{"id":3471,"date":"2012-09-03T19:03:49","date_gmt":"2012-09-03T19:03:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3471"},"modified":"2012-09-03T19:03:49","modified_gmt":"2012-09-03T19:03:49","slug":"investimento-cai-no-pib-e-sugere-riscos-para-oferta-futura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3471","title":{"rendered":"Investimento cai no PIB e sugere riscos para oferta futura"},"content":{"rendered":"\n<p>O Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre consolidou, entre analistas, a percep\u00e7\u00e3o de que a capacidade do pa\u00eds de crescer no futuro, sem press\u00f5es inflacion\u00e1rias, encolheu e estaria hoje entre 3% e 3,5%. Com o crescimento de 0,4% no PIB do segundo trimestre sobre o primeiro, na s\u00e9rie com ajuste sazonal, conforme divulgado na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o Brasil acumulou crescimento de 1,2% em 12 meses.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de pequeno, esse resultado embute queda de 0,3% no investimento (medido pela demanda em m\u00e1quinas e equipamentos e na constru\u00e7\u00e3o civil, indicador conhecido como forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo), associado a um aumento de 2,5% no consumo das fam\u00edlias e de 2.2% na demanda do pr\u00f3prio governo, enquanto a oferta interna de bens industriais encolheu 2,9%.<\/p>\n<p>Para economistas, o &#8220;caldeir\u00e3o&#8221; composto por queda no investimento, consumo ainda em expans\u00e3o e um desemprego cadente, reduziu o chamado PIB potencial, indicador que aponta a capacidade do pa\u00eds de atender \u00e0 demanda sem riscos de oferta.<\/p>\n<p>O ministro da Fazenda, Guido Mantega, n\u00e3o concorda com essa vis\u00e3o. Segundo ele, as empresas no Brasil se prepararam para uma expans\u00e3o da demanda de at\u00e9 6% ao ano, e por isso hoje t\u00eam capacidade ociosa. &#8220;Os investimentos vinham ocorrendo, houve desacelera\u00e7\u00e3o por causa da crise, mas a retomada \u00e9 r\u00e1pida&#8221;, disse ao comentar os dados do PIB, na sexta-feira.<\/p>\n<p>Por isso, Mantega discorda da avalia\u00e7\u00e3o de que o resultado do PIB aponte riscos de oferta para o futuro, em fun\u00e7\u00e3o dos dados de retra\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria e de queda do investimento. &#8220;N\u00f3s temos um problema maior de demanda, em fun\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito, do que de oferta nesse momento&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Emerson Mar\u00e7al, professor da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV-SP), o investimento \u00e9 a quest\u00e3o-chave para que a economia brasileira volte a crescer em m\u00e9dia 4% ao ano. Ele acredita que as medidas que o governo j\u00e1 tomou ter\u00e3o impacto na atividade no curto prazo, mas ainda falta uma agenda para garantir crescimento sustent\u00e1vel pr\u00f3ximo ao PIB potencial.<\/p>\n<p>&#8220;A economia brasileira precisa acertar condi\u00e7\u00f5es que favore\u00e7am um aumento do investimento produtivo no pa\u00eds. Para isso, falta uma agenda microecon\u00f4mica mais cautelosa, que considere quest\u00f5es tribut\u00e1rias, que aumentam o custo Brasil, a resolu\u00e7\u00e3o dos enormes gargalos em infraestrutura, que tamb\u00e9m atrapalham o crescimento, e a qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra&#8221;, pondera Mar\u00e7al. A recente queda dos juros ajuda, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente, avalia ele.<\/p>\n<p>Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, estima que o PIB potencial est\u00e1 hoje entre 3% e 3,5%, &#8220;com boa vontade&#8221;. &#8221; O problema do PIB est\u00e1 muito mais do lado da oferta que no da demanda. Tentar resolver isso com aumento do consumo, como tem feito o governo, s\u00f3 provoca infla\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 temos visto&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Para Silvio Campos Neto, economista da Tend\u00eancias Consultoria, a retra\u00e7\u00e3o de 0,7% na forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo, quarto trimestre consecutivo de queda dos investimentos, n\u00e3o surpreendeu, porque a consultoria j\u00e1 projetava resultado negativo para o indicador.<\/p>\n<p>&#8220;Se olharmos que o setor industrial tamb\u00e9m recuou 2,5% no segundo trimestre, fica claro que a economia n\u00e3o tem conseguido criar capacidade de crescimento para o futuro&#8221;, afirma Campos Neto, destacando que a taxa de investimento, de 17,9% do PIB, voltou a cair e ficou no menor patamar desde o segundo trimestre de 2009. Para ele, \u00e9 um sinal negativo, que fragiliza o potencial de crescimento da economia brasileira, calculado em 3,5% pela Tend\u00eancias.