{"id":35,"date":"2009-12-16T03:43:48","date_gmt":"2009-12-16T03:43:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=35"},"modified":"2009-12-16T03:43:48","modified_gmt":"2009-12-16T03:43:48","slug":"no-pcb-tambem-somos-todos-sem-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/35","title":{"rendered":"No PCB, tamb\u00e9m somos todos Sem Terra!"},"content":{"rendered":"\n<p>O PCB &#8211; e a UJC &#8211; marcaram presen\u00e7a, mas suas bandeiras com a foice e o martelo n\u00e3o foram vistas. Ali\u00e1s, n\u00e3o havia ali nenhuma bandeira que n\u00e3o fosse do MST ou da Via Campesina. Afinal, os presentes ocupavam aquele espa\u00e7o para afirmar em alto e bom som: &#8220;Somos todos Sem Terra&#8221;! Todos unidos contra a tentativa de criminalizar o Movimento, todos demonstrando aos setores reacion\u00e1rios da sociedade brasileira que o MST n\u00e3o est\u00e1 sozinho em sua luta.<\/p>\n<p>A criminaliza\u00e7\u00e3o das leg\u00edtimas lutas sociais do MST &#8211; objetivo n\u00e3o explicitado que motivou a cria\u00e7\u00e3o de uma Comiss\u00e3o Parlamentar Mista de Inqu\u00e9rito (CPMI) para investigar o Movimento &#8211; nos imp\u00f5e a luta.<\/p>\n<p>Uma luta internacionalista, ali\u00e1s. N\u00e3o \u00e0 toa, o ato foi iniciado com a apresenta\u00e7\u00e3o de sauda\u00e7\u00f5es enviadas em v\u00eddeos ao MST, e entre elas estava a do escritor uruguaio Eduardo Galeano.<\/p>\n<p>Uma luta que tamb\u00e9m \u00e9 de id\u00e9ias, por uma nova cultura. Todos ouviram &#8220;Funeral de um lavrador&#8221;, ao som das violas, e o poema que Mauro Iasi, do Comit\u00ea Central do PCB, escreveu em solidariedade ao MST.<\/p>\n<p>Mauro Iasi ainda fez uso da palavra para defender a posi\u00e7\u00e3o do PCB: estamos firmes ao lado da luta dos Sem Terra, e n\u00e3o toleraremos qualquer tentativa de desmoralizar o movimento. Al\u00e9m dele, entre outros, tamb\u00e9m afirmaram sua solidariedade as historiadoras Virginia Fontes e Anita Prestes.<\/p>\n<p>Foi lida no plen\u00e1rio a mensagem que o Secret\u00e1rio Geral do PCB, Ivan Pinheiro, enviou desde Caracas, onde participava da cria\u00e7\u00e3o de um movimento continental bolivariano, antiimperialista e anticapitalista.<\/p>\n<p>No ato, divulgou-se o Manifesto em Defesa do MST, que aqui republicamos abaixo:<\/p>\n<p><span class=\"ver14\" style=\"color: #cc0000;\"><strong>Manifesto em defesa do MST<\/strong><\/span> <\/p>\n<p><strong>Contra a viol\u00eancia do agroneg\u00f3cio e a criminaliza\u00e7\u00e3o das lutas sociais. Assinam este manifesto diversos intelectuais, ativistas e lideran\u00e7as.<\/strong><\/p>\n<p>As grandes redes de televis\u00e3o repetiram \u00e0 exaust\u00e3o, h\u00e1 algumas semanas, imagens da ocupa\u00e7\u00e3o realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucoc\u00edtrico Cutrale, no interior de S\u00e3o Paulo. A m\u00eddia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns p\u00e9s de laranja como ato de vandalismo.<\/p>\n<p>Uma informa\u00e7\u00e3o essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa \u00e9 contestada pelo Incra e pela Justi\u00e7a. Trata-se de uma grande \u00e1rea chamada N\u00facleo Mon\u00e7\u00f5es, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil s\u00e3o terras p\u00fablicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil s\u00e3o terras improdutivas. Ao mesmo tempo, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma prova de que a suposta destrui\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.