{"id":33828,"date":"2026-04-25T19:39:28","date_gmt":"2026-04-25T22:39:28","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33828"},"modified":"2026-04-25T19:39:28","modified_gmt":"2026-04-25T22:39:28","slug":"a-pequena-politica-ficou-menor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33828","title":{"rendered":"A pequena pol\u00edtica ficou menor"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33829\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33828\/image-32-2\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-32.png?fit=500%2C329&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"500,329\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"image-32\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-32.png?fit=500%2C329&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-33829\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-32.png?resize=500%2C329&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"329\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-32.png?w=500&amp;ssl=1 500w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-32.png?resize=300%2C197&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Com\u00edcio da Central. Imagem: WikiCommons<\/p>\n<p>Por Mauro Luis Iasi<\/p>\n<p>\u201dEu devo estar encolhendo novamente.\u201d<br \/>\n\u2014 Alice no pa\u00eds das Maravilhas, Lewis Carroll<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 sete anos, neste mesmo blogue, escrevi um texto sobre a pequena pol\u00edtica e nossas ambi\u00e7\u00f5es, lembrando a feliz express\u00e3o de Carlos Nelson Coutinho segundo a qual estar\u00edamos vivendo \u201ca hegemonia da pequena pol\u00edtica\u201d. Nosso querido camarada se surpreenderia com o quanto a estatura da pol\u00edtica segue diminuindo, ao que parece, em raz\u00e3o diretamente proporcional ao tamanho de seus principais sujeitos.<\/p>\n<p>Naquele momento em que publiquei o artigo, viv\u00edamos sob o governo do miliciano golpista, e as intrigas no \u201cinterior de uma estrutura estabelecida\u201d \u2014 para usar a defini\u00e7\u00e3o de pequena pol\u00edtica feita por Gramsci nos Cadernos do C\u00e1rcere \u2014 expressavam uma disputa que se agravaria durante o mandato entre fac\u00e7\u00f5es das classes dominantes, que divergiam sobre manter ou n\u00e3o o paspalho no governo. A classe trabalhadora, atingida pela reforma trabalhista, por mais uma reforma da previd\u00eancia, pelos ataques contra os servi\u00e7os p\u00fablicos e o desmonte das universidades p\u00fablicas e, depois, tamb\u00e9m pela brutal pandemia, voltava seus olhos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s tarefas imediatas e de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Como afirmei naquela \u00e9poca, a pequena pol\u00edtica n\u00e3o se define, necessariamente, pelas a\u00e7\u00f5es imediatas e cotidianas, muitas delas essenciais, mas pela articula\u00e7\u00e3o destas dimens\u00f5es t\u00e1ticas com os objetivos de manter ou superar as estruturas pol\u00edticas, sociais, econ\u00f4micas e culturais que sustentam uma determinada ordem. Por isso, Gramsci articula a defini\u00e7\u00e3o de pequena pol\u00edtica ao que chama de ambi\u00e7\u00f5es das classes e fra\u00e7\u00f5es de classe.<\/p>\n<p>Bom, de l\u00e1 para c\u00e1, o desgoverno de Bolsonaro acabou, foi tentado um golpe, Lula foi eleito presidente para seu terceiro mandato e os golpistas foram condenados e presos. Entretanto, para surpresa daqueles que pouco entendem da pol\u00edtica e do Brasil, em pleno 2026 o quadro conjuntural se apresenta como uma reedi\u00e7\u00e3o do contexto de 2022, com as prefer\u00eancias eleitorais dividindo o pa\u00eds ao meio[1] entre lulistas e bolsonaristas, estes agora representados por Bowzer Junior.