{"id":33624,"date":"2026-02-07T19:50:41","date_gmt":"2026-02-07T22:50:41","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33624"},"modified":"2026-02-07T19:50:41","modified_gmt":"2026-02-07T22:50:41","slug":"a-subordinacao-estrutural-da-economia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33624","title":{"rendered":"A subordina\u00e7\u00e3o estrutural da economia brasileira"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33625\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33624\/blog-capital-estrangeiro-1080x627\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/blog-capital-estrangeiro-1080x627-1.jpg?fit=975%2C484&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"975,484\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"blog-capital-estrangeiro-1080&amp;#215;627\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/blog-capital-estrangeiro-1080x627-1.jpg?fit=747%2C371&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-33625\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/blog-capital-estrangeiro-1080x627-1.jpg?resize=747%2C371&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"371\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/blog-capital-estrangeiro-1080x627-1.jpg?resize=900%2C447&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/blog-capital-estrangeiro-1080x627-1.jpg?resize=300%2C149&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/blog-capital-estrangeiro-1080x627-1.jpg?resize=768%2C381&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/blog-capital-estrangeiro-1080x627-1.jpg?w=975&amp;ssl=1 975w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Edmilson Costa*<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que muitos imaginam, nem sempre um grande super\u00e1vit comercial \u00e9 apropriado internamente pelo Brasil. Muito embora o pa\u00eds tenha registrado um elevado saldo na balan\u00e7a comercial em 2025, grande parte desse saldo pode n\u00e3o permanecer no circuito econ\u00f4mico nacional porque muitas das empresas p\u00fablicas brasileiras foram privatizadas nas \u00faltimas d\u00e9cadas, al\u00e9m do fato de que a pol\u00edtica neoliberal implantada a partir dos anos 90 conduziu a um processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o nacional, fatores que deixaram o brasil dependente das estruturas comerciais, tecnol\u00f3gicas e financeiras do capital internacional. Um dado aparentemente paradoxal \u00e9 o fato de que o Brasil alcan\u00e7ou um super\u00e1vit comercial de cerca de U$ 60 bilh\u00f5es, um resultado muito significativo. No entanto, se olharmos o conjunto das contas do setor externo brasileiro, veremos que esse resultado foi anulado por um d\u00e9ficit de magnitude maior na balan\u00e7a de transa\u00e7\u00f5es correntes (US$ 68,8 bilh\u00f5es), resultado que, na pr\u00e1tica, deixa o Brasil como na\u00e7\u00e3o devedora no balan\u00e7o das contas externas (Tabela 1).<\/p>\n<table style=\"font-weight: 400;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"5\" width=\"670\"><strong><b>Tabela 1 \u2013 Balan\u00e7a de transa\u00e7\u00f5es correntes \u2013 2025 (US$ milh\u00f5es)<\/b><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"3\" width=\"274\">\u00a0\u00a0\u00a0<strong><b>Transa\u00e7\u00f5es correntes<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"194\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0-68 791<\/td>\n<td width=\"201\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"3\" width=\"274\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0Balan\u00e7a comercial (bens)<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"194\">59 952<\/td>\n<td width=\"201\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"261\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Exporta\u00e7\u00f5es<\/td>\n<td width=\"12\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"194\">350 899<\/td>\n<td width=\"201\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"261\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Importa\u00e7\u00f5es<\/td>\n<td width=\"12\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"194\">290 947<\/td>\n<td width=\"201\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"248\">\u00a0\u00a0\u00a0<strong><b>Servi\u00e7os<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"12\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"12\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"194\">-52 940<\/td>\n<td width=\"201\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"261\">\u00a0\u00a0\u00a0<strong><b>Renda prim\u00e1ria<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"12\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"194\">-81 347<\/td>\n<td width=\"201\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"261\">\u00a0\u00a0\u00a0<strong><b>Renda secund\u00e1ria<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"12\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"194\">5 