{"id":346,"date":"2010-03-22T01:08:56","date_gmt":"2010-03-22T01:08:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=346"},"modified":"2010-03-22T01:08:56","modified_gmt":"2010-03-22T01:08:56","slug":"pcb-88-anos-de-lutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/346","title":{"rendered":"PCB: 88 ANOS DE LUTAS"},"content":{"rendered":"\n<p>A queda da Rep\u00fablica Velha e a ascens\u00e3o de Get\u00falio Vargas nos anos 1930 n\u00e3o representaram refresco para os comunistas: foram anos de enfrentamento \u00e0 onda fascista que varria o mundo. Contando em suas fileiras com a presen\u00e7a de Luiz Carlos Prestes &#8211; egresso do movimento tenentista &#8211; o PCB articulou uma grande frente nacional e antifascista, propondo \u00e0 sociedade um projeto de desenvolvimento democr\u00e1tico, anti-imperialista e antilatifundi\u00e1rio, atrav\u00e9s da Alian\u00e7a Nacional Libertadora (ANL). A persegui\u00e7\u00e3o varguista ao movimento levou os comunistas a promoverem a insurrei\u00e7\u00e3o de novembro de 1935, com a tomada de quart\u00e9is no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro. Derrotada a insurrei\u00e7\u00e3o, abateu-se sobre o pa\u00eds uma a\u00e7\u00e3o repressiva sem precedentes, a que se seguiu a ditadura do Estado Novo, que obrigou os militantes comunistas a v\u00e1rios anos de luta clandestina.<\/p>\n<p>A reorganiza\u00e7\u00e3o de grupos comunistas espalhados pelo pa\u00eds (com destaque para os n\u00facleos da Bahia e de S\u00e3o Paulo) e a participa\u00e7\u00e3o do Brasil na guerra antifascista possibilitaram a reestrutura\u00e7\u00e3o nacional do PCB, com a realiza\u00e7\u00e3o da c\u00e9lebre Confer\u00eancia da Mantiqueira, em agosto de 1943. A partir dela, o Partido conquistava novos espa\u00e7os na vida pol\u00edtica e, com o fim da guerra e a queda do Estado Novo, tornou-se um partido nacional de massas, conquistou legalidade plena, formando aguerrida bancada parlamentar &#8211; elegeu 14 deputados e um senador, Luiz Carlos Prestes &#8211; e assumindo a vanguarda das lutas democr\u00e1ticas e pela aprova\u00e7\u00e3o de reformas sociais na Assembleia Nacional Constituinte.<\/p>\n<p>A Guerra Fria e a subservi\u00eancia do governo Dutra ao imperialismo estadunidense impuseram novo per\u00edodo de ilegalidade ao PCB a partir de 1947. Mas a retomada das lutas oper\u00e1rias nos anos 1950, durante os governos de Vargas e JK, trouxe de volta o PCB \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de principal organiza\u00e7\u00e3o representativa dos interesses dos trabalhadores, dos intelectuais, artistas, jovens e mulheres. Os comunistas tiveram decisiva participa\u00e7\u00e3o na campanha O Petr\u00f3leo \u00e9 Nosso!, pela cria\u00e7\u00e3o da Petrobras e estatiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, exerceram intensa atividade pol\u00edtica e cultural, produzindo in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es e participando dos movimentos em defesa das reformas de base, das lutas contra o imperialismo e o latif\u00fandio.<\/p>\n<p>Diante do ascenso do movimento oper\u00e1rio e popular, organizado em torno dos sindicatos de trabalhadores e do seu comando geral (CGT), das Ligas Camponesas, da UNE, dos Centros Populares de Cultura e dos partidos de esquerda, a burguesia brasileira, associada ao capital internacional e apoiada nas for\u00e7as armadas, promoveu em 1964 o golpe contrarrevolucion\u00e1rio, destituindo o nacionalista Jo\u00e3o Goulart do poder, para garantir a reprodu\u00e7\u00e3o plena do capital monopolista no pa\u00eds. Durante a ditadura empresarial-militar que calou os trabalhadores e as for\u00e7as de oposi\u00e7\u00e3o, impondo violento arrocho salarial e aprofundando a depend\u00eancia do pa\u00eds diante do imperialismo, o PCB definiu uma linha de a\u00e7\u00e3o centrada na retomada das lutas pol\u00edticas de massas. Mesmo recusando o caminho seguido por outras organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, que optaram pelas a\u00e7\u00f5es armadas, o PCB teve, entre 1973 e 1975, um ter\u00e7o de seu Comit\u00ea Central assassinado pela repress\u00e3o e milhares de militantes submetidos \u00e0 tortura, alguns at\u00e9 a morte, dentre os quais o jornalista Vladimir Herzog e o oper\u00e1rio Manuel Fiel Filho.