{"id":3401,"date":"2012-08-21T18:28:17","date_gmt":"2012-08-21T18:28:17","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3401"},"modified":"2012-08-21T18:28:17","modified_gmt":"2012-08-21T18:28:17","slug":"ministra-da-defesa-paraguaia-fala-em-alianca-com-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3401","title":{"rendered":"Ministra da Defesa paraguaia fala em alian\u00e7a com EUA"},"content":{"rendered":"\n<p>A ministra paraguaia da Defesa, Mar\u00eda Liz Garc\u00eda de Arnold, cogitou no domingo da possibilidade de Assun\u00e7\u00e3o fazer uma alian\u00e7a militar com os EUA. &#8220;O Paraguai \u00e9 livre para escolher seus aliados estrat\u00e9gicos para sustentar seu desenvolvimento&#8221;, disse a ministra, comentando uma entrevista sua, publicada no mesmo dia pelo jornal ABC Color, sob o t\u00edtulo &#8220;N\u00e3o se pode descartar uma nova guerra na regi\u00e3o do Mercosul&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Cresce a apreens\u00e3o com a desacelera\u00e7\u00e3o da China<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, quando Wen Jiabao anunciou a meta de 7,5% de crescimento da China para este ano, a maioria dos analistas avaliava que o premi\u00ea estava sendo cauteloso demais e que a economia do pa\u00eds, a segunda maior do mundo, teria uma expans\u00e3o bem mais forte.<\/p>\n<p>A economia da China superou sistematicamente as metas anuais nos \u00faltimos dez anos. Alcan\u00e7ou, em m\u00e9dia, nesse per\u00edodo, um crescimento pouco inferior a 11%, apesar da crise financeira mundial de 2008-09. Mas, com o desaquecimento muito maior que o previsto do n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica dos \u00faltimos meses, a meta de 7,5% j\u00e1 come\u00e7a a parecer ambiciosa.<\/p>\n<p>A maioria dos economistas ainda acha que a China est\u00e1 no meio de uma desacelera\u00e7\u00e3o gradual e administr\u00e1vel t\u00edpica de um &#8220;pouso suave&#8221;, mas alguns come\u00e7am a se perguntar se a economia chinesa n\u00e3o estaria prestes a passar por tempos muito mais dif\u00edceis.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da economia chinesa desacelerou para 7,6% no segundo trimestre, contra 8,1% do primeiro. A esse ritmo o pa\u00eds parece tender a computar sua menor taxa de crescimento anual desde 1999.<\/p>\n<p>Mesmo ap\u00f3s Pequim reduzir as taxas de juros pela primeira vez em quase quatro anos, no in\u00edcio de junho, e de ter voltado a cort\u00e1-la um m\u00eas depois, a maioria dos indicadores econ\u00f4micos teve desacelera\u00e7\u00e3o, que avan\u00e7ou julho adentro.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o industrial cresceu 9,2% em julho, em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas de 2011. A expans\u00e3o foi menor que os 9,5% de junho. As exporta\u00e7\u00f5es chinesas, por seu lado, aumentaram s\u00f3 1% se comparadas ao mesmo per\u00edodo do ano passado, ap\u00f3s avan\u00e7o de 11,3% em junho. Os dados dos novos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios de julho tamb\u00e9m decepcionaram.<\/p>\n<p>Alguns analistas come\u00e7am a examinar as consequ\u00eancias para o pa\u00eds e o restante do mundo de um poss\u00edvel &#8220;pouso for\u00e7ado&#8221;, num momento em que a Uni\u00e3o Europeia (UE) est\u00e1 atolada na crise e a pot\u00eancia econ\u00f4mica representada pelos EUA vem negando fogo.<\/p>\n<p>&#8220;Um pouso for\u00e7ado da China seria semelhante ao quarto trimestre de 2008 e ao primeiro trimestre de 2009, quando as exporta\u00e7\u00f5es desabaram, as f\u00e1bricas deixaram de receber encomendas e trabalhadores migrantes foram demitidos aos milh\u00f5es&#8221;, diz Wang Tao, economista do UBS. &#8220;Isso ainda n\u00e3o aconteceu e provavelmente n\u00e3o vai acontecer, a n\u00e3o ser que a UE se desintegre e ocorra um grave problema no mercado imobili\u00e1rio [chin\u00eas].&#8221;<\/p>\n<p>Os investimentos em im\u00f3veis responderam por mais de 13% do Produto Interno Bruto (PIB) da China no primeiro semestre do ano. O setor foi um motor do crescimento durante a maior parte dos \u00faltimos dez anos. Mas selvas de pr\u00e9dios residenciais desocupados cobrem boa parte do pa\u00eds, e a venda de terrenos para incorpora\u00e7\u00e3o caiu 24,3% nos sete primeiros meses do ano, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. Isso sugere que os investimentos no setor n\u00e3o devem se sustentar no futuro.<\/p>\n<p>Em junho, o pre\u00e7o dos im\u00f3veis residenciais de muitas cidades de grande porte subiu pela primeira vez em quase um ano, e voltou a aumentar, embora ligeiramente, em julho. Mas isso n\u00e3o \u00e9 necessariamente um bom progn\u00f3stico, pois o governo passou os \u00faltimos dois anos tentando conter a disparada dos pre\u00e7os, cuja alta fechou o acesso \u00e0 casa pr\u00f3pria para a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Em vista disso, um forte repique dos pre\u00e7os poder\u00e1 levar \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es ainda maiores ao setor imobili\u00e1rio.