{"id":3530,"date":"2012-09-12T19:21:02","date_gmt":"2012-09-12T19:21:02","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3530"},"modified":"2012-09-12T19:21:02","modified_gmt":"2012-09-12T19:21:02","slug":"sentimento-antibrasileiro-e-tema-central-das-eleicoes-no-paraguai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3530","title":{"rendered":"Sentimento antibrasileiro \u00e9 tema central das elei\u00e7\u00f5es no Paraguai"},"content":{"rendered":"\n<p>O Brasil e os brasileiros est\u00e3o no centro do debate da elei\u00e7\u00e3o presidencial do Paraguai, marcada para 21 de abril. O pleito deve marcar o fim das suspens\u00f5es do pa\u00eds do Mercosul e da Unasul, adotadas em junho, logo ap\u00f3s a destitui\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o presidente Fernando Lugo pelo Congresso paraguaio. As san\u00e7\u00f5es n\u00e3o tiveram impacto econ\u00f4mico, mas fizeram com que todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul retirassem seu embaixador de Assun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 grande o ressentimento contra o Brasil tanto entre apoiadores quanto entre cr\u00edticos do impeachment de Lugo.<\/p>\n<p>A presidente brasileira Dilma Rousseff e a argentina Cristina Kirchner coordenaram as puni\u00e7\u00f5es contra o pa\u00eds e o ingresso simult\u00e2neo da Venezuela no bloco, o que provocou rea\u00e7\u00f5es contra os governos de Brasil e Argentina na elite pol\u00edtica e empresarial paraguaia.<\/p>\n<p>&#8220;A defesa da soberania deixou de ser uma bandeira dos setores de esquerda para estar no discurso de todos que apoiaram a destitui\u00e7\u00e3o. Quem ficou do lado de Lugo virou &#8220;legion\u00e1rio&#8221;&#8221;, afirmou a cientista pol\u00edtica Susana Aldana, da ONG &#8220;Decidamos&#8221;, um observat\u00f3rio eleitoral.<\/p>\n<p>&#8220;Legion\u00e1rio&#8221; no Paraguai \u00e9 uma refer\u00eancia aos caudilhos que apoiaram Brasil e Argentina na guerra entre 1865 e 1870, que derrubou o governo de Solano L\u00f3pez e destruiu a estrutura produtiva do pa\u00eds. Os opositores de L\u00f3pez organizaram tropas de volunt\u00e1rios que lutaram sob as ordens do inimigo.<\/p>\n<p>O conflito contra a comunidade brasileira de sojicultores foi um dos motores para a queda de Lugo em junho. H\u00e1 cerca de 250 mil brasileiros vivendo no Paraguai, que conta com 6,6 milh\u00f5es de habitantes. A maioria est\u00e1 na \u00e1rea rural, que concentra 40% da popula\u00e7\u00e3o. Os &#8220;brasiguaios&#8221; buscam revogar uma lei regulamentada por Lugo, que impede a posse de terra por estrangeiros em uma faixa de at\u00e9 50 quil\u00f4metros da fronteira.<\/p>\n<p>O candidato do partido do atual presidente Federico Franco, o senador Efra\u00edn Alegre, do Partido Liberal, amea\u00e7a com a retirada do Paraguai do bloco caso a admiss\u00e3o da Venezuela como membro pleno n\u00e3o seja revista. &#8220;N\u00e3o vamos aceitar fatos consumados. O ingresso da Venezuela desrespeitou marcos institucionais &#8220;, disse ao Valor. H\u00e1 duas semanas, o Senado paraguaio rejeitou a entrada da Venezuela no bloco. O Partido Liberal se absteve, porque preferia colocar o tema em vota\u00e7\u00e3o apenas depois da elei\u00e7\u00e3o presidencial venezuelana no pr\u00f3ximo dia 7.<\/p>\n<p>O tom n\u00e3o \u00e9 o mesmo em rela\u00e7\u00e3o ao problema dos sojicultores brasileiros. Alegre admite rever a legisla\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria que coloca em cheque produtores oriundos do Brasil. A lei de Lugo garante a propriedade adquirida at\u00e9 2006, mas o alto \u00edndice de grilagem de terras no pa\u00eds torna controversa a titularidade de diversas propriedades.<\/p>\n<p>&#8220;Houve muita invas\u00e3o de terra por parte de apoiadores do antigo governo em fun\u00e7\u00e3o disso. Quem j\u00e1 se instalou deve ser respeitado e ter toda prote\u00e7\u00e3o&#8221;, disse o candidato.<\/p>\n<p>Os brasileiros est\u00e3o no centro da produ\u00e7\u00e3o de soja do pa\u00eds, que colheu em 2011 uma safra de 7,6 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>O cacife do agroneg\u00f3cio crescer\u00e1 no pr\u00f3ximo ano, com a previs\u00e3o de que a alta dos pre\u00e7os da commodity se mantenha. De acordo com o ex-ministro da Fazenda no governo Lugo, Dionisio Borda, o Paraguai deve crescer 9% em 2013. No ano passado, se expandiu 3,8%. Neste ano, a previs\u00e3o \u00e9 de queda de 1,5%. Os produtos prim\u00e1rios representam 89% das exporta\u00e7\u00f5es paraguaias.<\/p>\n<p>Embora correligion\u00e1rios, Alegre e Franco n\u00e3o s\u00e3o aliados. Em minoria em seu pr\u00f3prio partido, o novo presidente paraguaio cedeu o Minist\u00e9rio da Defesa para a sigla comandada pelo general Lino Oviedo, que foi afastado do Ex\u00e9rcito depois de tentar um golpe militar contra o ent\u00e3o presidente Juan Carlos Wasmosy em 1996.<\/p>\n<p>Oviedo deve se candidatar novamente \u00e0 Presid\u00eancia e \u00e9 o mais radical na linha ultranacionalista. A iniciativa mais recente de seu partido no Congresso foi propor a retirada de recursos de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o para o rearmamento das For\u00e7as Armadas, sob a alega\u00e7\u00e3o que o pa\u00eds pode sofrer um ataque militar da Bol\u00edvia. Seu alcance eleitoral, contudo, \u00e9 limitado. &#8220;Eleitoralmente, ele sempre se apresenta como candidato e nunca faz alian\u00e7as. O que busca \u00e9 preservar sua fatia de poder no Congresso&#8221;, opinou o analista pol\u00edtico Lucas Arce, da consultoria econ\u00f4mica Cadep.