{"id":3485,"date":"2012-09-05T13:52:53","date_gmt":"2012-09-05T13:52:53","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3485"},"modified":"2012-09-05T13:52:53","modified_gmt":"2012-09-05T13:52:53","slug":"desemprego-entre-jovens-deve-aumentar-preve-oit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3485","title":{"rendered":"Desemprego entre jovens deve aumentar, prev\u00ea OIT"},"content":{"rendered":"\n<p>Ser\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil para o jovem encontrar trabalho nos pr\u00f3ximos cinco anos, inclusive no Brasil e na China, com a crise na Europa contagiando as economias emergentes. A estimativa \u00e9 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), que alerta para o risco de a economia mundial beirar a uma recess\u00e3o j\u00e1 ao fim de 2012.<\/p>\n<p>A entidade admitiu que foi obrigada a rever suas proje\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio e longo prazos que, originalmente, indicavam melhora na taxa de desemprego de jovens pelo mundo. Hoje, j\u00e1 s\u00e3o 75 milh\u00f5es nessa situa\u00e7\u00e3o. &#8220;Ningu\u00e9m est\u00e1 imune \u00e0 crise da Europa e mesmo os pa\u00edses que tiveram crescimento forte na \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina v\u00e3o come\u00e7ar a sofrer&#8221;, alertou Ekkehard Ernst, chefe de divis\u00e3o de tend\u00eancia de emprego.<\/p>\n<p>O risco de uma nova recess\u00e3o ocorre por causa de tr\u00eas fen\u00f4menos ligados aos pa\u00edses ricos: fam\u00edlias est\u00e3o concentradas em pagar as d\u00edvidas, reduzindo o consumo. Tendo isso em vista, empresas deixaram de investir na expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os governos est\u00e3o em um processo de cortes dr\u00e1sticos de or\u00e7amentos. O resultado \u00e9 uma economia que perde for\u00e7a.<\/p>\n<p>O efeito ser\u00e1 sentido em todo o mundo, j\u00e1 que as exporta\u00e7\u00f5es dos emergentes d\u00e3o claros sinais de perder for\u00e7a. O Brasil abandonou sua meta de exporta\u00e7\u00e3o para 2012, a China registrou um freio nas vendas e, na \u00cdndia, a queda das exporta\u00e7\u00f5es no \u00faltimo trimestre \u00e9 de quase 20%.<\/p>\n<p>Para a OIT, esse cen\u00e1rio deve levar a uma press\u00e3o sobre o mercado de trabalho. Hoje, a taxa mundial de desemprego \u00e9 de 6,0% e deve subir para 6,1% em 2013. Entre os jovens at\u00e9 24 anos, a taxa subir\u00e1 dos atuais 12,7% para 12,9% em 2017.<\/p>\n<p>No caso brasileiro, a OIT aponta para o risco de uma forte desacelera\u00e7\u00e3o na redu\u00e7\u00e3o do desemprego de jovens registrado nos \u00faltimos anos. Em 2009, 18,5% dos jovens estavam desempregados no Pa\u00eds. A taxa caiu para 16% em 2010, 14,5% em 2011 e, em maio de 2012, j\u00e1 estava em 14%.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Fran\u00e7a e It\u00e1lia apoiam &#8216;escudo antispread&#8217; do BCE<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Setores do governo da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ainda resistem, mas ontem o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, recebeu um suporte de peso em favor da interven\u00e7\u00e3o da autoridade monet\u00e1ria no mercado de d\u00edvidas soberanas na Europa. Reunidos em Roma, o presidente da Fran\u00e7a, Fran\u00e7ois Hollande, e o primeiro-ministro da It\u00e1lia, Mario Monti, anunciaram seu apoio formal ao que chamaram de &#8220;escudo antispread&#8221;, o programa de compra de d\u00edvidas que deve ser lan\u00e7ado amanh\u00e3, em Frankfurt.<\/p>\n<p>O encontro entre Hollande e Monti, o terceiro desde maio, quando o franc\u00eas tomou posse, selou o acordo entre os dois pa\u00edses em favor da ado\u00e7\u00e3o de medidas heterodoxas para enfrentar a crise da zona do euro. A dois dias da reuni\u00e3o do comit\u00ea de pol\u00edtica monet\u00e1ria do BCE, os dois l\u00edderes pol\u00edticos tornaram p\u00fablico o apoio \u00e0 iniciativa pregada por Mario Draghi. &#8220;H\u00e1 taxas de juros elevadas demais na Europa, em um momento em que os planos de redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida foram implantados em certos pa\u00edses&#8221;, afirmou Hollande. &#8220;Baixar os juros \u00e9 o papel de todos os que t\u00eam voca\u00e7\u00e3o a intervir na zona euro, e em especial do BCE.&#8221; Para Hollande, a diferen\u00e7a de taxas de juros &#8211; os spreads &#8211; entre pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia &#8220;s\u00e3o graves entraves sem nenhum fundamento&#8221;, argumentou.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 12 meses, o spread entre juros cobrados por t\u00edtulos da d\u00edvida da Alemanha e da Fran\u00e7a chegam a ser negativos, enquanto os governos da Espanha e da It\u00e1lia enfrentam taxas de refinanciamento cada vez maiores.<\/p>\n<p>Enquanto a Alemanha refinancia seus t\u00edtulos com validade de 10 anos a taxas de 1,3%, a Fran\u00e7a paga 2,2% de juros. J\u00e1 a It\u00e1lia vem arcando com 6,5%, enquanto os yields (retornos) cobrados da Espanha j\u00e1 superam os 7% &#8211; um n\u00edvel considerado insustent\u00e1vel por multiplicar a d\u00edvida.