<\/p>\n<p>Um pouso for\u00e7ado da China teria um efeito devastador sobre pa\u00edses exportadores de commodities, como Austr\u00e1lia, Brasil e Indon\u00e9sia, que dependem da demanda chinesa, mas haver\u00e1, tamb\u00e9m, consequ\u00eancias n\u00e3o t\u00e3o diretas.<\/p>\n<p>&#8220;Se a China fizer, efetivamente, um pouso for\u00e7ado, a repercuss\u00e3o disso ter\u00e1 enormes ramifica\u00e7\u00f5es sobre o grau de confian\u00e7a do investidor mundial e tumultuar\u00e1 todos os mercados financeiros mundiais&#8221;, disse o economista Alistair Thornton, da IHS Global Insight.<\/p>\n<p>Embora a desacelera\u00e7\u00e3o da China tenha sido relativamente branda at\u00e9 agora, seu impacto sobre o lucro das empresas \u00e9 desproporcionalmente grande, em especial no caso de incorporadoras e de empresas afins ao setor de constru\u00e7\u00e3o. As vendas de maquin\u00e1rio de constru\u00e7\u00e3o despencaram, dezenas de sider\u00fargicas est\u00e3o reduzindo a produ\u00e7\u00e3o e grandes empresas estatais de minera\u00e7\u00e3o e transportes divulgaram preju\u00edzos no primeiro semestre do ano. A situa\u00e7\u00e3o de deteriora\u00e7\u00e3o j\u00e1 afetou a disposi\u00e7\u00e3o do investidor mundial.<\/p>\n<p>Os investimentos estrangeiros diretos na China ca\u00edram 8,7% em julho, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas de 2011, e recuaram 3,6% nos sete primeiros meses do ano.<\/p>\n<p>Alguns analistas consideram que a desacelera\u00e7\u00e3o \u00e9 mais estrutural do que c\u00edclica, e que o governo chin\u00eas, mesmo se quiser, n\u00e3o conseguir\u00e1 fazer muito para estimular uma recupera\u00e7\u00e3o do crescimento. &#8220;H\u00e1 ind\u00edcios convincentes para crer que a economia chinesa est\u00e1, na verdade, crescendo a apenas 4% ou 5% neste momento, com base numa combina\u00e7\u00e3o de outros indicadores&#8221;, diz Patrick Chovanec, membro da faculdade de administra\u00e7\u00e3o de empresas da Universidade Tsinghua, de Pequim.<\/p>\n<p>&#8220;Do crescimento de 9,2% do PIB da China em 2011, 5 pontos percentuais vieram de investimentos. Isso significa que, se a China construir o mesmo n\u00famero de estradas, pontes, pr\u00e9dios e mans\u00f5es que no ano passado, e n\u00e3o mais do que isso, ela vai cortar 5 pontos percentuais do crescimento do PIB deste ano&#8221;, diz ele. &#8220;A expans\u00e3o depende de n\u00edveis crescentes de investimento, num ambiente em que esse investimento n\u00e3o est\u00e1 dando retorno adequado.&#8221;<\/p>\n<p>Autoridades e artigos na m\u00eddia estatal sugerem que os governos locais conseguir\u00e3o neutralizar os efeitos da queda das exporta\u00e7\u00f5es e da constru\u00e7\u00e3o residencial se desencadearem uma farra na \u00e1rea de infraestrutura. Mas analistas alertam para o fato de a receita dos governos municipais dependem do imposto de renda corporativo e da venda de terreno para incorporadoras. Esses dois fatores est\u00e3o em queda, o que enfraquece a posi\u00e7\u00e3o dessas administra\u00e7\u00f5es para abrir uma nova rodada de constru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na quarta-feira, Wen encerrou uma viagem pela industrializada regi\u00e3o do delta do rio Yang-ts\u00e9 com um pronunciamento voltado a refor\u00e7ar a confian\u00e7a numa economia que est\u00e1 se enfraquecendo. &#8220;Quanto mais dif\u00edcil a situa\u00e7\u00e3o, maior a confian\u00e7a que temos de ter&#8221;, disse ele, em frase destacada pela m\u00eddia estatal chinesa. &#8220;Temos as condi\u00e7\u00f5es e a capacidade para cumprir definitivamente as metas econ\u00f4micas e de desenvolvimento social deste ano.&#8221;<\/p>\n<p>Os investidores chineses n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos a esperar que ele tenha raz\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Lucro do BNDES cai 48% no 1\u00ba semestre<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) encerrou o primeiro semestre com lucro l\u00edquido de R$ 2,744 bilh\u00f5es, 48% inferior ao apurado no mesmo per\u00edodo do ano passado. O desempenho foi influenciado pela perda de R$ 2,535 bilh\u00f5es com participa\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias.<\/p>\n<p>O resultado com participa\u00e7\u00f5es societ\u00e1rias refletiu, sobretudo, o impacto da atual situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mundial no desempenho das empresas que comp\u00f5em a carteira do BNDESpar, bra\u00e7o de participa\u00e7\u00f5es acion\u00e1rias do banco. A institui\u00e7\u00e3o observou que o resultado com derivativos caiu de um ganho de R$ 330 milh\u00f5es no primeiro semestre do ano passado, para uma perda de R$ 168 milh\u00f5es no primeiro semestre de 2012, devido \u00e0 queda, no per\u00edodo, na cota\u00e7\u00e3o dos ativos representados por a\u00e7\u00f5es cotadas em bolsa.<\/p>\n<p>Outro fator que impactou o desempenho foi a despesa com provis\u00e3o para risco de cr\u00e9dito no valor de R$ 320 milh\u00f5es. No mesmo intervalo do ano passado, houve uma receita com revers\u00e3o de provis\u00f5es de R$ 853 milh\u00f5es. Nos primeiros seis meses deste ano, houve rebaixamento de n\u00edvel de risco de alguns clientes, por conta da inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>Em seu comunicado, o banco salientou que o percentual de clientes inadimplentes foi de 0,12% no primeiro semestre, inferior aos registrados em dezembro de 2011 (0,16%) e igual ao reportado em junho de 2011 (0,12%).<\/p>\n<p>Adicionalmente, o resultado de equival\u00eancia patrimonial passou de um ganho de R$ 713 milh\u00f5es, no primeiro semestre do ano passado, para uma perda de R$ 186 milh\u00f5es entre janeiro e junho de 2012. Ainda segundo o banco, a receita com dividendos de juros sobre capital pr\u00f3prio mostrou queda de R$ 343 milh\u00f5es, ou 16,6%, entre os primeiros semestres de 2011 e de 2012.<\/p>\n<p>Mais da metade do lucro l\u00edquido banco foi originado de aplica\u00e7\u00f5es de renda fixa, que contribuiu com 68,2% do resultado. O segmento de renda vari\u00e1vel foi respons\u00e1vel por 20,3%.<\/p>\n<p>&#8220;O desempenho do mercado acion\u00e1rio fez com que o segmento de renda vari\u00e1vel obtivesse um resultado inferior ao dos \u00faltimos anos, mas trabalhamos com uma carteira robusta, que tem nos proporcionado retornos significativos no longo prazo, e nossa perspectiva \u00e9 que esses resultados continuem positivos&#8221;, avaliou, no comunicado, o diretor da \u00e1rea de mercado de capitais do BNDES, Julio Ramundo.<\/p>\n<p>O saldo da carteira de cr\u00e9dito e repasse atingiu R$ 441,7 bilh\u00f5es em 30 de junho de 2012, dos quais 83,4% correspondiam a cr\u00e9ditos de longo prazo.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Governo zera IPI de itens para fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O governo ampliou os itens desonerados de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor moveleiro. Segundo o Minist\u00e9rio da Fazenda, a medida \u00e9 uma adequa\u00e7\u00e3o da lista que est\u00e1 em vigor desde abril deste ano e tem previs\u00e3o para acabar no fim de setembro.<\/p>\n<p>O Decreto 7.792, publicado ontem no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, reduz a zero a al\u00edquota do imposto para mais 14 itens classificados como pain\u00e9is de madeira, laminados de alta resist\u00eancia e de PVC utilizados para revestimento de m\u00f3veis. As al\u00edquotas originais s\u00e3o 5% ou 15%, dependendo do produto.<\/p>\n<p>A Receita Federal informou que se espera, com a medida, estimular os setores envolvidos e garantir a manuten\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de atividade econ\u00f4mica, do emprego e renda. A adequa\u00e7\u00e3o da lista foi realizada a pedido das empresas do setor. A ren\u00fancia de arrecada\u00e7\u00e3o ser\u00e1 em torno de R$ 116,12 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Promessa. Em junho, ao anunciar a prorroga\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio, que venceria naquele m\u00eas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, j\u00e1 havia antecipado que os pain\u00e9is de madeira seriam inclu\u00eddos na lista de isen\u00e7\u00e3o de IPI.<\/p>\n<p>A retirada do imposto foi uma das medidas adotadas pelo governo para estimular a economia e as vendas em queda de alguns segmentos. Al\u00e9m do setor de m\u00f3veis, alguns produtos da linha branca &#8211; como geladeiras e fog\u00f5es &#8211; e autom\u00f3veis tamb\u00e9m tiveram redu\u00e7\u00e3o de IPI. Nos \u00faltimos dois casos, o benef\u00edcio est\u00e1 previsto para acabar no \u00faltimo dia deste m\u00eas.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da equipe econ\u00f4mica, as medidas adotadas foram bem-sucedidas porque ampliaram as vendas e os postos de trabalho. A contrapartida exigida pelo governo dos fabricantes foi o compromisso de repassar a vantagem para os consumidores e manter o n\u00edvel de emprego.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do IPI para alguns segmentos, a queda da taxa b\u00e1sica de juros e dos spreads banc\u00e1rios (diferen\u00e7a entre o custo de capta\u00e7\u00e3o de dinheiro pelos bancos e o cobrado dos clientes), al\u00e9m da amplia\u00e7\u00e3o da oferta de cr\u00e9dito s\u00e3o medidas consideradas importantes pelo governo para ajudar a economia a recuperar o ritmo de crescimento.