<\/p>\n<p>A grande m\u00eddia corporativa e seus esfor\u00e7ados \u201ccomentaristas\u201d insistem na defini\u00e7\u00e3o da \u201cpolariza\u00e7\u00e3o\u201d entre extremos e lamentam a aus\u00eancia de um candidato de centro, ao mesmo tempo em que atribuem os \u00edndices de rejei\u00e7\u00e3o ao atual governo (52%) ao desempenho da economia, ao aumento do pre\u00e7o dos alimentos e ao crescimento vertiginoso do endividamento das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Interessante notar que o governo anterior foi catastr\u00f3fico, inclusive para a economia capitalista, enquanto o atual arrumou a casa de forma respons\u00e1vel, satisfazendo os interesses de seus aliados de classe (vide o arcabou\u00e7o fiscal, os v\u00e1rios subs\u00eddios e aux\u00edlios a setores do capital monopolista, o controle da infla\u00e7\u00e3o, a garantia de autonomia do Banco Central e sua pol\u00edtica de juros altos etc.). Mesmo assim, os efeitos dessas medidas s\u00e3o atribu\u00eddos ao presidente e seu governo, e n\u00e3o aos que deram a ordem.<\/p>\n<p>Ocorre que, mais uma vez, as turbul\u00eancias evidentes na superf\u00edcie escondem um fato determinante: \u00e9 interesse da grande pol\u00edtica \u201ctentar excluir a grande pol\u00edtica do \u00e2mbito interno da vida estatal e reduzir tudo a pequena pol\u00edtica\u201d (Gramsci, 2017, p. 21). Me explico. Todos discutem o aumento do pre\u00e7o dos alimentos e sua rela\u00e7\u00e3o com a guerra imposta ao Ir\u00e3; indagam se a dela\u00e7\u00e3o do Vorcaro vai atingir os ju\u00edzes do STF e se Alexandre (o pequeno) sabia que sua esposa ganhou oitenta milh\u00f5es ou eles teriam contas separadas; especulam se o desfile da escola de samba ajudou ou atrapalhou Lula, porque 49% dos cat\u00f3licos o apoiam enquanto 61% dos evang\u00e9licos desaprovam; se perguntam se Neymar ser\u00e1 ou n\u00e3o convocado por Ancelotti, ou ainda se a lei contra a misoginia n\u00e3o seria um preconceito contra os red pills. At\u00e9 outubro, todos vamos debater sobre quem subiu ou desceu um ponto na corrida eleitoral, se o Bowzer Junior \u00e9 mesmo mais moderado que seu pai (que est\u00e1 preso na casa da princesa), se podemos considerar o Caiado como um cara de centro e Zema um cara s\u00e9rio. Alguns v\u00e3o se preocupar, com raz\u00e3o, com um poss\u00edvel governo da quadrilha alinhado com os EUA, e tudo isso anula o primeiro turno: teremos dois \u201csegundos turnos\u201d entre o governo que temos e o que t\u00ednhamos.<\/p>\n<p>O mais interessante \u00e9 que tudo isso ser\u00e1 discutido nos telejornais, acompanhado de gr\u00e1ficos bonitinhos, com a opini\u00e3o de especialistas, mostrando rep\u00f3rteres l\u00e1 em Bras\u00edlia e outros nos \u201cbastidores\u201d, algu\u00e9m de casaco em Washington, e v\u00e3o chamar tudo isso de cobertura \u201cpol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>A pequena pol\u00edtica venceu. Mas o que ela esconde? O que seria a \u201cgrande pol\u00edtica\u201d?<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o de riquezas no Brasil aumentou. O 1% mais rico concentra entre 37% e 48% da riqueza nacional, os 10% mais ricos (que tinham 51% da riqueza no final da d\u00e9cada de 1990 e 74,2% em 2014) hoje concentram algo pr\u00f3ximo de 80% e os 50% mais pobres, de 0,4% a 2,4%. Entre as dez empresas que tiveram lucro l\u00edquido acima de 1 bilh\u00e3o de reais no segundo trimestre de 2025, cinco s\u00e3o bancos. A concentra\u00e7\u00e3o de terras aumentou, 1% dos propriet\u00e1rios tem quase 50% das terras, enquanto os pequenos t\u00eam juntos 2,3%. A remessa de lucros das empresas para o exterior somou 18 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, a maior desde 1995.