{"id":3430,"date":"2012-08-27T14:51:50","date_gmt":"2012-08-27T14:51:50","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3430"},"modified":"2012-08-27T14:51:50","modified_gmt":"2012-08-27T14:51:50","slug":"governo-prepara-fundo-unico-de-pensao-para-estados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3430","title":{"rendered":"Governo prepara fundo \u00fanico de pens\u00e3o para Estados"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo prepara um projeto de lei para criar um fundo \u00fanico de pens\u00e3o para os funcion\u00e1rios p\u00fablicos de Estados e munic\u00edpios que desejarem implantar a aposentadoria complementar e n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de arcar com os custos desse empreendimento. Na sexta-feira, durante reuni\u00e3o do Conselho Nacional dos Dirigentes de Regimes Pr\u00f3prios de Previd\u00eancia Social (Conaprev), o governo espera conseguir a ades\u00e3o de pelos menos seis Estados para a proposta, segundo informou o secret\u00e1rio de Previd\u00eancia Complementar do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia, Jaime Mariz.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o governo vai estimular os governos estaduais a capitalizar os seus fundos previdenci\u00e1rios com bens im\u00f3veis e com suas d\u00edvidas ativas. Segundo o secret\u00e1rio de Pol\u00edticas de Previd\u00eancia Social, Leonardo Rolim Guimar\u00e3es, essa \u00e9 uma alternativa para reduzir a atual &#8220;sangria&#8221; de recursos estaduais com o pagamento de benef\u00edcios aos seus servidores inativos, que dificulta os Estados a realizar investimentos. &#8220;Por causa dessas despesas, alguns Estados j\u00e1 romperam o limite prudencial de gastos com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal&#8221;, disse Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Atualmente, a maioria dos Estados j\u00e1 possui dois regimes de previd\u00eancia para os seus servidores. Um sistema de reparti\u00e7\u00e3o simples, que abrange os aposentados j\u00e1 existentes e os funcion\u00e1rios mais antigos e um regime de capitaliza\u00e7\u00e3o para os com menos tempo de servi\u00e7o, que opera com a l\u00f3gica de acumula\u00e7\u00e3o de recursos. A maioria dos governos estaduais fez a segrega\u00e7\u00e3o desses dois sistemas.<\/p>\n<p>A terceira alternativa \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o da aposentadoria complementar, que valer\u00e1 apenas para os funcion\u00e1rios que ingressarem no servi\u00e7o p\u00fablico estadual ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do fundo de pens\u00e3o. Para esses, os Estados pagar\u00e3o aposentadorias at\u00e9 o teto do INSS (de R$ 3,9 mil). Se quiser obter um valor maior de aposentadoria, o servidor ter\u00e1 que aderir \u00e0 aposentadoria complementar, como fazem atualmente os trabalhadores da iniciativa privada.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, o governo federal estimulou os Estados a criarem os seus pr\u00f3prios fundos de pens\u00e3o, nos moldes do Funpresp, institu\u00eddo neste ano pela Uni\u00e3o. Mas apenas os governos do Rio e de S\u00e3o Paulo conseguiram criar os seus. Mesmo manifestando grande interesse pela ideia, os demais Estados n\u00e3o conseguiram arcar com os custos administrativos iniciais, pois n\u00e3o possuem escala para isso, uma vez que apenas os novos funcion\u00e1rios teriam que participar de forma obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Diante dessa realidade, o governo come\u00e7ou a trabalhar a proposta de um fundo \u00fanico que atenda esses Estados e os munic\u00edpios interessados. A Uni\u00e3o apenas capitalizaria inicialmente o fundo, que seria administrado por um conselho compostos por representantes dos Estados participantes. O custo de administra\u00e7\u00e3o do fundo seria compartilhado entre eles.<\/p>\n<p>O governo acredita que essa proposta pode permitir que os Estados menores, no futuro, estruturem as suas pr\u00f3prias entidades e possam sair do fundo \u00fanico. O secret\u00e1rio Mariz disse que a proposta do fundo \u00fanico j\u00e1 foi levada ao Minist\u00e9rio da Fazenda, que espera a formaliza\u00e7\u00e3o do interesse dos Estados para continuar a discuss\u00e3o com o Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social.