{"id":3437,"date":"2012-08-29T21:42:49","date_gmt":"2012-08-29T21:42:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3437"},"modified":"2012-08-29T21:42:49","modified_gmt":"2012-08-29T21:42:49","slug":"ex-soldados-israelenses-revelam-rotina-de-violencia-e-humilhacao-a-criancas-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3437","title":{"rendered":"Ex-soldados israelenses revelam rotina de viol\u00eancia e humilha\u00e7\u00e3o a crian\u00e7as palestina"},"content":{"rendered":"\n<p>Durante uma madrugada em 2009, todas as casas da cidade palestina de Salfit, localizada na Cisjord\u00e2nia, foram invadidas por soldados israelenses. A ordem do Comando Central era prender todos que tivessem de 15 a 50 anos e lev\u00e1-los para uma escola que havia se tornado provisoriamente um centro de deten\u00e7\u00e3o. Isso porque a Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a de Israel, que realiza o servi\u00e7o de seguran\u00e7a interna, queria coletar informa\u00e7\u00f5es sobre as pedras que eram jogadas contra jipes militares nas estradas e ruas ao redor da cidade.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/hebron%20130612.jpg?w=747\" border=\"0\"  \/><\/p>\n<p><em>Crian\u00e7as palestinas passam por corredor na cidade de Hebron, localizada na Cisjord\u00e2nia, vigiadas por soldados israelenses em 13\/06\/12<\/em><\/p>\n<p>Os militares colocaram vendas e algemas de pl\u00e1stico, muitas vezes apertando-as, nos jovens e adultos. Por sete horas, os palestinos permaneceram sentados sem poder nem se mexer, sem acesso \u00e0 \u00e1gua e comida, em um sol escaldante. Eles n\u00e3o sabiam por que estavam l\u00e1 e nem o que seria feito pelos militares &#8212; um dos jovens urinou nas cal\u00e7as. Muitos ficaram com as m\u00e3os roxas pela falta de circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea e outros com os bra\u00e7os dormentes por causa das algemas. Um dos garotos, de apenas 15 anos, pediu para ir ao banheiro e, antes de ser levado por um soldado, foi espancado ainda no ch\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.breakingthesilence.org.il\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Children_and_Youth_Soldiers_Testimonies_2005_2011_Eng.pdf\">Essa \u00e9 apenas uma das muitas hist\u00f3rias publicadas neste domingo (26\/08) pela Breaking the Silence<\/a><\/strong> (Quebrando o Sil\u00eancio em tradu\u00e7\u00e3o livre), uma organiza\u00e7\u00e3o de antigos oficiais do Ex\u00e9rcito de Israel dedicada \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es militares nos territ\u00f3rios palestinos ocupados. Mais de 30 ex-soldados revelaram como trataram crian\u00e7as e jovens palestinos durante as opera\u00e7\u00f5es militares e pris\u00f5es de 2005 a 2011, revelando um padr\u00e3o de abuso.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/ramallah210212.jpg?w=747\" border=\"0\"  \/><\/p>\n<p><em>Militares israelenses det\u00eam jovem, por supostamente atirar pedras, durante manifesta\u00e7\u00e3o em Ramallah em 21\/02\/12<\/em><\/p>\n<p>O documento est\u00e1 repleto de descri\u00e7\u00f5es de intimida\u00e7\u00f5es, humilha\u00e7\u00f5es, viol\u00eancia verbal e f\u00edsica e de pris\u00f5es arbitr\u00e1rias por parte dos militares israelenses em circunst\u00e2ncias cotidianas na Cisjord\u00e2nia e na Faixa de Gaza. Os casos tratam de jovens e crian\u00e7as que atiraram pedras ou outros objetos contra jipes militares, que participaram de protestos ou que simplesmente sorriram para um soldado, deixando-o irritado. N\u00e3o faltam hist\u00f3rias tamb\u00e9m de palestinos presos e agredidos arbitrariamente: \u201cO garoto n\u00e3o foi mal-educado e nem tinha feito nada para irritar. Ele era \u00e1rabe\u201d, se justifica um antigo sargento do Ex\u00e9rcito de Israel no relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O argumento central da maioria das hist\u00f3rias \u00e9 que, com as pris\u00f5es e agress\u00f5es, esses jovens aprenderiam que n\u00e3o podem jogar pedras contra os militares ou se manifestar de alguma forma entendida pelos israelenses como violenta. \u201cMuitos dizem que os palestinos devem ser espancados, porque esta \u00e9 a \u00fanica forma que podem aprender\u201d, conta um antigo militar n\u00e3o identificado.<\/p>\n<p>Apesar de alguns ex-soldados repetirem\u00a0essa justificativa, a maioria admite que as a\u00e7\u00f5es n\u00e3o tiveram resultados. Pedras continuaram a ser atiradas, pneus foram queimados e protestos realizados, mas as a\u00e7\u00f5es militares permaneceram as mesmas. \u201cMuitas vezes me senti muito ambivalente, incerta do que estava fazendo e em que lado eu estava nisso tudo\u201d, diz uma sargenta.<\/p>\n<p><strong>Arrependimento<\/strong><\/p>\n<p>A imagem de crian\u00e7as espancadas, feridas por tiros de bala de borracha e de p\u00f3lvora, humilhadas e apavoradas, marcou muitos dos militares envolvidos nas a\u00e7\u00f5es e hoje, eles decidiram relatar a indiferen\u00e7a adquirida dentro do Ex\u00e9rcito. \u201cEle cagou nas cal\u00e7as, eu escutei, presenciei a humilha\u00e7\u00e3o. Eu tamb\u00e9m senti o cheiro. Mas, eu n\u00e3o me importava\u201d, lembra um ex-sargento sobre a deten\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cO que n\u00f3s faz\u00edamos n\u00e3o era nada em compara\u00e7\u00e3o com o que eles faziam\u201d, conta um militar, em refer\u00eancia ao batalh\u00e3o de patrulha das fronteiras. \u201cEles n\u00e3o davam a m\u00ednima. Sa\u00edam quebrando o joelho das pessoas como se n\u00e3o fosse nada. Sem piedade\u201d, lembra, indignado.