{"id":3488,"date":"2012-09-05T17:05:36","date_gmt":"2012-09-05T17:05:36","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3488"},"modified":"2012-09-05T17:05:36","modified_gmt":"2012-09-05T17:05:36","slug":"porque-os-possuidores-de-titulos-nao-podem-e-nao-devem-ser-pagos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3488","title":{"rendered":"Porque os possuidores de t\u00edtulos n\u00e3o podem \u2013 e n\u00e3o devem \u2013 ser pagos"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>por Michael Hudson\u00a0<a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/crise\/hudson_31ago12.html#asterisco\" target=\"_blank\">[*]<\/a><\/strong><\/p>\n<p>O ritmo da guerra da Wall Street contra os 99% est\u00e1 a acelerar-se na prepara\u00e7\u00e3o para a matan\u00e7a. Tendo demonizado os trabalhadores da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica por estarem destinados a receber pens\u00f5es pelo seu tempo de vida no servi\u00e7o activo, os possuidores de t\u00edtulos est\u00e3o a insistir em que ao inv\u00e9s disso devem obter o seu dinheiro. Trata-se da mesma filosofia de austeridade que foi imposta \u00e0 Gr\u00e9cia e \u00e0 Espanha \u2013 e a mesma que est\u00e1 a incitar o presidente Obama e Mitt Romney a cortar na Seguran\u00e7a Social e no Medicare.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do governo federal dos EUA, a maior parte dos estados e cidades t\u00eam constitui\u00e7\u00f5es que os impedem de incidir em d\u00e9fices or\u00e7amentais. Isto significa que quando cortam impostos sobre a propriedade, eles devem ou tomar emprestado dos ricos ou cortar no emprego e nos servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Durante muitos anos eles contra\u00edram empr\u00e9stimos, pagando aos ricos possuidores de t\u00edtulos juros isentos de impostos. Mas os encargos dos juros subiram a um ponto que agora parece arriscado no momento em que a economia afunda na defla\u00e7\u00e3o da d\u00edvida. As cidades est\u00e3o a entrar em incumprimento, desde a Calif\u00f3rnia at\u00e9 o Alabama. Elas n\u00e3o podem inverter a rota e restaurar impostos sobre os donos de propriedades sem provocar mais incumprimentos de hipotecas e abandonos. Algo tem de ceder \u2013 de modo que as cidades est\u00e3o a reduzir despesas p\u00fablicas, degradar seus sistemas escolares e for\u00e7as policiais, e a liquidar os seus activos a fim de pagar aos possuidores de t\u00edtulos.<\/p>\n<p>Isto j\u00e1 se tornou a causa principal da ascens\u00e3o do desemprego na Am\u00e9rica, contribuindo para reduzir a procura do consumidor num pesadelo keynesiano. Menos \u00f3bvios s\u00e3o os cortes devastadores que est\u00e3o a verificar-se nos cuidados de sa\u00fade, treino profissional e outros servi\u00e7os, enquanto as propinas de faculdades p\u00fablicas e &#8220;taxas de participa\u00e7\u00e3o&#8221; em escolas secund\u00e1rias est\u00e3o a subir. Os sistemas escolares est\u00e3o em desintegra\u00e7\u00e3o tal como nossas estradas quando professores s\u00e3o despedidos numa escala nunca vista desde a Grande Depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas estrategas da Wall Street v\u00eaem este esmagamento dos or\u00e7amentos estaduais e locais como uma d\u00e1diva do c\u00e9u. Como Rahm Emanuel colocou o assunto, uma crise \u00e9 uma oportunidade demasiado boa para desperdi\u00e7ar \u2013 e a crise fiscal d\u00e1 aos credores alavancagem financeira para pressionar pol\u00edticas anti-trabalho e agarrar privatiza\u00e7\u00f5es. O terreno est\u00e1 preparado para uma &#8220;cura&#8221; neoliberal: cortar pens\u00f5es e cuidados de sa\u00fade, incumprir promessas de pens\u00e3o ao trabalho e liquidar o sector p\u00fablico, deixando os novos propriet\u00e1rios estabelecerem portagens sobre tudo, desde estradas at\u00e9 escolas. A nova express\u00e3o do momento \u00e9 &#8220;extrac\u00e7\u00e3o de renda&#8221;.