{"id":3601,"date":"2012-09-25T17:33:18","date_gmt":"2012-09-25T17:33:18","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3601"},"modified":"2012-09-25T17:33:18","modified_gmt":"2012-09-25T17:33:18","slug":"pais-mantem-dependencia-do-comercio-com-a-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3601","title":{"rendered":"Pa\u00eds mant\u00e9m depend\u00eancia do com\u00e9rcio com a China"},"content":{"rendered":"\n<p>A retra\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es de commodities, como min\u00e9rio de ferro, \u00e0 China, neste ano, foi insuficiente para reverter a crescente depend\u00eancia do Brasil em rela\u00e7\u00e3o ao mercado chin\u00eas, indica levantamento feito pela Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil. Entre janeiro e agosto, mais de 70% das vendas de US$ 15,6 bilh\u00f5es em soja do Brasil foram para os chineses, que tamb\u00e9m absorveram um quinto dos US$ 14 bilh\u00f5es de petr\u00f3leo brasileiro exportado e pouco menos da metade das exporta\u00e7\u00f5es de US$ 20,5 bilh\u00f5es em min\u00e9rio de ferro.<\/p>\n<p>Isoladamente, o super\u00e1vit do Brasil no com\u00e9rcio com a China, de US$ 6,98 bilh\u00f5es equivale a mais da metade de todo o saldo comercial brasileiro no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Os dados sobre o com\u00e9rcio exterior mostram crescimento constante da fatia da China nas exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de soja, desde o ano 2000, quando representavam pouco mais de 15% do total das vendas desse produto. No caso do min\u00e9rio de ferro, o crescimento da participa\u00e7\u00e3o chinesa foi ininterrupto at\u00e9 2009, quando o pa\u00eds chegou a representar quase 53% do total das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras do metal. Desde ent\u00e3o, como a queda na demanda da China foi maior que a de outros mercados, como Jap\u00e3o, Coreia e Taiwan, a parcela chinesa nas exporta\u00e7\u00f5es brasileiras do min\u00e9rio caiu, mas tem oscilado sempre acima de 46%.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do governo dos Estados Unidos de buscar fontes mais confi\u00e1veis de abastecimento fora do Oriente M\u00e9dio fez com que os americanos assumissem um papel mais relevante como mercado para o \u00f3leo brasileiro, e a China passasse a absorver quantidades menores, caindo em participa\u00e7\u00e3o, que, no entanto, ainda \u00e9 expressiva: os chineses, que chegaram a comprar um quarto do petr\u00f3leo exportado pelo Brasil em 2010, neste ano compraram, ainda, pouco mais de 20%. Para o governo, o peso da China no com\u00e9rcio exterior brasileiro reflete a maior presen\u00e7a internacional do pa\u00eds asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>&#8220;A participa\u00e7\u00e3o chinesa \u00e9 elevada nesse momento; evidentemente n\u00e3o conv\u00e9m a nenhum pa\u00eds no mundo a concentra\u00e7\u00e3o elevada em um \u00fanico parceiro&#8221;, reconhece a secret\u00e1ria de Com\u00e9rcio Exterior, Tatiana Prazeres, que, no entanto, n\u00e3o considera &#8220;especialmente preocupante&#8221; o peso chin\u00eas sobre a pauta de exporta\u00e7\u00f5es. O que se v\u00ea no Brasil se repete em outros pa\u00edses e reflete o papel cada vez maior da China no com\u00e9rcio global, argumenta.<\/p>\n<p>Tatiana diz que o governo vem acompanhando com aten\u00e7\u00e3o a evolu\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio com os chineses e comenta que o impacto da retra\u00e7\u00e3o chinesa &#8211; assim como a desacelera\u00e7\u00e3o em mercados da Europa &#8211; seria maior se o Brasil n\u00e3o tivesse buscado diversificar exporta\u00e7\u00f5es e mercados.<\/p>\n<p>No caso da pr\u00f3pria China, que anuncia uma estrat\u00e9gia contra a crise baseada no incentivo ao mercado dom\u00e9stico, o governo tenta buscar mercados para produtos diferentes das commodities que dominam a pauta comercial. Em novembro, uma miss\u00e3o possivelmente chefiada pelo ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, ir\u00e1 \u00e0 China com 30 empres\u00e1rios, para buscar compradores de produtos aliment\u00edcios como carnes, vinho, caf\u00e9 e alimentos processados.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso maior desafio l\u00e1 n\u00e3o \u00e9 desconcentrar nossas exporta\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China, mas diversificar a pauta com os chineses&#8221;, afirma a secret\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para o vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), Jos\u00e9 Augusto de Castro, a queda nas exporta\u00e7\u00f5es de commodities pode levar a uma ligeira redu\u00e7\u00e3o da parcela da China no com\u00e9rcio exterior brasileiro, porque as vendas de manufaturas tendem a maior estabilidade no futuro pr\u00f3ximo. Mas o peso dos chineses no mercado consumidor mundial de produtos do Brasil vincula o desempenho do com\u00e9rcio exterior ao desempenho econ\u00f4mico do gigante asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>A China, sozinha, passou a 18,2% do mercado para as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, quase o mesmo tamanho ocupado por toda a Am\u00e9rica Latina ou pela Uni\u00e3o Europeia, ambos com fatias pouco superiores a 20%.