{"id":33576,"date":"2026-01-30T11:08:07","date_gmt":"2026-01-30T14:08:07","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33576"},"modified":"2026-01-30T11:08:07","modified_gmt":"2026-01-30T14:08:07","slug":"gaza-e-a-natureza-genocida-do-imperialismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33576","title":{"rendered":"Gaza e a natureza genocida do imperialismo"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33577\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33576\/image-2-21\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-2-1.png?fit=1200%2C800&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1200,800\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image (2)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-2-1.png?fit=300%2C200&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-2-1.png?fit=747%2C498&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-33577\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-2-1.png?resize=747%2C498&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"498\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-2-1.png?resize=900%2C600&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-2-1.png?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-2-1.png?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-2-1.png?w=1200&amp;ssl=1 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Jorge Cadima<\/p>\n<p>ODIARIO.INFO<\/p>\n<p>O genoc\u00eddio israelense contra o povo da Palestina \u00e9 uma chocante comprova\u00e7\u00e3o da natureza do imperialismo. A chacina n\u00e3o seria poss\u00edvel sem o apoio militar, financeiro e pol\u00edtico das grandes pot\u00eancias imperialistas \u2013 EUA, Reino Unido, da Uni\u00e3o Europeia. \u00c9 um genoc\u00eddio da responsabilidade das pot\u00eancias imperialistas no seu conjunto. Mas n\u00e3o \u00e9 um epis\u00f3dio isolado.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do capitalismo est\u00e1 repleta de grandes crimes e barbaridades. Ao longo dos tempos foram justificados com diferentes v\u00e9us: a \u00abpropaga\u00e7\u00e3o da f\u00e9\u00bb; a \u00abmiss\u00e3o civilizadora\u00bb de \u00abra\u00e7as superiores\u00bb; o \u00abacabar com todas as guerras\u00bb; o \u00abcombate ao terrorismo\u00bb; as \u00abinterven\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias\u00bb; as \u00abarmas de destrui\u00e7\u00e3o em massa\u00bb. Mas a realidade, envolta num mar de mentiras propagand\u00edsticas, foi sempre outra. A guerra e os horrendos crimes \u2013 genoc\u00eddio, limpeza \u00e9tnica, terrorismo e o uso de todo o tipo de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa contra popula\u00e7\u00f5es civis \u2013 mostram \u00e0 saciedade que os dirigentes das grandes pot\u00eancias imperialistas n\u00e3o conhecem limites quando se trata de impor a sua domina\u00e7\u00e3o. Para eles, os povos \u2013 todos os povos, incluindo os dos seus pa\u00edses \u2013 n\u00e3o passam de meios para assegurar lucros e poder. Por vezes como m\u00e3o-de-obra, outras como carne para canh\u00e3o, outras ainda como um estorvo a ser eliminado.