<\/p>\n<p>No ocaso da ditadura, para o que muito contribu\u00edram as greves do ABC paulista, a campanha pela anistia ampla, geral e irrestrita e, mais adiante, o movimento pelas Diretas J\u00e1, o PCB passou a confundir a participa\u00e7\u00e3o na Frente Democr\u00e1tica de combate \u00e0 ditadura com uma estrat\u00e9gia de luta pol\u00edtica que privilegiava a conquista de espa\u00e7os institucionais, atrav\u00e9s das elei\u00e7\u00f5es burguesas. Na esteira da crise internacional do socialismo, marcada pela queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e dos regimes do Leste Europeu, parte da dire\u00e7\u00e3o nacional do Partido abdicou da luta contra o capitalismo e tentou destruir o PCB.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 imposs\u00edvel acabar com o Partid\u00e3o! Em 1992, iniciava-se nossa trajet\u00f3ria em defesa da reorganiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do PCB. O XIV Congresso Nacional, realizado em outubro de 2009, consolida este processo, no qual afirmamos nosso compromisso hist\u00f3rico com a revolu\u00e7\u00e3o socialista, rejeitando categoricamente qualquer possibilidade de alian\u00e7as com a burguesia. Por isso estamos na oposi\u00e7\u00e3o ao governo Lula, que hoje cumpre o papel de aprofundar o capitalismo em nosso pa\u00eds. A atual crise econ\u00f4mica, muito mais profunda que a tal &#8220;marolinha&#8221; desejada por Lula, provocou forte redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial e aumentou o desemprego em v\u00e1rios setores da economia. Fra\u00e7\u00f5es destacadas da burguesia brasileira, tendo \u00e0 frente o setor financeiro, o empresariado exportador e o agroneg\u00f3cio, que tantos lucros acumularam no per\u00edodo hist\u00f3rico mais recente, buscam ainda tirar proveito da crise aumentando a taxa de explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, rebaixando sal\u00e1rios e ampliando jornadas, reduzindo direitos e garantias dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Por isso mantemos firme nossa determina\u00e7\u00e3o de organizar a classe trabalhadora, nas suas lutas espec\u00edficas e gerais contra o capital e o patronato, em torno da Unidade Classista e da Intersindical. Reorganizamos a Uni\u00e3o da Juventude Comunista, que agora em abril realizar\u00e1 seu V Congresso, mobilizando e organizando a juventude comunista por todo o Brasil. Reestruturamos nossa atua\u00e7\u00e3o junto aos movimentos de mulheres e dos negros, atrav\u00e9s dos Coletivos Ana Montenegro e Minervino de Oliveira. Prestamos nossa solidariedade militante aos movimentos sociais, com destaque para o MST, que hoje sofrem intenso processo de criminaliza\u00e7\u00e3o de seus atos, por conta da combativa atitude no enfrentamento aos ditames do capital no campo e nas cidades. Defendemos a plena reestatiza\u00e7\u00e3o da Petrobras, mantendo viva a campanha &#8220;O Petr\u00f3leo tem que ser nosso!&#8221;.<\/p>\n<p>Denunciamos a presen\u00e7a de tropas brasileiras no Haiti, cumprindo o triste papel de for\u00e7a auxiliar e subalterna do imperialismo, assim como a presen\u00e7a da IV Frota dos EUA na Am\u00e9rica do Sul e toda a tentativa de desestabilizar as conquistas dos governos e movimentos populares na Am\u00e9rica Latina. Damos vivas \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, que segue firme enfrentando o criminoso bloqueio econ\u00f4mico imperialista e avan\u00e7a na constru\u00e7\u00e3o do socialismo.<\/p>\n<p>Para fazer avan\u00e7ar a luta contra o capitalismo e no caminho da constru\u00e7\u00e3o do projeto socialista em nosso pa\u00eds, defendemos a cria\u00e7\u00e3o de uma Frente Nacional Permanente de car\u00e1ter Anticapitalista e Anti-imperialista, que n\u00e3o se confunda com uma articula\u00e7\u00e3o meramente eleitoral. E entendemos ser igualmente necess\u00e1ria a forma\u00e7\u00e3o do Bloco Revolucion\u00e1rio do Proletariado, capaz de reunir as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais dos trabalhadores brasileiros dispostas a lutar de forma radical contra o sistema capitalista e em favor da alternativa socialista.