{"id":3468,"date":"2012-09-02T23:42:22","date_gmt":"2012-09-02T23:42:22","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3468"},"modified":"2012-09-02T23:42:22","modified_gmt":"2012-09-02T23:42:22","slug":"farc-ep-ha-rumores-sera-a-paz-a-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3468","title":{"rendered":"FARC-EP: H\u00e1 rumores&#8230; Ser\u00e1 a Paz \u00e0 vista?"},"content":{"rendered":"\n<p>Rebeli\u00f3n<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es de paz voltaram, com a b\u00ean\u00e7\u00e3o de uma boa parte do\u00a0<em>establishment<\/em>, para a agenda pol\u00edtica colombiana. A intriga de Uribe, que denunciou a aproxima\u00e7\u00e3o do governo com as FARC-EP em Cuba, procurando assim canalizar apoio ao seu projeto de extrema-direita[1], foi suficiente para gerar uma onda de opini\u00e3o favor\u00e1vel a essas aproxima\u00e7\u00f5es. O tiro saiu pela culatra. Santos, diante do assunto, portou-se com grande sigilo, mas na segunda-feira a TeleSur j\u00e1 deu a not\u00edcia quente: as FARC-EP assinaram o in\u00edcio de um acordo de paz com o governo colombiano[2]. As expectativas s\u00e3o altas quando h\u00e1 apenas alguns dias Gabino, o comandante m\u00e1ximo do ELN, disse estar disposto a participar de uma iniciativa de di\u00e1logo da qual j\u00e1 fazem parte as FARC-EP [3]. \u00c9 uma declara\u00e7\u00e3o de grande import\u00e2ncia, uma vez que as li\u00e7\u00f5es do passado dizem que n\u00e3o seria poss\u00edvel hoje a negocia\u00e7\u00e3o em paralelo com as distintas express\u00f5es do movimento guerrilheiro colombiano. Enquanto escrevo estas notas, aguardamos o an\u00fancio oficial de Juan Manuel Santos a respeito.<\/p>\n<p>Esta aproxima\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 gratuita e nem surge de uma boa vontade do mandat\u00e1rio: \u00e9 \u00f3bvio que a tese do &#8220;fim do fim&#8221; carece de sustenta\u00e7\u00e3o e que o Plano Col\u00f4mbia chegou ao limite. A insurg\u00eancia tem respondido ao desafio colocado pelo avan\u00e7o do militarismo e um novo ciclo de lutas sociais amea\u00e7a a deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no m\u00e9dio prazo, em um n\u00edvel que ser\u00e1 dif\u00edcil de controlar para a oligarquia. A cena pol\u00edtica parece, por vezes, perigosamente vol\u00e1til. Al\u00e9m disso, n\u00e3o surpreende a vontade da insurg\u00eancia para se aproximar da mesa de negocia\u00e7\u00e3o: primeiro, porque \u00e9 uma insurg\u00eancia que vem tentando, h\u00e1 30 anos, em todos os tons poss\u00edveis, a solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para o conflito social e armado, e por outra parte porque a insurg\u00eancia tem melhorado muito nos \u00faltimos anos a sua for\u00e7a, n\u00e3o s\u00f3 militarmente mas, acima de tudo, no campo pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>Cuidado com as ilus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Ainda que a assinatura deste acordo seja um desenvolvimento positivo, n\u00e3o podemos ser excessivamente otimistas, nem muito menos triunfalistas, pensando que a \u201cpaz\u201d, por si s\u00f3, representar\u00e1 um triunfo para os setores populares e suas demandas hist\u00f3ricas, bloqueadas a sangue e fogo por mais de meio s\u00e9culo, a partir do Estado. H\u00e1 de se ter plena consci\u00eancia de que o caminho at\u00e9 um eventual processo de negocia\u00e7\u00f5es est\u00e1 repleto de contratempos, assim como de que existem diferen\u00e7as substanciais, de fundo, a respeito da quest\u00e3o do que se pode esperar destas negocia\u00e7\u00f5es ou o que se entende por esta palavra na boca de todos: \u201cpaz\u201d. H\u00e1 de se ter plena consci\u00eancia de que a oligarquia com a qual se negocia \u00e9 a mais sanguin\u00e1ria do continente e que n\u00e3o entra para negociar por uma s\u00fabita mudan\u00e7a de convic\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Enquanto o conjunto das organiza\u00e7\u00f5es sociais pleiteia que a paz \u00e9 muito mais do que o cessar fogo, mas consistiria na resolu\u00e7\u00e3o coletiva de problemas estruturais que originam a viol\u00eancia, para o Estado segue sendo um tema de desmobiliza\u00e7\u00e3o, reinser\u00e7\u00e3o e a discuss\u00e3o de formalidades jur\u00eddicas relacionadas [4]. Santos quer \u201cuma \u2018paz express\u2019, sum\u00e1ria, mec\u00e2nica. A quer clandestina, sem a presen\u00e7a da multid\u00e3o, sem sociedade civil, sem organiza\u00e7\u00f5es populares. A quer sem reformas, sem mudan\u00e7as de nenhuma esp\u00e9cie na sociedade nacional. Para ele \u00e9 suficiente que seja com o marco legal que se aprovou recentemente e talvez ainda com as regulamenta\u00e7\u00f5es que com dificuldade poder\u00e3o tramitar em um Senado hostil diante do iminente processo eleitoral\u201d [5].