<\/p>\n<p>Na ascens\u00e3o mundial do capitalismo<\/p>\n<p>Logo a partir do s\u00e9culo XVI, a expans\u00e3o mundial do capitalismo em ascens\u00e3o foi marcada pelo exterm\u00ednio das popula\u00e7\u00f5es nativas do continente americano. Crist\u00f3v\u00e3o Colombo, no seu relat\u00f3rio ao Rei de Espanha, descrevia os habitantes das Cara\u00edbas como \u00abt\u00e3o ing\u00eanuos e t\u00e3o desapegados dos seus bens que [\u2026] quando lhes pedimos algo que possuem, nunca dizem que n\u00e3o\u00bb. Mas Colombo pedia apoio \u00e0 Coroa para viagens futuras nas quais traria \u00abtanto ouro quanto seja necess\u00e1rio [\u2026] e tantos escravos quantos sejam pedidos\u00bb (1). O frade dominicano espanhol Bartolomeu de Las Casas documentou profusamente os horrores desta fase inicial da coloniza\u00e7\u00e3o. Relatou o trabalho for\u00e7ado dos homens nas minas de ouro e das mulheres na terra: \u00abenquanto estive em Cuba morreram 7.000 crian\u00e7as em tr\u00eas meses. [\u2026] os maridos morriam nas minas, as mulheres morriam no trabalho e as crian\u00e7as morriam da falta de leite [\u2026] e em pouco tempo esta terra que fora t\u00e3o grande, t\u00e3o poderosa e t\u00e3o f\u00e9rtil [\u2026] foi despovoada\u00bb.<\/p>\n<p>Se \u00e9 certo que uma parte da popula\u00e7\u00e3o nativa foi vitimada por doen\u00e7as trazidas pelo colonizador, face \u00e0s quais n\u00e3o havia imunidade adquirida, \u00e9 igualmente verdade que existem provas documentais daquilo a que hoje chamar\u00edamos guerra biol\u00f3gica. Em 1763 o General brit\u00e2nico Amherst, empenhado no combate \u00e0s popula\u00e7\u00f5es nativas da Am\u00e9rica do Norte, ordenou que se estudasse a possibilidade de espalhar a var\u00edola entre os \u00edndios, \u00abbem como Qualquer outro M\u00e9todo que sirva para Extirpar esta Ra\u00e7a Execr\u00e1vel\u00bb. Cobertores de v\u00edtimas da var\u00edola foram assim \u2018oferecidos\u2019 aos \u00edndios durante uma \u2018negocia\u00e7\u00e3o\u2019 (2). Seguiu-se a epidemia. Os exemplos multiplicaram-se (3). A Hist\u00f3ria registra que em todo o continente americano, e tamb\u00e9m no australiano, as \u00abRa\u00e7as Execr\u00e1veis\u00bb foram em grande medida exterminadas.<\/p>\n<p>A falta de m\u00e3o-de-obra nativa levou as pot\u00eancias coloniais a desenvolver um intenso tr\u00e1fico atl\u00e2ntico de africanos, escravizados para trabalhar nas planta\u00e7\u00f5es e minas das col\u00f4nias do continente americano, quer a Sul, quer a Norte. Portugal foi respons\u00e1vel por cerca de metade deste tr\u00e1fico, que apenas entre 1700 e 1875 afetou mais de 10 milh\u00f5es de pessoas (4). \u00c1frica perdeu uma parte importante da sua juventude, com consequ\u00eancias dram\u00e1ticas. Na Europa acumularam-se grandes fortunas.<\/p>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o de quase todo o planeta na fase imperialista do capitalismo (transi\u00e7\u00e3o s\u00e9culos XIX-XX) viu todas as pot\u00eancias coloniais europeias multiplicarem os massacres de popula\u00e7\u00f5es e o uso do trabalho for\u00e7ado. S\u00e3o exemplos a coloniza\u00e7\u00e3o belga do Congo (5) ou a coloniza\u00e7\u00e3o alem\u00e3 da Nam\u00edbia, com o genoc\u00eddio dos povos Herero e Nama (1904-8). A coloniza\u00e7\u00e3o inglesa foi acompanhada por algumas das grandes fomes da hist\u00f3ria da Humanidade, como na Irlanda (1845-52), na qual morreu cerca de um milh\u00e3o de pessoas, ou as reiteradas fomes que vitimaram dezenas de milh\u00f5es de pessoas na \u00cdndia brit\u00e2nica, entre elas em Bengala (1770), Madras (1876-78), a fome de 1899-1900 e, apenas quatro anos antes da independ\u00eancia, a fome de 1943 em Bengala e Orissa. Houve ainda as grandes fomes na col\u00f4nia portuguesa de Cabo Verde, nomeadamente na d\u00e9cada de 1940, nas quais morreram pelo menos 45.000 cabo-verdianos (6).