{"id":3611,"date":"2012-09-27T19:23:20","date_gmt":"2012-09-27T19:23:20","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3611"},"modified":"2012-09-27T19:23:20","modified_gmt":"2012-09-27T19:23:20","slug":"cresce-fatia-de-salarios-usada-para-pagar-divida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3611","title":{"rendered":"Cresce fatia de sal\u00e1rios usada para pagar d\u00edvida"},"content":{"rendered":"\n<p>Em julho, parcela de sal\u00e1rios destinada a presta\u00e7\u00f5es representava 22,42% da renda<\/p>\n<p>Os consumidores est\u00e3o utilizando uma parcela cada vez maior dos seus sal\u00e1rios para pagamento de d\u00edvidas banc\u00e1rias. Dados do Banco Central mostram que o valor total das presta\u00e7\u00f5es a serem pagas pelas fam\u00edlias brasileiras em julho deste ano correspondia a 22,42% da sua renda. Isso significa que, na m\u00e9dia, quase um quarto dos ganhos das pessoas \u00e9 utilizado para pagar essas d\u00edvidas.<\/p>\n<p>O porcentual, apurado pelo Banco Central desde 2005, representa novo recorde. H\u00e1 sete anos, o brasileiro gastava mensalmente pouco mais de 15% do sal\u00e1rio com essas despesas.<\/p>\n<p>Houve, no entanto, uma mudan\u00e7a importante nos \u00faltimos meses. Ao separar o valor da presta\u00e7\u00e3o em pagamento de juros e do principal, o Banco Central verifica que o primeiro vem caindo, mesmo que lentamente, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 renda. Em mar\u00e7o deste ano, 8,1% da renda foi usada para pagar juros aos bancos, um recorde. Em julho, o porcentual havia recuado para 7,9%.<\/p>\n<p>J\u00e1 a parcela do sal\u00e1rio usada para reduzir o valor total devido, ou seja, para o pagamento do principal, continua crescendo. Passou de 14,2% para 14,5% da renda nesse mesmo per\u00edodo, patamar tamb\u00e9m in\u00e9dito.<\/p>\n<p>O chefe do Departamento Econ\u00f4mico do Banco Central, Tulio Maciel, diz que \u00e9 natural que seja registrada eleva\u00e7\u00e3o no endividamento das fam\u00edlias. &#8220;Com o cr\u00e9dito crescendo mais do que a renda, que \u00e9 o que estamos observando, claro que o endividamento vai crescer.&#8221;<\/p>\n<p>Maciel afirmou, no entanto, que a maior parte do aumento do endividamento est\u00e1 ligada ao cr\u00e9dito imobili\u00e1rio. Ou seja, h\u00e1 uma troca do aluguel pela presta\u00e7\u00e3o da casa pr\u00f3pria. &#8220;Isso \u00e9 um benef\u00edcio n\u00edtido em termos de bem-estar social&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Outra consequ\u00eancia do endividamento \u00e9 o aumento da inadimpl\u00eancia no cr\u00e9dito ao consumo, que ficou est\u00e1vel em 7,9% em agosto na compara\u00e7\u00e3o com julho, segundo o Banco Central, pr\u00f3xima do recorde alcan\u00e7ado em 2009 (8,5%).<\/p>\n<p>Para a consultoria LCA, a inadimpl\u00eancia ainda elevada e a postura seletiva dos bancos no cr\u00e9dito s\u00e3o fatores que continuam impedindo um avan\u00e7o mais expressivo do volume de empr\u00e9stimos. A consultoria espera, no entanto, pequeno recuo desse n\u00edvel de atrasos nos pr\u00f3ximos meses, assim como o Banco Central.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Juros caem, mas calote n\u00e3o diminui<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>A cruzada da presidente Dilma Rousseff contra os juros altos est\u00e1 produzindo frutos. Em agosto, as taxas m\u00e9dias cobradas das pessoas f\u00edsicas ca\u00edram 0,6 ponto percentual e chegaram a 35,6% ao ano, o menor n\u00edvel desde o Plano Real, em 1994, quando o Banco Central (BC) come\u00e7ou a registrar os dados. J\u00e1 a inadimpl\u00eancia continua resistente. No m\u00eas passado, ficou em 7,9% entre as pessoas f\u00edsicas, mesmo patamar do m\u00eas anterior e do auge da crise de 2009. Entre as empresas (pessoas jur\u00eddicas), a inadimpl\u00eancia teve ligeira alta, passando de 4% em julho para 4,1% em agosto.