{"id":33888,"date":"2026-05-21T18:56:19","date_gmt":"2026-05-21T21:56:19","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=33888"},"modified":"2026-05-21T18:56:19","modified_gmt":"2026-05-21T21:56:19","slug":"bolivia-a-ira-justa-dos-condenados-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33888","title":{"rendered":"Bol\u00edvia: a ira justa dos condenados da terra"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"33889\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33888\/unnamed-69\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed.png?fit=1000%2C563&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1000,563\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"unnamed\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed.png?fit=747%2C421&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-large wp-image-33889\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed.png?resize=747%2C421&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"747\" height=\"421\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed.png?resize=900%2C507&amp;ssl=1 900w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed.png?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed.png?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed.png?resize=388%2C220&amp;ssl=1 388w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/unnamed.png?w=1000&amp;ssl=1 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 747px) 100vw, 747px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Por Carlos Azn\u00e1rez \/ Resumen Latino-Americano<\/p>\n<p>S\u00e3o milhares e milhares que correm pelas ruas de La Paz acenando wilphalas (bandeiras multicoloridas que representam os povos origin\u00e1rios dos Andes) e gritando: \u201cque se v\u00e1!\u201d, referindo-se ao presidente lacaio das diretrizes de Donald Trump, o direitista Rodrigo Paz. Em seis meses de p\u00e9ssimo governo, o povo boliviano, que n\u00e3o sabe o que significa &#8220;possibilismo&#8221; e o mentiroso \u201cd\u00ea-lhes tempo\u201d, marcharam, bloquearam as principais estradas e demonstraram ao restante dos povos do continente, que as insurrei\u00e7\u00f5es, quando h\u00e1 uma justa causa, d\u00e3o resultado.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamental, ao analisar esse levante boliviano contra o poder estabelecido, levar em conta a longa hist\u00f3ria de frustra\u00e7\u00f5es, maus-tratos, pol\u00edticas eleitorais e golpes que s\u00e3o descarregados h\u00e1 anos nas costas dos mais humildes. Vale lembrar que a Bol\u00edvia \u00e9 um dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina que ainda mant\u00e9m o trabalho escravo, quase voltando para a Idade M\u00e9dia, e que grande parte daqueles locais que, durante o governo de Evo Morales foram denunciados e sofreram interven\u00e7\u00e3o, pertencem em sua maioria \u00e0queles empres\u00e1rios corruptos que tanto em Santa Cruz quanto em Beni ou Tarija se pronunciam hoje pelo \u201capoio \u00e0 ordem democr\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>Para a burguesia boliviana, acostumada a impor suas pol\u00edticas de desapropria\u00e7\u00e3o na base da bala e pris\u00e3o daqueles que consideram \u201crebeldes\u201d, o que hoje acontece no pa\u00eds os assusta e enerva, j\u00e1 que com as defini\u00e7\u00f5es racistas que n\u00e3o se preocupam em ocultar, eles pensam, est\u00e3o convencidos, como seus antecessores, os conquistadores espanh\u00f3is, de que \u201cos \u00edndios\u201d n\u00e3o s\u00e3o dignos de serem inclu\u00eddos em \u201csuas\u201d sociedades brancas, sob influ\u00eancia dos croatas nazistas que ao final da guerra decidiram ocupar algumas zonas do pa\u00eds e construir feudos onde a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 moeda corrente.<\/p>\n<p>Da\u00ed essa insurrei\u00e7\u00e3o, cuja origem remete \u00e0 rebeli\u00e3o contra a lei de terras 1720, que permitiu converter a pequena propriedade agr\u00edcola em m\u00e9dia para utiliz\u00e1-la como garantia de cr\u00e9ditos banc\u00e1rios. Ou seja, concentrar as terras nas poucas m\u00e3os dos de sempre, que nem sequer as utilizam para produzir, mas para gerar latif\u00fandios.<\/p>\n<p>Esse foi o gatilho, a partir do qual surgiram os primeiros protestos que foram crescendo, apesar do fato de que o governo de Rodrigo Paz decidiu revogar a lei. Por\u00e9m, imediatamente seus partid\u00e1rios pol\u00edticos e empres\u00e1rios n\u00e3o esconderam o descontentamento com a medida e o que tinha de ser resolvido com a legisla\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria urgente come\u00e7ou a se atrasar. A isso se soma a falta de combust\u00edvel, que se arrasta desde o tempo do governo do ex-presidente, agora preso, Luis Arce. Esses dois elementos acenderam o fus\u00edvel, e o povo campon\u00eas e ind\u00edgena, al\u00e9m de uma chamada da Central Oper\u00e1ria Boliviana (COB), decidiu promover os primeiros bloqueios e uma greve nacional por tempo indeterminado.