<\/p>\n<p>O que mais chama aten\u00e7\u00e3o, ao lado do peso da China sobre o desempenho comercial brasileiro \u00e9 seu r\u00e1pido crescimento relativo. A China consome 31% das vendas externas de produtos b\u00e1sicos do Brasil (como min\u00e9rio, petr\u00f3leo e gr\u00e3os); um percentual impressionante quando se compara com a situa\u00e7\u00e3o de dez anos atr\u00e1s, quando os chineses representavam pouco mais de 1,5% do mercado externo para essas exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. Dos manufaturados exportados pelo Brasil, apenas 2% v\u00e3o para os chineses (0,5% no in\u00edcio da d\u00e9cada).<\/p>\n<p>As previs\u00f5es para o mercado chin\u00eas e os desafios para o Brasil ser\u00e3o um dos principais temas do tradicional Encontro Nacional de Com\u00e9rcio Exterior (Enaex), promovido amanh\u00e3 pela AEB. &#8220;Com a queda dos pre\u00e7os e nas quantidades vendidas das commodities, nossas vendas para a China devem cair entre US$ 3 bilh\u00f5es e US$ 4 bilh\u00f5es neste ano&#8221;, prev\u00ea Castro.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Mudou o trip\u00e9 da pol\u00edtica econ\u00f4mica?<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>No dia 30 de agosto, ao explicar os par\u00e2metros utilizados na elabora\u00e7\u00e3o da proposta de Lei Or\u00e7ament\u00e1ria Anual, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou que estimar 4,5% para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2013 n\u00e3o era uma previs\u00e3o, e sim uma meta a ser perseguida. Mesmo diante dessa &#8220;confiss\u00e3o&#8221;, oito economistas que comp\u00f5em a rede de consulta do projeto de coleta de indicadores do Valor Data n\u00e3o consideram que o governo tenha adotado uma meta impl\u00edcita, ou mesmo expl\u00edcita, de crescimento para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esse consenso desaparece quando os mesmos economistas foram convocados a opinar sobre a mudan\u00e7a ou n\u00e3o do trip\u00e9 macroecon\u00f4mico adotado ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), composto por metas de infla\u00e7\u00e3o, c\u00e2mbio flutuante e super\u00e1vit prim\u00e1rio. Para parte dos economistas (a minoria), esse trip\u00e9 mudou, seja porque o Banco Central n\u00e3o persegue mais o centro da meta definido pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), seja porque o c\u00e2mbio deixou de ser flutuante.<\/p>\n<p>A maioria dos economistas, contudo, n\u00e3o sanciona a tese da mudan\u00e7a. Para o grupo majorit\u00e1rio, o mix da pol\u00edtica econ\u00f4mica foi &#8220;aprimorado&#8221;, &#8220;adaptado \u00e0s novas realidades mundiais&#8221;, ou est\u00e1 sob uma &#8220;condu\u00e7\u00e3o menos rigorosa&#8221;. Para esse grupo, a ess\u00eancia continua a mesma.<\/p>\n<p>Dentro do projeto de coleta de proje\u00e7\u00f5es dos principais indicadores econ\u00f4micos do pa\u00eds, o Valor Data come\u00e7a a fazer, de tempos em tempos, consultas mais &#8220;qualitativas&#8221; junto \u00e0s consultorias e departamentos econ\u00f4micos de institui\u00e7\u00f5es financeiras participantes.<\/p>\n<p>Para essa rodada &#8220;qualitativa&#8221;, o Valor Data apresentou tr\u00eas quest\u00f5es aos participantes (ver quadro). O objetivo central das perguntas era entender se os economistas avaliam que h\u00e1 mudan\u00e7a no trip\u00e9 que tem norteado a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica brasileira h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, e se o governo passou a mirar uma meta impl\u00edcita de crescimento. Em resumo, os economistas n\u00e3o consideram que o governo passou a perseguir uma taxa espec\u00edfica de crescimento, a maioria acha que o trip\u00e9 se manteve, mas a condu\u00e7\u00e3o \u00e9 hoje &#8220;diferente&#8221;. Para a maioria, tamb\u00e9m, BC e Fazenda atuam hoje de forma mais integrada.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Marcelo Arnosti, economista-chefe da BB DTVM, o governo n\u00e3o tem uma meta de crescimento, mas julga que o potencial do pa\u00eds para crescer est\u00e1 hoje &#8220;em torno de 4,5%, 5%, bastante acima do ritmo apresentado no primeiro semestre&#8221;, que ficou abaixo de 1%. Por isso, diz Arnosti, &#8220;com margem para utiliza\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica fiscal e outros instrumentos, o governo tem buscado estimular a economia e trazer a taxa de crescimento para um ritmo mais pr\u00f3ximo ao potencial.&#8221;<\/p>\n<p>O diretor do departamento de pesquisas e estudos econ\u00f4micos do Bradesco, Octavio de Barros, lembra que &#8220;o crescimento do PIB \u00e9 uma vari\u00e1vel end\u00f3gena, portanto ter meta de crescimento \u00e9 uma impossibilidade t\u00e9cnica&#8221;. Metas de expans\u00e3o do PIB, diz ele, &#8220;s\u00e3o praticamente imposs\u00edveis de serem cumpridas, uma vez que a pol\u00edtica econ\u00f4mica n\u00e3o consegue controlar todas as vari\u00e1veis que influenciam o crescimento, tanto pelo lado da oferta, quanto pelo da demanda, dom\u00e9sticas e externas.&#8221;<\/p>\n<p>Barros reconhece, contudo, que &#8220;existe uma prefer\u00eancia revelada de pol\u00edtica econ\u00f4mica por um crescimento maior, o que \u00e9 leg\u00edtimo e positivo diante do complexo cen\u00e1rio global&#8221;. E essa prefer\u00eancia, diz ele, tem como contrapartida um &#8220;grau de toler\u00e2ncia maior com um patamar um pouco acima do centro da meta [de infla\u00e7\u00e3o]&#8221;. \u00c9 essa toler\u00e2ncia, acrescenta, que faz com que uma taxa de 5% a 5,5% de IPCA n\u00e3o gere hoje &#8220;a mesma rea\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica monet\u00e1ria que ocorria no passado, quando o regime de metas estava se consolidando&#8221;.