<\/p>\n<p>Se \u00e9 certo que causas naturais contribu\u00edram para as fomes (secas, pragas), \u00e9 igualmente certo que os governos coloniais continuaram a exportar comida ou recusar as importa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias (7). Ap\u00f3s a independ\u00eancia da \u00cdndia (1947) n\u00e3o voltaram a ocorrer fomes como as que marcaram o per\u00edodo colonial ingl\u00eas (8). Este desprezo pelos povos era coerente com as teorias do ingl\u00eas Malthus no seu ensaio sobre o \u00abPrinc\u00edpio da Popula\u00e7\u00e3o\u00bb, onde afirmava que o aumento populacional natural seria sempre superior ao aumento da produ\u00e7\u00e3o de comida, pelo que a fome era inevit\u00e1vel, a pobreza o resultado dos pobres terem demasiados filhos e a guerra, as pestes e a fome inevit\u00e1veis \u00abformas de controle positivas\u00bb do excesso populacional (9). Engels chamou a teoria de Malthus de \u00aba teoria mais grosseira e mais b\u00e1rbara que alguma vez existiu\u00bb (10). Os avan\u00e7os sociais e cient\u00edficos no s\u00e9culo XX desmentiram cabalmente o malthusianismo, mostrando que uma capa pseudo-cient\u00edfica escondia o desprezo pelos povos.<\/p>\n<p>O tr\u00e1fico de drogas marcou tamb\u00e9m a penetra\u00e7\u00e3o europeia em pa\u00edses como a China, cuja dimens\u00e3o dificultava uma ocupa\u00e7\u00e3o direta permanente. Quando a China Imperial procurou barrar o tr\u00e1fico ocidental de \u00f3pio (considerada \u00aba mais importante mercadoria comercial do S\u00e9culo XIX\u00bb (11), o Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico desencadeou as duas Guerras do \u00d3pio (1839-42 e 1856-60) para \u2018defender a liberdade de com\u00e9rcio\u2019\u2026 Derrotada, a China foi for\u00e7ada a legalizar o consumo, o que contribuiu para submergir o pa\u00eds no \u2018S\u00e9culo da Humilha\u00e7\u00e3o\u2019. Estima-se que, em 1906, 27% da popula\u00e7\u00e3o masculina adulta da China fosse consumidora de \u00f3pio (12). Tamb\u00e9m a Holanda e a Fran\u00e7a recorreram, na Indon\u00e9sia e na Indochina, a essa arma de submiss\u00e3o e lucros, que continua a ser usada nas campanhas de agress\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o imperialistas (13).<\/p>\n<p>As duas Guerras Mundiais e o nazifascismo<\/p>\n<p>Embora os crimes tenham atingido particular brutalidade na sua expans\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o colonial, as classes dominantes capitalistas n\u00e3o poupam os povos dos seus pr\u00f3prios pa\u00edses. O s\u00e9culo XX ficou marcado por duas Grandes Guerras, que vitimaram v\u00e1rias dezenas de milh\u00f5es de pessoas, e pelos horrores do nazifascismo.<\/p>\n<p>A I Guerra Mundial (1914-18) (14) viu a estreia de novos meios tecnol\u00f3gicos de matar e a utiliza\u00e7\u00e3o em larga escala de armas qu\u00edmicas que vitimaram muitos milhares de soldados nas linhas da frente. Estima-se que 14 milh\u00f5es de pessoas morreram nessa guerra. A ainda mais mort\u00edfera II Guerra Mundial (1939-45) (15) foi insepar\u00e1vel do nazifascismo, apadrinhado por boa parte das classes dominantes europeias (16).<\/p>\n<p>O fascismo, a vers\u00e3o mais extremista e b\u00e1rbara de domina\u00e7\u00e3o capitalista, j\u00e1 mostrara a sua sanha assassina durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39). Para esmagar o governo eleito da Frente Popular, os fascistas de Franco com o apoio da rea\u00e7\u00e3o internacional desencadearam uma chacina em larga escala do povo espanhol, de que resultaria a morte de um milh\u00e3o de pessoas (17).