<\/p>\n<p>No primeiro semestre, a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o no PIB ficou em apenas 12,8%, menor \u00edndice da s\u00e9rie hist\u00f3rica do IBGE. Para Silvia Matos, coordenadora do grupo de conjuntura do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, a ind\u00fastria est\u00e1 muito fraca e sua falta de competitividade tamb\u00e9m reduz a capacidade de crescimento do pa\u00eds. &#8220;Esse n\u00famero do PIB mostra problemas estruturais de toda a ind\u00fastria&#8221;, diz ela. &#8220;A quest\u00e3o \u00e9: passado esse ciclo, qual o nosso potencial de crescimento. Somos capazes de crescer 1% por trimestre? &#8220;, questiona ela.<\/p>\n<p>Rodrigo Branco, economista da Funda\u00e7\u00e3o Centro de Estudos do Com\u00e9rcio Exterior (Funcex) observa que o crescimento de 1,9% nas importa\u00e7\u00f5es no segundo trimestre, na compara\u00e7\u00e3o com o primeiro trimestre, mostra que boa parte da demanda dom\u00e9stica ainda continua sendo coberta pelas compras externas. Branco lembra que a penetra\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es \u00e9 estrutural em muitos setores e, por isso, medidas de incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, como a desonera\u00e7\u00e3o da folha, t\u00eam efeitos limitados. Isso significa, diz, que segmentos como vestu\u00e1rio e cal\u00e7ados precisar\u00e3o se adaptar \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es, com redu\u00e7\u00e3o de linhas de produ\u00e7\u00e3o, investimento em inova\u00e7\u00e3o, agrega\u00e7\u00e3o de valor e fortalecimento de marcas.<\/p>\n<p>O crescimento das importa\u00e7\u00f5es, agravado pela queda nas exporta\u00e7\u00f5es foi o maior respons\u00e1vel pelo crescimento &#8220;fraco&#8221; do PIB no trimestre, segundo o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Ot\u00e1vio de Souza Leal. No per\u00edodo, as exporta\u00e7\u00f5es ca\u00edram 3,9% frente ao primeiro trimestre de 2012 e as importa\u00e7\u00f5es cresceram 1,9%. &#8220;Esse vazamento externo tirou 0,7% do PIB&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Na sexta-feira, o ministro da Fazenda voltou a afirmar que a economia est\u00e1 se acelerando gradualmente e que o resultado do segundo trimestre, embora longe de ter sido excepcional, mostra um ritmo de expans\u00e3o mais forte do que no primeiro trimestre, quando o PIB avan\u00e7ou 0,1%, de acordo com dados revisados pelo IBGE. &#8220;Felizmente, j\u00e1 estamos no segundo semestre, quando o desempenho da economia ser\u00e1 bem melhor&#8221;, disse Mantega, ao reafirmar que a economia deve chegar ao \u00faltimo trimestre de 2012 em ritmo de crescimento pr\u00f3ximo de 4% ao ano.<\/p>\n<p>O professor da Unicamp e s\u00f3cio da Edgard Pereira &amp; Associados, Edgard Pereira, \u00e9 mais c\u00e9tico. Para ele, o pa\u00eds voltou &#8220;ao modelo voo de galinha, de administrar a demanda agregada via mecanismos de consumo&#8221;. At\u00e9 o fim do ano, diz, h\u00e1 uma recupera\u00e7\u00e3o prevista, que dar\u00e1 impulso para uma alta maior do PIB em 2013. &#8220;Para sair desse movimento, \u00e9 preciso um choque de investimento centrado na infraestrutura&#8221;, diz. Em parte, as \u00faltimas medidas apontam nessa dire\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 preciso mais, afirma.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Juro em queda traz cruzada por efici\u00eancia nos bancos<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O recado dos bancos para funcion\u00e1rios e acionistas \u00e9 claro. Daqui para a frente, as institui\u00e7\u00f5es financeiras ter\u00e3o de se esfor\u00e7ar para gerar cada vez mais receita com o menor gasto poss\u00edvel. Ita\u00fa Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa Econ\u00f4mica Federal est\u00e3o em meio a programas de melhoria da efici\u00eancia.<\/p>\n<p>O movimento n\u00e3o \u00e9 sem causa. A queda da taxa de juro b\u00e1sica da economia vai trazer uma nova realidade para os bancos brasileiros. Segundo analistas e banqueiros ouvidos pelo Valor, os ganhos menores com as taxas de juros cobradas dos clientes v\u00e3o escancarar eventuais inefici\u00eancias das institui\u00e7\u00f5es financeiras no Brasil.<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o com seus pares pelo mundo, os bancos brasileiros s\u00e3o hoje menos eficientes, segundo relat\u00f3rio do Goldman Sachs. No Brasil, as despesas operacionais representam 6% dos ativos m\u00e9dios, quase o dobro da m\u00e9dia apresentada por institui\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos e no resto da Am\u00e9rica Latina (ver gr\u00e1fico ao lado). Em parte, segundo o Goldman Sachs, esse \u00e9 um problema causado por custos trabalhistas e tribut\u00e1rios mais altos.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Ainda h\u00e1 gordura para queimar, na avalia\u00e7\u00e3o do Goldman. &#8220;Ao se esfor\u00e7ar consistentemente para melhorar a efici\u00eancia e reduzir as despesas, os bancos brasileiros podem neutralizar o impacto das margens financeiras menores&#8221;, escreveram os analistas do banco.