543<\/td>\n<td width=\"201\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"4\" width=\"468\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Fonte: Banco Central. Estat\u00edsticas do setor externo<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Neste artigo vamos abordar a mec\u00e2nica desse fen\u00f4meno, que \u00e9 um dos mais dram\u00e1ticos e menos conhecidos da economia brasileira, tanto em fun\u00e7\u00e3o das especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas do problema, o que dificulta a compreens\u00e3o por parte do p\u00fablico em geral, mas principalmente porque \u00e9 politicamente inconveniente para as autoridades governamentais tratar publicamente esse problema, pois a balan\u00e7a de transa\u00e7\u00f5es correntes ou conta do setor externo brasileiro constitui um dos n\u00facleos centrais da subordina\u00e7\u00e3o da economia brasileira ao capital estrangeiro. Essa conta registra todas as transa\u00e7\u00f5es entre o Brasil e o resto do mundo ou, mais tecnicamente, \u00e9 o principal agregado do setor externo que contabiliza, em determinado per\u00edodo (m\u00eas, trimestre, ano), as transa\u00e7\u00f5es entre residentes do Pa\u00eds e n\u00e3o residentes e envolve os fluxos de bens e servi\u00e7os, rendas e transfer\u00eancias correntes. Em termos pol\u00edticos, a balan\u00e7a de transa\u00e7\u00f5es correntes mede a inser\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds na divis\u00e3o internacional do trabalho e o grau de depend\u00eancia ou autonomia em rela\u00e7\u00e3o ao capital internacional. Quando o Pa\u00eds obt\u00e9m superavit nas transa\u00e7\u00f5es correntes significa que \u00e9 credor l\u00edquido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras na\u00e7\u00f5es; quando \u00e9 deficit\u00e1rio, necessita de financiamento para cobrir o d\u00e9ficit.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como fui professor de disciplina de Contabilidade Nacional vou procurar explicar de forma did\u00e1tica cada uma das principais vari\u00e1veis dessas transa\u00e7\u00f5es e, num segundo momento, tirar conclus\u00f5es sobre as implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas que cada uma das vari\u00e1veis dessa conta implica na economia do Pa\u00eds, nas rela\u00e7\u00f5es com o exterior e na vida cotidiana das pessoas, de forma a que todos possam entender os gargalos estruturais da economia brasileira. A balan\u00e7a de transa\u00e7\u00f5es correntes \u00e9 um bom posto de observa\u00e7\u00e3o para avaliarmos as rela\u00e7\u00f5es do Pa\u00eds com o resto do mundo. Ent\u00e3o vejamos: a estrutura geral da balan\u00e7a de transa\u00e7\u00f5es correntes \u00e9 composta de quatro grandes contas: balan\u00e7a comercial; balan\u00e7a de servi\u00e7os; renda prim\u00e1ria e transfer\u00eancias correntes ou renda secund\u00e1ria. Essas quatro vari\u00e1veis medem a posi\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds nas suas rela\u00e7\u00f5es com o exterior, ou seja, aferem se o Pa\u00eds \u00e9 credor ou devedor em rela\u00e7\u00e3o ao resto do mundo. Consequentemente, definem a capacidade ou necessidade de financiamento externo da economia e, principalmente, revelam o grau de subordina\u00e7\u00e3o estrutural da economia brasileira em rela\u00e7\u00e3o ao capital financeiro internacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Observemos agora cada uma das contas da balan\u00e7a de transa\u00e7\u00f5es correntes e seus aspectos econ\u00f4micos e pol\u00edticos. Primeiro, a balan\u00e7a comercial, que \u00e9 a conta mais conhecida: registra as exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es do Pa\u00eds. Ao longo de 2025 o Brasil exportou US$ 350.899 bilh\u00f5es e importou US$ 290.947 bilh\u00f5es, o que resultou num saldo de US$ 59.952 bilh\u00f5es, fato que significa um montante muito expressivo, embora a maioria desse saldo seja resultado da venda de produtos prim\u00e1rios e bens manufaturados de segunda ordem. Outro dado positivo nas transa\u00e7\u00f5es correntes foi alcan\u00e7ado na Renda Secund\u00e1ria ou Transfer\u00eancias correntes, que envolvem as remessas de imigrantes para fam\u00edlias no Brasil, transfer\u00eancias de estrangeiros para o exterior e transfer\u00eancias governamentais, como doa\u00e7\u00f5es internacionais, contribui\u00e7\u00f5es com organismos multilaterais e ajuda humanit\u00e1ria. O resultado dessas duas vari\u00e1veis das transa\u00e7\u00f5es correntes foi um saldo positivo de US$ 5.543 bilh\u00f5es. Ou seja, somando-se os dois saldos encontraremos um superavit de US$ 65.495 bilh\u00f5es. Como veremos mais adiante, esse resultado, largamente positivo, foi inteiramente drenado pelo d\u00e9ficit nas demais contas.