<\/p>\n<p>Bra\u00falio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, argumenta que, se houvesse uma meta de crescimento, a taxa Selic &#8220;j\u00e1 estaria perto de zero&#8221;. Ele v\u00ea &#8220;uma maior coordena\u00e7\u00e3o entre as pol\u00edticas monet\u00e1ria, fiscal e parafiscal com o objetivo de obter o maior crescimento poss\u00edvel, com infla\u00e7\u00e3o est\u00e1vel (no intervalo de 4,5% a 5,5%) e buscando n\u00edvel real de juro civilizado. Ou seja, estabilidade macroecon\u00f4mica, e n\u00e3o apenas estabilidade de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>O economista-chefe do banco Santander, Maur\u00edcio Molan, tamb\u00e9m n\u00e3o avalia que o governo persiga um dado crescimento para o PIB, mas avalia que &#8220;o desconforto com o ritmo de expans\u00e3o do PIB abaixo de 3% parece ser muito grande na conjuntura atual, ainda que esse crescimento mais moderado esteja associado a desemprego baixo e est\u00e1vel e infla\u00e7\u00e3o acima do centro da meta&#8221;.<\/p>\n<p>Para tr\u00eas economistas, entre os oito consultados, o trip\u00e9 de pol\u00edtica econ\u00f4mica adotado h\u00e1 mais de dez anos mudou. S\u00e9rgio Vale, economista-chefe da MB Associados, diz que &#8220;a meta de infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a escrita pelo CMN [Conselho Monet\u00e1rio Nacional], e sim em torno de 5,5%; o c\u00e2mbio decididamente deixou de ser flutuante e voltamos a trabalhar com bandas, entre R$ 2 e R$ 2,1, e cada vez mais h\u00e1 vontade expl\u00edcita do governo de baixar o super\u00e1vit prim\u00e1rio.&#8221; Para Vale, &#8220;ter mudado o mix em nada ajudou o crescimento. Pelo contr\u00e1rio, assusta os investidores, porque coloca, de novo, um governo excessivamente intervencionista&#8221;.<\/p>\n<p>Ao lado de Vale, Juan Jensen, da Tend\u00eancias Consultoria, tamb\u00e9m diz que &#8220;claramente o trip\u00e9 mudou&#8221;. Ele relaciona a exist\u00eancia de &#8220;bandas informais&#8221; para o c\u00e2mbio, a atua\u00e7\u00e3o do BC, que &#8220;trata de maximizar o crescimento com restri\u00e7\u00e3o de que a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o extrapole o teto da meta (6,5%)&#8221; e mesmo o super\u00e1vit fiscal (&#8220;ainda a vari\u00e1vel mais robusta do trip\u00e9&#8221;), que come\u00e7a a dar sinais de mudan\u00e7a. Para ele, a chamada &#8220;contabilidade criativa&#8221;, pela qual o governo faz um super\u00e1vit fiscal sem esfor\u00e7o, usando, entre outras medidas, a antecipa\u00e7\u00e3o de dividendos por parte do BNDES e da Caixa Econ\u00f4mica Federal, ap\u00f3s as institui\u00e7\u00f5es serem capitalizadas pelo Tesouro, significa que &#8220;est\u00e1 ruindo a \u00faltima perna do antigo trip\u00e9&#8221;.<\/p>\n<p>A &#8220;contabilidade criativa&#8221; tamb\u00e9m \u00e9 o argumento usado por Fernando Genta, da MCM Consultores, para justificar que a perna fiscal do trip\u00e9 foi abandonada, mas ele tamb\u00e9m considera que o c\u00e2mbio deixou de ser flutuante e o governo passou a trabalhar com &#8220;um piso expl\u00edcito de R$ 2 para o d\u00f3lar&#8221;. Quanto \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, Genta n\u00e3o classifica a mudan\u00e7a como um abandono, mas identifica &#8220;uma maior toler\u00e2ncia com infla\u00e7\u00e3o acima do centro da meta&#8221;.<\/p>\n<p>Molan, do Santander, n\u00e3o acredita que houve uma mudan\u00e7a radical no modelo. &#8220;A novidade est\u00e1 em uma conjuntura global muito mais complexa, que levou os formuladores de pol\u00edtica a utilizar um conjunto mais amplo de instrumentos, de forma a atingir objetivos m\u00faltiplos&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio externo e as teses defendidas por Olivier Blanchard, economista-chefe do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, sobre o papel que deve ser desempenhado pela pol\u00edtica monet\u00e1ria e a necessidade de que ela concilie v\u00e1rias metas e instrumentos, foram apontados por Barros, do Bradesco, e Borges, da LCA, como elementos do atual mix, que n\u00e3o mudou (na avalia\u00e7\u00e3o deles), mas passou a dar pesos diferentes para cada componente do trip\u00e9 e os &#8220;adaptou&#8221; aos novos par\u00e2metros das economias local e mundial.<\/p>\n<p>Dentro dessa &#8220;filosofia&#8221;, Barros e Borges veem de forma diferente a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica fiscal no atual governo. Um super\u00e1vit prim\u00e1rio de 2%, diz o economista do Bradesco, j\u00e1 estabiliza a rela\u00e7\u00e3o da d\u00edvida como propor\u00e7\u00e3o do PIB. Borges &#8211; que concorda que a pol\u00edtica de capitaliza\u00e7\u00e3o do BNDES e de outros bancos p\u00fablicos n\u00e3o pode ser uma pol\u00edtica permanente, embora tenha sido v\u00e1lida na a\u00e7\u00e3o antic\u00edclica de 2008\/2009 &#8211; diz que o governo est\u00e1 usando o &#8220;espa\u00e7o fiscal&#8221; constru\u00eddo ao longo de mais de uma d\u00e9cada de ajuste (viabilizado por aumento da carga tribut\u00e1ria) para finalmente desonerar o setor produtivo e melhorar sua produtividade. E concorda que juros menores abrem espa\u00e7o para super\u00e1vits prim\u00e1rios menores sem comprometer a trajet\u00f3ria de queda da rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/PIB.