{"id":3372,"date":"2012-08-16T22:56:38","date_gmt":"2012-08-16T22:56:38","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3372"},"modified":"2012-08-16T22:56:38","modified_gmt":"2012-08-16T22:56:38","slug":"e-agora-obama-o-plano-erupcao-em-damasco-terremoto-na-siria-falhou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3372","title":{"rendered":"E agora Obama, o plano \u201cErup\u00e7\u00e3o em Damasco, terremoto na S\u00edria\u201d falhou?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Aos 12 de mar\u00e7o o chefe da CIA, general David Petrus chegava \u00e0 Turquia para acertar com o primeiro ministro Erdogan a segunda fase do plano de desestabiliza\u00e7\u00e3o da S\u00edria. Depois, no fim de junho, 20.000 combatentes jiddaistas, vindos da L\u00edbia, se juntavam aos outros 10.000 \u201cvolunt\u00e1rios\u201d do L\u00edbano, Iraque, Jord\u00e2nia e Cec\u00eania que desde maio de 2011, praticavam uma sangrenta guerra civil, ao lado dos 3000 combatentes de Al Qaeda, sabiamente manipulada pela TV \u00e1rabe e as ocidentais. Em meados de julho veio o ataque p\u00e1ra desarticular o governo: os foguetes destru\u00edam o Posto de Comando do Exercito, enquanto selvagens ataques terrorizavam a capital Damasco para permitir as brigadas do ELS de ocupar a estrat\u00e9gica cidade de Aleppo. Porem algo falhou&#8230;&#8230;!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Achille Lollo (Roma) \u2014 <\/strong>N\u00e3o h\u00e1 mais d\u00favidas de que algo falhou no plano \u201cErup\u00e7\u00e3o em Damasco, terremoto na S\u00edria\u201d, do momento que o corpo dos oficiais s\u00edrios se manteve fiel ao governo e desde dia 28 os blindados e os helic\u00f3pteros do ex\u00e9rcito, ap\u00f3s ter posto em debandada os \u201ccombatentes\u201d do ELS na periferia de Damasco, refor\u00e7aram os pontos estrat\u00e9gicos que controlam as fronteiras com Jord\u00e2nia, Turquia e Iraque. Feito isso, a contra-ofensiva prosseguiu em dire\u00e7\u00e3o de Aleppo, onde foi montado um grande cerco para derrubar, a estrutura log\u00edstica do ELS e infringir uma pesada derrota ao ex\u00e9rcito rebelde. Na pr\u00e1tica, um sangrento acerto de contas contra os fomentadores da \u201cJiddah (guerra santa) na S\u00edria\u201d, isto \u00e9 salafitas, Al Qaeda e Irmandade Mu\u00e7ulmana.<\/p>\n<p><strong>Defec\u00e7\u00f5es na Al-Jazeera e Al Arabya<\/strong><\/p>\n<p>O principal suporte midi\u00e1tico para o sucesso do plano de desestabiliza\u00e7\u00e3o era representado pelas televis\u00f5es \u00e1rabes, a famosa Al-Jazeera do emir do Qatar, Hamad Bem Khalifa al Thani, e Al Arabya da fam\u00edlia real saudita. De fato as reportagens dessas televis\u00f5es eram determinantes para repassar \u00e0s TV do Ocidente as imagens do in\u00edcio da derrubada do regime de Bashar El Assad por parte do ELS, no momento em que os t\u00e9cnicos da CIA pirateavam o sinal dos sat\u00e9lites Arabsat e Nilesat para obscurecer as transmiss\u00f5es da televis\u00e3o s\u00edria, Ad-Doumia, inclusive o Twitter da pr\u00f3pria emissora, bem como todos os sistemas de telecomunica\u00e7\u00f5es na S\u00edria, durante 30 minutos.<\/p>\n<p>Neste intervalo as referidas televis\u00f5es \u00e1rabes, al\u00e9m de \u201cinventar\u201d a deser\u00e7\u00e3o em massa de v\u00e1rias unidades do ex\u00e9rcito e a uni\u00e3o com as tropas libertadores do ELS, tentavam de gerar o p\u00e2nico nas popula\u00e7\u00f5es de Damasco e de Aleppo (majoritariamente ligadas ao governo) anunciando a bancarrota S\u00edria!