<\/p>\n<p>Vejamos agora as outras duas contas que acumulam um enorme d\u00e9ficit e representam efetivamente a subordina\u00e7\u00e3o estrutural da economia brasileira ao capital internacional. A Balan\u00e7a de servi\u00e7os envolve um conjunto de subitens, como fretes e seguros relacionados ao com\u00e9rcio exterior, o que significa que h\u00e1 uma predomin\u00e2ncia de empresas estrangeiras no transporte mar\u00edtimo do Brasil; servi\u00e7os empresariais, profissionais e t\u00e9cnicos, como engenharia, auditoria, servi\u00e7os corporativos, etc, o que expressa a depend\u00eancia de conhecimento externo especializado; propriedade intelectual, como patentes e marcas e direitos autorais, que por sua vez revela uma depend\u00eancia tecnol\u00f3gica do Pa\u00eds; e taxas, seguros e resseguros e servi\u00e7os financeiros, que reflete a inser\u00e7\u00e3o do sistema financeiro nacional no circuito global. A Balan\u00e7a de Servi\u00e7os registrou, em 2025, um d\u00e9ficit de US$ 52,9 bilh\u00f5es. O resultado dessa conta representa n\u00e3o s\u00f3 uma restri\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do Pa\u00eds no sentido de desenvolver um complexo tecnol\u00f3gico aut\u00f4nomo, mas principalmente o controle do conhecimento pelos monop\u00f3lios (Tabela 2).<\/p>\n<table style=\"font-weight: 400;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"514\"><strong><b>Tabela 2 &#8211; Balan\u00e7a de Servi\u00e7os, 2025 (US$ milh\u00f5es)<\/b><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0Total<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"71\"><strong><b>-52 940<\/b><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"71\"><strong><b>51 829<\/b><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"71\"><strong><b>104 768<\/b><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\"><strong><b>\u00a0\u00a0Transportes<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"71\">-14 348<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"71\">7 344<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"71\">21 693<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0Viagens<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"71\">-13 850<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"71\">7 865<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"71\">21 715<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0Seguros<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"71\">-1 450<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"71\">1 005<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"71\">2 454<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0Servi\u00e7os financeiros<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"71\">1 211<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"71\">2 039<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"71\">\u00a0828<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0Servi\u00e7os de propriedade intelectual<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"71\">-11 166<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"71\">1 164<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"71\">12 331<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0Telecomunica\u00e7\u00e3o, computa\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00f5es<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"71\">-8 372<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"71\">7 441<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"71\">15 812<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0Aluguel de equipamentos<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"71\">-11 881<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"71\">\u00a0219<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"71\">12 100<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0Outros servi\u00e7os de neg\u00f3cio<\/b><\/strong><strong><sup><b>1\/<\/b><\/sup><\/strong><\/td>\n<td width=\"71\">6 938<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"71\">21 061<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"71\">14 123<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0Servi\u00e7os culturais, pessoais e recreativos<\/b><\/strong><strong><sup><b>2\/<\/b><\/sup><\/strong><\/td>\n<td width=\"71\">\u00a0176<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"71\">1 020<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"71\">\u00a0845<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0Servi\u00e7os governamentais<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"71\">-1 477<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"71\">\u00a0885<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"71\">2 362<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\"><strong><b>\u00a0\u00a0Demais servi\u00e7os<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"71\">1 279<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"71\">1 785<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"71\">\u00a0507<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"442\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Fonte: Banco