<\/p>\n<p>O economista-chefe do Banco Fator, Jos\u00e9 Francisco de Lima Gon\u00e7alves, tamb\u00e9m n\u00e3o considera que o mix de pol\u00edtica econ\u00f4mica tenha mudado. &#8220;O que n\u00e3o tem sentido \u00e9 fingir que n\u00e3o ocorreu uma crise aguda, que ainda n\u00e3o acabou em sua fase cr\u00f4nica, e que ainda pode voltar a ser aguda. Desconsiderar isso \u00e9 irrespons\u00e1vel e leviano. N\u00e3o venha comparar [o Brasil] com &#8220;compar\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n<p>Para ele, a meta de infla\u00e7\u00e3o continua em 4,5% -&#8220;mesmo n\u00e3o tendo sido atingida em cheio faz tr\u00eas anos&#8221;. Todo mundo, argumenta, &#8220;sabe que a infla\u00e7\u00e3o tem um componente de choques, indexa\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os&#8221;, e que o aumento na demanda por servi\u00e7os com influ\u00eancia nos respectivos pre\u00e7os &#8220;decorre da mudan\u00e7a na distribui\u00e7\u00e3o de renda e em seu n\u00edvel real nos \u00faltimos anos&#8221;. Tamb\u00e9m o c\u00e2mbio, diz Lima Gon\u00e7alves, \u00e9 &#8220;sujo&#8221; no mundo todo. &#8220;Ele surgiu como solu\u00e7\u00e3o pragm\u00e1tica para o colapso de Breton Woods e vale at\u00e9 hoje. Todo mundo usa, do Jap\u00e3o \u00e0 Sui\u00e7a, principalmente em situa\u00e7\u00f5es de fortes deslocamentos de liquidez em mercados abertos&#8221;.<\/p>\n<p>Arnosti, do BB DTVM, tamb\u00e9m est\u00e1 no grupo de economistas para quem \u00e9 v\u00e1lido afirmar que o trip\u00e9 permanece de p\u00e9, por\u00e9m &#8220;sob uma condu\u00e7\u00e3o algo menos &#8220;rigorosa&#8221; ou &#8220;conservadora&#8221;&#8221;. A coer\u00eancia do regime, diz ele, \u00e9 mantida, mas sua condu\u00e7\u00e3o ocorre &#8220;no limite de suas possibilidades&#8221;.<\/p>\n<p>Entre as contradi\u00e7\u00f5es que surgem nessa condu\u00e7\u00e3o, Arnosti ressalta a flutua\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio, mais &#8220;suja&#8221; que no passado. E administrar essa flutua\u00e7\u00e3o traz riscos, diz ele, como o de importar infla\u00e7\u00e3o externa. Para ele, em uma situa\u00e7\u00e3o extrema, o governo &#8220;limitaria seu &#8220;intervencionismo&#8221; para preservar o trip\u00e9 econ\u00f4mico.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Amaz\u00f4nia Legal tem alta de desmate em agosto<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que no m\u00eas de agosto foi registrada a maior \u00e1rea de desmatamento da Amaz\u00f4nia Legal nos \u00faltimos tr\u00eas anos, Alavancada por altos \u00edndices nos Estados de Mato Grosso e Par\u00e1, a devasta\u00e7\u00e3o do bioma foi de 522 km2 no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Recorde no ano, a degrada\u00e7\u00e3o representa aumento de 220% em rela\u00e7\u00e3o a agosto do ano passado. Desde julho de 2009, quando foram registrados 836 km2 de \u00e1reas desmatadas, a Amaz\u00f4nia Legal n\u00e3o havia atingido um n\u00edvel t\u00e3o alto &#8211; em 2012, o \u00edndice mensal n\u00e3o havia passado de 306 km2, em fevereiro.<\/p>\n<p>Estados tradicionalmente com os maiores n\u00edveis de desmatamento da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, o Mato Grosso e o Par\u00e1 tiveram uma varia\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica em rela\u00e7\u00e3o a julho. No Par\u00e1, passou de 93 para 227 km2. No Mato Grosso, a alta foi ainda mais brusca e quadriplicou: de 50, chegou a 208 km2.<\/p>\n<p>&#8220;Existe um afrouxamento deste controle do desmatamento em meio a quest\u00f5es como as mudan\u00e7as no C\u00f3digo Florestal. E esses Estados s\u00e3o \u00e1reas de maior press\u00e3o para o desmatamaneto, pois \u00e9 onde avan\u00e7a o agroneg\u00f3cio&#8221;, explica Miguel Scarcello, presidente da ONG S.O.S. Amaz\u00f4nia. &#8220;Em outras regi\u00f5es, como no Acre, existem pol\u00edticas p\u00fablicas mais desenvolvidas para diminuir a degrada\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rio. Os dados s\u00e3o fornecidos por um sistema de alerta chamado Deter, que ajuda a fiscalizar e controlar o desmatamento nos nove Estados da Amaz\u00f4nia. Segundo o Inpe, o relat\u00f3rio teve um alto grau de visibilidade &#8211; apenas 4% da floresta estavam cobertas pelas nuvens durante o monitoramento.<\/p>\n<p>Os sat\u00e9lites s\u00e3o capazes de detectar \u00e1reas desmatadas a partir de 6,25 hectares.<\/p>\n<p>O alto \u00edndice em agosto ocorre pouco ap\u00f3s a Amaz\u00f4nia Legal ter obtido um feito hist\u00f3rico. Em junho, dias antes do in\u00edcio da Rio +20, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente anunciou que o Pa\u00eds havia obtido o menor \u00edndice anual de desmatamento do bioma nas mais de duas d\u00e9cadas em que a medi\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada (desde 1988).<\/p>\n<p>Entre agosto de 2010 e julho de 2011, a regi\u00e3o teve 6,4 mil km2 de florestas desmatadas, com redu\u00e7\u00e3o de 8% em rela\u00e7\u00e3o ao resultados apurado no mesmo per\u00edodo entre 2009 e 2010.<\/p>\n<p>Nos oito primeiros meses deste ano, a Amaz\u00f4nia Legal teve degrada\u00e7\u00e3o em uma \u00e1rea total de 1,5 mil km2. O n\u00famero \u00e9 ligeiramente menor (cerca de 2%) que o montante verificado no mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<hr \/>\n<p>EPE prev\u00ea investimento de R$ 1 trilh\u00e3o at\u00e9 2021<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) prev\u00ea investimentos de R$ 1,097 trilh\u00e3o no setor de energia brasileiro at\u00e9 2021. Os dados constam da minuta do Plano Decenal de Expans\u00e3o de Energia (PDE 2021), colocada em consulta p\u00fablica ontem.