{"id":3386,"date":"2012-08-20T21:07:24","date_gmt":"2012-08-20T21:07:24","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3386"},"modified":"2012-08-20T21:07:24","modified_gmt":"2012-08-20T21:07:24","slug":"ditadura-continua-polarizando-a-imprensa-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3386","title":{"rendered":"Ditadura continua polarizando a imprensa brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p>Em sua batalha di\u00e1ria por atingir o est\u00e1gio de uma aut\u00eantica democracia, o Brasil continua recheado de confronta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas em torno do legado da ditadura militar que vigorou no pa\u00eds de 1964 a 1985. Em um dos principais campos dessa disputa, a comunica\u00e7\u00e3o, nota-se a mesma polariza\u00e7\u00e3o, opondo, de um lado, a m\u00eddia burguesa e comercial e, de outro, a chamada m\u00eddia alternativa.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de nenhuma casualidade, uma vez que a primeira incitou, festejou e apoiou incondicionalmente o golpe, at\u00e9 os seus estertores, quando, de forma obviamente oportunista, passou a acompanhar os ventos pol\u00edticos de ent\u00e3o, j\u00e1 soprando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia. Do outro lado, est\u00e3o os herdeiros que at\u00e9 hoje tentam substituir todos os \u00f3rg\u00e3os de imprensa\u00a0desaparecidos nos anos de chumbo, em geral recheados de jornalistas que de alguma forma conheceram de perto a repress\u00e3o e o arb\u00edtrio fardado.<\/p>\n<p>Como o Brasil at\u00e9 hoje n\u00e3o se confrontou de fato com seu passado sombrio e com a puni\u00e7\u00e3o dos carrascos que torturaram, mataram e sumiram a bel prazer com corpos e direitos de opositores pol\u00edticos, seguem as disputas nas ruas, nas comunica\u00e7\u00f5es e na justi\u00e7a por abertura de arquivos, julgamento de repressores e aplica\u00e7\u00e3o de penas punitivas contra aqueles que cometeram os imprescrit\u00edveis crimes de lesa humanidade.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a pr\u00f3pria qualifica\u00e7\u00e3o de tais crimes j\u00e1 mostra o partido tomado pelos citados setores da imprensa. Grupos como Globo, Folha, Estado, Abril insistem nas teses defendidas na lei de Anistia que os pr\u00f3prios militares promulgaram em seu favor. No entanto, conven\u00e7\u00f5es e legisla\u00e7\u00f5es internacionais assinadas pelo Brasil se chocam diretamente com tais preceitos, tidos como inaceit\u00e1veis pelo direito internacional. Caso contr\u00e1rio, ficaria dif\u00edcil punir genocidas, ditadores, torturadores e assassinos em geral de outros regimes autorit\u00e1rios, conforme j\u00e1 procederam alguns pa\u00edses.<\/p>\n<p>Por conta disso, o Brasil voltou a ficar na al\u00e7a de mira da luta mundial pelos direitos humanos, ap\u00f3s ser condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso referente \u00e0 guerrilha do Araguaia, quando desacatou a ordem de buscar os restos mortais dos guerrilheiros ali mortos em combates contra o ex\u00e9rcito, que por sua vez continua a homenagear os fac\u00ednoras do regime de exce\u00e7\u00e3o e mostrar\u00a0lament\u00e1vel neglig\u00eancia na elucida\u00e7\u00e3o de seus crimes.<\/p>\n<p>Como era de se imaginar, a m\u00eddia que\u00a0bateu contin\u00eancia ignorou o fato, estampando pequenas notas e mostrando nenhuma indigna\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 falta de respeito do pa\u00eds e do Estado brasileiro para com suas v\u00edtimas. No lado oposto, n\u00e3o faltou a cobertura que uma relevante condena\u00e7\u00e3o sofrida pelo pa\u00eds exige, refor\u00e7ada pelo fato de termos no momento uma ex-guerrilheira na presid\u00eancia, que por sua vez declarou que os direitos humanos seriam car\u00edssimos ao novo governo.