{"id":33754,"date":"2026-04-01T19:52:21","date_gmt":"2026-04-01T22:52:21","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33754"},"modified":"2026-04-02T11:38:17","modified_gmt":"2026-04-02T14:38:17","slug":"entrevista-de-edmilson-costa-para-opera-mundi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33754","title":{"rendered":"Entrevista de Edmilson Costa para Opera Mundi"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33755\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33754\/image-6-16\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-6.png?fit=1296%2C942&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1296,942\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image (6)\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-6.png?fit=300%2C218&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-6.png?fit=747%2C543&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-33755\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-6.png?resize=747%2C543&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"543\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-6.png?resize=900%2C654&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-6.png?resize=300%2C218&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-6.png?resize=768%2C558&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-6.png?w=1296&amp;ssl=1 1296w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p><strong>Parte 1: pr\u00e9-candidatura do PCB \u00e0 Presid\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><strong>Transcri\u00e7\u00e3o realizada por Luca da Silva \u00c1vila<\/strong><\/p>\n<p>Breno Altman: Boa noite. Hoje \u00e9 17 de mar\u00e7o de 2026. Meu nome \u00e9 Breno Altman e estamos dando in\u00edcio a mais um epis\u00f3dio do programa 20 Minutos. A esquerda brasileira chega \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2026 atravessada por dilemas e desafios frente aos riscos de vit\u00f3ria da extrema direita. Nesse cen\u00e1rio, surgem candidaturas que questionam o projeto liderado pelo PT e pelo presidente Lula, apresentando uma cr\u00edtica ao que consideram ser uma estrat\u00e9gia definida pela concilia\u00e7\u00e3o de classes. Nesse contexto, insere-se a pr\u00e9-candidatura de Edmilson Costa, presidente nacional do Partido Comunista Brasileiro, o Partid\u00e3o. Com uma longa trajet\u00f3ria vinculada ao marxismo, o PCB aposta na afirma\u00e7\u00e3o de um projeto socialista como alternativa \u00e0 ordem vigente. Seu poss\u00edvel postulante ao Pal\u00e1cio do Planalto \u00e9 um hist\u00f3rico militante comunista, desde os tempos da ditadura militar. Para compreendermos os objetivos e as propostas dessa pr\u00e9-candidatura, vamos conversar com o pr\u00f3prio Edmilson Costa em mais uma entrevista com nomes que est\u00e3o entrando na corrida presidencial. Fiquem conosco, j\u00e1 vamos come\u00e7ar.<\/p>\n<p>Boa noite, Edmilson. Muito obrigado por ter aceitado o nosso convite e por ter vindo aqui aos nossos est\u00fadios.<\/p>\n<p>Edmilson Costa: Boa noite, Breno. Quero agradecer o espa\u00e7o e dizer que a \u00d3pera Mundi \u00e9 um canal progressista que sempre abre espa\u00e7o para propostas alternativas. Agrade\u00e7o muito pelo espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Breno Altman: Muito obrigado. Edmilson, o que motiva sua pr\u00e9-candidatura \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: A nossa pr\u00e9-candidatura, a pr\u00e9-candidatura do Partido Comunista Brasileiro, tem o objetivo de realizar a disputa pol\u00edtica visando \u00e0 mudan\u00e7a do pa\u00eds. Sabemos que vivemos uma situa\u00e7\u00e3o complexa e dif\u00edcil, e vamos colocar um conjunto de temas que outras candidaturas n\u00e3o querem ou n\u00e3o podem abordar, em fun\u00e7\u00e3o de suas identidades de classe, de suas posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas ou mesmo das alian\u00e7as que fazem no per\u00edodo eleitoral. Entre esses temas est\u00e3o a dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o brasileira, o enfrentamento ao imperialismo, a solidariedade internacional e a necessidade de um conjunto de reformas para mudar a realidade do nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Vivemos uma situa\u00e7\u00e3o complexa e dif\u00edcil, mas, como voc\u00ea sabe, os comunistas sempre atuaram em conjunturas assim. At\u00e9 porque, se a vida fosse f\u00e1cil, j\u00e1 ter\u00edamos chegado ao socialismo. Se olharmos o cen\u00e1rio internacional, veremos que a elei\u00e7\u00e3o de Trump mudou a qualidade da interven\u00e7\u00e3o do imperialismo no mundo. Eles agora est\u00e3o mais agressivos e n\u00e3o respeitam mais nem mesmo as pr\u00f3prias leis internacionais que criaram.