{"id":34317,"date":"2026-09-28T22:43:05","date_gmt":"2026-09-29T01:43:05","guid":{"rendered":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=34317"},"modified":"2026-09-28T22:43:05","modified_gmt":"2026-09-29T01:43:05","slug":"fim-da-tortura-e-da-mercantilizacao-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/34317","title":{"rendered":"Fim da tortura e da mercantiliza\u00e7\u00e3o da vida!"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"34318\" data-permalink=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/34317\/screenshot-2026-09-28-at-11-47-37-5-instagram\" data-orig-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Screenshot-2026-09-28-at-11-47-37-5-Instagram.png?fit=590%2C806&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"590,806\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"Screenshot 2026-09-28 at 11-47-37 (5) Instagram\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Screenshot-2026-09-28-at-11-47-37-5-Instagram.png?fit=590%2C806&amp;ssl=1\" class=\"alignnone size-full wp-image-34318\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Screenshot-2026-09-28-at-11-47-37-5-Instagram.png?resize=590%2C806&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"590\" height=\"806\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Screenshot-2026-09-28-at-11-47-37-5-Instagram.png?w=590&amp;ssl=1 590w, https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal2\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Screenshot-2026-09-28-at-11-47-37-5-Instagram.png?resize=220%2C300&amp;ssl=1 220w\" sizes=\"auto, (max-width: 590px) 100vw, 590px\" \/><!--more--><\/p>\n<p>Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro &#8211; PR<\/p>\n<p>O Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro (CFCAM) vem a p\u00fablico manifestar sua indigna\u00e7\u00e3o diante das graves den\u00fancias reveladas pela Opera\u00e7\u00e3o Aurora, realizada em Terra Roxa, no Oeste do Paran\u00e1, na quarta-feira, dia 16, segundo reportagem do G1 Paran\u00e1.<\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es apontam que a cl\u00ednica de reabilita\u00e7\u00e3o, leia-se comunidade terap\u00eautica, mantinha mais de 70 mulheres em condi\u00e7\u00f5es degradantes, com ind\u00edcios de interna\u00e7\u00f5es involunt\u00e1rias e irregulares, trabalho for\u00e7ado, castigos, priva\u00e7\u00e3o de contato com familiares, omiss\u00e3o de socorro, amea\u00e7as e seda\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria com medicamentos, apelidadeos de &#8220;danone&#8221; pelos funcion\u00e1rios do estabelecimento. Conforme o MPPR, entre as internas estavam pessoas que fazem uso de subst\u00eancias e mulheres com defici\u00eancia.<\/p>\n<p>As den\u00fancias precisam ser rigorosamente investigadas e os encarregados devidamente responsabilizados. Por\u00e9m, o que ocorreu em Terra Roxa exige que olhemos para al\u00e9m da culpa individual: o caso exp\u00f5e a perman\u00eancia de formas de confinamento, disciplinamento e retirada da autonomia das mulheres, especialmente daquelas mais vulnerabilizadas nas parcelas da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Em &#8220;Calib\u00e3 e a Bruxa&#8221;, S\u00edlvia Federici demonstra que a consolida\u00e7\u00e3o do capitalismo esteve profundamente relacionada ao disciplinamento dos corpos femininos. A persegui\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, a destrui\u00e7\u00e3o de sua sexualidade e de seus conhecimentos e a imposi\u00e7\u00e3o de novas rela\u00e7\u00f5es de trabalho e reprodu\u00e7\u00e3o foram fen\u00f4menos intrinsicamente atrelados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da sociedade capitalista. Para Federici, reprimir as mulheres significava tamb\u00e9m disciplinar o conjunto do proletariado. A constru\u00e7\u00e3o da mulher perigosa, desviante, desobediente ou moralmente conden\u00e1vel ajudou a legitimar diferentes formas de viol\u00eancia e a produzir divis\u00f5es entre aqueles que eram igualmente atingidos pela explora\u00e7\u00e3o. Considerando, obviamente, o per\u00edodo hist\u00f3rico, essa reflex\u00e3o permanece uma quest\u00e3o central no capitalismo.