{"id":3608,"date":"2012-09-26T18:57:54","date_gmt":"2012-09-26T18:57:54","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3608"},"modified":"2012-09-26T18:57:54","modified_gmt":"2012-09-26T18:57:54","slug":"governo-vai-agir-para-conter-o-dolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3608","title":{"rendered":"Governo vai agir para conter o d\u00f3lar"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo acredita que a nova rodada de expans\u00e3o monet\u00e1ria, patrocinada pelos bancos centrais dos Estados Unidos (Federal Reserve Bank), da Europa (BCE) e do Jap\u00e3o, ter\u00e1 impacto no mercado nacional. Isso obrigar\u00e1 o Brasil a adotar novas medidas de controle cambial para impedir a aprecia\u00e7\u00e3o da moeda nacional, fato que, desde meados de 2010, quando os BCs intensificaram o que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chama de &#8220;guerra cambial&#8221;, afetou negativamente a competitividade da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Uma das rea\u00e7\u00f5es do Banco Central (BC) tem sido acelerar a acumula\u00e7\u00e3o de reservas cambiais. De janeiro at\u00e9 agora, o BC aumentou as reservas em US$ 26,5 bilh\u00f5es para neutralizar os efeitos da entrada de d\u00f3lares no mercado brasileiro, supostamente provocada pela expans\u00e3o monet\u00e1ria promovida, no in\u00edcio do ano, pelo BCE. Desde o chamado QE2 (sigla em ingl\u00eas da segunda rodada de afrouxamento quantitativo promovida pelo Fed), em meados de 2010, o BC comprou cerca de US$ 130 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Outras medidas para controlar o fluxo cambial n\u00e3o est\u00e3o descartadas. O governo acha que o QE3, anunciado h\u00e1 duas semanas pelo Fed, veio no formato esperado, isto \u00e9, com foco no mercado imobili\u00e1rio americano, o que, em tese, evitaria uma infla\u00e7\u00e3o de ativos generalizada. A surpresa ficou por conta do car\u00e1ter &#8220;open-ended&#8221; (sem limite) da medida. O Fed manter\u00e1 a expans\u00e3o monet\u00e1ria at\u00e9 que a taxa de desemprego caia e a economia dos EUA volte a crescer de forma sustentada.<\/p>\n<p>Banco Central n\u00e3o \u00e9 hostil \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do super\u00e1vit prim\u00e1rio<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 um risco de vazar [moeda] para c\u00e1. Isso temos que trabalhar. N\u00e3o \u00e9 assim n\u00e3o&#8221;, adverte um integrante da equipe econ\u00f4mica, preocupado com os efeitos do QE3. &#8220;Alguma coisa vaza.&#8221;<\/p>\n<p>Com o novo afrouxamento monet\u00e1rio, o banco central americano tenta reanimar o setor que jogou o mundo na crise de 2007\/2008. O setor imobili\u00e1rio chegou ao fundo do po\u00e7o e est\u00e1 em processo lento de recupera\u00e7\u00e3o. A cren\u00e7a \u00e9 a de que a inje\u00e7\u00e3o de recursos nesse mercado, por meio da compra pelo Fed de MBS (pap\u00e9is lastreados em hipotecas), v\u00e1 gerar novamente cr\u00e9dito para a compra de im\u00f3veis residenciais.<\/p>\n<p>&#8220;A probabilidade de esse dinheiro fugir para outros ativos diminui&#8221;, pondera uma fonte graduada do governo. De qualquer forma, como as condi\u00e7\u00f5es de liquidez mundial v\u00e3o melhorar, haver\u00e1 impacto nos mercados, inclusive, no de commodities, que j\u00e1 est\u00e1 pressionado por choques de oferta decorrentes da quebra de safra de produtos agr\u00edcolas relevantes (soja, milho e trigo).<\/p>\n<p>O que, na opini\u00e3o de Bras\u00edlia, diminuir\u00e1 o impacto da expans\u00e3o monet\u00e1ria sobre os pre\u00e7os das commodities \u00e9 a desacelera\u00e7\u00e3o da economia chinesa, grande demandante desses produtos. De fato, segundo n\u00fameros do Fundo Monet\u00e1rio Internacional, em 2009 a China respondeu por 65% da importa\u00e7\u00e3o mundial de min\u00e9rio de ferro e de 53% das compras de soja. A aquisi\u00e7\u00e3o de metais e de mat\u00e9ria-prima em geral foi expressiva &#8211; quase 30% do total no primeiro caso e perto de 15% no segundo.<\/p>\n<p>Com a economia chinesa desacelerando &#8211; de uma expans\u00e3o de 10,4% em 2010 para 7,5% neste ano -, \u00e9 prov\u00e1vel que os pre\u00e7os das commodities, mesmo com o aumento da liquidez mundial, n\u00e3o sejam pressionados excessivamente, como ocorreu no QE2. &#8220;A China em desacelera\u00e7\u00e3o \u00e9 bom pra gente. N\u00e3o pressiona a infla\u00e7\u00e3o pelas commodities mais \u00e0 frente&#8221;, diz uma fonte.