<\/p>\n<p>No plano interno, podemos dizer que a vit\u00f3ria de Lula teve uma import\u00e2ncia fundamental, porque nos livrou daquele genocida que, neste momento, est\u00e1 preso. No entanto, Lula n\u00e3o cumpriu um conjunto de promessas feitas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira e governa essencialmente para o capital, restando \u00e0 popula\u00e7\u00e3o apenas as migalhas da compensa\u00e7\u00e3o social. Ou seja, essas quest\u00f5es merecem uma resposta pol\u00edtica, e a nossa candidatura busca oferecer essas respostas.<\/p>\n<p>Por qu\u00ea? Porque temos a impress\u00e3o de que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 cansada da velha pol\u00edtica que sempre privilegiou os ricos e poderosos em nosso pa\u00eds. A popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 cansada dos velhos pol\u00edticos que prometem o para\u00edso nas campanhas eleitorais e, quando vencem, viram as costas para o povo.<\/p>\n<p>E o que acontece na sociedade brasileira? Enquanto isso, vemos uma popula\u00e7\u00e3o na mis\u00e9ria, a maioria dos trabalhadores vivendo com baixos sal\u00e1rios, a juventude sem perspectivas, servi\u00e7os precarizados, a sa\u00fade em crise, o caos urbano e um conjunto de problemas que afetam diretamente a popula\u00e7\u00e3o mais pobre. Por outro lado, milion\u00e1rios, industriais, banqueiros, especuladores e grandes propriet\u00e1rios do agroneg\u00f3cio acumulam enormes lucros \u00e0 custa do povo trabalhador.<\/p>\n<p>Essa conjuntura tamb\u00e9m exige uma resposta. \u00c9 nesse sentido que afirmamos: o Brasil precisa ser devolvido ao seu verdadeiro dono, que \u00e9 o povo brasileiro. Nessas circunst\u00e2ncias, o PCB e sua pr\u00e9-candidatura elencaram cinco grandes transforma\u00e7\u00f5es, que vamos desenvolver ao longo desta conversa. Consideramos essas transforma\u00e7\u00f5es fundamentais para construir uma p\u00e1tria pr\u00f3spera, democr\u00e1tica e soberana.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante destacar que essas propostas t\u00eam viabilidade, pois o Brasil est\u00e1 maduro para o socialismo. E por que est\u00e1 maduro? Porque todas as revolu\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX foram realizadas em pa\u00edses agr\u00e1rios. A Revolu\u00e7\u00e3o Sovi\u00e9tica ocorreu em um pa\u00eds agr\u00e1rio. A Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa, em um pa\u00eds agr\u00e1rio. A Revolu\u00e7\u00e3o Vietnamita e a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>No Brasil, as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o extremamente favor\u00e1veis. Isso porque o pa\u00eds \u00e9 industrializado, possui abund\u00e2ncia de recursos, grande disponibilidade de \u00e1gua, uma ampla for\u00e7a de trabalho jovem e todas as mat\u00e9rias-primas necess\u00e1rias para um processo de desenvolvimento \u2014 inclusive cerca de 21% das terras raras, pelas quais o imperialismo demonstra grande interesse atualmente.<\/p>\n<p>Portanto, o socialismo no Brasil, ao contr\u00e1rio das experi\u00eancias do s\u00e9culo XX \u2014 que partiram de um patamar atrasado das for\u00e7as produtivas \u2014, partiria de um n\u00edvel objetivamente superior, em um pa\u00eds industrializado e com plenas condi\u00e7\u00f5es de desenvolvimento. Assim, as propostas que apresentamos buscam encaminhar esse processo de transi\u00e7\u00e3o rumo ao poder popular e ao socialismo.