<\/p>\n<p>Com a base governista dividida, aumenta a chance de volta ao poder do Partido Colorado, que governou o pa\u00eds por 70 anos, sequ\u00eancia interrompida em 2008 com a vit\u00f3ria de Lugo. O partido vai realizar em dezembro elei\u00e7\u00f5es internas para escolher o candidato e o favorito \u00e9 o empres\u00e1rio Horacio Cartes, da regi\u00e3o de Pedro Juan Caballero, fronteiri\u00e7a com o Brasil. Cartes tem uma f\u00e1brica de cigarros, outra de bebidas, o Banco Amambay e o clube de futebol Libertad.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio \u00e9 bombardeado pelos advers\u00e1rios internos com den\u00fancias que afetam diretamente a sua imagem no exterior, envolvendo-o em narcotr\u00e1fico, lavagem de dinheiro e contrabando para o Brasil. Usa um espa\u00e7o generoso das entrevistas que concede e de sua propaganda pol\u00edtica para tentar demonstrar sua inoc\u00eancia. Procura adotar o mais moderado discurso entre os principais candidatos. &#8220;O Paraguai de maneira alguma deve sair do Mercosul. Precisamos restabelecer as rela\u00e7\u00f5es com os vizinhos&#8221;, disse em um evento no m\u00eas passado.<\/p>\n<p>O quadro de candidatos ainda deve se completar com um representante das correntes de esquerda. O candidato mais prov\u00e1vel \u00e9 o ex-apresentador de televis\u00e3o Mario Ferreyro. &#8220;\u00c9 um nome com popularidade, mas sem vincula\u00e7\u00e3o com os movimentos sociais. N\u00e3o est\u00e1 claro se Lugo vai apoi\u00e1-lo ou se concentrar em sua pr\u00f3pria campanha para o Senado&#8221;, afirmou o analista pol\u00edtico Alfredo Boccia, ligado ao ex-presidente.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Cr\u00e9dito banc\u00e1rio dispara na China e deve puxar expans\u00e3o<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os empr\u00e9stimos banc\u00e1rios na China atingiram em agosto o maior valor j\u00e1 registrado para este m\u00eas na s\u00e9rie hist\u00f3rica, ficando bem acima das proje\u00e7\u00f5es de analistas. Isso sinaliza a disposi\u00e7\u00e3o do governo de reverter uma desacelera\u00e7\u00e3o que amea\u00e7a a segunda maior economia do planeta. Nesse mesmo sentido, o primeiro-ministro chin\u00eas, Wen Jiabao, sugeriu em discurso ontem que o pa\u00eds disp\u00f5e de mais instrumentos fiscais e monet\u00e1rios para estimular o crescimento.<\/p>\n<p>Em rea\u00e7\u00e3o \u00e0s not\u00edcias, as a\u00e7\u00f5es de empresas chinesas negociadas em Nova York subiram. O \u00cdndice Bloomberg de A\u00e7\u00f5es China-EUA teve uma alta de 1,7%, atingindo o maior n\u00edvel em duas semanas.<\/p>\n<p>Segundo o Banco do Povo da China (o banco central do pa\u00eds), os novos empr\u00e9stimos no m\u00eas passado atingiram a marca de 703,9 bilh\u00f5es de yuans (aproximadamente US$ 111 bilh\u00f5es). O volume \u00e9 superior \u00e0 previs\u00e3o da mediana de 32 analistas consultados pela ag\u00eancia de not\u00edcias Bloomberg, de 600 bilh\u00f5es de yuans, e aos 540 bilh\u00f5es de yuans registrados em julho.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o na concess\u00e3o de empr\u00e9stimos ocorre na sequ\u00eancia de cortes nas taxas de juros em junho e julho, da aprova\u00e7\u00e3o governamental para projetos de constru\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 e estradas e de um alerta do Minist\u00e9rio do Trabalho de que a freada da economia est\u00e1 come\u00e7ando a afetar a demanda por m\u00e3o de obra. Nos \u00faltimos dois dias foram divulgados n\u00fameros apontando queda nas importa\u00e7\u00f5es em agosto e desacelera\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o industrial, refor\u00e7ando os pedidos por mais a\u00e7\u00f5es de est\u00edmulo.<\/p>\n<p>&#8220;Os dados [de empr\u00e9stimos banc\u00e1rios] sugerem que a China est\u00e1 conseguindo ampliar o financiamento necess\u00e1rio para implementar medidas de est\u00edmulo&#8221;, avaliou Dariusz Kowalczyk, economista-s\u00eanior do Cr\u00e9dit Agricole em Hong Kong. &#8220;Isso prenuncia uma recupera\u00e7\u00e3o mais n\u00edtida do ritmo de crescimento&#8221; no quarto trimestre, acrescentou.<\/p>\n<p>Ao discursar no evento F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, em Tianjin, o primeiro-ministro Wen Jiabao disse que o governo tem plena confian\u00e7a de que cumprir\u00e1 as metas econ\u00f4micas estabelecidas para este ano e indicou que, al\u00e9m das medidas j\u00e1 adotadas at\u00e9 aqui, ainda h\u00e1 mais muni\u00e7\u00e3o no arsenal.<\/p>\n<p>&#8220;Seja monet\u00e1ria ou fiscal, ainda temos ampla for\u00e7a&#8221;, afirmou Wen. O governo tem 100 bilh\u00f5es de yuans num fundo de estabiliza\u00e7\u00e3o fiscal e &#8220;[os usar\u00e1] de maneira apropriada como pol\u00edtica preventiva e de ajuste fino para impulsionar crescimento econ\u00f4mico est\u00e1vel&#8221;, disse o premi\u00ea.<\/p>\n<p>Segundo Wen, a China mant\u00e9m uma pol\u00edtica fiscal pr\u00f3-ativa, uma pol\u00edtica monet\u00e1ria prudente, vem aperfei\u00e7oando medidas para estabilizar as exporta\u00e7\u00f5es e implementou uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es para fortalecer a demanda dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>As autoridades em Pequim est\u00e3o lutando para impedir que a taxa de expans\u00e3o da economia chinesa caia abaixo da meta de 7,5% estabelecida em mar\u00e7o &#8211; a qual j\u00e1 seria a mais fraca deste 1990.