<\/p>\n<p>Apesar do dom\u00ednio tecnol\u00f3gico o ato de pirataria da CIA falhou porque a televis\u00e3o s\u00edria, pouco antes o bloqueio de seu sinal, conseguiu avisar os telespectadores que no caso de black-out os aparelhos deviam ser sintonizados no canal do sat\u00e9lite Atlantic Bird.<\/p>\n<p>E foi assim que os s\u00edrios e grande parte do p\u00fablico \u00e1rabe, bem como os ouvintes das TV ocidentais, descobriu as manipula\u00e7\u00f5es e as mentiras que as TV Al-Jazeera e Al Ar\u00e1bia realizaram para apoiar o plano de desestabiliza\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Tudo isto determinou uma profunda rea\u00e7\u00e3o no seio da TV Al-jazeera e de Al Ar\u00e1bia que provocou a defec\u00e7\u00e3o dos principais quadros das reda\u00e7\u00f5es dessas emissoras. Um acontecimento que Reuter, AFP, CNN, AP, RAI, TV Globo, etc., etc. praticamente silenciaram para dar credibilidade \u00e0s duas televis\u00f5es \u00e1rabes.<\/p>\n<p>Mesmo assim, ficou confirmado que a TV Arabiya perdeu a virtuosa jornalista Zeina Al Yazij, enquanto Al-Jazeera sofria mais defec\u00e7\u00f5es com a sa\u00edda do diretor da reda\u00e7\u00e3o s\u00edria, Abdel Harid Tawfiq, do famoso diretor da reda\u00e7\u00e3o em Beirute, Ghassan bem Jiddo, enquanto na reda\u00e7\u00e3o central abandonavam o barco os editores Wadah Khanfar, Louna Chebel, Eman Ayad.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio lembrar que estas defec\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram casuais, mas ocorreram ap\u00f3s um duro debate interno que se deu quando a censura da TV cortou as reportagens de Ali Hasherm, que em abril de 2011 registrava as infiltra\u00e7\u00f5es na S\u00edria dos \u201ccombatentes Jiddaistas\u201d a partir do L\u00edbano. Na realidade tratava-se de militares vindos da L\u00edbia, do Iraque e da Jord\u00e2nia e pagos com o dinheiro do Qatar e da Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>As reportagens de Ali Hasherm foram censuradas porque revelavam os valores dos contratos em d\u00f3lares assinados por cada combatente; o monitoramento dos agentes dos servi\u00e7os secretos dos EUA e da Fran\u00e7a no L\u00edbano, o uso de equipamento militar da OTAN transferido de Tr\u00edpoli para a base a\u00e9rea turca de Ysterik. Algo que em condi\u00e7\u00f5es normais seria definido um \u201cplano subversivo com uso de mercen\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p><strong>Aleppo n\u00e3o \u00e9 Bengase<\/strong><\/p>\n<p>Para o chefe da CIA, David Petrus, os pontos vitais do plano de desestabiliza\u00e7\u00e3o do governo de Bashar El Assad eram: 1) provocar a dispers\u00e3o das unidades s\u00edrias ao longo da fronteira com Iraque e Jord\u00e2nia; 2) promover em todo o pa\u00eds uma guerra civil latente e sangrenta dando aos combatentes jiddaistas \u2013 inclusive os salafitas de Al-Qaeda &#8211; a completa liberdade para os \u201cajustes de contas\u201d com quem apoiava o regime; 3) conseguir a todo custo a \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d da cidade de Aleppo que, al\u00e9m de ser a segunda cidade da S\u00edria com 2,5 milh\u00f5es de habitantes e uma arrojada estrutura industrial, era tamb\u00e9m a cidade mais perto da fronteira com a Turquia. De fato, a import\u00e2ncia da \u201cliberta\u00e7\u00e3o de Aleppo\u201d por parte do ELS, era fundamental para recriar as condi\u00e7\u00f5es que na L\u00edbia transformaram a cidade de Bengase no epicentro estrat\u00e9gico da guerra. \u00c9 oportuno lembrar que os rebeldes l\u00edbios sediados em Bengase podiam receber todo tipo de armamentos e de ap\u00f3io log\u00edstico porque tinha livre acesso \u00e0 fronteira com o Egito, enquanto no seu aeroporto chegavam os t\u00e9cnicos da OTAN com seus computadores e foguetes e no porto desembarcavam os 5.000 fuzileiros do ex\u00e9rcito do Qatar, que os redatores da TV Al-Jazeera e da CNN transformavam em \u201ccombatentes volunt\u00e1rios do CNT\u201d.