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Desequil\u00edbrio banc\u00e1rio deve se aprofundar<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os desequil\u00edbrios do sistema banc\u00e1rio da zona do euro, sacudida pela crise, est\u00e3o ficando mais pronunciados. No in\u00edcio deste m\u00eas, Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), referiu-se \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o financeira para justificar uma resposta mais arrojada \u00e0s agruras da regi\u00e3o com o endividamento: os mercados esperam agora um programa governamental refor\u00e7ado de compras de b\u00f4nus para os pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Com &#8220;fragmenta\u00e7\u00e3o&#8221;, Draghi quis se referir ao mau funcionamento dos mercados de empr\u00e9stimos interbanc\u00e1rios e \u00e0 retirada dos investidores para seus pa\u00edses de origem. O outro lado dessa moeda \u00e9 um aumento significativo da depend\u00eancia da liquidez do BCE por parte dos bancos da periferia da zona do euro.<\/p>\n<p>Chamando a aten\u00e7\u00e3o para essa tend\u00eancia, os bancos espanh\u00f3is recorreram, no m\u00eas passado, a mais de \u20ac 400 bilh\u00f5es das opera\u00e7\u00f5es de mercado aberto do BCE &#8211; um ter\u00e7o do total recorde de \u20ac 1,2 trilh\u00e3o emprestado pelo guardi\u00e3o monet\u00e1rio da zona do euro. Sucessivamente, os bancos espanh\u00f3is empregaram recursos do BCE para comprar b\u00f4nus governamentais, o que reduziu as press\u00f5es sobre os custos de capta\u00e7\u00e3o de Madri.<\/p>\n<p>Draghi iniciou seu mandato no BCE, no fim de 2011, expandindo os estoques de liquidez. Em dezembro e fevereiro, as opera\u00e7\u00f5es de refinanciamento de mais longo prazo (conhecidas por LTROs, nas iniciais em ingl\u00eas) ofereceram aos bancos mais de \u20ac 1 trilh\u00e3o em empr\u00e9stimos de tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil reverter essa tend\u00eancia. A fragmenta\u00e7\u00e3o financeira se prolongar\u00e1 por mais tempo, argumenta o analista do setor banc\u00e1rio Alastair Ryan, do UBS. &#8220;Revert\u00ea-la exige nada menos que dizer \u00e0s pessoas que o euro \u00e9 permanente, o que requer uni\u00e3o fiscal e socializa\u00e7\u00e3o do endividamento.&#8221;<\/p>\n<p>Nick Matthews, economista da Nomura para a UE, diz: &#8220;Se houver uma rea\u00e7\u00e3o abrangente de pol\u00edtica econ\u00f4mica que reduza a tens\u00e3o e a press\u00e3o, poderemos ter alguma estabiliza\u00e7\u00e3o&#8221;. Mas o uso do BCE aumentar\u00e1 se as condi\u00e7\u00f5es se agravarem ou se o banco central sentir necessidade de facilitar para os bancos o acesso a seus recursos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, as autoridades reguladoras, como o Bank of England, o BC do Reino Unido, que n\u00e3o comp\u00f5e a zona do euro, est\u00e3o pressionando os bancos a reduzirem as disparidades transnacionais de passivos financeiros.<\/p>\n<p>O Morgan Stanley advertiu em nota divulgada em junho para um &#8220;enorme aumento&#8221; do vi\u00e9s dos bancos em favor de seus pa\u00edses de origem, o que teria esgotado cada vez mais os empr\u00e9stimos transnacionais dentro da UE. &#8220;A incerteza na zona do euro vai propagar rapidamente esse fen\u00f4meno por todos os bancos e medidas regulat\u00f3rias e, se n\u00e3o for controlado, levar\u00e1 a um estresse maior, \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e ao enfraquecimento das economias&#8221;, escreveu Huw van Steenis, analista do setor banc\u00e1rio do Morgan Stanley.<\/p>\n<p>Em decorr\u00eancia disso, os recursos do BCE est\u00e3o sendo encaminhados para o sul, mais ensolarado, da Europa, onde a depend\u00eancia est\u00e1 se tornando generalizada. Espanha, It\u00e1lia e Portugal responderam por 60% dos empr\u00e9stimos do BCE concedidos em julho. O emprego desses recursos pelos bancos espanh\u00f3is correspondeu a 11% do total de seus ativos; no caso dos bancos italianos, esse percentual foi de aproximadamente 7%.<\/p>\n<p>A Irlanda e a Gr\u00e9cia comp\u00f5em uma categoria especial. Ambos os pa\u00edses se tornaram usu\u00e1rios intensivos de &#8220;assist\u00eancia emergencial de liquidez&#8221;, dinheiro criado por seus BCs, com aprova\u00e7\u00e3o do BCE, para fortalecer bancos desprovidos de ativos suficientes para usar como garantia em opera\u00e7\u00f5es normais de mercado aberto do BCE.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o pela Gr\u00e9cia de assist\u00eancia emergencial saltou para mais de \u20ac 100 bilh\u00f5es ap\u00f3s a decis\u00e3o do BCE, em 2011, de excluir o emprego de b\u00f4nus do governo grego como garantia para a obten\u00e7\u00e3o de sua liquidez.