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Bibi, o amigo de Romney<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A amizade entre Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, e o republicano Mitt Romney dura 36 anos.<\/p>\n<p>Eles se conheceram em 1976, quando foram contratados como conselheiros empresariais pelo Boston Consulting Group. Trabalhavam no mesmo andar, compartilhavam almo\u00e7os e constru\u00edram uma rede comum de amigos e aliados conservadores, segundo o New York Times.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, Netanyahu telefonou para Romney para falar sobre Ir\u00e3. &#8220;Apesar das nossas hist\u00f3rias distintas (Romney veio de uma rica fam\u00edlia m\u00f3rmon de Michigan e Netanyahu, da classe m\u00e9dia israelense), acho que empregamos m\u00e9todos similares para analisar problemas e chegar \u00a0a conclus\u00f5es&#8221;, teria dito o israelense a um colaborador, segundo o jornal.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Valor da produ\u00e7\u00e3o bate recorde no Brasil<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O Valor Bruto da Produ\u00e7\u00e3o (VBP) das 20 principais lavouras do pa\u00eds dever\u00e1 alcan\u00e7ar o recorde de R$ 227,7 bilh\u00f5es em 2012, segundo estimativa divulgada ontem pelo Minist\u00e9rio da Agricultura. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 proje\u00e7\u00e3o de agosto, o novo n\u00famero \u00e9 quase 3% maior. Na compara\u00e7\u00e3o com 2011, o aumento \u00e9 de 0,8%. Ainda que modesta, esta \u00e9 a primeira alta na compara\u00e7\u00e3o com o ano passado, quando o VBP foi o maior da s\u00e9rie hist\u00f3rica at\u00e9 agora (R$ 226 bilh\u00f5es, j\u00e1 com os valores deflacionados pelo IGP-DI da FGV de agosto).<\/p>\n<p>A corre\u00e7\u00e3o na estimativa do minist\u00e9rio foi determinada pelas disparadas de soja e milho, gr\u00e3os que no primeiro semestre pressionaram o VBP para baixo em raz\u00e3o da quebra da safra no Sul, em decorr\u00eancia da estiagem provocada pelo La Ni\u00f1a. Esse fator colaborou para sustentar as cota\u00e7\u00f5es internacionais e dom\u00e9sticas de ambos nos primeiros meses deste ano, mas os saltos rumo a n\u00edveis hist\u00f3ricos aconteceram a partir do fim do primeiro semestre, quando a produ\u00e7\u00e3o americana deste ciclo 2012\/13 come\u00e7ou a ser prejudicada tamb\u00e9m por uma severa seca.<\/p>\n<p>Para a soja, carro-chefe do campo brasileiro, o minist\u00e9rio passou a prever VBP de R$ 66,6 bilh\u00f5es em 2012, 7,2% mais que o estimado em agosto e 16,4% acima de 2011. No caso do milho, a proje\u00e7\u00e3o foi corrigida para R$ 33,7 bilh\u00f5es, com aumentos de 6,2% e 28,4%, respectivamente. Mesmo assim, o milho dever\u00e1 perder para a cana, cujo VBP que passou a ser projetado em R$ 39,6 bilh\u00f5es, praticamente o mesmo patamar da estimativa de agosto e valor 4,9% inferior ao calculado para 2011. Somados, os VBPs de soja, cana e milho dever\u00e3o atingir quase R$ 140 bilh\u00f5es, ou 61,4% do total projetado. Em 2011, a fatia do trio foi de 55,3%.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Protestos na Gr\u00e9cia<\/p>\n<p>Correio Braziliense<\/p>\n<p>Atenas \u2014 Professores universit\u00e1rios e outras categorias fizeram ontem uma s\u00e9rie de protestos na capital grega contra as medidas de austeridade adotadas pelo governo em troca de ajuda financeira internacional. Enquanto os docentes se reuniam em frente ao Parlamento, sindicalistas formaram uma corrente humana para bloquear a entrada do Minist\u00e9rio do Trabalho, for\u00e7ando um atraso nas negocia\u00e7\u00f5es entre funcion\u00e1rios da pasta e credores estrangeiros.<\/p>\n<p>As conversas com inspetores da &#8220;troika&#8221; \u2014 representantes da Comiss\u00e3o Europeia, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) \u2014 tiveram in\u00edcio apenas duas horas depois da hora marcada, quando os manifestantes deixaram o local. Dezenas de membros do sindicado afiliado aos comunistas PAME gritavam slogans antiausteridade e portavam cartazes que diziam &#8220;Troika, FMI, BCE \u2013 Saiam daqui!&#8221; do lado de fora da entrada principal do minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es t\u00eam como alvo imediato uma nova rodada de aperto de cintos exigida pelos credores para evitar a fal\u00eancia do pa\u00eds. Os dois maiores sindicatos planejam uma greve geral este m\u00eas, enquanto professores, funcion\u00e1rios fiscais e trabalhadores de turismo est\u00e3o entre os grupos que programam paralisa\u00e7\u00f5es esta semana. O governo do primeiro-ministro Antonis Samaras pretende cortar quase 12 bilh\u00f5es de euros em gastos ao longo dos pr\u00f3ximos dois anos.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para empres\u00e1rios, tarifa menor far\u00e1 ind\u00fastria mais competitiva<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>O pacote de redu\u00e7\u00e3o das tarifas de energia foi, em geral, bem recebido pelos empres\u00e1rios devido ao impacto econ\u00f4mico que ter\u00e1 no parque industrial nacional. Para Eduardo Eugenio Gouv\u00eaa Vieira, presidente da Firjan, a medida foi um gigantesco avan\u00e7o, uma vez que o governo Dilma havia acenado com uma redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de apenas 10% das tarifas e a redu\u00e7\u00e3o anunciada chega a 28% para alguns segmentos da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>&#8211; Algumas ind\u00fastrias que pagam mais pela energia, como a de alum\u00ednio, estavam amea\u00e7ando ir para o Paraguai &#8211; disse Gouv\u00eaa Vieira.