<\/p>\n<p>Condi\u00e7\u00f5es. O princ\u00edpio do &#8220;escudo antispread&#8221; foi aprovado pelos chefes de Estado e de governo da Uni\u00e3o Europeia na reuni\u00e3o de c\u00fapula de 28 e 29 de junho. Pela decis\u00e3o, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) foi autorizado a adquirir t\u00edtulos de d\u00edvidas soberanas de pa\u00edses em dificuldade. As condi\u00e7\u00f5es dessa interven\u00e7\u00e3o, entretanto, ainda n\u00e3o foram definidas. Com a prov\u00e1vel decis\u00e3o do BCE de quinta-feira, a autoridade monet\u00e1ria da zona do euro tamb\u00e9m passar\u00e1 a intervir.<\/p>\n<p>Segundo Mario Monti, a It\u00e1lia n\u00e3o necessariamente usar\u00e1 o &#8220;escudo&#8221; para reduzir a press\u00e3o sobre sua d\u00edvida, mas a op\u00e7\u00e3o precisa estar dispon\u00edvel. &#8220;\u00c9 preciso que v\u00e1rios pa\u00edses fa\u00e7am pouco a pouco progressos de pol\u00edtica econ\u00f4mica&#8221;, disse o premi\u00ea, ponderando: &#8220;Mas tamb\u00e9m \u00e9 preciso que a Uni\u00e3o Europeia reconhe\u00e7a o esfor\u00e7o, para que os spreads que n\u00e3o t\u00eam nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade econ\u00f4mica parem de aumentar&#8221;.<\/p>\n<p>Usando uma express\u00e3o muito empregada por Merkel, Monti afirmou que os pa\u00edses da zona do euro devem &#8220;fazer o dever de casa&#8221;. &#8220;Mas isso n\u00e3o \u00e9 suficiente&#8221;, ressaltou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de apoiar a eventual decis\u00e3o do BCE de intervir, Fran\u00e7a e It\u00e1lia j\u00e1 come\u00e7aram a press\u00e3o pol\u00edtica para que a pr\u00f3xima c\u00fapula da Uni\u00e3o Europeia, em 18 e 19 de outubro, resulte em novas medidas para aumentar a uni\u00e3o banc\u00e1ria e a integra\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas econ\u00f4micas e monet\u00e1rias.<\/p>\n<p>Na c\u00fapula anterior, realizada em junho, Merkel foi considerada a grande derrotada do encontro, quando Hollande, Monti e o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, isolaram a chanceler alem\u00e3 e impuseram as condi\u00e7\u00f5es para o acordo multilateral.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Governo prepara medidas para reduzir spread<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Com o fim do ciclo de cortes da taxa Selic, as aten\u00e7\u00f5es dos t\u00e9cnicos oficiais se voltam para o embate do &#8220;spread&#8221; banc\u00e1rio &#8211; a diferen\u00e7a entre as taxas de capta\u00e7\u00e3o e de aplica\u00e7\u00e3o cobradas pelos bancos do tomador final de cr\u00e9dito. Desde a ofensiva da presidente Dilma Rousseff sobre os bancos, no primeiro trimestre do ano, para que reduzissem essa margem na medida que a Selic fosse caindo, os spreads tiveram sens\u00edvel diminui\u00e7\u00e3o. A taxa m\u00e9dia cobrada das pessoas f\u00edsicas no segmento de cr\u00e9dito livre, que era de 35,8% ao ano em fevereiro, caiu para 28,4% ao ano at\u00e9 agosto. No cr\u00e9dito para as empresas, a redu\u00e7\u00e3o no per\u00edodo foi de 18,8% para 16%.<\/p>\n<p>Abstraindo o tema de uma vis\u00e3o pol\u00edtica, o que se nota nas discuss\u00f5es \u00e9 que n\u00e3o ser\u00e1 trivial cortar mais as margens dos bancos. O spread no pa\u00eds carrega os \u00f4nus da tributa\u00e7\u00e3o direta e indireta, da inadimpl\u00eancia, dos custos administrativos e de uma legisla\u00e7\u00e3o que ainda tem muito a melhorar.<\/p>\n<p>Uma proposta dos bancos que os t\u00e9cnicos do governo acham que deve ser objeto de lei refere-se ao chamado valor incontroverso. H\u00e1 ju\u00edzes que suspendem o pagamento tanto do principal quanto dos encargos de uma d\u00edvida, quando ela est\u00e1 sob disputa judicial. Ter uma legisla\u00e7\u00e3o que deixe claro que o principal n\u00e3o est\u00e1 sob controv\u00e9rsia ajudaria bastante, avaliam.<\/p>\n<p>Outra mudan\u00e7a dever\u00e1 ser sobre o tratamento cont\u00e1bil do cr\u00e9dito tribut\u00e1rio. Para o Banco Central, um cr\u00e9dito com 90 dias de atraso gera provis\u00e3o. A Receita Federal entende que, para a inadimpl\u00eancia se traduzir em cr\u00e9dito tribut\u00e1rio, \u00e9 preciso mais e inclusive que ele esteja em processo na justi\u00e7a. Os cr\u00e9ditos tribut\u00e1rios originados pela inadimpl\u00eancia ter\u00e3o que ser deduzidos do capital quando da implementa\u00e7\u00e3o das regras de Basileia 3. Receita e BC ter\u00e3o que se entender sobre esses conceitos para alinhar a legisla\u00e7\u00e3o financeira e tribut\u00e1ria, informou o secret\u00e1rio executivo do Minist\u00e9rio da Fazenda, Nelson Barbosa.<\/p>\n<p>De abril para c\u00e1 os bancos p\u00fablicos tomaram a dianteira na concess\u00e3o de cr\u00e9dito com spreads mais modestos e, mais recentemente, a Caixa acelerou esse processo. As primeiras conclus\u00f5es da \u00e1rea econ\u00f4mica do governo \u00e9 de que a iniciativa foi ben\u00e9fica para a redu\u00e7\u00e3o da inadimpl\u00eancia. Esse modelo, acreditam, deveria ser reproduzido pelos bancos privados.<\/p>\n<p>A regulamenta\u00e7\u00e3o do cadastro positivo &#8211; outra medida sempre citada quando se trata de debater o custo do dinheiro no pa\u00eds &#8211; deve sair nos pr\u00f3ximos dias. A lei deixou todos os envolvidos no processo respons\u00e1veis pelas informa\u00e7\u00f5es do cadastro. Isso impediu que seu uso fosse implementado como instrumento para reduzir os juros para os bons pagadores de d\u00edvidas.<\/p>\n<p>A medida provis\u00f3ria 563 traz um artigo atribuindo a responsabilidade por eventuais erros de informa\u00e7\u00f5es a quem coleta e organiza o banco de dados e n\u00e3o a quem o utiliza. Um decreto vai normatizar essa responsabilidade.