\u00e7\u00e3o, com ajuste de estoques na ind\u00fastria, aumento da produ\u00e7\u00e3o e melhora da confian\u00e7a dos empres\u00e1rios. Com base nesses fatores, afirma, o investimento tamb\u00e9m deve reagir, mas a resposta ficar\u00e1 concentrada nos \u00faltimos tr\u00eas meses do ano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nValor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3351\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3351","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-S3","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3351","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3351"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3351\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}