<\/p>\n<p>Breno Altman: Antigamente se dizia que, se a pobreza levasse ao socialismo, a \u00cdndia j\u00e1 teria feito a revolu\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m poder\u00edamos dizer que, se condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas maduras levassem ao socialismo, quem seria socialista seriam os Estados Unidos. O que falta, portanto, se as condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o maduras no Brasil para que o socialismo possa se tornar uma perspectiva concreta na pol\u00edtica do nosso pa\u00eds?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: Antes de tudo, \u00e9 importante acrescentar um pouco mais sobre as condi\u00e7\u00f5es objetivas que temos. Possu\u00edmos o segundo maior proletariado do continente. S\u00e3o cerca de 37 milh\u00f5es de trabalhadores diretamente ligados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de valor e mais de 53 milh\u00f5es nas \u00e1reas de servi\u00e7os, com\u00e9rcio, etc. Portanto, essa base objetiva precisa ser trabalhada no sentido de transformarmos essas condi\u00e7\u00f5es objetivas em condi\u00e7\u00f5es subjetivas de organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Evidentemente, isso n\u00e3o \u00e9 algo que cai do c\u00e9u, que acontece de uma noite para o dia. Mas, se voc\u00ea tem essa base real, fica muito mais f\u00e1cil desenvolver as condi\u00e7\u00f5es subjetivas do que se n\u00e3o a tivesse. Tamb\u00e9m precisamos considerar que estamos na periferia do capitalismo, nos chamados elos d\u00e9beis, onde as contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o maiores e, portanto, mais favor\u00e1veis para avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o dessas condi\u00e7\u00f5es subjetivas.<\/p>\n<p>Breno Altman: Qual \u00e9 a estrat\u00e9gia que o PCB prop\u00f5e para chegar ao socialismo e qual o papel que uma pr\u00e9-campanha como a sua, dentro das regras da democracia liberal, poderia cumprir?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: N\u00f3s n\u00e3o acreditamos que seja poss\u00edvel chegar ao socialismo por meio das elei\u00e7\u00f5es. As elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o um momento muito importante para a disputa pol\u00edtica. Por qu\u00ea? Porque \u00e9 exatamente nesse per\u00edodo que toda a popula\u00e7\u00e3o passa a discutir pol\u00edtica, a se envolver com seus problemas cotidianos. Portanto, a elei\u00e7\u00e3o cumpre um papel pedag\u00f3gico: contribui para a conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, de modo que, no m\u00e9dio prazo, possamos criar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias. Essas condi\u00e7\u00f5es s\u00f3 se concretizar\u00e3o com um proletariado organizado e mobilizado nos locais de trabalho e de moradia, al\u00e9m de uma juventude firme, consciente da necessidade de mudan\u00e7as no pa\u00eds.<\/p>\n<p>No processo brasileiro, a constru\u00e7\u00e3o do socialismo se dar\u00e1 com a entrada em movimento das grandes massas. A revolu\u00e7\u00e3o brasileira ser\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o de massas. N\u00e3o ser\u00e1 feita por pequenos grupos heroicos, nem ser\u00e1 um processo sem estrat\u00e9gia para a tomada do poder. Desse ponto de vista, entendemos que o processo revolucion\u00e1rio brasileiro, conduzido pelas grandes massas, deve envolver especialmente o campo popular. E esse campo \u00e9 majorit\u00e1rio no Brasil, pois o proletariado urbano, o proletariado rural e a juventude comp\u00f5em a maioria da popula\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que essa maioria compreenda a necessidade das transforma\u00e7\u00f5es e se coloque em movimento, teremos as condi\u00e7\u00f5es para realizar o processo revolucion\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n<p>Breno Altman: Deixa eu entender melhor. Massas em movimento, essa parte eu entendi. Mas s\u00e3o massas em movimento derrubando um governo, como no caso cl\u00e1ssico da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, ou massas em movimento defendendo um governo, como se imaginou no Chile de Salvador Allende ou na Venezuela de Hugo Ch\u00e1vez e Nicol\u00e1s Maduro?