<\/p>\n<p>O principal problema dos Estados, hoje, s\u00e3o os elevados estoques de benef\u00edcios previdenci\u00e1rios que s\u00e3o obrigados a pagar todos os anos. E essa conta s\u00f3 cresce. Em 2010, o d\u00e9ficit previdenci\u00e1rio (receitas previdenci\u00e1rias menos despesas) dos Estados foi de R$ 31,1 bilh\u00f5es, de acordo com dados do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social. Em 2011, esse d\u00e9ficit subiu para R$ 35,3 bilh\u00f5es. Apenas cinco Estados foram superavit\u00e1rios no ano passado. O d\u00e9ficit de S\u00e3o Paulo, por exemplo, foi de R$ 9,3 bilh\u00f5es e o do Rio de Janeiro, de R$ 6,1 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Para fazer frente a essa despesa crescente, o secret\u00e1rio Leonardo Guimar\u00e3es considera que os Estados podem lan\u00e7ar m\u00e3o de bens im\u00f3veis que possuem e de sua d\u00edvida ativa. &#8220;Quase todos t\u00eam bens de valor que podem ser usados para capitalizar os fundos previdenci\u00e1rios&#8221;, afirmou. &#8220;Eles precisam fazer um invent\u00e1rio desses bens, selecionar alguns e destin\u00e1-los aos fundos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es informou que o invent\u00e1rio de bens feito pelo governo de Mato Grosso identificou um patrim\u00f4nio de R$ 23 bilh\u00f5es, o que \u00e9 mais do que suficiente para cobrir o d\u00e9ficit atuarial do regime previdenci\u00e1rio do Estado, estimado em R$ 15 bilh\u00f5es. A transfer\u00eancia dos bens para os fundos previdenci\u00e1rios precisa, no entanto, ser autorizada por lei estadual.<\/p>\n<p>Outra alternativa, segundo o secret\u00e1rio, \u00e9 agilizar a cobran\u00e7a da d\u00edvida ativa estadual. &#8220;Se for poss\u00edvel recuperar de 20% a 30% do total da d\u00edvida, j\u00e1 ser\u00e1 uma receita importante para ajudar o Estado a arcar com os gastos previdenci\u00e1rios&#8221;, observou. Ele disse que o Rio de Janeiro j\u00e1 adota essa alternativa.<\/p>\n<hr \/>\n<p>M\u00faltis brasileiras mais globais<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Gurus da autoajuda empresarial gostam de citar o ex-presidente americano John Kennedy em momentos dif\u00edceis. Em 1959, ele fez uma declara\u00e7\u00e3o que, apesar de equivocada, popularizou uma m\u00e1xima sobre &#8220;crises&#8221;. Em chin\u00eas, disse o presidente, essa palavra \u00e9 formada por dois caracteres &#8211; um representa &#8220;perigo&#8221; e o outro &#8220;oportunidade&#8221;.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, essa n\u00e3o \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o que vale para todos os casos em tempos de recess\u00e3o. Mas, para as multinacionais brasileiras, at\u00e9 que \u00e9 bem apropriada. Apesar das dificuldades, elas conseguiram se tornar mais globais, aproveitando o momento em que os empres\u00e1rios estrangeiros estavam com a corda no pesco\u00e7o por causa da crise para acelerar as aquisi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>De 2007 at\u00e9 junho deste ano, as multinacionais verde-amarelas investiram US$ 99 bilh\u00f5es na compra (total ou parcial) de empresas no exterior. Esse valor \u00e9 quase o dobro do que foi investido nas duas d\u00e9cadas que antecederam a crise. &#8220;N\u00e3o podemos dizer que foi um per\u00edodo f\u00e1cil para as empresas brasileiras. N\u00e3o foi&#8221;, diz Sherban Leonardo Cretoiu, coordenador do N\u00facleo de Neg\u00f3cios Internacionais da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral. &#8220;Mas, apesar das incertezas do mercado externo, as companhias conseguiram manter a expans\u00e3o iniciada em 2005 e se tornaram mais internacionalizadas.&#8221;<\/p>\n<p>Um exemplo emblem\u00e1tico do que foram esses cinco anos para as m\u00faltis brasileiras \u00e9 o da fabricante de equipamentos Romi, sediada em Santa B\u00e1rbara D&#8221;Oeste, a 140 km de S\u00e3o Paulo. Em agosto de 2007, ela j\u00e1 se preparava para fazer sua primeira aquisi\u00e7\u00e3o no exterior quando veio o primeiro solu\u00e7o da crise: o banco franc\u00eas BNP Paribas congelou os resgates em tr\u00eas fundos de investimento baseados em t\u00edtulos hipotec\u00e1rios &#8211; era o &#8220;subprime&#8221;. &#8220;Nossa bola de cristal da \u00e9poca n\u00e3o mostrava que o mundo ia afundar&#8221;, diz o presidente da Romi, Livaldo Aguiar.<\/p>\n<p>Mesmo assim, em maio de 2008, a companhia comprou a fabricante italiana de equipamentos Sandretto, por 5,5 milh\u00f5es. &#8220;A Romi estava com \u00f3timos resultados e a aquisi\u00e7\u00e3o seria a porta de entrada para a Europa a um pre\u00e7o atraente&#8221;, conta Aguiar. Mas a crise derrubou o volume de pedidos e o alto custo trabalhista fez com que a primeira f\u00e1brica da Romi no exterior desse preju\u00edzo (as perdas ainda n\u00e3o foram calculadas). Apesar do rev\u00e9s, Aguiar n\u00e3o desistiu do plano de expans\u00e3o internacional, que visava reduzir a depend\u00eancia da empresa do mercado brasileiro, onde est\u00e1 75% da receita atual.<\/p>\n<p>No fim de 2011, a Romi comprou tamb\u00e9m a alem\u00e3 Burkhardt + Weber e j\u00e1 tem pedidos firmes para usar toda a capacidade da f\u00e1brica por um ano e meio. &#8220;Quer\u00edamos ter acesso a uma tecnologia mais avan\u00e7ada, e n\u00e3o apenas a um mercado&#8221;, afirma Aguiar. Hoje, a Romi j\u00e1 faz planos de equipar a f\u00e1brica do Brasil com as m\u00e1quinas feitas pela subsidi\u00e1ria da Alemanha.