<\/p>\n<p>Se, a partir de dia 28, o ex\u00e9rcito regular da S\u00edria recome\u00e7ou a projetar uma contra-ofensiva em toda a regi\u00e3o de Aleppo os motivos foram essencialmente os seguintes:<\/p>\n<p>a) no dia 22, logo ap\u00f3s o assassinato da c\u00fapula das For\u00e7as Armadas (general Daoud Rajha, ex-Ministro da Defesa, general Assef Shawkat, vice-ministro da Defesa, general Hassan Turkmani, assistente do Vice-presidente da Rep\u00fablica para seguran\u00e7a, al\u00e9m do grave ferimento de outros ministros e oficiais superiores) n\u00e3o houve defec\u00e7\u00f5es em massa no seio do ex\u00e9rcito, tal como aconteceu na L\u00edbia, logo ap\u00f3s o ataque a\u00e9reo ao pal\u00e1cio presidencial em Tr\u00edpoli;<\/p>\n<p>b) o povo de Damasco, apesar da manipula\u00e7\u00e3o das TV \u00e1rabes &#8211; que por um momento disseram que o presidente Bashar podia estar entre as v\u00edtimas do atentado \u2013 n\u00e3o festejou o ataque dos 10.000 \u201cvolunt\u00e1rios\u201d do ELS \u00e0 capital, que tiveram que entrincheirar-se no bairro de Mezzech at\u00e9 poder fugir em dire\u00e7\u00e3o das fronteiras com a Turquia e a Jord\u00e2nia.<\/p>\n<p>c) Os Estados Unidos e Israel escreveram a S\u00edria na lista negra dos \u201cEstados Canalhas\u201d porque o governo da S\u00edria se mant\u00e9m solid\u00e1rio com o movimento Hazbollah do L\u00edbano e, sobretudo com as organiza\u00e7\u00f5es que representam os 500.000 refugiados palestinos, al\u00e9m de garantir o direito de manter abertos em Damasco e Aleppo os escrit\u00f3rios pol\u00edticos dos movimento de liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, etiquetados por Hillary Clinton de \u201cterroristas\u201d. Na pr\u00e1tica isso significa que a mesma sociedade s\u00edria fortaleceu o conceito do nacionalismo e do pan-arabismo mantendo-se coesa diante do poss\u00edvel ataque vindo do exterior.<\/p>\n<p><strong>Elei\u00e7\u00f5es e direitos das mulheres<\/strong><\/p>\n<p>O principal fator pol\u00edtico que fugiu ao general David Petrus \u00e9 que o governo de Bashar El Assad, ap\u00f3s ter realizado uma reforma liberal da economia que repassou v\u00e1rios setores p\u00fablicos as empresas da burguesia de Damasco e de Aleppo e apesar da ofensiva bombistas nas principais cidades s\u00edrias, realizava a reforma eleitoral, onde o partido de governo Bath, perdia a hegemonia e vinha a compor um novo governo com cinco dos novo partidos. Uma coaliz\u00e3o que, na pr\u00e1tica responde a todas as reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas que os Irm\u00e3os Mu\u00e7ulmanos da S\u00edria lan\u00e7aram em seu primeiro manifesto (mar\u00e7o de 2011) para acender a chama da revolta. Por outro lado o presidente Bashar, manteve como vice-presidente uma mulher que n\u00e3o usa o velo e que fala abertamente contra o machismo s\u00edrio. Algo que para os fundamentalistas e, sobretudo os salafitas da frente jiddaista \u00e9 pecado mortal.<\/p>\n<p>De fato, o ELS e os grupos armados ligados a Al-Qaeda come\u00e7aram a atacar duramente o ex\u00e9rcito e os civis comprometidos com o governo, depois das elei\u00e7\u00f5es, quando 56% da popula\u00e7\u00e3o s\u00edria foi \u00e0s urnas. \u00c9 oportuno lembrar que na Fran\u00e7a \u2013 pa\u00eds onde n\u00e3o h\u00e1 guerra civil em curso \u2013 foi votar somente 53% dos eleitores.