<\/p>\n<p>Na mesma esteira &#8211; ap\u00f3s anos de luta de alguns setores realmente progressistas que ocuparam cargos oficiais nos \u00faltimos mandatos, al\u00e9m das v\u00edtimas, familiares e militantes anti-ditadura, complementados pelas referidas press\u00f5es e condena\u00e7\u00f5es externas -, chegou a hora que o pa\u00eds teve de instaurar algum mecanismo de investiga\u00e7\u00e3o do passado ditatorial, trazendo a p\u00fablico seu ros\u00e1rio de atrocidades.<\/p>\n<p>Inicialmente chamada de\u00a0Comiss\u00e3o da Verdade, Mem\u00f3ria e Justi\u00e7a, esse instrumento a ser implementado pelo atual governo democr\u00e1tico logo se reduziu apenas ao seu primeiro ter\u00e7o, atendendo exatamente a press\u00f5es e chantagens dos militares, que encontraram na m\u00eddia a eles afinada uma generosa tribuna de revis\u00e3o e distor\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, al\u00e9m daodiosa ret\u00f3rica do medo e das eventuais conseq\u00fc\u00eancias que mexer no passado imundo do pa\u00eds traria.<\/p>\n<p>Nesse bojo, algumas posi\u00e7\u00f5es foram paulatinamente se radicalizando. De um lado, os militares voltavam a ranger dentes, atentos \u00e0 crescente indigna\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o sobre sua impunidade, j\u00e1 vista por boa parte das pessoas como respons\u00e1vel direta pela cultura, precisamente, de impunidade vigente no pa\u00eds &#8211; al\u00e9m do nefasto legado de viol\u00eancias praticadas pelas atuais \u201cfor\u00e7as de seguran\u00e7a\u201d, que cometem as mesmas ilegalidades e barbaridades do regime de exce\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, em quantidade incomparavelmente superior, caso praticamente \u00fanico no mundo.<\/p>\n<p>Enquanto os familiares e v\u00edtimas da ditadura, com seus advogados, come\u00e7aram a procurar novas interpreta\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas para incrimin\u00e1-los, contando tamb\u00e9m com a ajuda do Minist\u00e9rio P\u00fablico, os militares se articulam para protelar o quanto puderem a revis\u00e3o de sua Lei de Anistia, reconhecida pelo STF como v\u00e1lida. Trata-se de decis\u00e3o pol\u00edtica sem respaldo algum na comunidade e, como dito, direito internacionais. No entanto, serve pra explicar como o Estado brasileiro \u00e9 repleto de benefici\u00e1rios e ex-aliados da ditadura, que agora tratam de travar ao m\u00e1ximo a luta por justi\u00e7a e puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar disso, os discursos carregados de cinismo na defesa pelo esquecimento do passado, baseados em falsas premissas conciliadoras, continuam a ecoar fortemente pela m\u00eddia conservadora. Chamou aten\u00e7\u00e3o editorial da Folha de S. Paulo, talvez o jornal mais descaradamente aliado dos militares, intitulado \u201cRespeitem a lei de Anistia\u201d, cujo t\u00edtulo e tom dispensam coment\u00e1rios.\u00a0<\/p>\n<p>Fora isso, qualquer nota ou declara\u00e7\u00e3o dos chamados \u2018milicos de pijama\u2019 ganha espa\u00e7o nas p\u00e1ginas dos peri\u00f3dicos dos referidos grupos, sempre em vi\u00e9s de amea\u00e7a, sugerindo que nossa atual ordem constitucional se encontrar\u00e1 sob risco caso se invista seriamente na elucida\u00e7\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o dos crimes da ditadura, al\u00e9m da abertura de seus arquivos \u2013 por sinal, outro po\u00e7o de obscuridade, existindo at\u00e9 hoje importantes documentos em m\u00e3os dos repressores.