<\/p>\n<p>Na \u00f3tica dos setores dominantes, p\u00e9s de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as fam\u00edlias que vivem em acampamentos prec\u00e1rios desejando produzir alimentos.<\/p>\n<p><strong>Bloquear a reforma agr\u00e1ria<\/strong> <\/p>\n<p>H\u00e1 um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revis\u00e3o dos \u00edndices de produtividade agr\u00edcola &#8211; cuja vers\u00e3o em vigor tem como base o censo agropecu\u00e1rio de 1975 &#8211; e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agr\u00e1rio \u00e9 deslocado dos respons\u00e1veis pela desigualdade e concentra\u00e7\u00e3o para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revis\u00e3o dos \u00edndices evidenciaria que, apesar de todo o avan\u00e7o t\u00e9cnico, boa parte das grandes propriedades n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, dispon\u00edvel para a reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para mascarar tal fato, est\u00e1 em curso um grande operativo pol\u00edtico das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>O pesado operativo midi\u00e1tico-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resist\u00eancias, as corpora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agr\u00e1ria e impor um modelo agroexportador predat\u00f3rio em termos sociais e ambientais, como \u00fanica alternativa para a agropecu\u00e1ria brasileira.<\/p>\n<p><strong>Concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria<\/strong> <\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria no Brasil aumentou nos \u00faltimos dez anos, conforme o Censo Agr\u00e1rio do IBGE. A \u00e1rea ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espa\u00e7o total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades est\u00e3o definhando enquanto crescem as fronteiras agr\u00edcolas do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Conforme a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agr\u00e1rios do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situa\u00e7\u00e3o de extrema viol\u00eancia contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no 1\u00ba semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homic\u00eddio, 22 amea\u00e7as de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o viol\u00eancia<\/strong> <\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de luta do MST sempre se caracterizou pela n\u00e3o viol\u00eancia, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das mil\u00edcias e jagun\u00e7os a servi\u00e7o das corpora\u00e7\u00f5es e do latif\u00fandio. As ocupa\u00e7\u00f5es objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso uma agricultura socialmente justa, ecol\u00f3gica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre coopera\u00e7\u00e3o de pequenos agricultores. Isso s\u00f3 ser\u00e1 conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p><strong>Contra a criminaliza\u00e7\u00e3o das lutas sociais<\/strong> <\/p>\n<p>Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminaliza\u00e7\u00e3o das lutas sociais, realizando atos e manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que demarquem o rep\u00fadio \u00e0 criminaliza\u00e7\u00e3o do MST e de todas as lutas no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Assinam esse documento:<\/strong><\/p>\n<p>. Eduardo Galeano &#8211; Uruguai<\/p>\n<p>\u00b7 Istv\u00e1n M\u00e9sz\u00e1ros &#8211; Inglaterra<\/p>\n<p>\u00b7 Ana Esther Cece\u00f1a &#8211; M\u00e9xico<\/p>\n<p>\u00b7 Boaventura de Souza Santos &#8211; Portugal<\/p>\n<p>\u00b7 Daniel Bensaid &#8211; Fran\u00e7a<\/p>\n<p>\u00b7 Isabel Monal &#8211; Cuba<\/p>\n<p>\u00b7 Michael Lowy &#8211; Fran\u00e7a<\/p>\n<p>\u00b7 Claudia Korol &#8211; Argentina<\/p>\n<p>\u00b7 Carlos Juli\u00e1 &#8211; Argentina<\/p>\n<p>\u00b7 Miguel Urbano Rodrigues &#8211; Portugal<\/p>\n<p>\u00b7 Carlos Aguilar &#8211; Costa Rica<\/p>\n<p>\u00b7 Ricardo Gimenez &#8211; Chile<\/p>\n<p>\u00b7 Pedro Franco &#8211; Rep\u00fablica Dominicana<\/p>\n<p>Brasil:<\/p>\n<p>\u00b7 Antonio Candido<\/p>\n<p>\u00b7 Ana Clara Ribeiro<\/p>\n<p>\u00b7 Anita Leocadia Prestes<\/p>\n<p>\u00b7 Andressa Caldas<\/p>\n<p>\u00b7 Andr\u00e9 Vianna Dantas<\/p>\n<p>\u00b7 Andr\u00e9 Campos B\u00farigo<\/p>\n<p>\u00b7 Augusto C\u00e9sar<\/p>\n<p>\u00b7 Carlos Nelson Coutinho<\/p>\n<p>\u00b7 Carlos Walter Porto-Gon\u00e7alves<\/p>\n<p>\u00b7 Carlos Alberto Duarte<\/p>\n<p>\u00b7 Carlos A. Bar\u00e3o<\/p>\n<p>\u00b7 C\u00e1tia Guimar\u00e3es<\/p>\n<p>\u00b7 Cec\u00edlia Rebou\u00e7as Coimbra<\/p>\n<p>\u00b7 Ciro Correia<\/p>\n<p>\u00b7 Chico Alencar<\/p>\n<p>\u00b7 Claudia Trindade<\/p>\n<p>\u00b7 Claudia Santiago<\/p>\n<p>\u00b7 Chico de Oliveira<\/p>\n<p>\u00b7 Demian Bezerra de Melo<\/p>\n<p>\u00b7 Emir Sader<\/p>\n<p>\u00b7 Elias Santos<\/p>\n<p>\u00b7 Eurelino Coelho<\/p>\n<p>\u00b7 Eleuterio Prado<\/p>\n<p>\u00b7 Fernando Vieira Velloso<\/p>\n<p>\u00b7 Gaud\u00eancio Frigotto<\/p>\n<p>\u00b7 Gilberto Maringoni<\/p>\n<p>\u00b7 Gilcilene Bar\u00e3o<\/p>\n<p>\u00b7 Irene Seigle<\/p>\n<p>\u00b7 Ivana Jinkings<\/p>\n<p>\u00b7 Ivan Pinheiro<\/p>\n<p>\u00b7 Jos\u00e9 Paulo Netto<\/p>\n<p>\u00b7 Leandro Konder<\/p>\n<p>\u00b7 Luis Fernando Ver\u00edssimo<\/p>\n<p>\u00b7 Luiz Bassegio<\/p>\n<p>\u00b7 Luis Acosta<\/p>\n<p>\u00b7 Lucia Maria Wanderley Neves<\/p>\n<p>\u00b7 Marcelo Badar\u00f3 Mattos<\/p>\n<p>\u00b7 Marcelo Freixo<\/p>\n<p>\u00b7 Marilda Iamamoto<\/p>\n<p>\u00b7 Maril\u00e9a Venancio Porfirio<\/p>\n<p>\u00b7 Mauro Luis Iasi<\/p>\n<p>\u00b7 Maur\u00edcio Vieira Martins<\/p>\n<p>\u00b7 Ot\u00edlia Fiori Arantes<\/p>\n<p>\u00b7 Paulo Arantes<\/p>\n<p>\u00b7 Paulo Nakatani<\/p>\n<p>\u00b7 Pl\u00ednio de Arruda Sampaio<\/p>\n<p>\u00b7 Pl\u00ednio de Arruda Sampaio Filho<\/p>\n<p>\u00b7 Renake Neves<\/p>\n<p>\u00b7 Reinaldo A. Carcanholo<\/p>\n<p>\u00b7 Ricardo Antunes<\/p>\n<p>\u00b7 Ricardo Gilberto Lyrio Teixeira<\/p>\n<p>\u00b7 Roberto Leher<\/p>\n<p>\u00b7 Sara Granemann<\/p>\n<p>\u00b7 Sandra Carvalho<\/p>\n<p>\u00b7 Sergio Romagnolo<\/p>\n<p>\u00b7 Sheila Jacob<\/p>\n<p>\u00b7 Virg\u00ednia Fontes<\/p>\n<p>\u00b7 Vito Giannotti<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\nNa \u00faltima quarta-feira (09\/12), a defesa da Reforma Agr\u00e1ria, a solidariedade ao MST e a luta contra a criminaliza\u00e7\u00e3o das lutas sociais levou a sede da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, a ficar lotada de representantes de partidos, entidades, movimentos, parlamentares, intelectuais e artistas.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/35\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-35","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c1-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-z","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}