{"id":3455,"date":"2012-09-01T00:21:12","date_gmt":"2012-09-01T00:21:12","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3455"},"modified":"2012-09-01T00:21:12","modified_gmt":"2012-09-01T00:21:12","slug":"dialogo-com-as-farc-pode-vir-a-ser-uma-vitoria-do-povo-colombiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3455","title":{"rendered":"DI\u00c1LOGO COM AS FARC PODE VIR A SER UMA VIT\u00d3RIA DO POVO COLOMBIANO"},"content":{"rendered":"\n<p>A imprensa vem noticiando o in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, na cidade de Havana, com vistas \u00e0 solu\u00e7\u00e3o do conflito colombiano. O presidente Santos anunciou formalmente os entendimentos, que envolveriam os governos cubano e venezuelano, com a sinaliza\u00e7\u00e3o da Noruega de aceitar sediar o di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Mas antes de comemorar a not\u00edcia \u00e9 preciso aguardar os desdobramentos, ouvir a opini\u00e3o da insurg\u00eancia, dos governos citados. As classes dominantes colombianas s\u00e3o ardilosas. Os entendimentos est\u00e3o ainda numa fase de prospec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, \u00e9 veross\u00edmil que a negocia\u00e7\u00e3o se efetive. Como internacionalistas, devemos contribuir para isso, inclusive pressionando o governo brasileiro a se somar \u00e0 iniciativa e a Unasul a avocar o assunto, antes que caia no \u00e2mbito da OEA, onde pontifica a indesej\u00e1vel presen\u00e7a dos EUA. Sem um expressivo respaldo internacional, este processo n\u00e3o ir\u00e1 a lugar nenhum.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora s\u00f3 quem havia dado sinais de disposi\u00e7\u00e3o para o di\u00e1logo pol\u00edtico eram as FARC, em seguidos comunicados p\u00fablicos e gestos, como a liberta\u00e7\u00e3o unilateral de presos pol\u00edticos, sem a contrapartida da liberta\u00e7\u00e3o de um s\u00f3 dos cerca de 7.000 militantes presos sob a cust\u00f3dia estatal.\u00a0 Todos os observadores s\u00e9rios da cena pol\u00edtica colombiana sabem que n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o militar para este conflito que j\u00e1 dura meio s\u00e9culo e tem origem em causas pol\u00edticas e sociais. Recente relat\u00f3rio da ONU revela que a Col\u00f4mbia, em mat\u00e9ria de desigualdade social, s\u00f3 perde na Am\u00e9rica Latina para Guatemala e Honduras.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o devemos nos iludir com a campanha que tenta mostrar Santos como um democrata pacifista, aproveitando-se de seu \u201cdiscreto charme da burguesia\u201d, como oligarca de ber\u00e7o, membro da fam\u00edlia Santos, dona do maior imp\u00e9rio de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Comparam-no com o estilo tosco, med\u00edocre e grosseiro de Uribe, cujo curr\u00edculo \u00e9 um prontu\u00e1rio de crimes ligados ao narcotr\u00e1fico e \u00e0s mil\u00edcias. Uribe recebeu das oligarquias oito anos de mandato para acabar com a insurg\u00eancia, sete bases norte-americanas, bilh\u00f5es de d\u00f3lares, equipamento militar de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, assessoria da CIA e da MOSSAD. Mas n\u00e3o adiantou. Seu discurso arrogante caiu no rid\u00edculo.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos esque\u00e7amos de que Santos foi Ministro da Defesa de Uribe, na fase mais agressiva do estado colombiano, que coincidiu com o assassinato de Raul Reyes, ao pre\u00e7o da invas\u00e3o do espa\u00e7o a\u00e9reo equatoriano. Ambos s\u00e3o agentes do imperialismo norte-americano e da oligarquia colombiana.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi Santos que mudou; foi\u00a0 a conjuntura. As classes dominantes colombianas j\u00e1 h\u00e1 algum tempo se dividem entre os que querem a continuidade ou o fim do conflito. Os primeiros s\u00e3o os que ganham com a \u201cajuda militar\u201d dos EUA, o paramilitarismo, o com\u00e9rcio de armas e drogas;\u00a0 os segundos s\u00e3o os que precisam de um ambiente pol\u00edtico est\u00e1velpara n\u00e3o atrapalhar o desenvolvimento de seus neg\u00f3cios, para atrair investidores estrangeiros.