<\/p>\n<p>Desempenho. A Romi n\u00e3o foi a \u00fanica a ter perdas no exterior. Levantamento recente da USP e da FGV com 95 multinacionais mostra que 80% delas n\u00e3o atingiram suas metas de faturamento e margem de lucro nos \u00faltimos anos. &#8220;\u00c9 natural que empresas que est\u00e3o no in\u00edcio do processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o tenham um desempenho baixo&#8221;, diz Maria Tereza Leme Fleury, uma das autoras da pesquisa. &#8220;Mas a crise tamb\u00e9m influenciou.&#8221;<\/p>\n<p>O momento de maior retra\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o internacional foi 2009, quando mercados de todo o mundo entraram em compasso de espera at\u00e9 saber quanto faltava para chegar ao fundo do po\u00e7o. No ano seguinte, os investimentos foram retomados. Agora, com mais turbul\u00eancias na Europa, as multinacionais brasileiras fizeram nova parada t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>A compra de participa\u00e7\u00f5es de empresas no exterior, que no primeiro semestre de 2010 movimentou US$ 14 bilh\u00f5es, caiu para US$ 8,3 bilh\u00f5es em 2012. &#8220;O medo do desconhecido fez com que elas colocassem novamente o p\u00e9 no freio&#8221;, diz Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais (Sobeet).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, com o mercado ruim l\u00e1 fora, as m\u00faltis estrangeiras t\u00eam apostado ainda mais fichas no Brasil. &#8220;\u00c9 hora, portanto, de as brasileiras reservarem uma aten\u00e7\u00e3o maior para o mercado nacional&#8221;, afirma Luis Motta, s\u00f3cio-l\u00edder de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es da KPMG.<\/p>\n<p>A Petrobr\u00e1s, que iniciou sua expans\u00e3o fora do Pa\u00eds nos anos 70 junto com gigantes como Odebrecht e Embraer, anunciou no ano passado que vender\u00e1 ativos no exterior, como blocos de explora\u00e7\u00e3o e refinarias, para priorizar o pr\u00e9-sal. &#8220;Essa, no entanto, \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea para boa parte das empresas brasileiras, porque a internacionaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um caminho inevit\u00e1vel&#8221;, diz Lima, da Sobeet.<\/p>\n<p>A \u00faltima pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral sobre multinacionais brasileiras mostra que, embora 28% delas n\u00e3o queiram iniciar uma nova opera\u00e7\u00e3o internacional no curto prazo, 60% planejam expandir atividades nos mercados em que j\u00e1 atuam.<\/p>\n<p>Alguns fatores explicam por que \u00e9 t\u00e3o importante para as grandes companhias nacionais explorar o mercado externo. Primeiro: as empresas que querem crescer em seus segmentos precisam buscar novos mercados. &#8220;O Brasil \u00e9 grande, mas o mundo \u00e9 maior&#8221;, diz Alberto Mondelli, presidente da consultoria Mercer.<\/p>\n<p>Para quem j\u00e1 \u00e9 l\u00edder no mercado nacional, aumentar 1% ou 2% de participa\u00e7\u00e3o custa mais do que come\u00e7ar do zero em outro pa\u00eds. Foi o que a fabricante de tubos e conex\u00f5es Tigre, detentora de 50% do mercado no Brasil, pensou ao ir para os EUA em 2007. &#8220;S\u00f3 agora tivemos um pequeno lucro, mas n\u00e3o vamos arredar o p\u00e9 de l\u00e1, porque \u00e9 o mercado onde podemos crescer&#8221;, diz Evaldo Dreher, presidente da companhia catarinense.<\/p>\n<p>Para sobreviver \u00e0 competi\u00e7\u00e3o global, as multinacionais brasileiras n\u00e3o podem ignorar que suas principais concorrentes tamb\u00e9m s\u00e3o internacionais. \u00c9 preciso olhar o mundo inteiro, para saber explorar as vantagens de cada pa\u00eds &#8211; como est\u00e1 fazendo a fabricante de motores el\u00e9tricos WEG. Neste ano, a companhia passou a comprar componentes de fornecedores indianos para abastecer suas outras f\u00e1bricas, incluindo a brasileira. Em 2011, tamb\u00e9m fez uma aquisi\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos para ter acesso a tecnologias para o setor de \u00f3leo e g\u00e1s, com o objetivo de atender clientes como a Petrobr\u00e1s e empresas do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Motiva\u00e7\u00f5es. Ao mesmo tempo em que se tornam mais competitivas, as m\u00faltis conseguem reduzir os danos de uma poss\u00edvel recess\u00e3o interna diversificando suas opera\u00e7\u00f5es mundo a fora. Num per\u00edodo de crise como o dos \u00faltimos cinco anos, fica mais f\u00e1cil fazer aquisi\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que o pre\u00e7o dos ativos no exterior despenca. Para quem precisa de escala para sobreviver \u00e9 um bom impulso ao crescimento.<\/p>\n<p>O caso do JBS, maior produtor de carne do mundo, \u00e9 o que mais se destaca. Com nove aquisi\u00e7\u00f5es em sequ\u00eancia a partir de 2007, a empresa viu o peso do mercado externo em seu faturamento saltar de 10% para 75% hoje.<\/p>\n<p>Na mesma linha do JBS e com a mesma motiva\u00e7\u00e3o de ganhar escala, a Stefanini, que atua na \u00e1rea de tecnologia de informa\u00e7\u00e3o, chegou ao fim desses cinco anos com 71 escrit\u00f3rios em 29 pa\u00edses, respons\u00e1veis atualmente por 40% da receita do grupo. &#8220;Aproveitamos para assumir contratos de concorrentes com problemas financeiros&#8221;, conta o presidente da empresa, Marco Stefanini.