{"id":3514,"date":"2012-09-10T19:35:25","date_gmt":"2012-09-10T19:35:25","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3514"},"modified":"2012-09-10T19:35:25","modified_gmt":"2012-09-10T19:35:25","slug":"governo-quer-fundo-de-pensao-para-estados-e-municipios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3514","title":{"rendered":"Governo quer fundo de pens\u00e3o para estados e munic\u00edpios"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo federal trabalha nos \u00faltimos detalhes para a cria\u00e7\u00e3o de um grande fundo de pens\u00e3o para Estados e munic\u00edpios, num esfor\u00e7o para controlar um d\u00e9ficit acumulado superior a R$ 1,5 trilh\u00e3o. Levantamento in\u00e9dito do governo, obtido pelo Estado, aponta que o d\u00e9ficit previdenci\u00e1rio de 25 Estados e Distrito Federal (DF) com seus servidores aposentados foi de R$ 1,46 trilh\u00e3o em 2011.<\/p>\n<p>O volume total da falta de recursos dos Estados para honrar pagamentos aos funcion\u00e1rios inativos \u00e9 ainda maior, uma vez que os dados de Minas Gerais foram deixados de fora, por causa de complica\u00e7\u00f5es legais entre o governo estadual e a Uni\u00e3o. J\u00e1 as 26 capitais (incluindo Belo Horizonte) acumularam um d\u00e9ficit previdenci\u00e1rio de R$ 97,5 bilh\u00f5es no ano passado.<\/p>\n<p>Ao todo, a diferen\u00e7a entre o que os Estados e suas capitais arrecadam e aquilo que devem pagar mensalmente a seus servidores aposentados e pensionistas custa pouco mais de um ter\u00e7o do Produto Interno Bruto (PIB). &#8220;Trata-se de algo impag\u00e1vel, sob qualquer ponto de vista e, mais grave do que a situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 entender que esta \u00e9 uma trajet\u00f3ria ascendente&#8221;, diz Leonardo Rolim, secret\u00e1rio de pol\u00edticas previdenci\u00e1rias do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social.<\/p>\n<p>De acordo com Rolim, o cen\u00e1rio assustador que se desenha para as contas p\u00fablicas no m\u00e9dio e longo prazos seria &#8220;refor\u00e7ado&#8221; pelo regime pr\u00f3prio da Uni\u00e3o, mas, neste caso, a decis\u00e3o da presidente Dilma Rousseff em tornar priorit\u00e1ria a aprova\u00e7\u00e3o no Congresso (em mar\u00e7o) da Funda\u00e7\u00e3o de Previd\u00eancia Complementar do Servidor P\u00fablico Federal (Funpresp) evitou um &#8220;terremoto&#8221; no futuro. Com d\u00e9ficit anual de R$ 60 bilh\u00f5es, ou 1,4% do PIB, o fundo de previd\u00eancia da Uni\u00e3o passar\u00e1 a ter novo regime em 2013, com o in\u00edcio efetivo do Funpresp.<\/p>\n<p>Prev Federa\u00e7\u00e3o. O objetivo do governo \u00e9 criar um &#8220;Funpresp dos Estados e munic\u00edpios&#8221;, de forma a repetir a experi\u00eancia da Uni\u00e3o. Chamado provisoriamente de Prev Federa\u00e7\u00e3o, o novo fundo de pens\u00e3o ter\u00e1 a mesma estrutura do Funpresp, isto \u00e9, seria um fundo de pens\u00e3o com funcion\u00e1rios, gestores, sede pr\u00f3pria e dois conselhos, um de administra\u00e7\u00e3o e outro fiscal.<\/p>\n<p>O Prev Federa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 aberto \u00e0 ades\u00e3o dos Estados e munic\u00edpios, que devem migrar os recursos recolhidos pelos funcion\u00e1rios na ativa e a contrapartida do setor p\u00fablico para o novo fundo, que vai remunerar o dinheiro por meio de aplica\u00e7\u00f5es em renda fixa (t\u00edtulos p\u00fablicos e deb\u00eantures), projetos de infraestrutura e outros pap\u00e9is.<\/p>\n<p>Tal como o Funpresp, o novo fundo de pens\u00e3o para Estados e munic\u00edpios ser\u00e1 constitu\u00eddo com os recursos dos servidores p\u00fablicos cujo sal\u00e1rio \u00e9 superior ao teto do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), hoje em R$ 3.916,00 por m\u00eas. Assim, um servidor que recebe R$ 10 mil por m\u00eas vai aplicar no fundo de pens\u00e3o a porcentagem que desejar sob a parcela de seu sal\u00e1rio que excede o teto do INSS, isto \u00e9, os demais R$ 6,1 mil por m\u00eas.<\/p>\n<p>Dos 5,2 milh\u00f5es de servidores na ativa nos Estados e munic\u00edpios, o governo federal estima que cerca de 450 mil recebam sal\u00e1rios que superam o teto do INSS. Este \u00e9 o universo do novo fundo de pens\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos regimes atuais, os servidores contribuem para a Previd\u00eancia com 11%, em m\u00e9dia, de seus sal\u00e1rios, enquanto a contrapartida dos Estados \u00e9 de cerca de 14%. Caso seja adotada para o Prev Federa\u00e7\u00e3o a mesma al\u00edquota de 8,5% definida pela Uni\u00e3o no Funpresp, as despesas de Estados e munic\u00edpios, portanto, ser\u00e3o menores.<\/p>\n<p>A ideia de criar um Funpresp para Estados e munic\u00edpios foi apresentada pelo Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social aos representantes estaduais e municipais, durante reuni\u00e3o do Conselho Nacional dos Dirigentes de Regimes Pr\u00f3prios de Previd\u00eancia (Conaprev) em 30 e 31 de agosto. Os representantes das administra\u00e7\u00f5es regionais concordaram em enviar, ainda neste m\u00eas, uma carta \u00e0 Uni\u00e3o solicitando a cria\u00e7\u00e3o do &#8220;Prev Federa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O projeto est\u00e1, neste momento, sob avalia\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos do Tesouro Nacional, no Minist\u00e9rio da Fazenda. Ap\u00f3s o escrut\u00ednio do Tesouro, o projeto ser\u00e1 discutido com o Minist\u00e9rio do Planejamento e a Casa Civil.<\/p>\n<p>Estima-se que a Uni\u00e3o deve gastar pouco menos da metade dos R$ 100 milh\u00f5es exigidos para criar a estrutura do Funpresp para desenvolver o Prev Federa\u00e7\u00e3o. Os recursos servem para as aplica\u00e7\u00f5es do fundo de pens\u00e3o n\u00e3o partirem do zero.