<\/p>\n<p>No final de 2024, o Brasil tinha 48,9 milh\u00f5es de pessoas abaixo ou na linha da pobreza (ainda que, entre 2023 e 2024, 8,6 milh\u00f5es tivessem sa\u00eddo da condi\u00e7\u00e3o de pobreza e, dentro desse total, 1,9 milh\u00e3o deixado a de mis\u00e9ria). Segundo o IBGE, cerca de 40 milh\u00f5es podem estar sem cobertura previdenci\u00e1ria, algo em torno de 54,3% da for\u00e7a de trabalho ocupada.<\/p>\n<p>O d\u00e9ficit habitacional em 2023-2024 foi de 5,97 milh\u00f5es de moradias (o menor da s\u00e9rie hist\u00f3rica), mas o n\u00famero de moradias prec\u00e1rias aumentou em mais de 1 milh\u00e3o em 2025, chegando a 27,6 milh\u00f5es. Cerca de 46% das resid\u00eancias no Brasil sofrem com problemas de saneamento, e mais de 1,2 milh\u00e3o de fam\u00edlias ainda moram em resid\u00eancias sem banheiro. Moradores das grandes cidades perdem, em m\u00e9dia, 21 dias por ano presos no transporte, o que representa uma perda de R$ 264 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia policial mata 17 pessoas por dia, mais de 6 mil por ano; o feminic\u00eddio cresceu 14,5% nos \u00faltimos cinco anos. Jovens negros s\u00e3o 73% das v\u00edtimas da viol\u00eancia, mulheres negras ganham cerca de 40% a menos do que os homens e 70% da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria brasileira (a terceira maior do mundo) \u00e9 negra.<\/p>\n<p>O desmatamento na Amaz\u00f4nia, que havia ca\u00eddo em 2024, voltou a crescer 91% em maio de 2025, o que equivale a 960 km2. Em 2019, 36% dos focos de inc\u00eandio na floresta foram causados por manejo agropecu\u00e1rio.<\/p>\n<p>O setor mineral brasileiro faturou R$ 77,9 bilh\u00f5es no primeiro trimestre de 2026, registrando crescimento de 6% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior, produzindo grande impacto ambiental na polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, desmatamento e trag\u00e9dias como as de Brumadinho e Mariana.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata apenas de um amontoado de dados, para os quais o governo e a oposi\u00e7\u00e3o t\u00eam respostas variadas, uns apontando dados de melhora pontuais, outros torturando os n\u00fameros at\u00e9 provarem o que desejam. A quest\u00e3o essencial que fica obscurecida pela pequena pol\u00edtica s\u00e3o as causas desse quadro desastroso, e isso se liga aos projetos para o Brasil.<\/p>\n<p>Octavio Ianni, em seu livro Estado e planejamento econ\u00f4mico no Brasil, apontava que entre os anos de 1930 e 1970 podemos identificar quatro grandes projetos: o nacionalismo getulista, o desenvolvimentismo de Juscelino Kubitschek, o socialismo do PCB e o projeto da ditadura ap\u00f3s 1964. Get\u00falio Vargas, principalmente no seu segundo governo (1951-1954), pensava um desenvolvimento industrial de base nacional atrav\u00e9s de empresas estatais como a Eletrobr\u00e1s e a Petrobras, f\u00e1bricas de motores, portos, ferrovias e sider\u00fargicas. Elas comporiam o setor de base para o futuro desenvolvimento de uma ind\u00fastria nacional, projeto interrompido por seu suic\u00eddio em 1954 e pela press\u00e3o das famosas \u201cfor\u00e7as ocultas\u201d.