<\/p>\n<p>O interesse em n\u00e3o deixar que o real volte a apreciar em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar \u00e9 crucial para a atual equipe econ\u00f4mica. Com a ajuda da crise internacional, que tornou a economia mundial desinflacion\u00e1ria, o governo acredita que conseguiu adotar um novo equil\u00edbrio macroecon\u00f4mico para o pa\u00eds. No equil\u00edbrio anterior, prevaleciam juros altos e c\u00e2mbio apreciado; no novo, juros baixos e c\u00e2mbio menos apreciado.<\/p>\n<p>Como a mesma crise que ajudou o BC a reduzir juros tamb\u00e9m derrubou o crescimento da economia brasileira, deixando claro que o novo equil\u00edbrio macroecon\u00f4mico n\u00e3o \u00e9 suficiente para acelerar o PIB, o governo vem trabalhando desde o in\u00edcio do ano numa s\u00e9rie de medidas para ampliar a infraestrutura, estimular o investimento privado e reduzir custos de produ\u00e7\u00e3o. O debate interno gira, agora, em torno da possibilidade de diminui\u00e7\u00e3o do super\u00e1vit prim\u00e1rio das contas p\u00fablicas. O objetivo \u00e9 criar espa\u00e7o fiscal para a promo\u00e7\u00e3o de novas desonera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O BC argumenta que a meta cheia de super\u00e1vit prim\u00e1rio &#8211; entre 3% e 3,1% do PIB em 2011 e 2012 &#8211; tem ajudado a manter o mix de pol\u00edtica econ\u00f4mica que permitiu a queda da taxa b\u00e1sica de juros (Selic). O super\u00e1vit auxilia a conten\u00e7\u00e3o da demanda agregada e, por isso, continuar\u00e1 sendo importante, segundo uma fonte oficial.<\/p>\n<p>O governo acredita, entretanto, que \u00e9 poss\u00edvel reduzir a meta de super\u00e1vit por meio de uma desonera\u00e7\u00e3o horizontal de tributos (que beneficie a todos os setores da economia). Haveria um impacto positivo sobre os pre\u00e7os que, no fim, ajudaria a controlar a infla\u00e7\u00e3o. O Banco Central n\u00e3o \u00e9 hostil \u00e0 ideia, desde que a diminui\u00e7\u00e3o do super\u00e1vit n\u00e3o seja feita para aumentar gasto corrente.<\/p>\n<p>&#8220;Se fizermos um pouco menos [de super\u00e1vit prim\u00e1rio] com uma desonera\u00e7\u00e3o horizontal mais forte, talvez o mercado entenda. Fazer o super\u00e1vit cortando mais despesa corrente, a\u00ed n\u00e3o precisa dar tanto. N\u00e3o \u00e9 o numero em si que importa, mas \u00e9 o n\u00famero feito com qualidade&#8221;, explicou uma fonte, acrescentando que um ajuste fiscal de maior qualidade \u00e9 feito por meio de corte de gastos e n\u00e3o pelo aumento da arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos debates internos, o BC, mesmo aceitando a flexibiliza\u00e7\u00e3o dos regimes cambial e de metas para infla\u00e7\u00e3o, alerta para os riscos de press\u00e3o inflacion\u00e1ria criados a partir do excesso de est\u00edmulos \u00e0 atividade econ\u00f4mica. A atual diretoria do BC lembra uma das principais li\u00e7\u00f5es da crise de 2008\/2009, quando o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria tamb\u00e9m cortou os juros de forma vigorosa, mas depois, por causa da avalanche de est\u00edmulos fiscais e credit\u00edcios, teve que interromper o processo e, no momento seguinte, elevar a Selic novamente.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Dilma quer pacto anticrise<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>A presidente Dilma Rousseff cobrou ontem na abertura da 67\u00aa Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas um pacto global pelo crescimento, com engajamento especial dos pa\u00edses ricos, para que o mundo supere a conjuntura de crise configurada desde 2008, com a quebra do banco americano Lehman Brothers. Na primeira parte do discurso de 25 minutos, Dilma mais uma vez disparou cr\u00edticas ao mundo desenvolvido, que segundo ela ainda patina no falso dilema entre pol\u00edticas de est\u00edmulo \u00e0 economia e austeridade fiscal, com consequ\u00eancias delet\u00e9rias para as popula\u00e7\u00f5es desses pa\u00edses e para as na\u00e7\u00f5es emergentes. Para Dilma, &#8220;\u00e9 urgente a constru\u00e7\u00e3o de um amplo pacto pela retomada do crescimento global&#8221;:<\/p>\n<p>&#8211; A consolida\u00e7\u00e3o fiscal s\u00f3 \u00e9 sustent\u00e1vel em um contexto de recupera\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica. A hist\u00f3ria revela que a austeridade, quando exagerada e isolada do crescimento, derrota a si mesma. A op\u00e7\u00e3o do Brasil tem sido a de enfrentar simultaneamente esses desafios &#8211; afirmou a presidente. &#8211; Superamos a vis\u00e3o incorreta que contrap\u00f5e, de um lado, as medidas de incentivo ao crescimento e, de outro, os planos de austeridade. Esse \u00e9 um falso dilema.<\/p>\n<p>Dilma disse que \u00e9 preciso fortalecer os mecanismos multilaterais de coopera\u00e7\u00e3o, como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, o Banco Mundial e o G-20 (grupo das 20 maiores economias).