<\/p>\n<p>O uso intensivo pelos bancos do sul da Europa da liquidez do BCE afetou os padr\u00f5es de financiamento. A emiss\u00e3o de b\u00f4nus pelos bancos disparou nos tr\u00eas primeiros meses do ano, quando os bancos do norte da Europa, e mesmo alguns de seus cong\u00eaneres do sul, se beneficiaram da melhoria das condi\u00e7\u00f5es do mercado que se seguiu \u00e0 primeira LTRO. No entanto, a emiss\u00e3o se reduziu \u00e0 metade no segundo trimestre, com a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es do mercado, segundo dados da Dealogic.<\/p>\n<p>Muitos bancos do norte da Europa relatam estar praticamente financiados para este ano, enquanto os bancos de Espanha e It\u00e1lia dependeram grandemente do BCE na maior parte do ano.<\/p>\n<p>Outros mercados de concess\u00e3o de recursos d\u00e3o sinais de esgotamento. O volume de transa\u00e7\u00f5es europeias de recompra, nas quais os bancos empregam ativos como b\u00f4nus governamentais como garantia para empr\u00e9stimos de curto prazo tamb\u00e9m se contraiu. Recente amostra do mercado realizada pelo Conselho Europeu de Recompra da Associa\u00e7\u00e3o Internacional do Mercado de Capitais mostrou que as recompras ficaram em \u20ac 5,6 trilh\u00f5es em junho, volume inferior aos \u20ac 6,2 trilh\u00f5es de dezembro. Isso teria refletido o impacto das LTROs na maneira pela qual os bancos europeus se financiam.<\/p>\n<p>Um dos riscos para o BCE, se essas tend\u00eancias se mantiverem, ser\u00e1 a rea\u00e7\u00e3o adversa no \u00e2mbito pol\u00edtico. Os pol\u00edticos alem\u00e3es est\u00e3o atentos aos desequil\u00edbrios cada vez maiores no sistema de pagamentos &#8220;Target 2&#8221;, utilizado pelos BCs dos 17 pa\u00edses da zona do euro, que refletem a retirada do capital privado dos pa\u00edses da zona do euro. Os pagamentos devidos \u00e0 Alemanha, pelo sistema Target 2, alcan\u00e7aram mais de \u20ac 700 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O restabelecimento da confian\u00e7a no futuro da zona do euro estar\u00e1 no primeiro plano da estrat\u00e9gia do BCE. A institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 estudando alternativas para um programa de compra de b\u00f4nus, mas argumenta que os pol\u00edticos da regi\u00e3o t\u00eam de fazer a sua parte.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Brasil lidera o ranking das rodovias com ped\u00e1gio no mundo<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 tem a maior malha de rodovias pedagiadas do mundo. Quando concluir a licita\u00e7\u00e3o dos 7.500 quil\u00f4metros (km) previstos no pacote de concess\u00e3o, lan\u00e7ado semana passada pelo governo federal, ter\u00e1 22.973 km de estradas nas m\u00e3os da iniciativa privada &#8211; quase o dobro da segunda colocada, que \u00e9 a Alemanha, com 12.788 km. Nos Estados Unidos, que det\u00eam a maior malha rodovi\u00e1ria do mundo, a quantidade de rodovias com ped\u00e1gios \u00e9 de 8.430 km.<\/p>\n<p>Apesar da lideran\u00e7a no ranking, o Brasil ainda deixa muito a desejar no quesito qualidade. Da malha total do Pa\u00eds, apenas 12% \u00e9 pavimentada. Boa parte, no entanto, em condi\u00e7\u00f5es delicadas, conforme a \u00faltima pesquisa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte (CNT). No ano passado, a associa\u00e7\u00e3o avaliou 92.747 km de rodovias asfaltadas e detectou que mais da metade estava em condi\u00e7\u00e3o regular, ruim ou p\u00e9ssima.<\/p>\n<p>Com a crise no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), deflagrada no ano passado e que paralisou quase todas as licita\u00e7\u00f5es para manuten\u00e7\u00e3o das estradas no Pa\u00eds inteiro, a tend\u00eancia \u00e9 que os n\u00fameros piorem ainda mais este ano. &#8220;Estamos muito mal. N\u00e3o temos estradas, ferrovias e hidrovias&#8221;, lamenta o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Concession\u00e1rias de Rodovias (ABCR), Moacyr Servilha Duarte.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dele, o pacote do governo federal \u00e9 emergencial, para melhorar uma infraestrutura j\u00e1 existente. Em alguns pa\u00edses, destaca o executivo, toda a malha rodovi\u00e1ria \u00e9 pavimentada. Nos Estados Unidos, 67% das rodovias s\u00e3o asfaltadas. Na \u00cdndia, a malha pavimentada \u00e9 equivalente a toda a malha brasileira, de 1,7 milh\u00e3o de km.