<\/p>\n<p>Em agosto, a inadimpl\u00eancia subiu de 5,9% para 6,0% no cr\u00e9dito pessoal, enquanto no cheque especial aumentou de 11,8% para 12,2%. Mas houve queda na inadimpl\u00eancia no cr\u00e9dito para aquisi\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos, de 6% para 5,9%; e no cr\u00e9dito para aquisi\u00e7\u00e3o de outros bens, de 14,2% para 13,7%.<\/p>\n<p>&#8211; O aumento do endividamento \u00e9 natural porque, no pa\u00eds, o cr\u00e9dito cresce mais que a renda &#8211; afirmou o chefe do departamento econ\u00f4mico do BC, T\u00falio Maciel, justificando que o brasileiro tem trocado o aluguel pela presta\u00e7\u00e3o da casa pr\u00f3pria e por isso h\u00e1 um aumento da d\u00edvida. &#8211; Trocam consumo por investimento.<\/p>\n<p>cr\u00e9dito sobe mais em bancos p\u00fablicos<\/p>\n<p>J\u00e1 os juros do cheque especial recuaram de 151% ao ano em julho para 148,6% ao ano em agosto. No cr\u00e9dito pessoal, ca\u00edram de 39,9% para 39,4% no mesmo per\u00edodo e no cr\u00e9dito para ve\u00edculos as taxas recuaram de 21% para 20,5% ao ano.<\/p>\n<p>Em agosto, os bancos p\u00fablicos e privados cobraram dos clientes pessoas f\u00edsicas um spread banc\u00e1rio (diferen\u00e7a entre o custo do dinheiro para a institui\u00e7\u00e3o financeira e para o cliente) de 27,7 pontos percentuais. Houve queda de 0,7 ponto percentual ante julho.<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 fato que nunca tivemos juros t\u00e3o baixos, mas ainda h\u00e1 muito espa\u00e7o para cair, porque, enquanto no Brasil o spread \u00e9 de quase 30 pontos percentuais, nos outros pa\u00edses, est\u00e1 entre dois e cinco pontos percentuais &#8211; disse o vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Executivos de Finan\u00e7as (Anefac), Miguel Oliveira.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o cr\u00e9dito continua a crescer. Em agosto, atingiu R$ 2,2 trilh\u00f5es, ou 51% do PIB. Ontem, o BC anunciou a revis\u00e3o da proje\u00e7\u00e3o de crescimento do cr\u00e9dito nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de 21% para 24% no ano. J\u00e1 a estimativa para os bancos privados nacionais ficou estacionada em 10% e a dos estrangeiros, em 13%. Ao todo, o BC aumentou a previs\u00e3o de crescimento do cr\u00e9dito de 15% para 16% neste ano.<\/p>\n<p>para analista, calote deve diminuir<\/p>\n<p>Essa nova proje\u00e7\u00e3o j\u00e1 leva em considera\u00e7\u00e3o medidas adotadas pela pr\u00f3pria autarquia, como a redu\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios &#8211; parte do dinheiro dos clientes que os bancos s\u00e3o obrigados a deixar no BC. S\u00f3 isso deve colocar R$ 30 bilh\u00f5es a mais em circula\u00e7\u00e3o e impulsionar o consumo e o endividamento das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&#8211; Essa diferen\u00e7a entre p\u00fablicos e privados reflete a postura dos bancos: os p\u00fablicos est\u00e3o mais atuantes que os privados. \u00c9 uma diferen\u00e7a de postura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conjuntura &#8211; avaliou Maciel, que negou que um crescimento muito maior do cr\u00e9dito