<\/p>\n<p>&#8220;Trata-se de uma incubadora de fundos de pens\u00e3o&#8221;, explica Jaime Mariz, secret\u00e1rio de pol\u00edticas de previd\u00eancia complementar do Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social em refer\u00eancia ao novo fundo de pens\u00e3o para Estados e munic\u00edpios. De acordo com o secret\u00e1rio, o Prev Federa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 oportuno para Estados e munic\u00edpios que n\u00e3o contam com &#8220;musculatura&#8221; financeira para constitu\u00edrem fundos pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da Uni\u00e3o, com o Funpresp, apenas os Estados de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro j\u00e1 aprovaram a reforma de seus regimes previdenci\u00e1rios, com a cria\u00e7\u00e3o de fundos de pens\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Desonera\u00e7\u00e3o impulsiona cal\u00e7ados e vestu\u00e1rio<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Como resultado da matura\u00e7\u00e3o de medidas do governo, principalmente a desonera\u00e7\u00e3o da folha salarial e o novo n\u00edvel do d\u00f3lar, a ind\u00fastria de vestu\u00e1rio e a de cal\u00e7ados d\u00e3o sinais de recupera\u00e7\u00e3o, com melhora de desempenho de produ\u00e7\u00e3o industrial e de cria\u00e7\u00e3o de empregos acima da m\u00e9dia da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. O mercado internacional tamb\u00e9m voltou a entrar no radar dos dois setores, que j\u00e1 come\u00e7aram a reduzir pre\u00e7os de exporta\u00e7\u00e3o. A expectativa \u00e9 de melhora no segundo semestre, embalados pela sazonalidade favor\u00e1vel e amplia\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio da desonera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em julho, o setor t\u00eaxtil e de vestu\u00e1rio criou n\u00famero de vagas seis vezes maior que o de julho de 2011. O desempenho fez o segmento gerar 2,1% mais postos no acumulado de janeiro a julho. Em julho, a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m teve eleva\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o de empregos, mas de apenas 4,7%. Os cal\u00e7adistas tamb\u00e9m tiveram evolu\u00e7\u00e3o acima da m\u00e9dia. Em julho tiveram alta de 16% na gera\u00e7\u00e3o de empregos. No acumulado houve redu\u00e7\u00e3o de saldo de 1,7%. A perda, por\u00e9m, \u00e9 menor que a da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, que criou 43,4% menos empregos no acumulado. Os dados s\u00e3o do Minist\u00e9rio do Trabalho.<\/p>\n<p>Desde dezembro os dois segmentos foram beneficiados com a troca da cobran\u00e7a da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria de 20% sobre folha pelo recolhimento de 1,5% sobre a receita. Aguinaldo Diniz, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria T\u00eaxtil (Abit), lembra que a desonera\u00e7\u00e3o contribui de forma conjunta a outras medidas importantes, como a redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros e a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real.<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o de mais postos de trabalho foi acompanhada de melhora na produ\u00e7\u00e3o. Em junho a produ\u00e7\u00e3o industrial do setor de vestu\u00e1rio e acess\u00f3rios estava com queda de 14,1% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Em julho, a redu\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o se manteve, mas com queda mais amena, embora ainda representativa, de 6,4%. A ind\u00fastria de cal\u00e7ados saiu de uma queda de 6,7% em junho para redu\u00e7\u00e3o de apenas 0,7% em julho. A ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m teve melhora no n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o, mas em menor escala, saindo de uma redu\u00e7\u00e3o de 5,9% em junho para queda de 3% em julho.<\/p>\n<p>Para Julio Gomes de Almeida, consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), cal\u00e7ados, t\u00eaxteis e vestu\u00e1rio mostraram desempenho &#8220;menos ruim&#8221; nos \u00faltimos meses. Para ele, todas as a\u00e7\u00f5es do governo tiveram influ\u00eancia, mas as que mais contribu\u00edram foram o c\u00e2mbio e a desonera\u00e7\u00e3o da folha. &#8220;A economia n\u00e3o melhorou drasticamente nos \u00faltimos meses, o que levaria por si s\u00f3 a uma eleva\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria. As exporta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m n\u00e3o melhoraram, pois o mercado externo est\u00e1 em retra\u00e7\u00e3o. A n\u00e3o influ\u00eancia desses fatores deixa mais claro que as medidas do governo \u00e9 que fizeram diferen\u00e7a sobre a ind\u00fastria.&#8221;<\/p>\n<p>O desempenho da produ\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, ainda acumula perda de janeiro a julho. O setor de vestu\u00e1rio tem queda de 12% no acumulado e o de cal\u00e7ados, redu\u00e7\u00e3o de 4,4%. Jos\u00e9 Carlos Brigag\u00e3o do Couto, presidente do Sindicato das Ind\u00fastrias de Cal\u00e7ados de Franca (Sindifranca), diz que o primeiro semestre foi dif\u00edcil. &#8220;Em Franca conseguimos manter o mesmo n\u00edvel de emprego de 2011, o que consideramos de bom tamanho.&#8221;<\/p>\n<p>Couto, diz, por\u00e9m, que houve melhora de encomendas em junho e julho, o que gera boa expectativa para o segundo semestre, quando a sazonalidade est\u00e1 a favor dos dois segmentos. &#8220;As fam\u00edlias tamb\u00e9m est\u00e3o endividadas e em vez de comprar linha branca e ve\u00edculos, que t\u00eam benef\u00edcio do IPI, comprar\u00e3o bens mais acess\u00edveis.&#8221;<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o dos n\u00fameros gerais da ind\u00fastria, a D\u00f6hler aumentou a produ\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a 2011. A desonera\u00e7\u00e3o da folha teve efeito m\u00e1ximo porque a empresa n\u00e3o possui m\u00e3o de obra terceirizada, e por isso tinha antes pesada contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria. A desvaloriza\u00e7\u00e3o do real ajudou a competir com o produto estrangeiro, principalmente o asi\u00e1tico. Nos seis primeiros meses do ano em compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo de 2011, a produ\u00e7\u00e3o da empresa de pe\u00e7as de cama, mesa e banho cresceu 4,5%, com uso de 100% da capacidade e proje\u00e7\u00f5es de amplia\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica para o segundo semestre. Segundo o diretor-comercial Carlos Alexandre D\u00f6hler, dez novos teares entrar\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o at\u00e9 dezembro.<\/p>\n<p>J\u00e1 Rog\u00e9rio Dreyer, diretor-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Cal\u00e7ados (Abical\u00e7ados), explica que a desonera\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve efeito uniforme. Os cal\u00e7adistas que possuem alto n\u00edvel de terceiriza\u00e7\u00e3o ficaram com carga tribut\u00e1ria neutra na troca da contribui\u00e7\u00e3o cobrada sobre folha pela calculada sobre faturamento.<\/p>\n<p>A ga\u00facha Roanna ilustra o efeito desigual da desonera\u00e7\u00e3o. Cerca de 90% de sua produ\u00e7\u00e3o vai para terceiros. Seus 15 funcion\u00e1rios n\u00e3o integram a folha de sal\u00e1rios da empresa que compra seus cal\u00e7ados. &#8220;E a desonera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o teve efeito para n\u00f3s porque pagamos os tributos pelo Simples&#8221;, explica Ana Paula Kunrath, diretora da empresa. Segundo dados da Abical\u00e7ados, 35% dos trabalhadores do setor est\u00e3o em empresas de at\u00e9 cem funcion\u00e1rios, que tendem a usar o Simples.