<\/p>\n<p>Para fazer o m\u00ednimo jogo de cena, vez por outra aparece a opini\u00e3o ou uma modesta mat\u00e9ria com o lado vitimado, costumeiramente identificado de forma pejorativa como bandos de esquerdistas e comunistas ent\u00e3o radicalizados, o que est\u00e1 longe de refletir a realidade da oposi\u00e7\u00e3o ao regime na \u00e9poca. No entanto, nunca se viram opini\u00f5es de seus tradicionais articulistas em favor desse lado com o mesmo volume e contund\u00eancia das tergiversa\u00e7\u00f5es pr\u00f3-militares.<\/p>\n<p>Mais uma vez, nota-se uma gritante diferen\u00e7a ao se comparar este jornalismo com o de outros ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o menos abastados e conservadores. Nestes, podemos verificar grande quantidade de mat\u00e9rias e artigos dando voz \u00e0s v\u00edtimas da ditadura, al\u00e9m de uma clara orienta\u00e7\u00e3o editorial de puni\u00e7\u00e3o de tais crimes e um consider\u00e1vel trabalho em favor da mem\u00f3ria, a ser incutida nas novas gera\u00e7\u00f5es de leitores.<\/p>\n<p>Em geral, tais ve\u00edculos possuem em suas reda\u00e7\u00f5es e conselhos editorais jornalistas que sofreram diretamente na carne as viol\u00eancias e censuras perpetradas pela ditadura. S\u00e3o pessoas que trabalharam em diversos jornais e revistas que n\u00e3o mais existem exatamente por n\u00e3o terem se curvado aos militares e resistido at\u00e9 onde fosse poss\u00edvel, inclusive na clandestinidade. Ou trabalharam nos que ainda existem, at\u00e9 a \u201casfixia\u201d total.<\/p>\n<p>Enquanto os referidos ve\u00edculos dos monop\u00f3lios midi\u00e1ticos oferecem todo o espa\u00e7o desejado pelos oficiais da reserva, sob a alega\u00e7\u00e3o de que estes n\u00e3o devem obedi\u00eancia ao Executivo por j\u00e1 n\u00e3o serem da ativa, a m\u00eddia da contracorrente vem elevando seu empenho na pr\u00e1tica de um\u00a0jornalismo de mem\u00f3ria, mostrando aos brasileiros de hoje a rela\u00e7\u00e3o direta que este per\u00edodo tem com nosso arremedo de democracia, at\u00e9 hoje cerceada e monopolizada pelos mesmos oligarcas, latifundi\u00e1rios e industriais que tiraram Jo\u00e3o Goulart do poder pela for\u00e7a dos tanques e fuzis.<\/p>\n<p>Outro momento que marcou essa confronta\u00e7\u00e3o foi o 48\u00ba anivers\u00e1rio do golpe \u2013 ou \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d, como insistem em chamar os freq\u00fcentadores do Clube Militar, desta vez alvo de protestos em sua porta. Sintomaticamente, a PM carioca, at\u00e9 outro dia em greve que pedia, e at\u00e9 recebia, a solidariedade popular, reprimiu os manifestantes, inclusive ferindo alguns com suas famosas armas \u201cn\u00e3o-letais\u201d israelenses.<\/p>\n<p>No mesmo fim de semana, o troco foi dado atrav\u00e9s de um desfile do bloco de carnaval denominado\u00a0Cord\u00e3o da Mentira, organizado por alguns movimentos sociais, tanto da pol\u00edtica como da cultura, com respaldo de jornalistas e ve\u00edculos de m\u00eddia alternativa. O ato\/festa causou impacto ao fazer seu itiner\u00e1rio em cima de marcos simb\u00f3licos dos anos de chumbo, como a sede da TFP e a entrada da Folha de S. Paulo, culminando no atual Memorial da Resist\u00eancia, antiga sede do mal assombrado DOPS, onde se torturou e matou como em poucos lugares.