<\/p>\n<p>Santos sustentou uma posi\u00e7\u00e3o amb\u00edgua ante o tema da paz: por um lado, diz ter as chaves da paz, que um dia foi perdida e no outro dia apareceram numa caixa forte; por outro lado, aprofunda a guerra suja, mediante o fortalecimento da militariza\u00e7\u00e3o das comunidades rurais (os chamados planos de Consolida\u00e7\u00e3o Territorial); mediante o fortalecimento dos golpes \u00e0s inst\u00e2ncias m\u00e9dias da insurg\u00eancia e uma estrat\u00e9gia de judicializa\u00e7\u00e3o das \u201credes de apoio\u201d do movimento guerrilheiro, que submete o poder judicial \u00e0s necessidades do projeto contra-insurgente (ess\u00eancia do Plano Espada de Honra); e por \u00faltimo, mediante o fortalecimento da impunidade para as a\u00e7\u00f5es das for\u00e7as armadas dentro de uma estrat\u00e9gia sistem\u00e1tica de terrorismo de Estado (a ressurrei\u00e7\u00e3o do chamado foro militar, acordo ao qual chegaram Santos e Uribe recentemente).<\/p>\n<p>A partir da perspectiva santista, a paz ou a guerra n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o estrat\u00e9gias para impor um insustent\u00e1vel projeto econ\u00f4mico-social neoliberal, baseado no Plano de (Sub) Desenvolvimento Nacional do santismo, cujos pilares s\u00e3o a agroind\u00fastria e a minera\u00e7\u00e3o. Se se conseguir\u00e1 converter esta oportunidade para abrir negocia\u00e7\u00f5es em um espa\u00e7o a partir do qual se possa impulsionar as transforma\u00e7\u00f5es sociais que demanda o povo colombiano, depender\u00e1 da capacidade de organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio povo, e tal coisa acontecer\u00e1 apesar do Estado, n\u00e3o gra\u00e7as a ele.<\/p>\n<p><strong>Paz? Que paz?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma coisa que o bloco dominante n\u00e3o perde de vista. \u00c9 que a negocia\u00e7\u00e3o com a insurg\u00eancia hoje n\u00e3o \u00e9 o mesmo que ocorria nas negocia\u00e7\u00f5es de 1990-1994. Aqui n\u00e3o existem organiza\u00e7\u00f5es cujo espectro ideol\u00f3gico seja um liberalismo radicalizado; n\u00e3o estamos ante grupos reformistas em armas, cuja dire\u00e7\u00e3o est\u00e1 assumida pelos &#8220;bacanas&#8221;, nem as demandas pol\u00edticas dessas organiza\u00e7\u00f5es insurgentes ser\u00e3o satisfeitas com promessas de reformas constitucionais cosm\u00e9ticas, nem com garantias generosas para desmobilizar-se, nem elas aceitar\u00e3o uma &#8220;agenda restrita&#8221;. Estamos diante de movimentos revolucion\u00e1rios que representam os mais pobres dos mais pobres. Estamos diante de movimentos guerrilheiros que representam as aspira\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas deste campesinato que sempre ficou por baixo em todas as iniciativas de &#8220;paz&#8221;. Estamos diante de insurgentes cujos p\u00e9s se confundem com a terra que pisam. Estamos diante de quem n\u00e3o tinha nada e merece tudo.<\/p>\n<p>Tampouco estamos diante de grupos derrotados militarmente, como os que se mobilizaram em 1990-1994, mas estamos diante de organiza\u00e7\u00f5es fortemente enraizadas em amplas regi\u00f5es do pa\u00eds, com capacidade operacional em quase todo o territ\u00f3rio nacional, com uma renovada capacidade para bater as for\u00e7as armadas de Estado; em amplas regi\u00f5es do pa\u00eds a insurg\u00eancia \u00e9 uma realidade pol\u00edtica inescap\u00e1vel, um aut\u00eantico duplo poder que \u00e9 legitimado em outras comunidades pisoteadas pela consolida\u00e7\u00e3o territorial do Ex\u00e9rcito e o flagelo paramilitar. Ainda que se queira convencer do contr\u00e1rio alguns comentaristas [6], se a insurg\u00eancia negocia hoje \u00e9 porque pode negociar, porque tem for\u00e7a e capacidade para faz\u00ea-lo. E bem sabem na Casa de Nari\u00f1o que a desmobiliza\u00e7\u00e3o e a rendi\u00e7\u00e3o desejadas pelo uribismo n\u00e3o s\u00e3o uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Isto reconhece um artigo de 25 de agosto do El Espectador:<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 evidente que as FARC n\u00e3o s\u00e3o um parceiro f\u00e1cil. Querem reforma agr\u00e1ria, que seja com base na Lei de Terras e na Lei de V\u00edtimas; pretendem que se discuta a forma de contrata\u00e7\u00e3o com multinacionais de petr\u00f3leo e minera\u00e7\u00e3o; requerem espa\u00e7os pol\u00edticos para avan\u00e7ar para um contexto mais democr\u00e1tico e acreditam que a paz hoje tamb\u00e9m envolve a gest\u00e3o adequada do meio ambiente. O resto s\u00e3o detalhes formais, \u00a0como o inamov\u00edvel de que, se houver uma negocia\u00e7\u00e3o, deve ser feita em territ\u00f3rio nacional&#8221;. [7]<\/p>\n<p>Resulta apenas \u00f3bvio que o discurso das FARC-EP como uma organiza\u00e7\u00e3o \u201cterrorista\u201d, \u201cbandoleira\u201d, \u201cconvertida em cartel do narcotr\u00e1fico\u201d, \u201clumpenizada\u201d, \u00e9 insustent\u00e1vel, pura propaganda, ainda mesmo quando se possa questionar certos m\u00e9todos que utiliza. Ningu\u00e9m em s\u00e3 consci\u00eancia pode negar que todos os aspectos que a insurg\u00eancia reclama (terras, recursos naturais, democracia, meio ambiente, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, seguridade social, etc.) sejam temas de crucial import\u00e2ncia, onde as pol\u00edticas do governo fazem \u00e1gua e que requerem a mais ampla participa\u00e7\u00e3o do conjunto da sociedade. Que a insurg\u00eancia tome estes temas e os converta em elementos indissoci\u00e1veis do avan\u00e7o de qualquer tentativa de superar o conflito social e armado de raiz, \u00e9 um aut\u00eantico pesadelo para os setores mais recalcitrantes da oligarquia. N\u00e3o \u00e9 a suposta bandoleiriza\u00e7\u00e3o da insurg\u00eancia, t\u00e3o alardeada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o oficiais, que aterroriza a oligarquia, mas seu car\u00e1ter pol\u00edtico e revolucion\u00e1rio, e sua capacidade de articular as demandas de diferentes setores sociais.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que o bloco dominante sabe que a grande luta que vem a seguir \u00e9 no plano pol\u00edtico, mais ainda do que no militar. Porta-vozes do empresariado t\u00eam se pronunciado a favor de uma agenda de negocia\u00e7\u00e3o restrita moldada nas negocia\u00e7\u00f5es com o M-19, ou seja, uma negocia\u00e7\u00e3o sem mudan\u00e7as estruturais [8]. Eles esperam sair das negocia\u00e7\u00f5es com o menor n\u00famero de concess\u00f5es e reformas poss\u00edvel, e sabem que isso os coloca em contradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 com a insurg\u00eancia, mas com um setor importante do povo organizado. Para isso, temos de estar alertas para o recrudescimento da guerra suja e dos ataques contra as organiza\u00e7\u00f5es populares que lutam pela mudan\u00e7a social e que tradicionalmente t\u00eam acompanhado os processos de di\u00e1logo na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p><strong>Esgota-se, momentaneamente, a estrat\u00e9gia militarista<\/strong><\/p>\n<p>Contudo, ainda que esta oligarquia tenha muito receio de abrir as portas a negocia\u00e7\u00f5es que, com toda certeza, terminar\u00e3o em um debate nacional sobre projetos antag\u00f4nicos de pa\u00eds, sabe tamb\u00e9m que a persist\u00eancia no rumo belicista \u00e9 colocar a corda no pesco\u00e7o; a insurg\u00eancia se fortalece e existe hoje uma escalada do conflito social e da mobiliza\u00e7\u00e3o popular em todo o pa\u00eds que, se persistir, poderia amea\u00e7ar seriamente a hegemonia do bloco dominante. O pa\u00eds se encontra \u00e0 beira de um novo ciclo de viol\u00eancia precipitado pelo deslocamento for\u00e7ado, a desapropria\u00e7\u00e3o violenta de camponeses e comunidades, a penetra\u00e7\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o e da agroind\u00fastria em todo o pa\u00eds. A viol\u00eancia com a qual se vem impondo o modelo santificado no Plano de (Sub) Desenvolvimento Nacional de Santos gera, necessariamente, resist\u00eancia. E a resist\u00eancia, em um pa\u00eds como a Col\u00f4mbia, d\u00e1-se de m\u00faltiplas formas, sendo caldo de cultivo para uma situa\u00e7\u00e3o potencialmente explosiva.