{"id":33876,"date":"2026-05-15T11:37:53","date_gmt":"2026-05-15T14:37:53","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33876"},"modified":"2026-05-15T11:37:53","modified_gmt":"2026-05-15T14:37:53","slug":"o-papel-da-extensao-universitaria-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33876","title":{"rendered":"O papel da extens\u00e3o universit\u00e1ria hoje"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33877\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33876\/attachment\/50015\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/50015.webp?fit=800%2C533&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"800,533\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"50015\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/50015.webp?fit=747%2C498&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-33877\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/50015.webp?resize=747%2C498&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"498\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/50015.webp?w=800&amp;ssl=1 800w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/50015.webp?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/50015.webp?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>A extens\u00e3o universit\u00e1ria, tal como vem sendo praticada, explicita um descompasso cada vez mais evidente entre o que a universidade afirma ser e aquilo que, de fato, se realiza. Mesmo que ainda o princ\u00edpio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extens\u00e3o permane\u00e7a como um refer\u00eancia formal, o cotidiano acad\u00eamico revela uma fragmenta\u00e7\u00e3o ainda persistente, no qual a extens\u00e3o ocupa, quase sempre, o lugar mais fr\u00e1gil dentro das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior (IES). Nesse sentido, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se trata apenas de falta de recursos ou de reconhecimento institucional, embora isso tamb\u00e9m exista, mas sim de um rebaixamento pol\u00edtico do seu papel, que a empurra ora para o assistencialismo, ora para a l\u00f3gica de mercado.<\/p>\n<p>Esse movimento n\u00e3o ocorre de maneira neutra, pelo contr\u00e1rio. Quando a extens\u00e3o se reduz em a\u00e7\u00f5es pontuais, descoladas de processos mais amplos, ela tende a assumir um car\u00e1ter paliativo: interv\u00e9m nos efeitos das desigualdades sem tocar verdadeiramente nas suas causas. Em outras situa\u00e7\u00f5es, quando subordinada a editais, conv\u00eanios e demandas externas, passa a operar como presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, ajustando-se a interesses que pouco t\u00eam a ver com as necessidades reais da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em ambos os casos, o resultado \u00e9 semelhante: a universidade mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o distante e vertical com a sociedade, ao mesmo tempo em que preserva intactas as estruturas que produzem essa dist\u00e2ncia. Assim, \u00e9 justamente por isso que, ao falar sobre extens\u00e3os hoje, n\u00e3o \u00e9 suficiente defender de forma abstrata. \u00c9 preciso demarcar qual extens\u00e3o est\u00e1 em disputa, sobretudo, qual extens\u00e3o que se faz necess\u00e1ria. Nesse ponto, a extens\u00e3o popular n\u00e3o aparece como uma alternativa entre outras, mas como a forma concreta de recolocar a universidade em sintonia com as urg\u00eancias do nosso tempo.<\/p>\n<p>A extens\u00e3o que precisamos hoje \u00e9, antes de tudo, aquela que rompe com o assistencialismo, n\u00e3o se trata de \u201clevar\u201d conhecimento \u00e0s comunidades, como se estas fossem espa\u00e7os vazios \u00e0 espera da interven\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria. Essa l\u00f3gica, ainda muito presente, apenas reproduz rela\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia e refor\u00e7a a ideia de que o saber leg\u00edtimo est\u00e1 concentrado dentro da universidade. A extens\u00e3o popular, ao contr\u00e1rio, parte do reconhecimento de que o conhecimento tamb\u00e9m (e principalmente) \u00e9 produzido fora dela , nas pr\u00e1ticas cotidianas, nas formas de organiza\u00e7\u00e3o coletiva, nas experi\u00eancias de luta. O que se prop\u00f5e, portanto, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o horizontal, em que universidade e povo constroem juntos respostas para problemas comuns.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se trata \u201cs\u00f3\u201d sobre uma mudan\u00e7a de postura; \u00e9 uma mudan\u00e7a de dire\u00e7\u00e3o! A extens\u00e3o popular exige que as demandas concretas das classes trabalhadoras deixem de ser perif\u00e9ricas e passem a orientar o conjunto da atividade universit\u00e1ria. Isso significa que a pesquisa n\u00e3o pode continuar sendo guiada majoritariamente por interesses de mercado ou por agendas distantes da realidade do povo, assim como o ensino n\u00e3o pode se limitar a reprodu\u00e7\u00e3o de conte\u00fados descolados da vida concreta. A extens\u00e3o, nesse sentido, torna-se o elo que reorganiza o trip\u00e9, n\u00e3o como complemento, mas como ponto de partida.