{"id":33595,"date":"2026-02-03T14:48:01","date_gmt":"2026-02-03T17:48:01","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33595"},"modified":"2026-02-03T14:48:01","modified_gmt":"2026-02-03T17:48:01","slug":"nao-temos-tempo-de-ter-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33595","title":{"rendered":"N\u00e3o temos tempo de ter medo!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33596\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33595\/attachment\/1000133463\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1000133463.jpg?fit=1131%2C1600&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1131,1600\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"1000133463\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1000133463.jpg?fit=636%2C900&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-33596\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1000133463.jpg?resize=636%2C900&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"636\" height=\"900\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1000133463.jpg?resize=636%2C900&amp;ssl=1 636w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1000133463.jpg?resize=212%2C300&amp;ssl=1 212w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1000133463.jpg?resize=768%2C1086&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1000133463.jpg?resize=1086%2C1536&amp;ssl=1 1086w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/1000133463.jpg?w=1131&amp;ssl=1 1131w\" sizes=\"auto, (max-width: 636px) 100vw, 636px\" \/><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>N\u00e3o me falaram que era para ter medo&#8230; Ent\u00e3o enfrentei.<br \/>\nSem tempo para ter medo, o Comuna ocupa tudo no Carnaval<\/p>\n<p>Heitor Cesar Ribeiro &#8211; membro do Comit\u00ea Central do PCB e um dos Fundadores do Comuna que Pariu<br \/>\nBil Rait Buchecha &#8211; membro do Comit\u00ea Regional do PCB-RJ e mestre de Bateria do Comuna que Pariu<\/p>\n<p>Em tempos de ofensiva conservadora e recrudescimento autorit\u00e1rio na Am\u00e9rica Latina, o carnaval pode voltar a cumprir um de seus pap\u00e9is mais profundos: falar s\u00e9rio sem perder a brincadeira, vir a ser uma trincheira simb\u00f3lica da democracia, da mem\u00f3ria e da luta popular, ou seja, uma eficiente arma da cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Quando os surdos tocam, atendendo o chamado do repique, e as caixas, os chocalhos e os tamborins jogam o molho ecoados pelos solu\u00e7os da cu\u00edca, n\u00e3o se trata apenas de festa \u2014 trata-se de uma forma hist\u00f3rica de resist\u00eancia cultural, n\u00e3o apenas diante da ind\u00fastria cultural e seus modismos impostos, mas tamb\u00e9m diante da viol\u00eancia pol\u00edtica, do autoritarismo e da press\u00e3o imperialista que, ontem como hoje, tentam impor sil\u00eancio aos povos do continente.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio internacional \u00e9 adverso. A pol\u00edtica externa dos EUA segue reafirmando velhos padr\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o: a permanente hostilidade contra Cuba, a escalada de san\u00e7\u00f5es e ataques \u00e0 Venezuela, a normaliza\u00e7\u00e3o da inger\u00eancia em processos internos de pa\u00edses latino-americanos. Ao mesmo tempo, assistimos \u00e0 ascens\u00e3o de for\u00e7as de extrema direita que combinam neoliberalismo radical, conservadorismo moral e autoritarismo pol\u00edtico \u2014 como se v\u00ea na Argentina de Milei, no Chile com a vit\u00f3ria de Kast e nos pr\u00f3prios EUA, com o retorno ainda mais forte do fantasma trumpista. S\u00e3o tempos dif\u00edceis para a alegria, poesia e para o amor.<\/p>\n<p>O Brasil recente espelha essa complexa conjuntura. A tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 n\u00e3o foi um del\u00edrio isolado, mas o desfecho de um ciclo de radicaliza\u00e7\u00e3o da extrema direita, alimentado por discursos de \u00f3dio, revisionismo hist\u00f3rico, pela p\u00f3s-verdade e p\u00f3s- l\u00f3gica e, tamb\u00e9m, nostalgia da ditadura militar. Diante disso, o carnaval popular tamb\u00e9m pode se converter em espa\u00e7o de mem\u00f3ria e palavra ativa: lembrar para n\u00e3o repetir, cantar para n\u00e3o esquecer, denunciar para que n\u00e3o haja anistia moral ou jur\u00eddica aos que atentaram contra as liberdades democr\u00e1ticas, afinal, devemos ampliar o sentimento de ditadura nunca mais.<\/p>\n<p>A exig\u00eancia de puni\u00e7\u00e3o aos golpistas n\u00e3o \u00e9 vingan\u00e7a \u2014 \u00e9 compromisso civilizat\u00f3rio. Pa\u00edses que flertam com a impunidade de crimes pol\u00edticos acabam naturalizando a viol\u00eancia institucional. A experi\u00eancia latino-americana ensina: onde n\u00e3o houve justi\u00e7a na redemocratiza\u00e7\u00e3o, a extrema direita sempre encontrou terreno f\u00e9rtil para voltar. O samba que denuncia o fascismo \u00e9, nesse sentido, mais do que m\u00fasica: \u00e9 pedagogia pol\u00edtica popular.