<\/p>\n<p>Mesmo assim, a Roanna se beneficia da melhora do setor. Durante o primeiro semestre, diz Ana Paula, a produ\u00e7\u00e3o foi, em m\u00e9dia, cem pares\/dia, bem abaixo da capacidade de 250 pares\/dia. Mas ela diz que as encomendas melhoraram em junho e julho. No segundo semestre, diz, a empresa deve trabalhar na capacidade m\u00e1xima.<\/p>\n<p>Ana Paula diz que a seguran\u00e7a num c\u00e2mbio mais favor\u00e1vel \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o estimulou a empresa a voltar a exportar, algo que n\u00e3o fez em 2011.<\/p>\n<p>Segundo dados da Funda\u00e7\u00e3o Centro de Estudos do Com\u00e9rcio Exterior (Funcex), em julho, o pre\u00e7o m\u00e9dio para exporta\u00e7\u00e3o de vestu\u00e1rio e acess\u00f3rios caiu 2,9% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano passado. O pre\u00e7o m\u00e9dio dos cal\u00e7ados e artefatos de couro tamb\u00e9m caiu 4,2%. Com pre\u00e7os menores, aumenta a capacidade de competir no mercado internacional. O setor de couros e cal\u00e7ados chegou a apresentar 1,7% de aumento no volume de exporta\u00e7\u00e3o em julho, embora ainda tenha perda de 9,3% no acumulado de janeiro a julho.<\/p>\n<p>Rafael Schefer, diretor do Grupo Priority, ao qual pertencem as cal\u00e7adistas West Coast e Cravo e Canela, diz que \u00e9 dif\u00edcil avaliar se o setor cal\u00e7adista est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o melhor do que o ano passado. No entanto, ele afirma que o mercado interno deve continuar crescendo, assim como as exporta\u00e7\u00f5es est\u00e3o mais competitivas com o c\u00e2mbio. &#8220;O mercado n\u00e3o est\u00e1 em seu melhor momento, mas est\u00e1 andando. As empresas que est\u00e3o fazendo diferente, evoluindo, v\u00e3o continuar.&#8221;<\/p>\n<p>O grupo, diz o executivo, est\u00e1 com produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica maior. Segundo Schefer, a desonera\u00e7\u00e3o inicial da folha n\u00e3o teve muito efeito, mas fez diferen\u00e7a desde agosto, quando a contribui\u00e7\u00e3o calculada sobre receita caiu de 1,5% para 1%. Cerca de 20% do faturamento do grupo vem de exporta\u00e7\u00e3o, o que torna o benef\u00edcio mais vantajoso, j\u00e1 que a receita do exterior fica fora do c\u00e1lculo da contribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A perspectiva para este ano, \u00e9 que o grupo aumente at\u00e9 25% do faturamento, ajudado tamb\u00e9m pelo aumento dos investimentos, com a instala\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas novas e a desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar. A estimativa \u00e9 que as duas empresas produzam 4 milh\u00f5es de pares de cal\u00e7ados em 2012.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Subs\u00eddios aumentam 30% com est\u00edmulos \u00e0 economia<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Para estimular o crescimento econ\u00f4mico, o governo federal aumentou em quase 30% as despesas com subs\u00eddios e subven\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de janeiro a julho na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2011. Os gastos saltaram de R$ 6,53 bilh\u00f5es para R$ 8,45 bilh\u00f5es e devem continuar subindo, algo que o secret\u00e1rio do Tesouro, Arno Augustin, considera &#8220;normal em um momento de est\u00edmulo \u00e0 economia&#8221;. Para ele, a despesa &#8220;um pouco mais forte&#8221; est\u00e1 relacionada \u00e0s medidas antic\u00edclicas adotadas.<\/p>\n<p>O governo j\u00e1 deixou claro que n\u00e3o vai poupar esfor\u00e7os para impulsionar os investimentos privados, contidos pelo cen\u00e1rio internacional adverso. O ministro de Fazenda, Guido Mantega, anunciou juros negativos at\u00e9 o fim do ano para algumas linhas do Programa de Sustenta\u00e7\u00e3o do Investimento (PSI) do BNDES. O Tesouro n\u00e3o informou estimativa do custo da medida para os cofres p\u00fablicos.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pela equaliza\u00e7\u00e3o dos juros negativos no BNDES. Em janeiro de 2013, a taxa dessa linha de cr\u00e9dito especial, que foi reduzida de 5% para 2,5% ao ano, voltar\u00e1 a 7%. Al\u00e9m do PSI, ajudam a inflar os n\u00fameros as renegocia\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Pelos dados do Tesouro, os desembolsos do governo com subs\u00eddios e subven\u00e7\u00f5es crescem 20,9% acima do PIB nominal. Nos sete primeiros meses de 2011, esse gasto equivalia a 0,28% do PIB. No mesmo per\u00edodo deste ano, o valor saltou para 0,34% do PIB. Esses incentivos e os desembolsos dos investimentos no programa Minha Casa, Minha Vida foram os que apresentaram maior expans\u00e3o no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, no in\u00edcio do ano o governo deixou de contabilizar o Minha Casa, Minha Vida como subs\u00eddio e passou a consider\u00e1-lo investimento. Isso acabou distorcendo as avalia\u00e7\u00f5es, diminuindo o ritmo de expans\u00e3o dos subs\u00eddios e inflando os investimentos.<\/p>\n<p>Para o economista S\u00e9rgio Vale, da MB Associados, h\u00e1 d\u00favidas se a concess\u00e3o desses benef\u00edcios realmente incentiva crescimento. O aumento dos subs\u00eddios, segundo ele, n\u00e3o prejudica as contas p\u00fablicas, mas sinaliza uma piora na qualidade dos gastos. &#8220;S\u00f3 o Minha Casa parece ter um efeito concreto, em que pese ser de impacto pequeno no total. O restante significar\u00e1 apenas mais custo para o setor p\u00fablico nos pr\u00f3ximos anos&#8221;, afirma.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Brasil pode descartar candidatura pr\u00f3pria \u00e0 OMC<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A experi\u00eancia da Rio+20, a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, pode levar o governo brasileiro a descartar a ideia de candidatura pr\u00f3pria \u00e0 dire\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), que vagar\u00e1 no pr\u00f3ximo ano, com a sa\u00edda do atual diretor-geral, o franc\u00eas Pascal Lamy.<\/p>\n<p>Com base nas discuss\u00f5es da Rio+20, em junho, quando o Brasil foi criticado pela &#8220;timidez&#8221; do texto final da confer\u00eancia, embora ele tenha refletido o consenso poss\u00edvel nas negocia\u00e7\u00f5es, Dilma chegou a comentar com auxiliares que o Brasil deveria buscar maior influ\u00eancia sem comprometer uma indica\u00e7\u00e3o do Planalto no comando da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias, come\u00e7aram em Genebra especula\u00e7\u00f5es sobre o futuro substituto de Lamy. Ag\u00eancias de not\u00edcias internacionais chegaram a incluir na lista de poss\u00edveis candidatos o embaixador brasileiro na OMC, Roberto Azevedo. O governo brasileiro prefere, por\u00e9m, esperar a apresenta\u00e7\u00e3o de candidaturas de outros pa\u00edses e a forma\u00e7\u00e3o de blocos de apoio. O Brasil n\u00e3o se compromete nem a apoiar algum candidato de pa\u00eds emergente, como defendem diplomatas estrangeiros em Genebra.