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o deles \u00e9 que, at\u00e9 os projetos de ganho de efici\u00eancia estarem conclu\u00eddos, as institui\u00e7\u00f5es financeiras no Brasil ainda ver\u00e3o seu retorno sobre o patrim\u00f4nio (ROE) cair, um fen\u00f4meno que vem sendo observado ao longo deste ano. Depois de 2013, por\u00e9m, deve voltar a patamares pr\u00f3ximos de 20%. Ita\u00fa, Banco do Brasil e Santander est\u00e3o hoje abaixo disso.<\/p>\n<p>Na corrida pela efici\u00eancia ningu\u00e9m fica de fora. O Bradesco anunciou neste m\u00eas que pretende alcan\u00e7ar um \u00edndice de efici\u00eancia de 39% em 2014. Em junho, o indicador estava em 42,4%. Quanto menor esse n\u00famero, mais eficiente \u00e9 um banco, j\u00e1 que ele mede a raz\u00e3o entre despesas operacionais e receitas. O Ita\u00fa Unibanco quer atingir 41% em 2014 ante os atuais 45%. O Banco do Brasil quer, a partir de 2014, voltar ao patamar de 42%, n\u00edvel observado em 2011. Hoje est\u00e1 em 43,4%. O Santander, com 41,9%, busca uma redu\u00e7\u00e3o de dois a tr\u00eas pontos percentuais por ano.<\/p>\n<p>Dona do pior \u00edndice entre os maiores bancos do pa\u00eds, de 69,1%, a Caixa Econ\u00f4mica Federal tamb\u00e9m quer reduzir a dist\u00e2ncia que tem das demais institui\u00e7\u00f5es. Por isso acabou de contratar uma consultoria estrangeira para tra\u00e7ar um plano com o objetivo de tornar o banco mais eficiente.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 decis\u00e3o do governo de for\u00e7ar a redu\u00e7\u00e3o dos spreads nos empr\u00e9stimos via bancos p\u00fablicos, o \u00edndice de efici\u00eancia da Caixa fechou junho com 3,2 pontos percentuais a mais do que um ano antes. &#8220;H\u00e1 um novo padr\u00e3o de taxa de juros no pa\u00eds. Por isso \u00e9 preciso estabelecer um outro modelo de produtividade dos bancos&#8221;, diz Marcio Percival, vice-presidente de finan\u00e7as da Caixa.<\/p>\n<p>Embora a Caixa procure se aproximar dos demais, Percival ressalta que, por ser um banco que d\u00e1 cr\u00e9dito estudantil, faz o pagamento de programas governamentais e tem a maior carteira de cr\u00e9dito imobili\u00e1rio do pa\u00eds, a Caixa tende a enfrentar mais dificuldade para obter uma efici\u00eancia igual \u00e0quela dos seus pares.<\/p>\n<p>Margens menores v\u00e3o escancarar eventuais inefici\u00eancias das institui\u00e7\u00f5es financeiras no Brasil<\/p>\n<p>As f\u00f3rmulas para melhorar a efici\u00eancia variam entre os bancos. Mas a regra \u00e9 apertar os cintos. O Ita\u00fa tem deixado claro ao longo dos \u00faltimos trimestres que uma das vertentes do seu projeto passa pela redu\u00e7\u00e3o do quadro de funcion\u00e1rios. Do in\u00edcio de 2011 para junho deste ano, o n\u00famero de empregados do Ita\u00fa caiu 9,85%, para 99 mil. Se uma pessoa sai do banco, a vaga n\u00e3o \u00e9 preenchida.<\/p>\n<p>A iniciativa do Ita\u00fa j\u00e1 tem levado analistas de bancos a considerar que o Bradesco tamb\u00e9m pode em breve iniciar algum movimento parecido. Luiz Carlos Angelotti, diretor de rela\u00e7\u00f5es com investidores do Bradesco, nega. O banco criou um comit\u00ea de efici\u00eancia com 20 executivos para discutir estrat\u00e9gias na \u00e1rea.<\/p>\n<p>O executivo explica que dois fatores exigem que o Bradesco tenha mais empregados do que o Ita\u00fa. Um deles \u00e9 que o banco da Cidade de Deus tem 545 ag\u00eancias a mais do que o concorrente. S\u00f3 no ano passado, o banco abriu mais de mil ag\u00eancias, com o objetivo de engordar suas receitas, vendendo mais produtos e servi\u00e7os \u00e0 clientela. Al\u00e9m disso, a estrutura do Bradesco engloba uma seguradora, enquanto o Ita\u00fa tem uma participa\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria na Porto Seguro.<\/p>\n<p>No Banco do Brasil, o projeto tamb\u00e9m abarca mudan\u00e7as no quadro de funcion\u00e1rios, deixando cada vez menos gente na \u00e1rea administrativa. &#8220;A ideia \u00e9 liberar m\u00e3o de obra para as ag\u00eancias, para a linha de frente das vendas&#8221;, diz Marco Ant\u00f4nio Mastroeni, diretor de estrat\u00e9gia e organiza\u00e7\u00e3o do Banco do Brasil.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 com a tesoura que os bancos buscam mais efici\u00eancia. Quem engordar o denominador do \u00edndice de efici\u00eancia &#8211; ou seja, as receitas &#8211; sem mexer na parte de cima da fra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m vai se tornar mais eficiente. Por isso a estrat\u00e9gia do Banco do Brasil de colocar mais gente nas ag\u00eancias para vender produtos e servi\u00e7os. O cr\u00e9dito imobili\u00e1rio certamente estar\u00e1 no rol de empr\u00e9stimos que os gerentes mais devem buscar ofertar. &#8220;O financiamento da casa pr\u00f3pria \u00e9 um produto que fideliza muito o cliente. Em m\u00e9dia, quem tem um cr\u00e9dito imobili\u00e1rio tem outros nove produtos&#8221;, afirma Mastroeni.<\/p>\n<p>Ao abrir mais de mil ag\u00eancias ao longo do ano passado para aumentar as vendas, em um primeiro momento o Bradesco teve de sacrificar a efici\u00eancia, aumentando as despesas.