<\/p>\n<p>V\u00e1rias sugest\u00f5es feitas pela Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos, em abril, est\u00e3o sendo avaliadas. Algumas j\u00e1 foram descartadas, como redu\u00e7\u00e3o do PIS\/Cofins e do Imposto de Renda incidentes sobre as institui\u00e7\u00f5es financeiras. Outras n\u00e3o entraram na agenda, mas seriam oportunas. Exemplo: a exig\u00eancia da Receita de que os bancos calculem e enviem os dados sobre a movimenta\u00e7\u00e3o financeira de cada um e sobre qual teria sido o recolhimento da CPMF, o imposto do cheque, se ainda existisse.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Bol\u00edvia pressiona mineradoras e pode perder investimentos<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>No vilarejo minerador de Colquiri, a impress\u00e3o \u00e9 que o mundo globalizado ainda n\u00e3o chegou a esse local de ar rarefeito do plat\u00f4 andino na Bol\u00edvia. Essas terras \u00e1ridas e ricas em estanho, zinco e prata financiaram o imp\u00e9rio da Espanha e depois alimentaram o nascimento da rep\u00fablica boliviana.<\/p>\n<p>Os mineradores nativos, o grupo mais pobre de um dos pa\u00edses mais pobres da Am\u00e9rica do Sul, est\u00e3o agora convencidos que \u00e9 sua vez de dar o troco. &#8220;Estamos recuperando o que \u00e9 nosso, o que sempre deveria ter sido nosso&#8221;, diz Severino Estakani, limpando o suor que corre por baixo do capacete.<\/p>\n<p>No fim de junho, o governo revogou a licen\u00e7a de minera\u00e7\u00e3o de estanho e zinco da Sinchi Wayra, em Colquiri, depois que cooperativas de mineiros e grupos ind\u00edgenas brigaram para tomar o controle da mina \u00e0 for\u00e7a. A Sinchi Wayra \u00e9 uma subsidi\u00e1ria da Glencore, negociadora de commodities listada na Bolsa de Valores de Londres.<\/p>\n<p>Hoje, soldados do Ex\u00e9rcito boliviano guardam a entrada do vale em forma de &#8220;V&#8221; que abriga os casebres de tijolo cru que abastecem a mina. Numa placa rec\u00e9m-pintada est\u00e1 escrito: &#8220;Colquiri Mining Company&#8221;, com a logomarca da Comibol, o grupo minerador estatal boliviano.<\/p>\n<p>A estatiza\u00e7\u00e3o foi o primeiro de uma s\u00e9rie de revezes para mineradores estrangeiras que operam no pa\u00eds andino sem acesso ao mar.<\/p>\n<p>Evo Morales, o primeiro presidente ind\u00edgena do pa\u00eds, assumiu h\u00e1 seis anos prometendo dar poder \u00e0 maioria ind\u00edgena h\u00e1 muito marginalizada, que vem pressionando cada vez mais o governo a assumir um papel maior na administra\u00e7\u00e3o dos recursos naturais.<\/p>\n<p>Morales dever\u00e1 ficar sob mais press\u00e3o, j\u00e1 que enfrentar\u00e1 elei\u00e7\u00f5es em 2014. &#8220;Temos a autoriza\u00e7\u00e3o, como governo, para recuperar tudo que j\u00e1 foi nosso e depois privatizado durante o modelo neoliberal do fim dos anos 90&#8221;, disse ao &#8220;Financial Times&#8221; Luiz Arce, ministro das Finan\u00e7as da Bol\u00edvia. &#8220;A Glencore sabia o que estava por vir.&#8221;<\/p>\n<p>Mas pessoas familiarizadas com as opera\u00e7\u00f5es bolivianas da empresa afirmam que a ideia de que a Glencore foi alertada antecipadamente que a mar\u00e9 pol\u00edtica havia se voltado contra ela \u00e9 &#8220;rid\u00edcula&#8221;.<\/p>\n<p>A Glencore, que comprou a Sinchi Wayra em 2004, de uma empresa controlada pelo ex-presidente Gonzalo S\u00e1nchez de Lozada, op\u00f5e-se \u00e0 estatiza\u00e7\u00e3o da Colquiri, chamando a aten\u00e7\u00e3o para seu investimento de US$ 80 milh\u00f5es nas opera\u00e7\u00f5es bolivianas e ao pagamentos de mais de US$ 300 milh\u00f5es ao governo e \u00e0 Comibol.<\/p>\n<p>Na Bol\u00edvia, por\u00e9m, a percep\u00e7\u00e3o clara \u00e9 que as privatiza\u00e7\u00f5es feitas na d\u00e9cada de 1990 e in\u00edcio dos anos 2000 foram ruins para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, o governo tamb\u00e9m retirou a licen\u00e7a de Malku Khota, projeto de explora\u00e7\u00e3o de prata concedido em 2007 para o grupo canadense South American Silver. &#8220;Nos \u00faltimos meses, as autoridades bolivianas v\u00eam enfatizando que as estatiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o relacionadas a ativos que j\u00e1 foram estatais e que os investimentos privados est\u00e3o protegidos&#8221;, disse Greg Johnson, presidente-executivo da empresa, ao &#8220;Financial Times&#8221;.<\/p>\n<p>Em julho, a indiana Jindal Steel Power saiu da Bol\u00edvia ap\u00f3s cancelar um contrato de explora\u00e7\u00e3o de ferro de US$ 2,1 bilh\u00f5es, depois de longa batalha com o governo.<\/p>\n<p>Executivos do setor dizem que o governo boliviano est\u00e1 pondo em risco os investimentos no setor e pode perder esses investimentos para pa\u00edses vizinhos, como Chile e Peru, onde o ambiente regulador est\u00e1 melhor estabelecido.<\/p>\n<p>&#8220;A Jindal n\u00e3o foi estatizada, como a Sinchi Wayra e a Malku Khota, que enfrentavam explos\u00f5es de viol\u00eancia de grupos ind\u00edgenas que queriam que o Estado fizesse parte delas&#8221;, diz Bernardo Prado, consultor de minera\u00e7\u00e3o de La Paz. &#8220;Mas, nos tr\u00eas casos, a posi\u00e7\u00e3o irredut\u00edvel do governo n\u00e3o ajudou e agora todas est\u00e3o nas m\u00e3os da Comibol.