<\/p>\n<p>Negociar com a insurg\u00eancia pode servir a oligarquia, em suas mais otimistas proje\u00e7\u00f5es, para alcan\u00e7ar a paz neoliberal que permita o avan\u00e7o do projeto neoliberal agro-extrativista, reduzindo os n\u00edveis de resist\u00eancia, ao menos, dos projetos insurgentes. Em uma pesquisa feita com empres\u00e1rios colombianos pela Funda\u00e7\u00e3o Ideias Para a Paz, &#8220;A grande maioria deixou claro que descarta uma agenda de negocia\u00e7\u00f5es que inclui reformas estruturais e com m\u00faltiplos atores, como ocorreu no Cagu\u00e1n. Eles preferem uma restri\u00e7\u00e3o ao desarmamento, a desmobiliza\u00e7\u00e3o e reintegra\u00e7\u00e3o onde o Estado pode ser \u2018generoso\u2019. &#8220;[9]. Ou seja, a paz para facilitar a explora\u00e7\u00e3o das massas e do meio ambiente colombiano.<\/p>\n<p>Nas proje\u00e7\u00f5es menos otimistas da oligarquia, as negocia\u00e7\u00f5es serviriam ao menos para ganhar tempo e preparar-se para enfrentar, de maneira mais letal e eficiente, o seguinte ciclo de viol\u00eancia que paira no horizonte. Tal era a verdadeira inten\u00e7\u00e3o do governo Pastrana ao enfrentar o processo de negocia\u00e7\u00f5es de San Vicente del Cagu\u00e1n. O pr\u00f3prio Pastrana, que falava de paz enquanto negociava o Plano Col\u00f4mbia e dava altas somas \u00e0 ferramenta paramilitar do Estado, cinicamente admitiu o seguinte em um artigo de dez anos ap\u00f3s o colapso das conversa\u00e7\u00f5es de Cagu\u00e1n:<\/p>\n<p>\u201cO Plano Col\u00f4mbia (&#8230;) nos permitiu sentarmos na mesa de di\u00e1logo em desvantagem inicial, praticamente desarmados, com a certeza de que se haveria de concluir, seja com \u00eaxito ou fracasso, com um Estado armado at\u00e9 os dentes e pronto, como nunca antes, tanto para a guerra como para a paz\u201d. [10]<\/p>\n<p>Em ambos os casos, seja que a oligarquia busque pacificar o pa\u00eds sem mudan\u00e7as substanciais, ou seja que procurem ganhar tempo para continuar com o neg\u00f3cio da guerra, qualquer paz que possa ser alcan\u00e7ada ser\u00e1 ef\u00eamera, \u00e9 apenas a calma que precede a tempestade violenta que recair\u00e1 sobre as costas dos exclu\u00eddos, dos despossu\u00eddos, dos violentados\u200b, dos oprimidos. E s\u00e3o eles que devem ser mobilizados para impor a necess\u00e1ria vontade de mudan\u00e7as estruturais e de fundo: o vento sopra a seu favor no momento, pois a mobiliza\u00e7\u00e3o popular est\u00e1 crescendo e h\u00e1 uma tend\u00eancia saud\u00e1vel para a unidade dos que lutam. Estes dois fatores favorecem a possibilidade de que o bloco popular converta-se num fator de peso nas negocia\u00e7\u00f5es, especialmente quando o bloco dominante tem contradi\u00e7\u00f5es internas que, sem ser antag\u00f4nicas, s\u00e3o bastante agudas e v\u00e3o gerar uma crise de hegemonia.<\/p>\n<p><strong>Os &#8220;inimigos (n\u00e3o t\u00e3o) submetidos&#8221; Santoyo e as contradi\u00e7\u00f5es interburguesas<\/strong><\/p>\n<p>A hegemonia do bloco dominante, consolidada durante quase uma d\u00e9cada de Plano Col\u00f4mbia e da mal denominada &#8220;Seguran\u00e7a Democr\u00e1tica&#8221; (de que Santos era um continuador), \u00e9 afetada n\u00e3o s\u00f3 pela crescente mobiliza\u00e7\u00e3o e descontentamento popular, mas tamb\u00e9m pela eros\u00e3o da unidade do bloco dominante. Cada vez mais se tornam mais freq\u00fcentes os confrontos entre o uribismo entrincheirado entre os elementos inflamados das for\u00e7as armadas, dos agricultores, da narcoburgues\u00eda e do caudilhismo, todos os quais v\u00eaem na guerra o seu grande neg\u00f3cio, e o santismo, que representa os interesses supremos do capital transnacional, buscando a &#8220;paz&#8221; para abrir caminho para seus neg\u00f3cios e investimentos na \u00e1rea agro-extrativista. Embora estes setores tamb\u00e9m tenham recorrido ao paramilitarismo para assegurar a &#8220;confian\u00e7a dos investidores&#8221; e a desapropria\u00e7\u00e3o violenta para enriquecer, privilegiariam uma forma menos dispendiosa para garantir seus lucros, colocando-os em uma situa\u00e7\u00e3o um tanto diferente com rela\u00e7\u00e3o aos setores da burguesia que dependem, estruturalmente, da desapropria\u00e7\u00e3o violenta para acumula\u00e7\u00e3o de capital.