<\/p>\n<p>A estimativa da Sobeet \u00e9 de que 900 empresas brasileiras estejam atuando no exterior &#8211; tr\u00eas vezes mais que h\u00e1 dez anos. A crise nos pa\u00edses desenvolvidos n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 uma novidade para elas, j\u00e1 que por anos viveram num Brasil desfavor\u00e1vel aos neg\u00f3cios. A experi\u00eancia aqui dentro ensinou que estar em v\u00e1rios mercados \u00e9 uma prote\u00e7\u00e3o natural. &#8220;A capacidade de resist\u00eancia \u00e9 um ativo que a crise nos d\u00e1&#8221;, diz Stefanini. &#8220;O empres\u00e1rio sangra, mas vira o jogo.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Reduzir pobreza n\u00e3o basta, diz Cepal<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina teve sucesso em reduzir a pobreza na \u00faltima d\u00e9cada. Agora \u00e9 hora de os governos agirem com for\u00e7a para combater a desigualdade e, assim, assegurar os ganhos sociais obtidos recentemente. Essa \u00e9 uma das conclus\u00f5es da Cepal (Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe), que abre hoje seu 34\u00ba per\u00edodo de sess\u00f5es, em El Salvador.<\/p>\n<p>O \u00f3rg\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas apresentar\u00e1 suas propostas durante o evento, que reunir\u00e1 delegados de 44 pa\u00edses-membros e 8 associados \u00e0 comiss\u00e3o. Elas est\u00e3o resumidas no livro &#8220;Mudan\u00e7a Estrutural para a Igualdade: Uma Vis\u00e3o Integrada do Desenvolvimento&#8221;. Com mais 300 p\u00e1ginas, a obra &#8220;prop\u00f5e um caminho concreto para o crescimento de longo prazo com igualdade e sustentabilidade ambiental&#8221; na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Antonio Prado, secret\u00e1rio-executivo-adjunto da entidade, afirma que a regi\u00e3o vive uma esp\u00e9cie de &#8220;in\u00e9rcia&#8221; com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da desigualdade. E que os governos precisam agir ativamente para criar um cen\u00e1rio que favore\u00e7a essa diminui\u00e7\u00e3o. &#8220;Essa in\u00e9rcia n\u00e3o pode ser superada apenas com mecanismos de mercado&#8221;, afirma. &#8220;S\u00e3o esses mecanismos que ajudam a potencializ\u00e1-la.&#8221;<\/p>\n<p>Prado exemplifica dizendo que os setores de alta produtividade, respons\u00e1veis por 66,9% do PIB regional, geram apenas 19,8% dos empregos. J\u00e1 os de baixa produtividade, incluindo-se a\u00ed os informais, respondem por 10,6% do PIB, mas empregam 50,2% das pessoas. Nesse estrato est\u00e1 a faixa mais vulner\u00e1vel, que pode voltar rapidamente \u00e0 pobreza. &#8220;Os investidores privados procuram setores onde h\u00e1 mais rentabilidade. O setor p\u00fablico tem que tomar a iniciativa&#8221;, diz. &#8220;N\u00e3o \u00e9 hora de os governos cortarem investimentos. \u00c9 preciso uma pol\u00edtica industrial para melhorar a qualidade do emprego.&#8221;<\/p>\n<p>Os governos devem tamb\u00e9m atuar em outras frentes, como a pol\u00edtica fiscal. &#8220;A carga tribut\u00e1ria m\u00e9dia na regi\u00e3o, de 18%, 19%, \u00e9 muito baixa para dar aos governos musculatura para investir&#8221;, diz ele.<\/p>\n<hr \/>\n<p>BB e Caixa colocam mais R$ 64 bi em cr\u00e9dito na economia no 2\u00ba trimestre<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Os bancos p\u00fablicos em geral despejaram R$ 65,7 bilh\u00f5es no mercado no segundo trimestre, colaborando para a volta do cr\u00e9dito e para a retomada da economia. Esse valor representa mais de 70% do crescimento total do cr\u00e9dito no Pa\u00eds, que chegou a R$ 93 bilh\u00f5es no per\u00edodo, conforme dados do Banco Central &#8211; o saldo passou de R$ 2,074 trilh\u00f5es no primeiro trimestre para R$ 2,167 trilh\u00f5es no segundo.<\/p>\n<p>Obedecendo \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es da presidente Dilma Rousseff, a Caixa Econ\u00f4mica Federal e o Banco do Brasil foram os maiores respons\u00e1veis por esse crescimento do cr\u00e9dito. A Caixa aumentou em R$ 29 bilh\u00f5es o volume de empr\u00e9stimos, enquanto o BB colaborou com R$ 35 bilh\u00f5es &#8211; um total de R$ 64 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Atra\u00eddos pela agressiva pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o de juros dos bancos p\u00fablicos, os consumidores migraram suas d\u00edvidas. Tamb\u00e9m optaram por tomar cr\u00e9dito na Caixa e no BB em \u00e1reas at\u00e9 agora pouco exploradas, como o financiamento de ve\u00edculos.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, a portabilidade de cr\u00e9dito deslanchou. Os indicadores do BC apontam que foram, em m\u00e9dia, 45,2 mil opera\u00e7\u00f5es mensais de maio a julho, representando R$ 522 milh\u00f5es por m\u00eas. N\u00e3o h\u00e1 dados oficiais, mas \u00e9 prov\u00e1vel que boa parte dessa migra\u00e7\u00e3o tenha sido em dire\u00e7\u00e3o aos bancos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A Caixa foi a mais agressiva, com alta de 51,5% na carteira de cr\u00e9dito no primeiro semestre. A participa\u00e7\u00e3o da Caixa nas concess\u00f5es, excluindo financiamentos imobili\u00e1rios, nos quais j\u00e1 \u00e9 tradicionalmente forte, subiu de 5,9% em dezembro de 2011 para 7,1% em junho deste ano.