{"id":33638,"date":"2026-02-18T01:51:53","date_gmt":"2026-02-18T04:51:53","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33638"},"modified":"2026-02-18T01:51:53","modified_gmt":"2026-02-18T04:51:53","slug":"imperialismo-o-conceito-e-o-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33638","title":{"rendered":"Imperialismo: o conceito e o real"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33639\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33638\/copyimage\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/copyImage.jpg?fit=960%2C1356&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"960,1356\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"copyImage\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/copyImage.jpg?fit=637%2C900&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-33639\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/copyImage.jpg?resize=637%2C900&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"637\" height=\"900\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/copyImage.jpg?resize=637%2C900&amp;ssl=1 637w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/copyImage.jpg?resize=212%2C300&amp;ssl=1 212w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/copyImage.jpg?resize=768%2C1085&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/copyImage.jpg?w=960&amp;ssl=1 960w\" sizes=\"auto, (max-width: 637px) 100vw, 637px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Capa da revista estadunidense de s\u00e1tira pol\u00edtica Puke (1904). Imagem: Library of Congress Catalog (via Wikimedia Commons)<\/p>\n<p>Imperialismo: o inc\u00f4modo do conceito e a aceita\u00e7\u00e3o do real que expressa<br \/>\nPor Mauro Luis Iasi<br \/>\n\u201cQualquer coisa mudou numa parte da realidade, (\u2026)<br \/>\nQual \u00e9 a ci\u00eancia que tem conhecimento para isto?\u201d<br \/>\n\u2014 Alberto Caeiro (heter\u00f4nimo de Fernando Pessoa)<\/p>\n<p>Alguns debates pol\u00edticos e acad\u00eamicos, por vezes, tentam decretar a morte de um determinado conceito. A raz\u00e3o alegada s\u00e3o as profundas mudan\u00e7as hist\u00f3ricas presenciadas, o que levaria \u00e0 necessidade de novos conceitos que o substitu\u00edssem. Para n\u00f3s, marxistas, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que os conceitos s\u00e3o a express\u00e3o do real, de forma que, como dizia Luk\u00e1cs (2005, p. 42), n\u00e3o podem ser tratados como realidades imut\u00e1veis ao gosto do dogmatismo positivista.<\/p>\n<p>Entretanto, devemos considerar que nada na hist\u00f3ria \u00e9 sempre absolutamente novo, de maneira que conhecemos mudan\u00e7as de forma que abrigam a mesma subst\u00e2ncia, enganando os mais desatentos. O contexto hist\u00f3rico atual tem tido uma imensa capacidade de desorientar os incautos e mesmo analistas respeitados. Tudo que \u00e9 s\u00f3lido se esvanece no ar, e o mundo se torna p\u00f3s-capitalista, p\u00f3s-industrial, p\u00f3s-moderno\u2026 com isso perderiam o sentido conceitos como \u201cclasses\u201d, \u201cideologia\u201d e \u2014 entrando em nosso tema \u2014 \u201cimperialismo\u201d.<\/p>\n<p>Meu querido e competente orientador na USP \u2014 o professor Sedi Hirano \u2014 me dizia que toda vez que aparecem termos como \u201cp\u00f3s\u201d, \u201csemi\u201d, \u201cpr\u00e9\u201d e outros similares, estamos na verdade diante de, em suas palavras, \u201cconceitos ortop\u00e9dicos\u201d. Isto \u00e9, eles ocupam o lugar de conceitos precisos que possam compreender a realidade ainda desconhecida. Diante do desconhecido, tendemos a explic\u00e1-lo pelo que conhecemos, da\u00ed o uso de tais pr\u00f3teses.<\/p>\n<p>O mundo e a hist\u00f3ria, em constante mudan\u00e7a, desafiam nossa compreens\u00e3o. A \u00fanica maneira de enfrentar esse dilema \u00e9 a precisa an\u00e1lise que se debru\u00e7a sobre as determina\u00e7\u00f5es, nos permitindo ir da apar\u00eancia ca\u00f3tica do todo at\u00e9 as rela\u00e7\u00f5es e determina\u00e7\u00f5es complexas. Quando o conhecimento n\u00e3o tende \u00e0 totalidade ele pode se enganar com um ou outro aspecto que se mostra mais evidente.