<\/p>\n<p>O consultor Geraldo Vianna, diretor da CNT e ex-presidente da NTC&amp;Log\u00edstica, compartilha da mesma opini\u00e3o de Duarte. Segundo ele, embora seja a sexta economia do mundo e tenha a maior malha pedagiada, o Pa\u00eds ocupa a 20\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking malha rodovi\u00e1ria ponderada pela extens\u00e3o territorial e popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Dificilmente conseguiremos consertar em poucos anos um abandono de tr\u00eas d\u00e9cadas. Neste momento, precisamos ter calma e objetivos claros para, talvez, conseguir corrigir em 15 anos o que estragamos em 30.&#8221;<\/p>\n<p>Para ele, mais importante do que os R$ 133 bilh\u00f5es (ou R$ 80 bilh\u00f5es nos primeiros cinco anos) do pacote \u00e9 a mudan\u00e7a institucional e organizacional da \u00e1rea de transportes e log\u00edstica. &#8220;O valor em si n\u00e3o representa muita coisa, j\u00e1 que est\u00e1 distante das necessidades do Pa\u00eds e bem abaixo dos investimentos de nossos concorrentes China e \u00cdndia.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ordem inversa&#8221;. Na opini\u00e3o do professor da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, Paulo Resende, para aumentar o volume de estradas pavimentadas e reduzir a desigualdade no Brasil, o governo ter\u00e1 de fazer uma discuss\u00e3o muito mais profunda do que a atual. Os projetos atuais s\u00e3o decorrentes de uma demanda provocada pelo desenvolvimento regional, tem viabilidade econ\u00f4mica. &#8220;O resto tem l\u00f3gica inversa: o projeto \u00e9 que vai trazer o desenvolvimento regional para uma determinada regi\u00e3o e, a partir da\u00ed, trazer o tr\u00e1fego de ve\u00edculo. Quem sabe um dia poderia ser concedida para a iniciativa privada.&#8221;<\/p>\n<p>Hoje, completa o professor, a demanda est\u00e1 concentrada em cerca de 50 mil km de estrada, que respondem por 80% da movimenta\u00e7\u00e3o de carga do Pa\u00eds. Um exemplo de Resende \u00e9 a cidade de Ju\u00edna, um munic\u00edpio do Mato Grosso que fica na divisa com Rond\u00f4nia. A carga agr\u00edcola produzida no local poderia ser levada para Porto Velho, a cerca de 300 km, e seguir via hidrovia. Mas a liga\u00e7\u00e3o entre as duas cidades \u00e9 intransit\u00e1vel. &#8220;Toda produ\u00e7\u00e3o tem de percorrer 3.150 km at\u00e9 o Porto de Paranagu\u00e1, no Paran\u00e1, para ser exportada. &#8220;O governo tem de selecionar corredores com potencial e trabalhar em cima. Isso cria um circulo virtuoso de longo prazo.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>BCE desmente rumores sobre compra de t\u00edtulos<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O Banco Central Europeu (BCE) desmentiu ontem especula\u00e7\u00f5es sobre como ser\u00e1 o programa de compra de t\u00edtulos do banco central, dizendo que \u00e9 errado falar sobre decis\u00f5es que ainda n\u00e3o foram tomadas.<\/p>\n<p>No fim de semana, a revista alem\u00e3 Der Spiegel disse que o BCE est\u00e1 considerando estabelecer patamares de taxas de juros para qualquer compra de t\u00edtulos de pa\u00edses em dificuldade da zona do euro, ou seja, o BCE s\u00f3 compraria tais t\u00edtulos se as taxas de juros ultrapassassem um certo pr\u00eamio em rela\u00e7\u00e3o aos t\u00edtulos alem\u00e3es.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 completamente enganoso noticiar sobre decis\u00f5es que ainda n\u00e3o foram tomadas e tamb\u00e9m sobre vis\u00f5es individuais, que ainda n\u00e3o foram discutidas pelo Conselho Administrativo do BCE, que vai agir estritamente dentro do seu mandato&#8221;, afirmou um porta-voz do BCE.<\/p>\n<p>&#8220;No que se refere a recentes declara\u00e7\u00f5es de autoridades governamentais, tamb\u00e9m \u00e9 errado especular sobre a forma das interven\u00e7\u00f5es futuras do BCE. Pol\u00edtica monet\u00e1ria \u00e9 independente e feita estritamente dentro do mandato do BCE.&#8221;<\/p>\n<p>B\u00f4nus comuns. Ainda ontem, o ministro da Economia da Alemanha, Philipp Roesler, repetiu sua rejei\u00e7\u00e3o aos b\u00f4nus comuns da zona do euro como uma maneira de solucionar a crise da d\u00edvida soberana na regi\u00e3o. &#8220;Os pacotes de socorro europeus n\u00e3o podem levar \u00e0 coletiviza\u00e7\u00e3o de riscos e criar incentivos errados desse modo&#8221;, afirmou o ministro, de acordo com trechos de um discurso realizado em Kiel. &#8220;Isso vale tamb\u00e9m para o futuro supervisor banc\u00e1rio europeu.&#8221;<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m reiterou os alertas de que as amea\u00e7as mais significantes para a economia da Alemanha eram os pedidos por mais envolvimento estatal na economia e a crise da d\u00edvida da zona do euro.<\/p>\n<p>Os coment\u00e1rios de Roesler demonstram que a oposi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de instrumentos, como b\u00f4nus comuns da zona do euro, continua firme.