{"id":3427,"date":"2012-08-27T17:48:08","date_gmt":"2012-08-27T17:48:08","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3427"},"modified":"2012-08-27T17:48:08","modified_gmt":"2012-08-27T17:48:08","slug":"venezuela-sao-tantas-as-emocoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3427","title":{"rendered":"Venezuela, \u2018S\u00e3o tantas as emo\u00e7\u00f5es\u2019"},"content":{"rendered":"\n<p>Nossas oligarquias est\u00e3o acostumadas a desmoralizar a emo\u00e7\u00e3o na atividade pol\u00edtica. Eles gostam de desqualificar os l\u00edderes que t\u00eam for\u00e7a popular. Fidel fala demais. Hugo\u00a0<em>Ch\u00e1vez<\/em> apela \u00e0 jocosidade, aos maneirismos etc. Correa \u00e9 mais comportado, mas tamb\u00e9m \u00e9 muito emocional. Lula joga com seu passado popular e se torna burlesco. Evo Morales usa roupas ind\u00edgenas que n\u00e3o caem bem em uma recep\u00e7\u00e3o formal. Mujica usa sapatos enlameados, e faz passar por fazendeiro pobre. Cristina Kirchner busca imitar Evita Per\u00f3n com suas roupas \u2018exageradas\u2019.<\/p>\n<p>Quantos mais l\u00edderes apare\u00e7am e se descobrir\u00e1 neles esse ar popular e rom\u00e2ntico que, segundo os oligarcas, pertence ao mundo da demagogia e n\u00e3o dos \u2018chefes de Estado\u2019. Os chefes de Estado usam roupas s\u00f3brias, falam moderadamente e n\u00e3o cumprem seus compromissos eleitorais, pois n\u00e3o s\u00e3o demagogos a ponto de fazer o que o povo exige. As oligarquias se referem assim ao mundo democr\u00e1tico, \u00e0s vit\u00f3rias eleitorais dos \u2018demagogos\u2019 e seus di\u00e1logos com as for\u00e7as populares organizadas, mesmo depois de eleitos. N\u00e3o confessam, mas lhes d\u00f3i inclusive o jogo democr\u00e1tico norte-americano, mas diante deste eles ficam tranquilos, porque seus l\u00edderes nunca pretenderam cumprir com as promessas eleitorais.<\/p>\n<p>Por isso me sinto obrigado a estabelecer um marco rom\u00e2ntico e emocional para descrever minha \u00faltima viagem \u00e0 Venezuela. N\u00e3o pude deixar de consignar o sentimento de vit\u00f3ria popular e o prazer de contar com seu l\u00edder mais uma vez. Por que n\u00e3o apelar \u00e0 m\u00fasica de Roberto Carlos: S\u00e3o tantas as emo\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Emociono-me ao ver em frente ao Hotel Alba, o antigo Hilton, em uma das zonas mais nobres de Caracas, na vista do meu quarto, a constru\u00e7\u00e3o quase terminada de um edif\u00edcio de v\u00e1rios pisos, com apartamentos de 70 a 90 metros quadrados destinados \u00e0s v\u00edtimas das \u00faltimas chuvas, que destru\u00edram bairros populares de Caracas. Sou informado de que o governo venezuelano abrigou aos desalojados em alguns hot\u00e9is de Caracas, nos minist\u00e9rios e at\u00e9 no Pal\u00e1cio de Miraflores. E o que vejo em frente a este novo edif\u00edcio, ocultado em parte pela piscina do hotel? Uma grande e bem plantada horta, que reflete outro programa do governo. Mostraram-me ainda nos principais bairros de Caracas as constru\u00e7\u00f5es massivas de casas populares que dever\u00e3o abrigar, nos pr\u00f3ximos anos, toda a popula\u00e7\u00e3o da Venezuela. E creio nisso porque o encarregado desse programa \u00e9 meu amigo Farruco Sesto, que lan\u00e7ou e viabilizou um programa cultural de vanguarda quando foi ministro da Cultura.