de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas seja perigoso, argumentando que a inadimpl\u00eancia desses bancos \u00e9 mais baixa ante outras institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um n\u00edvel de calote menor \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o do Banco Central para a capacidade maior de cortar os juros das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. De acordo com a autoridade monet\u00e1ria, a Caixa Econ\u00f4mica Federal, por exemplo, cobra 1,85% ao m\u00eas pelo cr\u00e9dito pessoal. J\u00e1 os clientes do HSBC pagam, em m\u00e9dia, 4,46% ao m\u00eas, praticamente o mesmo custo dos correntistas do Bradesco. Na compra de ve\u00edculos, a taxa m\u00e9dia do Banco do Brasil \u00e9 de 1,32% ao m\u00eas, enquanto no Santander \u00e9 de 2,01% ao m\u00eas.<\/p>\n<p>&#8211; Quando os privados sentirem mais seguran\u00e7a com o cen\u00e1rio l\u00e1 fora, v\u00e3o acelerar o cr\u00e9dito para recuperar o espa\u00e7o perdido para as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, porque a inadimpl\u00eancia n\u00e3o \u00e9 mais um problema, se estabilizou e tende a cair. O ideal era que esse crescimento fosse equilibrado, mas isso n\u00e3o \u00e9 necessariamente um problema &#8211; disse o vice-presidente da Anefac.<\/p>\n<p>41% t\u00eam ou j\u00e1 tiveram &#8220;nome sujo&#8221;<\/p>\n<p>Pesquisa do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito (SPC Brasil) divulgada ontem mostra que 41% dos consumidores brasileiros j\u00e1 estiveram, ou est\u00e3o, nas listas de inadimplentes dos servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito. A maioria de quem j\u00e1 esteve, ou est\u00e1, com o &#8220;nome sujo&#8221; pertence \u00e0s classes C e D, com renda familiar de at\u00e9 R$ 3.825. Desses, informa ainda a pesquisa, 13% ainda t\u00eam o nome em listas de inadimplentes, o que os impede de realizar compras a prazo.<\/p>\n<p>O levantamento do SPC Brasil identificou que 64% das fam\u00edlias com renda de at\u00e9 R$ 3.825 t\u00eam entre um e quatro cart\u00f5es de cr\u00e9dito. Em faixas de renda superiores, a propor\u00e7\u00e3o sobe para 77%.<\/p>\n<p>Segundo Nelson Barrizzelli, economista do SPC Brasil, tanto no caso dos cart\u00f5es de cr\u00e9dito quanto no do cheque especial, se atentassem para os n\u00edveis excessivamente altos dos juros cobrados e evitassem seu &#8220;uso inadvertido&#8221;, muitas fam\u00edlias evitariam ingressar nos cadastros de inadimplentes.<\/p>\n<p>A Serasa Experian identificou aumento de 1,7% na inadimpl\u00eancia das empresas em agosto na compara\u00e7\u00e3o com julho. O indicador considera os n\u00fameros de cheques sem fundos, t\u00edtulos protestados e d\u00edvidas vencidas de empresas com bancos e institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o banc\u00e1rias. O avan\u00e7o do calote no m\u00eas passado, contudo, foi menor que o verificado em julho, de 1,8%.<\/p>\n<p>Para a Serasa Experian, o crescimento menor \u00e9 resultado das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas mais favor\u00e1veis, como a queda dos juros e a recupera\u00e7\u00e3o gradual das vendas, al\u00e9m do recuo da inadimpl\u00eancia entre os consumidores.