<\/p>\n<p>Assim, tendo provocado a crise fiscal, o legado de d\u00e9cadas de cortes de impostos sobre a propriedade financiados pelo aprofundamento na d\u00edvida agora est\u00e1 a ser pago pelo arrendamento ou liquida\u00e7\u00e3o de activos p\u00fablicos. Chicago arrendou sua [ponte]\u00a0<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chicago_Skyway\" target=\"_blank\">Skyway<\/a> por 99 anos a colectores de portagens, e os seus parqu\u00edmetros por 75 anos. O presidente da municipalidade, Emanuel, contratou a J.P.Morgan Asset Management para &#8220;aconselh\u00e1-lo&#8221; sobre como vender a privatizadores o direito de cobrar encargos por servi\u00e7os p\u00fablicos que anteriormente eram gratuito ou subsidiados. Isto \u00e9 o moderno equivalente americano dos\u00a0<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Enclosure\" target=\"_blank\">Enclosure Movements<\/a> da Inglaterra do s\u00e9culo XVI a XVIII.<\/p>\n<p>Ao retratar os funcion\u00e1rios locais como o inimigo p\u00fablico n\u00ba 1, a crise urbana est\u00e1 a ajudar a por a guerra de classe mais uma vez em actua\u00e7\u00e3o. O sector financeiro argumenta que pagar pens\u00f5es (ou mesmo sal\u00e1rio m\u00ednimo) absorve receita fiscal que de outra forma pode ser utilizada para pagar possuidores de t\u00edtulos. [O munic\u00edpio] de Scranton, Pennsylvania, reduziu os sal\u00e1rios do sector p\u00fablico &#8220;temporariamente&#8221; para o m\u00ednimo legal, ao passo que outras cidades tentam romper planos de pens\u00e3o e adiar contratos salariais \u2013 e ira ao casino da Wall Street a fim de jogar jogos perdedores numa tentativa desesperada para cobrir seus passivos de pens\u00f5es n\u00e3o financiadas. Estes foram estimados recentemente serem um total de US$3 milh\u00f5es de milh\u00f5es\u00a0<em>(trillion), <\/em>mais outros US$1 milh\u00e3o de milh\u00f5es de benef\u00edcios em cuidados de sa\u00fade n\u00e3o financiados.<\/p>\n<p>Embora seja a Wall Street que engendrou a bolha econ\u00f3mica cujo estouro disparou a crise fiscal urbana, seus lobistas e suas teorias de Ci\u00eancia Econ\u00f3mica Lixo n\u00e3o est\u00e3o a ser responsabilizadas. Ao inv\u00e9s de culpar os cortadores de impostos que deram aos banqueiros e grandes propriet\u00e1rios imobili\u00e1rios uma benesse inesperada, \u00e9 aos professores e outros funcion\u00e1rios p\u00fablicos que dizem para desistirem dos seus sal\u00e1rios adiados, que \u00e9 o que s\u00e3o fundos de pens\u00e3o. Nada de tais restitui\u00e7\u00f5es\u00a0<em>(clawbacks) <\/em>aguardam os predadores financeiros.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s disso, chegou o tempo dos arrestos chegou a fim de proporcionar um novo saco de prendas pois muitas cidades s\u00e3o for\u00e7adas a fazer o que a Cidade de Nova York fez em 1974 para impedir a bancarrota: transferir a administra\u00e7\u00e3o para nomeados pela Wall Street. Tal como na Gr\u00e9cia e na It\u00e1lia, pol\u00edticos eleitos s\u00e3o substitu\u00eddos por &#8220;tecnocratas&#8221; nomeados para fazer o que Margaret Thatcher e Tony Blair fizeram \u00e0 Inglaterra: liquidar o que resta do sector p\u00fablico e transformar todo programa social num centro de lucro.