&#8221;<\/p>\n<p>A South American Silver avalia acelerar os seus projetos de minera\u00e7\u00e3o de cobre e ouro no Chile. &#8220;H\u00e1 um mundo enorme por a\u00ed onde investir&#8221;, diz Johnson. &#8220;Quando os governos interferem, isso pode ter um efeito duradouro sobre os investimentos em explora\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>A Bol\u00edvia n\u00e3o dever\u00e1 sentir um impacto imediato da queda dos investimentos estrangeiros, uma vez que os pre\u00e7os em alta v\u00eam garantindo um fluxo de receita forte para o governo nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>A receita de exporta\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios cresceu 50% no ano passado, para US$ 3,7 bilh\u00f5es, e j\u00e1 subiu quase cinco vezes desde que Morales assumiu a Presid\u00eancia em 2006. Hoje, ela representa cerca de 40% das exporta\u00e7\u00f5es totais da Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m est\u00e1 fazendo uma grande revis\u00e3o do c\u00f3digo minerador, buscando elevar suas receitas. Hoje, as mineradoras na Bol\u00edvia pagam royalties de 5% a 7%, um imposto sobre valor bruto de 13% e de at\u00e9 37% sobre os lucros.<\/p>\n<p>Sob o novo c\u00f3digo, as empresas dever\u00e3o fazer sociedade com a Comibol, que ficar\u00e1 com as participa\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria e 55% dos lucros. Recentemente, a Glencore firmou uma joint venture para a explora\u00e7\u00e3o de duas minas de chumbo, zinco e prata, transferindo a participa\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria para a Comibol e se comprometendo em investir US$ 105 milh\u00f5es em cinco anos.<\/p>\n<p>Apesar de toda a ret\u00f3rica do governo, as mineradoras bolivianas concordam com a necessidade de investidores estrangeiros. &#8220;No momento estamos revendo contratos, para torn\u00e1-los ben\u00e9ficos para o Estado boliviano, mas podem ficar sossegados que a minera\u00e7\u00e3o privada continuar\u00e1 existindo, sem o envolvimento do Estado&#8221;, disse H\u00e9ctor C\u00f3rdova, presidente da Comibol, referindo-se \u00e0 maior opera\u00e7\u00e3o mineradora do pa\u00eds, San Crist\u00f3bal.<\/p>\n<p>Esta mina, controlada pela Sumitomo do Jap\u00e3o, produziu mais da metade dos minerais exportados pela Bol\u00edvia em 2011, desembolsando cerca de US$ 150 milh\u00f5es entre impostos e royalties.<\/p>\n<p>De volta ao vilarejo minerador de Colquiri, Estakani, um ex-funcion\u00e1rio da Glencore, diz: &#8220;Queremos que os investidores nos ajudem a extrair nossos minerais. Mas apenas se eles nos respeitarem, se eles respeitarem nossas regras e se n\u00e3o levarem todos os lucros com eles&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Setor privado ser\u00e1 consultado sobre acordos com Uni\u00e3o Europeia e Canad\u00e1<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O governo iniciar\u00e1, nos pr\u00f3ximos dias, consulta ao setor privado sobre o interesse e preocupa\u00e7\u00f5es das empresas brasileiras em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o de um acordo de livre com\u00e9rcio com a Uni\u00e3o Europeia e a abertura de discuss\u00f5es para um acordo comercial com o Canad\u00e1. Tamb\u00e9m encaminhar\u00e1 ao Congresso um projeto de lei para abrir unilateralmente o mercado brasileiro aos 49 pa\u00edses mais pobres do mundo &#8211; uma promessa apresentada pelo Brasil na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) em 2006.<\/p>\n<p>A retomada de iniciativas no campo das negocia\u00e7\u00f5es comerciais foi decidida ontem pelos ministros da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Exterior (Camex), por sugest\u00e3o do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores.<\/p>\n<p>O Itamaraty prop\u00f4s iniciar a elabora\u00e7\u00e3o das chamadas &#8220;listas de ofertas&#8221;, com os cronogramas de redu\u00e7\u00e3o de tarifas de importa\u00e7\u00e3o a serem discutidos com os parceiros do Mercosul para apresenta\u00e7\u00e3o \u00e0 Uni\u00e3o Europeia, no quarto trimestre. Mas os ministros preferiram fazer, antes, uma rodada de conversas com os empres\u00e1rios, para atualizar as propostas e avaliar o interesse na abertura de com\u00e9rcio com os europeus.<\/p>\n<p>Consultas feitas pelo ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Ant\u00f4nio Patriota, a governos europeus, indicaram interesse na retomada das negocia\u00e7\u00f5es, que desde 2004 est\u00e3o restritas a aspectos t\u00e9cnicos. A Argentina, em 2010, anunciou, com a Espanha, o interesse em retomar a discuss\u00e3o, mas, desde ent\u00e3o, as dificuldades em seu balan\u00e7o de pagamentos levaram o pa\u00eds a criar restri\u00e7\u00f5es a importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ontem, o presidente da Uni\u00e3o Europeia, Jos\u00e9 Manuel Dur\u00e3o Barroso, acusou o &#8220;protecionismo&#8221; de alguns pa\u00edses do Mercosul de impedir o avan\u00e7o das negocia\u00e7\u00f5es de livre com\u00e9rcio, que, segundo afirmou, s\u00e3o do interesse dos 27 pa\u00edses do bloco europeu.<\/p>\n<p>Os canadenses, segundo apurou o Valor, ficaram decepcionados com a decis\u00e3o de consulta pr\u00e9via ao setor privado. Havia a expectativa do an\u00fancio de uma decis\u00e3o brasileira pela abertura das negocia\u00e7\u00f5es ainda neste ano.<\/p>\n<p>Ontem, a not\u00edcia do Valor sobre a abertura de mercado aos pa\u00edses mais pobres levou associa\u00e7\u00f5es do setor t\u00eaxtil a contatar o governo para se opor \u00e0 medida. Patriota disse que o projeto veta produtos em que os pa\u00edses beneficiados detiverem mais de 1% do mercado, como Bangladesh com os t\u00eaxteis.