<\/p>\n<p>Diante disso todos os grupos jiddaista, sejam eles os salafitas ou as c\u00e9lulas de Al-Qaeda, bem como os Irm\u00e3os Mu\u00e7ulmanos da S\u00edria tiraram a mascara e proclamaram a Jihddad, isto \u00e9 \u201c<em>a guerra santa contra a ditadura alawita de Bashar El Assad, por ser uma tend\u00eancia criadas pelos profano xiitas, al\u00e9m de permitir a massiva presencia das igrejas dos infi\u00e9is<\/em> (crist\u00e3os)\u201d.<\/p>\n<p>Neste contexto, o que est\u00e1 acontecendo na L\u00edbia e no Egito, onde os salafitas e os Irm\u00e3os Mu\u00e7ulmanos querem transformar o sistema institucional leigo em um regime definido pelos princ\u00edpios do islamismo, \u00e9 outro motivo que mobiliza grande parte dos sunitas da S\u00edria em favor de Bashar El Assad para manter o hist\u00f3rico equil\u00edbrio \u00e9tnico e religioso. Um equil\u00edbrio que, nos \u00faltimos 40 anos, garantiu a conviv\u00eancia entre 12 etnias e seis religi\u00f5es e permitiu a manuten\u00e7\u00e3o de antigas tradi\u00e7\u00f5es culturais sem, por isso, reprimir os jovens e, sobretudo as mulheres nas pris\u00f5es dos preconceito raciais e confessionais.<\/p>\n<p>Todo o mundo sabe que Bashar El Assad n\u00e3o \u00e9 o &#8220;m\u00e1ximo&#8221; da democracia, por\u00e9m, a grande maioria dos s\u00edrios sabe que a queda desse governo, al\u00e9m de favorecer o controle pol\u00edtico dos Sudeiris (a fam\u00edlia real da Ar\u00e1bia Saudita) em toda a pen\u00ednsula \u00e1rabe, vai refor\u00e7ar o poder das multinacionais ocidentais, al\u00e9m de dever sustentar os privil\u00e9gios de Israel e rebaixar-se diante dos interesses estrat\u00e9gicos do imperialismo estadunidense e de seus associados europeus da OTAN.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, dia 31 de julho, o conflito na S\u00edria, que os jiddaistas transformaram em guerra civil latente para desarticular o governo de Bashar El Assad, se mant\u00e9m em um impasse, apesar da retomada, por parte do ex\u00e9rcito regular, de Damasco e Aleppo. O ELS n\u00e3o conseguiu seus objetivos pol\u00edticos e estrat\u00e9gicos e Bashar El Assad continua detestado por todos os governantes fieis ao Tio Sam o que inviabiliza todo tipo de solu\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica. Isso significa que, infelizmente, a guerra civil vai continuar.<\/p>\n<p><strong>Achille Lollo \u00e9 jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na It\u00e1lia e editor do programa TV \u201cQuadrante Informativo\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Este vai sair na\u00a0 sexta-feira nas bancas, por favor liga para o Nilton Viana e confirma\u00a0 com ele\u00a0 t\u00edtulo, pois muitas vezes eles mudam.<\/p>\n<p>Um saludo Achille<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Por que na S\u00edria o governo de Bashar el-Assad ainda resiste?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Esta foi o argumento central do encontro entre a secret\u00e1ria d\u00f3 Departamento de Estado dos EUA, Hillary Clinton e o Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu em Istambul no dia 12. Um encontro que consolidou o eixo pol\u00edtico, militar e estrat\u00e9gico entre EUA, Turquia, Israel, Ar\u00e1bia Saudita e Qatar. De fato a guerra civil na S\u00edria, al\u00e9m de promover um eventual ataque contra o Ir\u00e3 e a completa desmobiliza\u00e7\u00e3o do Hezbnollah no L\u00edbano enterrou, de vez a quest\u00e3o palestina e o futuro desse povo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Achille Lollo (Roma)<\/strong> \u2014 Antes de entrar no meio da crise s\u00edria \u00e9 preciso confrontar a evolu\u00e7\u00e3o da guerra civil s\u00edria com outros conflitos que receberam por parte da M\u00eddia ocidental, do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e, sobretudo, da Casa Branca, um tratamento completamente diferente.