{"id":33885,"date":"2026-05-21T18:52:19","date_gmt":"2026-05-21T21:52:19","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33885"},"modified":"2026-05-21T18:52:19","modified_gmt":"2026-05-21T21:52:19","slug":"maio-e-o-holocausto-palestino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33885","title":{"rendered":"Maio e o holocausto palestino"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33886\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33885\/unnamed-68\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed-1.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"705,470\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"unnamed\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed-1.jpg?fit=705%2C470&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-33886\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed-1.jpg?resize=705%2C470&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"705\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed-1.jpg?w=705&amp;ssl=1 705w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed-1.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 705px) 100vw, 705px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Cr\u00e9ditos Tayfun Salci \/ EPA<\/p>\n<p>Por Jos\u00e9 Goul\u00e3o &#8211; ABRILABRIL<\/p>\n<p>Abba Eban, um hist\u00f3rico ministro dos Neg\u00f3cios de Israel dos anos 60 e 70, nos governos trabalhistas de Golda Meir, dizia o seguinte: \u00abUma das tarefas principais de qualquer di\u00e1logo com o mundo \u00e9 provar que a distin\u00e7\u00e3o entre antissemitismo e antissionismo n\u00e3o existe\u00bb.<\/p>\n<p>Em meados de maio, nos dias 14 e 15, temos o per\u00edodo anual que mancha a sangue, devasta\u00e7\u00e3o e trevas a Hist\u00f3ria moderna da humanidade. No dia 14, o chamado Ocidente coletivo e o sionismo, como um dos seus poderosos instrumentos coloniais, celebram a independ\u00eancia do Estado de Israel. A esmagadora maioria do mundo \u00e1rabe e isl\u00e2mico, acompanhada pelas pessoas do planeta que ainda guardam nos seus cora\u00e7\u00f5es a fraternidade, a solidariedade, a piedade e o respeito pelos direitos humanos, assinalam, no dia 15, uma jornada de luto e luta por ocasi\u00e3o da Nakba, o Holocausto Palestino: o exterm\u00ednio continuado de um povo, apoiado numa impiedosa limpeza \u00e9tnica.<\/p>\n<p>No dia 15 de maio de 1948, h\u00e1 78 anos, enquanto as grandes pot\u00eancias e o chamado \u00abmundo civilizado\u00bb apadrinhavam a instaura\u00e7\u00e3o do Estado de Israel no interior do Oriente M\u00e9dio \u2013 o deposit\u00e1rio dos \u00abnossos valores\u00bb no \u00abmeio da barb\u00e1rie\u00bb \u2013 j\u00e1 o inocente e milenar povo da Palestina vivia h\u00e1 mais de um ano o mart\u00edrio do assassinato indiscriminado, da viol\u00eancia sem d\u00f3 e do ex\u00edlio for\u00e7ado.<\/p>\n<p>No curto per\u00edodo de quatro anos, at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de cinquenta, mais de 800 mil seres humanos nascidos e criados na Palestina, os herdeiros de uma civiliza\u00e7\u00e3o culta e guardi\u00e3 de uma multifacetada tradi\u00e7\u00e3o moldada pelos numerosos grupos \u00e9tnicos, de diferenciadas origens, que ali se cruzaram, foram obrigados a deixar os seus lares, bens e terras.<\/p>\n<p>O ex\u00edlio foi penoso, degradante, arrasador. As popula\u00e7\u00f5es palestinas expulsas das suas casas, cidade, vilas e aldeias foram obrigadas, na maioria dos casos, a longas marchas em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas terr\u00edveis, carregando os restos dos haveres que lhes foi poss\u00edvel salvar em ve\u00edculos prec\u00e1rios e \u00e0s costas, submetendo-se \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o da soldadesca sionista. V\u00e1rios relatos registrados, at\u00e9 por soldados que participaram nas opera\u00e7\u00f5es, revelam que houve casos, e n\u00e3o foram poucos, em que os capangas roubaram os bens mais valiosos de numerosos exilados. Mulheres e homens conduziam as crian\u00e7as pela m\u00e3o e os adolescentes foram for\u00e7ados a se tornarem adultos de um momento para o outro.