<\/p>\n<p>O colunista Alfredo Molano, h\u00e1 uns 2 meses, analisava esta contradi\u00e7\u00e3o no bloco dominante e o impacto que teria sobre um eventual processo de negocia\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8220;Ao presidente fica mais f\u00e1cil negociar com os guerrilheiros do que com os militares, empres\u00e1rios e caudilhos para terminar derrotado em outro Cagu\u00e1n. Foi essa car\u00eancia o verdadeiro obst\u00e1culo para as negocia\u00e7\u00f5es entre Pastrana e Marulanda. O erro do ex-presidente n\u00e3o foi a libera\u00e7\u00e3o de 30.000 km, mas foi n\u00e3o ter negociado com o\u00a0<em>establishment <\/em>e com os militares o pre\u00e7o que essas duas poderosas for\u00e7as estavam dispostas a pagar &#8220;. [11]<\/p>\n<p>Enquanto se aprofunda a crise de hegemonia do bloco de poder, e enquanto avan\u00e7am as lutas populares, assim como a insurg\u00eancia, seria insensato para Santos n\u00e3o reagir diante da agita\u00e7\u00e3o que o uribismo leva adiante nos quart\u00e9is e seu trabalho de polariza\u00e7\u00e3o no interior das estruturas de poder. Nem Santos, nem os capitalistas que representa, nem o imperialismo que o respalda, aceitar\u00e3o que Uribe se converta em um fator de desestabiliza\u00e7\u00e3o. Eles todos suportaram Uribe quando ele serviu e ajudou a reconstruir a cambaleante hegemonia de uma oligarquia decadente. Mas nem o imperialismo e nem a oligarquia t\u00eam amigos, mas interesses apenas. No momento em que deixa de cumprir esse papel, Uribe se torna um &#8220;descart\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>Neste sentido deve-se compreender o encurralamento geral a que a justi\u00e7a \u00a0submete o c\u00edrculo interno de Uribe, com a condena\u00e7\u00e3o de Rito Alejo, os sinais crescentes de paramilitares como Mancuso entre seus v\u00ednculos com a AUC, os problemas dos familiares narcos do ex-presidente e a deporta\u00e7\u00e3o do Geral Santoyo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que n\u00f3s estejamos percebendo agora a extens\u00e3o da podrid\u00e3o no ambiente em torno de Uribe, algo de que se sabe h\u00e1 algum tempo, mas agora o contexto \u00e9 diferente. No caso Santoyo em particular, parece haver um elemento importante contra Uribe: se algu\u00e9m pode compromet\u00ea-lo com o tr\u00e1fico de drogas e os paramilitares, \u00e9 ele. J\u00e1 come\u00e7ou a falar de alguns generais, incluindo o bra\u00e7o direito de Uribe, Mario Montoya, e amea\u00e7ou &#8220;abrir o bico\u201d sobre os pol\u00edticos [12]. Ser\u00e1 Santoyo uma cartada do santismo para tentar colocar Uribe sob controle? Haver\u00e1 de se esperar a rea\u00e7\u00e3o de Uribe ao an\u00fancio de paz, o que provavelmente far\u00e1 atrav\u00e9s do Twitter. Por\u00e9m, se continuar jogando pela desestabiliza\u00e7\u00e3o, sua queda ser\u00e1, provavelmente, uma quest\u00e3o de tempo.<\/p>\n<p><strong>Envolver o povo na negocia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ainda quando devemos ver as negocia\u00e7\u00f5es sem ingenuidade e com bastante realismo, \u00e9 indubit\u00e1vel que o atual momento abre um potencial enorme para superar as condi\u00e7\u00f5es estruturais que levaram ao conflito social e armado na Col\u00f4mbia, e que vem alimentando este modelo de capitalismo mafioso que acumula em fun\u00e7\u00e3o de desapropria\u00e7\u00f5es violentas. Tanto Santos como os empres\u00e1rios recha\u00e7am ou relutam em aceitar a participa\u00e7\u00e3o de &#8220;m\u00faltiplos atores&#8221; no processo de paz. Isto \u00e9, procuram excluir o povo da resolu\u00e7\u00e3o de um conflito que o afeta diretamente, deixando intactas as condi\u00e7\u00f5es para o in\u00edcio da nova onda de viol\u00eancia, como as que cronicamente afligem as sociedades do p\u00f3s-conflito da Am\u00e9rica Central. Embora o movimento de guerrilha na Col\u00f4mbia seja parte de um processo acumulativo importante de lutas populares na Col\u00f4mbia, e mesmo que tenha um n\u00edvel de legitimidade muito importante em muitas regi\u00f5es do pa\u00eds, \u00e9 claro que nem a insurg\u00eancia, nem qualquer express\u00e3o do movimento popular colombiano pode assumir a representa\u00e7\u00e3o exclusiva do movimento popular.