{"id":3610,"date":"2012-09-27T16:23:49","date_gmt":"2012-09-27T16:23:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3610"},"modified":"2015-06-09T00:12:48","modified_gmt":"2015-06-09T03:12:48","slug":"a-desnacionalizacao-fundiaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3610","title":{"rendered":"A desnacionaliza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/pcb.org.br\/portal\/images\/stories\/outras-opinioes.png?w=747\" alt=\"\" align=\"right\" border=\"0\" \/>Os grandes agronegocistas brasileiros est\u00e3o pressionando o governo e o Congresso, a fim de que sejam abolidas as restri\u00e7\u00f5es (j\u00e1 de si d\u00e9beis) \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de terras nacionais pelos estrangeiros. Eles querem ganhar, ao se associarem aos capitais de fora ou participando da especula\u00e7\u00e3o de terras.<!--more--><\/p>\n<p>Data: 23\/09\/2012<\/p>\n<p>H\u00e1 cem anos, sobre um vasto territ\u00f3rio entre o Paran\u00e1 e Santa Catarina, uma empresa norte-americana, a Southern Brazil Lumber &amp; Colonization, reinava absoluta. Com a maioria de empregados norte-americanos, contratados por Percival Farquhar, que pretendia transformar o Brasil em vasta empresa de sua propriedade, a Lumber abatia todas as \u00e1rvores de valor comercial, da imbuia \u00e0 arauc\u00e1ria. Todas as manh\u00e3s, ao som de um gramofone, os empregados \u2013 inclu\u00eddos os brasileiros \u2013 reunidos na sede da empresa, em Tr\u00eas Barras, entoavam o hino norte-americano, The Star-Spangled Banner, enquanto a bandeira de listras e estrelas era hasteada. Ao anoitecer, repetia-se a cerim\u00f4nia, ao recolher-se o pavilh\u00e3o. Ali mandavam e desmandavam os ianques. O imenso espa\u00e7o em que se moviam os homens de Farquhar estava fora da jurisdi\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o houvesse sido a \u00fanica raz\u00e3o do conflito, a Lumber esteve no centro da Guerra do Contestado, um dos mais \u00e9picos movimentos de afirma\u00e7\u00e3o nacionalista do povo brasileiro. Nele, houve de tudo, dos interesses econ\u00f4micos de Farquhar e seus assalariados pertencentes \u00e0s oligarquias pol\u00edticas, ao fanatismo religioso, em que n\u00e3o faltou uma Joana d\u2019Arc \u2013 a menina Maria Rosa morta aos 15 anos na beira do Rio Ca\u00e7ador, lutando como homem.<\/p>\n<p>Enquanto houver na\u00e7\u00f5es, a terra, o sangue e a honra continuar\u00e3o unidos para dar corpo ao que cham\u00e1vamos p\u00e1tria, e de que nos esquecemos hoje. Quem conhece hist\u00f3ria sabe que os movimentos internacionalistas, quase sempre a servi\u00e7o dos imp\u00e9rios, acabam sendo vencidos pelos sentimentos mais poderosos dos povos identificados pela cultura, pelas cren\u00e7as \u2013 e pela l\u00edngua. N\u00f3s podemos conhecer muitas l\u00ednguas, mas s\u00f3 saberemos expressar os sentimentos mais fortes naquela que aprendemos dos l\u00e1bios maternos. Podemos conhecer todas as paisagens do mundo, mas s\u00f3 nos identificamos com aquelas que os nossos olhos descobriram sob o sol da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 duas formas de pisar o ch\u00e3o p\u00e1trio: a dos ricos e a dos pobres.<\/p>\n<p>Isso explica por que os grandes agronegocistas brasileiros est\u00e3o pressionando o governo e o Congresso, a fim de que sejam abolidas as restri\u00e7\u00f5es (j\u00e1 de si d\u00e9beis) \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de terras nacionais pelos estrangeiros. Eles querem ganhar, ao se associarem aos capitais de fora ou participando da especula\u00e7\u00e3o de terras. Calcula-se que mais de um por cento das terras brasileiras j\u00e1 perten\u00e7am, e de forma legalizada, aos alien\u00edgenas. A essa enorme \u00e1rea h\u00e1 que se acrescentar glebas imensas, adquiridas de forma subrept\u00edcia, e sem conhecimento p\u00fablico, porque os cart\u00f3rios de im\u00f3veis est\u00e3o dispensados de registrar a nacionalidade dos compradores.