<\/p>\n<p>Segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), a queda de 28% na tarifa de energia reduzir\u00e1 em at\u00e9 4% o custo fixo de produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria brasileira e dar\u00e1 um impulso para que as empresas voltem a investir.<\/p>\n<p>&#8211; A medida aumenta a competitividade da ind\u00fastria e estimula o investimento, porque reduz pre\u00e7os e faz com que o empres\u00e1rio tenha mais confian\u00e7a em produzir e gerar emprego no Brasil. Teremos um produto mais competitivo no mercado nacional e internacional &#8211; disse o presidente da CNI, Robson Andrade.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Federa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp), embora tamb\u00e9m tenha comemorado as medidas, fez ressalvas. O diretor de infraestrutura, Carlos Cavalcanti, disse que a entidade estuda recorrer \u00e0 Justi\u00e7a diante da decis\u00e3o do governo de renovar os contratos em vigor, em vez de deix\u00e1-los terminar para que as concess\u00f5es fossem leiloadas e disputadas por todos os operadores do pa\u00eds. Cavalcanti chamou a medida de casu\u00edstica, pois tem &#8220;endere\u00e7o e CNPJ&#8221; espec\u00edficos como alvo.<\/p>\n<p>&#8211; Certamente, a redu\u00e7\u00e3o das tarifas seria ainda maior em fun\u00e7\u00e3o da disputa &#8211; afirmou o diretor.<\/p>\n<p>Para Franklin Feder, presidente da Alcoa, que havia amea\u00e7ado fechar a f\u00e1brica no Brasil, a medida ajuda a segurar a produtividade no pa\u00eds.<\/p>\n<p>eliminando incertezas<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio Jorge Gerdau Johannpeter, presidente da C\u00e2mara de Gest\u00e3o do governo, destacou que a medida do governo dar\u00e1 competitividade a novos investimentos:<\/p>\n<p>&#8211; Em muitos projetos eletrointensivos, como alum\u00ednio, ind\u00fastria petroqu\u00edmica e setor eletrosider\u00fargico, onde a energia realmente pesa muito, vai ser um elemento definidor. Ter energia competitiva \u00e9 um fator definidor de investimentos &#8211; afirmou Jorge Gerdau.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias de base (Abdib) anunciou, por meio de nota, que a redu\u00e7\u00e3o das tarifas se traduzir\u00e1 em mais competitividade e refor\u00e7ar\u00e1 tanto a seguran\u00e7a jur\u00eddica quanto a estabilidade regulat\u00f3ria para as empresas do setor el\u00e9trico.<\/p>\n<p>Para Paulo Godoy, presidente da entidade, a decis\u00e3o de renovar as concess\u00f5es de gera\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica pr\u00f3ximas do prazo de vencimento &#8211; agora anunciada oficialmente &#8211; refor\u00e7a o modelo regulat\u00f3rio setorial e elimina algumas incertezas que pairavam sobre o mercado brasileiro.<\/p>\n<p>&#8211; As empresas com ativos nessas condi\u00e7\u00f5es ter\u00e3o como se planejar e tomar decis\u00f5es de longo prazo &#8211; disse o presidente da Abdib.<\/p>\n<hr \/>\n<p>FMI quer dinheiro de emergentes<\/p>\n<p>Correio Braziliense<\/p>\n<p>Em troca de recursos, diretora-gerente do Fundo Monet\u00e1rio Internacional oferece mais poso nas decis\u00f5es<\/p>\n<p>Preocupada com a crise e receosa de que o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) perca influ\u00eancia, a diretora-gerente da entidade, Christine Lagarde, come\u00e7ou uma campanha em busca de recursos. O objetivo \u00e9 atrair os emergentes, na\u00e7\u00f5es que est\u00e3o em melhor situa\u00e7\u00e3o que algumas das mais importantes economias do mundo. A executiva quer dar mais voz \u00a0a esses pa\u00edses em troca de novos aportes de capital, mas para isso precisa ampliar a quota deles no fundo. Caso consiga essa mudan\u00e7a, ir\u00e1 duplicar o tamanho do FMI, que chegar\u00e1 a US$ 767 bilh\u00f5es. A decis\u00e3o, por\u00e9m, depende da vontade dos Estados Unidos, dono de 16,7% da quotas e do poder de veto.<\/p>\n<p>Em comunicado divulgado ontem, Lagarde pediu urg\u00eancia na &#8220;reforma das cotas&#8221; para que possa dar mais peso \u00e0s economias emergentes. &#8220;Fa\u00e7o um chamado urgente aos Estados-membros que ainda n\u00e3o o fizeram para que tomem rapidamente as medidas necess\u00e1rias&#8221;, declarou. A executiva, no documento, ainda celebrou os progressos feitos at\u00e9 o momento, com a ades\u00e3o da maioria dos integrantes do fundo: 102 deles, donos de 65,9% dos votos, assinaram o acordo. O problema, por\u00e9m, \u00e9 que as regras do FMI determinam que essa mudan\u00e7a ocorra apenas quando se conseguir a anu\u00eancia de 113 dos 118 participantes, o equivalente a 85% do direito a voto no conselho diretivo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de convencer mais 11 pa\u00edses a ampliar os poderes dos emergentes, Lagarde precisa fazer com que os Estados Unidos n\u00e3o exer\u00e7am o veto, uma decis\u00e3o que cabe ao Congresso norte-americano. Analistas ponderam, no entanto, que dificilmente esse pleito ser\u00e1 analisado pelos parlamentares a tempo, j\u00e1 que a data-limite para a mudan\u00e7a \u00e9 a reuni\u00e3o do FMI de T\u00f3quio, no Jap\u00e3o, entre 12 e 14 de outubro. Com as elei\u00e7\u00f5es presidenciais dos EUA no in\u00edcio de novembro, os dois partidos que dominam o Congresso e a pol\u00edtica do pa\u00eds estar\u00e3o mobilizados at\u00e9 l\u00e1 para eleger seus candidatos: Barack Obama pelos Democratas e Mitt Romney pelos Republicanos.