<\/p>\n<p>&#8211; Essa coordena\u00e7\u00e3o deve buscar reconfigurar a rela\u00e7\u00e3o entre pol\u00edtica fiscal e monet\u00e1ria, para impedir o aprofundamento da recess\u00e3o, controlar a guerra cambial e reestimular a demanda global &#8211; disse.<\/p>\n<p>Dilma afirmou que, entre os discursos de setembro de 2011 e de ontem, a crise econ\u00f4mica global ganhou &#8220;novos e inquietantes contornos&#8221;, com a insist\u00eancia dos pa\u00edses ricos em adotar medidas fiscais recessivas e uma pol\u00edtica monet\u00e1ria expansiva. Esta, ao irrigar as economias mais fortes com dinheiro, desequilibra a taxa de c\u00e2mbio das na\u00e7\u00f5es emergentes.<\/p>\n<p>E, quando os emergentes tomam a\u00e7\u00f5es de defesa comercial para se salvaguardar, s\u00e3o acusados de protecionistas, criticou Dilma. Na semana passada, o representante de Com\u00e9rcio dos EUA, Ron Kirk, enviou carta ao Itamaraty taxando de protecionismo o aumento na al\u00edquota de importa\u00e7\u00e3o de cem produtos pelo Brasil. O presidente dos EUA, Barack Obama, estava nos bastidores do plen\u00e1rio da ONU ouvindo o discurso de Dilma, que antecedeu o do americano.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o podemos aceitar que iniciativas leg\u00edtimas de defesa comercial por parte dos pa\u00edses em desenvolvimento sejam injustamente classificadas como protecionismo. Devemos lembrar que a leg\u00edtima defesa comercial est\u00e1 amparada pelas normas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio &#8211; defendeu Dilma.<\/p>\n<p>Para a presidente, o aumento artificial de competitividade &#8211; uma refer\u00eancia \u00e0s pol\u00edticas monet\u00e1rias expansivas de EUA, China e integrantes da zona do euro &#8211; \u00e9 que deve ser eliminado:<\/p>\n<p>&#8211; O protecionismo e todas as formas de manipula\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio devem ser combatidos, pois conferem maior competitividade de maneira esp\u00faria e fraudulenta.<\/p>\n<p>Mais tarde, em entrevista coletiva, Dilma reiterou seu recado aos pa\u00edses ricos:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o adianta nada ficar fazendo classifica\u00e7\u00e3o (sobre quem \u00e9 ou n\u00e3o protecionista). O que adianta \u00e9 que tenhamos uma compreens\u00e3o de que, desta situa\u00e7\u00e3o (de crise), todos sofremos as consequ\u00eancias.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Senado aprova MP do C\u00f3digo Florestal<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O Senado aprovou ontem o projeto de convers\u00e3o da medida provis\u00f3ria do C\u00f3digo Florestal, retomando pontos que tinham sido vetados pela presidente Dilma Rousseff. A expectativa do relator, senador Jorge Vianna (PT-AC), \u00e9 de que essas regras, ressuscitados pela comiss\u00e3o mista que examinou a mat\u00e9ria, sejam novamente vetadas.<\/p>\n<p>O senador disse estar &#8220;seguro&#8221; em afirmar que a presidente pode, sim, aperfei\u00e7oar o texto com algumas modifica\u00e7\u00f5es que favore\u00e7am mais ao meio ambiente. &#8220;Ela pode sancionar a lei e, ao mesmo tempo, fazer alguns reparos, alguns pequenos, mas significativos ajustes&#8221;, prev\u00ea.<\/p>\n<p>Em vota\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, a proposta foi rejeitada ontem apenas pelos senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Roberto Requi\u00e3o (PMDB-PR), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Paulo Davim (PV-RN).<\/p>\n<p>A principal discord\u00e2ncia no texto &#8211; de acordo com o l\u00edder do governo, Eduardo Braga &#8211; \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da largura da faixa m\u00ednima de mata exigida nas margens dos rios, para m\u00e9dios produtores, de 20 para 15 metros.<\/p>\n<p>Para os grandes produtores, a exig\u00eancia m\u00ednima de recomposi\u00e7\u00e3o de mata ciliar caiu de 30 para 20 metros. O l\u00edder tamb\u00e9m refor\u00e7a a expectativa de que a presidente deve recorrer novamente aos vetos, ao afirmar que n\u00e3o h\u00e1 acordo com os senadores para manter na \u00edntegra o texto do projeto que eles aprovaram. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 acordo aqui para que a presidente n\u00e3o vete.&#8221;<\/p>\n<p>Braga alega que a supress\u00e3o de 5 metros de preserva\u00e7\u00e3o pode comprometer o equil\u00edbrio ambiental com preju\u00edzo para o setor agr\u00edcola, al\u00e9m de causar um impacto &#8220;n\u00e3o recomend\u00e1vel&#8221; no meio ambiente..