<\/p>\n<p>Cerca de 27 mil pessoas levaram suas d\u00edvidas para a Caixa no segundo trimestre, um aumento de 123% em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro. Em seis meses, foram 42 mil opera\u00e7\u00f5es. &#8220;Acreditamos desde o come\u00e7o no crescimento da economia e nos antecipamos&#8221;, diz M\u00e1rcio Percival, vice-presidente de finan\u00e7as da Caixa.<\/p>\n<p>O BB foi mais cauteloso, mas, pelo seu peso, fez diferen\u00e7a. O banco cortou as taxas de juros em at\u00e9 30% e sua participa\u00e7\u00e3o de mercado subiu de 19,2% no primeiro trimestre para 19,5% no segundo. De acordo com Alexandre Abreu, vice-presidente de neg\u00f3cios de varejo, o banco cresceu na \u00e1rea de ve\u00edculos, em que praticamente n\u00e3o atuava.<\/p>\n<p>Ele conta que cerca de 60% dos novos financiamentos foram concedidos para pessoas que tomaram empr\u00e9stimos pela primeira vez. Os brasileiros tamb\u00e9m trocaram d\u00edvidas caras por mais baratas. No BB, o consignado cresceu 20,6% no segundo trimestre em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2011, enquanto as concess\u00f5es no cheque especial e no rotativo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito ca\u00edram 7% e 6%, respectivamente.<\/p>\n<p>Com o impulso dos bancos p\u00fablicos, o mercado de cr\u00e9dito come\u00e7a a dar sinais de f\u00f4lego, mas a previs\u00e3o dos analistas \u00e9 que a recupera\u00e7\u00e3o s\u00f3 ocorrer\u00e1 no quarto trimestre. &#8220;Estamos em um momento de transi\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Lu\u00eds Miguel Santacreu, da Austin Asis.<\/p>\n<p>O mercado brasileiro de cr\u00e9dito viveu um boom. Em 2008, cresceu 31%. Esse patamar desacelerou em 2009, para 15%, mas voltou a ganhar ritmo, com alta de 20,6% em 2010 e 19,1% em 2011. O brasileiro comprometeu uma fatia elevada da renda com d\u00edvidas e a inadimpl\u00eancia subiu.<\/p>\n<p>No primeiro semestre, o cr\u00e9dito avan\u00e7ou apenas 6,8% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2011, mas o BC prev\u00ea alta 15% no ano. Para os especialistas, h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para uma retomada: estabiliza\u00e7\u00e3o da inadimpl\u00eancia, queda da taxa Selic e dos spreads banc\u00e1rios e renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Em julho, a quantidade de pessoas que saiu de casa para procurar cr\u00e9dito aumentou 2% em rela\u00e7\u00e3o a julho de 2012, segundo a Serasa Experian. Foi a primeira alta inter anual em nove meses. O registro de pessoas inadimplentes cresceu 10,5%no per\u00edodo &#8211; o menor ritmo desde julho de 2010. &#8220;As pessoas est\u00e3o resolvendo os pagamentos atrasados e voltando a tomar cr\u00e9dito&#8221;, diz Luiz Rabi, gerente de indicadores de mercado da Serasa.<\/p>\n<p>De janeiro a julho, a recupera\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas cresceu 13,5%, mais que a alta de 7% dos registros de inadimplentes, segundo a Boa Vista Servi\u00e7os, que administra o Servi\u00e7o Central de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito (SCPC). At\u00e9 2011, as pessoas davam mais calote que limpavam o nome. &#8220;Estamos no in\u00edcio de um ciclo mais sustent\u00e1vel de cr\u00e9dito&#8221;, diz Dorival Dourado, presidente da Boa Vista.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Poucas empresas escapam da queda geral dos lucros<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>No trimestre que talvez tenha marcado o fundo do po\u00e7o e que levou mais de 60% das empresas listadas em bolsa a uma piora nos resultados, os setores de educa\u00e7\u00e3o e de im\u00f3veis para aluguel chamaram a aten\u00e7\u00e3o de investidores na ponta oposta. Os lucros e resultados operacionais dessas empresas aumentaram de forma significativa e superaram as estimativas.<\/p>\n<p>O conjunto das 245 principais empresas listadas em bolsa teve alta de 12% nas receitas, mas queda de 70% no lucro, no pior segundo trimestre desde 2002, de acordo com levantamento feito pelo Valor com base em dados da Economatica.<\/p>\n<p>J\u00e1 o grupo de 12 companhias dos setores de educa\u00e7\u00e3o e de im\u00f3veis para aluguel &#8211; incluindo shopping centers -, avan\u00e7ou 65% no faturamento e lucrou 153% mais no per\u00edodo. (Nota: a amostra \u00e9 diferente da que foi usada na tabela acima.)<\/p>\n<p>&#8220;Esses segmentos tiveram melhora na rentabilidade pelo ganho de participa\u00e7\u00e3o de mercado e de escala&#8221;, afirma Jo\u00e3o Noronha, estrategista-associado da \u00e1rea de pesquisa sobre a\u00e7\u00f5es do Santander. Ele destaca ainda que os dois segmentos re\u00fanem empresas defensivas, que geram caixa e que permitem previsibilidade de resultados, mas com crescimento.