<\/p>\n<p>A urg\u00eancia de Lagarde se explica principalmente pela crise do euro, que tem demandado mais recursos do que o fundo e o Banco Central Europeu disp\u00f5em. No in\u00edcio de outubro, o FMI e outros credores da Gr\u00e9cia ter\u00e3o de decidir mais uma vez como e se continuam apoiando o pa\u00eds. A expectativa \u00e9 de um acordo, sobretudo porque os gregos t\u00eam cooperado e acatado as determina\u00e7\u00f5es impostas pelos credores. A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da regi\u00e3o, no entanto, \u00e9 considerada delicada, e os especialistas n\u00e3o descartam uma sa\u00edda da Gr\u00e9cia do euro ainda este ano. Se o pa\u00eds abandonasse o bloco, outros pa\u00edses seriam contaminados e dificilmente o FMI teria condi\u00e7\u00f5es de ajudar com os recursos que possui hoje.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Em meio \u00e0 crise, cresce separatismo na Espanha<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A crise d\u00e1 novo impulso ao separatismo na Espanha. Ontem, uma das maiores manifesta\u00e7\u00f5es pela independ\u00eancia da Catalunha desde os anos 70 paralisou a cidade de Barcelona. Para historiadores, a pior crise no pa\u00eds desde a volta da democracia reabriu velhas feridas, escancarando a divis\u00e3o entre o norte mais rico e o governo central. Mas eles alertam que pol\u00edticos estariam manipulando sentimentos populares para encontrar um respons\u00e1vel pela recess\u00e3o.<\/p>\n<p>A marcha ocorre todos os anos, no que seria o dia nacional catal\u00e3o, conhecido como Diada. Mas, neste ano, o evento foi marcado por uma multid\u00e3o que, segundo os organizadores, n\u00e3o se via desde 1977, quando a Catalunha lutava por autonomia nos anos que se seguiram \u00e0 morte do general Franco.<\/p>\n<p>Segundo a pol\u00edcia, 1,5 milh\u00e3o de pessoas participaram da passeata. Para os organizadores, foram 2 milh\u00f5es, numa cidade de 5 milh\u00f5es de habitantes. Pela primeira vez em mais de 30 anos, uma pesquisa revelou que mais de 50% dos catal\u00e3es acham que \u00e9 o momento de convocar um referendo sobre a independ\u00eancia da regi\u00e3o, que tem economia equivalente \u00e0 de Portugal. Num dos pr\u00e9dios p\u00fablicos, um cartaz anunciava em ingl\u00eas: &#8220;Catalunha, o pr\u00f3ximo pa\u00eds da Europa&#8221;.<\/p>\n<p>Mais que uma onda sentimental, por\u00e9m, as feridas espanholas s\u00e3o abertas por quest\u00f5es bastante objetivas. Com uma segunda recess\u00e3o e 24% da popula\u00e7\u00e3o desempregada, a regi\u00e3o, que representa 20% do PIB nacional, diz que envia a Madri em impostos 12 bilh\u00f5es mais do que recebe.<\/p>\n<p>O presidente da Catalunha, Artur Mas, abriu os protestos com uma advert\u00eancia: se o governo de Mariano Rajoy n\u00e3o aceitar o novo pacto fiscal, &#8220;o caminho da independ\u00eancia estar\u00e1 aberto&#8221;. Segundo ele, &#8220;a Catalunha produz recursos suficientes para viver melhor do que estamos&#8221;.<\/p>\n<p>Mas quer renegociar o acordo que estabelece o valor anual que a regi\u00e3o deve enviar a Madri, alegando que esse seria o motivo da crise na regi\u00e3o. Para seus opositores, o que ele apenas tenta fazer \u00e9 jogar a popula\u00e7\u00e3o catal\u00e3 contra Madri e usar a independ\u00eancia como cortina de fuma\u00e7a para uma crise que \u00e9 local.<\/p>\n<p>Na segunda-feira, o conservador Rajoy declarou que Madri n\u00e3o vai rever o acordo fiscal e fez quest\u00e3o de lembrar que a Catalunha est\u00e1 quebrada. De fato, a regi\u00e3o foi a primeira a pedir um resgate de Madri, de 5,7 bilh\u00f5es. Rajoy e Mas se re\u00fanem no dia 20 para debater o assunto.<\/p>\n<p>&#8220;Isso tudo \u00e9 parte de um jogo politico que sempre existiu. A diferen\u00e7a \u00e9 que a crise transformou a rela\u00e7\u00e3o de poder entre os grupos&#8221;, alerta Antonio Barroso, analista do Eurasia Group. &#8220;A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica est\u00e1 criando uma nova onda de nacionalismo&#8221;, diz Carlos Barrera, professor da Universidade Navarra. &#8220;Mas est\u00e1 sendo usada por grupos pol\u00edticos para avan\u00e7ar suas agendas e tentar justificar a crise para os eleitores.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>BCs enfrentam per\u00edodo de d\u00favidas e dif\u00edceis decis\u00f5es<\/p>\n<p>Robin Harding e Chris Giles &#8211; Financial Times<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o tempos desconfort\u00e1veis para presidentes de bancos centrais. No passado, os monstros sagrados da profiss\u00e3o, que reuniram-se neste m\u00eas, em Jackson Hole, Wyoming, j\u00e1 chegaram a ser os supremos senhores do universo. Agora eles est\u00e3o perturbados pela d\u00favida.<\/p>\n<p>Quatro anos ap\u00f3s o pior momento da crise financeira, o desemprego permanece elevado em todo o mundo desenvolvido e a economia mundial est\u00e1 perdendo for\u00e7a. Pairam, amea\u00e7adores, grandes riscos irradiados da zona do euro e da pol\u00edtica fiscal americana.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a decis\u00e3o do Banco Central Europeu (BCE) de combater especula\u00e7\u00f5es sobre uma ruptura da zona do euro propondo-se a comprar t\u00edtulos de curto prazo dos governos de pa\u00edses perif\u00e9ricos europeus, o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) dever\u00e1, nesta semana, decidir sobre a melhor forma de ajudar uma economia que seu presidente descreveu como &#8220;longe de satisfat\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n<p>Mas, quanto mais os banqueiros centrais aprofundam suas an\u00e1lises de solu\u00e7\u00f5es para os problemas das economias desenvolvidas, mais ficam preocupados alguns economistas.