<\/p>\n<p>Mesmo se quisessem, os senadores n\u00e3o teriam como derrubar os itens recuperados pela comiss\u00e3o mista. Eles est\u00e3o engessado pela falta de tempo, uma vez que a MP perder\u00e1 a validade no pr\u00f3ximo dia 8, se n\u00e3o for aprovada. Outro ponto recuperado no projeto da MP e rejeitado pelo governo \u00e9 a recomposi\u00e7\u00e3o de \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanentes (APPs) menores para im\u00f3veis maiores onde houver atividade consolidada anterior a 22 de julho de 2008, em rela\u00e7\u00e3o ao previsto na MP original. O replantio tamb\u00e9m poder\u00e1 ser feito com \u00e1rvores frut\u00edferas, tanto nas APPs, quanto na reserva legal.<\/p>\n<p>&#8220;O novo C\u00f3digo n\u00e3o \u00e9 o dos meus sonhos, mas \u00e9 realista&#8221;, disse o senador Jorge Viana. Como exemplo citou os dispositivos voltados para solucionar os problemas provocados por 40% da agropecu\u00e1ria brasileira, &#8220;trabalhadas em \u00e1reas que est\u00e3o em desacordo com a lei vigente&#8221;.<\/p>\n<p>Se o veto for confirmado, Dilma poder\u00e1 recorrer a tr\u00eas mecanismos para suprir as brechas deixadas pela supress\u00e3o do texto: o uso novamente de uma MP, o que teria de aguardar o in\u00edcio da pr\u00f3xima legislatura, em fevereiro; o envio de um projeto de lei ao Congresso, o que estenderia o buraco negro por mais tempo, at\u00e9 ser aprovado nas duas Casas; e um decreto, retomando os pontos vetados na forma desejada pelo governo.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Exporta\u00e7\u00e3o do Brasil foi a mais afetada pelo ajuste argentino<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O Brasil arcou com a maior parte do ajuste cambial argentino este ano. As importa\u00e7\u00f5es argentinas de origem brasileira ca\u00edram 16% entre janeiro e agosto, de acordo com dados divulgados ontem pelo Indec, o instituto oficial de estat\u00edsticas do pa\u00eds, enquanto a redu\u00e7\u00e3o global de compras externas da Argentina foi de 7%.<\/p>\n<p>Em termos absolutos, nos oito primeiros meses do ano a Argentina importou US$ 45 bilh\u00f5es, ou US$ 3,5 bilh\u00f5es a menos que no mesmo per\u00edodo em 2011. No caso de produtos brasileiros, a redu\u00e7\u00e3o foi de US$ 2,5 bilh\u00f5es, com queda de importa\u00e7\u00f5es de US$ 14,2 bilh\u00f5es para US$ 11,7 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>esde fevereiro deste ano, a Argentina introduziu uma s\u00e9rie de restri\u00e7\u00f5es no com\u00e9rcio exterior, o que provocou reclama\u00e7\u00f5es de 40 pa\u00edses na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC). A barreira mais relevante foi a cria\u00e7\u00e3o de uma declara\u00e7\u00e3o jurada exigida aos importadores, o que na pr\u00e1tica significou a extens\u00e3o do regime de licen\u00e7as n\u00e3o autom\u00e1ticas para todos os produtos.<\/p>\n<p>A queda nas importa\u00e7\u00f5es fez com que o pa\u00eds acumulasse super\u00e1vit comercial de US$ 10 bilh\u00f5es nos primeiros oito meses do ano, compensando a redu\u00e7\u00e3o de 1% nas exporta\u00e7\u00f5es, que acumularam US$ 55 bilh\u00f5es. O saldo na balan\u00e7a \u00e9 estrat\u00e9gico para a situa\u00e7\u00e3o fiscal da Argentina, que n\u00e3o conta com fontes de financiamentos externos.<\/p>\n<p>&#8220;A redu\u00e7\u00e3o das compras com origem no Brasil foi mais dr\u00e1stica do que a de outros mercados em raz\u00e3o da pauta que existe entre os dois pa\u00edses. A Argentina adquire produtos industrializados e insumos usados para a fabrica\u00e7\u00e3o de manufaturados, que s\u00e3o exportados para o pr\u00f3prio mercado brasileiro, sobretudo no setor automotivo&#8221;, disse o economista Marcelo Elizondo, da consultoria DNI, ex-presidente da Funda\u00e7\u00e3o Export Ar, \u00f3rg\u00e3o de promo\u00e7\u00e3o de exporta\u00e7\u00f5es do governo argentino.<\/p>\n<p>De acordo com Elizondo, o desaquecimento da economia argentina fez com que se reduzisse a compra de bens de capital. A desacelera\u00e7\u00e3o brasileira freou a ind\u00fastria automotiva. As exporta\u00e7\u00f5es argentinas para o Brasil, movidas pelas montadoras, ca\u00edram de US$ 11,3 bilh\u00f5es para US$ 10,6 bilh\u00f5es entre janeiro e agosto. E as restri\u00e7\u00f5es governamentais travaram o restante dos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es argentinas, que paralisou neg\u00f3cios como a exporta\u00e7\u00e3o brasileira de carne su\u00edna ou de cal\u00e7ados, fez com que o governo brasileiro come\u00e7asse a retaliar a Argentina em uma cesta de dez produtos, a maioria deles da agroind\u00fastria, a partir de maio.<\/p>\n<p>A partir de junho, os governos dos dois pa\u00edses come\u00e7aram a negociar diretamente e as vendas do Brasil para a Argentina deixaram de retroagir m\u00eas a m\u00eas, ainda que permane\u00e7am em n\u00edveis muito abaixo dos registrados em compara\u00e7\u00e3o com 2011.