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: Isso depende das condi\u00e7\u00f5es objetivas. Se, por exemplo, o Partido Comunista Brasileiro ganhar as elei\u00e7\u00f5es, faremos as mudan\u00e7as estruturais com as massas nas ruas. Sabemos que teremos uma minoria no Congresso, mas isso n\u00e3o significa ser minoria na sociedade. O sistema eleitoral brasileiro tem uma caracter\u00edstica cruel: transforma maiorias sociais em minorias pol\u00edticas, em minorias parlamentares. Nossa proposta \u00e9 inverter essa l\u00f3gica. Ao vencer as elei\u00e7\u00f5es, devemos impulsionar um processo pol\u00edtico de incorpora\u00e7\u00e3o das massas \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que a mobiliza\u00e7\u00e3o das massas \u00e9 o fator decisivo para alterar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. Por exemplo, quem imaginava que, de uma hora para outra, a C\u00e2mara dos Deputados aprovaria determinadas medidas e que, diante de milh\u00f5es de pessoas nas ruas, o Senado recuaria? Da mesma forma, recentemente, no caso de medidas que afetavam povos ind\u00edgenas, a mobiliza\u00e7\u00e3o popular levou \u00e0 revoga\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es governamentais.<\/p>\n<p>Breno Altman: A concess\u00e3o privada das hidrovias amaz\u00f4nicas.<\/p>\n<p>Edmilson Costa: Exatamente. Ent\u00e3o, do nosso ponto de vista, um governo, para conseguir realizar transforma\u00e7\u00f5es em um pa\u00eds da periferia \u2014 onde o imperialismo tem um peso econ\u00f4mico e social muito grande \u2014, s\u00f3 pode faz\u00ea-las se contar com as massas mobilizadas. Temos um exemplo que n\u00e3o \u00e9 exatamente de uma revolu\u00e7\u00e3o, mas que mostra que a mobiliza\u00e7\u00e3o popular consegue produzir mudan\u00e7as. O pr\u00f3prio Gustavo Petro, por exemplo, tinha minoria, mas conseguiu colocar as massas nas ruas sempre que havia uma disputa pol\u00edtica e, com isso, avan\u00e7ou em aspectos que, por exemplo, o nosso governo n\u00e3o conseguiu.<\/p>\n<p>Breno Altman: Pelo exemplo que voc\u00ea d\u00e1 do Gustavo Petro, presidente colombiano, eu te fa\u00e7o uma pergunta: na estrat\u00e9gia revolucion\u00e1ria do PCB, \u00e9 fundamental eleger um governo popular?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: N\u00e3o. Se consegu\u00edssemos eleger um governo popular, seria muito importante, mas isso n\u00e3o \u00e9 o fundamental. O fundamental \u00e9 colocar as massas em movimento, de forma que possam impulsionar o processo de transforma\u00e7\u00e3o. Isso pode ocorrer tanto com um governo do PCB quanto com um governo que n\u00e3o seja do PCB, porque n\u00e3o est\u00e1 dado que um processo revolucion\u00e1rio precise ser conduzido por um governo de um partido de esquerda. Na maioria das vezes, ocorreu exatamente o contr\u00e1rio: o processo revolucion\u00e1rio se deu contra governos da burguesia.<\/p>\n<p>Breno Altman: Mas, como voc\u00ea disse, na maioria dos casos isso ocorreu em pa\u00edses agr\u00e1rios e bem mais atrasados que o Brasil, n\u00e3o \u00e9? N\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil mobilizar as massas, como o PCB prop\u00f5e, se houver um governo popular?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: Evidentemente, \u00e9 muito mais f\u00e1cil. Vamos imaginar que eu ven\u00e7a as elei\u00e7\u00f5es: s\u00f3 esse fato j\u00e1 cria uma nova correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, um novo \u00e2nimo nas massas e uma nova perspectiva. Isso se torna um elemento fundamental para colocar as massas em movimento e realizar transforma\u00e7\u00f5es sociais. Mas \u00e9 importante lembrar: a burguesia nunca entregar\u00e1 de m\u00e3o beijada seu poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico. Mesmo com um governo popular e com as massas nas ruas, em algum momento ela poder\u00e1 recorrer ao imperialismo ou tentar um golpe de Estado. E n\u00f3s devemos estar preparados para enfrentar qualquer iniciativa nesse sentido, na tentativa de barrar o processo revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Breno Altman: Edmilson, s\u00e3o v\u00e1rios os grupos e partidos que comp\u00f5em aquilo que muitos chamam de campo da esquerda radical, ou seja, for\u00e7as \u00e0 esquerda do PT. Por que essas for\u00e7as n\u00e3o conseguem construir uma candidatura \u00fanica \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica? Por que aparecem tantas candidaturas nesse campo?