<\/p>\n<p>O Congresso est\u00e1 para aprovar a flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis que regulam o assunto, ao estender \u00e0 agropecu\u00e1ria a Doutrina Fernando Henrique Cardoso, que considera empresa nacional qualquer uma que se estabelecer no Brasil, com o dinheiro vindo de onde vier e controlada por quem for, e que tenha sua sede em Nova Iorque ou nas Ilhas Virgens.<\/p>\n<p>N\u00f3s tivemos, no s\u00e9culo 19, uma equivocada pol\u00edtica colonizadora, que concentrou, nos estados meridionais, a presen\u00e7a de imigrantes europeus.<\/p>\n<p>Isso implicou a cria\u00e7\u00e3o de enclaves culturais que se revelariam antinacionais, durante os anos 30 e 40 do s\u00e9culo passado. Foi dif\u00edcil ao Brasil conter a quinta-coluna nazista e fascista que se aliava ao projeto de Hitler de estabelecer, no Cone Sul, a sua Germ\u00e2nia Austral. O governo de Vargas foi compelido a atos de firmeza \u2013 alguns com viol\u00eancia \u2013 a fim de manter a nossa soberania na regi\u00e3o. S\u00f3 no Piau\u00ed, a venda de glebas aos estrangeiros aumentou em 138% entre 2007 e 2010. S\u00e3o terras especiais, como as do sudoeste da Bahia, que est\u00e3o sendo ocupadas at\u00e9 mesmo por neozelandeses.<\/p>\n<p>estamos em momento hist\u00f3rico delicado, em que os recursos naturais passam a ser disputados com desespero por todos. As terras f\u00e9rteis e molhadas, de que somos os maiores senhores do mundo, s\u00e3o a garantia da sobreviv\u00eancia no futuro que est\u00e1 chegando, c\u00e9lere. Nosso territ\u00f3rio n\u00e3o nos foi doado. N\u00f3s o conquistamos, e sobre ele mantivemos a soberania, com muito sangue e sacrif\u00edcios imensos. N\u00e3o podemos ced\u00ea-los aos estrangeiros, a menos que estejamos dispostos a viver contidos em nossa pr\u00f3pria p\u00e1tria, desviando-nos das col\u00f4nias estrangeiras, cada uma delas marcada por bandeira diferente.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da liberaliza\u00e7\u00e3o que pretendem alguns parlamentares do agroneg\u00f3cio, que esperam um investimento de 60 bilh\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o de soja e milho transg\u00eanicos no pa\u00eds \u2013 o que devemos fazer, e com urg\u00eancia, \u00e9 restringir, mais ainda, a venda de terras aos estrangeiros, sejam pessoas f\u00edsicas ou jur\u00eddicas. Do contr\u00e1rio, e em tempo relativamente curto, teremos que expuls\u00e1-los, seja de que forma for, e enfrentar, provavelmente, a retalia\u00e7\u00e3o b\u00e9lica de seus pa\u00edses de origem.<\/p>\n<p>\u00c9 melhor evitar tudo isso, antes que seja tarde.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/colunaImprimir.cfm?coluna_id=5783\" target=\"_blank\">http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/colunaImprimir.cfm?coluna_id=5783<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: IN\n\n\n\n\n\n\n\n\nPor Mauro Santayana\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3610\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[104],"tags":[],"class_list":["post-3610","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c117-outras-opinioes"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-We","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3610","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3610"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3610\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}