<\/p>\n<p>&#8220;Eu estou um pouco &#8211; talvez mais do que um pouco &#8211; preocupado com o futuro das decis\u00f5es dos bancos centrais&#8221;, disse James Bullard, presidente do Federal Reserve Bank de Saint Louis, em entrevista ao &#8220;Financial Times&#8221; em Jackson Hole. &#8220;N\u00f3s sempre achamos que haveria luz no fim do t\u00fanel e que haveria oportunidade para uma normaliza\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 o que est\u00e1 realmente acontecendo at\u00e9 agora.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O que me preocupa \u00e9 essa politiza\u00e7\u00e3o [que temos visto]&#8221;, disse Bullard. As press\u00f5es dos pol\u00edticos muitas vezes s\u00e3o no sentido de que os bancos centrais ajam mais.<\/p>\n<p>A maior preocupa\u00e7\u00e3o vis\u00edvel em Jackson Hole era sobre se esses burocratas, posicionados no cora\u00e7\u00e3o de cada economia madura, ainda det\u00eam o poder de influenciar a demanda, agora que as taxas de juros n\u00e3o podem cair muito mais. \u00c0 espreita, por tr\u00e1s de muitos debates, h\u00e1 a indaga\u00e7\u00e3o: se as pol\u00edticas dos bancos centrais s\u00e3o t\u00e3o eficazes, por que a economia mundial n\u00e3o est\u00e1 crescendo mais r\u00e1pido?<\/p>\n<p>Para obter uma resposta, muitos recorrem \u00e0s ideias de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, que descreveram como recupera\u00e7\u00f5es p\u00f3s-crises financeiras tendem a ser lentas e dolorosas, em seu livro &#8220;This Time is Different&#8221; (&#8220;Desta vez \u00e9 diferente&#8221;).<\/p>\n<p>No entanto, todo o ativismo dos bancos centrais nos \u00faltimos quatro anos baseia-se na cren\u00e7a em que, embora esta crise possa ser semelhante \u00e0s do passado, deve, necessariamente, haver um coquetel de pol\u00edticas que desta vez tornar\u00e3o a recupera\u00e7\u00e3o diferente.<\/p>\n<p>Todavia, essa f\u00e9 est\u00e1 sendo questionada.<\/p>\n<p>&#8220;Devo confessar que quando o livro foi publicado eu estava um pouco c\u00e9tico sobre se isso iria acontecer nos EUA, mas eles [os autores] estavam certos e eu estava errado&#8221;, disse Alan Blinder, professor de economia em Princeton e ex-vice-presidente do Fed, do p\u00falpito em Jackson Hole. &#8220;N\u00f3s n\u00e3o nos desviamos muito do padr\u00e3o de uma recess\u00e3o [do tipo descrito por] Reinhart-Rogoff.&#8221;<\/p>\n<p>Existem algumas raz\u00f5es poss\u00edveis pelas quais repetidas rodadas de comunicados e de flexibiliza\u00e7\u00e3o quantitativa pelos bancos centrais &#8211; como \u00e9 conhecida a pol\u00edtica de compra de ativos de mais longa matura\u00e7\u00e3o, num esfor\u00e7o para reduzir as taxas de juros de longo prazo -, n\u00e3o produziram uma recupera\u00e7\u00e3o vigorosa.<\/p>\n<p>Uma das raz\u00f5es \u00e9 que algo estrutural mudou, e isso est\u00e1 contendo o crescimento. Falando no plen\u00e1rio em Wyoming, Donald Kohn, outro ex-vice-presidente do Fed e hoje na Brookings Institution, levantou a possibilidade de &#8220;algo mais profundo estar acontecendo&#8221;, talvez relacionado ao comportamento da poupan\u00e7a ou da modificada distribui\u00e7\u00e3o de renda entre o capital e o trabalho.<\/p>\n<p>Outra raz\u00e3o \u00e9 que as ferramentas funcionam, mesmo que as condi\u00e7\u00f5es atuais neutralizem seu efeito. Se houver novos ventos contr\u00e1rios, ent\u00e3o a resposta ser\u00e1 us\u00e1-los de forma mais agressiva. Essa \u00e9 a vis\u00e3o predominante entre os presidentes de BCs.<\/p>\n<p>&#8220;Uma leitura equilibrada das evid\u00eancias d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 conclus\u00e3o de que as compras de t\u00edtulos pelo BC proporcionaram substancial suporte \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, ao mesmo tempo em que amenizaram os riscos deflacion\u00e1rios&#8221;, disse Ben Bernanke, presidente do Fed, em seus coment\u00e1rios em Jackson Hole.<\/p>\n<p>Uma terceira possibilidade \u00e9, talvez, a mais alarmante para um presidente de um banco central, como Bernanke, que aposta sua reputa\u00e7\u00e3o em sucessivas rodadas de afrouxamento quantitativo: elas simplesmente n\u00e3o funcionam.<\/p>\n<p>Em sua apresenta\u00e7\u00e3o em Jackson Hole, Michael Woodford, professor na Universidade Columbia, apresentou evid\u00eancias de que at\u00e9 onde as compras de ativos produziram uma redu\u00e7\u00e3o nos juros de longo prazo nos EUA, seu efeito foi indireto. As pessoas encararam as compras como um sinal de que os juros de curto prazo permanecer\u00e3o mais baixos por mais tempo, argumentou ele.<\/p>\n<p>Grandes riscos irradiados da zona do euro e da pol\u00edtica fiscal americana pairam amea\u00e7adores<\/p>\n<p>Esse estudo deu aos presidentes de BCs reunidos algum material para reflex\u00e3o, mas ter\u00e1 pouca influ\u00eancia em suas escolhas pol\u00edticas imediatas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o de que em agosto foram criados 96 mil empregos, abaixo das estimativas e menos do que o suficiente para afastar a &#8220;grave preocupa\u00e7\u00e3o&#8221; de Bernanke quanto a uma estagna\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, o Fed tem tr\u00eas op\u00e7\u00f5es a considerar, ao realizar a sua reuni\u00e3o de dois dias, nesta semana.<\/p>\n<p>O Fed poderia comprar mais ativos, em outra rodada de al\u00edvio quantitativo (o chamado &#8220;QE&#8221;). O BC poderia estender sua previs\u00e3o de juros baixos para al\u00e9m da data atualmente prevista: final de 2014. Ou poderia cortar os 25 pontos-b\u00e1sicos de juros que paga aos bancos sobre suas reservas em excesso.