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Governo tenta votar C\u00f3digo, mas h\u00e1 impasse<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Em meio a um impasse entre setores aliados e de oposi\u00e7\u00e3o, o governo tenta votar hoje no plen\u00e1rio da C\u00e2mara a medida provis\u00f3ria do C\u00f3digo Florestal. A vota\u00e7\u00e3o emperra na estrat\u00e9gia governista, discutida ontem, de votar o texto do projeto como passou na comiss\u00e3o mista, para evitar que a MP perca a validade em 8 de outubro e deixar para a presidente Dilma Rousseff vetar os pontos em que n\u00e3o concorda.<\/p>\n<p>Parte da base e a oposi\u00e7\u00e3o condicionaram a vota\u00e7\u00e3o ao compromisso da presidente em n\u00e3o vetar o projeto. &#8220;Estamos na situa\u00e7\u00e3o em que o governo quer votar e insiste em votar. Se tiver maioria, vai tentar amanh\u00e3 (hoje). Esse \u00e9 o problema, ele n\u00e3o tem maioria&#8221;, constatou o presidente da C\u00e2mara, Marco Maia (PT-RS), ap\u00f3s reunir os l\u00edderes. Ele tenta um acordo com o governo para viabilizar a vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dilma, na semana passada, em bilhete encaminhado \u00e0s ministras Ideli Salvatti (Rela\u00e7\u00f5es Institucionais) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente), desautorizou o acordo que permitiu a aprova\u00e7\u00e3o do texto na comiss\u00e3o especial e beneficiou m\u00e9dios e grandes im\u00f3veis rurais na exig\u00eancia de recomposi\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o desmatada ilegalmente \u00e0s margens dos rios.<\/p>\n<p>Em reuni\u00e3o entre l\u00edderes da base e Ideli Salvatti, pela manh\u00e3, os governistas admitiram a dificuldade em aprovar o texto original e conclu\u00edram que o melhor seria votar a proposta da comiss\u00e3o e seguir com as negocia\u00e7\u00f5es no Senado. Depois de todas as etapas, a presidente vetaria alguns pontos e editaria nova MP. Como a legisla\u00e7\u00e3o pro\u00edbe a reedi\u00e7\u00e3o no mesmo ano de medida semelhante \u00e0 rejeitada, a MP poderia ser editada em janeiro.<\/p>\n<p>Ideli e o l\u00edder do governo na C\u00e2mara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), reafirmaram que a posi\u00e7\u00e3o de Dilma foi manifestada ao sancionar parte do projeto aprovado anteriormente pelo Congresso e editar uma MP para sanear os pontos vetados. &#8220;N\u00e3o podemos deixar de votar. Vai haver tens\u00e3o (no plen\u00e1rio) e deixaremos claro o que o governo n\u00e3o concorda com esse texto da comiss\u00e3o mista&#8221;, disse Chinaglia. &#8220;Vamos votar o texto da comiss\u00e3o e, depois, a presidente veta parte dele&#8221;, afirmou o l\u00edder do PMDB, Henrique Alves (RN).<\/p>\n<p>Na reuni\u00e3o com Maia, a proposta n\u00e3o foi aceita. &#8220;O PSD s\u00f3 vota se houver o compromisso de n\u00e3o vetar&#8221;, disse o l\u00edder do partido, Guilherme Campos (SP). \/ COLABOROU EDUARDO BRESCIANI<\/p>\n<p>Tentativa de acordo. Comiss\u00e3o mista aprovou na semana passada vers\u00e3o da MP que desagradou \u00e0 presidente Dilma<\/p>\n<p>Surya Bara, uma f\u00eamea de tigre-de-bengala com uma rara muta\u00e7\u00e3o que deixa a esp\u00e9cie branca, passeia com um dos trig\u00eameos que teve em julho, no zoo de Liberec, na Rep\u00fablica Checa.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Demanda fraca reduz \u00edndice de confian\u00e7a dos empres\u00e1rios do varejo<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>As sucessivas quedas no patamar de confian\u00e7a dos empres\u00e1rios do com\u00e9rcio este ano refletem a percep\u00e7\u00e3o de um ritmo menor na demanda em 2012 em compara\u00e7\u00e3o com anos anteriores. At\u00e9 o momento, as medidas do governo para estimular o consumo beneficiaram mais as empresas de varejo atingidas diretamente pelas isen\u00e7\u00f5es fiscais, e n\u00e3o o com\u00e9rcio como um todo, avalia Silvio Sales, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV).<\/p>\n<p>O \u00edndice de Confian\u00e7a do Com\u00e9rcio (Icom), divulgado pela FGV, registrou queda de 4% no trimestre encerrado em agosto, recuo mais forte do que o apurado no trimestre finalizado em julho (-3,4%). Esse desempenho foi influenciado, segundo Sales, pelo fortalecimento da queda do \u00edndice de Situa\u00e7\u00e3o Atual (ISA), um dos componentes do Icom, que saiu de -2,3% para -4,1% entre o trimestre finalizado em julho e o trimestre encerrado em agosto. &#8220;Houve uma piora na percep\u00e7\u00e3o do momento atual, entre os empres\u00e1rios&#8221;, explica o analista.<\/p>\n<p>Contribu\u00edram para os saldos negativos no Icom e no ISA quedas mais intensas nos \u00cdndices de confian\u00e7a de setores n\u00e3o contemplados diretamente com benef\u00edcios fiscais, como em hiper e supermercados (de -1,4% para &#8211; 4,4%) e de tecidos e de vestu\u00e1rio (de -1,8% para -4,6%), entre o trimestre finalizado em julho e o trimestre at\u00e9 agosto.<\/p>\n<p>No entanto, no segmento de ve\u00edculos, que teve isen\u00e7\u00e3o de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o indicador de confian\u00e7a saiu de uma queda de 6,4% para um avan\u00e7o de 7,1%, no mesmo per\u00edodo. &#8220;Podemos ver claramente aqui o efeito das medidas do governo&#8221;, avalia Sales.