{"id":3490,"date":"2012-09-05T17:45:01","date_gmt":"2012-09-05T17:45:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3490"},"modified":"2012-09-05T17:45:01","modified_gmt":"2012-09-05T17:45:01","slug":"lista-do-arquivo-nacional-nome-mario-alves-situacao-atual-morto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3490","title":{"rendered":"Lista do Arquivo Nacional: &#8216;Nome: M\u00e1rio Alves; situa\u00e7\u00e3o atual: morto"},"content":{"rendered":"\n<p>Um pesadelo frequente da dona de casa L\u00facia Caldas Vieira, de 64 anos, \u00e9 com uma imensa fogueira. Ano ap\u00f3s ano, desde o dia 16 de janeiro de 1970, a cena \u00e9 a mesma em sua mente: ela tenta salvar das chamas os documentos, fotos e desenhos que foi obrigada a queimar no dia em que o pai desapareceu. L\u00facia \u00e9 filha do desaparecido pol\u00edtico M\u00e1rio Alves, jornalista e secret\u00e1rio-geral do Partido Comunista Brasileiro Revolucion\u00e1rio (PCBR). Apesar de quatro testemunhas terem presenciado a tortura de M\u00e1rio no DOI-Codi do Rio, dessa data at\u00e9 hoje, 42 anos depois, o Ex\u00e9rcito nunca assumiu a pris\u00e3o do militante.<\/p>\n<p>Em uma lista produzida pelo Centro de Informa\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a da Aeron\u00e1utica (Cisa) em 19 de janeiro de 1971 est\u00e1 a primeira informa\u00e7\u00e3o oficial da ditadura militar brasileira sobre o jornalista desde o seu desaparecimento. O documento, localizado pelo GLOBO no Arquivo Nacional, \u00e9 uma listagem com nomes de militantes, seus codinomes e suas organiza\u00e7\u00f5es. Na p\u00e1gina 143 est\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es sobre o militante do PCBR desaparecido um ano antes: na primeira coluna, o codinome pelo qual era conhecido: &#8220;Vila&#8221;, na \u00faltima, seu nome completo: M\u00e1rio Alves de Souza Vieira; no meio, o campo &#8220;situa\u00e7\u00e3o atual&#8221; indica: morto.<\/p>\n<p>&#8211; Esse documento \u00e9 mais um dado que mostra que eles n\u00e3o tinham nenhum pudor de fazer uma lista com os nomes dos mortos. Se at\u00e9 hoje eles negam a pris\u00e3o, como \u00e9 que o d\u00e3o como morto? &#8211; desabafou a filha.<\/p>\n<p>Lista foi distribu\u00edda para outros \u00f3rg\u00e3os<\/p>\n<p>O documento \u00e9 hoje parte do acervo do Arquivo Nacional colocado para consulta p\u00fablica. A listagem serviu como fonte de informa\u00e7\u00e3o para o Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es (SNI), o Centro de Informa\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito (CEI) e o Centro de Informa\u00e7\u00f5es da Marinha (Cenimar), e, conforme descri\u00e7\u00e3o, tem como assunto &#8220;militantes, aliados e simpatizantes das organiza\u00e7\u00f5es subversivas&#8221;.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Alves era baiano e tinha 47 anos quando saiu da casa onde vivia com a mulher, Dilma Borges, na Aboli\u00e7\u00e3o, sub\u00farbio do Rio. Ele estava acostumado tanto a ser perseguido quanto \u00e0 vida clandestina desde 1942, quando entrou para o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Preso meses depois do golpe de 1964, foi libertado um ano depois, mas teve que voltar \u00e0 clandestinidade porque foi condenado \u00e0 revelia a mais sete anos de pris\u00e3o. Em 1968, ajudou a fundar o PCBR para seguir o caminho da luta armada.<\/p>\n<p>Em 1970, ao ser novamente preso, M\u00e1rio foi levado para o DOI-Codi na Rua Bar\u00e3o de Mesquita e torturado durante a noite do dia 16 e a madrugada do dia seguinte. Os presos Raimundo Jos\u00e9 Barros Teixeira Mendes, Jos\u00e9 Carlos Brand\u00e3o Monteiro, Manoel Jo\u00e3o da Silva e Ant\u00f4nio Carlos de Carvalho ouviram o sofrimento do militante do PCBR ao longo do interrogat\u00f3rio.<\/p>\n<p>No livro &#8220;Desaparecidos pol\u00edticos&#8221;, Mendes revelou que presenciou por meio de uma abertura no alto da parede da cela a viol\u00eancia na sala ao lado: &#8220;Depois de violentamente espancado&#8230; torturado com choques el\u00e9tricos, no pau de arara, afogamentos, M\u00e1rio Alves manteve a posi\u00e7\u00e3o de nada responder&#8230; ent\u00e3o introduziram um cassetete de madeira com estrias, que provocou a perfura\u00e7\u00e3o de seus intestinos e a hemorragia que determinou a sua morte.&#8221;<\/p>\n<p>Dilma, mulher de Alves, e o advogado Modesto da Silveira fizeram in\u00fameros esfor\u00e7os para localizar o militante. Foram enviados pedidos de habeas corpus para todas as For\u00e7as na tentativa de descobrir o paradeiro do guerrilheiro, mas nenhum \u00f3rg\u00e3o da repress\u00e3o assumiu a pris\u00e3o. Devido \u00e0 busca, Dilma tamb\u00e9m chegou a ser interrogada.<\/p>\n<p>&#8211; Eu e minha m\u00e3e ficamos meses separadas. Ela tinha medo de que nos pegassem, e algu\u00e9m precisava ficar para contar a hist\u00f3ria &#8211; lembrou L\u00facia.<\/p>\n<p>As not\u00edcias s\u00f3 vieram depois, quando as testemunhas deixaram a pris\u00e3o e contaram o que presenciaram. Eles apontam entre os torturadores de M\u00e1rio: o tenente-paraquedista Magalh\u00e3es, os tenentes Armando Av\u00f3lio e Luiz M\u00e1rio Correia Lima e o agente civil Luis Timot\u00e9o de Lima. O \u00faltimo tamb\u00e9m \u00e9 citado por um estudo da Secretaria de Direitos Humanos da Presid\u00eancia como um dos agentes que trabalharam na Casa da Morte em Petr\u00f3polis.<\/p>\n<p>Em 1979, Dilma e L\u00facia entraram na Justi\u00e7a contra a Uni\u00e3o, exigindo a responsabilidade pela pris\u00e3o, morte e oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver do jornalista com base nos testemunhos. A senten\u00e7a, favor\u00e1vel \u00e0 fam\u00edlia em 1981, fez de M\u00e1rio Alves o primeiro caso de desaparecido pol\u00edtico em que a Uni\u00e3o foi responsabilizada.<\/p>\n<p>&#8211; Nunca vi o nome dele em nenhum relat\u00f3rio. Esse documento me leva a acreditar que, ao contr\u00e1rio do que dizem as For\u00e7as Armadas, h\u00e1, sim, documentos, e espero que a Comiss\u00e3o da Verdade possa auxiliar nisso &#8211; afirmou Ana Maria M\u00fcller, advogada do caso.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/br.noticias.yahoo.com\/lista-arquivo-nacional-nome-m%C3%A1rio-alves-situa%C3%A7%C3%A3o-atual-233231725.html\" target=\"_blank\">http:\/\/br.noticias.yahoo.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: TNM-RJ\n\n\n\n\n\n\n\n\nRIO\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3490\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-3490","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c64-ditadura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Ui","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3490"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3490\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}