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Confian\u00e7a da ind\u00fastria sobe e indica recupera\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os dados de setembro da Sondagem Conjuntural da Ind\u00fastria de Transforma\u00e7\u00e3o, divulgados pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), refor\u00e7am a percep\u00e7\u00e3o de que a recupera\u00e7\u00e3o do setor est\u00e1 em curso. O \u00cdndice de Confian\u00e7a da Ind\u00fastria (ICI) subiu 0,9% no m\u00eas, consolidando o movimento de alta iniciado em agosto, quando o indicador avan\u00e7ou 1,4% sobre julho, descontados efeitos sazonais. O indicador alcan\u00e7ou 105 pontos em setembro e se aproximou da m\u00e9dia dos \u00faltimos 60 meses (105,4 pontos).<\/p>\n<p>&#8220;Existem sinais de melhora que n\u00e3o eram percebidos no segundo trimestre&#8221;, afirma Alo\u00edsio Campelo, coordenador do estudo, citando a produ\u00e7\u00e3o prevista para os pr\u00f3ximos tr\u00eas meses e a expectativa dos empres\u00e1rios em rela\u00e7\u00e3o aos neg\u00f3cios nos seis meses seguintes.<\/p>\n<p>Segundo ele, os empres\u00e1rios j\u00e1 est\u00e3o contando com novas encomendas, o que explica o salto de 4,1% na produ\u00e7\u00e3o prevista pela ind\u00fastria para o pr\u00f3ximo trimestre. Com o avan\u00e7o, o indicador atingiu 130,9 pontos em setembro, superando a m\u00e9dia dos \u00faltimos 60 meses, de 127,2 pontos.<\/p>\n<p>Entre agosto e setembro, o percentual de empresas que afirmam que ir\u00e3o produzir mais nos pr\u00f3ximos meses passou de 38,8% para 42,8%, enquanto a fatia das que dizem que ir\u00e3o reduzir a produ\u00e7\u00e3o caiu de 13% para 11,9%. &#8220;N\u00e3o s\u00f3 as medidas voltadas especificamente para a ind\u00fastria ajudam na recupera\u00e7\u00e3o do setor, mas tamb\u00e9m a politica monet\u00e1ria. O conjunto de a\u00e7\u00f5es adotadas pelo governo est\u00e1 tendo impacto maior agora&#8221;, diz Campelo. Prova disso, segundo ele, \u00e9 a melhora disseminada da confian\u00e7a entre os setores industriais.<\/p>\n<p>Em setembro, 8 dos 14 setores pesquisados pela FGV apresentaram melhora na confian\u00e7a. Houve queda em tr\u00eas setores e estabilidade em outros tr\u00eas. No m\u00eas passado, o cen\u00e1rio era praticamente o oposto, com piora da confian\u00e7a em oito setores, aumento em quatro e estabilidade em dois. &#8220;Antes, a confian\u00e7a estava concentrada nos setores que receberam benef\u00edcios fiscais do governo. Agora, a pol\u00edtica monet\u00e1ria est\u00e1 fazendo mais efeito, possibilitando melhora generalizada&#8221;, diz Campelo.<\/p>\n<p>O otimismo dos empres\u00e1rios se deve \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o do futuro. O \u00cdndice da Situa\u00e7\u00e3o Atual (ISA) ficou est\u00e1vel (-0,1%) na compara\u00e7\u00e3o com agosto, enquanto o \u00cdndice de Expectativas (IE) avan\u00e7ou 1,7% sobre ao m\u00eas anterior, feitos os ajustes sazonais.<\/p>\n<p>O percentual de empresas que vislumbram melhoras nos neg\u00f3cios nos pr\u00f3ximos seis meses passou de 51,9% em agosto para 53,7% em setembro, ao passo que os empres\u00e1rios que estimam piora nos resultados recuou de 8,7% para 8% no per\u00edodo. Com esse panorama, o indicador que mede a situa\u00e7\u00e3o futura dos neg\u00f3cios atingiu em setembro o maior patamar do ano, marcando 145,7 pontos e superando a m\u00e9dia dos \u00faltimos 60 meses, de 139,6 pontos.