<\/p>\n<p>Lembro-me, ent\u00e3o, dos bairros populares que visitei, nos quais a organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria atua na defini\u00e7\u00e3o de novas linhas de a\u00e7\u00e3o, ouvindo as confer\u00eancias dos congressos anuais de Filosofia que se realizam h\u00e1 v\u00e1rios anos nestas comunidades, visitando suas bibliotecas onde est\u00e3o meus livros tamb\u00e9m, cuidando das cl\u00ednicas m\u00e9dicas em que os m\u00e9dicos cubanos n\u00e3o apenas atendem a toda gente com carinho e esmero, mas tamb\u00e9m formam pessoal m\u00e9dico e param\u00e9dico \u2018especializado\u2019 em Cl\u00ednica Geral, capaz de cumprir as fun\u00e7\u00f5es que lhes cabem em mais de 5 mil cl\u00ednicas que se criaram em todo o pa\u00eds, nos \u00faltimos 10 anos. Confesso que me emociono com o entusiasmo destes \u2018comuneros urbanos\u2019 que me vieram explicar cada uma de suas atividades, cada uma das vit\u00f3rias da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eles me fazem recordar aos meus acompanhantes no Museu da Alfabetiza\u00e7\u00e3o, em Cuba, que v\u00e3o aos arquivos buscar suas fichas de alfabetizadores desde que eram apenas meninos ou adolescentes. Recordo de quando Fidel Castro estabeleceu, no alvorecer da revolu\u00e7\u00e3o, que cada cubano devia apenas alfabetizar a dois cubanos para que todos participassem da alfabetiza\u00e7\u00e3o de seus cidad\u00e3os. E, hoje, esses milhares de alfabetizadores liquidaram essa praga de nossos povos em todos os rinc\u00f5es: na Venezuela, declarada pela UNESCO \u201cterrit\u00f3rio livre do analfabetismo\u201d, na Bol\u00edvia, recentemente alcan\u00e7ou tamb\u00e9m este status, o Equador, a Nicar\u00e1gua, El Salvador e todos os pa\u00edses membros da ALBA, que entendem por integra\u00e7\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o desse tipo de problema.<\/p>\n<p>Mas, como intelectual, no posso ocultar minha emo\u00e7\u00e3o quando vou realizar minha primeira confer\u00eancia desta viagem na Universidad Bolivariana, que j\u00e1 conta com mais de 150 mil estudantes que, junto com seus professores, colocam quest\u00f5es ultra procedentes sobre a particularidade do processo de transi\u00e7\u00e3o socialista na Venezuela. Emociona-me tamb\u00e9m saber que a Venezuela conta, hoje em dia, com uma popula\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria de 1,5 milh\u00e3o de estudantes. Assusta-me saber que j\u00e1 existem institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias em todas as cidades do pa\u00eds. Entusiasma-me tamb\u00e9m discutir os problemas graves que tem esta aventura intelectual da qual participa todo um povo. Que prazer discutir na televis\u00e3o, em um programa noturno, com uma jornalista t\u00e3o bem informada e t\u00e3o inteligente como Vanesa Davies, que dirige o programa Contragolpe. Que bom ver que em vez de impedir que eu me expresse, como fazem em terras onde h\u00e1 a \u2018imprensa livre\u2019, pedem-me mais an\u00e1lises, mais informa\u00e7\u00f5es, mais pol\u00eamica e discuss\u00e3o. E tudo ao vivo\u2026 Que bom que j\u00e1 posso fazer isso em uma dezena de emissoras de TV na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Mas o dia seguinte me reservava ainda mais emo\u00e7\u00f5es. Devia falar sobre meu livro: Imperialismo e Depend\u00eancia, rec\u00e9m-editado pela prestigiosa Editorial Ayacucho, no Audit\u00f3rio do Banco Central, em Maraca\u00edbo. E encontro no audit\u00f3rio, al\u00e9m de professores universit\u00e1rios, economistas e profissionais, uma vasta plat\u00e9ia de dirigentes comunais e de extratos populares. Que bom estar em um Banco Central aberto \u00e0s comunidades, realmente \u2018independente\u2019 dos banqueiros e outros especuladores com dinheiro emprestado que mandam e desmandam em nossos bancos centrais, disfar\u00e7ados de uma tro\u00e7a chamada \u2018mercado\u2019, cuja opini\u00e3o ainda determina as pol\u00edticas financeiras e monet\u00e1rias de nossos pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u00c9 com muito gosto que participo da inaugura\u00e7\u00e3o da Feira do Livro de Maraca\u00edbo quando posso reparar na lista que coloca a Venezuela em terceiro lugar na Am\u00e9rica Latina em frequ\u00eancia de leitura, com uma percentagem de mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o que s\u00e3o leitores contumazes de livros. D\u00e1 gosto saber tamb\u00e9m que todos os meus livros editados na Venezuela j\u00e1 est\u00e3o esgotados, com programa\u00e7\u00e3o de novas edi\u00e7\u00f5es em marcha.