<\/p>\n<p>A expuls\u00e3o foi de uma viol\u00eancia sem limites: casas assaltadas pelas tropas e depois derrubadas, espancamentos e mesmo assassinatos, executados com poder discricion\u00e1rio contra v\u00edtimas indefesas; concentra\u00e7\u00e3o terrorista dos habitantes em templos e recintos cercados, antes de serem for\u00e7ados a seguir caminho, sob a amea\u00e7a das armas.<\/p>\n<p>Muitos dos expulsos, sobretudo mulheres e crian\u00e7as, morreram durante a caminhada antes de chegarem aos destinos: campos de refugiados ainda em constru\u00e7\u00e3o na Jord\u00e2nia, na S\u00edria, no L\u00edbano e tamb\u00e9m na pr\u00f3pria p\u00e1tria, mas em lugares distantes das suas origens. Os campos de refugiados eram \u00abtempor\u00e1rios\u00bb, mas at\u00e9 hoje n\u00e3o deixaram de crescer em n\u00famero, habitantes, e \u00e1reas ocupadas. Espa\u00e7os miser\u00e1veis, degradantes, humilhantes, que continuam sendo, apesar dos esfor\u00e7os para lhes introduzir melhoramentos feitos pelos habitantes e por institui\u00e7\u00f5es internacionais, designadamente a ag\u00eancia da ONU para os refugiados palestinos, a UNRWA. A qual, por esse motivo, \u00e9 cada vez mais perseguida pelo governo e as tropas de Israel.<\/p>\n<p>S\u00f3 na primeira opera\u00e7\u00e3o expansionista, as tropas coloniais sionistas arrasaram mais de 700 aldeias, vilas e cidades, cujos nomes e n\u00famero de habitantes na \u00e9poca constam de documentos online da ONU, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos os interessados.<\/p>\n<p>Logo nessa primeira fase, a ocupa\u00e7\u00e3o sionista de territ\u00f3rio excedeu, em elevada percentagem, a \u00e1rea que fora estabelecida, um ano antes, no \u00abplano de partilha\u00bb, uma das primeiras resolu\u00e7\u00f5es da ONU sobre a \u00abquest\u00e3o israelense-palestina\u00bb, como passou a se denominar. Um ir\u00f4nico exerc\u00edcio de cinismo: tratar a \u00abquest\u00e3o\u00bb como se fosse um conflito entre duas entidades iguais em poder e apoios quando, em termos objetivos, se trata de uma t\u00edpica ocupa\u00e7\u00e3o colonial em que os intrusos despojam, expulsam e massacram gente indefesa e inocente. Intrusos esses que nada t\u00eam a ver com a regi\u00e3o, a n\u00e3o ser a venera\u00e7\u00e3o de lugares santos, como acontece com as outras religi\u00f5es monote\u00edstas.<\/p>\n<p>Logo nessa primeira fase, as grandes pot\u00eancias e as inst\u00e2ncias internacionais, a come\u00e7ar pela ONU, revelaram debilidade perante as pr\u00e1ticas expansionistas e agressivas de Israel, uma fraqueza, uma in\u00e9rcia feita de cumplicidade que viria a se agravar, de maneira ininterrupta, com o decorrer dos tempos. Os poderes mundiais deveriam ter impedido imediatamente a falta de respeito sionista pelo \u00abplano de partilha\u00bb, que dividia a Palestina de maneira a criar um Estado judaico e um Estado \u00c1rabe. Essa partilha j\u00e1 era, na origem, favor\u00e1vel a Israel. Mesmo assim, o territ\u00f3rio ocupado pelos sionistas foi imediatamente alargado com o processo de expans\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o e expuls\u00e3o que prossegue ainda hoje.<\/p>\n<p>Os territ\u00f3rios das mais de 700 localidades esvaziadas e arrasadas ficaram repletos de ru\u00ednas ou ent\u00e3o transformaram-se em colonatos para quem chegava do estrangeiro, seguro de que tinha cobertura militar e sum\u00e1rias facilidades administrativas para ali se instalar, sob a invoca\u00e7\u00e3o do ilegal e aberrante conceito de \u00abTerra Prometida\u00bb. Isto \u00e9, uma mentira com bases delirantes, segundo a qual um deus designou \u00abum povo eleito\u00bb e reservou um territ\u00f3rio supostamente desabitado para nele instalar imigrantes de outros continentes que, no m\u00e1ximo, t\u00eam em comum um v\u00ednculo religioso, nada mais.