<\/p>\n<p>Apesar das mais variadas f\u00f3rmulas que os bancos est\u00e3o adotando para se tornar mais eficientes, todos t\u00eam como regra comum os investimentos em tecnologia para reduzir custos. O atendimento nos caixas eletr\u00f4nicos, por exemplo, precisa se tornar mais \u00e1gil, com sistemas mais r\u00e1pidos. At\u00e9 2014, Angelotti, diretor do Bradesco, diz, por exemplo, que o tempo que cada pessoa gasta em frente a um caixa cair\u00e1 25% por causa de melhorias tecnol\u00f3gicas. O executivo n\u00e3o informa qual o tempo m\u00e9dio hoje. S\u00f3 neste ano, o banco est\u00e1 investindo R$ 5 bilh\u00f5es em sistemas.<\/p>\n<p>O Santander est\u00e1 em meio a um projeto para digitalizar todos os documentos que precisam transitar entre ag\u00eancias, escrit\u00f3rios e a sede. &#8220;Em um prazo de seis meses, o banco quer eliminar o transporte de pap\u00e9is como contratos e of\u00edcios legais&#8221;, afirma Marcelo Zerbinatti, diretor de organiza\u00e7\u00e3o, tecnologia e processos do Santander.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Em 12 meses, super\u00e1vit fiscal atinge 2,51% do PIB<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O super\u00e1vit prim\u00e1rio do setor p\u00fablico alcan\u00e7ou R$ 5,570 bilh\u00f5es em julho, ante R$ 2,794 bilh\u00f5es em junho. O governo central registrou no per\u00edodo super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 3,8 bilh\u00f5es. O saldo dos governos regionais alcan\u00e7ou R$ 1 bilh\u00e3o e as empresas estatais tiveram super\u00e1vit de R$ 730 milh\u00f5es, segundo dados do Banco Central. Em 12 meses, o super\u00e1vit prim\u00e1rio acumulado atingiu R$ 107,9 bilh\u00f5es, o equivalente a 2,51% do PIB.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do chefe do Departamento Econ\u00f4mico do BC, Tulio Maciel, o resultado revela &#8220;uma evolu\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel das contas p\u00fablicas&#8221;, embora reconhe\u00e7a que, na compara\u00e7\u00e3o com julho do ano passado, quando a economia foi de R$ 13,8 bilh\u00f5es, houve redu\u00e7\u00e3o &#8220;bem expressiva&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo Maciel, receitas extraordin\u00e1rias, como recolhimentos em atraso e o Refis da crise, &#8220;inflaram&#8221; o resultado do ano passado. Al\u00e9m disso, afirmou, as medidas tomadas pelo governo para estimular a economia, como redu\u00e7\u00f5es de impostos, tamb\u00e9m afetaram as receitas deste ano.<\/p>\n<p>Para o t\u00e9cnico do BC, a compara\u00e7\u00e3o entre este ano e 2011 n\u00e3o \u00e9 muito apropriada, porque existem, segundo ele, &#8220;configura\u00e7\u00f5es&#8221; diferentes. &#8220;Come\u00e7amos 2011 com a economia girando alto, para depois entrar em ritmo mais moderado ao longo do ano. Em 2012, come\u00e7amos com a atividade moderada e vamos evoluindo ao longo do ano.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Otimista, governo aposta em retomada no 3\u00ba trimestre<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O governo acredita que a expans\u00e3o do cr\u00e9dito, a melhora da confian\u00e7a dos empres\u00e1rios, a redu\u00e7\u00e3o dos juros, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, as medidas de est\u00edmulo \u00e0 atividade econ\u00f4mica e a recupera\u00e7\u00e3o da agricultura v\u00e3o acelerar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo semestre. Revelando otimismo que n\u00e3o se v\u00ea no mercado, Bras\u00edlia aposta que as &#8220;travas&#8221; que impediram um crescimento mais r\u00e1pido no primeiro semestre est\u00e3o sendo removidas.<\/p>\n<p>A baixa expans\u00e3o do PIB no segundo trimestre &#8211; de apenas 0,4% sobre o trimestre anterior &#8211; j\u00e1 era esperada pelas autoridades. O IBC-Br, \u00edndice do Banco Central (BC) que tem grande correla\u00e7\u00e3o com o PIB apurado pelo IBGE, mostrou crescimento de apenas 0,38% entre abril e junho. Para o governo, agora o PIB vai acelerar.<\/p>\n<p>Uma das &#8220;travas&#8221; apontadas por fontes oficiais \u00e9 o endividamento das fam\u00edlias. Uma das pesquisas utilizadas pela \u00e1rea econ\u00f4mica \u00e9 a de endividamento e inadimpl\u00eancia do consumidor, conduzida pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC). Entre agosto e dezembro de 2011, segundo essa pesquisa, o percentual de fam\u00edlias que informaram n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de pagar suas d\u00edvidas caiu de 8,2% para 7,2%. O n\u00famero de fam\u00edlias endividadas tamb\u00e9m diminuiu no per\u00edodo. O problema \u00e9 que, nos meses seguintes, os indicadores pioraram.<\/p>\n<p>O que anima o governo \u00e9 que, mais recentemente, os n\u00fameros melhoraram. De acordo com a CNC, em agosto, o percentual de fam\u00edlias sem condi\u00e7\u00f5es de honrar suas d\u00edvidas caiu para 7,1%. O total de endividadas subiu em rela\u00e7\u00e3o a julho &#8211; de 57,6% para 59,8% -, mas est\u00e1 nos n\u00edveis do fim de 2011. Quando comparado ao mesmo m\u00eas do ano passado, o n\u00famero de fam\u00edlias com contas em atraso recuou, em agosto, de 24,4% para 21,3%.