<\/p>\n<p>A EPE estima que o setor de energia el\u00e9trica ser\u00e1 respons\u00e1vel por R$ 269 bilh\u00f5es desse total, sendo R$ 213 bilh\u00f5es em gera\u00e7\u00e3o e R$ 56 bilh\u00f5es em transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>A maior fatia dever\u00e1 ficar, segundo a EPE, com o setor de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, com R$ 749 bilh\u00f5es. S\u00f3 o segmento de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o responder\u00e1 por R$ 547 bilh\u00f5es, seguido pelo refino e infraestrutura de transporte, com R$ 198 bilh\u00f5es. A oferta de g\u00e1s natural dever\u00e1 receber outros R$ 4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A oferta de biocombust\u00edveis l\u00edquidos dever\u00e1 receber, at\u00e9 2021, outros R$ 79 bilh\u00f5es, sendo R$ 71 bilh\u00f5es para as usinas produtoras de etanol, R$ 7 bilh\u00f5es para a infraestrutura dutovi\u00e1ria e portu\u00e1ria e R$ 1 bilh\u00e3o para as usinas de produ\u00e7\u00e3o de biodiesel.<\/p>\n<p>A minuta traz ainda a estimativa de que a capacidade de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica crescer\u00e1 57% at\u00e9 2021, passando de 116,5 gigawatts (GW), no ano passado, para 182,4 GW. Pela proje\u00e7\u00e3o da EPE, o incremento na gera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 maior, de 34,9 GW, at\u00e9 2016. Entre 2017 e 2021 ser\u00e3o outros 31 GW. A energia hidr\u00e1ulica vai ter o maior peso nesse aumento do parque de gera\u00e7\u00e3o conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), com 33,2 GW, atingindo o total de 116,8 GW de capacidade instalada em 2021. A seguir vir\u00e3o, pelas estimativas da EPE, a energia e\u00f3lica, com 14,2 GW de aumento no parque de gera\u00e7\u00e3o; a energia t\u00e9rmica, com 8,9 GW; a biomassa, com 5,7 GW; as pequenas centrais hidrel\u00e9tricas, com 2,5 GW; e as usinas nucleares, com 1,4 GW.<\/p>\n<p>O documento colocado ontem em consulta p\u00fablica mostra ainda que a participa\u00e7\u00e3o das fontes renov\u00e1veis na matriz energ\u00e9tica brasileira saltar\u00e1 dos atuais 43,1% para 45% em 2021.<\/p>\n<p>A EPE ressalta que o crescimento da fatia das fontes renov\u00e1veis ser\u00e1 liderado pela expans\u00e3o da oferta de derivados de cana-de-a\u00e7\u00facar, que passar\u00e3o de 16,4% para 21,2% da matriz energ\u00e9tica entre 2011 e 2021.<\/p>\n<p>Entre os combust\u00edveis f\u00f3sseis, a participa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e derivados na matriz cair\u00e1 de 38,5% para 31,9%. O segmento de g\u00e1s natural representar\u00e1 15,5% da oferta de energia do pa\u00eds em 2021, frente aos 11% atuais.<\/p>\n<p>J\u00e1 a oferta de carv\u00e3o mineral e derivados permanecer\u00e1 com uma participa\u00e7\u00e3o de 6,1% ao longo dos pr\u00f3ximos dez anos, segundo a EPE.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es da EPE levam em conta um crescimento do consumo de energia de 4,7% ao ano at\u00e9 2021. A previs\u00e3o foi feita baseada em uma estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,7% ao ano at\u00e9 2021.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Argentina perto do &#8216;cart\u00e3o vermelho&#8217; do FMI<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>A diretora-gerente do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), Christine Lagarde, disse ontem que espera que a Argentina possa evitar san\u00e7\u00f5es do Fundo por seus dados econ\u00f4micos prec\u00e1rios e voltou a afirmar que o pa\u00eds tem tr\u00eas meses para melhorar a qualidade de suas estat\u00edsticas de crescimento e infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Agora eles levaram cart\u00e3o amarelo e t\u00eam tr\u00eas meses para evitar o vermelho &#8211; disse Lagarde em audi\u00eancia em Washington. &#8211; Se n\u00e3o houver progresso, ser\u00e1 aplicado o cart\u00e3o vermelho.<\/p>\n<p>O discurso mais duro vem ap\u00f3s mais de um ano de espera para que o governo de Cristina Kirchner pare de fornecer dados distorcidos ao Fundo, destacou a ag\u00eancia de not\u00edcias AFP.<\/p>\n<p>Economistas dizem que o governo subestima de forma patente a alta dos pre\u00e7os no pa\u00eds. No in\u00edcio de setembro, informe mensal do governo informou uma taxa de infla\u00e7\u00e3o anual para agosto de cerca de 10%. J\u00e1 especialistas previram que o \u00edndice seria de 24%.<\/p>\n<p>&#8220;dia d&#8221; em 17 de dezembro<\/p>\n<p>Na semana passada, o Fundo alertou oficialmente a Argentina de que ela poderia enfrentar san\u00e7\u00f5es se, at\u00e9 17 de dezembro, n\u00e3o apresentasse dados em ordem. Nessa data, a diretoria da institui\u00e7\u00e3o vai se reunir e avaliar se o pa\u00eds deu passos adicionais.<\/p>\n<p>Em 68 anos de hist\u00f3ria, nenhum pa\u00eds foi sancionado pelo FMI pela qualidade de seus dados, afirmou a AFP.