<\/p>\n<p>A retomada da atividade industrial, entretanto, dever\u00e1 ocorrer em meio a poucas contrata\u00e7\u00f5es de trabalhadores, na avalia\u00e7\u00e3o de Campelo. Segundo ele, como as empresas evitaram demitir no per\u00edodo de desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, n\u00e3o haver\u00e1 grande necessidade de amplia\u00e7\u00e3o no quadro de funcion\u00e1rios para suportar o aumento da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O indicador que mede o emprego previsto para os pr\u00f3ximos tr\u00eas meses na ind\u00fastria recuou 0,7% em setembro, na compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas anterior, feitos ajustes sazonais. Foi o terceiro m\u00eas consecutivo de retra\u00e7\u00e3o, levando o indicador aos 109,9 pontos, abaixo da m\u00e9dia dos \u00faltimos 60 meses, de 114 pontos.<\/p>\n<p>O n\u00edvel de utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade instalada, por outro lado, se manteve est\u00e1vel. Ficou em 84,1% em setembro, mesmo patamar de agosto (84%) e ligeiramente acima da m\u00e9dia dos \u00faltimos 60 meses, de 83,7%.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Demanda por bens de capital cresce e refor\u00e7a investimento<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o da atividade na virada do primeiro para o segundo semestre j\u00e1 est\u00e1 puxando uma t\u00edmida retomada do investimento, ap\u00f3s quatro trimestres seguidos de queda na Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida das contas nacionais do que se investe em m\u00e1quinas e constru\u00e7\u00e3o civil). Os sinais &#8211; tais como a melhora da confian\u00e7a do empresariado, dois meses seguidos de alta na produ\u00e7\u00e3o de bens de capital e o aumento da demanda por m\u00e1quinas &#8211; ainda s\u00e3o incipientes, mas economistas avaliam que a forma\u00e7\u00e3o bruta deve ganhar mais tra\u00e7\u00e3o no quarto trimestre, quando as incertezas sobre o mercado dom\u00e9stico j\u00e1 devem estar totalmente dissipadas.<\/p>\n<p>Refor\u00e7am esse cen\u00e1rio as medidas recentemente tomadas pelo governo que podem ter impacto j\u00e1 neste ano. S\u00e3o elas a deprecia\u00e7\u00e3o acelerada para as compras de bens de capital, cujo prazo foi reduzido de dez para cinco anos, e o corte de 5,5% para 2,5% dos juros das linhas do Programa de Sustenta\u00e7\u00e3o do Investimento (PSI), do BNDES, para financiamento de caminh\u00f5es, \u00f4nibus e m\u00e1quinas, est\u00edmulos que valem s\u00f3 at\u00e9 31 de dezembro. A deprecia\u00e7\u00e3o acelerada ajuda as empresas porque na compra de uma m\u00e1quina, elas podem lan\u00e7ar parte do pre\u00e7o como despesa a cada ano. Essa contabilidade diminui o lucro e, portanto, resulta em queda no imposto de renda recolhido.<\/p>\n<p>Em agosto, os desembolsos do PSI somaram R$ 5,6 bilh\u00f5es, alta de 14% sobre julho. De janeiro at\u00e9 o m\u00eas passado, o banco estatal desembolsou R$ 23,9 bilh\u00f5es para o programa, 20% a menos do que em igual per\u00edodo de 2011. Em setembro, a demanda voltou a crescer (ver reportagem abaixo).<\/p>\n<p>Br\u00e1ulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, contava com n\u00fameros mais fortes para o investimento a partir do terceiro trimestre antes das a\u00e7\u00f5es adicionais do governo. Para ele, o avan\u00e7o dessazonalizado de 84,4 para 94,7 pontos do n\u00edvel de demanda relatada pelo setor de bens de capital entre julho e agosto, na Sondagem Conjuntural da Ind\u00fastria da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), j\u00e1 \u00e9 ind\u00edcio de melhora da FBCF, reflexo da acelera\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p>Borges tamb\u00e9m menciona a confian\u00e7a do empres\u00e1rio, que segundo a mesma pesquisa, subiu 1,4% entre julho e agosto e, na sondagem de setembro, cresceu mais 0,9% sobre o m\u00eas anterior. &#8220;O