Central. Estat\u00edsticas do setor externo<\/td>\n<td width=\"71\">&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Mas a conta onde o Brasil apresenta o maior d\u00e9ficit \u00e9 na Renda Prim\u00e1ria, que registra os fluxos de renda associados \u00e0 posse de fatores de produ\u00e7\u00e3o estrangeiros no interior do Pa\u00eds, que envolvem \u00e0 remessa de lucros e dividendos de empresas de propriedade internacional instalada no Pa\u00eds e ao elevado estoque de investimento externo direto, al\u00e9m do pagamento de juros sobre a d\u00edvida externa p\u00fablica e privada, entre outros. O d\u00e9ficit na conta de Renda Prim\u00e1ria alcan\u00e7ou, em 2025, US$ 81,3 bilh\u00f5es, revelando que somente essa conta apresenta um d\u00e9ficit muito maior do que o saldo da balan\u00e7a comercial e das transfer\u00eancias correntes juntas (Tabela 3). Em outros termos, essas duas \u00faltimas contas representam uma enorme transfer\u00eancia de valor do Brasil para o capital internacional e uma esp\u00e9cie de espelho da inser\u00e7\u00e3o subordinada do Pa\u00eds na divis\u00e3o internacional monopolista do trabalho.<\/p>\n<table style=\"font-weight: 400;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"499\"><strong><b>Tabela 3 &#8211; Renda Prim\u00e1ria &#8211; 2025 (US$ milh\u00f5es)<\/b><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Total<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"174\"><strong><b>-81 347<\/b><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"174\"><strong><b>33 708<\/b><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"174\"><strong><b>115 055<\/b><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Remunera\u00e7\u00e3o de empregados<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"174\">\u00a0361<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"174\">\u00a0531<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"174\">\u00a0170<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Renda de investimentos<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"174\">-81 707<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Renda de investimento direto<\/td>\n<td width=\"174\">-62 257<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Lucros e dividendos<\/td>\n<td width=\"174\">-47 511<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Lucros e dividendos remetidos<\/td>\n<td width=\"174\">-39 599<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"174\">4 444<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"174\">44 043<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Lucros reinvestidos<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"174\">-7 912<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"174\">17 482<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"174\">25 395<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Juros de opera\u00e7\u00f5es intercompanhia<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"174\">-14 745<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"174\">\u00a0110<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"174\">14 856<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Renda de investimento em carteira<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"174\">-14 337<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Lucros e dividendos<\/td>\n<td width=\"174\">-6 098<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"174\">\u00a0321<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"174\">6 419<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Juros de t\u00edtulos negociados no mercado externo<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"174\">-3 893<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"174\">1 101<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"174\">4 993<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Juros de t\u00edt. Neg. no merc. dom\u00e9stico \u2013 despesas<\/td>\n<td width=\"174\">-4 346<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\"><strong><b>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Renda de outros investimentos (juros)<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"174\">-14 030<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"174\">\u00a0803<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"174\">14 833<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Renda de reservas \u2013 receitas<\/td>\n<td width=\"174\">8 916<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Demais rendas prim\u00e1rias<\/td>\n<td width=\"174\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0&#8211;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"174\">&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Memo (Informa\u00e7\u00f5es complementares)<\/td>\n<td width=\"174\">&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Juros<\/td>\n<td width=\"174\">-28 098<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"174\">10 