<\/p>\n<p>Dessa forma, fomos apresentados a conceitos sedutores como \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cfinanceiriza\u00e7\u00e3o\u201d e outros que teriam a suposta capacidade de explicar o mundo novo, p\u00f3s-industrial e p\u00f3s-moderno. A nova ordem internacional posterior ao desmonte da URSS e, portanto, \u00e0 Guerra Fria, levou os incautos a afirma\u00e7\u00f5es taxativas, como as de Fukuyama sobre o fim da hist\u00f3ria. Alguns imaginaram tal cen\u00e1rio como a id\u00edlica humanidade sem guerras e gerida por institui\u00e7\u00f5es internacionais como a ONU, sob a consolida\u00e7\u00e3o do Estado democr\u00e1tico e a economia de mercado. O ex-deputado Eduardo Jorge chegou a imaginar o fim dos ex\u00e9rcitos por pura inutilidade diante de tal cen\u00e1rio\u2026<\/p>\n<p>Mas vejam como um elemento \u00f3bvio n\u00e3o foi considerado: essa nova ordem desconhecida e inusitada se apresentava como uma economia de mercado; e sua express\u00e3o pol\u00edtica, como democracia. A sociedade p\u00f3s-industrial continuava a produzir e reproduzir a forma mercantil, e o mercado global absorvia mesmo as na\u00e7\u00f5es mais distantes nos ditames do mercado, da acumula\u00e7\u00e3o e da civiliza\u00e7\u00e3o do capital. N\u00e3o apenas os fundamentos de uma determinada forma de sociedade pareciam continuar ativos como as consequ\u00eancias esperadas continuavam se apresentando, como o aumento das desigualdades, a enorme concentra\u00e7\u00e3o de propriedade e riquezas, a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do trabalho e a continuidade, mais que isso, a intensifica\u00e7\u00e3o das guerras, transformando o sonho id\u00edlico em pesadelo.<\/p>\n<p>Para os mais atentos, tratava-se de uma nova forma de nossa velha conhecida, a sociedade capitalista, e sua incontorn\u00e1vel lei geral da acumula\u00e7\u00e3o. Assim, o totalmente novo come\u00e7a a invocar fantasmas e profanar t\u00famulos de onde emergem ditaduras, fascismos, golpes de Estado, invas\u00f5es e toda sorte de velharias fortemente maquiadas com grossas e grotescas camadas de cosm\u00e9ticos modernos.<\/p>\n<p>O atual presidente dos EUA, o agente laranja Trump, \u00e9 um pouco a s\u00edntese de tudo isso. Guiado por sua pr\u00f3pria moralidade (portanto, sem nada que o limite), ele invade pa\u00edses, sequestra presidentes, taxa todo mundo, chantageia governos \u2014 tudo para fazer os EUA que n\u00e3o mais existem grandes novamente. Aqui tamb\u00e9m, \u201ca tradi\u00e7\u00e3o de todas as gera\u00e7\u00f5es mortas oprime como um pesadelo o c\u00e9rebro dos vivos\u201d, como escreveu Marx em O 18 de brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte. Numa situa\u00e7\u00e3o como essa, quando os seres humanos se empenham em criar algo que jamais existiu, \u00e9 que se come\u00e7a a conjurar ansiosamente em seu aux\u00edlio os esp\u00edritos do passado, \u201ctomando-lhes emprestados os nomes, os gritos de guerra e as roupagens\u201d (MARX, [1852]). Trump assim denominou seu plano de uma \u201cNova Doutrina Monroe\u201d, ou seja, a Am\u00e9rica para os (norte-)americanos.<\/p>\n<p>Estamos, portanto, diante da seguinte situa\u00e7\u00e3o: um contexto que se parece muito com o que compreend\u00edamos pelo conceito de imperialismo, de forma que ou devemos admitir que ainda vivemos sob o imperialismo, ou as atitudes e a\u00e7\u00f5es do aspirante a rei laranja s\u00e3o uma esp\u00e9cie de anacronia que n\u00e3o caberia mais no novo mundo p\u00f3s-tudo. Mas o problema \u00e9 que cabe \u2014 tanto que, a despeito da gritaria e dos protestos, Trump segue como se nada houvesse, tocando em frente sua caravana apesar dos c\u00e3es que ladram ou s\u00e3o atropelados cruelmente.