<\/p>\n<p>O plano destina-se a atingir tr\u00eas objectivos principais. Primeiro, dar aos privatizadores o direito de transformar infraestrutura p\u00fablica em oportunidades de portagem. A ideia \u00e9 for\u00e7ar cidades da equilibrar or\u00e7amentos pelo arrendamento ou venda ao desbarato das suas estradas e sistemas de autocarros, escolas, pris\u00f5es, imobili\u00e1rio e outros monop\u00f3lios naturais. No processo, isto promete criar um novo mercado para bancos: conceder a investidores abutres para comprarem direitos de instalar portagens na infraestrutura b\u00e1sica da economia.<\/p>\n<p>Respons\u00e1veis p\u00fablicos eleitos n\u00e3o poderiam empenhar-se em tais pol\u00edticas predat\u00f3rias e anti-trabalho. S\u00f3 a &#8220;magia do mercado&#8221; pode romper sindicatos de trabalhadores da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, reduzir servi\u00e7os p\u00fablicos e instalar portagens em estradas e em sistemas de \u00e1guas e esgotos enquanto corta linhas de autocarros e aumenta tarifas.<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar este plano financeiro, \u00e9 necess\u00e1rio estrutura o problema de um modo que exclua alternativas menos anti-sociais. Como dizia Margaret Thatcher, TINA: N\u00e3o h\u00e1 alternativa\u00a0<em>(There Is No Alternative) <\/em>\u00e0 venda ao desbarato do transporte p\u00fabico, imobili\u00e1rio e mesmo sistemas escolares e pris\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Desmantelar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e departamentos de pol\u00edcia para pagar possuidores de t\u00edtulos <\/strong><\/p>\n<p>A tributa\u00e7\u00e3o local costumava ser utilizada para a educa\u00e7\u00e3o. Os Estados Unidos estavam divididos em grelhas fiscais a fim de financiar distritos escolares, ao longo estradas e linhas de autocarros, sistema de \u00e1gua e esgotos. Municipalidades com melhores escolas tributavam mais a sua propriedade, mas isto tornava mais desej\u00e1vel viver em tais distritos e portanto elevava ao inv\u00e9s de baixar os pre\u00e7os imobili\u00e1rios. Isto tornava a melhoria urbana auto-alimentada. Distritos menos tributados eram deixados para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Isto j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o caminho americano. A educa\u00e7\u00e3o em particular foi demonizada. O antigamente not\u00e1vel sistema escolar da Calif\u00f3rnia \u00e9 a baixa mais vis\u00edvel da Proposta 13 do estado, o congelamento do imposto sobre a propriedade aprovado em 1978. A Associa\u00e7\u00e3o dos Propriet\u00e1rios de Apartamentos de Los Angeles utilizou o seu homem da frente pol\u00edtica, Howard Jarvis, como lobista para prometer aos eleitores que pouco mudaria com cortes na educa\u00e7\u00e3o e bibliotecas. Ele afirmou que &#8220;63 por cento dos diplomados s\u00e3o analfabetos, de qualquer forma&#8221;, de modo que n\u00e3o precisam de livros. A educa\u00e7\u00e3o e outras partes das despesas p\u00fablicas foram congeladas quando os impostos sobre a propriedade foram retalhados em 57% \u2013 de 2,5 ou 3% para apenas 1% do valor avaliado \u2013 e foram congelados aos n\u00edveis de pre\u00e7os de 1978 para propriet\u00e1rios que mantiveram a sua propriedade. O resultado \u00e9 que o sistema escolar da Calif\u00f3rnia afundou para o 47\u00ba lugar na classifica\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Para os neoliberais, o raio de esperan\u00e7a \u00e9 que a degrada\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o torne os cidad\u00e3os mais vulner\u00e1veis \u00e0 falsa consci\u00eancia do Tea Party