<\/p>\n<p>A insurg\u00eancia tem se manifestado muitas vezes de acordo com esta posi\u00e7\u00e3o, o que eles v\u00eaem como consistente em rela\u00e7\u00e3o com seus postulados hist\u00f3ricos. Em resposta ao professor Med\u00f3filo Medina, o comandante m\u00e1ximo das FARC-EP, Timole\u00f3n Jimenez, explica o significado da luta pol\u00edtica, &#8220;para o poder do povo&#8221;, desta guerrilha comunista: &#8220;Nem o Programa \u00a0Agr\u00e1rio, nem em qualquer documento posterior das FARC at\u00e9 a data de hoje, jamais se colocou que nossa meta como organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e militar seja tomar o poder depois de vencer em uma guerra de posi\u00e7\u00f5es o Ex\u00e9rcito colombiano, tal como se repete de vez em quando para todos aqueles que insistem em nos fazer reconhecer a impossibilidade desse objectivo. Desde o nosso nascimento, as FARC temos concebido o acesso ao poder como uma quest\u00e3o das multid\u00f5es em agita\u00e7\u00e3o e movimento. &#8220;[13]<\/p>\n<p>Nesta linha, o citado artigo do El Espectador coloca claramente, como um problema da negocia\u00e7\u00e3o, que:<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 se sabe anteriormente que outro dos aspectos dif\u00edceis \u00e9 a agenda das FARC. A este respeito, \u00e9 claro que, em princ\u00edpio, a pretens\u00e3o da guerrilha \u00e9 envolver a sociedade civil na quest\u00e3o. Ou seja, para que os movimentos sociais, a academia e as minorias pol\u00edticas tenham a mesma voz que possam ter os grupos econ\u00f4micos. Assim, o movimento chamado de Marcha Patri\u00f3tica pode tornar-se protagonista. Trata-se da cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os pol\u00edticos onde a discuss\u00e3o n\u00e3o se limita apenas ao impasse entre o governo e os guerrilheiros. (&#8230;) A respeito de Cauca as FARC t\u00eam um pensamento claro: se come\u00e7a\u00a0 um processo de paz com o governo, os ind\u00edgenas desse departamento devem ter uma \u00a0voz especial na mesa de negocia\u00e7\u00e3o &#8220;[14].<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que as pessoas afirmem e exijam o seu direito de tomar parte neste processo e transform\u00e1-lo em um di\u00e1logo nacional em que se discutam os projetos de pa\u00eds que est\u00e3o confrontadas em um conflito que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 armado, mas principalmente social. Sobre a solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a mesma resposta do comandante Timole\u00f3n Jimenez afirma que:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o pode ser entendida sen\u00e3o como uma reafirma\u00e7\u00e3o da ordem existente. N\u00e3o se trata de modo algum de guerrilheiros arrependidos e desacreditados que entregam suas armas e se submetem ao esc\u00e1rnio midi\u00e1tico e jur\u00eddico, para em seguida, com a espada a um fio das suas cabe\u00e7as, ingressarem no mercado da pol\u00edtica partid\u00e1ria a fim de fazer coro com as mentiras oficiais. Do que se trata \u00e9 reconstruir as regras da democracia para que se debatam ideias e programas em igualdade de oportunidades. Sem o risco de ser assassinado ao chegar em casa. Falo dos desaparecidos e torturados por uma m\u00e3o misteriosa que j\u00e1 se sabe que existe, como aquelas for\u00e7as obscuras que exterminaram a Uni\u00e3o Patri\u00f3tica sob o olhar impass\u00edvel da classe pol\u00edtica colombiana. \u00c9 justo que se abra um debate p\u00fablico sobre estas quest\u00f5es, que se possa falar destes temas sem ser imediatamente oprimido pelo conjunto dos monop\u00f3lios de informa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 de se colocar o povo em meio \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es, mesmo que a oligarquia fique