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea nunca sabe os seus nomes, voc\u00ea nunca fala com eles, eles sempre choram, cagam em suas pr\u00f3prias cal\u00e7as &#8230; H\u00e1 aqueles momentos inc\u00f4modos, quando voc\u00ea est\u00e1 em uma miss\u00e3o de pris\u00e3o, e n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o na delegacia de pol\u00edcia, ent\u00e3o voc\u00ea pega a crian\u00e7a de volta, coloca uma venda nela, joga ela em uma sala e espera a pol\u00edcia para vir busc\u00e1-lo na parte da manh\u00e3. Ele fica ali como um cachorro&#8221;, descreve um ex-militar.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/ramallah%20breaking%20the%20silence%20-%20150512%20-%20espancando.jpg?w=747\" border=\"0\"  \/><\/p>\n<p><em>Detido em manifesta\u00e7\u00e3o, jovem \u00e9 espancado por soldados israelenses e aparece com feridas na cabe\u00e7a em Ramallah em 15\/05\/12<\/em><\/p>\n<p>O documento abrange tamb\u00e9m casos em que os pr\u00f3prios militares provocavam palestinos para poderem revidar. Eles estariam &#8220;entediados&#8221;. O ex-primeiro sargento de um batalh\u00e3o em Hebron revela que seu grupo jogava granadas dentro de mesquitas durante cerim\u00f4nias e que um comandante impedia as pessoas de sa\u00edrem da reza por horas at\u00e9 algu\u00e9m jogar um coquetel molotov ou atirar pedras. Ele diz que usavam as crian\u00e7as como escudos humanos e que apontavam armas em sua cabe\u00e7a para os deixar apavorados. \u201cFoi somente depois que comecei a pensar nessas coisas, n\u00f3s perdemos todo o senso de compaix\u00e3o\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>\u00d3dio<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de os soldados possu\u00edrem remorso e arrependimento, eles contam que muitos de seus companheiros e eles pr\u00f3prios odiavam os \u00e1rabes e estavam convictos do que faziam. \u201cEles eram vermes e em algum ponto, eu lembro que eu os odiava [palestinos]. Eu era um racista. Estava t\u00e3o zangado com eles pela sua sujeira, sua mis\u00e9ria, a porra toda\u201d, afirma um sargento de Hebron.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio revela que os militares tinham que seguir regras de procedimento em suas a\u00e7\u00f5es, mas que na experi\u00eancia cotidiana isso n\u00e3o funcionava. Para prender um palestino, tinham que vend\u00e1-lo e algem\u00e1-lo; para conter uma manifesta\u00e7\u00e3o ou impedir um palestino de fugir, deveriam atirar contra suas pernas a uma dist\u00e2ncia de 20 metros; para bater em um palestino com o cassetete, n\u00e3o podiam atingir a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/ramallah%20jogando%20pedras.jpg?w=747\" border=\"0\"  \/><\/p>\n<p><em>Jovens palestinos atiram pedras contra militares israelenses em Ramallah (15\/05\/12); soldados responderam com tiros de bala de borracha<\/em><\/p>\n<p>\u201cNos disseram para n\u00e3o usar o cassetete na cabe\u00e7a das pessoas. Eu n\u00e3o lembro onde disseram que era para bater, mas assim que a pessoa est\u00e1 no ch\u00e3o e voc\u00ea est\u00e1 a espancando com um cassetete, \u00e9 dif\u00edcil de distinguir\u201d, diz um ex-sargento de Ramallah, na Cisjord\u00e2nia. Outro sargento lembra de um protesto: \u201cO cara do meu lado atirou no ch\u00e3o para faz\u00ea-los correr e de repente, ele disse \u2018Oops!\u2019. Eu olho e vejo uma crian\u00e7a sangrando no ch\u00e3o. Quatro palestinos foram mortos naquela noite. Ningu\u00e9m falou conosco sobre isso. N\u00e3o houve nenhuma investiga\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es foram reunidas para mostrar a realidade do cotidiano dos soldados israelenses em rela\u00e7\u00e3o ao povo palestino. \u201cLamentavelmente esta \u00e9 a consequ\u00eancia moral de tantos anos de ocupa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios palestinos\u201d, explica Yehud Shaul da Breaking the Silence.<\/p>\n<p>Para acessar o relat\u00f3rio,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.breakingthesilence.org.il\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/Children_and_Youth_Soldiers_Testimonies_2005_2011_Eng.pdf\"><strong>clique aqui<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0<a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/noticias\/23946\/ex-soldados+israelenses+revelam+rotina+de+humilhacao+e+violencia+contra+criancas+palestinas.shtml\">Operamundi<\/a><\/p>\n<p>Imgens:\u00a0<span><a href=\"http:\/\/activestills.org\/\">ActiveStills.org<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Operamundi\n\n\n\n\n\n\n\n\nRelat\u00f3rio da organiza\u00e7\u00e3o Breaking The Silence compilou dezenas de depoimentos que exp\u00f5em os abusos do ex\u00e9rcito\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3437\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-3437","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Tr","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3437"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3437\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}