quando votam no seu interesse econ\u00f3mico. No passado, quando por exemplo a Proposta 12 foi aprovada, investidores comerciais prometiam aos propriet\u00e1rios de casa que na generalidade cortes fiscais fariam a habita\u00e7\u00e3o mais acess\u00edvel e que as rendas cairiam. Mas elas subiram, juntamente os pre\u00e7os imobili\u00e1rios. Isto \u00e9 a Grande Mentira dos cortadores fiscais neoliberais: a promessa de que cortar impostos reduzir\u00e1 custos ao inv\u00e9s de proporcionar um ganho inesperado para donos de propriedades \u2013 e tamb\u00e9m para bancos pois as ascens\u00f5es dos valores de arrendamento s\u00e3o &#8220;livres&#8221; para serem capitalizadas em empr\u00e9stimos hipotec\u00e1rios maiores. Os novos compradores precisam pagar mais, aumentando o custo de vida e o custo de fazer neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Remontando a 1978, antes da Proposta 13, os propriet\u00e1rios comerciais pagavam a metade dos impostos imobili\u00e1rios e os de casas a outra metade. Mas agora a fatia dos propriet\u00e1rios de casas subiu para dois ter\u00e7os, ao passo que os impostos sobre a propriedade comercial ca\u00edram para um ter\u00e7o. Respons\u00e1veis por empr\u00e9stimos banc\u00e1rios capitalizaram os cortes fiscais em hipotecas ainda maiores, de modo que os pre\u00e7os da habita\u00e7\u00e3o subiram ao inv\u00e9s de cair. O presidente da municipalidade de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, no ano passado exclamou melancolicamente que &#8220;\u00e9 tempo agora de trata da iniquidade da Proposta 13 que permite a grandes interesses corporativos obterem uma benesse inesperada destinada a propriet\u00e1rios de casas. N\u00e3o estamos a financiar o governo. Estamos apenas a dizimar o governo e os servi\u00e7os que ele proporciona&#8221;\u00a0<a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/crise\/hudson_31ago12.html#notas\" target=\"_blank\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Ele prop\u00f4s um imposto sobre a propriedade em dois n\u00edveis, restaurando taxas mais altas para investidores comerciais e absente\u00edstas.<\/p>\n<p>O ensino \u00e9 uma ocupa\u00e7\u00e3o exaustiva. Essa \u00e9 uma das raz\u00f5es porque os professores t\u00eam um dos sindicatos mais fortes da Am\u00e9rica. Os seus sal\u00e1rios n\u00e3o t\u00eam subido t\u00e3o r\u00e1pido quanto as suas despesas, porque eles acordaram ficar com menos rendimento no curto prazo a fim de obterem pens\u00f5es quando se reformarem. Estes contratos agora est\u00e3o sob ataque \u2013 para pagar a possuidores de t\u00edtulos. Estados e cidades est\u00e3o agora a insistir em que possuidores de t\u00edtulos n\u00e3o podem ser pagos sem matar\u00a0<em>(stiffing) <\/em>a sua for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Assim, agora estamos a ver a loucura de reduzir a tributa\u00e7\u00e3o sobre a propriedade e de substituir receitas fiscais pela contrac\u00e7\u00e3o de empr\u00e9stimos \u2013 pagando juros isentos de impostos aos mais ricos possuidores de t\u00edtulos do pa\u00eds. Cortar a propriedade da base fiscal encontra portanto a sua baixa g\u00e9mea na onda de incumprimentos de promessas de pens\u00f5es.