<\/p>\n<p>O desempenho do Icom de agosto antecipa o que deve ser apurado na Pesquisa Mensal de Com\u00e9rcio (PMC) de julho, a ser divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) na semana que vem. O varejo ampliado, que engloba ve\u00edculos, deve mostrar desempenho muito melhor do que o observado no varejo restrito, que n\u00e3o o inclui setor automotivo.<\/p>\n<p>A expectativa dos comerciantes em rela\u00e7\u00e3o a uma melhora mais robusta na demanda, que seria provocada pelas medidas de est\u00edmulo do governo e pela trajet\u00f3ria de redu\u00e7\u00e3o de juros b\u00e1sicos, acabou sendo frustrada. Para Sales, isso ocorreu porque as fam\u00edlias j\u00e1 estavam com patamar de endividamento elevado. Al\u00e9m disso, a instabilidade no cen\u00e1rio internacional tamb\u00e9m n\u00e3o ajudou.<\/p>\n<p>Embora admita uma tend\u00eancia de desacelera\u00e7\u00e3o na demanda do com\u00e9rcio, que opera a ritmo muito mais fraco do que verificado em anos anteriores, o especialista ressaltou que isso n\u00e3o sinaliza trajet\u00f3ria de recuo no consumo, para os pr\u00f3ximos meses. O mercado de trabalho continua operando em patamar elevado, o que sustenta o poder aquisitivo do consumidor, via renda do trabalho. Al\u00e9m disso, explica Sales, o consumo das fam\u00edlias , em anos anteriores, estava em n\u00edvel muito elevado e insustent\u00e1vel no longo prazo.<\/p>\n<p>&#8220;Ao longo deste ano, a confian\u00e7a dos empres\u00e1rios do com\u00e9rcio tem sido menor do que h\u00e1 um ano. Isso \u00e9 alinhado ao ritmo da economia, que continua a crescer, mas em ritmo menor do que no ano passado&#8221;, diz o analista do Ibre.<\/p>\n<p>Ele lembrou que, no fim de 2011 e no in\u00edcio de 2012, as proje\u00e7\u00f5es para a varia\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano oscilavam entre 3,5% a 4%. Atualmente, as estimativas de mercado apostam em alta em tomo de 1,6% para o PIB em 2012.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Alta na ind\u00fastria \u00e9 concentrada em setores beneficiados<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A esperada retomada da ind\u00fastria neste segundo semestre come\u00e7ou em ritmo lento e concentrada no setor automobil\u00edstico. A produ\u00e7\u00e3o industrial avan\u00e7ou 0,3% em julho, na compara\u00e7\u00e3o com junho, feitos os ajustes sazonais, segundo a Pesquisa Industrial Mensal &#8211; Produ\u00e7\u00e3o F\u00edsica (PIM-PF). De acordo com c\u00e1lculos realizados a pedido do Valor, o resultado de julho seria uma queda se fossem exclu\u00eddos os setores mais beneficiados pelo governo.<\/p>\n<p>O setor de ve\u00edculos automotores cresceu 4,9% em rela\u00e7\u00e3o a junho, feito o ajuste sazonal. Nas contas da MCM Consultores, com esse desempenho, o segmento contribuiu com um aumento de 0,6 ponto percentual do avan\u00e7o de 0,3% da produ\u00e7\u00e3o industrial no m\u00eas, informa o economista Leandro Padulla. A LCA Consultores estima que sem os resultados de autom\u00f3veis e linha branca a produ\u00e7\u00e3o teria ca\u00eddo 0,5% na mesma compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse quadro mostra que a maior parte dos demais setores puxou a produ\u00e7\u00e3o industrial para baixo. Apesar disso, o \u00edndice de difus\u00e3o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) foi o maior desde agosto de 2011. Na passagem de junho para julho, a produ\u00e7\u00e3o aumentou em 44,5% dos produtos pesquisados, e em 12 dos 27 ramos pesquisados. Os n\u00fameros do IBGE ainda mostram que a produ\u00e7\u00e3o caiu mais em setores intensivos em exporta\u00e7\u00e3o, prejudicados pela redu\u00e7\u00e3o das vendas externas.<\/p>\n<p>O resultado positivo de julho \u00e9 o segundo consecutivo para a produ\u00e7\u00e3o industrial. Em junho, o avan\u00e7o dessazonalizado ante maio foi de 0,2%. Na compara\u00e7\u00e3o com julho de 2011, a produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira caiu 2,9% e, no acumulado do ano, a queda \u00e9 de 3,7%.<\/p>\n<p>&#8220;Os autom\u00f3veis v\u00eam puxando a recupera\u00e7\u00e3o. As principais medidas de incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o foram aplicadas a esse setor&#8221;, diz Padulla. Ele acredita que o bom desempenho deve, a partir do pr\u00f3ximo m\u00eas, ser refletido mais claramente em outros setores, trazendo n\u00fameros mais positivos para a ind\u00fastria. Em julho, houve pequeno crescimento no setor qu\u00edmico e de borracha, e queda na metalurgia.<\/p>\n<p>Flavio Combat, economista-chefe da corretora Conc\u00f3rdia, questiona a for\u00e7a do impulso dado pelo IPI. &#8220;Quando o IPI reduzido para autom\u00f3veis for retirado, haver\u00e1 uma revers\u00e3o da tend\u00eancia de expans\u00e3o de vendas. Isso porque a produ\u00e7\u00e3o e o consumo de bens dur\u00e1veis v\u00eam roubando uma fatia que cabia aos bens semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis.&#8221; A compara\u00e7\u00e3o dessazonalizada entre junho e julho mostrou um aumento de 0,8% na produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo dur\u00e1veis e uma queda de 0,6% na produ\u00e7\u00e3o de semi e n\u00e3o dur\u00e1veis. A produ\u00e7\u00e3o de bens intermedi\u00e1rios cresceu 0,5% e a de bens de capital, 1%, na mesma compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Padulla destaca que o resultado de bens de capital indica uma retomada dos investimentos. &#8220;Essa \u00e9 a melhor not\u00edcia da pesquisa. O crescimento da produ\u00e7\u00e3o de bens de capital ajuda a forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo, que veio fraca no PIB do segundo trimestre [queda de 0,7% na compara\u00e7\u00e3o dessazonalizada com o primeiro trimestre].