<\/p>\n<p>Outros setores que conseguiram melhora nos resultados no segundo trimestre, apesar do mau momento da economia em geral, foram os de farm\u00e1cias, frigor\u00edficos e planos de sa\u00fade. Os dois \u00faltimos, no entanto, n\u00e3o chegaram a empolgar e superar as estimativas dos especialistas.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o deixa d\u00favidas \u00e9 que as empresas que conseguiram dar boas not\u00edcias aos investidores ainda s\u00e3o aquelas mais voltadas para o mercado interno. &#8220;Ainda que a economia esteja desacelerando, elas ainda tem um resultado melhor do que as ligadas ao cen\u00e1rio global&#8221;, afirma Noronha.<\/p>\n<p>No setor de educa\u00e7\u00e3o, as quatro empresas listadas &#8211; Anhanguera, Est\u00e1cio, Kroton e Abril Educa\u00e7\u00e3o &#8211; apresentaram melhora nos resultados. Embora a Abril ainda tenha ficado no vermelho, o preju\u00edzo foi menor do que o registrado em igual per\u00edodo do ano anterior.<\/p>\n<p>A procura por cursos de n\u00edvel superior e a estrat\u00e9gia bem-sucedida de aquisi\u00e7\u00f5es de faculdades de menor porte est\u00e3o entre os ingredientes por tr\u00e1s do bom desempenho. &#8220;A falta de m\u00e3o de obra qualificada abre espa\u00e7o para um crescimento forte dessas empresas&#8221;, afirma Sandra Peres, analista da Coinvalores.<\/p>\n<p>A base de alunos da Est\u00e1cio aumentou 9,3% no primeiro semestre deste ano em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. Na Anhanguera, esse aumento foi de 31,4%. J\u00e1 na Kroton, a base de estudantes matriculados saltou quase quatro vezes, para 412,8 mil, impulsionada principalmente pela aquisi\u00e7\u00e3o da Unopar e da Uniasselvi, que a al\u00e7aram \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de l\u00edder em ensino \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mas, para al\u00e9m do crescimento da base, a gest\u00e3o eficiente e o sucesso na capta\u00e7\u00e3o de sinergias tamb\u00e9m explicam o bom resultado das redes de ensino. A margem operacional da Est\u00e1cio, ap\u00f3s a incid\u00eancia dos custos e despesas de opera\u00e7\u00e3o, cresceu 3,4 pontos percentuais no segundo trimestre, para 11,3% e fez com que a empresa elevasse a proje\u00e7\u00e3o para o indicador no ano, de 14,7%, para 15,7%.<\/p>\n<p>Na Kroton, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, deprecia\u00e7\u00e3o e amortiza\u00e7\u00e3o) cresceu mais de cinco vezes, para R$ 72,4 milh\u00f5es. Nesse caso, a estrutura de custos enxuta do ensino \u00e0 dist\u00e2ncia explica parte do bom desempenho. A margem bruta &#8211; a taxa de receita restante ap\u00f3s a incid\u00eancia de custos &#8211; da educa\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia foi de 80%, frente a 34,5% no segmento presencial. &#8220;O principal custo dessas empresas \u00e9 com professores. No ensino \u00e0 dist\u00e2ncia, um professor atinge centenas de alunos via Internet&#8221;, explica Sandra.<\/p>\n<p>Na teleconfer\u00eancia sobre os resultados do trimestre, o presidente da Kroton, Ricardo Galindo, afirmou que, at\u00e9 outubro, pretende pedir o credenciamento de at\u00e9 300 polos para ensino \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Segundo Sandra, da Coinvalores, outro fator por tr\u00e1s do sucesso das empresas do setor \u00e9 a parcim\u00f4nia na estrat\u00e9gia de aquisi\u00e7\u00f5es. Evitando a tenta\u00e7\u00e3o de crescer a qualquer custo, que vitimou as incorporadoras, a redes de ensino se mostram dispostas a botar o p\u00e9 no freio para manter a rentabilidade.<\/p>\n<p>A Anhanguera j\u00e1 deixou claro aos acionistas que, neste ano, n\u00e3o quer adicionar novas empresas ao portf\u00f3lio, mas sim capturar as sinergias e recompor seu colch\u00e3o de recursos. Com essa estrat\u00e9gia, no segundo trimestre deste ano, a gera\u00e7\u00e3o de caixa ap\u00f3s os investimentos foi de R$ 49,5 milh\u00f5es frente a uma &#8220;queima&#8221; de R$ 2,5 milh\u00f5es no mesmo per\u00edodo de 2011.<\/p>\n<p>No segmento de investimento para renda com aluguel, o lucro foi impulsionado por vendas e reavalia\u00e7\u00f5es de im\u00f3veis, mas os resultados operacionais tamb\u00e9m agradaram os investidores e as margens seguiram alt\u00edssimas.<\/p>\n<p>Nos shopping centers, embora tenha havido uma desacelera\u00e7\u00e3o no ritmo de crescimento nas vendas no conceito mesmas lojas, o avan\u00e7o permaneceu acima do verificado nas redes de lojas com a\u00e7\u00f5es em bolsa. &#8220;Ainda h\u00e1 uma migra\u00e7\u00e3o do varejo de rua para os shoppings, por isso eles conseguem expans\u00e3o maior que a do varejo como um todo&#8221;, afirma Ren\u00ea Brandt, analista da Fator Corretora.<\/p>\n<p>O crescimento via aquisi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m teve influ\u00eancia nas farm\u00e1cias, com ganhos de sinergia e crescimento constante dos neg\u00f3cios. O lucro da Raia Drogasil subiu 78% no trimestre, com impacto positivo das sinergias da associa\u00e7\u00e3o entre as duas redes, como era esperado.