<\/p>\n<p>Vejamos, ent\u00e3o, se os elementos do real ainda podem ser compreendidos a partir desse conceito. Para isso, em primeiro lugar devemos afirmar, lembrando L\u00eanin (1976), que o imperialismo diz respeito ao m\u00e1ximo desenvolvimento do capitalismo, que concentra e centraliza os principais meios de produ\u00e7\u00e3o, formando os monop\u00f3lios e a fus\u00e3o do capital industrial e banc\u00e1rio no capital financeiro. Esse capital monopolista altamente desenvolvido culmina na crise de superprodu\u00e7\u00e3o e superacumula\u00e7\u00e3o de capitais exigindo a exporta\u00e7\u00e3o de capitais e, portanto, a constante partilha e repartilha do mundo em \u00e1reas de influ\u00eancia. O crit\u00e9rio de tal partilha \u00e9 a for\u00e7a, e a forma da disputa \u00e9 a guerra.<\/p>\n<p>Lembrando que a disputa entre os monop\u00f3lios, nesses termos, se apresenta como a disputa entre as na\u00e7\u00f5es do capital monopolista, al\u00e9m do fato de o desenvolvimento do capitalismo ser combinado e desigual, chegamos assim ao fato que o imperialismo \u00e9 marcado por guerras entre as na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mesmo na \u00e9poca em que L\u00eanin elaborava a teoria do imperialismo, com base em extensa pesquisa sobre o tema, muitos duvidavam de sua validade. Kautsky, por exemplo, defendia a ideia de que o capitalismo altamente desenvolvido encontraria formas mais civilizadas de partilha e procuraria evitar a guerra atrav\u00e9s de acordos entre as pot\u00eancias, na forma do que chamou de \u201chiperimperialismo\u201d.<\/p>\n<p>Vejam bem, L\u00eanin n\u00e3o associou a guerra ao imperialismo por puro capricho, mas pela conclus\u00e3o l\u00f3gica do que define como imperialismo. A superacumula\u00e7\u00e3o de capitais n\u00e3o \u00e9 uma escolha, assim como a necessidade de exporta\u00e7\u00e3o de capitais \u2014 e, portanto, da conquista de \u00e1reas de influ\u00eancia \u2014 n\u00e3o \u00e9 uma pol\u00edtica definida pelas op\u00e7\u00f5es de governantes. Ainda que a defini\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea de influ\u00eancia n\u00e3o seja determinada diretamente pela for\u00e7a, dizia L\u00eanin, isso s\u00f3 demonstra que a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as j\u00e1 havia se imposto anteriormente de forma perempt\u00f3ria.<\/p>\n<p>Como certas na\u00e7\u00f5es chegam tarde \u00e0 partilha, claramente o caso da Alemanha no contexto imediatamente anterior \u00e0 primeira grande guerra, a \u00fanica forma de provocar a repartilha do mundo \u00e9 a guerra. Por este motivo, vemos nos momentos anteriores \u00e0s conflagra\u00e7\u00f5es internacionais, um forte investimento em armamentos.<\/p>\n<p>Dito isto, vejamos. Ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial e diante do desenvolvimento dos armamentos nucleares, vivemos um longo per\u00edodo no qual a partilha do mundo se efetivou pela correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as anteriormente estabelecida, parecendo dar raz\u00e3o a Kautsky e sua ideia de hiperimperialismo. O mundo se dividia em blocos fortemente sustentados por seus poderios militares, opondo a Otan ao Pacto de Vars\u00f3via \u2014 o bloco capitalista ocidental impunha as condi\u00e7\u00f5es imperialistas em sua \u00e1rea de influ\u00eancia na Am\u00e9ricas Latina, \u00c1frica e \u00c1sia, enquanto o bloco socialista furava esse bloqueio atrav\u00e9s de revolu\u00e7\u00f5es (Cuba, China, Cor\u00e9ia, Vietn\u00e3 etc.) e do processo de descoloniza\u00e7\u00e3o na \u00c1frica e \u00c1sia (Angola, Mo\u00e7ambique, Guin\u00e9-Bissau, Sudoeste Asi\u00e1tico, norte da \u00c1frica etc.). O equil\u00edbrio nuclear entre EUA e URSS determinava a forma da partilha naquilo que se convencionou chamar de Guerra Fria.