<\/p>\n<hr \/>\n<p>D\u00edvida p\u00fablica recua a R$ 1,867 trilh\u00e3o<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>A d\u00edvida p\u00fablica federal alcan\u00e7ou R$ 1,867 trilh\u00e3o em agosto, uma redu\u00e7\u00e3o de 0,51%, ou R$ 9 bilh\u00f5es, frente ao m\u00eas anterior. Foi a segunda queda do ano, informou ontem o Tesouro Nacional. Em julho, a d\u00edvida somou R$ 1,876 trilh\u00e3o. Fernando Garrido, coordenador-geral de Opera\u00e7\u00f5es da D\u00edvida, explicou que o governo fez um resgate l\u00edquido de R$ 28,32 bilh\u00f5es. Na pr\u00e1tica, o Tesouro pagou mais empr\u00e9stimos do que emitiu pap\u00e9is. E as despesas com juros totalizaram R$ 18,79 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A d\u00edvida interna recuou 0,53%, para R$ 1,778 trilh\u00e3o. J\u00e1 a externa cresceu 0,02%, para R$ 88,43 bilh\u00f5es. O governo projeta que a d\u00edvida p\u00fablica feche o ano entre R$ 1,95 trilh\u00e3o e R$ 2,05 trilh\u00f5es. Em 2011, subiu 10%, para R$ 1,86 trilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Garrido destacou que, m\u00eas a m\u00eas, o governo tem melhorado a composi\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica, que passa a ter custos menores e prazos mais longos de vencimento. Em agosto, a participa\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is prefixados passou de 35,86% para 37,37%. J\u00e1 a fatia dos t\u00edtulos que acompanham a infla\u00e7\u00e3o caiu de 34,98% para 33,35%.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Oreiro, professor de economia da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), lembrou que os prefixados d\u00e3o maior previsibilidade \u00e0s contas p\u00fablicas:<\/p>\n<p>&#8211; Quando a maioria \u00e9 ligada \u00e0 taxa de juros, isso reduz a efic\u00e1cia da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Ao aumentar a Selic, os investidores ganham mais e podem consumir, pressionando a infla\u00e7\u00e3o. E a\u00ed o governo tem de elevar os juros de novo.<\/p>\n<p>O Tesouro informou ainda que a participa\u00e7\u00e3o dos estrangeiros no estoque da d\u00edvida atingiu recorde: 13,34%. Para Garrido, a eleva\u00e7\u00e3o de 4% para 6% do Imposto sobre Opera\u00e7\u00f5es Financeiras (IOF) contribuiu. A taxa\u00e7\u00e3o maior evita aplica\u00e7\u00f5es de curto prazo.<\/p>\n<p>O programa de compra de t\u00edtulos da d\u00edvida por pessoas f\u00edsicas, o Tesouro Direto, ganhou 4,3 mil participantes em agosto, para o total de 313.919.<\/p>\n<p>&#8211; Isso refor\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o de que o programa \u00e9 um investimento seguro &#8211; disse Garrido. (<\/p>\n<hr \/>\n<p>Estrangeiro amplia fatia em estoque da d\u00edvida p\u00fablica federal<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Uma varia\u00e7\u00e3o marginal fez com que o investidor estrangeiro encerrasse o m\u00eas de agosto com uma participa\u00e7\u00e3o recorde no estoque da d\u00edvida p\u00fablica interna. O n\u00e3o residente respondeu por 13,34%, ou R$ 237,39 bilh\u00f5es, do estoque da d\u00edvida, ante 13,22% em julho. Mesmo em situa\u00e7\u00e3o de crise, o governo n\u00e3o v\u00ea esse aumento de presen\u00e7a estrangeira com preocupa\u00e7\u00e3o. O coordenador-geral de opera\u00e7\u00f5es da d\u00edvida p\u00fablica, Fernando Garrido, disse que o governo &#8220;est\u00e1 bastante confort\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>Primeiro, porque o percentual estrangeiro na d\u00edvida ainda \u00e9 baixo na compara\u00e7\u00e3o internacional e, mais importante do que isso, o perfil desse investidor estrangeiro \u00e9 de longo prazo, formado por fundos de pens\u00e3o, fundos soberanos e seguradoras. &#8220;S\u00e3o investidores menos propensos a retirar seus recursos. Atravessamos um recente per\u00edodo de turbul\u00eancia e n\u00e3o vimos fuga de recursos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Entre os maiores financiadores do governo, o estrangeiro aparece em quarto lugar. A lideran\u00e7a segue com os bancos locais, com 28,85%, ou R$ 513,15 bilh\u00f5es, da d\u00edvida em agosto, contra 28,82% em julho. Na sequ\u00eancia est\u00e3o os fundos de investimento, com 25,24% (R$ 448,92 bilh\u00f5es), ante fatia de 25,57% em julho.<\/p>\n<p>Segundo Garrido, a queda de participa\u00e7\u00e3o dos fundos decorre de um vencimento de Notas do Tesouro Nacional &#8211; S\u00e9rie B (NTN-Bs) no per\u00edodo, que pesou de forma mais relevante na carteira desses agentes.<\/p>\n<p>Os fundos de previd\u00eancia aparecem em terceiro, com 16,69% da d\u00edvida (R$ 296,88 bilh\u00f5es) &#8211; em julho a participa\u00e7\u00e3o era de 16,42%. Tal fatia dos fundos tamb\u00e9m \u00e9 recorde. &#8220;Esse \u00e9 um setor que se ajusta \u00e0s suas necessidades. Seus passivos s\u00e3o de longo prazo, ent\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio que os ativos tamb\u00e9m sejam&#8221;, disse o coordenador.<\/p>\n<p>Outro recorde registrado em agosto foi o alongamento do prazo da d\u00edvida p\u00fablica, que subiu de 3,99 anos de julho para 4,05 anos, superior, portanto, ao patamar m\u00e1ximo estabelecido pelo PAF, de 3,8 anos. Segundo Garrido, o alongamento registrado no m\u00eas passado \u00e9 pontual. Para ele, o fato de haver um segundo semestre com vencimentos mais baixos e o maior interesse dos investidores pelos pap\u00e9is de longo prazo explicam o recorde. No entanto, a estimativa do Tesouro \u00e9 de que o prazo m\u00e9dio feche 2012 em torno do limite superior. Somente a longo prazo o governo espera um alongamento para um intervalo de 5 a 6 anos.<\/p>\n<p>O documento divulgado ontem revelou ainda que de julho para agosto a D\u00edvida P\u00fablica Federal (DPF) caiu em termos nominais 0,51%, para R$ 1,867 trilh\u00e3o. A d\u00edvida interna recuou 0,53%, indo a R$ 1,788 trilh\u00e3o. A d\u00edvida externa mostrou leve alta de 0,02%, para R$ 88 bilh\u00f5es (US$ 43,41 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>As emiss\u00f5es de d\u00edvida em agosto somaram R$ 39,95 bilh\u00f5es, j\u00e1 os resgates ficaram em R$ 68,53 bilh\u00f5es. Disso resulta um resgate l\u00edquido de R$ 28,58 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O vencimento de R$ 48 bilh\u00f5es em NTN-Bs alterou o perfil da d\u00edvida no m\u00eas. A fatia dos pap\u00e9is atrelados a \u00edndices de pre\u00e7os caiu para 33,35% da DPF contra 34,98% em julho. Assim, aumentou a fatia dos ativos pr\u00e9-fixados, de 35,86% para 37,37%, e aqueles de taxa flutuante, para 24,68% ante 24,57% em julho.