<\/p>\n<p>Um dos motivos por Barak Obama dizer no dia 8 de fevereiro deste ano que os EUA haviam perdido a paci\u00eancia com o governo s\u00edrio \u00e9 porque nos \u00faltimos dez meses a policia s\u00edria havia preso 1600 suspeitos, que mais de 2000 civis teriam morrido nos confrontos com o exercito e que cerca de 5.000 s\u00edrios estavam abrigados nos campos de refugiados, constru\u00eddos pela Turquia ao longo da fronteira norte.<\/p>\n<p>Os insurgentes do ELS \u2013 inclusive os grupinhos ligados e monitorados por Al Qaeda &#8211; j\u00e1 foram considerados pelo Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Gr\u00e3 Bretanha \u201ccombatentes pela liberdade\u201d, a quem o governo de Londres, nos primeiros 12 meses de guerra entregou cerca de 43 milh\u00f5es de euro, que devem ser somados aos 60 milh\u00f5es de Euro que o governo turco depositou nas caixas do ELS nos primeiros seis meses de 2012.<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia o numero de prisioneiros pol\u00edticos \u00e9 cinco vezes mais \u2013 8.500 segundo as ultimas estimativas \u2013 mas disso n\u00e3o se fala na ONU. A quantidade de assassinados, em 2011, de \u201cterroristas e amigos de terroristas\u201d j\u00e1 passou o numero de 5.500, enquanto o numero de \u201cdesplasados\u201d, isto \u00e9 os camponeses pobres obrigados pelo Ex\u00e9rcitos a abandonar suas terras a pretexto de ser um potencial ap\u00f3io para as FARC e o ELN, j\u00e1 chegam a quase 60.000. Por sua parte os grupos insurgentes: FARC e ELN s\u00e3o considerados \u201cterroristas\u201d enquanto o governo Santos e o ex\u00e9rcito colombiano recebem a etiqueta de \u201cdefensores da democracia\u201d apesar de ser s\u00f3cios dos principais cl\u00e3s do narcotr\u00e1fico colombiano.<\/p>\n<p>Para Hillary Clinton e \u00c2ngela Merkel, o Hamas \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o terrorista que deve permanecer inscrita na lista negra redigida pelos EUA. Por ter ganhado as elei\u00e7\u00f5es no territ\u00f3rio de Gaza e por n\u00e3o ceder \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es de Israel os EUA e a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia aplicaram um vergonhoso boicote econ\u00f4mico que empobreceu a popula\u00e7\u00e3o civil de Gaza (1,5 milh\u00f5es de pessoas). .<\/p>\n<p>Por outro lado os grupos salafitas que militam no ELS e que s\u00e3o os respons\u00e1veis dos sangrentos atentados nos bairros de Damasco contra a etnia alauita, drusa o ismaelita e que desde janeiro seq\u00fcestraram e assassinaram seis jornalistas (Mohammed Saed da TV S\u00edria; Marie Colvin do Sunday Times; Remi Ochlik de IP3 Press; Gilles Jacquier de France 2; Shoukri Abu Bourghol de Al-Thawra; Ali Abbas de Sana); e 29 e free-lance, por \u201cescrever em favor da ditadura alauita\u201d, s\u00e3o apresentados pela m\u00eddia ocidental como os \u201cher\u00f3icos combatentes da primavera s\u00edria\u201d.<\/p>\n<p><strong>Hillary em Istambul<\/strong><\/p>\n<p>No fim de 2011, o governo de Bashar el-Assad, para evitar que as manifesta\u00e7\u00f5es organizadas pelo Conselho Nacional S\u00edrio fossem a alavanca pol\u00edtica de uma rebeli\u00e3o monitorada pela Irmandade Mu\u00e7ulmana, aceitou as reivindica\u00e7\u00f5es dos manifestantes e fez as reformas al\u00e9m de mandar libertar todos os suspeitos presos pela pol\u00edcia. Foi neste \u00e2mbito que Bashar assinou o decreto lei para fazer novas elei\u00e7\u00f5es com a participa\u00e7\u00e3o de outros partidos. Desta maneira o tradicional partido Baath acabou de exercer seu poder hegem\u00f4nico no cen\u00e1rio