<\/p>\n<p>Em agosto, por exemplo, as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para a Argentina ficaram em US$ 1,6 bilh\u00e3o. \u00c9 uma recupera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao US$ 1,3 bilh\u00e3o registrado em junho e o US$ 1,4 bilh\u00e3o de julho, mas s\u00e3o US$ 500 milh\u00f5es a menos que os US$ 2,1 bilh\u00f5es vendidos em agosto do ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;Os \u00fanicos mercados vendedores para a Argentina que se mantiveram ativos em 2012 s\u00e3o os que fornecem derivados de petr\u00f3leo e g\u00e1s&#8221;, disse Elizondo. De acordo com dados do Indec, as importa\u00e7\u00f5es argentinas no segmento de energia variaram pouco: de US$ 6,9 bilh\u00f5es entre janeiro e agosto do ano passado para US$ 7 bilh\u00f5es este ano.<\/p>\n<p>As importa\u00e7\u00f5es argentinas da Uni\u00e3o Europeia subiram 10%, atingindo US$ 8,4 bilh\u00f5es. E o fim do acordo automotivo com o M\u00e9xico n\u00e3o travou as importa\u00e7\u00f5es do pa\u00eds de produtos do Nafta. As compras com origem no bloco aumentaram 3%, somando US$ 7,3 bilh\u00f5es, gra\u00e7as \u00e0s vendas para os Estados Unidos.<\/p>\n<p>As maiores varia\u00e7\u00f5es negativas ocorreram em rela\u00e7\u00e3o a pa\u00edses com uma pauta de exporta\u00e7\u00f5es de produtos industrializados, semelhante \u00e0 que o Brasil tem com a Argentina, como a China (queda de compras de US$ 6,4 bilh\u00f5es para US$ 6 bilh\u00f5es) ou Coreia do Sul (redu\u00e7\u00e3o de US$ 1 bilh\u00e3o para US$ 750 milh\u00f5es).<\/p>\n<hr \/>\n<p>Na ONU, Dilma defende medidas &#8220;leg\u00edtimas&#8221; de defesa comercial<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Cr\u00edtico ferrenho do protecionismo cambial das economias avan\u00e7adas, o Brasil se v\u00ea agora na desconfort\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o de justificar as suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es. Ontem, no discurso feito na Assembleia-Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a presidente Dilma Rousseff recha\u00e7ou as acusa\u00e7\u00f5es de que o Brasil est\u00e1 colocando barreiras ileg\u00edtimas \u00e0 competi\u00e7\u00e3o estrangeira.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o podemos aceitar que iniciativas leg\u00edtimas de defesa comercial por parte dos pa\u00edses em desenvolvimento sejam injustamente classificadas de protecionismo&#8221;, afirmou a presidente, fazendo o discurso de abertura da reuni\u00e3o, que tradicionalmente cabe a um brasileiro.<\/p>\n<p>O Brasil tem sido acusado por pa\u00edses desenvolvidos, de forma crescente, de protecionismo comercial. A mais recente reclama\u00e7\u00e3o foi feita pelo representante comercial americano, Ron Kirk, em carta ao ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Ant\u00f4nio Patriota, referindo-se aos movimentos do Brasil para aumentar tarifas de importa\u00e7\u00e3o de centenas de produtos. &#8220;O aumento de tarifas pelo Brasil claramente representa uma medida protecionista&#8221;, afirma Kirk na carta entregue ao Itamaraty na semana passada, que recebeu uma dura resposta das autoridades brasileiras.<\/p>\n<p>Em seu discurso na ONU, Dilma n\u00e3o citou a pol\u00eamica em torno do aumento de tarifas. Mas se referiu a ele de forma indireta, ao defender a tese de que as a\u00e7\u00f5es dos emergentes n\u00e3o se constituem protecionismo, e sim leg\u00edtima defesa comercial, porque est\u00e3o amparadas pelas regras da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC). A presidente afirmou, no discurso, que &#8220;o protecionismo e todas as formas de manipula\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio devem ser combatidos, pois conferem maior competitividade de maneira esp\u00faria e fraudulenta&#8221;.<\/p>\n<p>As acusa\u00e7\u00f5es de protecionismo enfraquecem o discurso feito pelo Brasil at\u00e9 aqui de que \u00e9 uma das principais v\u00edtimas das chamada &#8220;guerra cambial&#8221;, uma express\u00e3o usada h\u00e1 dois anos pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para denunciar a competi\u00e7\u00e3o comercial desleal produzida pela manipula\u00e7\u00e3o cambial por pa\u00edses emergentes e desenvolvidos.<\/p>\n<p>H\u00e1 pelo menos duas facetas da chamada guerra cambial. Uma \u00e9 a subvaloriza\u00e7\u00e3o de moedas asi\u00e1ticas, sobretudo da China, por meio de pesadas interven\u00e7\u00f5es no mercado de c\u00e2mbio. A outra faceta s\u00e3o as pol\u00edticas monet\u00e1rias extremamente relaxadas de economias desenvolvidas, que ampliam a liquidez no mercado internacional e levam \u00e0 perda de valor de moedas fortes como o d\u00f3lar e o iene japon\u00eas.