<\/p>\n<p>Como a \u00abTerra Prometida\u00bb n\u00e3o estava vazia, havia e h\u00e1 que esvazi\u00e1-la, para que se cumpra a determina\u00e7\u00e3o do tal deus e assim se torne realidade a falsidade fundadora do sionismo: \u00abuma terra sem povo para um povo sem terra\u00bb.<\/p>\n<p>Esta congemina\u00e7\u00e3o absurda, que finta o Direito Internacional e aceitada como se nele estivesse integrada, \u00e9 a origem do imbr\u00f3glio geoestrat\u00e9gico que se agrava e se torna cada vez mais perigoso, a n\u00edvel global, \u00e0 medida que se afundam o capitalismo e o imperial-sionismo, seus progenitores.<\/p>\n<p>A Nakba continua a existir<br \/>\nAs organiza\u00e7\u00f5es palestinas designaram o drama do ex\u00edlio e do exterm\u00ednio decorrente da cria\u00e7\u00e3o do Estado sionista como a Nakba \u2013 a cat\u00e1strofe, a trag\u00e9dia, na verdade um holocausto. Tendo em conta que a persegui\u00e7\u00e3o, o ex\u00edlio e o exterm\u00ednio do povo prosseguem hoje nos territ\u00f3rios palestinos que Israel ainda n\u00e3o conseguiu ocupar na totalidade \u2013 Cisjord\u00e2nia, Jerusal\u00e9m Leste e Gaza \u2013 \u00e9 leg\u00edtimo dizer que a Nakba continua a ser um processo terrorista admitido, incentivado e coparticipado pelo chamado Ocidente colectivo.<\/p>\n<p>Hoje, depois dos mais de 800 mil seres humanos desterrados na primeira fase, s\u00e3o bastante mais de 10 milh\u00f5es os palestinos for\u00e7ados a viver no ex\u00edlio. Palestinos com direito \u00e0 sua terra s\u00e3o n\u00e3o apenas os sobreviventes do primeiro supl\u00edcio mas tamb\u00e9m todos quantos deles nasceram, para os quais a p\u00e1tria roubada continua a ser a \u00fanica refer\u00eancia. Nos lugares que lhes pertencem continuam a se instalar pessoas que nada t\u00eam a ver com o territ\u00f3rio, simples intrusos que se apropriaram e apropriam de terras alheias.<\/p>\n<p>Na verdade, nem um deus pode promover \u00abo regresso \u00e0 Terra Prometida\u00bb a habitantes de outros pa\u00edses e continentes que nunca nela estiveram, nem os de hoje nem os seus antepassados. A \u00abTerra Prometida\u00bb \u00e9 um del\u00edrio colonial que as fic\u00e7\u00f5es religiosas sustentam como se fossem leis terrenas. N\u00e3o pode \u00abregressar-se\u00bb ao s\u00edtio onde nunca se viveu e em rela\u00e7\u00e3o ao qual n\u00e3o existem quaisquer la\u00e7os, al\u00e9m dos relacionados, de maneira abstrata, com a f\u00e9.<\/p>\n<p>Os judeus no mundo n\u00e3o constituem um povo, da mesma maneira que os crist\u00e3os e os mu\u00e7ulmanos n\u00e3o o s\u00e3o. Os crentes de cada religi\u00e3o monote\u00edsta est\u00e3o unidos por uma f\u00e9 que tem os principais s\u00edmbolos hist\u00f3ricos e sagrados no Oriente M\u00e9dio, em grande parte na Palestina. N\u00e3o existem \u00abpovo judeu\u00bb, \u00abpovo crist\u00e3o\u00bb ou \u00abpovo isl\u00e2mico\u00bb.<\/p>\n<p>Manipular conceitos destes recorrendo a instrumentos terroristas e racistas ditados por preceitos esot\u00e9ricos inscritos em livros religiosos com tr\u00eas mil anos de exist\u00eancia \u00e9, no m\u00ednimo, insano. Todo um planeta e a vida que nele existe est\u00e1 hoje ref\u00e9m desse colonialismo extempor\u00e2neo assentado \u00abideologicamente\u00bb numa fic\u00e7\u00e3o invocada de modo psicopata.<\/p>\n<p>O antissemitismo invertido<br \/>\nAbba Eban, um hist\u00f3rico ministro dos Neg\u00f3cios de Israel dos anos 60 e 70, nos governos trabalhistas de Golda Meir, dizia o seguinte: \u00abUma das tarefas principais de qualquer di\u00e1logo com o mundo \u00e9 provar que a distin\u00e7\u00e3o entre antissemitismo e antissionismo n\u00e3o existe\u00bb.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a tese se tornou verdadeira no sistema de propaganda ocidental, a partir do momento em que a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o de antissemitismo admitida nos \u00abpa\u00edses civilizados\u00bb foi definida por uma organiza\u00e7\u00e3o sionista europeia e faz coincidir as cr\u00edticas ao sionismo e aos comportamentos do Estado de Israel com o pr\u00f3prio antissemitismo. Repare-se nesta defini\u00e7\u00e3o de antissemitismo, estabelecida pela Alian\u00e7a Internacional para a Mem\u00f3ria do Holocausto e reconhecida como a mais comum: \u00abO antissemitismo \u00e9 uma determinada percep\u00e7\u00e3o dos judeus, que se pode exprimir como \u00f3dio em rela\u00e7\u00e3o aos judeus.