pol\u00edtico do momento que para governar devia compor coaliz\u00f5es. Al\u00e9m disso, o presidente Bashar declarou ao\u00a0<em>Sunday Times<\/em> \u2013 o \u00fanico jornal ocidental que quis fazer-lhe uma entrevista depois das elei\u00e7\u00f5es \u2013 \u201c&#8230;<em>Estas reformas s\u00e3o o in\u00edcio de um processo que eu estou promovendo para construir um novo dialogo entre os diferentes setores da sociedade s\u00edria, visto que em 2010 toda a economia s\u00edria foi objeto de uma profunda reestrutura\u00e7\u00e3o transferindo a maior parte das empresas p\u00fablicas para os privados<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>Os governos do Ocidente e as monarquias \u00e1rabes do Golfe, em particular a Ar\u00e1bia Saudita, n\u00e3o aceitaram o esp\u00edrito pacificador da reforma pol\u00edtica de Bashar el-Assad, visto que com a eventual consolida\u00e7\u00e3o do sistema multipartid\u00e1rio e uma mais ampla participa\u00e7\u00e3o no gerenciamento dos poderes e da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica o bloco opositor dos isl\u00e2micos moderados podia dissociar-se do radicalismo \u00e9tnico-religioso da Irmandade Mu\u00e7ulmana.<\/p>\n<p>Foi neste \u00e2mbito que os EUA \u2013 avaliada a posi\u00e7\u00e3o da Liga \u00c1rabe e conhecendo a proposta de Kofi Annam de criar um governo de transi\u00e7\u00e3o com Bashar el-Assad &#8211; optou pela solu\u00e7\u00e3o que hoje inferniza o povo s\u00edrio. Isto \u00e9 criar as condi\u00e7\u00f5es para a implos\u00e3o de uma sangrenta guerra civil para obrigar o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU a impor Fly Zone na S\u00edria. Um contexto que diante do desastre da guerra civil teria facilitado a negocia\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia e a China para uma \u201cinterven\u00e7\u00e3o por motivos humanit\u00e1rios na S\u00edria\u201d.<\/p>\n<p>Praticamente foi o que a jornalista da CNN, B\u00e1rbara Starr, revelou no seu blogue, sublinhando que o presidente Obama havia encarregou o Chefe do Comando Central das For\u00e7as dos EUA, general James Mattis de come\u00e7ar a estudar que tipo de miss\u00f5es podiam ser realizadas pelas for\u00e7as armadas dos EUA e quais riscos elas corriam ao enfrentar o ex\u00e9rcito s\u00edrio.<\/p>\n<p>Paralelamente, a Secretaria do Departamento de Estado, Hillary Clinton come\u00e7ava a promover a mobiliza\u00e7\u00e3o entre os aliados europeus, apresentando em Geneve o \u201cGrupo de A\u00e7\u00e3o pela S\u00edria\u201d que abertamente apostava na \u201cimediata destitui\u00e7\u00e3o de Bashar el-Assad\u201d.<\/p>\n<p>Com os aliados \u00e1rabes, Hillary Clinton n\u00e3o teve dificuldades em obter o ap\u00f3io incondicional para promover a derrota militar do governo s\u00edrio. E foi nessa base que as unidades especiais do Ex\u00e9rcito da Ar\u00e1bia Saudita, com seus assessores estadunidenses, passaram financiar o recrutamento e o treinamento dos \u201ccombatentes\u201d do futuro ELS (Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o da S\u00edria), enquanto o Qatar comprava equipamentos militares que eram transportados at\u00e9 a fronteira turca com a S\u00edria. Por sua parte o ex\u00e9rcito turco se preparava para uma eventual interven\u00e7\u00e3o militar para \u201cproteger a fuga dos civis da S\u00edria\u201d, enquanto os servi\u00e7os secretos militares \u2013 monitorados pela CIA &#8211; organizavam a rede de agentes de informa\u00e7\u00e3o que deviam garantir a infiltra\u00e7\u00e3o dos \u201ccombatentes do ELS\u201d; as informa\u00e7\u00f5es sobre os objetivos militares e os civis pro-governo que deviam ser assassinados e por fim garantir os \u201cpai\u00f3is clandestinos\u201d com as muni\u00e7\u00f5es e as armas pesadas, sobretudo os lan\u00e7a foguetes RPG7 e os foguetes antitanque.