<\/p>\n<p>Reivindicando a heran\u00e7a getulista e eleito com o apoio dos dois partidos criados por Get\u00falio, Juscelino Kubitschek implantou um modelo econ\u00f4mico oposto, chamado de desenvolvimentista, no qual a ind\u00fastria de base serviria para atrair empresas transnacionais que ocupassem o setor de bens de consumo dur\u00e1veis, incentivando o latif\u00fandio exportador na esperan\u00e7a de um r\u00e1pido crescimento \u2013 os famosos cinquenta anos de progresso em cinco de governo. A crise esperada desse modelo baseado em crescimento da d\u00edvida externa, infla\u00e7\u00e3o, incha\u00e7o das cidades e aumento da depend\u00eancia levou ao governo de Jo\u00e3o Goulart e \u00e0 proposta das Reformas de Base de seu ministro Celso Furtado.<\/p>\n<p>Vamos nos deter um pouco nas Reformas de Base. Ao identificar os pontos cr\u00edticos da crise do modelo em vigor (perda de divisas, crise urbana, concentra\u00e7\u00e3o de terras, d\u00edvida e outros) propuseram-se v\u00e1rias reformas: reforma agr\u00e1ria, reforma banc\u00e1ria, reforma urbana, reforma universit\u00e1ria, lei de remessa de lucros etc. Nada que um golpe n\u00e3o resolvesse, impondo autoritariamente a manuten\u00e7\u00e3o do modelo gra\u00e7as ao forte aporte de recursos do imperialismo, o que potencializou e agravou as suas contradi\u00e7\u00f5es, fazendo com que entrasse em colapso no final dos anos 1970.<\/p>\n<p>O projeto socialista do PCB, que tinha por objetivo um governo oper\u00e1rio e campon\u00eas e o in\u00edcio de uma transi\u00e7\u00e3o socialista, passava pela consagrada \u201cteoria das etapas\u201d, segundo a qual o socialismo n\u00e3o seria poss\u00edvel imediatamente, supondo uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica em alian\u00e7a com a burguesia nacional para desenvolver o capitalismo. Da\u00ed que, no que diz respeito ao plano imediato, os comunistas tenham se aproximado tanto do nacionalismo getulista como, principalmente, do desenvolvimentismo. A Estrat\u00e9gia Democr\u00e1tica Nacional do PCB foi igualmente interrompida em 1964, quando seus m\u00edticos aliados de uma suposta e inexistente burguesia nacional cerraram fileiras com o imperialismo e o latif\u00fandio para desfechar o golpe e aprofundar o modelo de depend\u00eancia e subordina\u00e7\u00e3o ao imperialismo.<\/p>\n<p>A crise da ditadura e a chamada transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica n\u00e3o alteraram as bases do modelo econ\u00f4mico, que entrou em crise acentuada nos anos 1980. Em um diagn\u00f3stico perverso, as classes dominantes culparam o Estado pela crise, acusando-o de gigantismo, burocracia e demasiados gastos sociais diante do que se chamava de \u201cexplos\u00e3o de demandas\u201d. Em contrapartida, propuseram o saneamento financeiro do Estado, as privatiza\u00e7\u00f5es e os cortes nas pol\u00edticas p\u00fablicas. Chegava aqui o projeto neoliberal de Pinochet e Thatcher.<\/p>\n<p>A cren\u00e7a, bem expressa pelos governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), era de que as privatiza\u00e7\u00f5es, o controle dos gastos p\u00fablicos, o controle da infla\u00e7\u00e3o e a prioridade do setor financeiro levariam a um crescimento sustent\u00e1vel, o que n\u00e3o ocorreu, funcionando de fato como uma gambiarra para manter o pagamento das d\u00edvidas externa e interna, apoiando-se em um modelo que apresentava as mesmas e potencializadas contradi\u00e7\u00f5es (concentra\u00e7\u00e3o de terras, crescimento desordenado das cidades, aumento da depend\u00eancia etc.).