<\/p>\n<p>A Brazil Pharma, bra\u00e7o de varejo farmac\u00eautivo do banco BTG e cujo modelo de neg\u00f3cios prev\u00ea importante atua\u00e7\u00e3o na consolida\u00e7\u00e3o do setor, saiu de preju\u00edzo para lucro no segundo trimestre. A companhia atribuiu a melhora, principalmente, ao crescimento por aquisi\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m por meio das lojas j\u00e1 existentes.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de sa\u00fade, o analista Iago Whately, da Fator C orretora, diz que a formaliza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho ajuda, mas os resultados do trimestre n\u00e3o foram guiados por quest\u00f5es setoriais. Na Amil, que teve alta de 10% no lucro, ele diz que a data do Carnaval distorceu a compara\u00e7\u00e3o. &#8220;Por isso que parece que melhorou.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 Odontoprev e Tempo Assist tiveram melhoras nos lucros e nas margens, mas por quest\u00f5es espec\u00edficas. &#8220;A Odontoprev trocou o sistema que era usado na Bradesco Dental, o que teve impacto positivo no custo. J\u00e1 a Tempo tem tamb\u00e9m a parte de assist\u00eancia, que \u00e9 significativa para o neg\u00f3cio e puxou o resultado&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Empresas de varejo, como Lojas Renner e Hering, tamb\u00e9m lucraram mais no trimestre. Nesse caso entretanto, a rea\u00e7\u00e3o foi neutra. S\u00f3 n\u00e3o houve surpresa negativa, destaca Valder Nogueira, analista-chefe da \u00e1rea de pesquisa do Santander, porque os analistas j\u00e1 haviam revisto para baixo, diante de dados macroecon\u00f4micos ruins.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Modelo para os aeroportos racha governo<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A elabora\u00e7\u00e3o do pacote de novas concess\u00f5es de aeroportos jogou o governo em uma zona de atrito constante entre dois grupos que guardam diverg\u00eancias ideol\u00f3gicas. Ao contr\u00e1rio do que vinha ocorrendo no desenho das medidas para rodovias e ferrovias, \u00e1reas nas quais a presidente Dilma Rousseff formou convic\u00e7\u00e3o rapidamente do caminho a seguir e seus principais auxiliares falavam a mesma l\u00edngua, o mal estar entre essas duas alas se acentuou com a hesita\u00e7\u00e3o dela em torno do futuro dos aeroportos. Nada est\u00e1 fechado at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>O primeiro grupo \u00e9 chamado de &#8220;privatista&#8221; no Pal\u00e1cio do Planalto. Est\u00e3o nele o ministro Wagner Bittencourt (Secretaria de Avia\u00e7\u00e3o Civil), Luciano Coutinho (presidente do BNDES), Marcelo Guaranys (presidente da Ag\u00eancia Nacional de Avia\u00e7\u00e3o Civil) e Ant\u00f4nio Henrique Silveira (secret\u00e1rio de Acompanhamento Econ\u00f4mico do Minist\u00e9rio da Fazenda).<\/p>\n<p>Todos defendem novas concess\u00f5es, come\u00e7ando pelo Gale\u00e3o (Rio) e Confins (Belo Horizonte), mas incluindo pelo menos um aeroporto no Nordeste. Eles tamb\u00e9m levaram ao gabinete presidencial a ideia de privatizar dois terminais m\u00e9dios &#8211; Goi\u00e2nia e Vit\u00f3ria &#8211; que t\u00eam um hist\u00f3rico de problemas graves com o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) e exigem investimentos em amplia\u00e7\u00e3o da capacidade.<\/p>\n<p>No segundo grupo, destaca-se o secret\u00e1rio do Tesouro, Arno Augustin. Ele chegou ao \u00e1pice de sua for\u00e7a no governo Dilma e hoje \u00e9 considerado o &#8220;c\u00e9rebro&#8221; da ala que combate novas privatiza\u00e7\u00f5es e defende o fortalecimento da Infraero. Nenhuma reuni\u00e3o sobre aeroportos \u00e9 feita sem a sua presen\u00e7a. O grupo tem ainda a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o secret\u00e1rio-executivo dela, Beto Vasconcelos, uma esp\u00e9cie de &#8220;pupilo&#8221; de Dilma.<\/p>\n<p>O grau de diverg\u00eancias e a incerteza da presidente podem levar ao adiamento do an\u00fancio de novas medidas. &#8220;Vamos deixar isso para outubro&#8221;, sugeriu Arno, na \u00faltima reuni\u00e3o. Foi uma das poucas vezes em que Dilma demonstrou discord\u00e2ncia com ele, na frente dos demais auxiliares, e cobrou empenho para fechar o restante do pacote em setembro.<\/p>\n<p>Arno mexeu no plano de avia\u00e7\u00e3o regional, elaborado durante meses pela Secretaria de Avia\u00e7\u00e3o Civil, para incluir o ressurgimento de um subs\u00eddio do governo \u00e0s companhias a\u00e9reas para viabilizar novas rotas entre pequenos munic\u00edpios do interior. E foi pai da ideia de fazer parcerias p\u00fablico-privadas (PPPs) para atrair um s\u00f3cio estrangeiro \u00e0 Infraero, que continuaria como majorit\u00e1ria na gest\u00e3o dos aeroportos.