<\/p>\n<p>Os impostos imobili\u00e1rios afundaram de dois ter\u00e7os das receitas urbanas na d\u00e9cada de 1920 para apenas um sexto hoje nos Estados Unidos como um todo. Concess\u00f5es de ajuda federais tamb\u00e9m est\u00e3o a ser reduzidas e a ajuda dos estados \u00e0s cidades faz o mesmo. Mas ao inv\u00e9s de tornar a habita\u00e7\u00e3o mais acess\u00edvel, estes cortes fiscais &#8220;libertaram&#8221; valores de rendas dos arrecadadores fiscais s\u00f3 para que acabassem por serem pagos aos bancos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aqui, a Calif\u00f3rnia abriu o caminho. Em 1996 seus eleitores aprovaram a Proposta 218, exigindo que qualquer novo imposto, comiss\u00e3o ou avalia\u00e7\u00e3o de propriedade fosse aprovado por dois ter\u00e7os dos eleitores. (Foram feitas umas poucas isen\u00e7\u00f5es para manter vi\u00e1vel os sistemas de \u00e1gua e esgotos). Este estratagema &#8220;priva de alimento o animal&#8221;, com o &#8220;animal&#8221; sendo a infraestrutura p\u00fablica e os servi\u00e7os sociais. As for\u00e7as policiais est\u00e3o a ser reduzidas e os programas sociais a serem cortados. E quando a pobreza urbana aumenta, as taxas de crime est\u00e3o em ascens\u00e3o, impondo um custo de vida &#8220;invis\u00edvel&#8221;.<\/p>\n<p>Portanto, o mais importante facto econ\u00f3mico a reconhecer \u00e9 que qualquer que seja o montante fiscal que o arrecadador prescinda ele tende a ser capitalizado em empr\u00e9stimos hipotec\u00e1rios. E ao deixar mais renda dispon\u00edvel para ser paga como juro, cortar impostos sobre a propriedade obriga os compradores de casas a incidirem mais profundamente em d\u00edvidas. Assim, impostos mais baixos sobre a propriedade significam pre\u00e7os de habita\u00e7\u00e3o mais elevados \u2013 a cr\u00e9dito, porque uma casa ou outra propriedade imobili\u00e1ria vale aquilo que um banco emprestar\u00e1 a novos compradores. Assim, ao capitalizarem o valor das rendas ap\u00f3s impostos num fluxo de juros, os banqueiros acabam com as rendas \u2013 e portanto com os cortes fiscais sobre a propriedade.<\/p>\n<p>\u00c9 isto que significa o mercado livre hoje em dia \u2013 rendimento criado pelo investimento do sector p\u00fablico, &#8220;libertado&#8221; para ser pago a bancos como juros ao inv\u00e9s de ser recapturado pelo governo.<\/p>\n<p>A maior parte da receita urbana \u00e9 um almo\u00e7o gratuito criado pelas estradas, escolas, sistemas de \u00e1guas e esgotos financiados pelo contribuinte. Mas nem os especuladores imobili\u00e1rios nem os seu banqueiros acreditam que este investimento dos contribuintes deveria ser recuperado pela tributa\u00e7\u00e3o dos valores acrescidos dos s\u00edtios criados ao proporcionar estes servi\u00e7os p\u00fablicos. Ao inv\u00e9s de tornar o sector p\u00fablico auto-financiado quando ele expande servi\u00e7os para criar riqueza, propriet\u00e1rios privados obt\u00eam os benef\u00edcios \u2013 enquanto bancos capitalizam os ganhos em empr\u00e9stimos hipotec\u00e1rios maiores, os quais agora representam cerca de 80% do cr\u00e9dito banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>O n\u00facleo da &#8220;falsa consci\u00eancia&#8221; dos banqueiros \u2013 a hist\u00f3ria de encobrimento com a qual os lobistas do Tea Party procuram doutrinar os eleitores dos EUA \u2013 \u00e9 que impostos sobre a terra e activos financeiros punem os &#8220;criadores de emprego&#8221;. Continuando o ataque, os benefici\u00e1rios desta despesa p\u00fablica afirmam que precisam ser mimados com prefer\u00eancias fiscais para investirem e empregarem o trabalho, enquanto os 99% precisam ser chutados e chicoteados para trabalharem mais arduamente por lhes serem pagos sal\u00e1rios mais baixos. Esta falsa narrativa ignora o facto de que os nossos maiores per\u00edodos de crescimento s\u00e3o aqueles em que as taxas fiscais sobre indiv\u00edduos e corpora\u00e7\u00f5es dos EUA foram mais altas. O mesmo \u00e9 verdadeiro na maior parte dos pa\u00edses. O que est\u00e1 a sufocar o crescimento econ\u00f3mico \u00e9 o encargo da d\u00edvida \u2013 devida aos 1% \u2013 e os cortes fiscais sobre riqueza gratuita.