<\/p>\n<p>O PT, que emerge dos movimentos de resist\u00eancia da classe trabalhadora contra os efeitos desse modelo, se apresenta inicialmente com uma proposta socialista baseada na constata\u00e7\u00e3o de que o crescimento econ\u00f4mico capitalista desenvolveu o Brasil sem resolver suas principais contradi\u00e7\u00f5es, deixando tarefas democr\u00e1ticas em atraso (reforma agr\u00e1ria, democratiza\u00e7\u00e3o do Estado, diminui\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais e regionais etc.). Inicialmente, tamb\u00e9m critica a vis\u00e3o etapista do PCB e afirma que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma alian\u00e7a com a burguesia para realizar uma \u201cetapa democr\u00e1tica popular do capitalismo\u201d. Prop\u00f5e, dessa forma, um programa antilatifundi\u00e1rio, antimonopolista e anti-imperialista, que seria poss\u00edvel pela combina\u00e7\u00e3o de duas frentes: um forte movimento de massas de car\u00e1ter anticapitalista e a ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os institucionais, culminando com a conquista da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Ocorre que a vit\u00f3ria eleitoral em 2002 se apresentou sem que esse ac\u00famulo de for\u00e7as na sociedade tivesse alterado a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, for\u00e7ando uma Estrat\u00e9gia Democr\u00e1tica e Popular que pensasse a continuidade do ac\u00famulo de for\u00e7as ocupando o governo federal, rebaixando o programa e ampliando as alian\u00e7as primeiro ao centro e, depois, \u00e0 direita. O programa anticapitalista e de perspectiva socialista \u00e9 substitu\u00eddo por um programa democr\u00e1tico e antineoliberal, que na sucess\u00e3o de governos foi se tornando um projeto de desenvolvimento econ\u00f4mico como condi\u00e7\u00e3o para programas sociais de transfer\u00eancia de renda focalizados e fragment\u00e1rios, a fim de combater a mis\u00e9ria absoluta. Uma trajet\u00f3ria interrompida, apesar das concess\u00f5es, pelo golpe parlamentar, jur\u00eddico e midi\u00e1tico de 2016.<\/p>\n<p>A crise do lulismo, que subordinou o pr\u00f3prio petismo, abriu caminho para a extrema direita e para a vit\u00f3ria de Bolsonaro em 2018, com seu projeto de desmonte do Brasil a golpes de ultraliberalismo, fundamentalismo religioso e moral, entreguismo absoluto e rendi\u00e7\u00e3o total ao capital monopolista em todas as suas fei\u00e7\u00f5es (\u201ceu vim para destruir, n\u00e3o para construir\u201d, dizia o miliciano com pretens\u00f5es fascistas no Planalto). Numa esp\u00e9cie de saudosismo anacr\u00f4nico, o golpista sonha com a ditadura de 1964 e tenta um golpe depois de perder as elei\u00e7\u00f5es para Lula em 2022.<\/p>\n<p>Eis que estamos de volta a 2026, \u00e0s v\u00e9speras de uma nova elei\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, nos perguntamos: qual \u00e9 o projeto?<\/p>\n<p>Para os amantes da pequena pol\u00edtica e seus sacerdotes, trata-se de definir entre Lula, defensor da democracia, e Fl\u00e1vio Bolsonaro (Bowzer Junior), defensor da ditadura e da volta \u00e0 idade das trevas, agora mais moderado. Essa pode ser, e provavelmente ser\u00e1, a triste alternativa do segundo turno que acontece em novembro, e n\u00e3o em outubro.<\/p>\n<p>Quando trazemos a discuss\u00e3o do projeto, e n\u00e3o de programas eleitorais como pe\u00e7as oportunistas de publicidade, estamos nos esfor\u00e7ando para apontar para al\u00e9m da pequena pol\u00edtica. Quais os problemas do Brasil, suas causas profundas e, portanto, as possibilidades de resolu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Mesmo sabendo que vamos incomodar os adictos da pequena pol\u00edtica (que gostam de textos e v\u00eddeos curtos) vamos fazer de conta que a discuss\u00e3o \u00e9 s\u00e9ria e os interlocutores n\u00e3o s\u00e3o totalmente oportunistas.<\/p>\n<p>N\u00f3s, comunistas do PCB, acreditamos que o rol de problemas enfrentados pela classe trabalhadora e a maioria da popula\u00e7\u00e3o se articula em quatro crises, que em seu conjunto pertencem a uma crise maior. Vejamos.