<\/p>\n<p>Bernanke passou a maior parte de seu discurso falando sobre os pr\u00f3s e contras de mais compras de ativos, e o QE3 continua sendo a principal op\u00e7\u00e3o do Fed para um est\u00edmulo substancial. Uma ideia que conquistou bastante terreno na Comiss\u00e3o Federal de Mercado Aberto (o Fomc) \u00e9 promover a\u00e7\u00f5es sem contornos definidos: comprar uma quantidade qualquer por m\u00eas ou realizar reuni\u00f5es sem meta definida.<\/p>\n<p>A dificuldade est\u00e1 em como definir um objetivo. Membros mais agressivos da Comiss\u00e3o de Mercado Aberto querem liberdade para decidir parar de comprar ativos em qualquer reuni\u00e3o. Os moderados querem um comprometimento no sentido de continuar comprando at\u00e9 que uma (determinada) condi\u00e7\u00e3o de melhoria da economia seja cumprida. Eles querem que essa condi\u00e7\u00e3o, muito provavelmente em palavras e n\u00e3o em n\u00fameros, subentenda um QE3 substancial, a menos que a economia se recupere.<\/p>\n<p>Um problema semelhante se aplica \u00e0 alternativa de estender a previs\u00e3o, pelo Fed, de juros baixos at\u00e9 2015. Os moderados n\u00e3o gostariam que isso fosse interpretado simplesmente como uma previs\u00e3o de que a economia continuar\u00e1 fraca. Em vez disso, eles gostariam de sinalizar uma mudan\u00e7a no comportamento do Fed, e que o BC pretende manter os juros baixos, mesmo \u00e0 medida que a economia se recupere.<\/p>\n<p>O que o Fed far\u00e1 depender\u00e1 de se a comiss\u00e3o conseguir\u00e1 chegar a um consenso sobre tal condi\u00e7\u00e3o (sinalizadora) de uma melhoria da economia. Se n\u00e3o conseguir, ent\u00e3o ser\u00e1 mais prov\u00e1vel uma compra, pura e simples, de uma bolada de ativos.<\/p>\n<p>A \u00faltima op\u00e7\u00e3o, baixar os juros sobre as reservas, tornou-se um pouco mais prov\u00e1vel, j\u00e1 que o BCE reduziu a zero os juros com que remunera os dep\u00f3sitos no &#8220;overnight&#8221; sem causar um apocalipse no sistema financeiro. Mas poucos t\u00e9cnicos no Fed julgam que isso faria muita diferen\u00e7a, e alguns continuam a ver riscos modestos. Certamente, essa op\u00e7\u00e3o \u00e9 improv\u00e1vel, exceto associada a outras a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 apenas o Fed que est\u00e1 \u00e0s voltas com dif\u00edceis quest\u00f5es de pol\u00edtica. O BCE est\u00e1 diante de uma amea\u00e7a de desintegra\u00e7\u00e3o da moeda \u00fanica e de um processo pol\u00edtico internacional dolorosamente lento.<\/p>\n<p>Sua mais recente resposta foi a promessa de compra de t\u00edtulos dos pa\u00edses europeus que aceitaram as condi\u00e7\u00f5es potencialmente abrangentes de um programa de consolida\u00e7\u00e3o fiscal e de reformas econ\u00f4micas &#8211; potencialmente em quantidades ilimitadas. Comprando t\u00edtulos apenas de curta matura\u00e7\u00e3o, o BCE v\u00ea isso como uma opera\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica monet\u00e1ria visando trazer as taxas de juros de curto prazo de volta a uma harmonia em toda a zona do euro. O banco central quer eliminar o pr\u00eamio de risco de desvaloriza\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos soberanos de alguns pa\u00edses.<\/p>\n<p>Os manuais de economia n\u00e3o est\u00e3o fornecendo as respostas [para superar a crise]<\/p>\n<p>Mas a opera\u00e7\u00e3o acordada &#8211; puras transa\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias &#8211; \u00e9 extremamente pol\u00eamica, e o Bundesbank, o ultraconservador BC alem\u00e3o, a v\u00ea &#8220;como equivalente a financiar governos imprimindo dinheiro&#8221;. Al\u00e9m disso, o BCE v\u00ea o perigo de que, se as coisas derem errado, as compras potencialmente ilimitadas de t\u00edtulos &#8220;possam, em \u00faltima inst\u00e2ncia, redistribuir riscos consider\u00e1veis entre os contribuintes do fisco em v\u00e1rios pa\u00edses&#8221; da zona do euro.<\/p>\n<p>No Reino Unido, o Banco da Inglaterra (BoE, em ingl\u00eas) abandonou a compra de t\u00edtulos do governo na esperan\u00e7a de reduzir os juros de longo prazo para tentar intervir mais diretamente no sentido de reduzir os custos de financiamento das fam\u00edlias e das empresas.<\/p>\n<p>Assim como o Fed, o BC brit\u00e2nico insiste em que o QE est\u00e1 funcionando. Mas o BoE est\u00e1 botando muita f\u00e9 na ideia de que, ao disponibilizar financiamento barato aos bancos sob a condi\u00e7\u00e3o de que eles intensifiquem os empr\u00e9stimos \u00e0 economia real, isso impulsionar\u00e1 a demanda.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outras sugest\u00f5es em discuss\u00e3o, algumas chegando bastante perto de uma linha arbitr\u00e1ria que os banqueiros centrais temem pisar: a linha divis\u00f3ria entre pol\u00edtica monet\u00e1ria e pol\u00edtica fiscal.<\/p>\n<p>Alguns consideram \u00fatil um pr\u00e9-engajamento em est\u00edmulos de pol\u00edtica at\u00e9 que esta funcione. Woodford defende um comprometimento no sentido de manter os juros baixos por um per\u00edodo que seja vinculado ao desempenho da economia. Ao manter os juros baixos, apesar de um crescimento da infla\u00e7\u00e3o um pouco acima de uma meta como os 2% estipulados pelo Fed, um banco central poderia compensar o per\u00edodo em que a taxa de juros ideal teria sido inferior a zero.