930<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/td>\n<td width=\"174\">39 028<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Lucros e dividendos<\/td>\n<td width=\"174\">-53 609<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Receitas<\/td>\n<td width=\"174\">22 248<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Despesas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<td width=\"174\">75 857<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Fonte: Banco Central. Estat\u00edsticas do setor externo<\/td>\n<td width=\"174\">&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"324\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"174\">&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A depend\u00eancia e os gargalos estruturais<\/p>\n<p>Os dados negativos estruturais da balan\u00e7a de transa\u00e7\u00f5es correntes do Brasil decorrem de um conjunto de problemas com ra\u00edzes hist\u00f3ricas: a) o controle de setores din\u00e2micos da economia pelo capital internacional; b) o monop\u00f3lio tecnol\u00f3gico que restringe um desenvolvimento aut\u00f4nomo e drena para o exterior parte da renda gerada internamente; c) o controle dos circuitos da circula\u00e7\u00e3o de comercializa\u00e7\u00e3o pelo capital internacional; d) e a especializa\u00e7\u00e3o prim\u00e1rio-exportadora atual. Em termos de economia pol\u00edtica, o resultado da balan\u00e7a de transa\u00e7\u00f5es correntes representa uma esp\u00e9cie de mapa cont\u00e1bil das rela\u00e7\u00f5es de subordina\u00e7\u00e3o, da superexplora\u00e7\u00e3o, al\u00e9m das contradi\u00e7\u00f5es de classe em escala internacional, pois o capital estrangeiro, mediante seus tent\u00e1culos internos e externos, se apropria do mais-valor produzido no interior do pa\u00eds e amplia a subordina\u00e7\u00e3o da economia brasileira aos centros mundiais do capital, cujo resultado \u00e9 a reprimariza\u00e7\u00e3o da economia e a regressividade social da na\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia de a nossa economia apresentar um elevado super\u00e1vit comercial e ainda assim constatar constrangedoramente que esse enorme volume de recursos \u00e9 tragado pelos d\u00e9ficits na conta de servi\u00e7os e na renda prim\u00e1ria, significa especialmente que o Brasil n\u00e3o controla as alavancas superiores da acumula\u00e7\u00e3o mundial, que envolve tecnologia, finan\u00e7as, log\u00edstica, marcas e patentes, plataformas digitais, frete e seguros, propriedade intelectuais, etc. Ou seja, isso demonstra que o pa\u00eds realiza parte do valor no mercado internacional atrav\u00e9s das exporta\u00e7\u00f5es, mas a apropria\u00e7\u00e3o final do excedente \u00e9 condicionada pelas rela\u00e7\u00f5es de propriedade e de monop\u00f3lio que operam acima dos interesses nacionais. A grande fragilidade dessa rela\u00e7\u00e3o se aprofundou com as privatiza\u00e7\u00f5es da economia brasileira, especialmente no governo FHC, cujo processo aprofundou ainda mais a desnacionaliza\u00e7\u00e3o da economia, o dom\u00ednio do capital monopolista nacional e internacional e criou a armadilha de d\u00e9ficits permanentes nas transa\u00e7\u00f5es correntes (Tabela 4).<\/p>\n<table style=\"font-weight: 400;\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"8\" width=\"504\"><strong><b>Tabela 4 &#8211; Perfil dos compradores das empresas P\u00fablicas, 1995 \u2013 2002<\/b><\/strong><\/p>\n<p><strong><b>(U$ bilh\u00f5es)<\/b><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"143\"><strong><b>\u00a0<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"203\"><strong><b>Receita<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\"><strong><b>\u00a0<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"105\"><strong><b>(%)<\/b><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"3\" width=\"164\"><strong><b>Investidores estrangeiros<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\"><strong><b>\u00a0<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"203\">41,7<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"105\">53<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"153\"><strong><b>Empresas nacionais<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\"><strong><b>\u00a0<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"203\">20,8<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"105\">26<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"3\" width=\"164\"><strong><b>Setor financeiro nacional<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\"><strong><b>\u00a0<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"203\">5,3<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"105\">7<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"153\"><strong><b>Pessoas f\u00edsicas<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\"><strong><b>\u00a0<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"203\">6,3<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"105\">8<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\" width=\"153\"><strong><b>Fundos