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: Primeiro, porque quase todas essas for\u00e7as, em fun\u00e7\u00e3o da crise brasileira, est\u00e3o em processo de autoconstru\u00e7\u00e3o. Esse processo envolve disputas e diferen\u00e7as pol\u00edticas. O PCB, por exemplo, tem diverg\u00eancias com grande parte dessas for\u00e7as. S\u00e3o estrat\u00e9gias distintas, o que dificulta a constru\u00e7\u00e3o de uma pr\u00e9-candidatura unificada, j\u00e1 que ningu\u00e9m quer abrir m\u00e3o de seu projeto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o sistema eleitoral em dois turnos tem um papel importante: permite que todas as for\u00e7as se apresentem \u00e0 sociedade com seus programas e projetos. A sociedade ouve essas propostas e faz sua escolha. Esse modelo tem a vantagem de permitir esse debate mais amplo. No segundo turno, ent\u00e3o, se discute o que \u00e9 mais importante para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Breno Altman: H\u00e1 quem argumente que uma candidatura do PCB \u2014 ou de qualquer outro partido de esquerda \u2014 poderia fragmentar o campo popular, progressista ou de esquerda, e eventualmente atrapalhar a reelei\u00e7\u00e3o do presidente Lula, favorecendo uma vit\u00f3ria da extrema direita. As pesquisas mostram uma polariza\u00e7\u00e3o apertada entre Lula e Fl\u00e1vio Bolsonaro, o que n\u00e3o exclui a possibilidade de vit\u00f3ria de qualquer um deles j\u00e1 no primeiro turno. Como voc\u00ea responde a essa cr\u00edtica de que sua pr\u00e9-candidatura poderia ajudar a extrema direita?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: Pelo contr\u00e1rio, essa \u00e9 uma leitura equivocada. A pr\u00e9-candidatura do PCB \u00e9 uma pr\u00e9-candidatura comunista. Muitas pessoas do centro dizem que Lula \u00e9 comunista, mas isso n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade. O \u00fanico comunista nessa elei\u00e7\u00e3o seria o candidato do PCB. Portanto, nossa candidatura, quando entrarmos no per\u00edodo de campanha, tende a disputar votos em diversos segmentos, inclusive entre eleitores influenciados pela extrema direita.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de qualificar o debate pol\u00edtico, nossa pr\u00e9-candidatura busca enfrentar diretamente as for\u00e7as conservadoras. Nesse sentido, ela tamb\u00e9m pode se tornar um elemento adicional no campo da esquerda para disputar votos com candidaturas conservadoras e com a pr\u00f3pria extrema direita, que hoje est\u00e1 profundamente alinhada aos interesses do imperialismo no Brasil.<\/p>\n<p>Breno Altman: Voc\u00ea diz que a extrema direita \u00e9 um dos principais inimigos. Quem seriam os outros?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: Olha, temos toda a burguesia brasileira, que se estrutura, do ponto de vista parlamentar, no chamado Centr\u00e3o. Esse tamb\u00e9m \u00e9 um inimigo do povo brasileiro, porque \u00e9 esse grupo que legisla contra os trabalhadores, que aprova leis prejudiciais \u00e0 classe trabalhadora. Como inimigos dos trabalhadores, eles precisam ser derrotados. Portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas a extrema direita, mas tamb\u00e9m esses representantes da burguesia que v\u00eam se mantendo no poder desde os tempos coloniais.<\/p>\n<p>Breno Altman: O PT e o presidente Lula s\u00e3o aliados ou inimigos?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: Na luta concreta do dia a dia, quando o PT estiver junto das lutas sociais e das massas, faremos unidade de a\u00e7\u00e3o. Quando estiver implementando medidas como o arcabou\u00e7o fiscal e outras pol\u00edticas que favorecem o grande capital, estaremos contra. Temos uma independ\u00eancia pol\u00edtica e org\u00e2nica muito clara em rela\u00e7\u00e3o ao governo atual. Mas minha pr\u00e9-candidatura n\u00e3o \u00e9 contra algu\u00e9m em particular; \u00e9 contra o sistema capitalista.<\/p>\n<p>Breno Altman: Mas voc\u00eas se consideram oposi\u00e7\u00e3o ao governo Lula? Aliados cr\u00edticos? Como voc\u00eas se situam em rela\u00e7\u00e3o ao governo?