<\/p>\n<p>E um n\u00famero crescente de vozes, muitas vezes n\u00e3o aquelas muito pr\u00f3ximas dos c\u00edrculos que definem a pol\u00edtica do BC, mas que, reservadamente, incluem alguns que pertencem ao clube, sugere que os bancos centrais poderiam tornar-se ainda mais radicais. Os BCs est\u00e3o sendo exortados a comprar ativos que n\u00e3o sejam t\u00edtulos do governo, rompendo com um tabu segundo o qual eles n\u00e3o devem aceitar riscos de cr\u00e9dito em seus balan\u00e7os patrimoniais.<\/p>\n<p>Embora nada disso seja palat\u00e1vel, \u00e9 melhor do que as ideias realmente radicais que podem ganhar \u00edmpeto se o mal-estar econ\u00f4mico persistir, como a infame op\u00e7\u00e3o de &#8220;lan\u00e7ar dinheiro de helic\u00f3pteros&#8221;. Um banco central pode simplesmente lan\u00e7ar um cr\u00e9dito nas contas banc\u00e1rias dos cidad\u00e3os de um pa\u00eds, aumentando diretamente a renda durante um per\u00edodo e incentivando-os a gastar.<\/p>\n<p>Uma variante dessa proposta \u00e9 financiar temporariamente os gastos do governo, permitindo que este corte impostos durante um per\u00edodo. Esse financiamento monet\u00e1rio do governo \u00e9 proibido por lei, na Europa, pela boa raz\u00e3o de que, quando foi experimentada, a impress\u00e3o pura e simples de dinheiro terminou em hiperinfla\u00e7\u00e3o. Uma economia n\u00e3o tem como disponibilizar bens e servi\u00e7os suficientes equivalentes a todo o dinheiro rec\u00e9m-criado ao n\u00edvel de pre\u00e7os vigentes &#8211; e a infla\u00e7\u00e3o se instala.<\/p>\n<p>Conservadores por natureza, nenhum banqueiro central quer considerar ideias que s\u00e3o tabus h\u00e1 d\u00e9cadas. Mas algumas dessas ideias est\u00e3o come\u00e7ando a ser aventadas.<\/p>\n<p>Os manuais de economia n\u00e3o est\u00e3o fornecendo as respostas. Quando isso acontece, op\u00e7\u00f5es mais radicais v\u00eam \u00e0 tona.<\/p>\n<p>Os bancos centrais empenharam-se arduamente para vender a ideia de metas de infla\u00e7\u00e3o. Adotando uma &#8220;meta final para o Produto Interno Bruto nominal&#8221;, uma ideia que vem ganhando corpo em c\u00edrculos acad\u00eamicos, seria ainda mais dif\u00edcil de explicar.<\/p>\n<p>Mesmo assim, isso pode ser a melhor solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para o problema de que as taxas de juros n\u00e3o podem ser negativas.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica, defendida recentemente por Michael Woodford, na Universidade Columbia, significaria duas mudan\u00e7as para os bancos centrais.<\/p>\n<p>Primeiro, o banco central assumiria como meta o aumento dos gastos em dinheiro na economia &#8211; o PIB nominal inclui o crescimento real mais a infla\u00e7\u00e3o -, em vez de considerar apenas pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Mas, em segundo lugar, e o que \u00e9 mais importante, o BC assumiria como meta um n\u00edvel em constante crescimento para o PIB nominal, em vez de apenas a taxa atual de crescimento.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 crucial, porque vincularia \u00e0 infla\u00e7\u00e3o futura a condi\u00e7\u00f5es do passado. Se o crescimento nominal do PIB for muito baixo, o banco central teria de permitir que uma infla\u00e7\u00e3o mais alta o levasse de volta ao caminho para a meta.<\/p>\n<p>Se um banco central, como o Fed, tivesse adotado como meta um caminho para o PIB nominal nos \u00faltimos anos, os mercados automaticamente assumiriam taxas de juros nulas durante alguns anos, j\u00e1 que existe uma grande disparidade a ser eliminada. Se o banco central prometesse gerar suficiente infla\u00e7\u00e3o para retornar, eventualmente, \u00e0 trajet\u00f3ria que conduz \u00e0 meta, as pessoas n\u00e3o teriam nenhuma raz\u00e3o para evitar gastar &#8211; e suas expectativas para o futuro contornariam o problema de que as taxas n\u00e3o podem cair abaixo de zero hoje. Woodford e economistas como Paul Krugman e Christina Romer defendem a pol\u00edtica precisamente por essa raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Os bancos centrais preocupam-se com comunica\u00e7\u00e3o. Uma meta para o PIB nominal praticamente assegura que os BCs teriam, por vezes, de assumir uma meta de infla\u00e7\u00e3o superior a 2%, e eles temem que haveria um custo para sua credibilidade.<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m se perguntam como cumprir\u00e3o sua promessa de maior infla\u00e7\u00e3o em tempos, como o atual, quando o \u00fanico instrumento de pol\u00edtica imediato \u00e9 a flexibiliza\u00e7\u00e3o quantitativa.<\/p>\n<p>Pode ser particularmente dif\u00edcil adotar essa meta agora, quando a economia est\u00e1 t\u00e3o distante de sua trajet\u00f3ria pr\u00e9-crise, o que implica muita infla\u00e7\u00e3o para cobrir a dist\u00e2ncia. Mas as justicativas para uma mudan\u00e7a s\u00e3o fortes e est\u00e3o ficando cada vez mais fortes.<\/p>\n<p>Ideias acad\u00eamicas bem sucedidas geralmente levam tempo para ganhar aceita\u00e7\u00e3o entre os formuladores de pol\u00edticas e, por isso, metas para o PIB nominal n\u00e3o est\u00e3o prestes a ser implementadas. Mas fiquem de olho nos bancos centrais escandinavos. Eles s\u00e3o, muitas vezes, os primeiros a adotar novas ideias. (Tradu\u00e7\u00e3o de Sergio Blum)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Valor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3530\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3530","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-UW","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3530","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3530"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3530\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}