de pens\u00e3o<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\"><strong><b>\u00a0<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"203\">4,6<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"105\">6<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"143\"><strong><b>Total<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\"><strong><b>\u00a0<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"203\"><strong><b>78,9<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"10\"><strong><b>\u00a0<\/b><\/strong><\/td>\n<td width=\"105\"><strong><b>100<\/b><\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"3\" width=\"164\">Fonte: Terra\u00e7o Econ\u00f4mico<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"203\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"10\">&nbsp;<\/td>\n<td width=\"105\">&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Em outras palavras, muito embora o Brasil tenha obtido, em 2025, um elevado super\u00e1vit comercial, esse resultado positivo \u00e9 cada vez menos apropriado pela economia brasileira. Al\u00e9m disso, grande parte desse super\u00e1vit foi obtido com as exporta\u00e7\u00f5es de commodities, um processo que, al\u00e9m de colocar o pa\u00eds na armadilha da especializa\u00e7\u00e3o prim\u00e1rio-exportadora, gera dois problemas estruturais: a) vulnerabilidade em rela\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os internacionais, que oscilam frequentemente e deixam o saldo comercial inst\u00e1vel; b) a produ\u00e7\u00e3o de commodities, al\u00e9m de n\u00e3o gerar encadeamentos tecnol\u00f3gicos como na ind\u00fastria, refor\u00e7a a importa\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas, equipamentos e insumos, intensificando o processo de reprimariza\u00e7\u00e3o da economia e evidenciando a forma pela qual o capitalismo internacional organiza a produ\u00e7\u00e3o mundial: os pa\u00edses da periferia fornecem mat\u00e9rias primas e energia e os pa\u00edses centrais monopolizam os produtos manufaturados, a ci\u00eancia e tecnologia e as finan\u00e7as.<\/p>\n<p>Outro dos gargalos estruturais da economia brasileira se pode observar na conta renda prim\u00e1ria. Isso porque, com a privatiza\u00e7\u00e3o das antigas empresas p\u00fablicas brasileiras, o capital internacional passou a deter parcela expressiva do aparelho produtivo nacional e, dessa forma, obteve o direito de enviar para o exterior lucros e dividendos, processo que se transformou num grande canal de drenagem do excedente econ\u00f4mico para fora do pa\u00eds. Ou seja, em termos econ\u00f4micos, as rela\u00e7\u00f5es de propriedade e o controle dos monop\u00f3lios sobre setores estrat\u00e9gicos produtivos a que est\u00e1 submetida a economia brasileira resulta num mecanismo cl\u00e1ssico de depend\u00eancia: produz-se internamente, mas acumula-se no exterior, o que tende a perpetuar os crescentes d\u00e9ficits nas transa\u00e7\u00f5es correntes.<\/p>\n<p>O segundo mecanismo do d\u00e9ficit estrutural ocorre na conta servi\u00e7os (fretes, seguros, viagens internacionais, royalties, patentes, licen\u00e7as etc,), vari\u00e1vel que reflete a dificuldade de o Brasil desenvolver uma tecnologia aut\u00f4noma. Essa conta tamb\u00e9m evidencia outra face da subordina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, em fun\u00e7\u00e3o de o Estado brasileiro, a servi\u00e7o dos interesses capitalistas, ter desnacionalizado a frota da marinha mercante e, assim, o com\u00e9rcio exterior se tornou ref\u00e9m das empresas de log\u00edstica e seguros internacionais. Ressalte-se ainda que o pagamento por propriedade intelectual demonstra mais uma forma moderna de depend\u00eancia qualitativamente superior, na qual a transfer\u00eancia de valor n\u00e3o ocorre apenas pela troca desigual de mercadorias, mas pelo controle monopolista do conhecimento. Ou seja, no capitalismo contempor\u00e2neo a propriedade intelectual funciona como mecanismo de controle dos est\u00e1gios superiores da produ\u00e7\u00e3o mundial, fato que limita estruturalmente as possibilidades de um desenvolvimento interno da tecnologia.