{"id":33560,"date":"2026-01-22T11:39:57","date_gmt":"2026-01-22T14:39:57","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33560"},"modified":"2026-01-22T11:39:57","modified_gmt":"2026-01-22T14:39:57","slug":"cee-ue-40-anos-destruindo-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33560","title":{"rendered":"CEE\/UE: 40 anos destruindo Portugal"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33561\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33560\/unnamed-62\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/unnamed-2.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"705,470\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"unnamed\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/unnamed-2.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-33561\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/unnamed-2.jpg?resize=705%2C470&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"705\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/unnamed-2.jpg?w=705&amp;ssl=1 705w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/unnamed-2.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos \/ AbrilAbril<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Goul\u00e3o &#8211; ABRILABRIL<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio ir\u00e1 se agravar nestes dias em que come\u00e7am a ser celebrados os 40 anos de vida de Portugal em vers\u00e3o Uni\u00e3o Europeia, uma caricatura de pa\u00eds que arrasta os restos mortais, atacado por uma cegueira suicida.<\/p>\n<p>Ainda se ouvem os ecos das 12 badaladas, sempre muito enobrecidas pelo \u00aban\u00fancio do ano\u00bb em todas as televis\u00f5es; ainda ressoam os estrondos das despropositadas trovoadas de fogos de artif\u00edcio e j\u00e1 come\u00e7aram a ser ouvidas as vozes de necr\u00f3filos e necr\u00f3fagos que ir\u00e3o alimentar um t\u00e9trico coro durante os pr\u00f3ximos 365 dias.<\/p>\n<p>Preparemo-nos para ser avassalados por enxurradas de loas e hossanas aos 40 anos que passam sobre a integra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de Portugal na Comunidade Econ\u00f4mica Europeia, depois reciclada em Uni\u00e3o Europeia para refor\u00e7o do n\u00edvel de atrocidades, em especial o desaparecimento da moeda nacional e consequente submiss\u00e3o ao terrorismo do euro.<\/p>\n<p>Integra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada porque nesta esp\u00e9cie de democracia, a que chamam \u00abliberal\u00bb para atacar cada vez mais os interesses populares, n\u00e3o houve o cuidado m\u00ednimo de perguntar aos cidad\u00e3os se aceitavam ou n\u00e3o que o pa\u00eds fosse integrado numa comunidade internacional, passo este que tinha como contrapartida a perda de aspectos fundamentais da soberania nacional. Escondidos ou \u00abexplicados\u00bb com toques \u00e9picos de manipula\u00e7\u00e3o, mas existentes para quem n\u00e3o estivesse distra\u00eddo.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia do golpe reacion\u00e1rio e estrangeirado de 25 de novembro de 1975 foram postos em pr\u00e1tica v\u00e1rios m\u00e9todos convergentes para enganar o povo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 integra\u00e7\u00e3o europeia.<\/p>\n<p>O poder n\u00e3o organizou qualquer referendo ou outra forma de consulta de opini\u00e3o (que n\u00e3o sondagens) para dar capacidade democr\u00e1tica de decis\u00e3o aos cidad\u00e3os sobre essa mat\u00e9ria transcendente para a soberania nacional.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a esta realidade insofism\u00e1vel, a classe pol\u00edtica usurpadora da vontade popular costuma explicar que o assunto esteve impl\u00edcito nos programas pol\u00edticos e nas campanhas para elei\u00e7\u00f5es parlamentares. Refinada mentira: as campanhas eleitorais n\u00e3o s\u00e3o per\u00edodos de esclarecimento, s\u00e3o feiras de vaidades, elegias \u00e0 ignor\u00e2ncia, espet\u00e1culos med\u00edocres com a profundidade mental de um talk-show tipo Big Brother ou \u2013 com um car\u00e1ter familiar muito educativo no quadro doutrin\u00e1rio judaico-crist\u00e3o \u2013 \u00abA minha