<\/p>\n<p><strong>O esmagamento das pens\u00f5es p\u00fablicas faz parte da crise geral da d\u00edvida <\/strong><\/p>\n<p>O candidato republicano \u00e0 vice-presid\u00eancia Paul Ryan e o governador do Texas Rick Perry caracterizaram a Seguran\u00e7a Social como um esquema Ponzi. Isto \u00e9 verdadeiro no sentido \u00f3bvio de que se sup\u00f5e que os reformados sejam pagos com as contribui\u00e7\u00f5es dos novos que come\u00e7am a contribuir. \u00c9 assim que qualquer sistema pague-como-puder \u00e9 suposto funcionar. O problema n\u00e3o \u00e9 que o sistema precisa ser pr\u00e9-financiado para proporcionar ao governo receita para cortar impostos sobre os 1%. O problema \u00e9 que novas contribui\u00e7\u00f5es est\u00e3o a secar quando a economia rende-se sob o seu encargo de d\u00edvida acrescido.<\/p>\n<p>A Seguran\u00e7a Social pode ser paga facilmente. Ap\u00f3s o crash de 2007 o Fed imprimiu US13 milh\u00f5es de milh\u00f5es nos seus computadores para d\u00e1-los aos banqueiros. Ele pode fazer o mesmo para a Seguran\u00e7a Social \u2013 e para concess\u00f5es de ajuda federal a estados e cidades da Am\u00e9rica. Pode pagar obriga\u00e7\u00f5es de pens\u00f5es estaduais e locais do mesmo modo como pagou aos 1% da Wall Street. O problema \u00e9 que o Fed s\u00f3 deseja fazer aquilo que os bancos centrais foram criados para fazer \u2013 financiar d\u00e9fices do governo \u2013 para dar aos bancos. O objectivo \u00e9 salvar possuidores de t\u00edtulos e as ambiciosas contrapartidas dos bancos, n\u00e3o os 99%.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que o pr\u00f3prio sistema financeiro est\u00e1 podre. Isto transformou a guerra de classe de hoje numa guerra financeira, sendo a grande t\u00e1ctica moldar a percep\u00e7\u00e3o do problema entre os eleitores. O truque \u00e9 faz\u00ea-los pensar que cortar impostos reduzir\u00e1 o seu custo de vida e tornar\u00e1 a habita\u00e7\u00e3o mais barata, ao inv\u00e9s de permitir que os bancos tomem o que os arrecadadores de impostos costumavam tomar. Esta \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o chave que precisa ser difundida: cortar impostos deixa mais &#8220;almo\u00e7o gratuito&#8221; de rendimento dispon\u00edvel para bancos darem emprestado, sobrecarregando a economia ainda mais profundamente com d\u00edvida.<\/p>\n<p>Aqui est\u00e1 a raz\u00e3o porque o actual caminho pode possivelmente n\u00e3o funcionar. Os fundos de pens\u00e3o estaduais e locais est\u00e3o US$3 milh\u00f5es de milh\u00f5es atr\u00e1s porque eles est\u00e3o a ter apenas retornos de 1% nestes dias (o \u00fanico retorno seguro), n\u00e3o os 8+% que lhes disseram para ter a fim de pagar pens\u00f5es por ganhos de &#8220;capital&#8221; (isto \u00e9, o almo\u00e7o gratuito financiado dos bancos). O Fed est\u00e1 a manter taxas de juro baixas numa tentativa de reinflacionar os pre\u00e7os do imobili\u00e1rio e de outros activos de volta \u00e0 d\u00e9cada feliz do Mestre da Bolha Greenspan. Se as taxas de juro sobem \u2013 o suficiente para permitir \u00e0 Calif\u00f3rnia, Chicago e outras localidades obterem juros suficientes para pagar aos reformados o que prometeram \u2013 ent\u00e3o os bancos ver\u00e3o cair o colateral dos seus empr\u00e9stimos hipotec\u00e1rios.