<\/p>\n<p>Destaquemos, no entanto, algumas constata\u00e7\u00f5es. Entre a d\u00e9cada de 1950 e os anos 2000, o capitalismo cresceu na forma que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, isto \u00e9, concentrando e centralizando capitais, monopolizando-se, intensificando a forma\u00e7\u00e3o do capital financeiro e exportanto capitais para as \u00e1reas de influ\u00eancia. Por um tempo, as crises de superacumula\u00e7\u00e3o de capitais foram amenizadas pela din\u00e2mica Norte-Sul, ou seja, queimando capitais nas \u00e1reas de influ\u00eancia e poupando as pot\u00eancias centrais dos efeitos mais catastr\u00f3ficos da crise. O deslocamento das crises, primeiramente para os EUA, depois Europa ou Jap\u00e3o, permitiu que a din\u00e2mica de exporta\u00e7\u00e3o de capitais fosse regulada por meio de acordos e compartilhada entre as pot\u00eancias.<\/p>\n<p>O que \u00e9 caracter\u00edstico da crise ap\u00f3s os anos 1980, como ressalta M\u00e9sz\u00e1ros em Para al\u00e9m do capital (2002), \u00e9 que a acumula\u00e7\u00e3o de capitais encontrou barreiras que n\u00e3o havia como superar facilmente, fazendo com que a acumula\u00e7\u00e3o de capitais fosse for\u00e7ada a mudar a dire\u00e7\u00e3o para a intensifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da reestrutura\u00e7\u00e3o dos processos produtivos. O desmonte da URSS e a crise no Leste Europeu apresentaram uma sa\u00edda para a exporta\u00e7\u00e3o de capitais, e a partilha logo voltou a assumir sua forma mais expl\u00edcita de rapina, como ficou evidente na inf\u00e2mia cometida contra a Iugosl\u00e1via e seu desmenbramento, assim como em outros casos.<\/p>\n<p>Os anos que nos separam da crise dos anos 1980 foram marcados pela violenta reconvers\u00e3o sovi\u00e9tica a um tipo de capitalismo olig\u00e1rquico, e pela lenta e controlada caminhada da China no sentido da economia de mercado. Os termos da partilha foram perdendo os contornos precisos do tempo da Guerra Fria, e a disputa por \u00e1reas de influ\u00eancia (ou fatias delas) assumiu a forma direta de uma disputa entre monop\u00f3lios.<\/p>\n<p>Enquanto o capitalismo olig\u00e1rquico russo atolava em suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es, a China logrou um significativo desenvolvimento econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico ao qual correspondeu sua presen\u00e7a protagonista no cen\u00e1rio mundial, primeiro como \u00e1rea que recebia os capitais e, depois, como poderosa fonte de exporta\u00e7\u00e3o de capitais, superando em muito seus vizinhos asi\u00e1ticos (Cor\u00e9ia do Sul e Jap\u00e3o).<\/p>\n<p>Vejamos na imagem abaixo o impacto disso no mercado mundial:<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33640\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33638\/image-17-2\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-17.png?fit=295%2C346&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"295,346\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-17\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-17.png?fit=295%2C346&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-33640\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-17.png?resize=295%2C346&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"295\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-17.png?w=295&amp;ssl=1 295w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-17.png?resize=256%2C300&amp;ssl=1 256w\" sizes=\"auto, (max-width: 295px) 100vw, 295px\" \/><\/p>\n<p>Fonte: US Census Bureau\/General Administration Custons \u2013 China<\/p>\n<p>O desenvolvimento combinado e desigual se inscreveu como realidade incontest\u00e1vel, e a partilha at\u00e9 ent\u00e3o realizada n\u00e3o poderia prosseguir sem problemas. A posi\u00e7\u00e3o atual dos EUA representa apenas a rea\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios norte-americanos diante de uma amea\u00e7a ao controle das \u00e1reas que julgavam garantidas.<\/p>\n<p>Entre 1990 e 2021 o investimento econ\u00f4mico direto (IED) dos EUA no mundo saltou de 48,4 bi para 367,4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, um crescimento de 659,09%, enquanto a China, no mesmo per\u00edodo, foi de 6,8 bi para 321,7 bi, marcando um crescimento de 4.630,88% (fonte: BNDS, 2022 a partir dos dados da Unctad). No per\u00edodo entre 1979 e 2010, o n\u00famero de empresas chinesas fora do pa\u00eds cresceu de 4 para mais de 16 mil (fonte: PEI; ZHENG, 2015).