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: N\u00f3s somos independentes em rela\u00e7\u00e3o ao governo Lula. Se o governo toma medidas positivas, \u00f3timo. Se adota medidas contra os trabalhadores, n\u00f3s criticamos. Preservamos de forma muito firme nossa independ\u00eancia pol\u00edtica e org\u00e2nica.<\/p>\n<p>Breno Altman: Qual \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o que voc\u00ea faz do governo Lula neste terceiro mandato? Voc\u00ea j\u00e1 comentou algo na primeira resposta, mas gostaria que detalhasse melhor como o PCB o caracteriza. Voc\u00ea considera que \u00e9 um governo neoliberal?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: Eu avalio que o governo Lula n\u00e3o cumpriu as promessas feitas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira. Prometeu colocar os ricos no Imposto de Renda e os pobres no or\u00e7amento, e isso n\u00e3o ocorreu. O governo mant\u00e9m o trip\u00e9 macroecon\u00f4mico neoliberal \u2014 ajuste fiscal, c\u00e2mbio flutuante e metas de infla\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, adota o arcabou\u00e7o fiscal. Essas s\u00e3o medidas contr\u00e1rias aos trabalhadores, pois favorecem diretamente o grande capital.<\/p>\n<p>Nesse sentido, somos contr\u00e1rios a essas pol\u00edticas. Entendemos que o governo teria condi\u00e7\u00f5es de realizar as reformas que prometeu, como revogar a reforma trabalhista e rever a reforma previdenci\u00e1ria, mas n\u00e3o o fez. E a justificativa apresentada \u00e9 a falta de correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as. Se eu encontrasse o Lula, diria: \u201cVoc\u00ea se lembra de 1978, 1979, 1980? Viv\u00edamos uma ditadura, em que a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as era totalmente desfavor\u00e1vel aos trabalhadores. Ainda assim, os trabalhadores organizados e mobilizados tiveram um papel fundamental na derrota da ditadura.\u201d<\/p>\n<p>Portanto, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as \u00e9 algo que se constr\u00f3i. Se voc\u00ea permanece passivo, n\u00e3o constr\u00f3i nada. \u00c9 preciso colocar as massas em movimento para transformar essa correla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Breno Altman: Naquela \u00e9poca, n\u00e3o era o PCB que dizia ao Lula que ele precisava tomar cuidado com a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em 1979?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: N\u00e3o, pelo contr\u00e1rio. Veja bem, naquele per\u00edodo dirig\u00edamos um conjunto de sindicatos que tamb\u00e9m protagonizavam grandes greves. Dirigimos o Sindicato dos Metal\u00fargicos de Santos, com Arnaldo Gon\u00e7alves, al\u00e9m de outros sindicatos\u2026<\/p>\n<p>Breno Altman: Edmilson, Arnaldo Gon\u00e7alves foi contra a greve geral de 21 de julho de 1984.<\/p>\n<p>Edmilson Costa: A\u00ed j\u00e1 \u00e9 outra quest\u00e3o. Voc\u00ea est\u00e1 se referindo \u00e0 d\u00e9cada de 1980. E o que foi a d\u00e9cada de 1980? Foi o per\u00edodo mais dif\u00edcil que o nosso partido viveu. E por qu\u00ea? Porque aquele antigo Comit\u00ea Central tinha uma leitura da realidade completamente dissociada do que estava acontecendo no pa\u00eds. Era uma dire\u00e7\u00e3o que, por ter vivido muito tempo no ex\u00edlio, n\u00e3o compreendia as transforma\u00e7\u00f5es da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>O partido foi muito acertado no VI Congresso, realizado em 1967, quando se definiu a estrat\u00e9gia de mobiliza\u00e7\u00e3o da frente democr\u00e1tica. E foi isso que permitiu acumular for\u00e7as para chegarmos \u00e0s greves de S\u00e3o Bernardo. No entanto, quando essas greves ocorreram, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as mudou, assim como a conjuntura. E um partido revolucion\u00e1rio precisa estar sempre atento a isso: quando a conjuntura muda, \u00e9 necess\u00e1rio ajustar a t\u00e1tica.<\/p>\n<p>O que aconteceu com o antigo Comit\u00ea Central? Ele n\u00e3o mudou a t\u00e1tica. Manteve as mesmas alian\u00e7as e palavras de ordem do per\u00edodo da Frente Democr\u00e1tica. Com isso, o partido sofreu grandes preju\u00edzos e praticamente ficou \u00e0 margem da luta social.