<\/p>\n<p>Na ONU, Dilma concentrou sua artilharia nos pa\u00edses desenvolvidos. &#8220;Os bancos centrais de pa\u00edses desenvolvidos persistem em uma pol\u00edtica monet\u00e1ria expansionista, que desequilibra as taxas de c\u00e2mbio&#8221;, afirmou. &#8220;Com isso, os pa\u00edses emergentes perdem mercado, devido \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o artificial de suas moedas.&#8221;<\/p>\n<p>Dilma levantou a bandeira da guerra cambial tamb\u00e9m no seu discurso do ano passado e, desta vez, esperava-se que ela subisse um pouco o tom, usando express\u00f5es mais duras, como chamar os baixos juros e a emiss\u00e3o de moedas de economias desenvolvidas de &#8220;tsunami monet\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>Ela, no entanto, fez um discurso mais t\u00e9cnico, mostrando que a r\u00e1pida consolida\u00e7\u00e3o fiscal em alguns pa\u00edses avan\u00e7ados causa desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, deixando nas m\u00e3os dos bancos centrais a tarefa do superdosar a pol\u00edtica monet\u00e1ria para estimular a atividade.<\/p>\n<p>Dilma defendeu que organismos multilaterais, como a ONU, o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) e o Banco Mundial assumam a tarefa de coordenar a a\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e fiscal de seus membros, como forma de impedir o aprofundamento da recess\u00e3o e de controlar a chamada guerra cambial.<\/p>\n<p>Na entrevista coletiva que concedeu no hotel St. Regis, onde est\u00e1 hospedada, depois de seu discurso na ONU, Dilma afirmou que o Brasil teve que se defender da chamada guerra cambial por meio de uma ado\u00e7\u00e3o de um novo mix de juros e c\u00e2mbio. &#8220;Tivemos que procurar nos defender&#8221;, afirmou a presidente. &#8220;N\u00f3s mudamos o mix c\u00e2mbio-juros&#8221;, afirmou<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o detalhou o que seria esse novo mix de juros e c\u00e2mbio. Nos \u00faltimos meses, por\u00e9m, o governo imp\u00f4s medidas de controles de capitais, e o Banco Central passou a atuar mais forte no mercado cambial, levando \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, ao mesmo tempo em que reduzia os juros b\u00e1sicos da economia para os menores n\u00edveis da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Dilma falou da atitude &#8220;defensiva&#8221; brasileira ao descrever a chamada guerra cambial e ao propor que os pa\u00edses adotem um novo pacto de crescimento, dois temas preponderantes em seu discurso na abertura da ONU.<\/p>\n<p>Didaticamente, explicou que a maci\u00e7a expans\u00e3o monet\u00e1ria feita por pa\u00edses desenvolvidos est\u00e1 levando \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o de suas moedas e \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio dos pa\u00edses emergentes. &#8220;A moeda desvalorizada \u00e9 um dos mais conhecidos instrumentos de competi\u00e7\u00e3o internacional&#8221;, disse ela para os jornalistas. &#8220;Apesar de n\u00e3o estar previsto [nas regras comerciais internacionais] como um elemento artificial de concorr\u00eancia, \u00e9 um elemento artificial de concorr\u00eancia&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>A presidente brasileira recha\u00e7ou as acusa\u00e7\u00f5es de que o Brasil est\u00e1 caminhando para o protecionismo. Dilma citou um ranking recente divulgado pela Global Trade Alert qua mostra que o Brasil imp\u00f5e menos medidas classificadas como protecionistas do que outros pa\u00edses ocidentais e que, quando consideradas as medidas de liberaliza\u00e7\u00e3o, o pa\u00eds aparece como um dos que menos fecharam sua economia.<\/p>\n<p>&#8220;Os pa\u00edses deveriam formar um novo pacto em vez de apontar o dedo uns par aos outros&#8221;, disse. Segundo ela, os pa\u00edses deveriam encontrar pol\u00edticas de recupera\u00e7\u00e3o que, quando adotadas, n\u00e3o atinjam uns aos outros.<\/p>\n<p>Dilma informou aos jornalistas que o acordo para a compra de avi\u00f5es da Embraer foi um dos temas discutidos em telefonema com o primeiro-ministro da Turquia, Recep Erdogan. Questionada se houve avan\u00e7os na negocia\u00e7\u00e3o, ela disse que &#8220;sim&#8221;. &#8220;Agora est\u00e1 naquela fase de discutir os pre\u00e7os&#8221;, disse a presidente, sem fornecer mais detalhes. Al\u00e9m de Embraer, outro tema discutido com o primeiro-ministro turco foi a crise da S\u00edria. Segundo ela, o Ir\u00e3 n\u00e3o foi tema de discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>A presidente negou que tenha discutido um acordo de livre com\u00e9rcio em reuni\u00e3o na segunda-feira com o presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Jos\u00e9 Manuel Dur\u00e3o Barroso. &#8220;Acordo de livre com\u00e9rcio seria um tema do Mercosul&#8221;, disse, procurando deixar claro que n\u00e3o est\u00e1 atropelando os demais membros do bloco econ\u00f4mico regional.