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a cultura popular n\u00e3o pode se limitar a ser ornamento, mas sim, se afirmar como territ\u00f3rio de disputa pol\u00edtica. O carnaval, sobretudo o carnaval de rua, \u00e9 um desses espa\u00e7os onde o povo n\u00e3o apenas celebra, mas elabora coletivamente sua dor, seu lamento, sua mem\u00f3ria e sua indigna\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m sua esperan\u00e7a, seus amores e seus sonhos sonhados. Desde os ranchos e cord\u00f5es do in\u00edcio do s\u00e9culo XX at\u00e9 os blocos politizados de hoje, a folia sempre foi lugar de s\u00e1tira, den\u00fancia e resist\u00eancia \u2014 contra o racismo, contra a repress\u00e3o, contra a mis\u00e9ria e contra o autoritarismo.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa tradi\u00e7\u00e3o que se insere o enredo do Comuna que Pariu no Rio de Janeiro: \u201cN\u00e3o temos tempo de ter medo\u201d. A frase sintetiza nosso sentimento pol\u00edtico que atravessa gera\u00e7\u00f5es: quando o fascismo bate na porta, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para neutralidade. N\u00e3o ter tempo de ter medo \u00e9 escolher a coragem coletiva em vez da paralisia individual; \u00e9 afirmar que a luta democr\u00e1tica n\u00e3o se faz apenas nos parlamentos e pal\u00e1cios, mas tamb\u00e9m nas ruas, nas pra\u00e7as e nos batuques.<\/p>\n<p>Mas a luta n\u00e3o se limita \u00e0s fronteiras nacionais. Quando um bloco canta contra a extrema direita no Brasil, ele tamb\u00e9m canta contra o avan\u00e7o autorit\u00e1rio no continente. Canta contra a criminaliza\u00e7\u00e3o da esquerda no Chile, contra o cerco permanente a Cuba, contra a demoniza\u00e7\u00e3o da Venezuela e contra a tentativa de transformar a Am\u00e9rica Latina em quintal geopol\u00edtico dos EUA. O carnaval, nesse sentido, internacionaliza a resist\u00eancia \u2014 faz da alegria uma forma de solidariedade entre os povos, afinal, em tempos de \u00f3dio, o amor, mais do que nunca, \u00e9 revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao cantar \u201cN\u00e3o temos tempo de ter medo\u201d, o carnaval popular faz mais do que protestar. Ele afirma atrav\u00e9s da alegria: que a democracia se defende com organiza\u00e7\u00e3o, com mem\u00f3ria, com repara\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a e com cultura. Em tempos de fake news, discursos de \u00f3dio e naturaliza\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie, a arte volta a ser uma linguagem pol\u00edtica fundamental na batalha das ideias \u2014 n\u00e3o como panfleto raso, mas como constru\u00e7\u00e3o sens\u00edvel de consci\u00eancia social.<\/p>\n<p>Talvez seja essa a maior for\u00e7a do carnaval: ele n\u00e3o imp\u00f5e, convida; n\u00e3o ordena, provoca; n\u00e3o amea\u00e7a, mobiliza. E justamente por isso se torna t\u00e3o perigoso para os autorit\u00e1rios. Onde h\u00e1 gente dan\u00e7ando, cantando e rindo coletivamente, h\u00e1 tamb\u00e9m gente pensando, lembrando e resistindo.<\/p>\n<p>No Brasil, no Chile, em Cuba, na Venezuela e em toda a Am\u00e9rica Latina, o futuro democr\u00e1tico n\u00e3o se constr\u00f3i apenas nos pal\u00e1cios \u2014 constr\u00f3i-se tamb\u00e9m nas ruas, nos blocos e nas baterias. Em cada samba que denuncia o fascismo, em cada estandarte que defende a liberdade, em cada corpo que ocupa a cidade com alegria insurgente, pulsa uma certeza hist\u00f3rica: o carnaval n\u00e3o \u00e9 fuga \u2014 \u00e9 trincheira.<\/p>\n<p>O amor que sentimos pela nossa classe, pela nossa gente, vai transbordar pelas esquinas, fortalecendo la\u00e7os e potencializando a coragem de resistir e de construir o novo.<\/p>\n<p><strong>Vem com a gente que a rua \u00e9 nosso territ\u00f3rio. Vem com a gente dizer que seguimos de p\u00e9, de cabe\u00e7a erguida e sem medo.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33595\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[13,50],"tags":[225],"class_list":["post-33595","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s14-cultura","category-c61-cultura-revolucionaria","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8JR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33595"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33595\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33597,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33595\/revisions\/33597"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}