<\/p>\n<p>Que fant\u00e1stico participar do lan\u00e7amento, no Estado de Zulia, da candidatura de Hugo\u00a0Ch\u00e1vez \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica Bolivariana de Venezuela. Com 40 graus cent\u00edgrados de calor veio uma massa de uns 300 mil cidad\u00e3os que estavam \u00e0 espera do candidato desde as 10 horas da manh\u00e3 e que aguentaram at\u00e9 o fim da tarde, apertados em um espa\u00e7o m\u00ednimo por pessoa, com seus filhos e parentes. Alguns desmaiaram, para desespero dos respons\u00e1veis pela seguran\u00e7a, que os carregaram para as ambul\u00e2ncias dispostas no entorno da multid\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas que emo\u00e7\u00e3o \u00e9 sentir a alegria e o calor humano que emanava dessa gente e que chegava ao del\u00edrio na medida em que Ch\u00e1vez se aproximava em um caminh\u00e3o que estacionou no gigantesco espa\u00e7o ocupado pela massa. O caminh\u00e3o de Ch\u00e1vez vinha com um grupo jovem de rock que havia composto uma nova can\u00e7\u00e3o para sua campanha. N\u00e3o satisfeito em abra\u00e7ar aos milhares de cidad\u00e3os que conseguiam agarr\u00e1-lo e beij\u00e1-lo no caminho entre o carro e o palco, Ch\u00e1vez tocou guitarra e acompanhou o grupo de Rock.<\/p>\n<p>N\u00e3o pude deixar de recordar os artigos dos jornalistas brasileiros que (um deles \u00e9, inclusive, membro da Academia Brasileira de Letras, para esc\u00e2ndalo dos verdadeiros escritores do pa\u00eds) afirmavam que Hugo Ch\u00e1vez estava perto de morrer e n\u00e3o poderia enfrentar mais uma elei\u00e7\u00e3o. Podiam fazer essas \u2018revela\u00e7\u00f5es\u2019 porque teriam informa\u00e7\u00f5es de m\u00e9dicos brasileiros \u2018democr\u00e1ticos\u2019 que no ocultam informa\u00e7\u00f5es como os pobres e censurados jornalistas venezuelanos, impedidos (por quem?) de informar corretamente \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o. Estes mesmos jornalistas \u2018democr\u00e1ticos\u2019 haviam matado duas vezes Fidel Castro durante sua enfermidade e no disseram nada quando se restabeleceu h\u00e1 v\u00e1rios anos j\u00e1, nem noticiaram como ele debatia durante nove horas com intelectuais que integram a Rede de Defesa da Humanidade, em Havana, h\u00e1 alguns meses. Quantas mentiras, quanta fofoca corre solta, impune, nessa \u201cimprensa livre\u201d\u2026<\/p>\n<p>Mas o que dizer do discurso de Ch\u00e1vez? Uma pe\u00e7a de profunda an\u00e1lise hist\u00f3rica discutida com a massa que acostumava a ser depreciada por nossos pol\u00edticos, que em geral n\u00e3o saberiam nem sequer se preocupariam em explicar t\u00e3o profundamente as raz\u00f5es de sua candidatura em uma cidade que o Libertador Sim\u00f3n Bol\u00edvar escolhera para ser vizinha da capital da Gran Col\u00f4mbia, que havia escolhido governar se n\u00e3o fosse assassinado, segundo a tese de Ch\u00e1vez, explicada em detalhe para este povo que j\u00e1 aguentava mais de 10 horas de sol a 40 graus de temperatura e que continuava firme, escutando-o e comentando com gritos e aplausos ao seu discurso.<\/p>\n<p>Raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o s encontram nestas demonstra\u00e7\u00f5es de carinho pelo l\u00edder que superou sua enfermidade, que comoveu ao seu povo feliz de v\u00ea-lo falar durante duas horas, debaixo de sol, sem nenhuma manifesta\u00e7\u00e3o de debilidade. V\u00ea-lo discutir, em detalhes, seus planos de vencer as elei\u00e7\u00f5es no Estado de Zulia, que \u00e9 atualmente governado pela oposi\u00e7\u00e3o. V\u00ea-lo afirmar que o caminho socialista para a Venezuela somente \u00e9 poss\u00edvel se o povo for capaz de garanti-lo.