<\/p>\n<p>Outro aspecto a ser considerado \u00e9 o fato de que o crescimento da exporta\u00e7\u00f5es de capital e o acirramento na disputa por \u00e1reas de influ\u00eancia tem levado ao crescente investimento no complexo industrial-militar. Os gastos militares em 2024 atingiram a maior marca dos \u00faltimos quarenta anos, com 2,718 trilh\u00f5es de d\u00f3lares \u2014 o correspondente a 60% do total \u2014 concentrados nos EUA, China, R\u00fassia, Alemanha e \u00cdndia (fonte: SIPRE, Stockholm International Peace Research Institute). At\u00e9 o Jap\u00e3o anunciou um aumento para o pr\u00f3ximo ano de 9 trilh\u00f5es de ienes (USD 58 bilh\u00f5es)\u202fem seu or\u00e7amento militar.<\/p>\n<p>Estamos falando de um crescimento do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista em sua fase monopolista, marcada pela exporta\u00e7\u00e3o de capitais e pela necessidade de controle de \u00e1reas de influ\u00eancia. O crit\u00e9rio dessa disputa segue sendo o poderio militar das na\u00e7\u00f5es representantes dos grandes monop\u00f3lios, portanto, n\u00e3o adianta contornar o conceito simplesmente porque ele incomoda os esp\u00edritos delicados da p\u00f3s-modernidade: aquilo que o real reapresenta em sua subst\u00e2ncia parece ser perfeitamente adequado ao conceito de imperialismo.<\/p>\n<p>Em tempos de fetichismo, os xam\u00e3s da epistemologia costumam evitar a palavra, como os crentes evitam falar do tinhoso para n\u00e3o invocar o capeta. Mas o que assusta a massa cr\u00e9dula e seus preocupados sacerdotes? N\u00e3o \u00e9 a sala que adentram guiados pelo conceito preciso, na qual reconhecem seus pr\u00f3prios moveis, suas fotos de fam\u00edlia e seu ineg\u00e1vel mau gosto. O que os assusta \u00e9 o fato de perceberem que se trata de uma antessala em ru\u00ednas, que pode dar acesso a um novo e radiante sal\u00e3o; um sal\u00e3o que n\u00f3s, que n\u00e3o abandonamos conceitos guiados pela moda mais recente, continuamos chamando de revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em um mundo de tantas incertezas, uma conclus\u00e3o parece certa: esta disputa se resolver\u00e1 no campo de batalha, e n\u00e3o nos civilizados sal\u00f5es da falecida ONU.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>FUKUYAMA, F. O fim da hist\u00f3ria e o \u00faltimo homem. Rio de Janeiro: Rocco, 1992.<\/p>\n<p>LENIN, V. I. El imperialismo, fase superior del capitalismo. Obras Escogidas, v. 5. Mosc\u00fa: Editorial Progresso, 1976 [ed. bras.: L\u00caNIN, V. I. Imperialismo, est\u00e1gio superior do capitalismo. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2021].<\/p>\n<p>LUK\u00c1CS, G. Que \u00e9s el marxismo ortodoxo? In: T\u00e1tica y \u00c9tica: escritos tempranos. Buenos Aires: El cielo por asalto, 2005.<\/p>\n<p>MARX, K. O dezoito Brum\u00e1rio de Lu\u00eds Bonaparte. In: Obras Escolhidas, v. 1. S\u00e3o Paulo: Alfa-\u00f4mega, [1852], s\/d.<\/p>\n<p>M\u00c9SZ\u00c1ROS, I. Para al\u00e9m do capital: rumo a uma teoria da transi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2002.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33638\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[385,65,10],"tags":[224],"class_list":["post-33638","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica-da-economia-politica","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-3b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8Ky","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33638","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33638"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33638\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33641,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33638\/revisions\/33641"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33638"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33638"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33638"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}