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que as importantes estradas come\u00e7aram a se encher, como costuma ocorrer nesses casos, de grandes pedras, blocos de cimento, recipientes de lixo, e as barricadas come\u00e7aram a queimar. Dia e noite, com vig\u00edlias bem organizadas pelas comunidades, suportando frios intensos, mas com a moral intacta daqueles que sabem por que est\u00e3o lutando, o mapa boliviano come\u00e7ou a tingir as m\u00faltiplas cores dos ponchos masculinos e das saias das mulheres, infal\u00edveis e firmes como a\u00e7o no momento da luta.<\/p>\n<p>Rodrigo Paz, como todo burgu\u00eas assustado, n\u00e3o teve outra ideia a n\u00e3o ser mandar os militares para a rua e disparar balas indiscriminadamente. Basta ver os v\u00eddeos que mostram capit\u00e3es alcoolizados, em um uniforme de campanha, comandando uma tropa cheia de rostos t\u00e3o ind\u00edgenas quanto aqueles que horas depois reprimiriam, e dizer-lhes que \u201cpara a p\u00e1tria vamos dar um choque nesses nojentos\u201d. Mas o povo n\u00e3o se intimidou pelas amea\u00e7as de se imprimir uma \u201cdisciplina\u201d a sangue e fogo, nem os quatro camponeses que foram assassinados, para impedir o que a esta altura \u00e9 um nova Fuenteovejuna. Para cada bala descarregada, milhares de pedras, molotov, paus e o que foi poss\u00edvel lan\u00e7ar \u00e0 m\u00e3o foram devolvidos \u00e0queles \u201ccapangas\u201d do capitalismo. H\u00e1 cenas \u00e9picas, em que centenas de \u201cponchos vermelhos\u201d quebram a cerca policial protegida por cercas e fazem os uniformizados fugir, desarmando at\u00e9 mesmo v\u00e1rios deles.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, como sempre acontece, aparecem os \u201capagadores de inc\u00eandio\u201d do dia, a Igreja racista e pr\u00e9-conciliar, os (in)Defensores do Povo, e os inimigos conhecidos que sustentam que \u00e9 necess\u00e1rio \u201cdialogar\u201d, que \u201ca viol\u00eancia n\u00e3o leva a nada\u201d, que \u201ca democracia est\u00e1 em perigo\u201d &#8230; Com esses discursos de ocasi\u00e3o, eles tentam, na realidade, salvar as roupas de um governo encurralado, que recebe ordens diretas da embaixada dos EUA em La Paz.<\/p>\n<p>Sempre que os povos fazem uso da justa iniciativa de autodefesa, e respondem \u00e0 viol\u00eancia das classes dominantes com a\u00e7\u00f5es semelhantes, mas desiguais, h\u00e1 um coro de oportunistas e adeptos aos poderes da ordem, que querem ganhar tempo para se rearmar, e oferecer di\u00e1logo. Quando isso n\u00e3o acontece, e os insurretos n\u00e3o caem no canto das sereias, infalivelmente s\u00e3o chamados de \u201cterroristas\u201d e atacados pela repress\u00e3o do Estado. Da\u00ed o pedido de captura do l\u00edder maior da COB, Mario Argollo e outras refer\u00eancias dos trabalhadores e camponeses. O falso argumento que vir\u00e1 caso as lideran\u00e7as populares sejam capturadas ser\u00e1 por \u201cinstiga\u00e7\u00e3o p\u00fablica para cometer um crime e o poss\u00edvel crime de terrorismo\u201d. Sem falar na persegui\u00e7\u00e3o que Evo Morales vem sofrendo h\u00e1 anos, a quem n\u00e3o se atrevem a deter porque sabem que existem milhares de camponeses dispostos a defend\u00ea-lo.<\/p>\n<p>\u00c9 assim na Bol\u00edvia. Com uma insurrei\u00e7\u00e3o em pleno desenvolvimento, com um final em aberto, mas com uma demonstra\u00e7\u00e3o indubit\u00e1vel de que, para os povos do continente e de todo o Terceiro Mundo, \u201ca conquista dos direitos retirados s\u00f3 se obt\u00e9m atrav\u00e9s da luta\u201d. A Bol\u00edvia mostra de fato, com a a\u00e7\u00e3o da coragem de seu povo, o caminho para aqueles que, suportando governos fascistas, saqueadores e repressores, com as tropas norte-americanas sitiando ou mesmo ocupando seus territ\u00f3rios, n\u00e3o se atrevem a confrontar. E eles n\u00e3o se mobilizam porque quase sempre h\u00e1 uma lideran\u00e7a conciliadora, acomodada e facilmente compr\u00e1vel que impede ou amortece as rebeli\u00f5es necess\u00e1rias e justas. Grande parte daquelas armadilhas, enredadas na politicagem burguesa de \u201cdemocracias rigorosamente controladas pelos Estados Unidos\u201d, tamb\u00e9m existem na Bol\u00edvia, mas \u00e0 frente h\u00e1 um povo corajoso que n\u00e3o se intimida, que sabe ser preciso lutar por suas conquistas e que produz hoje uma esp\u00e9cie de ressurrei\u00e7\u00e3o daqueles que durante s\u00e9culos foram condenados \u00e0 exclus\u00e3o. Povos que, como os palestinos de 7 de outubro, foram instados a gritar \u201cChega de tanta opress\u00e3o, foda-se!\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/33888\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[65,10],"tags":[228],"class_list":["post-33888","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c78-internacional","category-s19-opiniao","tag-5b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8OA","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33888"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33888\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33890,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33888\/revisions\/33890"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}