<\/p>\n<p>Com base na correla\u00e7\u00e3o das for\u00e7as em disputa, a diplomacia brasileira poder\u00e1 negociar o apoio do Brasil em troca de compromissos por uma gest\u00e3o que atenda aos interesses do pa\u00eds. Uma das prioridades do governo na OMC \u00e9 incluir, entre as regras multilaterais, dispositivos para compensar o efeito negativo de desvaloriza\u00e7\u00f5es do c\u00e2mbio sobre o com\u00e9rcio mundial.<\/p>\n<p>A necessidade de disciplinar as mudan\u00e7as nas cota\u00e7\u00f5es de moeda, de forma a n\u00e3o distorcer as condi\u00e7\u00f5es de com\u00e9rcio entre pa\u00edses, foi alvo de um semin\u00e1rio na OMC, no in\u00edcio do ano, por iniciativa da delega\u00e7\u00e3o brasileira, chefiada por Azevedo. O diplomata foi quem apresentou e negociou com sucesso a proposta de promover a discuss\u00e3o sobre o tema na OMC.<\/p>\n<p>Pa\u00edses como Estados Unidos e membros da Uni\u00e3o Europeia preferem restringir as discuss\u00f5es sobre c\u00e2mbio \u00e0 esfera do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), onde os efeitos das varia\u00e7\u00f5es de cota\u00e7\u00f5es de moeda sobre o com\u00e9rcio n\u00e3o est\u00e3o na agenda.<\/p>\n<p>Em julho, ao falar sobre o tema na sede da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp), Azevedo comentou que o Brasil ter\u00e1 um &#8220;papel central&#8221; no estabelecimento de regras para as pol\u00edticas de c\u00e2mbio que evitem efeitos negativos sobre pa\u00edses competitivos comercialmente. Negociador experiente e respeitado na diplomacia internacional, Azevedo \u00e9 o candidato natural do Brasil, caso o pa\u00eds lance um nome para o posto de Lamy. Por\u00e9m, o diplomata pode ser, em breve, designado para outro posto.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do ano, dava-se como certa no Itamaraty a nomea\u00e7\u00e3o de Azevedo para a embaixada do Brasil nos EUA, e a da mulher dele, Maria Nazar\u00e9 Farani de Azevedo, representante do Brasil na miss\u00e3o da ONU em Genebra, para o posto de representante do Brasil na Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OEA). Mas, irritada com as iniciativas na OEA contra as usinas hidrel\u00e9tricas brasileiras, a presidente Dilma esvaziou a representa\u00e7\u00e3o brasileira na organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Dilma e presidente eleito do M\u00e9xico v\u00e3o discutir alian\u00e7a entre estatais do petr\u00f3leo<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Uma poss\u00edvel alian\u00e7a entre Petrobras e a mexicana Pemex est\u00e1 na pauta do encontro entre a presidente Dilma Rousseff e o presidente eleito do M\u00e9xico, Enrique Pe\u00f1a Nieto, do PRI, que vem ao Brasil no dia 20. A visita \u00e9 parte de uma viagem pela Am\u00e9rica Latina, que incluir\u00e1 Chile, Argentina, Guatemala e Col\u00f4mbia, e servir\u00e1, segundo a equipe do novo presidente, para &#8220;aproxima\u00e7\u00e3o pol\u00edtica&#8221;. Em novembro, ele visitar\u00e1 os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Dilma, que telefonou a Pe\u00f1a Nieto logo ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, quando o resultado ainda era questionado na Justi\u00e7a mexicana pelo concorrente Andr\u00e9s Manuel Lopes Obrador, v\u00ea no governo do PRI no M\u00e9xico uma oportunidade de um &#8220;novo come\u00e7o&#8221; com o pa\u00eds, do qual o Brasil se afastou por diverg\u00eancias nos \u00f3rg\u00e3os multilaterais, durante o governo anterior, de Felipe Calder\u00f3n.<\/p>\n<p>A presidente acredita ser poss\u00edvel tamb\u00e9m buscar pontos de contato entre as duas grandes petrol\u00edferas, Petrobras e Pemex, para atua\u00e7\u00e3o conjunta no mercado internacional. Uma poss\u00edvel \u00e1rea de coopera\u00e7\u00e3o, segundo o governo brasileiro, seriam as compras de equipamentos, como sondas de perfura\u00e7\u00e3o, por exemplo: juntas, as duas estatais poderiam buscar melhores condi\u00e7\u00f5es de prazos e pre\u00e7os. \u00c9 poss\u00edvel que o encontro entre Dilma e Pe\u00f1a Nieto tenha, como convidada, a presidente da Petrobras, Gra\u00e7a Foster.<\/p>\n<p>Pressionado pela necessidade de aumentar investimentos em tecnologia na estatal mexicana, afetada negativamente pela queda na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no pa\u00eds, Pe\u00f1a Nieto elegeu-se prometendo buscar maior liberdade de atua\u00e7\u00e3o para a empresa em suas rela\u00e7\u00f5es com o setor privado. Falou em inspirar-se no modelo da Petrobras e chegou a mencionar um poss\u00edvel lan\u00e7amento de a\u00e7\u00f5es da empresa, no formato seguido pela estatal brasileira.<\/p>\n<p>Estima-se, no M\u00e9xico, que a estatal Pemex necessita de investimentos equivalentes a US$ 20 bilh\u00f5es anuais para aumentar a produ\u00e7\u00e3o &#8211; dos atuais 2,6 milh\u00f5es de barris por dia para a meta de produ\u00e7\u00e3o de 3 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios a partir de 2017 -, afastando a amea\u00e7a de esgotamento das reservas existentes, cuja dura\u00e7\u00e3o \u00e9 calculada em pelo menos em 30 anos.<\/p>\n<p>O m\u00e1ximo de produ\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ado pelo M\u00e9xico foi de 3,4 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios, em 2004. A Pemex j\u00e1 tem recorrido a operadoras privadas, em regime de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, para explorar campos maduros.<\/p>\n<p>A abertura do setor de \u00f3leo e g\u00e1s \u00e0 participa\u00e7\u00e3o privada, nos planos de Pe\u00f1a Nieto, capacitaria a Pemex a lan\u00e7ar a\u00e7\u00f5es no mercado, no estilo da Petrobras, com a manuten\u00e7\u00e3o do controle pelo governo. O assunto \u00e9 pol\u00eamico no pa\u00eds e o presidente eleito n\u00e3o conseguiu maioria absoluta no Congresso, o que exigir\u00e1 demoradas negocia\u00e7\u00f5es sobre mudan\u00e7as nos artigos da Constitui\u00e7\u00e3o mexicana que garantem \u00e0 Pemex monop\u00f3lio sobre a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo (a empresa pode contratar servi\u00e7os de petroleiras privadas, mas n\u00e3o \u00e9 autorizada a fazer contratos de risco).<\/p>\n<p>Ca\u00edram bem no Pal\u00e1cio do Planalto as repetidas declara\u00e7\u00f5es do mexicano sobre o interesse dele em uma alian\u00e7a com o Brasil no campo internacional. Embora as negocia\u00e7\u00f5es para redu\u00e7\u00e3o de tarifas no com\u00e9rcio bilateral estejam paralisadas e tenham sofrido um golpe neste ano com a decis\u00e3o unilateral de Dilma de impor cotas \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis mexicanos, assessores do mexicano e da brasileira incluem a possibilidade de discutir uma aproxima\u00e7\u00e3o no campo comercial entre os dois pa\u00edses durante a visita de Pe\u00f1a Nieto.