<\/p>\n<p>Breno Altman: Quer dizer, houve um momento em que o PCB estava \u00e0 direita do Lula e do PT.<\/p>\n<p>Edmilson Costa: Exatamente. Houve um per\u00edodo assim. Veja como a hist\u00f3ria \u00e9 cheia de ironias.<\/p>\n<p>Breno Altman: Edmilson, em um eventual segundo turno entre Lula e a extrema direita, como o PCB se posicionaria?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: Ainda n\u00e3o discutimos essa quest\u00e3o. O segundo turno \u00e9 uma outra elei\u00e7\u00e3o. Mas, evidentemente, votar\u00edamos para derrotar a extrema direita.<\/p>\n<p>Breno Altman: E, claro, voc\u00ea pediria o voto do Lula caso estivesse no segundo turno.<\/p>\n<p>Edmilson Costa: Sim.<\/p>\n<p>Breno Altman: Pediria que Lula votasse em voc\u00ea contra a extrema direita.<\/p>\n<p>Edmilson Costa: Eu pediria que Lula votasse em Edmilson Costa no segundo turno.<\/p>\n<p>Breno Altman: Edmilson, quero fazer uma pergunta que desperta curiosidade em muita gente. O PCB passou recentemente por uma crise interna que levou ao afastamento \u2014 ou expuls\u00e3o \u2014 de militantes que depois criaram o PCBR. Um dos nomes mais conhecidos \u00e9 Jones Manoel. Que balan\u00e7o voc\u00ea faz desse processo? Isso n\u00e3o provocou um afastamento da juventude que vinha ingressando no PCB no s\u00e9culo XXI?<\/p>\n<p>Edmilson Costa: O que ocorreu foi, essencialmente, uma disputa pol\u00edtica sem fundamento. Alegava-se que o PCB estava fazendo um giro \u00e0 direita, que teria se tornado um \u201cpuxadinho\u201d do PSOL e que apoiava o governo Lula. Mas o que vemos hoje? O pr\u00f3prio Jones Manoel sendo candidato pelo PSOL.<\/p>\n<p>Qualquer pessoa com o m\u00ednimo de compreens\u00e3o pol\u00edtica pode perceber que o PCB n\u00e3o fez esse suposto giro \u00e0 direita, n\u00e3o se tornou um ap\u00eandice do PSOL e tampouco apoiou indiscriminadamente o governo Lula. Portanto, tratou-se de uma dissid\u00eancia constru\u00edda sobre premissas fr\u00e1geis e inver\u00eddicas.<\/p>\n<p>Atualmente, esse grupo se expressa muito mais no ambiente virtual do que na luta concreta. Basta observar sua atua\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Evidentemente, o partido perdeu militantes, especialmente na juventude \u2014 em estados como S\u00e3o Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00e3o houve perdas significativas na \u00e1rea sindical nem na milit\u00e2ncia oper\u00e1ria, que permaneceu praticamente intacta. J\u00e1 esse novo agrupamento concentrou-se em organizar a juventude que atraiu, mas, na nossa avalia\u00e7\u00e3o, isso n\u00e3o constitui uma base s\u00f3lida de constru\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>A pessoa a que voc\u00ea se referiu cresceu politicamente a partir de todo o trabalho que o partido realizou, passou a se considerar maior que o pr\u00f3prio partido e acreditou que poderia dirigi-lo. Mas o partido n\u00e3o funciona dessa maneira, e isso n\u00e3o deu certo. Quando isso acontece, o conflito se expressa como disputa pol\u00edtica. Al\u00e9m disso, ele violou normas do centralismo democr\u00e1tico, o que levou ao seu afastamento.<\/p>\n<p><strong>(CONTINUA NA PR\u00d3XIMA SEMANA)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33754\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[17,389,383],"tags":[222],"class_list":["post-33754","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s21-eleicoes","category-eleicoes-2026","category-pronunciamentos-da-secretaria-geral","tag-2b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8Mq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33754","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33754"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33754\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33756,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33754\/revisions\/33756"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33754"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33754"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33754"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}