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, temos a crise do trabalho, derivada de uma profunda altera\u00e7\u00e3o no padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o, chamado ideologicamente de flex\u00edvel, que veio se sobrepor ao fordismo (para pensar com Ricardo Antunes em Os sentidos do trabalho). Tal altera\u00e7\u00e3o, profundamente ancorada no esfor\u00e7o de valoriza\u00e7\u00e3o do capital, intensifica\u00e7\u00e3o e poupan\u00e7a de for\u00e7a de trabalho, teve um forte impacto sobre as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, contratos e perfil da classe trabalhadora. O resultado foi a desconcentra\u00e7\u00e3o da classe, sua fragmenta\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o, gerando um quadro intenso de precariza\u00e7\u00e3o e superexplora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A segunda crise se d\u00e1 pelo crescimento do capital monopolista no campo e pela transforma\u00e7\u00e3o do antigo latif\u00fandio em monop\u00f3lio capitalista da terra, eufemisticamente chamado de \u201cagroneg\u00f3cio\u201d. Esse processo aumentou a concentra\u00e7\u00e3o de terras, a expropria\u00e7\u00e3o no campo e, da mesma forma que no setor industrial urbano, intensificou a explora\u00e7\u00e3o sobre os trabalhadores agr\u00edcolas, precarizando suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o dessas duas crises fundamentais desdobra-se para outras duas crises: a urbana e a ambiental.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o da expropria\u00e7\u00e3o no campo com o novo padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria urbana agrava sobremaneira a forma\u00e7\u00e3o de uma superpopula\u00e7\u00e3o relativa e o crescimento desordenado das cidades, com todos os problemas que da\u00ed derivam: moradia, saneamento, viol\u00eancia urbana, gentrifica\u00e7\u00e3o, precariedade de servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, transporte e de acesso \u00e0 cultura, entre tantos outros. Se Lefebvre (1999) falava da cidade do capital, agora ela \u00e9 a cidade da crise do capital.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a intera\u00e7\u00e3o entre as crises do trabalho e do monop\u00f3lio capitalista no campo culmina na crise ambiental. Estamos mais acostumados a ver seus efeitos no desmatamento, nas consequ\u00eancias delet\u00e9rias da minera\u00e7\u00e3o e na expans\u00e3o da agropecu\u00e1ria. No entanto, a cidade da crise do capital \u00e9 uma express\u00e3o explosiva da crise ambiental, como uma ferida purulenta na pele do planeta para a qual n\u00e3o h\u00e1 antibi\u00f3tico de medidas superficiais que d\u00ea conta (n\u00e3o \u00e9 culpa sua, que toma banhos longos e insiste em sair do supermercado com saquinhos pl\u00e1sticos). A crise ambiental \u00e9 a express\u00e3o, seja no seu terreno urbano, da cobertura vegetal ou das nascentes, cursos de \u00e1gua e oceanos, da crescente deteriora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais em nome da valoriza\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que estamos convencidos de que existe uma quinta crise, que engloba e determina as quatro anteriormente citadas: a crise do capital. O capital em crise, como j\u00e1 nos ensinaram Marx, no Livro III de O capital, e depois Mandel (1990), apresenta-se como superprodu\u00e7\u00e3o e superacumula\u00e7\u00e3o que leva, tendencialmente, \u00e0 queda das taxas de lucro. As medidas do capital para tentar contrarrestar essa tend\u00eancia s\u00e3o a intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o, a diminui\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, o aumento da superpopula\u00e7\u00e3o relativa, o barateamento dos elementos do capital constante (insumos, m\u00e1quinas, pr\u00e9dios, estrutura urbana etc.), abertura de novos mercados e o capital portador de juros. L\u00eanin, em Imperialismo, est\u00e1gio superior do capitalismo, agregaria a essa lista a exporta\u00e7\u00e3o de capitais, a partilha do mundo e a guerra.