<\/p>\n<p>Na II Guerra Mundial, iniciada pela Alemanha nazista, morreram mais de 60 milh\u00f5es de pessoas \u2013 mais de 3% da popula\u00e7\u00e3o mundial de ent\u00e3o e quase 15% da popula\u00e7\u00e3o da URSS. O fundamental dos combates travaram-se entre a Alemanha nazista e a URSS. O historiador ingl\u00eas Adam Tooze escreveu (18): \u00abEm 22 de junho de 1941 o Terceiro Reich desencadeou n\u00e3o apenas a mais massiva campanha militar da Hist\u00f3ria, mas desencadeou tamb\u00e9m uma campanha igualmente sem precedentes de viol\u00eancia genocida. Os holofotes concentrados sobre a destrui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o judaica a tem apresentado como o aspecto que verdadeiramente define esta campanha. Mas na Europa do Leste \u2013 epicentro do Holocausto \u2013 o judeic\u00eddio n\u00e3o foi um ato isolado de matan\u00e7a. A melhor maneira de compreender a invas\u00e3o alem\u00e3 da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica \u00e9 como sendo a \u00faltima grande conquista de terras na longa e sangrenta hist\u00f3ria do colonialismo europeu. A destrui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o judaica era o primeiro passo para erradicar o Estado Bolchevique. A que se seguiria uma gigantesca campanha de limpeza e de coloniza\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m envolvia a \u2018limpeza\u2019 da vasta maioria da popula\u00e7\u00e3o eslava e a instala\u00e7\u00e3o de colonos alem\u00e3es em milh\u00f5es de hectares do Lebensraum a Leste. [\u2026] Alcan\u00e7ar este objetivo \u2018pragm\u00e1tico\u2019 exigia nada menos do que o assassinato, de forma planejada, de toda a popula\u00e7\u00e3o urbana da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ocidental\u00bb.<\/p>\n<p>O cerco nazista a Leningrado (1941-44), que matou pela fome e doen\u00e7a metade da popula\u00e7\u00e3o da cidade, antecedeu aquilo que Israel est\u00e1 fazendo em Gaza. Tamb\u00e9m o nazismo se socorreu de conceitos de superioridade racial. At\u00e9 se \u2018justificou\u2019 com a hist\u00f3ria colonial de outras pot\u00eancias. Tooze escreve: \u00abNo Outono de 1941 Hitler voltou repetidamente ao exemplo americano, ao discutir o futuro da Alemanha a Leste. O Volga, declarou, ser\u00e1 o Mississippi da Alemanha. E a conquista sangrenta do Oeste americano dava \u00e0 Alemanha o exemplo hist\u00f3rico de que precisava para justificar a limpeza da popula\u00e7\u00e3o eslava. \u201cAqui no Leste um processo semelhante se repetir\u00e1 pela segunda vez, tal como na conquista da Am\u00e9rica\u201d. Uma popula\u00e7\u00e3o de colonos \u2018superior\u2019 ir\u00e1 substituir uma popula\u00e7\u00e3o nativa \u2018inferior\u2019\u00bb.<\/p>\n<p>As chacinas de popula\u00e7\u00f5es civis foram correntes nos territ\u00f3rios ocupados pelas hordas nazifascistas. A barb\u00e1rie foi levada ao extremo nos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas, que n\u00e3o eram apenas campos de exterm\u00ednio dos incapazes de trabalhar, mas tamb\u00e9m campos de trabalho onde a explora\u00e7\u00e3o era levada at\u00e9 \u00e0 morte, assegurando m\u00e3o-de-obra a custo quase nulo para que os grandes monop\u00f3lios que levaram Hitler ao poder pudessem engordar e alimentar a poderosa m\u00e1quina de guerra nazista.