m\u00e3e com o teu pai\u00bb. Por isso, um tema que exigia uma pormenorizada clarifica\u00e7\u00e3o, honesta e prof\u00edcua, foi abordado pela classe dominante e, em termos propagand\u00edsticos, apresentado como a nova \u00e1rvore das patacas capaz de fazer cada um de n\u00f3s um rico, no m\u00ednimo algu\u00e9m com uma vida confort\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos usados para submeter o debate \u00e0 enxurrada de mentiras que intoxica as campanhas eleitorais e para propagar as benesses associadas \u00e0 integra\u00e7\u00e3o no melhor dos mundos, foram refor\u00e7ados por outra pr\u00e1tica que se transformou num contexto obrigat\u00f3rio dentro da verdade \u00fanica do regime: as pessoas ou as institui\u00e7\u00f5es que explicam, com fatos concretos e inquestion\u00e1veis, as consequ\u00eancias nefastas da integra\u00e7\u00e3o europeia s\u00e3o expostas no pelourinho reservado aos antipatriotas, aos antidemocratas, aos inimigos do progresso, aos totalit\u00e1rios, aos nacionalistas retintos. Esse comportamento assumido pelo regime militar, econ\u00f4mico, pol\u00edtico e social em vigor, refor\u00e7ado atrav\u00e9s da faceta mistificadora, manipuladora e panflet\u00e1ria da comunica\u00e7\u00e3o social dominante, tornou-se um dogma que transforma em her\u00e9ticos todos os que, racional e factualmente, se recusam a dizer am\u00e9m ao sagrado europe\u00edsmo.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio ir\u00e1 se agravar nestes dias em que come\u00e7am a ser celebrados os 40 anos de vida de Portugal em vers\u00e3o Uni\u00e3o Europeia, uma caricatura de pa\u00eds que arrasta os restos mortais, atacado por uma cegueira suicida. Neste quadro de indig\u00eancia assumida, a dignidade, a hist\u00f3ria, a cultura, as ra\u00edzes e a pr\u00f3pria l\u00edngua de uma comunidade nacional quase milenar foram sacrificadas sem que a alian\u00e7a de poder neoliberal\/fascista pestanejasse. E um pa\u00eds que soube manter-se vivo no fio dos s\u00e9culos \u2013 n\u00e3o discutamos agora alguns dos m\u00e9todos usados \u2013 foi ofertado numa bandeja a um regime estrangeiro para servir de pasto a um sistema militarista, explorador, inculto e ignorante, racista e xen\u00f3fobo, expansionista, intelectualmente doente e consolidado para usufruto do mercado, do dinheiro e do globalismo desumano \u2013 estado supremo do capitalismo neoliberal.<\/p>\n<p>A realidade dram\u00e1tica que destr\u00f3i o mito<br \/>\nA realidade, por\u00e9m, \u00e9 mais forte que o dogma. Da\u00ed a necessidade de que o regime imposto em Lisboa (e mais 26 capitais) pelo sistema de poder transnacional de Bruxelas escondesse a realidade nacional, substituindo-a por uma realidade virtual e paralela fabricada pela propaganda.<\/p>\n<p>Dizer que a soberania de Portugal foi entregue, de m\u00e3o beijada, a um regime federalista encapotado que se converteu de vez ao militarismo imperial parece n\u00e3o incomodar a generalidade dos portugueses. Uma grande maioria dos cidad\u00e3os, na verdade, n\u00e3o conhece o que se passa e tamb\u00e9m n\u00e3o lhe \u00e9 permitido saber que os principais poderes supostamente desempenhados pelos \u00f3rg\u00e3os de soberania nacionais j\u00e1 foram transferidos para Bruxelas, quantas vezes \u00e0s escondidas.<\/p>\n<p>Nesta \u00abdemocracia liberal\u00bb as pessoas votam para um Parlamento, um governo e um chefe de Estado e, na realidade, estes s\u00f3 decidem e executam o que lhes \u00e9 permitido decidir e executar pelos poderes sombrios que mexem as cordinhas fantoches de institui\u00e7\u00f5es poderosas, n\u00e3o eleitas e totalit\u00e1rias como a Comiss\u00e3o Europeia e o Banco Central Europeu. Isto \u00e9, a maioria vota em pessoas e nas institui\u00e7\u00f5es A, B ou C (o \u00abarco da governan\u00e7a\u00bb, incluindo a seita venturista) enquanto, l\u00e1 longe, gente com rosto de euro ou d\u00f3lar decide por elas, como se ningu\u00e9m tivesse votado. A ditadura deixou, aparentemente, de ser bruta e sangrenta; refinou, tornou-se elegante, sofisticada, at\u00e9 \u00abprogressista\u00bb, embora a arbitrariedade e a explora\u00e7\u00e3o