<\/p>\n<p><strong>Fly Zone no Kurdistan?<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 julho o ELS j\u00e1 havia gasto em material de guerra cerca de 80 milh\u00f5es de Euro e segundo o pr\u00f3prio Issam Mohammed, um dos comandantes mais influentes do ELS, os EUA e seus aliados deviam dar mais apoio financeiro para permitir ao ELS de enfrentar diretamente o ex\u00e9rcito fiel ao governo.\u00a0\u00a0Um pedido que foi logo acolhido pelo governo brit\u00e2nico que atrav\u00e9s do seu ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, William Hague, destinou (sem a autoriza\u00e7\u00e3o do Parlamento) 6,3 milh\u00f5es de euro ao pessoal do ELS, chegando a declarar \u201c&#8230;.<em>N\u00e3o se trata de assumir posi\u00e7\u00f5es diante da guerra civil, pois com este financiamento nos queremos evitar um vazio de poder no post-Assad, de forma que os primeiros benefici\u00e1rios foram os desertores do ex\u00e9rcito regular que comp\u00f5em o Exercito Livre S\u00edrio<\/em>&#8230;\u201d. Quer dizer: a Gr\u00e3 Bretanha, hoje, paga bons sal\u00e1rios aos soldados e oficiais do ELS, da mesma forma como as multinacionais, na d\u00e9cada de setenta, pagavam os mercen\u00e1rios para dar o golpe contra os presidentes africanos demasiado nacionalistas!<\/p>\n<p>Apesar da montanha de dinheiro, de armas e dos \u201cvolunt\u00e1rios\u201d vindos at\u00e9 do Paquist\u00e3o, o ELS n\u00e3o conseguiu quebrar as defesas do ex\u00e9rcito regular s\u00edrio. De fato, ap\u00f3s os poderosos ataques do ELS em Damasco e sobretudo em Aleppo, o ex\u00e9rcito regular armou uma grande armadilha fechando sob o fogo cruzado dos morteiros e dos helic\u00f3pteros milhares os combatentes do ELS na regi\u00e3o de Aleppo.<\/p>\n<p>Praticamente o macabro cen\u00e1rio da guerra civil ficou est\u00e1vel com os ataques bombistas do ELS no centro da capital Damasco e os combates de rua nas periferias das cidades, seguidos pela destruidoras contra-ofensivas do ex\u00e9rcito regular. Diante disso Hillary Clinton e o ministro turco das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, tiveram que passar ao Plano B, que segundo o general James Mattis passa pela dilata\u00e7\u00e3o do conflito na regi\u00e3o para provocar a desagrega\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito regular s\u00edrio e, consequentemente o enfraquecimento das rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com a R\u00fassia e a China que ainda sustentam os governo de Bashar el-Assad.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica isso permitir\u00e1 ao governo turco de acabar com a guerrilha do PKK (Partido dos Trabalhadores Turcos) realizando uma progress\u00e3o de suas tropa at\u00e9 a fronteira com o Kurdistan iraquiano, onde com o apoio do l\u00edder do governo aut\u00f4nomo do Kurdistan, Mustaf\u00e1 Barzani, ser\u00e1 fechada a ratoeira para os guerrilheiros do PKK e as popula\u00e7\u00f5es civis que o ap\u00f3iam.<\/p>\n<p>O silencioso massacre dos curdos turcos permitir\u00e1 aos emiss\u00e1rios da CIA de convencer os l\u00edderes dos curdos s\u00edrios de que finalmente chegou a hora para o PYD (Partido pela Uni\u00e3o Democr\u00e1tica dos Curdos) de insurgir contra o governo de Damasco e, assim, com o apoio dos EUA, da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e da Ar\u00e1bia Saudita fazer avan\u00e7ar suas propostas separatistas. \u00c9 oportuno lembrar que os curdos s\u00edrios ocupam uma inteira prov\u00edncia no norte do pa\u00eds e muitas vezes criticaram os EUA por n\u00e3o apoiar suas reivindica\u00e7\u00f5es separatistas.