<\/p>\n<p>Mas as atrocidades contra civis n\u00e3o foram exclusivas do lado nazifascista. O criminoso bombardeio at\u00f4mico pelos EUA das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, representou a passagem de uma fronteira que hoje amea\u00e7a a sobreviv\u00eancia da Humanidade (19). Na condu\u00e7\u00e3o da II Guerra Mundial, o lado anglo-americano teorizou e praticou o ataque deliberado a popula\u00e7\u00f5es civis. Definindo os objetivos da campanha de It\u00e1lia, Churchill escreveu: \u00abTodos os centros industriais devem ser atacados de forma intensa, devem ser feitos todos os esfor\u00e7os para os tornar inabit\u00e1veis e para aterrorizar a popula\u00e7\u00e3o\u00bb (20). O seu bi\u00f3grafo Ponting diz: \u00abAquilo que a ofensiva de bombardeios [anglo-americanos sobre a Alemanha] alcan\u00e7ou foi um enorme registro de baixas civis. No total foram mortos 590.000 civis alem\u00e3es (quase quinze vezes o n\u00famero de v\u00edtimas civis brit\u00e2nicas) [\u2026]. O que os bombardeios aliados podiam fazer ficou demonstrado em Hamburgo em agosto de 1943 \u2013 o uso intensivo de [bombas] incendi\u00e1rias no centro da cidade produziu uma tempestade de fogo que alcan\u00e7ou temperaturas de 1000\u00baC e ventos de [240 km\/h]. Morreram 50.000 pessoas e 60% das casas da cidade ficaram destru\u00eddas\u00bb.<\/p>\n<p>A cena se repetiu em Dresden em fevereiro de 1945 (25 mil mortos), em T\u00f3quio em mar\u00e7o de 1945 (100 mil mortos) e em dezenas de outras cidades japonesas (21). Churchill sempre defendeu o uso de armas qu\u00edmicas, tendo estado na origem da sua primeira utiliza\u00e7\u00e3o a partir de avi\u00f5es, durante a interven\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica contra a jovem Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro, no Ver\u00e3o de 1919. \u00c9 preciso enfatizar que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, apesar de ser o pa\u00eds que suportou o grosso dos combates com a Alemanha nazista e que mais vidas perdeu nesse enfrentamento, nunca recorreu ao bombardeio de alvos civis.<\/p>\n<p>As guerras quentes da \u2018Guerra Fria\u2019<\/p>\n<p>Apesar dos enormes avan\u00e7os de liberta\u00e7\u00e3o social e nacional que se seguiram \u00e0 derrota do nazifascismo gra\u00e7as (essencialmente) \u00e0 URSS, o fim da II Guerra Mundial marcou o in\u00edcio de uma contra-ofensiva dirigida pela grande pot\u00eancia imperialista norte-americana, que tamb\u00e9m recrutou para a sua (mal) chamada \u2018Guerra Fria\u2019 os advers\u00e1rios fascistas da v\u00e9spera. A barb\u00e1rie nuclear de Hiroshima e Nagasaki foi o primeiro marco dessa cruzada imperialista. Em r\u00e1pida sucess\u00e3o as pot\u00eancias imperialistas procuraram destruir pela viol\u00eancia aberta as for\u00e7as populares que conduziam as lutas de liberta\u00e7\u00e3o nacional e social na Gr\u00e9cia, Cor\u00e9ia, Vietn\u00e3, Indon\u00e9sia, Mal\u00e1sia, S\u00edria, Qu\u00eania e outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>T\u00f4nica comum nestas interven\u00e7\u00f5es foi o uso, pelas pot\u00eancias imperialistas, de armas n\u00e3o convencionais. Pela primeira vez na hist\u00f3ria, o napalm foi usado pelos EUA para esmagar as for\u00e7as populares gregas que haviam encabe\u00e7ado a resist\u00eancia \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o nazista (22). A interven\u00e7\u00e3o militar dos EUA na Coreia (1950-53) deu origem a uma das maiores chacinas da hist\u00f3ria (23) onde, \u00abde acordo com o General norte-americano Curtis LeMay, \u201carrasamos praticamente todas as cidades, quer na Coreia do Norte, quer na Coreia do Sul\u201d, \u201cmatamos mais de um milh\u00e3o de civis coreanos e expulsamos v\u00e1rios milh\u00f5es dos seus lares\u201d\u00bb (24). Os EUA