<\/p>\n<p>Ora, o capital em crise se expande e intensifica a explora\u00e7\u00e3o, destruindo ciclicamente meios de produ\u00e7\u00e3o, seres humanos e recursos naturais numa escala catacl\u00edsmica. Se a cidade do capital e a natureza em chamas s\u00e3o as feridas purulentas desta civiliza\u00e7\u00e3o, a crise do capital \u00e9 a bact\u00e9ria que as provocou. Prova disso encontramos quando nos perguntamos sobre aquelas classes e segmentos de classe que se apresentam com seus interesses no interior dessas crises. Por tr\u00e1s de cada uma destas crises encontramos um setor do grande capital monopolista: nas grandes f\u00e1bricas e empresas transnacionais, no monop\u00f3lio das sementes transg\u00eanicas e defensivos agr\u00edcolas, nos monop\u00f3lios da constru\u00e7\u00e3o civil e empreiteiras, no monop\u00f3lio das grandes mineradoras e companhias petrol\u00edferas, no monop\u00f3lio capitalista da terra, nos grandes conglomerados de m\u00eddia, nas empresas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, no monop\u00f3lio financeiro e banc\u00e1rio, que surgem como uma praga em todo o tecido econ\u00f4mico, social e cultural da civiliza\u00e7\u00e3o do capital.<\/p>\n<p>Se n\u00f3s desenvolvemos a economia capitalista, desenvolvemos todos esses problemas e suas inevit\u00e1veis consequ\u00eancias, dando raz\u00e3o a Theot\u00f4nio do Santos quando afirmou que o desenvolvimento em um pa\u00eds dependente \u00e9 o desenvolvimento do subdesenvolvimento. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio afirmar um programa anticapitalista e anti-imperialista, n\u00e3o por saudosismo de consignas, mas porque \u00e9 imposs\u00edvel enfrentar qualquer problema de nossa forma\u00e7\u00e3o social sem encarar pela frente um dos representantes do monop\u00f3lio capitalista \u2013 e esses representantes j\u00e1 s\u00e3o articulados e submissos \u00e0 ordem do capital imperialista (independentemente da cor de sua bandeira). Por isso, a revolu\u00e7\u00e3o brasileira deve ter um horizonte estrat\u00e9gico socialista.<\/p>\n<p>Por \u00f3bvio s\u00e3o necess\u00e1rias media\u00e7\u00f5es t\u00e1ticas, mas n\u00e3o aquelas que nos afastam da estrat\u00e9gia em vez de caminhar em sua dire\u00e7\u00e3o. Apresentamos tais media\u00e7\u00f5es nos programas de minha candidatura presidencial em 2014, da camarada Sofia Manzano em 2022 e agora com a pr\u00e9-candidatura de Edmilson Costa. Basta pensar em algumas propostas por n\u00f3s apresentadas para ver como certos problemas que aqui foram descritos poderiam ter tido uma hist\u00f3ria bem diferente, tais como a estatiza\u00e7\u00e3o do sistema financeiro, o fim da pol\u00edcia militar, a reforma agr\u00e1ria e uma nova pol\u00edtica agr\u00edcola, a estatiza\u00e7\u00e3o dos recursos minerais, uma reforma urbana radical, a radical revers\u00e3o da pol\u00edtica contra os direitos da classe trabalhadora (previdenci\u00e1rios, trabalhistas, sindicais etc.), o enfrentamento s\u00e9rio da crise ambiental contra os verdadeiros algozes da natureza e do planeta, a urgente e necess\u00e1ria desmercantiliza\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>Mas tudo isso \u00e9 sonho, n\u00e3o \u00e9? Nada disso dialoga com a realidade, nossos problemas e suas determina\u00e7\u00f5es. O melhor \u00e9 continuar discutindo as taxas de juros e a necessidade de atrair algu\u00e9m do agroneg\u00f3cio para