<\/p>\n<p>Segundo o general James Mattis a dita \u201csalva\u00e7\u00e3o dos curdos do Kurdistan s\u00edrio\u201d pode modificar as posi\u00e7\u00f5es da R\u00fassia e da China no Conselho de Seguran\u00e7a e obter o voto para a cria\u00e7\u00e3o de uma \u201cregi\u00e3o almofada\u201d onde os curdos s\u00edrios ficam protegidos da guerra civil na S\u00edria.<\/p>\n<p>Se passar esta proposta \u201chumanit\u00e1ria\u201d , imediatamente o Conselho de Seguran\u00e7a vai aprovar, tamb\u00e9m, a implanta\u00e7\u00e3o de dois \u201cFly Zone\u201d para proteger a referida \u201cregi\u00e3o almofada dos curdos\u201d. Na realidade, tudo isso ir\u00e1 permitir ao ELS e aos outros grupos rebeldes, inclusive os associados a Al Qaeda de ter um reduto seguro protegido pela ONU.<\/p>\n<p>Se considerarmos que a guerra civil, em seus primeiros dez meses de atividade, j\u00e1 elevou o numero de vitimas, (civis e militares) para mais de 25.000, \u00e9 evidente que os pa\u00edses do \u201cGrupo de A\u00e7\u00e3o pela S\u00edria\u201d vai pedir ao Conselho de Seguran\u00e7as a imposi\u00e7\u00e3o de mais \u201cFly Zone\u201d no interior da S\u00edria, aos redores da capital Damasco e das grandes cidades (Aleppo, Homs etc.), de forma retirar ao governo de Bashar el-Assad o uso de sua for\u00e7a a\u00e9rea.<\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar que com a implanta\u00e7\u00e3o das Fly Zones os avi\u00f5es ou e helic\u00f3pteros s\u00edrios que violar\u00e3o as mesmas ser\u00e3o logo interceptados e abatidos pelos foguetes ou os jatos da Turquia.\u00a0\u00a0Enfim foi o que aconteceu no Iraque e depois na L\u00edbia.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s n\u00e3o \u00e9 casual que no dia 8 de agosto o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Fran\u00e7a, Lorenz Fabious, anunciava que o governo franc\u00eas estava pronto para pedir ao Conselho de Seguran\u00e7a da ONU a implanta\u00e7\u00e3o de duas Fly Zone no norte da S\u00edria. Como justamente admite o historiador s\u00edrio Zubaida \u201c&#8230;<em>Estadunidenses, franceses e brit\u00e2nicos, mas tamb\u00e9m a Ar\u00e1bia Saudita e os pa\u00edses do Golfe fizeram uma previs\u00e3o estrat\u00e9gica, segundo a qual o fim de Assad poder\u00e1 determinar o enfraquecimento do Ir\u00e3 e de seu aliado ideol\u00f3gico liban\u00eas o Hezbollah. Por isso n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para solu\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas na S\u00edria. H\u00e1 muitos interesses regionais em jogo, de forma que n\u00e3o haver\u00e1 solu\u00e7\u00f5es pacificas para a crise. Por outro lado Bashar el-Assad nunca deixar\u00e1 de ser presidente por sua espont\u00e2nea vontade..<\/em>..\u201d<\/p>\n<p>Em poucas palavras: na S\u00edria come\u00e7ou a nova temporada dos massacres!<\/p>\n<p><strong>Achille Lollo \u00e9 jornalista italiano, correspondente do Brasil de Fato na It\u00e1lia e editor do programa TV \u201cQuadrante Informativo\u201d.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 2.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nAchille Lollo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3372\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-3372","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-So","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3372","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3372"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3372\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3372"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}