<\/p>\n<p>Na segunda-feira, o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Ant\u00f4nio Patriota, havia sugerido que a conversa de Dilma com Dur\u00e3o foi para retomar as negocia\u00e7\u00f5es de livre com\u00e9rcio entre Uni\u00e3o Europeia e Mercosul. &#8220;Vamos tentar agendar uma reuni\u00e3o negociadora do acordo birregional entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia no m\u00eas de outubro. E dever\u00e1 ser organizada uma reuni\u00e3o de c\u00fapula entre Brasil e Uni\u00e3o Europeia, um compromisso anual que a princ\u00edpio fica para janeiro de 2013&#8221;, disse Patriota. Apesar de negar negocia\u00e7\u00f5es para esse acordo de livre com\u00e9rcio, Dilma destacou a import\u00e2ncia de aprofundar as rela\u00e7\u00f5es comerciais entre o Brasil e a Europa.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Espanha prepara nova rodada de cortes<\/p>\n<p>Correio Braziliense<\/p>\n<p>A Espanha dever\u00e1 anunciar amanh\u00e3 outra rodada de medidas de austeridade para tentar reduzir o deficit do or\u00e7amento de 2013, o que intensificou os protestos de parte da popula\u00e7\u00e3o que vem sendo atingida pelas tentativas de colocar as finan\u00e7as do pa\u00eds em ordem. O governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy estuda agora cortes de aposentadorias indexadas \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, aumento de taxas sobre transa\u00e7\u00f5es acion\u00e1rias, impostos sobre emiss\u00f5es de poluentes e elimina\u00e7\u00e3o de incentivos fiscais.<\/p>\n<p>Rajoy j\u00e1 conseguiu passar cortes de 65 bilh\u00f5es de euros para os pr\u00f3ximos dois anos, mas precisa mostrar aos parceiros europeus de que o deficit pode ser reduzido em mais de 60 bilh\u00f5es de euros at\u00e9 o fim de 2014. As medidas adicionais ser\u00e3o necess\u00e1rias porque os dados econ\u00f4micos j\u00e1 divulgados at\u00e9 meados do ano mostram que a meta de deficit para 2012 pode n\u00e3o ser atingida, uma vez que as previs\u00f5es de arrecada\u00e7\u00e3o de impostos est\u00e3o sendo frustradas pela contra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Revolta<\/p>\n<p>Enquanto isso, os protestos contra os cortes est\u00e3o ficando mais agudos. Ontem, mais de 1.000 policiais fizeram barricadas diante do Parlamento, em Madri, para barrar manifestantes que pretendiam fazer uma corrente humana em volta do edif\u00edcio. MIlhares de pessoas se reuniram em diferentes pontos da capital antes de marcharem ao Parlamento, afirmando estarem revoltados com o governo por ter injetado dinheiro p\u00fablico em bancosproblem\u00e1ticos enquanto corta benef\u00edcios sociais.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia usou balas de borracha para dispersar os manifestantes e 26 pessoas foram presas. Outras 60, das quais 27 policiais, ficaram feridas.&#8221;Estamos protestando contra os cortes. Tive de abrir m\u00e3o de meu apartamento&#8221;, afirmou Ondina, uma aluna de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de artes pl\u00e1sticas desempregada. Ela disse n\u00e3o poder sobreviver com um seguro desemprego de 260 euros (R$ 680) por m\u00eas.<\/p>\n<hr \/>\n<p>BC eleva previs\u00e3o de investimento em 50%<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O Banco Central elevou em 50% a previs\u00e3o de ingresso de investimentos estrangeiros no Pa\u00eds em 2012 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estimativa feita h\u00e1 tr\u00eas meses. De acordo com a institui\u00e7\u00e3o, os investidores continuaram confiantes no Pa\u00eds, apesar da crise, no que se refere a projetos de longo prazo.<\/p>\n<p>Ao todo, o BC espera US$ 82 bilh\u00f5es em investimentos no Pa\u00eds em 2012.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o para os investimentos estrangeiros diretos (IED) em empresas brasileiras, por exemplo, subiu 20%, para US$ 60 bilh\u00f5es. Com essa nova previs\u00e3o, o Brasil ter\u00e1 agora recursos para cobrir com folga, pelo quinto ano seguido, o resultado negativo do Pa\u00eds nas suas transa\u00e7\u00f5es de bens e servi\u00e7os com o exterior, que foi revisto para baixo pela institui\u00e7\u00e3o, para US$ 53 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;A avalia\u00e7\u00e3o sobre o Brasil continua positiva, e o melhor indicador sobre isso s\u00e3o os fluxos de IED, que n\u00e3o tiveram uma mudan\u00e7a de comportamento, a despeito das adversidades&#8221;, afirmou o chefe do Departamento Econ\u00f4mico do Banco Central, Tulio Maciel.