<\/p>\n<p>Manifesta\u00e7\u00f5es ret\u00f3ricas e f\u00edsicas de antissemitismo s\u00e3o orientadas contra indiv\u00edduos judeus e n\u00e3o judeus e\/ou contra os seus bens, contra as institui\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e as instala\u00e7\u00f5es religiosas judaicas.\u00bb Al\u00e9m de intelectualmente desonesta, a defini\u00e7\u00e3o \u00e9 racista, exclusivista e tamb\u00e9m se apropria abusivamente do conjunto das v\u00edtimas do nazismo hitleriano, cingindo-as, de maneira impl\u00edcita, aos judeus.<\/p>\n<p>O processo mistura alhos com bugalhos para sustentar as raz\u00f5es e a bondade do sionismo e justificar todos os comportamentos violentos de Israel como a\u00e7\u00f5es de combate ao antissemitismo. Ao mesmo tempo, pretende colocar ao lado de Hitler, a refer\u00eancia m\u00e1xima do antissemitismo, toda e qualquer pessoa, entidade ou organiza\u00e7\u00e3o que discorde do sionismo, condene as guerras lan\u00e7adas por Israel e o exterm\u00ednio do povo palestino.<\/p>\n<p>Moral da hist\u00f3ria: na verdade, e com toda a objetividade, criticar o terrorismo de Estado de Israel e o colonialismo sionista nada tem de antissemitismo. Este \u00e9 o contraponto necess\u00e1rio para p\u00f4r os pontos nos ii e desmantelar uma tese que insulta a maioria da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, prosseguindo no terreno da objetividade, o sionismo \u00e9 verdadeiramente antissemita, e sequer respeita os seguidores da religi\u00e3o judaica, porque tem a ousadia de os colocar a todos, estejam onde estiveram, sob a c\u00fapula do sionismo, tornando-os c\u00famplices das atrocidades cometidas por Israel. Em termos claros: \u00e9 um abuso de confian\u00e7a contra os seguidores de uma f\u00e9.<\/p>\n<p>O sionismo \u00e9 apenas uma fac\u00e7\u00e3o do juda\u00edsmo e, por outro lado, extravasa esta religi\u00e3o a partir do momento em que nele se inserem os \u00abcrist\u00e3os sionistas\u00bb. Aceitar que o sionismo integrou e representa a globalidade da religi\u00e3o judaica \u00e9 um absurdo e uma distor\u00e7\u00e3o propagand\u00edstica engendrada para justificar o terrorismo mais cruel.<\/p>\n<p>Os judeus, e apenas os que t\u00eam liga\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, lingu\u00edstica e hist\u00f3rico-cultural ao Oriente M\u00e9dio, s\u00e3o um povo semita, mas est\u00e1 longe de ser o \u00fanico. Semitas s\u00e3o os \u00e1rabes, do Magrebe ao Oriente M\u00e9dio, os descendentes dos ass\u00edrios, sir\u00edacos, fen\u00edcios e arameus, distribu\u00eddos pelo Iraque, a S\u00edria e o L\u00edbano, e alguns n\u00facleos \u00e9tnicos da Eti\u00f3pia e da Eritreia, designadamente os tigres.<\/p>\n<p>Por outro lado, os fi\u00e9is do juda\u00edsmo na Europa Central e do Leste e dos Estados Unidos n\u00e3o t\u00eam liga\u00e7\u00f5es com o Oriente M\u00e9dio e o semitismo. As suas refer\u00eancias religiosas est\u00e3o ligadas a essa regi\u00e3o, mas isso acontece tamb\u00e9m com os crist\u00e3os e os islamitas, semitas ou n\u00e3o semitas.<\/p>\n<p>Do ponto de vista \u00e9tnico e lingu\u00edstico, a maioria dos judeus europeus do centro e leste do continente falavam yiddish, um dialeto alem\u00e3o escrito com caracteres hebraicos, ou as l\u00ednguas das comunidades onde estavam inseridos. O hebraico era usado na vida religiosa, tal como o latim foi a l\u00edngua dos ritos cat\u00f3licos at\u00e9 os anos sessenta do s\u00e9culo passado. De maneira que os emigrantes da Europa e dos Estados Unidos para Israel, e cujos descendentes constituem hoje a maioria da popula\u00e7\u00e3o deste pa\u00eds, t\u00eam origem nos povos europeus onde existiram extensas convers\u00f5es ao juda\u00edsmo por raz\u00f5es hist\u00f3ricas e estrat\u00e9gicas diferenciadas. N\u00e3o existe maneira, portanto, de o sionismo poder invocar a representa\u00e7\u00e3o absoluta do juda\u00edsmo com o objetivo de pretender que toda a contesta\u00e7\u00e3o daquela doutrina seja considerada antissemita.