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse terreno que experi\u00eancias concretas ganham relev\u00e2ncia, quando estudantes se organizam em cursinhos populares, quando n\u00facleos de assessoria jur\u00eddica atuam junto a comunidades em luta por moradia, quando projetos de sa\u00fade se inserem em territ\u00f3rios perif\u00e9ricos ou quando iniciativas de comunica\u00e7\u00e3o popular disputam narrativas com os grandes meios, n\u00e3o estamos diante de a\u00e7\u00f5es isoladas, quando na pr\u00e1tica fortalecem e constr\u00f3em o Poder Popular nas suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00e3o pr\u00e1ticas que materializam uma outra concep\u00e7\u00e3o de universidade, na qual o conhecimento n\u00e3o \u00e9 mercadoria nem privil\u00e9gio, mas instrumento de interven\u00e7\u00e3o na realidade. Ao mesmo tempo, a extens\u00e3o popular carrega um potencial formativo que ultrapassa os limites da sala de aula, ao inserir estudantes em processos reais, ela tensiona a forma\u00e7\u00e3o tecnicista e estimula uma compreens\u00e3o mais ampla das contradi\u00e7\u00f5es do capital. N\u00e3o se trata apenas de \u201caplicar\u201d conhecimentos, mas de transform\u00e1-los a partir do contato com a realidade. Esse movimento, por sua vez, tamb\u00e9m impacta os pr\u00f3prios sujeitos coletivos envolvidos, ampliando a capacidade de organiza\u00e7\u00e3o e de leitura cr\u00edtica do mundo.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da gest\u00e3o de Hor\u00e1cio Macedo na UFRJ, ainda que situada em outro contexto hist\u00f3rico, ajuda a ilustrar que esse caminho \u00e9 poss\u00edvel. Justamente ao integrar a extens\u00e3o de forma org\u00e2nica as demais atividades da universidade e ao direcionar pras comunidades populares, a gest\u00e3o do camarada demonstrou que a universidade pode, sim, assumir um papel ativo nas lutas populares. Mais do que isso, evidenciou que a extens\u00e3o, quando orientada por um projeto pol\u00edtico claro, \u00e9 capaz de reconfigurar a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, afirmar a necessidade da extens\u00e3o popular hoje implica tamb\u00e9m reconhecer os obst\u00e1culos que se colocam, a press\u00e3o por produtividade, os crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, a depend\u00eancia de financiamento e a pr\u00f3pria cultura universit\u00e1ria, muitas vezes marcada pelo elitismo, atuam como for\u00e7as que dificultam essa transforma\u00e7\u00e3o. Ainda assim, \u00e9 precisamente nesse cen\u00e1rio que a extens\u00e3o popular se afirma como necessidade hist\u00f3rica, e n\u00e3o como uma op\u00e7\u00e3o marginal.<\/p>\n<p>Em \u00faltima inst\u00e2ncia, a disputa em torno da extens\u00e3o \u00e9 uma disputa sobre o sentido da universidade. A extens\u00e3o que precisamos hoje \u00e9 aquela que n\u00e3o se limita a administrar a crise gerada pelo capital, mas que se coloca ao lado daqueles que a enfrentam cotidianamente. \u00c9 aquela que n\u00e3o transforma a realidade em objeto, mas que se insere nela como parte ativa. \u00c9 aquela que, ao inv\u00e9s de reproduzir a ordem existente, contribui para tension\u00e1-la.<\/p>\n<p>Assim, falar de extens\u00e3o popular hoje \u00e9 falar de um projeto de universidade que se recusa a ser neutra, que assume posi\u00e7\u00e3o e que se reorganiza a partir das necessidades do povo. N\u00e3o como um gesto pontual ou uma pol\u00edtica setorial, mas como eixo estruturante de uma outra forma de produzir conhecimento, uma forma que, ao inv\u00e9s de servir \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o, esteja comprometida com a transforma\u00e7\u00e3o radical e com a constru\u00e7\u00e3o de novas possibilidades hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>LUTAR, CRIAR<\/p>\n<p>EXTENS\u00c3O POPULAR!<\/p>\n<p>Por Mava, diretor de Extens\u00e3o Universit\u00e1ria da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE), e militante da Uni\u00e3o da Juventude Comunista (UJC) e do Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n<p>Foto: Movimento por uma Universidade Popular (MUP)<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<br \/>\nManifesto em Defesa da Extens\u00e3o Popular (2015)<br \/>\nConsidera\u00e7\u00f5es sobre universidade popular e reflex\u00f5es sobre a atualidade da reitoria de Hor\u00e1cio Macedo (Eduardo Serra, 2012)<br \/>\nPrimeira Cartilha do Grupo de Trabalho Nacional da Universidade Popular (GTNUP) (2013)<br \/>\nCarta de Porto Alegre (2012)<br \/>\nRelated posts:<br \/>\nIV Reuni\u00e3o Nacional dos Movimentos de Luta por Uma Universidade Popular.<br \/>\nChega de Concilia\u00e7\u00e3o, Retomar a UNE para as lutas!<br \/>\nTeses da UJC para 55\u00ba CONUNE: Ousar Lutar Por uma Universidade Popular<br \/>\nPoder Popular n\u00ba22 \u2013 Especial UJC \u2013 Em Tempos de Resist\u00eancia Ousar Lutar por uma Universidade Popular!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33876\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[6,27,103],"tags":[223],"class_list":["post-33876","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-s5-juventude","category-c27-ujc","category-c116-universidade-popular","tag-3a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8Oo","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33876"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33876\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33878,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33876\/revisions\/33878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}