<\/p>\n<p>&#8220;A redu\u00e7\u00e3o dos spreads banc\u00e1rios e a manuten\u00e7\u00e3o do emprego [a taxa de desemprego continua na m\u00ednima hist\u00f3rica] num quadro em que a queda da produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o afetou o mercado de trabalho, e este sustenta o rendimento das fam\u00edlias, indicam que o canal de cr\u00e9dito est\u00e1 pronto para sustentar o consumo&#8221;, argumenta um assessor.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros do cr\u00e9dito em julho, primeiro m\u00eas do trimestre em que o governo acredita que come\u00e7ar\u00e1 a retomada, foram fracos &#8211; crescimento de 0,7% em rela\u00e7\u00e3o a junho e de 0,4% se considerado apenas o cr\u00e9dito do setor privado. Banqueiros e t\u00e9cnicos do governo consultados pelo Valor sustentam, todavia, que julho \u00e9 um m\u00eas at\u00edpico para o cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>No caso das pessoas f\u00edsicas, trata-se de um m\u00eas de f\u00e9rias escolares e sem efem\u00e9rides, dois fatos que reduzem o movimento de compras. No caso das pessoas jur\u00eddicas, julho \u00e9 um m\u00eas considerado morto porque \u00e9 em agosto e setembro que as empresas come\u00e7am a formar estoques para o Natal. Nesse per\u00edodo, diz o diretor de um banco, as companhias recorrem mais a capital de giro, por exemplo.<\/p>\n<p>No caso dos agricultores, julho \u00e9 um m\u00eas de quita\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas da safra anterior. As libera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito para a safra seguinte come\u00e7am em agosto. O governo aposta na recupera\u00e7\u00e3o da agricultura como um dos fatores de acelera\u00e7\u00e3o do PIB neste e no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>No primeiro trimestre, o setor agropecu\u00e1rio, prejudicado pela seca na regi\u00e3o Sul, registrou crescimento negativo de 8,5%, quando comparado ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. No segundo trimestre, avan\u00e7ou 1,7%. A perspectiva, daqui em diante, \u00e9 de acelera\u00e7\u00e3o, de acordo com expectativas do pr\u00f3prio mercado, levantadas pelo Boletim Focus, do Banco Central &#8211; crescimento de 2,73% no terceiro trimestre, de 2,88% no quarto e de 4,40% entre janeiro e mar\u00e7o de 2013, sempre na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo trimestre do ano anterior.<\/p>\n<p>A equipe econ\u00f4mica aposta, tamb\u00e9m, que as &#8220;travas&#8221; que impediram a tomada de cr\u00e9dito pelas empresas na primeira metade do ano est\u00e3o igualmente sendo removidas. Diferentemente das pessoas f\u00edsicas, o problema nos primeiros meses do ano n\u00e3o foi de oferta, mas de demanda por empr\u00e9stimos. Preocupadas com o cen\u00e1rio de turbul\u00eancia nas economias europeias, as companhias evitaram pegar cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>&#8220;O estado de confian\u00e7a das empresas estava abatido&#8221;, diz uma fonte oficial. &#8220;As empresas levaram um susto com a crise, com a queda do com\u00e9rcio mundial, que vem recuando desde a crise de 2008, crescendo abaixo do PIB mundial e que, no segundo trimestre de 2102, avan\u00e7ou apenas 0,3%&#8221;, explica esse assessor, referindo-se a dados do CPB, instituto independente de pesquisa da Holanda.<\/p>\n<p>A cren\u00e7a do governo \u00e9 a de que o pior momento do pessimismo das empresas brasileiras passou. O \u00cdndice de Confian\u00e7a da Ind\u00fastria (ICI), da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, cresceu 1,4% em agosto, se comparado a julho, atingindo o maior n\u00edvel (104,1 pontos) desde julho do ano passado, embora ainda esteja abaixo da m\u00e9dia hist\u00f3rica (105,5 pontos). O N\u00edvel de Utiliza\u00e7\u00e3o da Capacidade Instalada (NUCI) tamb\u00e9m cresceu &#8211; de 83,7% para 84,0% entre julho e agosto.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Pequena central hidrel\u00e9trica se prolifera como fonte de energia<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>A suspens\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de mais hidrel\u00e9tricas na Bacia do Rio Paraguai at\u00e9 que seja feito um estudo integrado dos efeitos no pulso de cheias do Pantanal, determinada pela Justi\u00e7a Federal a pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal do Mato Grosso do Sul, chamou a aten\u00e7\u00e3o para a prolifera\u00e7\u00e3o de pequenas centrais hidrel\u00e9tricas (PCH) no Brasil e j\u00e1 preocupa o setor el\u00e9trico. Dados da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) mostram que, juntas, representar\u00e3o 3,8% do mercado total de energia em 2020. Existem hoje no pa\u00eds 51 PCHs em constru\u00e7\u00e3o e 130 j\u00e1 outorgadas.<\/p>\n<p>A maioria das pequenas usinas \u00e9 aprovada por \u00f3rg\u00e3os estaduais. Apenas o licenciamento de obras em rios federais, que correm por mais de um estado, \u00e9 feito pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama).<\/p>\n<p>&#8211; A participa\u00e7\u00e3o de mercado das PCHs parece pequena, mas, dentro do contexto de oferta de energia, ele \u00e9 significativo. Al\u00e9m de gerar energia limpa, elas operam a fio d&#8221;\u00e1gua, sem reservat\u00f3rio, e n\u00e3o sobrecarregam o sistema de transmiss\u00e3o, por estarem perto do centro de carga &#8211; afirma Charles Lenzi, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gera\u00e7\u00e3o de Energia Limpa (Abragel).<\/p>\n<p>A possibilidade de fechar o cerco contra os impactos ambientais das pequenas hidrel\u00e9tricas piora a situa\u00e7\u00e3o dos investidores em PCHs, que j\u00e1 est\u00e3o com dificuldade de ter custos competitivos em rela\u00e7\u00e3o a outras fontes de energia, como as usinas e\u00f3licas, que recebem incentivos fiscais dos estados. Enquanto o valor da energia e\u00f3lica varia entre R$ 100 e R$ 105 por MW\/hora, a energia das PCHs chega ao mercado a R$ 160 por MW\/h. Al\u00e9m disso, as PCHs t\u00eam fechado contrato com grandes consumidores por, no m\u00e1ximo, dois anos, o que atrapalha tamb\u00e9m a obten\u00e7\u00e3o de financiamento no BNDES, que, segundo a Abragel, exige contratos de pelo menos dez anos.<\/p>\n<p>&#8211; No Brasil, as PCHs e as usinas e\u00f3licas s\u00e3o complementares. O regime de ventos faz com que o per\u00edodo de ventos mais fortes coincida com o de seca &#8211; diz Jorge Trinkenreich, diretor da PSR, consultoria do setor de energia.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Trinkenreich, as constantes paralisa\u00e7\u00f5es de obras de hidrel\u00e9tricas ainda n\u00e3o afetam o cronograma de expans\u00e3o da oferta at\u00e9 2015. Mesmo que grandes usinas, como Belo Monte e Teles Pires, sofressem algum tipo de atraso, ainda haveria a possibilidade de fazer um leil\u00e3o de energia nova com entrega tr\u00eas anos \u00e0 frente (A-3), incluindo novos projetos de termel\u00e9tricas, por exemplo. A PSR j\u00e1 retirou de seu c\u00e1lculo de oferta futura de energia termel\u00e9tricas a \u00f3leo, cujos investidores enfrentam dificuldades nas obras.<\/p>\n<p>RISCO DE D\u00c9FICIT GIRA ENTRE 3 % E 5%<\/p>\n<p>Luiz Fernando Vianna, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores Independentes de Energia (Apine), alerta, por\u00e9m, que as paralisa\u00e7\u00f5es constantes e mais exig\u00eancias aumentam o custo das obras e, consequentemente, o pre\u00e7o da energia no mercado.<\/p>\n<p>O cerco em torno das hidrel\u00e9tricas, segundo Trinkenreich, leva o pa\u00eds a discutir o futuro de sua matriz energ\u00e9tica. Como a energia e\u00f3lica \u00e9 considerada inst\u00e1vel, pois a produ\u00e7\u00e3o para quando n\u00e3o h\u00e1 ventos, \u00e9 preciso investir na chamada energia firme, como usinas termel\u00e9tricas, que causam um impacto ambiental maior quando operadas com g\u00e1s ou carv\u00e3o mineral, pois emitem gases que causam o efeito estufa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m os investimentos em termel\u00e9tricas movidas a g\u00e1s natural est\u00e3o em banho-maria, j\u00e1 que a Petrobras n\u00e3o garante entrega por 20 anos.<\/p>\n<p>&#8211; Mudan\u00e7as nos cronogramas de execu\u00e7\u00e3o de usinas n\u00e3o significam possibilidade de racionamento a partir de 2015, mas afetam a qualidade do fornecimento. Temos energia o tempo todo porque h\u00e1 um planejamento pr\u00e9vio de entrega. Se o crit\u00e9rio falhar, gera desconforto neste planejamento. O risco de d\u00e9ficit de energia el\u00e9trica gira em torno de 3% a 5% &#8211; explica Trinkenreich, da PSR. &#8211; \u00c9 preciso ver a PCH como fonte de energia limpa, reduzir o custo das usinas e fazer estudos hidrol\u00f3gicos s\u00e9rios.<\/p>\n<hr \/>\n<p>BCE decide se compra t\u00edtulos de endividados<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O mercado financeiro global retoma os neg\u00f3cios na primeira semana de setembro, que marca o fim das f\u00e9rias de ver\u00e3o no Hemisf\u00e9rio Norte, na expectativa em torno da reuni\u00e3o de pol\u00edtica monet\u00e1ria do Banco Central Europeu (BCE), programada para quinta-feira, dia 6.<\/p>\n<p>O foco dos investidores \u00e9 se o presidente do BCE, Mario Draghi, dar\u00e1 detalhes sobre uma poss\u00edvel compra de t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica de pa\u00edses do euro em dificuldade ou sobre outras medidas de est\u00edmulo monet\u00e1rio, como a redu\u00e7\u00e3o de taxas de juros. A decis\u00e3o do BCE ser\u00e1 o teste para a continua\u00e7\u00e3o dos ganhos recentes das bolsas mundiais.<\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es de Draghi ser\u00e3o determinantes para alimentar ou desestimular o apetite de risco. Ao longo de agosto, com um fraco calend\u00e1rio de eventos, como reuni\u00f5es de c\u00fapulas de l\u00edderes europeus, a falta de not\u00edcias negativas abriu espa\u00e7o para recupera\u00e7\u00e3o de ativos de risco, como a\u00e7\u00f5es de empresas listadas em bolsas, de moedas de emergentes e de commodities.