<\/p>\n<p>O sionismo, sim, \u00e9 antissemita. O sionismo persegue o povo palestino a ponto de pretender elimin\u00e1-lo, mant\u00e9m uma guerra permanente contra o L\u00edbano, ataca a S\u00edria todos os dias, al\u00e9m de ocupar cada vez maiores \u00e1reas deste pa\u00eds. S\u00e3o conhecidos, da mesma maneira, numerosos atos de agress\u00e3o contra o Iraque e, direta ou indiretamente, contra o I\u00eamen. A persegui\u00e7\u00e3o, a viol\u00eancia e o assassinato contra povos e comunidades semitas \u00e9 o dia-a-dia do sionismo.<\/p>\n<p>Em resumo, nada existe de antissemitismo ao criticar e condenar o sionismo e as pr\u00e1ticas criminosas de Israel. Al\u00e9m disso, tendo em conta que a defini\u00e7\u00e3o \u00aboficial\u00bb de semitismo foi elaborada pelo sionismo, de acordo com a tese de Abba Eban atr\u00e1s citada, n\u00e3o existe nada de antissemitismo ao rejeit\u00e1-la: o \u00abpovo judeu\u00bb, ou \u00abpovo eleito\u00bb, meras fic\u00e7\u00f5es religiosas, n\u00e3o podem invocar a propriedade plena do semitismo.<\/p>\n<p>Israel confessa, ali\u00e1s, a sua qualidade colonial em rela\u00e7\u00e3o ao Oriente M\u00e9dio ao ligar-se \u00e0 realidade social da Europa. Israel define-se, pelo comportamento pr\u00e1tico, como uma entidade elitista e estranha ao Oriente M\u00e9dio. Os epis\u00f3dios grotescos e de propaganda prim\u00e1ria do genoc\u00eddio que se arrastam todos os anos quando chega o festival da Eurovis\u00e3o \u00e9 um dos exemplos mais flagrantes da rejei\u00e7\u00e3o do estatuto asi\u00e1tico correspondente ao territ\u00f3rio onde o Estado sionista foi instalado.<\/p>\n<p>O mesmo acontece com as competi\u00e7\u00f5es desportivas das principais modalidades, futebol e basquetebol inclu\u00eddos, nas quais Israel participa como \u00abpa\u00eds europeu\u00bb. O absurdo geogr\u00e1fico, compartilhado por magnas institui\u00e7\u00f5es desportivas como a FIFA e a UEFA, chega a ser caricato. A Palestina, na\u00e7\u00e3o cuja maior parte do territ\u00f3rio est\u00e1 ocupado por Israel, portanto um espa\u00e7o geogr\u00e1fico \u00abcoincidente\u00bb, participa nas competi\u00e7\u00f5es asi\u00e1ticas de todas as modalidades desportivas, designadamente o Campeonato do mundo de futebol, tal como a Jord\u00e2nia, o L\u00edbano, o Iraque e a S\u00edria, pa\u00edses da vizinhan\u00e7a de Israel. O Estado sionista, por\u00e9m, \u00abpertence\u00bb \u00e0 Europa em todas essa situa\u00e7\u00f5es, do mesmo modo que os seus clubes de futebol est\u00e3o abusivamente nas competi\u00e7\u00f5es europeias; ao inv\u00e9s, clubes europeus, como os da R\u00fassia, est\u00e3o proibidos de nelas participar.<\/p>\n<p>Israel, por\u00e9m, tem raz\u00e3o. N\u00e3o tem lugar no Oriente M\u00e9dio, na \u00c1sia nem, pode acrescentar-se, em qualquer regi\u00e3o do mundo. Da\u00ed que, observando a trag\u00e9dia hist\u00f3rica dos \u00faltimos 80 anos, o per\u00edodo anual de 14 e 15 de maio seja tr\u00e1gico para todo o mundo. Conclus\u00e3o que, obviamente, nada tem de antissemita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33885\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[65,10,78],"tags":[227],"class_list":["post-33885","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","category-c91-solidariedade-a-palestina","tag-5a"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8Ox","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33885"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33885\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33887,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33885\/revisions\/33887"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}