usaram armas de guerra biol\u00f3gica, como testemunhou o jornalista australiano Wilfred Burchett (25) e foi documentado por uma reputada Comiss\u00e3o Internacional Cient\u00edfica de inqu\u00e9rito (26). O uso em larga escala de armas qu\u00edmicas (como o Agente Laranja e outros deflorestantes, al\u00e9m do napalm) marcou tamb\u00e9m a interven\u00e7\u00e3o do imperialismo no Vietn\u00e3 (27). Os seus efeitos continuam a se fazer sentir, mais de meio s\u00e9culo depois. Muitas milh\u00f5es de pessoas foram mortas nestas brutais guerras de agress\u00e3o imperialista.<\/p>\n<p>A segunda metade do s\u00e9culo XX ficou igualmente marcada por in\u00fameras opera\u00e7\u00f5es de desestabiliza\u00e7\u00e3o e inger\u00eancia imperialista. Talvez o mais cruento epis\u00f3dio seja a matan\u00e7a de cerca de um milh\u00e3o de pessoas quando do golpe de Estado organizado pelos EUA na Indon\u00e9sia em 1965 (28), visando destruir o forte Partido Comunista e inverter o rumo de soberania nacional e anti-imperialista que marcava a nova Indon\u00e9sia independente. O livro do jornalista norte-americano Vincent Bevins \u00abO M\u00e9todo Jacarta \u2013 A cruzada anticomunista de Washington e o programa de exterm\u00ednio em massa que moldou o nosso mundo\u00bb (29) relata essas inger\u00eancias marcadas por \u00abuma monstruosa rede internacional de exterm\u00ednio \u2013 isto \u00e9, o sistem\u00e1tico assassinato maci\u00e7o de civis \u2013 em muitos pa\u00edses, que desempenhou um papel fundamental na constru\u00e7\u00e3o do mundo em que hoje vivemos\u00bb.<\/p>\n<p>Com frequ\u00eancia, as inger\u00eancias imperialistas recorreram a aut\u00eanticos ex\u00e9rcitos contrarrevolucion\u00e1rios, marcados pelo terrorismo e muitas vezes financiados a partir de tr\u00e1ficos, como a droga. Foi assim com os Contras nicaraguenses, com o terrorismo fundamentalista no Afeganist\u00e3o, com a Unita e a Renamo em Angola e Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>O desaparecimento da URSS e dos pa\u00edses socialistas da Europa no final do S\u00e9culo XX contribuiu para que o imperialismo, sentindo-se mais livre de entraves e condicionamentos, escalasse a sua ofensiva mundial. A agress\u00e3o militar passou a ser executada de forma aberta pelos EUA e seus lacaios, visando pa\u00edses que n\u00e3o se queriam submeter inteiramente \u00e0 nova ordem mundial de Washington. Foi o caso do desmembramento da Iugosl\u00e1via que culminou na guerra da OTAN em 1999 (30). Sucessivas guerras e agress\u00f5es destru\u00edram o Oriente M\u00e9dio, desde a Palestina m\u00e1rtir ao Iraque, Afeganist\u00e3o, L\u00edbia, S\u00edria, L\u00edbano, I\u00eamen, entre outros. Viu-se o retorno aberto da tortura e dos campos de concentra\u00e7\u00e3o (Guantanamo), dos raptos e desaparecimento nas ruas, dos massacres impunes de milhares de crian\u00e7as (como em Gaza). A barb\u00e1rie assumida foi retomada pelos postos de comando do imperialismo.<\/p>\n<p>O imperialismo n\u00e3o mudou<\/p>\n<p>A ideia de que o capitalismo havia mudado ap\u00f3s a II Guerra Mundial, e que se teria tornado mais \u2018social\u2019 e \u2018humano\u2019, fazia t\u00e1bua rasa da hist\u00f3ria da domina\u00e7\u00e3o mundial do capitalismo, das suas guerras e massacres, do uso de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa (qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas e mesmo at\u00f4micas), do exterm\u00ednio de povos inteiros. Quem acreditou na propaganda dos \u2018valores europeus\u2019 esqueceu-se que