&#8221;<\/p>\n<p>Segundo c\u00e1lculos de Padulla, o setor de linha branca, que tamb\u00e9m conta com a redu\u00e7\u00e3o do IPI, contribuiu com uma queda de 0,06 ponto na produ\u00e7\u00e3o industrial de julho ante junho, feitos os ajustes sazonais. No IBGE, que n\u00e3o faz ajuste sazonal para esse segmento, a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente. O setor ajudou a segurar o fraco crescimento da produ\u00e7\u00e3o industrial em julho, diz Andr\u00e9 Luiz Macedo, gerente da coordena\u00e7\u00e3o de ind\u00fastria do IBGE.<\/p>\n<p>A respeito do setor mobili\u00e1rio, que caiu 3,1% entre junho e julho, na s\u00e9rie livre de influ\u00eancias sazonais, o especialista do IBGE destacou que o setor, que integra bens de capital e bens dur\u00e1veis, teve contribui\u00e7\u00f5es diferentes em cada categoria de uso. &#8220;O mobili\u00e1rio teve influ\u00eancia positiva para bens de capital, que s\u00e3o os m\u00f3veis para escrit\u00f3rio. J\u00e1 nos m\u00f3veis produzidos para o uso residencial o impacto foi negativo. O mobili\u00e1rio residencial entra em bens de consumo dur\u00e1veis e da\u00ed vem a queda do setor.&#8221;<\/p>\n<p>A queda da produ\u00e7\u00e3o de alguns setores da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o verificada na compara\u00e7\u00e3o com julho do ano passado j\u00e1 \u00e9 reflexo da redu\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es. Em agosto, houve recuo de 14,4% nos embarques brasileiros em rela\u00e7\u00e3o a agosto de 2011. A queda do fluxo comercial com a Argentina, devido \u00e0s pol\u00edticas protecionistas do governo de Cristina Kirchner, tem pesado nesse resultado, que influencia diretamente as encomendas \u00e0 ind\u00fastria brasileira.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, a produ\u00e7\u00e3o industrial dos setores de alta intensidade exportadora &#8211; cujo coeficiente de exporta\u00e7\u00e3o est\u00e1 acima da m\u00e9dia nacional &#8211; foi 6,2% menor de janeiro a julho, na compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo de 2011. A retra\u00e7\u00e3o \u00e9 menos intensa entre os setores de baixa intensidade exportadora, nos quais se verifica um recuo de 1,7% da produ\u00e7\u00e3o nessa mesma compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es de produtos metal\u00fargicos recuaram 26,9% entre os meses de agosto deste ano e de 2011. J\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o do setor de metalurgia b\u00e1sica em julho, na compara\u00e7\u00e3o com julho de 2011, recuou 4,9%. Outro setor inserido nesse cen\u00e1rio \u00e9 o de el\u00e9tricos e eletr\u00f4nicos, cuja m\u00e9dia di\u00e1ria de exporta\u00e7\u00f5es caiu 4,5% entre agosto de 2012 e igual m\u00eas de 2011. A produ\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas, aparelhos e materiais el\u00e9tricos caiu 6,2% na compara\u00e7\u00e3o entre os meses de julho de 2012 e de 2011, e a produ\u00e7\u00e3o de material eletr\u00f4nico, 20% na mesma compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A Argentina \u00e9 um parceiro importante, mas o fluxo comercial com o pa\u00eds caiu 10,7% entre agosto deste ano e agosto de 2011. A produ\u00e7\u00e3o brasileira do setor de autom\u00f3veis chegou a sentir essa freada nas exporta\u00e7\u00f5es e acumulou estoques, mas os incentivos fiscais do governo ajudaram as vendas &#8211; e a produ\u00e7\u00e3o vem retomando. Por\u00e9m, o recuo no com\u00e9rcio com a Argentina continua impactando negativamente a produ\u00e7\u00e3o de outros setores&#8221;, avalia Mariana Hauer, economista do banco ABC Brasil.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Gale\u00e3o poder\u00e1 ser concedido<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>O governo tende a recuar da ideia de adotar um modelo alternativo de parceria com o setor privado nos aeroportos do Gale\u00e3o, no Rio, e de Confins, em Belo Horizonte, pelo qual a Infraero permaneceria como controladora do neg\u00f3cio. Segundo interlocutores, a presidente Dilma Rousseff est\u00e1 sendo convencida por assessores a adotar o modelo tradicional de concess\u00e3o, diante da constata\u00e7\u00e3o de que, dificilmente, haver\u00e1 interessados dispostos a investir nos dois aeroportos tendo a Infraero como s\u00f3cia majorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8211; H\u00e1 muitos interessados no setor aeroportu\u00e1rio brasileiro, que cresce e oferece espa\u00e7o para ser explorado, mas ningu\u00e9m quer carregar a Infraero &#8211; disse uma fonte.