<\/p>\n<p>Neste m\u00eas de mar\u00e7o de 2010, comemoramos tamb\u00e9m os 110 anos de nascimento de um dos mais destacados personagens da hist\u00f3ria do proletariado e do PCB, aquele cuja trajet\u00f3ria de lutas melhor representa o tipo de militante e de Partido revolucion\u00e1rio que estamos reconstruindo. Trata-se de Greg\u00f3rio Bezerra, bravo militante comunista que enfrentou os por\u00f5es da ditadura do Estado Novo, foi deputado atuante da bancada parlamentar do PCB em 1945\/1946, organizou a luta dos camponeses sem terra pela reforma agr\u00e1ria, encarou de frente a brutal repress\u00e3o militar e a tortura imposta pelo regime de 1964. Um exemplo de coragem e dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista, um verdadeiro comunista que fez jus \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o que lhe faziam os \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o da ditadura e da qual se orgulhava: um agitador subversivo!<\/p>\n<p><strong>VIVA OS 88 ANOS DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB)!<\/strong><\/p>\n<p><strong>CAMARADA GREG\u00d3RIO BEZERRA, PRESENTE! AGORA E SEMPRE!<\/strong><\/p>\n<p><strong>VIVA A REVOLU\u00c7\u00c3O SOCIALISTA!<\/strong><\/p>\n<p>COMIT\u00ca CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\/PE\n\n\n\n\nA hist\u00f3ria do Partido Comunista Brasileiro (PCB), fundado em 25 de mar\u00e7o de 1922, confunde-se com a hist\u00f3ria das lutas dos trabalhadores e do povo brasileiro por condi\u00e7\u00f5es dignas de vida, contra a explora\u00e7\u00e3o capitalista e em favor de uma sociedade igualit\u00e1ria, a sociedade socialista. O PCB surgia em meio ao contexto internacional de vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Sovi\u00e9tica de 1917 na R\u00fassia e da cria\u00e7\u00e3o da Internacional Comunista em 1919, epis\u00f3dios hist\u00f3ricos que sinalizavam, para o movimento oper\u00e1rio e sindical no Brasil, a possibilidade real de vit\u00f3ria das for\u00e7as prolet\u00e1rias no combate ao capitalismo. Os anos iniciais de forma\u00e7\u00e3o foram marcados por imensas dificuldades, principalmente em fun\u00e7\u00e3o da violenta repress\u00e3o policial desencadeada sobre os comunistas e sobre o nascente movimento oper\u00e1rio pelos governos da Velha Rep\u00fablica. Isto n\u00e3o impediu que o PCB come\u00e7asse a exercer importante influ\u00eancia no interior do proletariado brasileiro, divulgando as conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o Bolchevique e as ideias contr\u00e1rias ao capitalismo atrav\u00e9s do jornal A Classe Oper\u00e1ria, mas tamb\u00e9m por meio de palestras, festas nas sedes dos sindicatos, revistas, livros, panfletos e artigos publicados na imprensa sindical.\nOs intelectuais Astrojildo Pereira e Oct\u00e1vio Brand\u00e3o, que iniciaram sua milit\u00e2ncia no movimento anarquista, muito contribu\u00edram para a formula\u00e7\u00e3o das teses marxistas sobre a realidade brasileira, propondo a alian\u00e7a dos trabalhadores da cidade e do campo contra o imperialismo e o poder do latif\u00fandio no Brasil. No final da d\u00e9cada de 1920, o PCB participou de elei\u00e7\u00f5es municipais e nacionais sob a legenda do Bloco Oper\u00e1rio e Campon\u00eas (BOC), elegendo representantes na C\u00e2mara do Rio e lan\u00e7ando um candidato negro &#8211; o oper\u00e1rio Minervino de Oliveira &#8211; \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/346\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-346","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c25-notas-politicas-do-pcb"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-5A","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=346"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}