a Europa foi o ber\u00e7o do colonialismo, do imperialismo e do nazifascismo. O grande capital que lhes deu origem continua l\u00e1. Os \u2018valores europeus\u2019 que permitiram que a mentira atingisse profundidade (como diria Ant\u00f3nio Aleixo) foram o Estado Social e as conquistas civilizacionais do s\u00e9culo XX. Mas estas n\u00e3o eram d\u00e1divas do grande capital europeu, e sim concess\u00f5es impostas pela luta dos povos. Refletiam o impacto da sua consagra\u00e7\u00e3o pioneira pela Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro na R\u00fassia, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as alcan\u00e7ada com a derrota do nazifascismo, a for\u00e7a alcan\u00e7ada pelo movimento oper\u00e1rio e comunista. Com os avan\u00e7os contrarrevolucion\u00e1rios do final do s\u00e9culo XX e a brutal virada na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que acompanhou a queda da URSS e do socialismo na Europa, o grande capital perdeu o medo da revolu\u00e7\u00e3o e voltou \u00e0 ofensiva em todas as frentes.<\/p>\n<p>As m\u00e1scaras ca\u00edram. O genoc\u00eddio dos palestinos n\u00e3o surge num vazio. As declara\u00e7\u00f5es racistas e desumanizadoras dos dirigentes israelenses n\u00e3o s\u00e3o novidade. Os objetivos de ocupa\u00e7\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o t\u00eam muitos antecedentes. \u00c9 a hist\u00f3ria e ess\u00eancia de sempre do imperialismo. Que urge ser derrotado de vez.<\/p>\n<p>Notas<br \/>\n(1) Howard Zinn, A People\u2019s History of the United States, HarperPerennial 1995 (p. 3). Cita\u00e7\u00e3o seguinte pp. 6-7.<br \/>\n(2) Referido na op. cit. de Zinn (p. 86) e em Ann M. Becker, Historical Journal of Massachusetts, Inverno 2017, p. 50. (https:\/\/www.westfield.ma.edu\/historical-journal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/Smallpox-at-the-Siege-of-Boston.pdf).<br \/>\n(3) American Society for Microbiology, Investigating the Smallpox Blanket Controversy, Alicea Hibbard, 2023, https:\/\/asm.org\/articles\/2023\/november\/investigating-the-smallpox-blanket-controversy.<br \/>\n(4) Ver \u00abA escravid\u00e3o e o tr\u00e1fico atl\u00e2ntico\u00bb, in O Militante, N.\u00ba 386, Setembro 2023.<br \/>\n(5) Ver O Fantasma do Rei Leopoldo, Adam Hochschild, Ed. Caminho, 2001.<br \/>\n(6) Basil Davidson, As Ilhas Afortunadas, Ed. Caminho 1988, p. 81.<br \/>\n(7) O PM ingl\u00eas Winston Churchill teve participa\u00e7\u00e3o pessoal na recusa do envio de alimentos para combater a fome de 1943, segundo o seu bi\u00f3grafo Clive Ponting (Churchill, Sinclair-Stevenson, 1994, p. 699). Ponting cita o racismo de Churchill, que descreveu os Indianos como \u00abnojentos, porcos e corruptos\u00bb, que \u00abapenas pela sua multiplica\u00e7\u00e3o desregrada s\u00e3o poupados ao destino que merecem\u00bb (p. 700).<br \/>\n(8) Genocide of Millions of Indians During the British-Raj. 31 Famines under British Colonial Rule, Chaitanya Dav\u00e9, Global Research, 29.8.22.<br \/>\n(9) A partir de 1805 Malthus formou funcion\u00e1rios coloniais brit\u00e2nicos numa institui\u00e7\u00e3o de ensino criada pela East India Company, empresa comercial p\u00fablico-privada que desempenhou papel importante na coloniza\u00e7\u00e3o.<br \/>\n(10) Em Esbo\u00e7o para a Cr\u00edtica da Economia Pol\u00edtica, 1844: https:\/\/www.marxists.org\/archive\/marx\/works\/1844\/df-jahrbucher\/outlines.htm (em ingl\u00eas).<br \/>\n(11) The blood never dried. A People\u2019s History of the British Empire, John Newsinger, 2.