<\/p>\n<p>Emo\u00e7\u00f5es e mais emo\u00e7\u00f5es quando o escuto e o vejo dirigir-se a mim, tantas vezes, em homenagem a minha condi\u00e7\u00e3o de intelectual brasileiro (que tanto discutiu com os venezuelanos sobre os destinos comuns) e por amor ao Brasil, que o faz se referir a Lula e a Dilma com extremo carinho, para o gosto do povo ali presente e em todo o pa\u00eds, atrav\u00e9s da televis\u00e3o. L\u00edder e povo se complementam em seus gostos musicais, em seus estudos (pois Ch\u00e1vez leva sempre algum livro a cada uma de suas manifesta\u00e7\u00f5es, para compartilhar com seu povo de suas \u00faltimas leituras, suas preocupa\u00e7\u00f5es, suas cr\u00edticas e autocr\u00edticas, suas concep\u00e7\u00f5es pol\u00edticas). Jamais a direita poder\u00e1 ter um l\u00edder assim. A \u00fanica coisa que lhes resta \u00e9 desmoraliz\u00e1-lo, o que os afasta das grandes maiorias que pensam e sentem exatamente o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Cabe-me referir mais \u00e0s emo\u00e7\u00f5es desta viagem. Ao prazer de falar aos diretores dos v\u00e1rios minist\u00e9rios no Instituto de Altos Estudos de Defesa Nacional, aos reitores das Universidades Bolivarianas, aos colaboradores do Centro R\u00f3mulo Gallego, e particularmente na sede nacional do Banco Central, com a presen\u00e7a de v\u00e1rios de seus diretores e dirigentes, mas tamb\u00e9m aos l\u00edderes populares que tem as portas do banco abertas \u00e0 sua participa\u00e7\u00e3o. Banco Central que se interessa pela \u2018atualidade da teoria da depend\u00eancia\u2019 (ignorada pela maior parte dos bancos centrais). Quase tudo isso, vivi em companhia de Monica Bruckmann, cuja obra de investiga\u00e7\u00e3o sobra \u2018a geopol\u00edtica dos recursos naturais\u2019 desperta um interesse extremo do Banco Central da Venezuela e de intelectuais, profissionais e pol\u00edticos assim como nas lideran\u00e7as populares n\u00e3o apenas na Venezuela, mas em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2018S\u00e3o tantas as emo\u00e7\u00f5es\u2019. T\u00e3o poderosas n\u00e3o apenas quando constatamos o avan\u00e7o da curiosidade intelectual deste povo, mas tamb\u00e9m quando sentimos este amor entre o povo e seus l\u00edderes. Mas t\u00e3o tristes quando pensamos qu\u00e3o distantes ainda estamos de alcan\u00e7ar esse ambiente de participa\u00e7\u00e3o racional e rom\u00e2ntica de um povo com seus l\u00edderes. Lula quebrou em parte essa rigidez imposta por nossas classes dominantes. Dilma est\u00e1 conquistando nosso povo com sua dedica\u00e7\u00e3o e amor sincero por ele. Em toda a regi\u00e3o sentimos este clima de participa\u00e7\u00e3o ativa do povo em nosso ambiente pol\u00edtico. No entanto, falta um pouco mais de confian\u00e7a neste povo que seguramente recompensar\u00e1 com seu carinho e dedica\u00e7\u00e3o aqueles que queiram chegar junto com ele \u00e0 sorte de uma grande na\u00e7\u00e3o latino-americana.<\/p>\n<p><strong>Theotonio dos Santos J\u00fanior<\/strong>,\u00a0<em>mineiro de Carangola, \u00e9 economista. Um dos formuladores da teoria da depend\u00eancia, atualmente \u00e9 um dos principais expoentes da teoria do sistema-mundo. Mestre em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade de Bras\u00edlia, doutor em economia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professor em\u00e9rito da Universidade Federal Fluminense. Coordenador da C\u00e1tedra e Rede da UNESCO e da UNU sobre economia global e desenvolvimento sustent\u00e1vel (a REGGEN).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: CB\n\n\n\n\n\n\n\n\nTheotonio dos Santos J\u00fanior\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3427\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-3427","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Th","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3427","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3427"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3427\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}