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Brasil se afasta de pa\u00edses avan\u00e7ados, diz estudo<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O Brasil entrou num processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o precoce e de distanciamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s economias avan\u00e7adas, sobretudo as que est\u00e3o hoje na fronteira do desenvolvimento tecnol\u00f3gico, segundo estudo dos economistas Andr\u00e9 Nassif, do BNDES e da Universidade Federal Fluminense (UFF), Carmem Feij\u00f3, da UFF, da Eliane Ara\u00fajo, da Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM). A queda da fatia da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o no Produto Interno Bruto (PIB), a eleva\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit comercial nos setores mais intensivos em tecnologia e o aumento da dist\u00e2ncia da produtividade do trabalho na ind\u00fastria brasileira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 americana apontam nessa dire\u00e7\u00e3o, dizem os autores.<\/p>\n<p>Outro problema, de acordo com eles, \u00e9 que as importa\u00e7\u00f5es mostram uma &#8220;elasticidade-renda&#8221; muito maior que a das exporta\u00e7\u00f5es &#8211; ou seja, o aumento de 1% do PIB brasileiro provoca uma alta bem mais forte das importa\u00e7\u00f5es &#8211; de 3,36% entre 1999 e 2010 &#8211; do que o efeito do avan\u00e7o de 1% do PIB global sobre as exporta\u00e7\u00f5es &#8211; de 1,33% no mesmo per\u00edodo. &#8220;Isso indica que o Brasil tem restri\u00e7\u00f5es externas ao crescimento no longo prazo&#8221;, diz Nassif. Os autores acreditam, por\u00e9m, que essa situa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 revers\u00edvel, embora seja preciso agir r\u00e1pido. \u00c9 importante haver a coordena\u00e7\u00e3o entre pol\u00edticas de longo prazo &#8211; industriais, tecnol\u00f3gicas, de educa\u00e7\u00e3o e de infraestrutura &#8211; com pol\u00edticas macroecon\u00f4micas de curto prazo nos fronts monet\u00e1rio, fiscal e, principalmente, cambial.<\/p>\n<p>Um dos pilares do estudo s\u00e3o as ideias de Nicholas Kaldor (1908-1986), professor da Universidade de Cambridge (Reino Unido), acerca da import\u00e2ncia do setor manufatureiro. Por operar em condi\u00e7\u00f5es de economias de escala, o setor como um todo tem a maior capacidade de disseminar os seus ganhos de produtividade para a economia inteira &#8211; da\u00ed a preocupa\u00e7\u00e3o com um eventual processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o precoce. O encolhimento da fatia da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o no valor adicionado na economia confirmaria esse processo. Essa participa\u00e7\u00e3o caiu de 31,3% em 1980 para 17,2% em 2000, atingindo 14,6% em 2011.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o se limitar a esse indicador, os autores analisam tamb\u00e9m a evolu\u00e7\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o de cada setor de atividade no emprego no Brasil. Entre 2000 e 2009, a fatia da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o no total passou de 12% para 12,7%, ap\u00f3s atingir 12,8% em 2005 e 2007 &#8211; desempenho que n\u00e3o apontaria na dire\u00e7\u00e3o da desindustrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra an\u00e1lise \u00e9 a do comportamento do emprego da pr\u00f3pria ind\u00fastria manufatureira de acordo com os setores por intensidade tecnol\u00f3gica. Nesse caso, o quadro tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 negativo. Em 2000, os segmentos mais intensivos em ci\u00eancia, engenharia e conhecimento respondiam por 26,2% do emprego na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, fatia que pulou para 31,2% em 2008 (ano dos \u00faltimos dados dispon\u00edveis). Nesse per\u00edodo, a participa\u00e7\u00e3o dos intensivos em trabalho caiu de 40,3% para 33,8%, enquanto a dos intensivos em recursos naturais subiu de 34,2% para 35%. Em suma, aumentou a participa\u00e7\u00e3o no emprego na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o dos segmentos mais intensivos em tecnologia.<\/p>\n<p>No entanto, um crit\u00e9rio essencial para diagnosticar a desindustrializa\u00e7\u00e3o precoce nos pa\u00edses ainda em desenvolvimento \u00e9 analisar a posi\u00e7\u00e3o relativa em rela\u00e7\u00e3o a outras economias, diz Nassif, que ressalta falar em nome pessoal, e n\u00e3o do BNDES. Por esse aspecto, o quadro \u00e9 preocupante, afirma ele.