<\/p>\n<p>A Bolsa de Madri, por exemplo, teve ganho de 16,4% em agosto; a de Frankfurt subiu 5,5%; e a Bovespa avan\u00e7ou 2,78%. O f\u00f4lego desses ganhos depender\u00e1 de os bancos centrais, em especial o BCE e o Federal Reserve (Fed), anunciarem medidas de interven\u00e7\u00e3o para injetar liquidez na economia mundial.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o de pol\u00edtica monet\u00e1ria do BCE vem no rastro do discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, em Jackson Hole, na sexta-feira, 31. No evento, Bernanke deixou as portas abertas para mais est\u00edmulos econ\u00f4micos, mas n\u00e3o deu detalhes sobre uma nova rodada de afrouxamento quantitativo, o QE3.<\/p>\n<p>O suspense foi transferido para a reuni\u00e3o de pol\u00edtica monet\u00e1ria do Fed, em 13 de setembro. Nesse \u00ednterim, as expectativas com rela\u00e7\u00e3o a pol\u00edticas de inje\u00e7\u00e3o de liquidez recaem agora sobre Draghi. Uma nova decep\u00e7\u00e3o pode azedar o humor dos investidores, deflagrando um sentimento de avers\u00e3o ao risco e de corre\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os dos ativos.<\/p>\n<p>Ceticismo. Analistas de bancos de investimentos estrangeiros mostram ceticismo sobre um eventual an\u00fancio de um programa de compra de d\u00edvida soberana pelo BCE na quinta-feira. H\u00e1 avalia\u00e7\u00f5es de que Draghi pode n\u00e3o dar respostas espec\u00edficas sobre o tema antes do dia 12, quando a Corte Constitucional alem\u00e3 vota pela aprova\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o de um fundo de resgate permanente europeu (ESM, na sigla em ingl\u00eas) e sobre a flexibilidade da atua\u00e7\u00e3o desse fundo.<\/p>\n<p>Como h\u00e1 grande expectativa entre os l\u00edderes da zona do euro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 decis\u00e3o da Corte alem\u00e3, &#8220;n\u00e3o acreditamos que o BCE apresentar\u00e1 um plano detalhado (para um programa de compra de d\u00edvida) antes do dia 12&#8221;, afirmaram economistas do banco ING em nota a clientes. J\u00e1 o analista s\u00eanior do banco Danske Bank, Peter Posing Andersen, acredita que as expectativas do mercado sobre um eventual an\u00fancio de medidas concretas por Draghi v\u00eam diminuindo nos \u00faltimos dias.<\/p>\n<p>&#8220;O BCE deve esperar pela Corte Constitucional da Alemanha? O ESM ou a EFSF (Linha de Estabilidade Financeira Europeia) teria de comprar t\u00edtulos antes de o BCE ativar o programa?&#8221;, indaga Andersen em relat\u00f3rio a clientes. Para ele, os investidores ficar\u00e3o bastante decepcionados se Draghi, novamente, n\u00e3o entregar o que vem prometendo, ou seja, &#8220;detalhes significativos&#8221; de medidas de est\u00edmulo.<\/p>\n<p>A credibilidade de Draghi foi minada quando, depois de prometer fazer &#8220;o que for necess\u00e1rio&#8221; para salvar o euro, o presidente do BCE frustrou os mercados deixando de anunciar medidas concretas na reuni\u00e3o de pol\u00edtica monet\u00e1ria de 2 de agosto.<\/p>\n<p>Por outro lado, os estrategistas do banco Barclays, Guillermo Felices, Philippe Gudin e Julian Callow, avaliam n\u00e3o s\u00f3 que \u00e9 poss\u00edvel que Draghi traga detalhes do programa de compra de b\u00f4nus, mas tamb\u00e9m destacam a probabilidade de que ele defenda novas medidas de ajuda a bancos. Com isso, entendem que h\u00e1 uma tend\u00eancia positiva para a tomada de risco.<\/p>\n<hr \/>\n<p>BC dos EUA deve esperar emerg\u00eancia para agir<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Existem momentos em que se deve agir e outros em que se deve manter na defesa. O momento atual \u00e9 a hora em que o Fed (o BC dos EUA) deve esperar, em vez de inocular nos mercados, nas pr\u00f3ximas semanas, mais uma dose de est\u00edmulo por meio de uma nova rodada de QE (&#8220;quantitative easing&#8221;, afrouxamento monet\u00e1rio).<\/p>\n<p>Novas compras de b\u00f4nus parecem prov\u00e1veis em breve, ap\u00f3s Ben Bernanke ter dito \u00e0s autoridades do BC americano, em sua reuni\u00e3o anual em Jackson Hole, na sexta, que n\u00e3o descarta outras compras de ativos, caso as condi\u00e7\u00f5es da economia justifiquem essa iniciativa.<\/p>\n<p>Embora um novo afrouxamento possa assumir outras formas &#8211; entre as quais, a prorroga\u00e7\u00e3o pelo Fed de sua pol\u00edtica de taxa de juros pr\u00f3xima de zero para al\u00e9m do fim de 2014, ou mesmo a redu\u00e7\u00e3o dos atuais 25 pontos-base que paga sobre as reservas mantidas pelos bancos no Fed -, os investidores desejam, inequivocamente, mais compras de b\u00f4nus.<\/p>\n<p>O S&amp;P 500 j\u00e1 subiu cerca de 10% em rela\u00e7\u00e3o a seu piso de junho, num cl\u00e1ssico repique baseado na exposi\u00e7\u00e3o ao risco, que reflete esperan\u00e7as de que uma a\u00e7\u00e3o esteja sendo preparada. Nesse movimento, os investidores ignoram dados negativos e a desacelera\u00e7\u00e3o dos lucros corporativos. As commodities, encabe\u00e7adas pelo ouro, tamb\u00e9m subiram bem neste terceiro trimestre ao som do rumor persistente sobre um &#8220;QE3&#8221;. Investidores, notadamente Bill Gross, da Pimco, puseram suas cartas na mesa, e por bons motivos.