incomodada em ver tantos maltrapilhos ocupando o debate pol\u00edtico, terreno reservado por dois longos s\u00e9culos a uma elite republicana dourada, a linhagens moribundas e decadentes cujos nomes se repetem uma e outra vez na ocupa\u00e7\u00e3o dos cargos de poder. Trata-se de ocupar estes espa\u00e7os, de conduzir o debate pol\u00edtico sobre a paz e a guerra, \u00a0sobre o modelo pol\u00edtico e econ\u00f4mico para todas as pra\u00e7as p\u00fablicas da Col\u00f4mbia, a todas as faculdades e escolas, em todos os locais de trabalho, minas e vilas rurais. Deve-se usar este debate para promover um projeto de pa\u00eds para coletar e harmonizar as demandas mais urgentes de todos os setores populares que hoje lutam contra o modelo \u00a0econ\u00f4mico de morte e pilhagem imposto pelos de cima.<\/p>\n<p>O an\u00fancio do in\u00edcio deste novo caminho em busca de uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o deve significar que se tenha que desmobilizar o povo. Muito pelo contr\u00e1rio, indica que \u00e9 hora de o povo sair para lutar ainda mais decisivamente, que se aprofunde a mobiliza\u00e7\u00e3o social e se reforce os espa\u00e7os da unidade do povo em luta. Devemos integrar, mais do que nunca, express\u00f5es como a Marcha Patri\u00f3tica, para evitar um novo genoc\u00eddio e proteger os espa\u00e7os a partir dos quais o povo se mobiliza e faz ouvir sua voz e seu compromisso com uma nova sociedade. N\u00f3s apoiamos as lutas dos camponeses, oper\u00e1rios, presos pol\u00edticos, que agora est\u00e3o em desobedi\u00eancia e greves em todo o pa\u00eds. Exigimos o fim da estigmatiza\u00e7\u00e3o, persegui\u00e7\u00e3o e deten\u00e7\u00e3o de ativistas sociais. Devemos exigir a suspens\u00e3o da designa\u00e7\u00e3o de &#8220;organiza\u00e7\u00f5es terroristas&#8221; para os insurgentes, a fim de garantir as condi\u00e7\u00f5es ideais para o di\u00e1logo franco e livre. Devemos exigir que este acordo inicial \u00a0avance para um cessar-fogo bilateral e para o desmantelamento dos grupos paramilitares, como forma de proteger a vida e a integridade das pessoas que hoje devem se converter em atores e protagonistas deste processo.<\/p>\n<p>Somente a mobiliza\u00e7\u00e3o popular pode assegurar que o processo de paz que est\u00e1 no horizonte possa ser conclu\u00eddo com as transforma\u00e7\u00f5es estruturais que reclamam amplos setores da Col\u00f4mbia. E \u00e0 luz dos enormes desafios colocados pelo poder, esta luta pela paz n\u00e3o ser\u00e1 nada menos do que uma luta abertamente revolucion\u00e1ria. \u00c9 hora de falar claramente sobre o car\u00e1ter revolucion\u00e1rio desta luta, que envolve o confronto de um modelo baseado na explora\u00e7\u00e3o, pilhagem, morte e exclus\u00e3o, com um modelo que cresce no cora\u00e7\u00e3o do povo, baseado na inclus\u00e3o, no respeito \u00e0s comunidades e ao meio ambiente, na sustentabilidade para proteger a vida, na dignidade e na auto-determina\u00e7\u00e3o das pessoas. N\u00e3o \u00e9 nada mais nada menos do que o tipo de Col\u00f4mbia que se quer construir o que est\u00e1 em jogo.<\/p>\n<p><em> Tradu\u00e7\u00e3o: PCB (Partido Comunista Brasileiro)<\/em><\/p>\n<p>NOTAS DO AUTOR:<\/p>\n<p>[1]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/noticias\/politica\/articulo-...-cuba\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/noticias\/politica\/articulo-&#8230;-cuba<\/a><\/p>\n<p>[2]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.telesurtv.net\/articulos\/2012\/08\/27\/santos-y-....html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.telesurtv.net\/articulos\/2012\/08\/27\/santos-y-&#8230;.html<\/a> Ver tamb\u00e9m\u00a0<a href=\"http:\/\/www.caracol.com.co\/noticias\/escuche-aqui-la-entr....aspx\" target=\"_blank\">http:\/\/www.caracol.com.co\/noticias\/escuche-aqui-la-entr&#8230;.aspx<\/a> e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.semana.com\/nacion\/telesur-dice-gobierno-farc....aspx\" target=\"_blank\">http:\/\/www.semana.com\/nacion\/telesur-dice-gobierno-farc&#8230;.aspx<\/a><\/p>\n<p>[3]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.semana.com\/nacion\/eln-dispuesto-proceso-conj....aspx\" target=\"_blank\">http:\/\/www.semana.com\/nacion\/eln-dispuesto-proceso-conj&#8230;.aspx<\/a><\/p>\n<p>[4] Para