continuem a ser poder e o sangue humano n\u00e3o deixe de correr, se necess\u00e1rio, o que parece estar cada vez mais pr\u00f3ximo. At\u00e9 as \u00abesquerdas\u00bb fofinhas e bem falantes, perdidas em gritarias oportunistas e bajula\u00e7\u00f5es para receberem festinhas do poder e da comunica\u00e7\u00e3o social, acham o federalismo bom, capaz de democratizar a Uni\u00e3o Europeia e de a transformar numa bem aventuran\u00e7a para os cidad\u00e3os. Esse reacionarismo engalanado com floreados de mentiras e propaganda bem constru\u00eddas atinge, sobretudo, gente que vive nas cidades e se cultiva lendo e ouvindo a casta \u00abde refer\u00eancia\u00bb e ama afagar os pobrezinhos sempre que chega o Natal e nos curtos intervalos deixados pelas febres do consumismo e as f\u00e9rias e fins de semana em para\u00edsos ex\u00f3ticos.<\/p>\n<p>Em Portugal existe um mapa informal que corresponde \u00e0s atrocidades que foram (e ainda s\u00e3o) cometidas em territ\u00f3rio portugu\u00eas pela CEE\/Uni\u00e3o Europeia, com custos humanos e materiais incalcul\u00e1veis. Esse mapa assinala as feridas ainda expostas e deixadas pelo terremoto arrasador que liquidou o tecido produtivo portugu\u00eas e tornou o pa\u00eds ref\u00e9m dos altos e baixos do turismo e consequente transmuta\u00e7\u00e3o alienante do estilo de vida de vastas camadas da sociedade portuguesa. Al\u00e9m de igualmente ref\u00e9m de importa\u00e7\u00f5es, chegadas de todo o mundo, de produtos que eram fabricados e cultivados, com alt\u00edssima qualidade, em Portugal e pelos trabalhadores portugueses.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia tornou-se real a partir de 1986, ano da integra\u00e7\u00e3o na CEE, quando se dizia que chovia dinheiro europeu do qual todos ir\u00edamos tirar proveito. O tiro de partida, como atr\u00e1s se escreveu, fora dado em 25 de novembro de 1975, mas, militar e politicamente, a integra\u00e7\u00e3o europeia veio refor\u00e7ar os objetivos do golpe, n\u00e3o apenas para tentar liquidar os desenvolvimentos genuinamente democr\u00e1ticos tornados poss\u00edveis a partir de 25 de Abril de 1974, mas tamb\u00e9m para implantar os mecanismos repressivos e paraditatoriais talhados com o objetivo de impedir quaisquer corre\u00e7\u00f5es de rota ditadas pela vontade democr\u00e1tica e popular.<\/p>\n<p>Em setores de produ\u00e7\u00e3o considerados essenciais para a sobreviv\u00eancia dos portugueses, como o dos cereais, a compara\u00e7\u00e3o entre os n\u00fameros decorrentes da integra\u00e7\u00e3o europeia e, por exemplo, os dos tempos da amaldi\u00e7oada Reforma Agr\u00e1ria n\u00e3o mentem. Em 1976, depois da Novembrada, mas ainda antes da guerra aberta contra a Reforma Agr\u00e1ria, Portugal conseguia produzir tr\u00eas quartos dos cereais que consumia, pelo que importava um quarto do total necess\u00e1rio. Portugal \u00abn\u00e3o era autossuficiente em p\u00e3o\u00bb, dizia-se ent\u00e3o, como um libelo acusat\u00f3rio contra uma das maiores conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o de Abril.<\/p>\n<p>No ano de 1986 e, apesar das malfeitorias iniciadas nos governos constitucionais de M\u00e1rio Soares \u2013 quando a Reforma Agr\u00e1ria estava muito ferida mas n\u00e3o extinta \u2013 Portugal ainda produzia 60% dos cereais que consumia, en enquanto importava 40%.<\/p>\n<p>Pois 40 anos depois do in\u00edcio da integra\u00e7\u00e3o europeia, aplicada a preceito a famosa \u00abpol\u00edtica agr\u00edcola comum\u00bb, Portugal consegue produzir cerca de 18% dos cereais que consome. Isto \u00e9, tem de importar 82%, pouco menos que a totalidade. Obrigado Soares, Cavaco, Guterres, S\u00f3crates, Barroso, Santana, Coelho, Costa e Montenegro, eis no que transformaram os \u00abceleiros de Portugal\u00bb, a come\u00e7ar pelo generoso Alentejo, ao rastejarem perante a UE\/CEE.<\/p>\n<p>Volta a Portugal em ru\u00ednas<br \/>\nMas h\u00e1 mat\u00e9ria f\u00edsica, imune a qualquer propaganda virtuosa, que exibe os desmandos da integra\u00e7\u00e3o europeia. Se, por uma vez na vida, o leitor fizer uma viagem em que ponha de lado as belezas, as tradi\u00e7\u00f5es e as ra\u00edzes culturais fant\u00e1sticas do territ\u00f3rio nacional e procurar o contraponto tr\u00e1gico para a vista e outros sentidos, ficar\u00e1 vacinado de vez contra os mitos, as mentiras e as atrocidades propagand\u00edsticas da Uni\u00e3o Europeia\/CEE.