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sucessivos saldos positivos na rela\u00e7\u00e3o comercial com o M\u00e9xico, o Brasil passou a ter d\u00e9ficit em 2009, e, em 2011, o saldo negativo pulou, de menos de US$ 150 milh\u00f5es, em 2010, para quase US$ 1,2 bilh\u00e3o. Em julho, o d\u00e9ficit comercial j\u00e1 superou a marca de todo o ano passado, devido principalmente \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de carros, que, apesar de sujeita a cotas, foi antecipada pelas montadoras para aproveitar a redu\u00e7\u00e3o do IPI e a forte demanda interna no Brasil.<\/p>\n<hr \/>\n<p>BCE navega entre riscos pol\u00edticos<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Antes mesmo de Mario Draghi anunciar o grande plano do Banco Central Europeu (BCE) para salvar o euro, na quinta-feira, o vazamento de pontos importantes levou o banco Goldman Sachs, ex-empregador de Draghi, a chamar as medidas de &#8220;vers\u00e3o 2.0&#8221; do pacote lan\u00e7ado h\u00e1 dois anos. Comparar o programa de compra de b\u00f4nus \u00e0 tentativa do BCE em 2010 de controlar os rendimentos dos pap\u00e9is dos pa\u00edses com problemas foi um lembrete desagrad\u00e1vel do quanto aquela a\u00e7\u00e3o foi malsucedida.<\/p>\n<p>Draghi est\u00e1 convencido de que o BCE que ele preside faz a coisa certa desta vez. A retomada da compra de b\u00f4nus ser\u00e1 ilimitada, ao contr\u00e1rio da vez anterior. A ajuda \u00e9 atrelada a medidas de reforma e austeridade impostas por Bruxelas, com o FMI convidado a tamb\u00e9m supervisionar os pa\u00edses errantes. E o mais importante: o BCE diz que vai se colocar na mesma classifica\u00e7\u00e3o de outros credores, para que as compras n\u00e3o enfraque\u00e7am a qualidade de cr\u00e9dito de b\u00f4nus mantidos em m\u00e3os privadas.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 muitas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao programa anterior, o que nos leva a pensar que este de fato vai funcionar&#8221;, disse Draghi. Os mercados levaram a s\u00e9rio suas palavras e os rendimentos dos b\u00f4nus de Espanha, It\u00e1lia e do resto da periferia da zona do euro ca\u00edram.<\/p>\n<p>Resumindo, os investidores ficaram euf\u00f3ricos. Eles tinham duas boas raz\u00f5es. O BCE est\u00e1 prometendo assumir o risco de um desmembramento do euro, a maior amea\u00e7a que paira sobre a economia mundial. Descontando isso, todo ativo de risco passa a valer mais.<\/p>\n<p>A cereja sobre um bolo que j\u00e1 parecia bastante saboroso foi a decis\u00e3o surpresa do BCE de afrouxar suas exig\u00eancias de garantias. Ele vai aceitar ativos com classifica\u00e7\u00e3o &#8220;junk&#8221; como garantia contra empr\u00e9stimos e at\u00e9 alguns ativos em moedas estrangeiras. Em termos simples, o banco central est\u00e1 pronto para absorver uma grande parcela do cr\u00e9dito e do risco cambial da Europa, tornando os ativos remanescentes mais seguros.<\/p>\n<p>Muitos apoiam a iniciativa. Mas John Burbank, gestor do fundo de hedge Passport Capital, diz que o plano representa pouco mais que a manipula\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os. &#8220;Se voc\u00ea est\u00e1 posicionado fundamentalmente [apostando na desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica], voc\u00ea est\u00e1 posicionado contra essa bobagem.&#8221;<\/p>\n<p>Ainda assim, at\u00e9 os defensores do plano aceitam que grandes desafios permanecem. O mais imediato \u00e9 que o BCE n\u00e3o far\u00e1 nada enquanto a Espanha n\u00e3o concordar com a imposi\u00e7\u00e3o politicamente t\u00f3xica de condi\u00e7\u00f5es por Bruxelas e, provavelmente, pelo FMI.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o para o longo prazo \u00e9 como o BCE vai lidar com o risco moral, o perigo de a Espanha ou outro pa\u00eds benefici\u00e1rio desperdi\u00e7ar as economias com o financiamento mais barato para agradar os eleitores. O Bundesbank, banco central alem\u00e3o, teme tanto o risco moral que Jens Wridmann, seu presidente, foi o \u00fanico a discordar do plano entre os formuladores da pol\u00edtica monet\u00e1ria do BCE.<\/p>\n<p>Muitos investidores acham inapropriados os temores da Alemanha quando a sobreviv\u00eancia do euro est\u00e1 amea\u00e7ada. Mas a intera\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica e o plano criam motivos genu\u00ednos de preocupa\u00e7\u00e3o. Governos de todas as partes t\u00eam uma tend\u00eancia a serem otimistas demais em suas previs\u00f5es, e os da zona do euro ainda mais. Se, e quando, a Espanha ou outro pa\u00eds que estiver sendo ajudado pelo BCE n\u00e3o cumprir as metas ditadas por Bruxelas e pelo FMI, isso colocar\u00e1 o BCE diante de uma escolha dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Ele poder\u00e1 amea\u00e7ar parar de comprar b\u00f4nus para impingir uma maior austeridade, ou aceitar\u00e1 que o pa\u00eds deu o m\u00e1ximo de si e continuar\u00e1 comprando pap\u00e9is mesmo sem o cumprimento das metas. Neste caso, poderia provocar uma rea\u00e7\u00e3o da Alemanha e uma crise de confian\u00e7a no banco central. Navegar entre esses dois riscos pol\u00edticos ser\u00e1 complicado para um banqueiro central, na melhor das hip\u00f3teses.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Come\u00e7am as negocia\u00e7\u00f5es do projeto da Rio Tinto no Paraguai<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O gigantesco projeto de produ\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio prim\u00e1rio da multinacional anglo-australiana Rio Tinto no Paraguai come\u00e7a a ser negociado com o novo governo do pa\u00eds e j\u00e1 se volta para o mercado brasileiro.<\/p>\n<p>Segundo informou ao Valor o governo paraguaio, o presidente Federico Franco autorizou o in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es com a empresa. Essa nova etapa do projeto come\u00e7a com a constitui\u00e7\u00e3o de um time do governo e um da empresa para as discuss\u00f5es e deve durar oito meses. &#8220;O governo quer estabelecer que no m\u00ednimo 40% do alum\u00ednio processado pela Rio Tinto no complexo seja transformado no Paraguai&#8221;, afirma Diego Zavala, vice-ministro de Com\u00e9rcio do Paraguai. Outros pontos importantes que o governo vai colocar na mesa de negocia\u00e7\u00f5es envolvem o fornecimento de energia &#8211; os pre\u00e7os e condi\u00e7\u00f5es -, os impactos ambientais, as formas de tributa\u00e7\u00e3o e as garantias para os investimentos da empresa.