<\/p>\n<p>Agora em setembro, segundo Garrido, haver\u00e1 um vencimento de cerca de R$ 26 bilh\u00f5es de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) que ter\u00e1 impacto sobre o perfil da d\u00edvida.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Europa quer fundo de resgate de mais de 2 tri<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Os governos da zona do euro est\u00e3o planejando aumentar o poder de fogo do fundo de resgate permanente do bloco, o Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM, na sigla em ingl\u00eas), para mais de 2 trilh\u00f5es (US$ 2,6 trilh\u00f5es), usando alavancagem, para fornecer uma potencial rede de seguran\u00e7a \u00e0 It\u00e1lia e \u00e0 Espanha, afirma a revista alem\u00e3 &#8220;Der Spiegel&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com os planos, os governos efetivamente v\u00e3o ampliar os 500 bilh\u00f5es do ESM por meio do uso do fundo para comprar apenas os b\u00f4nus mais arriscados emitidos pela Espanha, por exemplo, segundo a revista. Investidores privados poder\u00e3o, ent\u00e3o, entrar com o restante do dinheiro porque teriam de assumir apenas uma quantidade limitada de risco.<\/p>\n<p>Os planos se baseiam nas regras do fundo de resgate tempor\u00e1rio da zona do euro, a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em ingl\u00eas), que d\u00e1 oportunidades similares para alavancagem, diz a revista.<\/p>\n<p>No entanto, embora os planos sejam vistos de forma favor\u00e1vel pelo ministro de Finan\u00e7as da Alemanha, Wolfgang Sch\u00e4uble, um acordo r\u00e1pido no Eurogrupo &#8211; o grupo de ministros de Finan\u00e7as da zona do euro &#8211; foi bloqueado pela Finl\u00e2ndia. O governo finland\u00eas est\u00e1 preocupado com o fato de os planos representarem uma grande transgress\u00e3o do tratado do ESM e, por isso, precisarem ser aprovados pelo Parlamento do pa\u00eds, segundo a Spiegel.<\/p>\n<p>Amplia\u00e7\u00e3o. Olivier Bailly, porta-voz da Comiss\u00e3o Europeia, afirmou que ainda est\u00e3o em andamento as discuss\u00f5es sobre se haver\u00e1 ou n\u00e3o uma amplia\u00e7\u00e3o do fundo de resgate permanente da zona do euro por meio do uso de dois ve\u00edculos de alavancagem criados pelos governos do bloco no ano passado.<\/p>\n<p>Os dois ve\u00edculos, que t\u00eam como objetivo atrair investidores oferecendo a cobertura de uma parte das perdas no caso de uma reestrutura\u00e7\u00e3o de d\u00edvida, foram acrescidos ao ESM no fim do ano passado para aumentar o poder de fogo do fundo. No entanto, na semana passada o Wall Street Journal afirmou que obje\u00e7\u00f5es da Finl\u00e2ndia bloquearam o acordo para transferir os dois ve\u00edculos para o ESM a tempo de seu lan\u00e7amento, em 8 de outubro.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos em uma fase de transi\u00e7\u00e3o da EFSF para o ESM&#8221;, afirmou Bailly. &#8220;Os pa\u00edses-membros e n\u00f3s mesmos estamos discutindo a possibilidade de usar os dois instrumentos financeiros que atualmente s\u00e3o atrelados \u00e0 EFSF e lig\u00e1-los ao ESM. Essas discuss\u00f5es est\u00e3o em andamento.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Bailly, os pa\u00edses da zona do euro e a Comiss\u00e3o &#8220;est\u00e3o checando ponto por ponto&#8221; o que pode ser transferido para o ESM, que at\u00e9 agora tem capacidade de empr\u00e9stimos de 500 bilh\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Por meta de super\u00e1vit, BNDES prepara novo aporte ao Tesouro<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) far\u00e1 um novo aporte de dividendos ao Tesouro para refor\u00e7ar o caixa do governo federal e ajudar no cumprimento da meta de super\u00e1vit prim\u00e1rio (economia de recursos para pagamento da d\u00edvida) das contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>O refor\u00e7o dos dividendos do BNDES vai ajudar o governo a alcan\u00e7ar R$ 29 bilh\u00f5es de receitas com dividendos, previs\u00e3o que consta no \u00faltimo relat\u00f3rio do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o, divulgado na semana passada.<\/p>\n<p>Decreto publicado ontem no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o autoriza o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do BNDES a repassar \u00e0 Uni\u00e3o dividendos, chamados de intermedi\u00e1rios, referentes ao lucro l\u00edquido do balan\u00e7o encerrado no primeiro semestre deste ano. Os valores est\u00e3o sendo apurados pelo BNDES, mas o banco j\u00e1 informou que houve lucro l\u00edquido de R$ 2,7 bilh\u00f5es no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Segundo a \u00e1rea t\u00e9cnica do Minist\u00e9rio da Fazenda, n\u00e3o se trata de antecipa\u00e7\u00e3o de receitas e o repasse dos dividendos intermedi\u00e1rios est\u00e1 previsto no estatuto do BNDES de 2002. O governo diz que o pagamento desses dividendos n\u00e3o afeta as receitas do ano que vem. Est\u00e1 mantida a previs\u00e3o de arrecadar R$ 26 bilh\u00f5es de dividendos em 2013.