<\/p>\n<p>Os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento) chegaram a participar de algumas reuni\u00f5es, mas se manifestaram de forma t\u00edmida e n\u00e3o s\u00e3o considerados protagonistas no debate. O comportamento do presidente da Infraero, Gustavo do Vale, intriga os dois lados. Ele chegou \u00e0 estatal como um entusiasta das concess\u00f5es, mas hoje acredita que tem condi\u00e7\u00f5es de tocar obras no Gale\u00e3o e em Confins com recursos p\u00fablicos, al\u00e9m de ressaltar o fato de que pode comprometer sua capacidade financeira caso perca mais aeroportos lucrativos para a administra\u00e7\u00e3o da iniciativa privado. Nas palavras de um conhecedor do que se passa nessas reuni\u00f5es, Vale tem &#8220;cora\u00e7\u00e3o privatista&#8221; e &#8220;cabe\u00e7a estatizante&#8221;, mas manifesta apoio \u00e0 ideia das PPPs.<\/p>\n<p>Inclinada a favor do segundo grupo, Dilma determinou uma ida de Gleisi e de Bittencourt \u00e0 Europa, para conversas pessoais com grandes operadores de aeroportos. Quatro gigantes ser\u00e3o sondadas e receber\u00e3o explica\u00e7\u00f5es detalhadas sobre o modelo alternativo que ela pensa em aplicar: a alem\u00e3 Fraport (Frankfurt), a francesa A\u00e9roports de Paris (Charles de Gaulle), a brit\u00e2nica BAA (Heathrow) e a holandesa Schipol (Amsterd\u00e3).<\/p>\n<p>Todas essas operadoras participaram do leil\u00e3o de fevereiro, em associa\u00e7\u00e3o com grupos nacionais, mas perderam a disputa por Guarulhos, Viracopos e Bras\u00edlia. Em contatos informais com empreiteiras brasileiras, disseram n\u00e3o ter interesse em uma associa\u00e7\u00e3o com a Infraero nos moldes das PPPs propostas agora pelo governo. A miss\u00e3o de Gleisi e Bittencourt \u00e0 Europa estava sendo programada para esta semana e pode ser confirmada hoje.<\/p>\n<p>Dilma, agora disposta a levar adiante as PPPs, tem demonstrado irrita\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas reuni\u00f5es e seus auxiliares est\u00e3o convencidos de que sua decis\u00e3o ainda pode tomar um rumo diferente. No ano passado, quando os assessores presidenciais entraram em sua sala para uma reuni\u00e3o conclusiva sobre a proposta de privatizar o aeroporto de Guarulhos, ela surpreendeu a todos: &#8220;Quero incluir Viracopos e Bras\u00edlia&#8221;. Ningu\u00e9m tinha sido avisado e os dois outros aeroportos sequer constavam da pauta. Para um auxiliar de Dilma, \u00e9 um sinal de que &#8220;\u00e0s vezes ela decide com o f\u00edgado&#8221;.<\/p>\n<p>Se vingar o modelo de PPPs com participa\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria da Infraero, \u00e9 prov\u00e1vel que ela ganhe mais flexibilidade nas contrata\u00e7\u00f5es, saindo definitivamente das amarras da Lei 8.666\/93 (Lei de Licita\u00e7\u00f5es). Se as dificuldades levarem Dilma a optar pela continuidade das privatiza\u00e7\u00f5es, \u00e9 certo que haver\u00e1 mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Nesse caso, a tend\u00eancia mais forte \u00e9 que n\u00e3o haja obrigatoriedade de os cons\u00f3rcios inclu\u00edrem uma operadora estrangeira no grupo, como ocorreu no leil\u00e3o de fevereiro. Uma vez definidos os vencedores da disputa, haveria a exig\u00eancia de, a\u00ed sim, encaixar uma grande operadora no neg\u00f3cio. A outra hip\u00f3tese \u00e9 aumentar o requisito de movimenta\u00e7\u00e3o m\u00ednima de passageiros em um aeroporto estrangeiro. Esse n\u00famero foi de 5 milh\u00f5es por ano no primeiro e pode subir a n\u00edveis pr\u00f3ximos de 30 milh\u00f5es por ano, limitando a concorr\u00eancia \u00e0s maiores operadoras mundiais.<\/p>\n<p>Hoje, o retrato \u00e9 de pouca for\u00e7a pol\u00edtica do grupo a favor das privatiza\u00e7\u00f5es. Bittencourt e Guaranys foram apontados como respons\u00e1veis pela aus\u00eancia dos grupos mais robustos na lista de vencedores do primeiro leil\u00e3o. Ant\u00f4nio Henrique Silveira tem estudado profundamente o assunto, mas tem evitado entrar em conflito, nas reuni\u00f5es. Apesar de Gleisi e Beto Vasconcelos estarem a poucos metros do gabinete de Dilma, os assessores da presidente avaliam que o futuro dos aeroportos hoje depende, em boa parte, das propostas que apenas duas pessoas lhe levarem: Luciano Coutinho e Arno Augustin.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o desencontro das informa\u00e7\u00f5es veiculadas recentemente sobre as concess\u00f5es de aeroportos, que reflete a indefini\u00e7\u00e3o dentro do pr\u00f3prio governo, constrange o Pal\u00e1cio do Planalto e tem levado o gabinete presidencial a disparar telefonemas que buscam identificar, entre os participantes das reuni\u00f5es, quem est\u00e1 na origem dos vazamentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Valor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3430\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3430","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Tk","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3430","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3430"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3430\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}