<\/p>\n<p>De modo que o Fed trancou a economia dentro dos baixos retornos. Nem os pol\u00edticos democratas nem os republicanos est\u00e3o desejosos de aumentar impostos sobre as finan\u00e7as, seguros e o sector imobili\u00e1rio. Eles votam de acordo com o aquilo que os seus contribuidores de campanha est\u00e3o a pagar \u2013 tornar a Wall Street rica.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 a velha op\u00e7\u00e3o do Quem\/A quem. Dado o facto matem\u00e1tico de que d\u00edvidas que n\u00e3o podem ser pagas n\u00e3o o ser\u00e3o, a pergunta \u00e9 que deveria obter prioridade: os 1% ou os 99%?<\/p>\n<p>A austeridade infestada de d\u00edvida e a redu\u00e7\u00e3o do governo est\u00e3o a ser pressionados como se isto fosse inevit\u00e1vel, n\u00e3o uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para colocar os possuidores de t\u00edtulos e os 1% por cima dos 99% \u2013 um pr\u00e9mio para o lobing monet\u00e1rio que t\u00eam gasto para comprar pol\u00edticos e enganar eleitores levando-os a acreditar que cortar impostos sobre a propriedade e cortar impostos sobre os ricos ajudar\u00e1 a economia.<\/p>\n<p>Mas se a Am\u00e9rica deixa os 1% escreverem as leis \u2013 ou, o que \u00e9 a mesma coisa nestes dias, contribuir para as campanhas pol\u00edticas dos que fazem as leis \u2013 ent\u00e3o a economia ficar\u00e1 muito mais pobre, rapidamente. A era do crescimento da Am\u00e9rica estar\u00e1 ultrapassada.<\/p>\n<p>Alguma coisa tem de ceder: Se os possuidores de t\u00edtulos n\u00e3o vierem a ser pagados, os estados n\u00e3o podem pagar sal\u00e1rios adiados do trabalho na forma de pens\u00f5es, e ter\u00e3o de reduzir servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n<p><strong>A transforma\u00e7\u00e3o dos EUA numa Gr\u00e9cia <\/strong><\/p>\n<p>Assim, j\u00e1 \u00e9 tempo de incumprir. Do contr\u00e1rio, a Wall Street nos transformar\u00e1 numa Gr\u00e9cia. \u00c9 este o plano financeiro, sem d\u00favida. \u00c9 a estrat\u00e9gia para a guerra financeira de hoje contra a sociedade como um todo. Na Let\u00f3nia, falei com o principal banqueiro central, o qual explicou que os sal\u00e1rios no sector p\u00fablico haviam ca\u00eddo 30 por cento, ajudando a empurrar para baixo os sal\u00e1rios do sector privado aproximadamente outro tanto. Os neoliberais chamam a isto &#8220;desvaloriza\u00e7\u00e3o interna&#8221; e prometem que tornar\u00e1 as economias mais competitivas. A realidade \u00e9 que subir\u00e1 o mercado interno e levar\u00e1 o trabalho a abandon\u00e1-lo.<\/p>\n<p>[1] Adam Nagourney, \u201cTax Cuts From &#8217;70s Confront Brown Again in California,\u201d\u00a0<em>The New York Times, <\/em>09\/Janeiro\/2011.<\/p>\n<p><strong>[*] Professor de Teoria Econ\u00f3mica na Universidade de Missouri \u2013 Kansas City. O seu \u00faltimo livro \u00e9\u00a0<em>The Bubble and Beyond, <\/em>ISLET, Dresden, 2012, 482 p., ISBN 13:978-3-9814842-0-5 <\/strong><\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.counterpunch.org\/2012\/08\/31\/wall-streets-war-on-the-cities\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.counterpunch.org\/2012\/08\/31\/wall-streets-war-on-the-cities\/<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nA guerra da Wall Street \u00e0s cidades\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3488\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-3488","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Ug","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3488","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3488"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3488\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}