<\/p>\n<p>Quando mulheres cis, homens trans e pessoas n\u00e3o bin\u00e1rias s\u00e3o consideradas incapazes de decidirem sobre suas vidas, torna-se mais f\u00e1cil justificar que outros edcidam quais medicamentos devem tomar, com quem podem falar, quando podem ocupar os espa\u00e7os etc. Sob o discurso do tratamento, abre-se espa\u00e7o para pr\u00e1ticas que podem retirar justamente aquilo que deveria estar no centro de qualquer pol\u00edtica de sa\u00fade: a dignidade e a autonomia da pessoa atendida.<\/p>\n<p>Essa viol\u00eancia n\u00e3o atinge todas as pessoas da mesma maneira. Mulheres cisg\u00eaneras pobres, mulheres e homens trans, pessoas n\u00e3o bin\u00e1rias trabalhadoras, perif\u00e9ricas, com defici\u00eancia, em sofrimento ps\u00edquico ou que fazem uso de subst\u00e2ncias encontram-se mais expostas \u00e0 perda de autonomia. \u00c9 neste ponto que o feminismo precisa ser classista. A vulnerabilidade n\u00e3o pode ser transformada em mercadoria. O sofrimento n\u00e3o pode constituir um mercado no qual institui\u00e7\u00f5es sejam remuneradas para administrar corpos considerados indesej\u00e1veis ou desviantes. A &#8220;terapia&#8221; n\u00e3o pode ser feita de maneira compuls\u00f3ria e sob condi\u00e7\u00f5es de confinamento.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria recuperada por Federici tamb\u00e9m demonstra resist\u00eancia nesses processos. Na coloniza\u00e7\u00e3o e invas\u00e3o europeia das Am\u00e9ricas, as mulheres preservaram conhecimentos, organizaram comunidades, assumiram fun\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e religiosas e tornaram-se parte fundamental da resist\u00eancia. Por isso, diante das den\u00fancias de Terra Roxa, nossa resposta n\u00e3o pode se limitar \u00e0 responsabiliza\u00e7\u00e3o dos envolvidos. \u00c9 necess\u00e1rio reafirmar a luta hist\u00f3rica do movimento antimanicomial e questionar o modelo que permite transformar cuidado, sofrimento e vulnerabilidade em fontes de lucro.<\/p>\n<p>Defendemos o fim das comunidades terap\u00eauticas e de toda forma de manic\u00f4mio, lutamos pelo fortalecimento da Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (RAPS), dos Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (CAPS) e demais equipamentos e servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade mental, com atendimento territorial, comunit\u00e1rio, humanizado e orientado para o cuidado em liberdade. Defendemos pol\u00edticas p\u00fablicas capazes de acolher pessoas em uso de subst\u00e2ncias, sofrimento ps\u00edquico ou defici\u00eancia sem retirar delas sua conndi\u00e7\u00e3o de sujeitos de direitos.<\/p>\n<p>Para o feminismo classista, lutar contra a viol\u00eancia sobre os corpos significa tamb\u00e9m lutar contra as condi\u00e7\u00f5es materiais que permitem que determinados corpos sejam confinados, explorados e silenciados. Nenhuma pessoa confinada, dopada, explorada ou silenciada em nome do cuidado!!<\/p>\n<p>Manic\u00f4mio n\u00e3o \u00e9 cuidado. Explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tratamento! Pela autonomia e dignidade das mulheres trabalhadoras!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/34317\"> <\/a>","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[22,180,4],"tags":[226],"class_list":["post-34317","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c3-coletivo-ana-montenegro","category-feminista","category-s6-movimentos","tag-4b"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-8Vv","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34317","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34317"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34317\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34319,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34317\/revisions\/34319"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34317"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34317"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34317"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}