<\/p>\n<p>O resultado pouco promissor da miss\u00e3o brasileira ao exterior para sondar interessados na proposta da parceria com a Infraero refor\u00e7ou a posi\u00e7\u00e3o do grupo que defende a ado\u00e7\u00e3o do modelo tradicional de concess\u00e3o, adotado em Guarulhos (S\u00e3o Paulo), Viracopos (Campinas) e Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Segundo uma fonte com acesso aos bastidores dessa discuss\u00e3o, a presidente Dilma ficou frustrada com o resultado do leil\u00e3o desses aeroportos &#8211; que ser\u00e3o administrados por empresas com pouca experi\u00eancia no setor &#8211; e quis buscar um modelo alternativo, que garantisse a entrega de Gale\u00e3o e Confins a grandes operadores aeroportu\u00e1rios. Assim, foi constru\u00edda a proposta de parceria entre a Infraero e um s\u00f3cio estrangeiro com experi\u00eancia na gest\u00e3o de mais de 30 milh\u00f5es de passageiros, mas mantendo a estatal com o controle acion\u00e1rio do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Ocorre que, at\u00e9 o momento, n\u00e3o apareceram interessados em levar adiante a parceira nesses termos, embora o governo n\u00e3o tenha admitido que a miss\u00e3o \u00e0 Europa para buscar parceiros, na semana passada, fracassou. Ontem, a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, chefe da miss\u00e3o, ao chegar \u00e0 reuni\u00e3o da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Exterior (Camex), disse que a viagem foi muito &#8220;boa e produtiva&#8221; e que h\u00e1 investidores interessados em investir no Brasil, mas n\u00e3o explicou em que condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; H\u00e1 muito interesse em investimento no Brasil &#8211; afirmou a ministra.<\/p>\n<p>OPERADORA DE Cingapura entra no radar<\/p>\n<p>As autoridades brasileiras conversaram com quatro empresas europeias: a Fraport, que administra Frankfurt; a A\u00e9roports de Paris (ADP, que opera o Aeroporto Charles de Gaulle); a Schipol (em Amsterd\u00e3); e a BAA (Aeroporto de Heathrow, em Londres).<\/p>\n<p>No fim do dia, a Secretaria de Avia\u00e7\u00e3o Civil (SAC) divulgou nota sobre a viagem \u00e0 Europa, mas tamb\u00e9m n\u00e3o indicou interesse de qualquer investidor no novo modelo de parceria. &#8220;Os encontros contribu\u00edram para troca de informa\u00e7\u00f5es, o que pode contribuir com a concep\u00e7\u00e3o de propostas para o setor aeroportu\u00e1rio no Brasil&#8221;, diz o texto da SAC. E acrescentou: &#8220;A Secretaria de Avia\u00e7\u00e3o Civil informa que n\u00e3o h\u00e1 decis\u00e3o sobre novas concess\u00f5es de aeroportos no Brasil.&#8221; A SAC informou ainda que outras operadoras ser\u00e3o sondadas, entre elas, a Changi, empresa que administra o aeroporto de Cingapura.<\/p>\n<p>Fontes envolvidas diretamente nas discuss\u00f5es destacam que a alternativa de parceria com a Infraero somente teria chance de vingar diante de uma demonstra\u00e7\u00e3o mais enf\u00e1tica dos operadores estrangeiros, o que n\u00e3o se confirmou at\u00e9 agora. Consultores do mercado que trabalharam no processo de forma\u00e7\u00e3o dos cons\u00f3rcios com empresas estrangeiras, na disputa dos tr\u00eas j\u00e1 leiloados, afirmam que n\u00e3o h\u00e1 disposi\u00e7\u00e3o do investidor em injetar capital privado e ficar sob as r\u00e9deas da Infraero.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Governo eleva imposto de importa\u00e7\u00e3o de 100 itens<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O governo anunciou ontem a eleva\u00e7\u00e3o do Imposto de Importa\u00e7\u00e3o para 100 tipos de produtos. Est\u00e3o inclu\u00eddos na lista mercadorias de setores como bens de capital, siderurgia, petroqu\u00edmica e medicamentos. As al\u00edquotas de importa\u00e7\u00e3o, que variavam entre 12% e 18%, passaram para 25%.<\/p>\n<p>Com a medida, o governo quer proteger a ind\u00fastria da concorr\u00eancia dos importados. A previs\u00e3o \u00e9 que as al\u00edquotas entrem em vigor em 26 de setembro.<\/p>\n<p>A alta foi acertada com os s\u00f3cios do Mercosul e valer\u00e1 para as compras brasileiras de fora do bloco econ\u00f4mico. At\u00e9 outubro, a lista dever\u00e1 ser ampliada para 200 produtos.<\/p>\n<p>O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisou que o governo vai monitorar o mercado para evitar que as empresas reajustem os pre\u00e7os para aproveitar a alta da tarifa.<\/p>\n<p>Para muitos economistas, por\u00e9m, a medida pode levar a um aumento de pre\u00e7os e n\u00e3o deve resolver o problema da ind\u00fastria. &#8220;Medidas de eleva\u00e7\u00e3o de tarifa correspondem, no com\u00e9rcio exterior, ao que s\u00e3o esses paliativos de redu\u00e7\u00e3o do IPI internamente. N\u00e3o v\u00e3o ao fundo do problema&#8221;, disse Rubens Ricupero, ex-secret\u00e1rio geral da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Com\u00e9rcio e Desenvolvimento (Unctad) e ex-ministro da Fazenda.<\/p>\n<p>Paulo Rabello de Castro, s\u00f3cio da RC Consultores, avalia que a medida &#8220;\u00e9 um tiro no p\u00e9&#8221;. Segundo ele, \u00e9 cedo para avaliar, mas em alguns setores, com poucos competidores, a demanda tende a aumentar e o reajuste pode ser inevit\u00e1vel. &#8220;Quem amplia al\u00edquota de prote\u00e7\u00e3o o faz por uma raz\u00e3o externa, portanto a medida deveria valer independentemente do comportamento dos pre\u00e7os.&#8221;<\/p>\n<p>Para o economista-chefe da MCM Consultores Associados, Cl\u00e1udio Adilson, a medida \u00e9 &#8220;casu\u00edstica, protecionista e retr\u00f3grada&#8221;. Ele v\u00ea na iniciativa mais um elemento de incerteza para investimentos do setor produtivo. &#8220;O governo deu um passo atr\u00e1s em termos de qualidade de pol\u00edtica macroecon\u00f4mica e partiu para o protecionismo.&#8221;<\/p>\n<p>O ministro do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior, Fernando Pimentel, por\u00e9m, fez quest\u00e3o de ressaltar que o aumento do imposto n\u00e3o desrespeita as regras da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\nO Estado de S. 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