<\/p>\n<p>O projeto da Rio Tinto est\u00e1 desenhado para ter capacidade de produ\u00e7\u00e3o de 674 mil toneladas de alum\u00ednio prim\u00e1rio por ano. Dever\u00e3o ser investidos US$ 3,5 bilh\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o da unidade de fundi\u00e7\u00e3o. Ao se considerar os desembolsos necess\u00e1rios \u00e0 infraestrutura do parque industrial, os recursos podem ultrapassar os US$ 4 bilh\u00f5es, segundo o governo paraguaio.<\/p>\n<p>O ponto-chave para a Rio Tinto \u00e9 a garantia de fornecimento e de pre\u00e7os competitivos da energia, o insumo de maior peso no setor de alum\u00ednio prim\u00e1rio, podendo representar at\u00e9 um ter\u00e7o dos custos.<\/p>\n<p>Como a quest\u00e3o ser\u00e1 levantada e definida durante essa etapa de negocia\u00e7\u00f5es, Zavala n\u00e3o informa como est\u00e1 equacionado o fornecimento de energia para o parque industrial. E nega os rumores de que o governo planeja subs\u00eddios. &#8220;N\u00e3o recebemos nenhuma instru\u00e7\u00e3o do governo para estudar qualquer tipo de subs\u00eddio de energia. Devemos incentivar com regime tribut\u00e1rio&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia do governo \u00e9 atrair empresas que possam utilizar o excedente de energia do pa\u00eds. E o Brasil est\u00e1 no centro desses planos. O projeto inclui a atra\u00e7\u00e3o de transformadoras do metal brasileiras para se instalarem no entorno da unidade da Rio Tinto e, assim, criar um polo de fabrica\u00e7\u00e3o de itens como cabos e fios, componentes e pe\u00e7as fundidas e embalagens, entre outros produtos. &#8220;O objetivo \u00e9 ser um bom parceiro do Brasil. S\u00e3o diversos empres\u00e1rios que querem produzir transformados, mas a oferta de alum\u00ednio no Brasil estagnou&#8221;, explica Zavala.<\/p>\n<p>Com um prazo previsto para ser conclu\u00eddo &#8211; no melhor dos casos &#8211; em tr\u00eas ou quatro anos, o mercado fica agora atento \u00e0 real viabilidade do projeto. No Paraguai falta alumina, mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o do alum\u00ednio. O pa\u00eds carece ainda de insumos como o coque e os combust\u00edveis para alimenta\u00e7\u00e3o da unidade. Desse modo, a Rio Tinto vai comprar alumina do mercado. Isso faz com que a log\u00edstica seja um dos maiores desafios do plano de custos da multinacional: \u00e9 essencial que o parque seja instalado pr\u00f3ximo a portos e a navegabilidade dos rios Paran\u00e1-Paraguai ser\u00e1 indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Paraguai n\u00e3o tem mercado para o processamento do alum\u00ednio, tampouco mercado consumidor. Por isso depende mesmo da atra\u00e7\u00e3o de empresas transformadoras de fora.<\/p>\n<p>Segundo Zavala, o governo de Federico Franco est\u00e1 focado para resolver essas quest\u00f5es. &#8220;H\u00e1 maior dinamismo agora. O governo leva a s\u00e9rio esse projeto&#8221;, pondera. Apesar da sa\u00edda do presidente Fernando Lugo, o ministro de Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio paraguaio, Francisco Rivas, continuou no posto. O grupo de trabalho relacionado ao projeto da Rio Tinto se manteve praticamente o mesmo, segundo Zavala. Ele subiu de cargo: antes prestava servi\u00e7os ao governo, era assessor do ministro. Agora, Zavala est\u00e1 no posto de vice-ministro.<\/p>\n<p>Autoridades j\u00e1 sugeriram que a mudan\u00e7a de governo no Paraguai teria envolvido interesses de grandes empresas no pa\u00eds, que tiveram neg\u00f3cios prejudicados pelo antigo comando. Segundo Zavala, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7as entre o antigo e o atual governo na orienta\u00e7\u00e3o para o projeto. &#8220;Ambos mostraram interesse e quiseram negociar&#8221;, diz.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Cr\u00e9dito deve ir a at\u00e9 70% do PIB<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O cr\u00e9dito vai seguir ganhando espa\u00e7o na economia brasileira, por\u00e9m crescer\u00e1 em ritmo mais lento daqui em diante. Hoje representando 50,6% do Produto Interno Bruto, o estoque das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito deve avan\u00e7ar para perto de 70% do PIB ao longo de dez anos, segundo economistas ouvidos pelo Valor. Eles concordam que a velocidade de avan\u00e7o ser\u00e1 mais moderada que aquela registrada nos \u00faltimos anos, beirando os 15% ao ano, sinal de uma expans\u00e3o mais &#8220;sustent\u00e1vel&#8221;. Em julho, o estoque de cr\u00e9dito atingiu R$ 2,18 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Dados de julho do Banco Central refor\u00e7am a tend\u00eancia de modera\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito. O estoque de financiamentos cresceu 17,7% no per\u00edodo de doze meses encerrado em julho. Em doze meses at\u00e9 junho, a alta foi de 17,9% e, at\u00e9 maio, de 18,3%. Em 2008, o crescimento chegava a 30% ao ano. Claramente, a taxa est\u00e1 desacelerando.<\/p>\n<p>&#8220;Projetamos que a rela\u00e7\u00e3o cr\u00e9dito e PIB alcan\u00e7ar\u00e1 cerca de 64% nos pr\u00f3ximos dez anos&#8221;, afirma Octavio de Barros, diretor do departamento de pesquisa e estudos econ\u00f4micos do Bradesco. &#8220;Esperamos que a taxa atual de crescimento [do estoque de cr\u00e9dito], ao redor de 16% ao ano, passe para uma m\u00e9dia em torno de 11% ao ano nos pr\u00f3ximos dez anos&#8221;, calcula.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar do crescimento acelerado nos \u00faltimos anos, o total de empr\u00e9stimos banc\u00e1rios como propor\u00e7\u00e3o do PIB no Brasil ainda \u00e9 relativamente baixo quando comparado a outros pa\u00edses&#8221;, observa Carlos Faria, economista-chefe do Deutsche Bank. Dados do Banco Mundial mostram a propor\u00e7\u00e3o cr\u00e9dito e riqueza no Brasil atr\u00e1s de Chile e \u00c1frica do Sul, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;A contribui\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito para alavancar o crescimento econ\u00f4mico passar\u00e1 a ser muito menor nos pr\u00f3ximos anos&#8221;, avalia Luiz Fernando Figueiredo, s\u00f3cio da gestora Mau\u00e1 Sekular Investimentos e ex-diretor de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do BC. Ele estima um avan\u00e7o anual na faixa de 10% a 15% do estoque de opera\u00e7\u00f5es para a pr\u00f3xima d\u00e9cada. &#8220;H\u00e1 um processo de realoca\u00e7\u00e3o do crescimento do cr\u00e9dito de consumo para o setor imobili\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos do HSBC, o incremento da rela\u00e7\u00e3o entre cr\u00e9dito e PIB deve ser de 1 a 2 dois pontos percentuais ao ano para os pr\u00f3ximos anos, j\u00e1 que vem caindo a diferen\u00e7a entre crescimento do cr\u00e9dito e do PIB, segundo Andr\u00e9 Loes, economista-chefe do banco. Ele estima que as taxas m\u00e9dias de crescimento anual do cr\u00e9dito fiquem entre 13% e 15% e as do PIB nominal entre 9% e 10% na pr\u00f3xima d\u00e9cada. &#8220;N\u00e3o \u00e9 um crescimento t\u00e3o expressivo como no passado e acredito estar em linha com o que o Banco Central espera.