um artigo que reflita as atitudes predominantes do Estado a respeito dos alcances limitados que esperam de uma eventual negocia\u00e7\u00e3o, ver\u00a0<a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/politica\/articulo-3...antos\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/politica\/articulo-3&#8230;antos<\/a><\/p>\n<p>[5]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=155098&amp;titular=l...eblo-\" target=\"_blank\">http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=155098&amp;titular=l&#8230;eblo-<\/a><\/p>\n<p>[6] Ver, por exemplo, a \u00faltima coluna de Humberto de la Calle\u00a0<a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/opinion\/columna-370093-paz\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/opinion\/columna-370093-paz<\/a> ou o seguinte artigo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/politica\/articulo-3...antos\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/politica\/articulo-3&#8230;antos<\/a> Ver, em resposta a esta tese, um artigo nosso em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.anarkismo.net\/article\/21961\" target=\"_blank\">http:\/\/www.anarkismo.net\/article\/21961<\/a><\/p>\n<p>[7]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/politica\/articulo-3...e-paz\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/politica\/articulo-3&#8230;e-paz<\/a><\/p>\n<p>[8]\u00a0<a href=\"http:\/\/verdadabierta.com\/component\/content\/article\/52-f...farc\/\" target=\"_blank\">http:\/\/verdadabierta.com\/component\/content\/article\/52-f&#8230;farc\/<\/a><\/p>\n<p>[9]\u00a0<a href=\"http:\/\/verdadabierta.com\/component\/content\/article\/52-f...farc\/\" target=\"_blank\">http:\/\/verdadabierta.com\/component\/content\/article\/52-f&#8230;farc\/<\/a><\/p>\n<p>[10]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.eltiempo.com\/Multimedia\/especiales\/caguan-pr...861-7\" target=\"_blank\">http:\/\/www.eltiempo.com\/Multimedia\/especiales\/caguan-pr&#8230;861-7<\/a><\/p>\n<p>[11]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/opinion\/columna-353508-gran...rtida\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/opinion\/columna-353508-gran&#8230;rtida<\/a><\/p>\n<p>[12]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/judicial\/articulo-3...ticos\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/judicial\/articulo-3&#8230;ticos<\/a><\/p>\n<p>[13]\u00a0<a href=\"http:\/\/prensarural.org\/spip\/spip.php?article7176\" target=\"_blank\">http:\/\/prensarural.org\/spip\/spip.php?article7176<\/a><\/p>\n<p>[14]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/politica\/articulo-3...e-paz\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elespectador.com\/impreso\/politica\/articulo-3&#8230;e-paz<\/a><\/p>\n<p>(*) Jos\u00e9 Antonio Guti\u00e9rrez D. \u00c9 militante libert\u00e1rio, residente na Irlanda, onde participa dos movimentos de solidariedade com a Am\u00e9rica Latina e Col\u00f4mbia, colaborador da revista CEPA (Col\u00f4mbia) e El Ciudadano (Chile), bem como do s\u00edtio web internacional\u00a0<a href=\"http:\/\/www.anarkismo.net\/\" target=\"_blank\">www.anarkismo.net<\/a>. Autor de &#8220;Problemas e Possibilidades do Anarquismo&#8221; (em portugu\u00eas -Faisca ed., 2011) e coordenador do livro &#8220;Or\u00edgenes Libertarios del Primero de Mayo en Am\u00e9rica Latina&#8221; (Quimant\u00fa ed. 2010).<\/p>\n<p>Guerrilheiros da FARC-EP &#8211; Julho 2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Eltiempo\n\n\n\n\n\n\n\n\nJos\u00e9 Antonio Guti\u00e9rrez D.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3468\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-3468","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-TW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3468","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3468"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3468\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3468"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3468"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3468"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}