{"id":3369,"date":"2012-08-16T22:28:54","date_gmt":"2012-08-16T22:28:54","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3369"},"modified":"2012-08-16T22:28:54","modified_gmt":"2012-08-16T22:28:54","slug":"um-encontro-historico-de-camponeses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3369","title":{"rendered":"Um encontro hist\u00f3rico de camponeses"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Esperamos que o resultado seja a constru\u00e7\u00e3o de uma unidade program\u00e1tica, em torno de pontos comuns, para enfrentar os mesmos inimigos<\/em><\/p>\n<p>Entre os dias 20 e 22 de agosto, no Parque da Cidade em Bras\u00edlia (DF), se realiza um encontro nacional de todos os movimentos sociais e entidades que atuam no meio rural brasileiro. L\u00e1 estar\u00e3o os representantes do movimento sindical como a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), dos movimentos sociais do campo vinculados a Via Campesina Brasil como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).<\/p>\n<p>Estar\u00e3o tamb\u00e9m os movimentos de pescadores e pescadoras artesanais do Brasil e representantes das centenas de agrupamentos quilombolas esparramados pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>A Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (APIB) e o Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi) tamb\u00e9m marcar\u00e3o presen\u00e7a com a quest\u00e3o ind\u00edgena. As pastorais sociais que atuam no meio rural, como Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), C\u00e1ritas, Pastoral da Juventude etc, e tamb\u00e9m dezenas de outros movimentos regionalizados ou de n\u00edvel estadual se far\u00e3o presentes.<\/p>\n<p>Assim, ser\u00e1 portanto, um encontro unit\u00e1rio, plural e expressivo de todas as formas de organiza\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o que existem hoje no meio rural brasileiro, abrangendo desde os assalariados rurais, camponeses, pequenos agricultores familiares, posseiros, ribeirinhos, quilombolas, pescadores e povos ind\u00edgenas. Todos unidos, independente da corrente pol\u00edtica ou ideol\u00f3gica a que se identificam.<\/p>\n<p>Esse encontro ser\u00e1 hist\u00f3rico, porque que na trajet\u00f3ria dos movimentos sociais do campo essa unidade somente havia ocorrido uma vez, em novembro de 1961, quando se realizou em Belo Horizonte (MG) o I Congresso Campon\u00eas do Brasil. Naquela ocasi\u00e3o tamb\u00e9m se unificaram todos os movimentos, de todas as correntes pol\u00edticas-ideol\u00f3gicas, desde o PCB, PSB, esquerda crist\u00e3, PTB, brizolistas e esquerda radical.<\/p>\n<p>A unidade foi necess\u00e1ria, apesar da diversidade, para cerrar fi leiras contra a direita e dar for\u00e7a ao novo governo popular de Jo\u00e3o Goulart para assumir a bandeira da reforma agr\u00e1ria e elaborar uma lei in\u00e9dita de reforma agr\u00e1ria para o pa\u00eds. Da\u00ed que o lema resultante dos debates e que iria orientar a a\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dos movimentos foi \u201cReforma agr\u00e1ria: na lei ou na marra!\u201d<\/p>\n<p>Passaram-se 50 anos para que, mais uma vez, todas as formas de organiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o que vive no campo viessem a se reencontrar. E agora com uma representa\u00e7\u00e3o ainda maior, acrescida dos quilombolas, pescadores e povos ind\u00edgenas, que na \u00e9poca nem se reconheciam como formas organizativas de nosso povo.<\/p>\n<p>E por que foi poss\u00edvel realizar esse encontro? Por v\u00e1rias raz\u00f5es. Primeiro, porque o capital est\u00e1 em ofensiva no campo. Sob a hegemonia do capital financeiro e das empresas transnacionais est\u00e1 impondo um novo padr\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e espolia\u00e7\u00e3o da natureza: o agroneg\u00f3cio. E o agroneg\u00f3cio construiu uma unidade, uma alian\u00e7a do capital, aglutinando o capital financeiro, as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais, a m\u00eddia burguesa e os grandes propriet\u00e1rios de terra. E essa alian\u00e7a representa hoje os inimigos comuns para toda a popula\u00e7\u00e3o que vive no meio rural, e que depende da agricultura, da natureza, da pesca, para sobreviver.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, porque estamos assistindo \u00e0 subservi\u00eancia do Estado brasileiro, em suas v\u00e1rias articula\u00e7\u00f5es a esse projeto. O poder Judici\u00e1rio, as leis e o Congresso Nacional operam apenas em seu favor.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, estamos assistindo a um governo federal dividido. Um governo de composi\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, que mescla diversos interesses, mas que o agroneg\u00f3cio possui maior influ\u00eancia, seja nos minist\u00e9rios seja nos programas de governo.<\/p>\n<p>Em quarto lugar, percebeu-se que essa forma de explora\u00e7\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio est\u00e1 colocando em risco o meio ambiente, a natureza e a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o, com o uso intensivo de agrot\u00f3xicos, que matam. Matam a biodiversidade vegetal e animal e matam indiretamente os seres humanos, com a prolifera\u00e7\u00e3o de enfermidades, em especial o c\u00e2ncer, como t\u00eam denunciado os cientistas da \u00e1rea de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Em quinto lugar, porque o pa\u00eds precisa de um projeto de desenvolvimento nacional, que atenda aos interesses do povo brasileiro e n\u00e3o apenas do lucro das empresas. Nesse projeto, a democratiza\u00e7\u00e3o da propriedade da terra e a forma como devemos organizar a produ\u00e7\u00e3o dos alimentos \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>Em sexto lugar, \u00e9 necess\u00e1rio que se reoriente as pol\u00edticas p\u00fablicas, de forma priorit\u00e1ria para preservar o meio ambiente, produzir alimentos saud\u00e1veis com garantia de mercado, e garantia de renda e emprego para toda a popula\u00e7\u00e3o que mora no interior.<\/p>\n<p>Em s\u00e9timo lugar, \u00e9 necess\u00e1ria colocar na pauta priorit\u00e1ria dos movimentos sociais do campo a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, em todos os n\u00edveis. Desde um programa massivo de alfabetiza\u00e7\u00e3o, que tire da escurid\u00e3o os 14 milh\u00f5es de adultos brasileiros que ainda n\u00e3o sabem ler e escrever, at\u00e9 garantir o acesso ao ensino m\u00e9dio e superior aos mais de 3 milh\u00f5es de jovens que vivem no meio rural.<\/p>\n<p>Tudo isso ser\u00e1 debatido durante os tr\u00eas dias do Encontro Nacional de Trabalhadores Rurais.<\/p>\n<p>Esperamos que o resultado seja a constru\u00e7\u00e3o de uma unidade program\u00e1tica, em torno de pontos comuns, para enfrentar os mesmos inimigos, como tamb\u00e9m se possa avan\u00e7ar para construir uma agenda de lutas e mobiliza\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria para 2013.<\/p>\n<p>Salve o II encontro nacional de todos os trabalhadores e popula\u00e7\u00f5es que vivem no interior do Brasil!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Caritas\n\n\n\n\n\n\n\n\nEditorial da edi\u00e7\u00e3o 494 do Brasil de Fato\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3369\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-3369","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Sl","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3369","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3369"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3369\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3369"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3369"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3369"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}