<\/p>\n<p>Sabemos que a Uni\u00e3o Europeia, atrav\u00e9s da inteligent\u00edssima desindustrializa\u00e7\u00e3o, que agora precisa de ser invertida, como proclamam os irrespons\u00e1veis dirigentes, ficou vulner\u00e1vel e irris\u00f3ria, do ponto de vista produtivo e competitivo, perante o resto do mundo. Agora aqui d\u2019el rei que os b\u00e1rbaros querem destruir o nosso jardinzinho.<\/p>\n<p>Para conhecer, sem sofismas, a imensa chaga deixada no setor produtivo portugu\u00eas ao cabo de 40 anos de UE e de federalismo cada vez menos indisfar\u00e7ado, est\u00e1 dispon\u00edvel uma volta a Portugal em ru\u00ednas industriais \u2013 e com roteiros bastante diversificados, consoante a vontade do viajante.<\/p>\n<p>Se quiser come\u00e7ar pela capital, visite regi\u00f5es de Marvila e do Beato, onde se produziam artigos tradicionais de consumo comum, como os prosaicos f\u00f3sforos, sab\u00f5es, massas e bolachas, alguns deles agora importados, e detenha-se na enorme ferida que \u00e9 a Rua do A\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Adverte-se, desde j\u00e1, que o panorama geral das ru\u00ednas j\u00e1 foi amainado pela museologia da arqueologia industrial e, em v\u00e1rias outras regi\u00f5es ex-produtivas das margens norte e sul do Tejo, por condom\u00ednios privados e de luxo, destinados \u00e0s riqu\u00edssimas minorias nacionais e aos especuladores estrangeiros que podem se dar a esses luxos.<\/p>\n<p>Depois siga por Mafra e Sintra, mais precisamente P\u00earo Pinheiro, Montelavar, Maceira e Pedra Furada, e conhecer\u00e1 as chagas da ind\u00fastria do m\u00e1rmore, atividade quase artesanal, art\u00edstica, familiar e desenvolvida em pequenas e m\u00e9dias empresas que colocaram Portugal no topo internacional da qualidade neste setor.<\/p>\n<p>N\u00e3o se fique por aqui e reserve um tempo para descer at\u00e9 o chamado anticlinal de Estremoz, tamb\u00e9m conhecido pelo \u00abtri\u00e2ngulo do m\u00e1rmore Borba-Estremoz-Vila Vi\u00e7osa\u00bb. Tanto nos concelhos de Mafra e Sintra, como na citada zona do Alentejo, os cen\u00e1rios repetem-se, como maior ou menor densidade: ru\u00ednas de f\u00e1bricas e armaz\u00e9ns, restos e cacos de m\u00e1rmore espalhados nas imedia\u00e7\u00f5es, esqueletos de m\u00e1quinas enferrujadas, amplas pedreiras abandonadas, transformadas em lagos insalubres pestilentos. A Uni\u00e3o Europeia ignorou as pequenas e m\u00e9dias empresas, desprezou a qualidade e abriu o setor \u00e0 \u00ablivre concorr\u00eancia\u00bb, isto \u00e9, a uma concorr\u00eancia desleal em que os grandes emp\u00f3rios, sobretudo n\u00e3o-europeus, devoram os lugares onde o trabalho \u00e1rduo e competente produzia arte. A qualidade do produto importado \u00e9 muito inferior? N\u00e3o interessa, os lucros s\u00e3o muito maiores e assim \u00e9 que deve ser, para todos prosperarmos.<\/p>\n<p>O leitor pode seguir depois pelos caminhos da extinta ind\u00fastria pesada, onde o esc\u00e2ndalo ganha ainda maiores dimens\u00f5es. As estruturas industriais da CUF\/Quimigal, no Barreiro, desabaram em quarteir\u00f5es imensos mortos e fantasmag\u00f3ricos; o magn\u00edfico e imenso santu\u00e1rio da ind\u00fastria naval na Margueira, em Almada, admirado pela qualidade do seu trabalho, transformou-se num cemit\u00e9rio t\u00e3o desolador como revoltante; o alto forno abandonado em Paio Pires, Seixal, assinala a redu\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00ednfima esp\u00e9cie da produ\u00e7\u00e3o sider\u00fargica. Entre Almada e Set\u00fabal, a obra da Uni\u00e3o Europeia e da respectiva desindustrializa\u00e7\u00e3o exp\u00f5e os efeitos de uma guerra contra Portugal da qual resultou a destrui\u00e7\u00e3o quase total das outrora florescentes ind\u00fastrias qu\u00edmica, metalomec\u00e2nica, sider\u00fargica, da repara\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o naval.