a posi\u00e7\u00e3o de vice-governador em S\u00e3o Paulo, ao lado do pai do Arcabou\u00e7o Fiscal. Melhor pensar em nomes do que em projetos pol\u00edticos. De outro lado, podemos tentar colocar uma camiseta que diz \u201cpai de filhas meninas\u201d no filhote do Cruz-Credo para ele parecer menos machista e fascista visando o voto feminino ou, ainda, se lan\u00e7ar candidato mesmo que isso signifique abandonar tudo o que falou at\u00e9 agora seu partido e sair como o flautista de Hamelin, antiga forma dos influencers, guiando seus seguidores para o abismo.<\/p>\n<p>Mas isso s\u00e3o coisas de uma pol\u00edtica ainda menor. \u00c9 certo, temos que ser pragm\u00e1ticos e atuar na realidade existente. Sobre este ponto, eu indicaria um texto de Luk\u00e1cs (que os seguidores de youtubers n\u00e3o gostam porque escreve \u201ctext\u00f5es\u201d), significativamente denominado \u201cT\u00e1tica e \u00e9tica\u201d, no qual afirma o seguinte: \u201cSe\u202fexiste um\u202fmovimento\u202fhist\u00f3rico para o qual a\u202fRealpolitik \u00e9 nefasta\u202fe sinistra, esse movimento \u00e9 o socialismo\u201d(Luk\u00e1cs, 2005).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<ol>\n<li>Segundo as pesquisas do DataFolha (Lula 46% e Fl\u00e1vio 45% no segundo turno) e Quaest (Fl\u00e1vio 42% e Lula 40%). \u21a9\ufe0e<br \/>\nRefer\u00eancias<\/li>\n<\/ol>\n<p>ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho. S\u00e3o Paulo. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 1999.<\/p>\n<p>GRAMSCI, A. Cadernos do c\u00e1rcere. Volume 3. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2007.<\/p>\n<p>IANNI, O. Estado e planejamento econ\u00f4mico no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2004.<\/p>\n<p>LEFEBVRE, H. A cidade do capital. Rio de Janeiro: DP&amp;A, 1999.<\/p>\n<p>LENIN, V. I. Imperialismo, est\u00e1gio superior do capitalismo. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2021.<\/p>\n<p>LUK\u00c1CS, G. T\u00e1tica y \u00e9tica: escritos tempranos. Buenos Aires: El cielo por assalto, 2005.<\/p>\n<p>MANDEL, E. A crise do capital. Campinas: Ed. Unicamp; S\u00e3o Paulo: Ensaio, 1990.<\/p>\n<p>MARX, K. O capital. Livro III. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2017.<\/p>\n<p>***<br \/>\nMauro Iasi professor aposentado da Escola de Servi\u00e7o Social da UFRJ, professor convidado do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Servi\u00e7o Social da PUC de S\u00e3o Paulo, educador popular e militante do PCB. \u00c9 autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o n\u00e3o ser da consci\u00eancia (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifesta\u00e7\u00f5es que tomaram as ruas do Brasil e Gy\u00f6rgy Luk\u00e1cs e a emancipa\u00e7\u00e3o humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente. Na TV Boitempo, apresenta o Caf\u00e9 Bolchevique, um encontro mensal para discutir conceitos-chave da tradi\u00e7\u00e3o marxista a partir de reflex\u00f5es sobre a conjuntura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33828\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[66,10],"tags":[225],"class_list":["post-33828","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c79-nacional","category-s19-opiniao","tag-4a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8NC","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33828","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33828"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33828\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33830,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33828\/revisions\/33830"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}