<\/p>\n<p>Durante muitos anos se justificou a busca do investimento externo direto (IED) como uma forma de desenvolvimento perif\u00e9rico, uma vez que esse capital criava produ\u00e7\u00e3o interna e gerava desenvolvimento econ\u00f4mico. Isso pode at\u00e9 conter certos elementos de verdade, mas nas economias subordinadas, o IED aumenta o estoque de capital estrangeiro controlando setores estrat\u00e9gicos da economia, o que resulta na amplia\u00e7\u00e3o do passivo externo, ou seja, na remessa de lucros e dividendos para o exterior. Al\u00e9m disso, o IED geralmente traz tecnologia \u201ccaixa preta\u201d: o pa\u00eds recebe a planta, mas n\u00e3o obt\u00e9m o comando do conhecimento. Na fase atual do capitalismo, o IED tem ainda mudado de qualidade: em vez de aumentar a produ\u00e7\u00e3o, adquire ativos j\u00e1 existentes no interior da na\u00e7\u00e3o e vincula esses ativos \u00e0s cadeias produtivas no exterior, aprofundando a subordina\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do ponto de vista da economia pol\u00edtica, a balan\u00e7a de transa\u00e7\u00f5es correntes \u00e9 muito mais que um registro cont\u00e1bil das rela\u00e7\u00f5es do Brasil com o exterior: essa conta revela como a lei do valor opera em escala internacional nas condi\u00e7\u00f5es impostas pelo sistema imperialista de domina\u00e7\u00e3o. Os dados analisados demonstram que o d\u00e9ficit estrutural significa a express\u00e3o monet\u00e1ria da enorme transfer\u00eancia de valor do Brasil para os centros do capitalismo mundial. Ou melhor, a lei do valor, mediada pelas rela\u00e7\u00f5es do grande capital monopolista, funciona para bloquear a transforma\u00e7\u00e3o do excedente gerado internamente em base de acumula\u00e7\u00e3o nacional, ao mesmo tempo em que, mantidas essas rela\u00e7\u00f5es, as estrat\u00e9gias que busquem expandir as exporta\u00e7\u00f5es ou atrair capitais externos, sem alterar as rela\u00e7\u00f5es de propriedade e o controle dos recursos estrat\u00e9gicos do pa\u00eds, tendem apenas a reproduzir tais mecanismos de subordina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa subordina\u00e7\u00e3o combina tr\u00eas fen\u00f4menos h\u00e1 muito observados pelos te\u00f3ricos marxistas e mesmo n\u00e3o marxistas: a) a troca desigual, j\u00e1 identificada por Prebisch, Marini e Amin, a partir da qual os pa\u00edses perif\u00e9ricos exportam grande volume de produtos prim\u00e1rios e importam produtos manufaturados intensivos de conhecimento e tecnologia; b) a esse processo pode-se adicionar a superexplora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, que permite elevar a taxa de mais-valor, mas isso n\u00e3o se traduz efetivamente em acumula\u00e7\u00e3o interna porque o excedente \u00e9 transferido para o exterior pelas rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o do grande capital monopolista; c) como terceiro fator, pode-se acrescentar o monop\u00f3lio do conhecimento e da propriedade intelectual, que \u00e9 a forma superior de domina\u00e7\u00e3o, mecanismo que assegura permanentemente renda aos monop\u00f3lios internacionais.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, a reprimariza\u00e7\u00e3o da economia que est\u00e1 ocorrendo no Brasil e a emerg\u00eancia do padr\u00e3o prim\u00e1rio-exportador, longe de ser um fen\u00f4meno conjuntural, \u00e9 a base material da subordina\u00e7\u00e3o da economia brasileira, processo que limita crescentemente a produ\u00e7\u00e3o industrial interna, especialmente nas fronteiras tecnol\u00f3gicas, refor\u00e7a a importa\u00e7\u00e3o de bens de capital, insumos e tecnologia e aprofunda a vulnerabilidade externa diante das oscila\u00e7\u00f5es do mercado mundial de commodities, como ocorreu na d\u00e9cada passada. Portanto, a supera\u00e7\u00e3o desses gargalos estruturais n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o t\u00e9cnica, mas uma decis\u00e3o hist\u00f3rica e pol\u00edtica vinculada \u00e0 necessidade de romper com a depend\u00eancia econ\u00f4mica e com a inser\u00e7\u00e3o subordinada do Brasil na divis\u00e3o internacional do trabalho. Dito de outra forma: enquanto o pa\u00eds n\u00e3o recuperar o controle de sua produ\u00e7\u00e3o, reconstruir sua capacidade industrial e tecnol\u00f3gica, romper as rela\u00e7\u00f5es subordinadas com os circuitos superiores da acumula\u00e7\u00e3o e garantir sal\u00e1rios dignos aos\/\u00e0s trabalhadores\/as, permanecer\u00e1 preso \u00e0s armadilhas do grande capital. \u00c9 necess\u00e1rio lutar por um projeto de desenvolvimento anticapitalista e anti-imperialista, baseado nos interesses populares e da classe trabalhadora, na perspectiva da constru\u00e7\u00e3o do socialismo, que seja capaz de transformar o imenso potencial do Brasil em realidade concreta para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>*Edmilson Costa \u00e9 doutor em economia pela Unicamp e Secret\u00e1rio Geral do PCB.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33624\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[385,383],"tags":[222],"class_list":["post-33624","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica-da-economia-politica","category-pronunciamentos-da-secretaria-geral","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8Kk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33624","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33624"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33624\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33626,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33624\/revisions\/33626"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}