{"id":3376,"date":"2012-08-17T16:13:33","date_gmt":"2012-08-17T16:13:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3376"},"modified":"2012-08-17T16:13:33","modified_gmt":"2012-08-17T16:13:33","slug":"massacre-na-africa-do-sul-traz-a-tona-memorias-do-apartheid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3376","title":{"rendered":"Massacre na \u00c1frica do Sul traz \u00e0 tona mem\u00f3rias do Apartheid"},"content":{"rendered":"\n<p>A cena era muito comum nos anos em que a \u00c1frica do Sul era dominada pelo regime segregacionista do Apartheid. De armas na m\u00e3o, policiais observam os corpos de manifestantes no ch\u00e3o, ensanguentados, ap\u00f3s o protesto ser \u201ccontido\u201d pelas autoridades. Nos anos 1990, os policiais eram brancos e, os mortos, todos negros lutando por igualdade. Hoje, os corpos continuam sendo de negros, mas muitos policiais tamb\u00e9m s\u00e3o. O conflito n\u00e3o \u00e9 racial, mas trabalhista. \u00c9 a \u00c1frica do Sul de 2012, livre do atroz regime da supremacia branca, mas ainda flagelado pela desigualdade e por um mercado de trabalho cruel.<\/p>\n<p>A chacina de quinta-feira 16 ocorreu nas minas de Marikana (a 40 quil\u00f4metros de Johannesburgo), onde a empresa brit\u00e2nica Lonmin obt\u00e9m 96% da platina que exporta para todo o mundo. As cenas jogaram os sul-africanos mais de uma d\u00e9cada para tr\u00e1s. Em trajes de choque e fortemente armados, os policiais montavam barricadas com arame farpado quando foram flanqueados por grupos de trabalhadores, muitos deles armados com machetes, lan\u00e7as e outras armas improvisadas. A pol\u00edcia, ent\u00e3o, abriu fogo contra os manifestantes. Ap\u00f3s a salva de tiros, pelo menos sete corpos ficaram no ch\u00e3o. A ag\u00eancia\u00a0<em>Reuters<\/em> afirmou que at\u00e9 18 pessoas podem ter sido assassinadas.<\/p>\n<p>Nesta sexta-feira 17, as not\u00edcias mostraram que o massacre foi ainda maior. Pelo 34 pessoas morreram e outras 78 ficaram feridas e foram levadas aos hospitais de Rustemburgo e Johannesburgo, duas das maiores cidades da regi\u00e3o. Imediatamente ap\u00f3s o massacre, a pol\u00edcia sul-africana n\u00e3o se manifestou. Nesta sexta, foi inevit\u00e1vel. E as declara\u00e7\u00f5es n\u00e3o servem para explicar o banho de sangue. \u201cA pol\u00edcia teve que usar a for\u00e7a para se proteger do grupo que estava atacando\u201d, disse\u00a0Riah Phiyega, um ex-executivo de bancos que \u00e9 o comandante da pol\u00edcia sul-africana desde junho.<\/p>\n<p>Horas depois das mortes, o presidente da \u00c1frica do Sul,\u00a0Jacob Zuma, emitiu um comunicado lamentando o epis\u00f3dio e prometendo levar os culpados \u00e0 Justi\u00e7a. Segundo Zuma, h\u00e1 na \u00c1frica do Sul \u201cespa\u00e7o suficiente na ordem democr\u00e1tica para que qualquer disputa seja resolvida por meio do di\u00e1logo sem rompimentos da lei ou viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>A fala de Zuma n\u00e3o encontra ecos na sociedade sul-africana. Segundo a ag\u00eancia\u00a0<em>Reuters<\/em>, o jornal\u00a0<em>Sowetan<\/em> questionou em editorial nesta sexta-feira o que havia mudado no pa\u00eds desde 1994, quando o Apartheid chegou ao fim. Para a publica\u00e7\u00e3o, os negros pobres continuam sendo tratados como objetos pelo governo. Institui\u00e7\u00f5es ligadas aos direitos humanos condenaram o massacre, tamb\u00e9m assemelhando o ato policial ao tipo de comportamento que as autoridades tinham durante o auge do regime racista.<\/p>\n<table border=\"0\" width=\"200\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td width=\"170\" bgcolor=\"#f1f1f1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/000_Par7272472.jpg?w=747\" border=\"0\" alt=\"imagem\"  align=\"left\" \/><em>Cr\u00e9dito: <a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/000_Par7272472.jpg\" target=\"_blank\">CM<\/a><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>O massacre em Marikana \u00e9 o ponto culminante de seis dias de viol\u00eancia. Desde 10 de agosto, quando a paralisa\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio, trabalhadores que tentaram furar a greve foram atacados e pelo menos dez pessoas morreram, entre elas dois policiais. H\u00e1 relatos de que a viol\u00eancia \u00e9 resultado da rivalidade de oito meses provocada por uma disputa de poder entre dois sindicatos de mineiros, um existente h\u00e1 mais de 20 anos e outro rec\u00e9m-aberto. Um l\u00edder grevista afirmou ao jornal sul-africano\u00a0<em>The Star<\/em>que os 3 mil mineiros estavam ali em nome pr\u00f3prio, ap\u00f3s d\u00e9cadas de \u201cnegocia\u00e7\u00f5es infrut\u00edferas\u201d dos sindicatos. Os trabalhadores tinham, segundo este l\u00edder, duas reivindica\u00e7\u00f5es. Serem recebidos por diretores da Lonmim e um aumento salarial dos atuais 5000 rands (equivalente a 1200 reais) para 12000 (cerca de 2900 reais).<\/p>\n<p>Barnard Mokwena, vice-presidente-executivo da mineradora, afirmou que a empresa estava interessada em negociar por meio de \u201cestruturas reconhecidas\u201d (leia-se os sindicatos) e que n\u00e3o pretendia dar aumento salarial. A grande preocupa\u00e7\u00e3o da Lonmim \u00e9 com a queda de mais de 6% de suas a\u00e7\u00f5es na Bolsa de Londres e com o fato de ter deixado de produzir cerca de 15 mil on\u00e7as (425 quilos) de platina nos \u00faltimos seis dias. A diretoria da Lonmim se recusou a comentar o massacre em suas minas. A empresa se limitou a dizer, \u00e0 ag\u00eancia\u00a0<em>Associated Press<\/em>, que se tratava de uma \u201copera\u00e7\u00e3o policial\u201d.<\/p>\n<p>O v\u00eddeo abaixo, da rede de tev\u00ea\u00a0<em>Al-Jazeera<\/em> (em ingl\u00eas), do Catar, mostra imagens do massacre (<strong>cenas fortes<\/strong>):<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?&amp;v=SqUPlYQqjN0\" target=\"_blank\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?&amp;v=SqUPlYQqjN0<\/a><\/p>\n<p> <object width=\"480\" height=\"385\"><param name=\"movie\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/SqUPlYQqjN0\" \/><param name=\"allowFullScreen\" value=\"true\" \/><param name=\"allowscriptaccess\" value=\"always\" \/><\/object> <\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/internacional\/massacre-na-africa-do-sul-traz-a-tona-memorias-do-apartheid\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.cartacapital.com.br\/internacional\/massacre-na-africa-do-sul-traz-a-tona-memorias-do-apartheid<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: CM\n\n\n\n\n\n\n\n\nJos\u00e9 Antonio Lima\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3376\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[56],"tags":[],"class_list":["post-3376","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c67-greve"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Ss","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3376","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3376"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3376\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3376"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3376"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3376"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}