<\/p>\n<p>De Lisboa a Vila Franca de Xira multiplicam-se as ru\u00ednas daquele que foi o epicentro do magn\u00edfico sector da cintura industrial de Lisboa situado na regi\u00e3o a norte do Tejo. Vale a pena conhec\u00ea-las e admirar os destro\u00e7os produzidos pelo querido europe\u00edsmo.<\/p>\n<p>R\u00e9quiem pelos t\u00eaxteis e o vidro<br \/>\nNa regi\u00e3o da Covilh\u00e3 e no vale do Rio Ave pode o leitor testemunhar como a integra\u00e7\u00e3o europeia exterminou a emblem\u00e1tica ind\u00fastria t\u00eaxtil, orgulho de Portugal, a maior concentra\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria feminina de sempre e sustento de centenas de milhares de fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Nas margens de ribeiras, tanto na Beira Baixa como atrav\u00e9s dos concelhos de Santo Tirso, Famalic\u00e3o, Guimar\u00e3es, Vila das Aves, Vizela e outros sucedem-se os complexos de fia\u00e7\u00e3o abandonados, os restos de naves vazias ou com destro\u00e7os de m\u00e1quinas e os bairros oper\u00e1rios degradados.<\/p>\n<p>Na Marinha Grande multiplicam-se restos mortais de outro orgulho de Portugal, a ind\u00fastria do vidro. Veem-se fornos que al\u00e9m de frios est\u00e3o em ru\u00ednas, mais um cart\u00e3o de visita da Uni\u00e3o Europeia a que podem se associar os destro\u00e7os industriais nas regi\u00f5es de Coimbra, Figueira da Foz, das moagens de Montemor-o-Velho e dos bols\u00f5es produtivos de Cantanhede, Condeixa e Lous\u00e3.<\/p>\n<p>O roteiro das feridas abertas em Portugal ficar\u00e1 mais completo se o viajante n\u00e3o perder de vista os sinais profundos de abandono dos complexos mineiros do Lousal (Gr\u00e2ndola), Pej\u00e3o (Castelo de Paiva) e do desprezo pelos recursos da faixa piritosa ib\u00e9rica, em Aljustrel, Beja, lugar de intensa, dram\u00e1tica e incans\u00e1vel luta oper\u00e1ria contra o fascismo.<\/p>\n<p>Consequ\u00eancia de toda esta atividade produtiva arrasada \u2013 e em sentido contr\u00e1rio ao desenvolvimento da utiliza\u00e7\u00e3o do comboio atrav\u00e9s da Europa \u2013 \u00e9 o abandono de estruturas ferrovi\u00e1rias no territ\u00f3rio nacional, em especial na Beira Interior, e a continua\u00e7\u00e3o da desertifica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Linhas e ramais sem utiliza\u00e7\u00e3o, esta\u00e7\u00f5es abandonadas, oficinas em ru\u00edna entregues \u00e0 ferrugem e \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o invasora, esta\u00e7\u00f5es mortas, trilhos inutiliz\u00e1veis, enferrujados e soltos \u2013 o cen\u00e1rio n\u00e3o podia ser mais desolador, al\u00e9m de ter um \u00e2mbito praticamente nacional.<\/p>\n<p>Os poderes e respectivos ap\u00eandices come\u00e7aram a celebrar as quatro d\u00e9cadas vividas por Portugal no Interior da CEE\/Uni\u00e3o Europeia. A insensibilidade desumana de uma festa no lugar de um r\u00e9quiem: milh\u00f5es de vidas destro\u00e7adas e mergulhadas na pobreza, preju\u00edzos incalcul\u00e1veis que pesam sobre os cidad\u00e3os, um pa\u00eds em extin\u00e7\u00e3o e a dignidade nacional perdida \u2013 eis o que os nossos dirigentes com responsabilidades nos \u00f3rg\u00e3os de soberania e a comunica\u00e7\u00e3o oficial corrompida pela propaganda sa\u00fadam alegremente. E l\u00e1 v\u00e3o pregando, rindo e mentindo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33560\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[18,65,10,98],"tags":[225],"class_list":["post-33560","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s22-europa","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","category-c111-portugal","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8Ji","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33560","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33560"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33560\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33562,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33560\/revisions\/33562"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33560"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}