&#8221;<\/p>\n<p>Para o BC, a taxa de equil\u00edbrio do crescimento anual do cr\u00e9dito estaria em 16%, segundo estudo publicado no site da autoridade monet\u00e1ria, que tem entre seus autores o diretor de Regula\u00e7\u00e3o do BC, Luiz Awazu Pereira da Silva. O pr\u00f3prio diretor, em evento recente em S\u00e3o Paulo, afirmou que, no passado, houve &#8220;um crescimento excessivo de certos segmentos do cr\u00e9dito&#8221;, mas que o BC agiu para limit\u00e1-lo. Defendeu ainda que a rela\u00e7\u00e3o cr\u00e9dito e PIB &#8220;ainda comporta espa\u00e7o de crescimento com seguran\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>O Santander calcula patamar de crescimento do cr\u00e9dito pr\u00f3ximo ao do BC para horizonte de cinco a dez anos. &#8220;A taxa sustent\u00e1vel est\u00e1 entre 16% e 18% ao ano&#8221;, afirma Maur\u00edcio Molan, economista-chefe do banco. Para chegar nesse percentual, o banco considerou tr\u00eas par\u00e2metros principais: o crescimento da renda, o alongamento de prazos dos empr\u00e9stimos e a queda nos juros. A conta considera que a base para determinar o avan\u00e7o do cr\u00e9dito \u00e9 a expans\u00e3o da massa salarial nominal. Ou seja, se a massa salarial cresce a 10% no ano, como ocorre hoje, o patamar m\u00ednimo de crescimento do cr\u00e9dito \u00e9 de 10%. Aumentos de prazos e quedas nos juros das opera\u00e7\u00f5es incrementam esse crescimento.<\/p>\n<p>Segundo c\u00e1lculos do banco, cada m\u00eas adicional do prazo m\u00e9dio de financiamentos d\u00e1 espa\u00e7o para um acr\u00e9scimo de 2,1 pontos percentuais na taxa de crescimento anual do estoque do cr\u00e9dito. J\u00e1 uma queda de um ponto percentual nas taxas de juros das opera\u00e7\u00f5es aumenta em 1,1 ponto percentual a taxa de crescimento.<\/p>\n<p>&#8220;Um crescimento de 15% no saldo \u00e9 razo\u00e1vel no prazo m\u00e9dio. Mas a parcela mais importante desse avan\u00e7o deve vir da pessoa jur\u00eddica&#8221; diz o ex-diretor do BC e estrategista da Tandem Global Partners, Paulo Vieira da Cunha. Na pessoa f\u00edsica, ele avalia que a pol\u00edtica de sal\u00e1rio m\u00ednimo da administra\u00e7\u00e3o Lula trouxe o segmento de baixa renda para o cr\u00e9dito, mas que esse movimento se esgotou. &#8220;\u00c9 um processo que teve um salto, mas que agora avan\u00e7a de forma mais paulatina.&#8221;<\/p>\n<p>No curto prazo, as taxas de avan\u00e7o do estoque de cr\u00e9dito devem se beneficiar de um &#8220;crescimento vegetativo&#8221;, em que os juros altos das opera\u00e7\u00f5es contratadas no passado aumentam a velocidade do avan\u00e7o, avalia Tha\u00eds Zara, economista-chefe da Rosenberg Consultores Associados. Entretanto, como o prazo m\u00e9dio dos empr\u00e9stimos com recursos livres no Brasil \u00e9 pequeno (cerca de um ano e meio) deve ocorrer uma substitui\u00e7\u00e3o do estoque de empr\u00e9stimos por opera\u00e7\u00f5es com juros menores, limitando o crescimento do saldo de opera\u00e7\u00f5es apenas gra\u00e7as aos juros.<\/p>\n<p>Zara estima que o cr\u00e9dito no Brasil chegue a at\u00e9 80% do PIB em at\u00e9 duas d\u00e9cadas. &#8220;Extrapolar esse n\u00edvel depende de resolver os grandes gargalos da economia brasileira, como a falta de infraestrutura.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Decis\u00e3o do Fed definir\u00e1 rumo do d\u00f3lar<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O mercado cambial brasileiro deve iniciar a semana se ajustando ao movimento de desvaloriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar no mundo ocorrido na sexta-feira, quando os neg\u00f3cios no pa\u00eds estavam suspensos por causa do feriado de 7 de Setembro. A prov\u00e1vel queda da cota\u00e7\u00e3o da moeda americana tem um motivo espec\u00edfico: a decep\u00e7\u00e3o com o desempenho do mercado de trabalho americano em agosto, que elevou as apostas dos investidores de que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, anunciar\u00e1 medidas de est\u00edmulo econ\u00f4mico no curto prazo.<\/p>\n<p>Os EUA geraram em termos l\u00edquidos 96 mil empregos em agosto, bem abaixo da estimativa de 125 mil, de acordo com pesquisa da Dow Jones Newswires. Os n\u00fameros decepcionaram o mercado, que esperava dados mais fortes, j\u00e1 que na quinta-feira foi anunciada a cria\u00e7\u00e3o l\u00edquida de 210 mil vagas no setor privado no m\u00eas passado, acima da expectativa de 145 mil.<\/p>\n<p>Na sexta-feira, o ICE U.S. Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana em rela\u00e7\u00e3o a uma cesta de seis moedas, renovou a m\u00ednima desde meados de maio. Ao mesmo tempo, o euro &#8211; que responde por mais da metade dessa cesta &#8211; bateu US$ 1,2806 na m\u00e1xima do dia, maior n\u00edvel desde a cota\u00e7\u00e3o de US$ 1,2815 alcan\u00e7ada em 22 de maio.<\/p>\n<p>A expectativa de que o Fed anuncie medidas de suporte \u00e0 economia j\u00e1 nesta semana &#8211; que poderiam vir na forma de uma terceira rodada de afrouxamento quantitativo, ou &#8220;QE3&#8221; &#8211; impulsionou tamb\u00e9m moedas de perfil semelhante ao real. O d\u00f3lar australiano, por exemplo, subiu a US$ 1,0398 na m\u00e1xima do dia, enquanto a lira turca atingiu 1,7963 por d\u00f3lar, maior patamar em duas semanas.<\/p>\n<p>Por aqui, a expectativa n\u00e3o \u00e9 diferente. Caso se ajuste ao movimento externo da sexta-feira, o d\u00f3lar pode inclusive perder o patamar de R$ 2,02, o que aumentaria as chances de uma nova interven\u00e7\u00e3o do Banco Central. Vale lembrar que o BC tem emitido sinais claros de que defender\u00e1 o piso de R$ 2.<\/p>\n<p>No fim de agosto, por exemplo, a autoridade monet\u00e1ria n\u00e3o rolou o equivalente a US$ 4,1 bilh\u00f5es em swap cambial tradicional que venceram no in\u00edcio de setembro, provocando um efeito l\u00edquido de compra de d\u00f3lares. H\u00e1 cerca de tr\u00eas semanas, quando o d\u00f3lar atingiu R$ 2,007, o BC vendeu swaps reversos pela primeira vez desde mar\u00e7o, o que afastou a taxa de c\u00e2mbio do n\u00edvel de R$ 2.<\/p>\n<p>Dessa forma, a percep\u00e7\u00e3o de que o BC seguir\u00e1 atuante no c\u00e2mbio leva profissionais do mercado a minimizarem o impacto de eventuais ingressos de recursos ao pa\u00eds na esteira do an\u00fancio de medidas pelo Banco Central Europeu (BCE) e tamb\u00e9m na expectativa de uma medida semelhante nos EUA.