<\/p>\n<p>Ocorre que fracassou a prometida vit\u00f3ria militar sobre a guerrilha, a despeito da maior ofensiva que o estado colombiano j\u00e1 lhe moveu e dos duros golpes que sofreu com a morte de importantes comandantes. A insurg\u00eancia, no lugar de se enfraquecer, mant\u00e9m suas s\u00f3lidas posi\u00e7\u00f5es militares e pol\u00edticas e seu enraizamento no seio da massa campesina que lhe abra\u00e7a nas fronteiras do vasto territ\u00f3rio em que luta e domina.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, viceja na Col\u00f4mbia o mais importante, unit\u00e1rio e amplo movimento de massas das \u00faltimas d\u00e9cadas, em toda a America Latina. A Marcha Patri\u00f3tica faz a diferen\u00e7a.\u00a0 A dois meses de sua funda\u00e7\u00e3o, j\u00e1 articula cerca de 2.000 movimentos populares, de camponeses, ind\u00edgenas, afrodescendentes, trabalhadores urbanos, mulheres, jovens, com uma hegemonia prolet\u00e1ria. S\u00f3 o povo em luta pode garantir a efetiva\u00e7\u00e3o dos entendimentos e principalmente resultados concretos a seu favor, sem os quais n\u00e3o haver\u00e1 armist\u00edcio.<\/p>\n<p>E aqui reside uma das maiores dificuldades, que s\u00f3 poder\u00e1 ser superada com o avan\u00e7o cada vez maior da Marcha Patri\u00f3tica e a solidariedade internacional. As FARC e a ELN jamais aceitar\u00e3o a paz dos cemit\u00e9rios. A burguesia sabe que s\u00f3 haver\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para o conflito se isso representar reais mudan\u00e7as pol\u00edticas e sociais a favor do povo, entre as quais o fim do terrorismo de estado, dos paramilitares, a liberta\u00e7\u00e3o dos presos, o fim do despejo dos camponeses de suas terras, uma reforma agr\u00e1ria verdadeira, ou seja, uma mudan\u00e7a radical do sistema, o que s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com uma constituinte livre e soberana com participa\u00e7\u00e3o popular. Sem este ator, a tentativa ser\u00e1 frustrada.<\/p>\n<p>Outra dificuldade \u00e9 que a iniciativa de entendimentos ter\u00e1 certamente a oposi\u00e7\u00e3o do imperialismo, notadamente o norte-americano, que n\u00e3o tem qualquer interesse em perder um motivo para construir mais bases militares, al\u00e9m das instaladas no governo Uribe\/Santos, e muito menos abandonar seu projeto de atribuir \u00e0 Col\u00f4mbia, na Am\u00e9rica Latina, o papel que Israel desempenha no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>E por fim, para que n\u00e3o esque\u00e7amos as li\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria, sabemos que a insurg\u00eancia n\u00e3o entregar\u00e1 suas armas e suas vidas para saciar a fome de sangue e vingan\u00e7a das classes dominantes. O exterm\u00ednio de mais de 4.000 militantes da Uni\u00e3o Patri\u00f3tica, na primeira metade da d\u00e9cada de noventa do s\u00e9culo passado, ap\u00f3s um \u201cacordo de paz\u201d tra\u00eddo, ainda est\u00e1 vivo na mem\u00f3ria de todos.<\/p>\n<p>S\u00f3 com muitas garantias internacionais e mudan\u00e7as reais a favor do povo \u00e9 que haver\u00e1 paz militar na Col\u00f4mbia a partir desta mesa de negocia\u00e7\u00f5es. Caso contr\u00e1rio, ela ser\u00e1 conquistada pelo povo colombiano, a maior v\u00edtima do conflito, que n\u00e3o vacilar\u00e1 em se valer das formas de luta que a realidade impuser.<\/p>\n<p>Em qualquer caso, a luta continuar\u00e1. O fim do estado de beliger\u00e2ncia \u00e9 positivo; mas n\u00e3o ser\u00e1 o fim da luta de classes.<\/p>\n<p>*Ivan Pinheiro \u00e9 Secret\u00e1rio Geral do PCB (Partido Comunista Brasileiro)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: lh6\n\n\n\n\n\n\n\n\nIvan Pinheiro*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3455\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-3455","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-TJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3455","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3455"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3455\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}