<\/p>\n<p>Em 2008, a produtividade do trabalho na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o brasileira equivalia a pouco menos de 16% da dos EUA, mostrando uma queda significativa nos \u00faltimos 40 anos. Nos anos 70, o percentual oscilou entre 36,7% a 41,7%, caindo para a casa de 25% no fim dos anos 80, recuperando-se para a casa dos 30% em 1996 e 1997, para ent\u00e3o voltar a recuar nos anos seguintes. O comportamento \u00e9 parecido em todos os setores por intensidade tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 tamb\u00e9m um aumento dram\u00e1tico dos d\u00e9ficits comerciais do grupo de produtos industrializados intensivos em engenharia, ci\u00eancia e conhecimento a partir de 2006&#8221;, diz Nassif. &#8220;S\u00e3o evid\u00eancias de desindustrializa\u00e7\u00e3o precoce.&#8221;<\/p>\n<p>O estudo estima econometricamente a elasticidade-renda das exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es entre 1980 e 2010, para verificar se h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es externas \u00e0 capacidade de crescimento do pa\u00eds no longo prazo. O resultado mostra que, entre 1980 e 1998, o aumento de 1% do PIB brasileiro causava um aumento de 1,97% das importa\u00e7\u00f5es, n\u00famero que pulou para 3,36% de 1999 a 2010. No caso das exporta\u00e7\u00f5es, houve um pequeno recuo. Entre 1980 e 1998, o aumento de 1% da economia global elevava em 1,36% as exporta\u00e7\u00f5es; entre 1999 e 2010, o n\u00famero caiu para 1,33%.<\/p>\n<p>&#8220;Como o ideal \u00e9 que a elasticidade-renda das exporta\u00e7\u00f5es supere, ao longo do tempo, a das importa\u00e7\u00f5es, esses resultados mostram que o Brasil se defrontar\u00e1 com problemas de balan\u00e7o de pagamentos para financiar o crescimento de sua economia no longo prazo, caso n\u00e3o haja uma invers\u00e3o dessa tend\u00eancia&#8221;, diz Nassif. &#8220;Para isso, no entanto, ser\u00e1 necess\u00e1rio fazer um enorme esfor\u00e7o para melhorar o conte\u00fado tecnol\u00f3gico de nossas exporta\u00e7\u00f5es.&#8221; Os elevados pre\u00e7os de commodities evitam hoje esse problema, por garantir super\u00e1vits comerciais elevados, mas esse quadro pode mudar se as cota\u00e7\u00f5es desse bens ficarem num patamar menos favor\u00e1vel do que nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>No estudo, os autores tamb\u00e9m fizeram exerc\u00edcios para verificar se a ind\u00fastria manufatureira do pa\u00eds est\u00e1 ou n\u00e3o sujeita a economias din\u00e2micas de escala. Se confirmado, isso indica que o setor tem capacidade, ao longo do tempo, de reduzir os seus custos e aumentar a sua competitividade, \u00e0 medida que acumula inova\u00e7\u00e3o, conhecimento e experi\u00eancia. &#8220;Os resultados nesse sentido foram surpreendentemente positivos&#8221;, diz Nassif.<\/p>\n<p>De acordo com o modelo, entre 1970 e 1989, o aumento de 1% da produ\u00e7\u00e3o industrial elevava em 0,39% a produtividade do trabalho. Entre 1990 e 2010, houve um aumento do coeficiente, que pulou para 0,52%. &#8220;Isso indica que a ind\u00fastria manufatureira do pa\u00eds ainda opera sujeita a substanciais economias din\u00e2micas de escala. Em outras palavras, em princ\u00edpio, ela tem potencial para impulsionar a produtividade do trabalho e, em consequ\u00eancia, o crescimento econ\u00f4mico no longo prazo&#8221;, escrevem os autores. Nassif diz que o resultado mostra o f\u00f4lego da ind\u00fastria brasileira, como dizia o professor Ant\u00f4nio Barros de Castro, ex-presidente do BNDES, morto no ano passado. Ela resiste mesmo enfrentando problemas sucessivos, como a liberaliza\u00e7\u00e3o comercial relativamente r\u00e1pida, a infla\u00e7\u00e3o alta e a valoriza\u00e7\u00e3o persistente do c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>Para Nassif, por\u00e9m, \u00e9 preciso agir r\u00e1pido para deter o processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o e distanciamento das economias desenvolvidas. &#8220;Pol\u00edticas industriais e tecnol\u00f3gicas s\u00e3o bem-vindas para induzir mudan\u00e7as estruturais, mas n\u00e3o s\u00e3o suficientes&#8221;, diz ele, ressaltando ser fundamental a manuten\u00e7\u00e3o de um ambiente de juros baixos e c\u00e2mbio competitivo, com coordena\u00e7\u00e3o entre as pol\u00edticas monet\u00e1ria, fiscal e cambial. \u00c9 importante, segundo ele, evitar uma nova valoriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio, que hoje se encontra num n\u00edvel um pouco mais favor\u00e1vel \u00e0 ind\u00fastria.<\/p>\n<p>O estudo ser\u00e1 apresentado na quinta-feira, no 5 \u00ba Encontro Internacional da Associa\u00e7\u00e3o Keynesiana Brasileira (AKB), a ser realizado na Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Estado de S. Paulo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3401\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3401","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-SR","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3401"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3401\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}