\u00aa ed., 2006, Bookmarks Publications, p. 56.<br \/>\n(12) The pol\u00edtics of heroin. CIA complicity in the global drug trade, Alfred McCoy., Ed. Lawrence Hill Books, 2.\u00aa ed., 1993.<br \/>\n(13) Droga, lucros e domina\u00e7\u00e3o, in O Militante, N.\u00ba 386, Setembro de 2023.<br \/>\n(14) Nos 100 anos da I Guerra Mundial, in O Militante, N.\u00ba 331, Julho 2014.<br \/>\n(15) Nos 70 anos da Vit\u00f3ria de 1945 (in O Militante, N.\u00ba 336, Maio 2015) e Verdade hist\u00f3rica \u2013 Apontamentos sobre a II Guerra Mundial (in O Militante, N.\u00ba 362, Setembro 2019). Ver tamb\u00e9m amplos excertos da publica\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica Falsificadores da Hist\u00f3ria, in O Militante, N.\u00ba 366, Maio 2020.<br \/>\n(16) O fascismo na It\u00e1lia (in O Militante, N.\u00ba 383, Mar\u00e7o 2023) e A repress\u00e3o contra o Partido Comunista da Alemanha (in O Militante, N.\u00ba 392, Setembro 2024).<br \/>\n(17) Ver A Guerra de Espanha (1936-1939) \u2013 A agress\u00e3o imperialista, in O Militante, N.\u00ba 313, Julho de 2011.<br \/>\n(18) The Wages of destruction \u2013 The making and breaking of the Nazi economy, Adam Tooze, Penguin Books, 2007, p. 462. Cita\u00e7\u00e3o seguinte na p. 469.<br \/>\n(19) Hiroshima e Nagasaki. O holocausto nuclear, in O Militante, N.\u00ba 385, Julho 2023.<br \/>\n(20) Citado na obra de Ponting, p. 614. Refer\u00eancias seguintes nas pp. 615, 212, 237.<br \/>\n(21) Ver o ex-Ministro da Defesa dos EUA, Robert McNamara, no document\u00e1rio Fog of War, de Errol Morris.<br \/>\n(22) Notes on the Greek Civil War (1946-1949), Partido Comunista da Gr\u00e9cia, 2006, p. 8.<br \/>\n(23) A guerra da Coreia e os perigos atuais na Pen\u00ednsula Coreana, in O Militante, N.\u00ba 311, Mar\u00e7o 2011.<br \/>\n(24) Targeting North Korea, Gregory Elich, dispon\u00edvel em http:\/\/www.globalresearch.ca\/articles\/ELI212A.html<br \/>\n(25) This monstruous war, Wilfred Burchett, Ed. Jospeh Waters 1953, reimpress\u00e3o de Red Star Publisher, 2013.<br \/>\n(26) Report of the International Scientific Commission for the investigation of facts concerning bacterial warfare in Korea and China, 1952, dispon\u00edvel em https:\/\/mronline.org\/wp-content\/uploads\/2017\/ISC%20Executive%20Report%20on%20Biological%20Warfare%20in%20Korea_pp1-61.pdf<br \/>\n(27) Vietname, in O Militante, N.\u00ba 384, Maio 2023.<br \/>\n(28) O genoc\u00eddio indon\u00e9sio de 1965, in O Militante, N.\u00ba 338, Setembro 2015.<br \/>\n(29) Edi\u00e7\u00e3o portuguesa da Temas e Debates e C\u00edrculo dos Leitores, 2022.<br \/>\n(30) A destrui\u00e7\u00e3o da Jugosl\u00e1via, in O Militante, N.\u00ba 381, Novembro 2022.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.omilitante.pcp.pt\/pt\/400\/Internacional\/2238\/?tpl=142\">https:\/\/www.omilitante.pcp.pt\/pt\/400\/Internacional\/2238\/?tpl=142<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33576\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[65,10],"tags":[233],"class_list":["post-33576","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-6a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8Jy","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33576","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33576"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33576\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33578,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33576\/revisions\/33578"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}