<\/p>\n<p>Na seq\u00fc\u00eancia disso, vieram os\u00a0\u201cescrachos\u201d, inspirados nos atos da popula\u00e7\u00e3o argentina de visitar casas de velhos repressores e denunci\u00e1-los pela vizinhan\u00e7a, expondo-os \u00e0 realidade de suas biografias de maneira que o Estado brasileiro ainda n\u00e3o se encorajou a fazer. Organizados pelo rec\u00e9m-formado Levante Popular da Juventude, os escrachos deram razo\u00e1vel retorno e novo f\u00f4lego na luta pelo combate \u00e0 impunidade ditatorial.<\/p>\n<p>Tais fatos, ocorridos num curto espa\u00e7o de tempo, tornaram a ter a repercuss\u00e3o caracter\u00edstica de cada espectro jornal\u00edstico e evidenciaram sua polariza\u00e7\u00e3o. Na m\u00eddia comercial, destaque um pouco maior para os protestos diante do Clube Militar, fria e acriticamente, enquanto que os atos de rua posteriores \u00e0 festa dos saudosos da ditadura praticamente n\u00e3o foram repercutidos. Como n\u00e3o poderia deixar de ser, no outro lado da trincheira, o destaque foi grande, em geral com maior cobertura presencial e posi\u00e7\u00f5es elogiosas \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dessa forma, os debates em torno da heran\u00e7a (e o que dela fazer) da ditadura civil-militar geram uma grande polariza\u00e7\u00e3o em nossa imprensa, ati\u00e7ada pela culpa que eternamente carregar\u00e3o e tentar\u00e3o esconder os bar\u00f5es da m\u00eddia, cujos imp\u00e9rios se solidificaram exatamente por obra deste regime. Ao lado, ao mesmo tempo, da n\u00e3o menos duradoura indigna\u00e7\u00e3o daqueles que praticam o jornalismo guiados por seus preceitos \u00e9ticos, sociais e humanit\u00e1rios, aut\u00eanticas cl\u00e1usulas p\u00e9treas deste of\u00edcio.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, n\u00e3o existe qualquer resqu\u00edcio de \u201cimparcialidade\u201d, outra grande lenda inventada pela m\u00eddia patronal. Sempre partid\u00e1ria dos interesses da atual ditadura, a de mercado, essa m\u00eddia apela a tais princ\u00edpios de isen\u00e7\u00e3o \u2013 ou frigidez \u2013 em momentos que lhe conv\u00e9m, quando o assunto incomoda a tal ponto que, na verdade, seus donos sequer gostariam de abord\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Por outro lado, a corrente derrotada na ditadura segue em sua luta por um jornalismo e um pa\u00eds menos b\u00e1rbaros e mais democr\u00e1ticos, produzindo cada vez mais\u00a0livros,\u00a0reportagens, editoriais, document\u00e1rios sobre esse per\u00edodo de grande vergonha e humilha\u00e7\u00e3o. Interpreta que esse momento hist\u00f3rico at\u00e9 hoje influencia e determina rumos na vida de nossa popula\u00e7\u00e3o, seja na pol\u00edtica, na distribui\u00e7\u00e3o de renda, na educa\u00e7\u00e3o, na cultura ou nos mais variados direitos humanos.<\/p>\n<p>Cabe a cada cidad\u00e3o, cada vez mais, escolher por onde se informar e orientar.<\/p>\n<p><strong>*Gabriel Brito \u00e9 jornalista do Correio da Cidadania.<\/strong> Cartaoberro@serverlinux.revistaoberro.com.br<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.correiocidadania.com.br\" target=\"_blank\">www.correiocidadania.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: 3.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\npor Gabriel Brito*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3386\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-3386","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-SC","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3386","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3386"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3386\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3386"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3386"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3386"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}