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do economista s\u00eanior do BES Investimento do Brasil, Fl\u00e1vio Serrano, o BC parece ter se convencido de que a crise internacional n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o prejudicial aos investimentos como se pensava. &#8220;Talvez o BC tenha sido conservador em suas proje\u00e7\u00f5es anteriores, pois a crise externa indicava contra\u00e7\u00e3o dos investimentos&#8221;, disse. &#8220;Mas os dados foram mostrando uma din\u00e2mica mais consistente e forte que o obrigou \u00e0 revis\u00e3o para cima.&#8221; J\u00e1 a estimativa para entrada de empr\u00e9stimos externos acima de um ano, tamb\u00e9m classificada pelo BC como investimento, passou de apenas US$ 100 milh\u00f5es para US$ 9,1 bilh\u00f5es. Em junho, o governo zerou o IOF para capta\u00e7\u00f5es entre dois e cincos anos, que estava em 6% desde mar\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos considerando um quadro de amplia\u00e7\u00e3o da liquidez externa&#8221;, disse Maciel.<\/p>\n<p>Apesar de prever entrada maior de d\u00f3lares, o BC evita falar em &#8220;tsunami&#8221; de recursos, express\u00e3o utilizada pela presidente Dilma Rousseff para falar da migra\u00e7\u00e3o de d\u00f3lares do exterior em busca de rentabilidade maior no Brasil. At\u00e9 porque a previs\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o para entrada de dinheiro para a Bolsa de Valores e renda fixa, somada, ficou praticamente inalterada, em US$ 12 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Lucros. A nova previs\u00e3o para o d\u00e9ficit nas transa\u00e7\u00f5es com o exterior, US$ 3 bilh\u00f5es menor que a estimativa feita h\u00e1 tr\u00eas meses pelo BC, se deve principalmente \u00e0 queda na conta de remessas de lucros para outros pa\u00edses. Segundo a institui\u00e7\u00e3o, isso reflete a desacelera\u00e7\u00e3o da economia brasileira, que impactou o lucro das empresas, a alta do d\u00f3lar e as remessas maiores de filiais de empresas brasileiras no exterior.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s viagens internacionais, a previs\u00e3o ficou praticamente est\u00e1vel, pois os gastos de brasileiros fora do Pa\u00eds tem se mantido neste ano pr\u00f3ximos dos verificados em 2011.<\/p>\n<p>D\u00e9ficit de agosto. O d\u00e9ficit em transa\u00e7\u00f5es correntes no Pa\u00eds somou US$ 2,568 bilh\u00f5es em agosto, segundo dados apresentados ontem pelo BC. O valor apurado no m\u00eas passado \u00e9 inferior ao observado em igual m\u00eas de 2011, quando as transa\u00e7\u00f5es correntes registraram saldo negativo de US$ 4,849 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>De acordo com o BC, as maiores contribui\u00e7\u00f5es para o d\u00e9ficit de agosto deste ano foram a conta de rendas, que ficou negativa em US$ 3,063 bilh\u00f5es e a de servi\u00e7os, tamb\u00e9m negativa em US$ 3,011 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Essas sa\u00eddas de recursos foram parcialmente compensadas pelo super\u00e1vit comercial de US$ 3,226 bilh\u00f5es e pelas transfer\u00eancias unilaterais positivas em US$ 280 milh\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Arrecada\u00e7\u00e3o federal caiu pelo terceiro m\u00eas seguido<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>A arrecada\u00e7\u00e3o federal caiu pelo terceiro m\u00eas seguido, afetada pela fraca atividade econ\u00f4mica, que avan\u00e7ou 0,6% no primeiro semestre. Em agosto, o recolhimento de impostos ficou em R$ 77,07 bilh\u00f5es, queda real (descontada a infla\u00e7\u00e3o) de 1,84% contra agosto de 2011. Com o resultado, a secret\u00e1ria-adjunta da Receita Federal, Zayda Manatta, reduziu mais uma vez a proje\u00e7\u00e3o de arrecada\u00e7\u00e3o federal no ano, que estava entre 3,5% e 4% e caiu para entre 1,5% e 2%:<\/p>\n<p>&#8211; (A revis\u00e3o) tem rela\u00e7\u00e3o com a revis\u00e3o dos indicadores macroecon\u00f4micos. Um exemplo \u00e9 a previs\u00e3o de alta do PIB, que estava em 3% e foi revista para 2%. \u00c9 a conjuntura econ\u00f4mica do pa\u00eds ao lado das altera\u00e7\u00f5es legais que o governo tem promovido.<\/p>\n<p>Em julho, a arrecada\u00e7\u00e3o fora de R$ 87,94 bilh\u00f5es, recuo real de 7,36% frente a 2011.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Valor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3608\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3608","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Wc","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3608"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3608\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}