<\/p>\n<p>Antes de o comit\u00ea de mercado aberto do Fed (o Fomc) concluir sua reuni\u00e3o em 13 de setembro, as autoridades ter\u00e3o tido tempo para analisar os dados de emprego de agosto, a serem divulgados no fim da semana. Os economistas preveem um aumento do n\u00edvel de emprego de aproximadamente 125 mil novas vagas, n\u00edvel inferior \u00e0 m\u00e9dia de 151 mil novas vagas vigente at\u00e9 aqui no ano.<\/p>\n<p>Isso alimentar\u00e1 as esperan\u00e7as do mercado de que finalmente aconte\u00e7a o QE3. Como apontou a ata da reuni\u00e3o do Fomc de agosto: &#8220;Muitos membros avaliaram que provavelmente um novo afrouxamento monet\u00e1rio ser\u00e1 promovido dentro de um per\u00edodo razoavelmente curto, a n\u00e3o ser que novas informa\u00e7\u00f5es apontem para um fortalecimento significativo e sustent\u00e1vel do ritmo da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica&#8221;.<\/p>\n<p>Com base no tom dos dados da economia desde a \u00faltima reuni\u00e3o do Fed, \u00e9 l\u00f3gico pressupor que o QE3 ser\u00e1 lan\u00e7ado em setembro.<\/p>\n<p>Uma rea\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica econ\u00f4mica desse tipo, no entanto, \u00e9 altamente question\u00e1vel em termos do que poder\u00e1 conseguir. As rodadas anteriores de afrouxamento quantitativo foram empreendidas quando era manifesta a amea\u00e7a de uma recess\u00e3o e de defla\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o acontece no momento atual.<\/p>\n<p>Por exemplo, um indicador fundamental do mercado de b\u00f4nus sobre as expectativas de infla\u00e7\u00e3o, monitorado pelo Fed, subiu neste terceiro trimestre e est\u00e1 em torno de 2,75%.<\/p>\n<p>Como ponto de refer\u00eancia, as expectativas de infla\u00e7\u00e3o de agosto de 2010 e de setembro passado estavam abaixo de 2%, fornecendo motivos justific\u00e1veis para o lan\u00e7amento do QE2 e da &#8220;opera\u00e7\u00e3o Twist&#8221; (programa de est\u00edmulo dos EUA que consiste em reduzir a fatia da d\u00edvida de curto prazo e elevar a parcela de longo prazo).<\/p>\n<p>Com a opera\u00e7\u00e3o Twist em vigor at\u00e9 o fim do ano, os rendimentos de longo prazo dos t\u00edtulos do Tesouro continuam muito baixos. Al\u00e9m disso, as recentes baixas hist\u00f3ricas dos b\u00f4nus corporativos sugerem que a pol\u00edtica do Fed realizou seu objetivo de tirar os investidores dos t\u00edtulos do Tesouro e lan\u00e7\u00e1-los nos ativos de maior risco, permitindo que as empresas e os mutu\u00e1rios tomem empr\u00e9stimos a um n\u00edvel recorde de baixa.<\/p>\n<p>H\u00e1, de fato, sinais estimulantes de que o mercado de im\u00f3veis residenciais se estabilizou recentemente, uma vez que os consumidores com posi\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito s\u00f3lida refinanciaram ou negociaram novos contratos de cr\u00e9dito imobili\u00e1rio de 30 anos a uma taxa fixa de menos de 4%.<\/p>\n<p>Deve-se reconhecer que as baixas taxas n\u00e3o ajudaram muitos dos que realmente precisam de um impulso desse tipo, mas mais uma rodada de QE dificilmente alterar\u00e1 essa din\u00e2mica. Embora a ap\u00e1tica recupera\u00e7\u00e3o dos EUA seja um fator desafiador para alguns membros do Fomc, h\u00e1 fortes motivos para n\u00e3o anunciar o QE3 agora. Apesar dos resmungos sobre os \u00edndices obstinadamente altos de desemprego, aproximam-se batalhas potencialmente maiores para as autoridades da \u00e1rea econ\u00f4mica: o risco de um esfacelamento da zona do euro e a queda, de Washington, em seu abismo fiscal.<\/p>\n<p>Com a chegada de setembro, o foco dos investidores permanecer\u00e1, com boa dose de agita\u00e7\u00e3o, sobre a zona do euro. Ser\u00e1 o BCE, e n\u00e3o o Fed, o banco central mais importante nesse momento cr\u00edtico. Em termos do abismo fiscal das redu\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas dos gastos e do combate aos cortes de impostos da era Bush, que talvez empurrem a economia dos EUA para uma recess\u00e3o no ano que vem, os investidores preveem, de modo geral, que Washington chegar\u00e1 a um acordo depois das elei\u00e7\u00f5es de novembro.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 o risco de o processo se arrastar 2013 adentro, influenciando a economia e o grau de confian\u00e7a contra o pano de fundo da desacelera\u00e7\u00e3o da China ou a crise da zona do euro acabar por se deteriorar potencialmente. Para o Fed, \u00e9 melhor evitar fazer algo de imediato e guardar a muni\u00e7\u00e3o do QE3 para uma verdadeira emerg\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Valor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3471\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3471","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-TZ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3471"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3471\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}