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 segunda vez este ano que o governo publica decreto para garantir aumento dos dividendos do BNDES. Em agosto, o banco j\u00e1 repassou cerca de R$ 4 bilh\u00f5es de dividendos \u00e0 Uni\u00e3o. Desse total, R$ 3 bilh\u00f5es foram pagos com t\u00edtulos p\u00fablicos com vencimento em 2035. O restante foi transferido em dinheiro. Esses dividendos foram entregues depois que decreto permitiu que o BNDES utilizasse a conta destinada apenas ao aumento de capital tamb\u00e9m para pagar dividendos ao Tesouro.<\/p>\n<p>Ao longo deste ano, o governo j\u00e1 elevou em R$ 9,17 bilh\u00f5es a previs\u00e3o de dividendos, mesmo com a redu\u00e7\u00e3o da lucratividade das empresas estatais. O BNDES e Caixa Econ\u00f4mica Federal, que n\u00e3o t\u00eam a\u00e7\u00f5es em bolsa, ajudaram a refor\u00e7ar esse caixa.<\/p>\n<p>Manobra. O governo diz que n\u00e3o h\u00e1 manobra no repasse dos dividendos, mas o aumento dessas receitas num ano em que as estatais t\u00eam queda na lucratividade \u00e9 visto com desconfian\u00e7a. A avalia\u00e7\u00e3o dos analistas \u00e9 que essa pol\u00edtica de garantir &#8220;superdividendos&#8221;, como vem sendo chamada no mercado, enfraquece os efeitos da pol\u00edtica fiscal. A previs\u00e3o de receitas e dividendos cresceu para acomodar a queda na estimativa de arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Mercado externo se fecha para bancos m\u00e9dios<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O calote recente do Cruzeiro do Sul disseminou forte desconfian\u00e7a entre investidores estrangeiros quanto a novos t\u00edtulos de d\u00edvida de bancos m\u00e9dios brasileiros, especialmente aqueles que operam com cr\u00e9dito ao consumo, mesmo nicho do Cruzeiro.<\/p>\n<p>Com a liquida\u00e7\u00e3o do Cruzeiro decretada pelo Banco Central no dia 14, quem tinha b\u00f4nus do banco deve entrar na Justi\u00e7a para tentar reaver parte dos investimentos. O banco deixou US$ 3,3 bilh\u00f5es em d\u00edvida l\u00e1 fora, e o quanto ser\u00e1 recuperado \u00e9 dif\u00edcil prever. O desenrolar deve ser parecido com aquele dos detentores de notas do Banco Santos, liquidado em 2005 e cujos t\u00edtulos come\u00e7aram a ser pagos apenas no ano passado.<\/p>\n<p>Ao se considerar as notas subordinadas, com vencimento para 2020, as chances de recupera\u00e7\u00e3o s\u00e3o baix\u00edssimas. T\u00edtulos seniores t\u00eam mais chances, mas o retorno deve ficar bem abaixo do des\u00e1gio m\u00e9dio de 49,3% que o Fundo Garantidor de Cr\u00e9ditos tinha proposto. Por conta disso, a estimativa de especialistas \u00e9 que esse mercado se feche totalmente para novas capta\u00e7\u00f5es de bancos m\u00e9dios.<\/p>\n<p>Para Rodrigo Cabernite, diretor do Standard Chartered que acompanha de perto as opera\u00e7\u00f5es de emiss\u00e3o, os bancos m\u00e9dios devem se aproveitar da mudan\u00e7a de regras dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios anunciada no dia 14 pelo BC, o que diminui, no momento, a necessidade de emiss\u00e3o de novas d\u00edvidas l\u00e1 fora.<\/p>\n<p>Paralelamente, acredita ele, os bancos que pretendem emitir no futuro precisam se esfor\u00e7ar para deixar claro ao mercado externo quais s\u00e3o os nichos de atua\u00e7\u00e3o de cada um, e explicar a diferen\u00e7a entre quem atua principalmente com cr\u00e9dito consignado e quem \u00e9 focado em cr\u00e9dito corporativo. &#8220;O investidor ser\u00e1 for\u00e7ado a fazer uma an\u00e1lise mais profunda, entender melhor o que est\u00e1 comprando&#8221;, disse Cabernite.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 por uma dificuldade de idioma, n\u00e3o conseguimos entrar em detalhes de balan\u00e7o, por isso confiamos nos reguladores locais&#8221;, disse Carlos Legaspy, gestor da Precise Securities, com sede em San Diego, Calif\u00f3rnia, e que terminou com &#8220;alguns milh\u00f5es de d\u00f3lares&#8221; em b\u00f4nus do Cruzeiro em m\u00e3os, segundo ele pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>&#8220;Os bancos s\u00e3o mais dif\u00edceis de analisar&#8221;, afirma Andrew Feltus, vice-presidente s\u00eanior da gestora americana Pioneer. &#8220;Tendemos a ser muito mais cuidadosos com bancos do que com outros ativos.&#8221;<\/p>\n<p>O mercado secund\u00e1rio tamb\u00e9m mostra mau humor com os b\u00f4nus de outros bancos m\u00e9dios. Os t\u00edtulos de d\u00edvida do banco BVA com vencimento em 2014 perderam 12,24% de seu valor desde o per\u00edodo pouco anterior \u00e0 interven\u00e7\u00e3o no Cruzeiro, em junho, at\u00e9 ontem, segundo dados da Bloomberg compilados pelo Valor Data. Outros bancos que tamb\u00e9m sentiram o impacto foram BicBanco, com perda de 6,15% do valor do b\u00f4nus para 2020, e Pine, com queda de 6,52% do pre\u00e7o dos t\u00edtulos para 2017, em intervalo de tempo parecido.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio, entretanto, n\u00e3o afeta os grandes bancos brasileiros, que seguem como op\u00e7\u00f5es atrativas para aloca\u00e7\u00e3o de recursos na vis\u00e3o de gestores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Valor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3601\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3601","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-W5","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3601","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3601"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3601\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}