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o acredito em grandes fluxos por conta disso, mas, mesmo que eles venham, certamente o BC vai agir e enxugar essa liquidez excedente, o que deve ajudar a manter o d\u00f3lar acima dos R$ 2&#8221;, diz o economista-chefe do Rabobank Brasil, Rob\u00e9rio Costa. &#8220;No geral, a impress\u00e3o que tenho \u00e9 de que o fluxo vai ser suficiente apenas para manter o d\u00f3lar est\u00e1vel, sem grandes flutua\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma, prevendo um saldo cambial negativo de US$ 3 bilh\u00f5es entre setembro e dezembro deste ano.<\/p>\n<p>Depois do an\u00fancio do BCE na quinta-feira e da divulga\u00e7\u00e3o do &#8220;payroll&#8221; de agosto, abaixo do esperado, no dia seguinte, os mercados devem operar em compasso de espera at\u00e9 quinta-feira, quando o Fed decidir\u00e1 o rumo da pol\u00edtica monet\u00e1ria daquele pa\u00eds. N\u00e3o se espera mudan\u00e7a na taxa b\u00e1sica de juros, mas os mercados v\u00e3o monitorar se o banco central americano confirmar\u00e1 um &#8220;QE3&#8221; ou sinalizar\u00e1 o an\u00fancio mais \u00e0 frente.<\/p>\n<p>At\u00e9 l\u00e1, a safra de indicadores mais aguardada vir\u00e1 da China. Destaque hoje para os n\u00fameros j\u00e1 divulgados sobre a produ\u00e7\u00e3o industrial, as vendas no varejo e a balan\u00e7a comercial do pa\u00eds &#8211; todos referentes ao m\u00eas passado. No caso de dados mais fracos que n\u00e3o sejam acompanhados de sinaliza\u00e7\u00f5es de suporte pelo BC chin\u00eas, os ativos de risco podem amargar perdas, principalmente moedas de pa\u00edses que mant\u00eam fortes rela\u00e7\u00f5es comerciais com a China, como Brasil e Austr\u00e1lia.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Fran\u00e7a corta gastos e cria novos impostos<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a anunciou ontem novos impostos e duros cortes no valor de 30 bilh\u00f5es, no que seu presidente, Fran\u00e7ois Hollande, chamou de &#8220;o maior esfor\u00e7o fiscal em mais de meio s\u00e9culo de hist\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n<p>O novo governo apelou \u00e0 elite econ\u00f4mica para que mostrasse patriotismo e anunciou redu\u00e7\u00f5es nos gastos durante os pr\u00f3ximos dois anos para permitir que o pa\u00eds volte a estar dentro das metas fiscais da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Hollande alertou tamb\u00e9m que a Fran\u00e7a terminar\u00e1 2012 estagnada e reduziu drasticamente a previs\u00e3o de expans\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013.<\/p>\n<p>&#8220;Ser\u00e3o medidas dif\u00edceis e dolorosas&#8221;, alertou. S\u00f3 em impostos, o ajuste prev\u00ea uma eleva\u00e7\u00e3o de 20 bilh\u00f5es. &#8220;Vou controlar a d\u00edvida do pa\u00eds. N\u00e3o quero deixar isso para meu sucessor nem esse peso para meus filhos&#8221;, argumentou o presidente franc\u00eas.<\/p>\n<p>Ele tentou amenizar o an\u00fancio, insistindo n\u00e3o ter abandonado seu projeto de campanha de promover o crescimento e indicou que vai gerar 100 mil postos de trabalho at\u00e9 o fim do ano.<\/p>\n<p>&#8220;Estou fixando uma agenda para a recupera\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a: dois anos&#8221;, disse. O projeto de Hollande foi ontem mesmo acusado pela oposi\u00e7\u00e3o de &#8220;amadorismo&#8221; e de ser &#8220;impotente&#8221;.<\/p>\n<p>Pelo plano, a Fran\u00e7a ter\u00e1 de cortar 30 bilh\u00f5es para estar dentro do teto de d\u00e9ficit determinado pela UE, de 3% do PIB. Para um pol\u00edtico que baseou sua campanha eleitoral na cr\u00edtica contra a austeridade proposta pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy, os an\u00fancios de ontem revelam um chefe de Estado que teria sucumbido \u00e0 press\u00e3o pelo rigor fiscal.<\/p>\n<p>Ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco chegaram a alertar para a situa\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a e o pr\u00f3prio Hollande admitiu que o custo de financiar a d\u00edvida poderia come\u00e7ar a ser elevado.<\/p>\n<p>Agora, dois ter\u00e7os desse ajuste ser\u00e3o gerados pelo aumento de impostos. J\u00e1 os 10 bilh\u00f5es que ter\u00e3o de desaparecer das contas p\u00fablicas vir\u00e3o de cortes dr\u00e1sticos. Segundo ele, apenas tr\u00eas minist\u00e9rios ser\u00e3o poupados: Educa\u00e7\u00e3o, Defesa e Justi\u00e7a. Na conta geral, o presidente garante que nenhum centavo a mais ser\u00e1 gasto pelo Estado em 2013, em compara\u00e7\u00e3o a 2012. Fica estabelecido que nenhum funcion\u00e1rio p\u00fablico extra ser\u00e1 contratado.<\/p>\n<p>Patriotas. Outro pilar do ajuste \u00e9 o aumento de impostos para grandes empresas, o que permitiria a arrecada\u00e7\u00e3o de outros 10 bilh\u00f5es. Para completar, Hollande desmentiu rumores e garantiu que vai aplicar um imposto de 75% sobre aqueles com renda acima de 1 milh\u00e3o\/ano. Segundo ele, entre 2 mil e 3 mil pessoas seriam afetadas e ningu\u00e9m ficar\u00e1 de fora, nem esportistas nem artistas.<\/p>\n<p>Hollande n\u00e3o deixou de criticar a decis\u00e3o do homem mais rico da Fran\u00e7a, Bernard Arnault, de pedir a cidadania belga. A oposi\u00e7\u00e3o a Hollande indicou que a decis\u00e3o de Arnault seria consequ\u00eancia dos novos impostos. O dono da maior fortuna da Europa e quarta do mundo garantiu ontem que continuar\u00e1 a pagar impostos na Fran\u00e7a &#8220;como todos os franceses&#8221;.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi suficiente para acalmar a ira no pa\u00eds. &#8220;Ele deveria ter medido melhor sua decis\u00e3o, j\u00e1 que muitos agora pensam em abandonar a Fran\u00e7a&#8221;, declarou Hollande. &#8220;Os que t\u00eam mais devem mostrar que s\u00e3o patriotas e dar o exemplo&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00e3o apenas os milion\u00e1rios que pagar\u00e3o mais pelos novos planos. Aqueles com renda acima de 150 mil por ano tamb\u00e9m ter\u00e3o de pagar 45% em impostos, algo que promete afetar a classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Hollande reconheceu que as taxas de crescimento previstas para o pa\u00eds fazem parte do passado. A expans\u00e3o do PIB para 2012 de 0,3% foi revista para baixo. &#8220;O crescimento desabou nos \u00faltimos meses e ser\u00e1 pouco superior a zero em 2012&#8221;, disse. Para 2013, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito melhor e est\u00e1 prevista alta de 0,8%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Estado de S. 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