que est\u00e1 por tr\u00e1s disso \u00e9 a recupera\u00e7\u00e3o do consumo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do incentivo da pr\u00f3pria atividade, ele sustenta que as melhores condi\u00e7\u00f5es de financiamento podem antecipar compras de maquin\u00e1rio, motivo pelo qual a LCA colocou vi\u00e9s de alta em suas proje\u00e7\u00f5es de 1,1% para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro e quarto trimestres. A forma\u00e7\u00e3o bruta, de acordo com Borges, deve ser o maior destaque positivo entre os componentes do PIB na segunda metade do ano, embora deva encerrar 2012 com varia\u00e7\u00e3o nula em fun\u00e7\u00e3o do primeiro semestre negativo.<\/p>\n<p>O diretor da fabricante de compressores de ar Metalplan Equipamentos, Edgard Dutra, conta que grandes empresas com projetos represados no primeiro semestre est\u00e3o retomando negocia\u00e7\u00f5es, motivadas n\u00e3o apenas pelo corte agressivo de juros das linhas do BNDES. &#8220;Estamos em um cen\u00e1rio mais tranquilo do que h\u00e1 seis meses, quando os \u00e2nimos estavam muito diferentes.&#8221;<\/p>\n<p>Dutra diz que a percep\u00e7\u00e3o de seus clientes maiores est\u00e1 caminhando para um &#8220;equil\u00edbrio t\u00e9rmico&#8221;, no qual proje\u00e7\u00f5es muito otimistas de demanda n\u00e3o foram concretizadas, mas o pior tamb\u00e9m n\u00e3o aconteceu. &#8220;N\u00e3o acredito mais em n\u00fameros fant\u00e1sticos, mas sinto que essa retomada \u00e9 consistente.&#8221;<\/p>\n<p>O faturamento da Metalplan subiu 10% na m\u00e9dia dos meses de julho e agosto sobre a m\u00e9dia do primeiro semestre, desempenho que o executivo credita \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, que est\u00e3o subindo devido ao c\u00e2mbio mais competitivo, mas tamb\u00e9m pela rea\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Calculado pela FGV, o indicador que mede a expectativa de desempenho da produ\u00e7\u00e3o entre as empresas de m\u00e1quinas e equipamentos avan\u00e7ou 11,5% entre agosto e setembro, ao passar de 111,3 pontos para 124,1 pontos, j\u00e1 descontados os efeitos sazonais. &#8220;Esse resultado \u00e9 indica\u00e7\u00e3o de que as empresas est\u00e3o retomando os investimentos, ainda que moderadamente&#8221;, diz Alo\u00edsio Campelo, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV e coordenador da sondagem da ind\u00fastria da entidade. Para ele, o setor de bens de capital, ao lado dos intermedi\u00e1rios, deve liderar a retomada da ind\u00fastria nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Campelo n\u00e3o viu com preocupa\u00e7\u00e3o o recuo do n\u00edvel de demanda relatado pelas empresas do segmento para 90,2 pontos em setembro, ap\u00f3s a forte alta de dez pontos registrada na compara\u00e7\u00e3o anterior. &#8220;Essa queda ocorreu mais pelas avalia\u00e7\u00f5es do presente. A recupera\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 um pouco irregular entre os setores, mas as expectativas continuam melhorando. O pior momento j\u00e1 passou.&#8221;<\/p>\n<p>Aur\u00e9lio Bicalho, economista do Ita\u00fa Unibanco, afirma que os indicadores conhecidos at\u00e9 agora &#8211; com destaque para os dois meses seguidos de alta na produ\u00e7\u00e3o de bens de capital (1,3% em junho e 1% em julho, segundo o IBGE) &#8211; v\u00e3o no sentido de uma alta ainda comedida do investimento. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, as medidas recentes do governo diminu\u00edram o risco de atraso maior nessa recupera\u00e7\u00e3o. As condi\u00e7\u00f5es para investir est\u00e3o mais atrativas, diz Bicalho, mas ainda esbarram na incerteza proveniente do cen\u00e1rio externo, que est\u00e1 diminuindo lentamente, e na capacidade ociosa da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>&#8220;Enquanto houver ociosidade, a acelera\u00e7\u00e3o dos investimentos tende a ser um pouco postergada, mas alguns est\u00edmulos j\u00e1 devem ter impacto no fim deste ano e in\u00edcio do ano que vem&#8221;, projeta Bicalho, para quem a forma\u00e7\u00e3o bruta deve se expandir entre 1% e 2% no terceiro trimestre, taxa que deve aumentar para algo entre 2% e 3% no \u00faltimo trimestre, sempre em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior, feitos os ajustes sazonais. Bicalho trabalha com queda perto de 1% do investimento neste ano em rela\u00e7\u00e3o a 2011.<\/p>\n<hr \/>\n<p>IPI pago por montadora pode cair at\u00e9 quatro pontos<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>As empresas comercializadoras dos autom\u00f3veis abrigados no novo regime automotivo, o Inovar-Auto, a ser regulamentado hoje, poder\u00e3o pagar at\u00e9 quatro pontos percentuais a menos do que hoje pagam de Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), caso cumpram requisitos previstos pelo governo, de investimentos em engenharia e inova\u00e7\u00e3o e aumento da efici\u00eancia energ\u00e9tica dos motores.<\/p>\n<p>Como antecipou o Valor, todas as empresas inclu\u00eddas no regime receber\u00e3o cr\u00e9dito de IPI, proporcional ao gasto com pe\u00e7as e partes fabricadas no Mercosul, para abater dos 30 pontos percentuais do imposto criados no fim do ano passado.<\/p>\n<p>Hoje, s\u00f3 empresas sem f\u00e1bricas ou planos de investimento no pa\u00eds pagam os 30 pontos adicionais. A partir do pr\u00f3ximo ano, as empresas estar\u00e3o sujeitas a esse aumento de imposto, mas, poder\u00e3o reduzir e at\u00e9 eliminar o tributo, caso cumpram requisitos m\u00ednimos de conte\u00fado regional (uso de partes e pe\u00e7as fabricados nos pa\u00edses do Mercosul).<\/p>\n<p>As empresas ter\u00e3o um cr\u00e9dito especial a ser abatido do valor equivalente aos 30 pontos percentuais adicionais do IPI. Em 2013, poder\u00e3o abater do imposto devido at\u00e9 130% dos gastos com partes e pe\u00e7as regionais; em 2014, 125%; em 2015, 115%, at\u00e9 cair para no m\u00e1ximo 100%, em 2017.<\/p>\n<p>O decreto de regulamenta\u00e7\u00e3o do Inovar-Auto foi levado ontem em sua vers\u00e3o final \u00e0 presidente Dilma Rousseff e deve ser anunciado hoje. Para evitar questionamentos na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), o governo n\u00e3o incluiu exig\u00eancias m\u00ednimas expl\u00edcitas de conte\u00fado nacional, mas, na pr\u00e1tica, pagar\u00e1 mais imposto quem n\u00e3o aumentar a quantidade de componentes fabricados no pa\u00eds ou nos s\u00f3cios do Mercosul &#8211; Argentina, Uruguai, Venezuela e Paraguai.<\/p>\n<p>Para evitar forte preju\u00edzo \u00e0s montadoras que iniciaram recentemente atividades no pa\u00eds, cada empresa ter\u00e1, como antecipou o Valor, uma cota, proporcional \u00e0s importa\u00e7\u00f5es realizadas nos \u00faltimos tr\u00eas anos e de, no m\u00e1ximo, 4,8 mil autom\u00f3veis, para importar sem pagamento de adicional de imposto.<\/p>\n<p>Para ingressar no Inovar-Auto, as empresas ter\u00e3o de se comprometer com uma meta de efici\u00eancia, que as obrigar\u00e1 a reduzir em 12%, at\u00e9 2017, o gasto de energia exigido pelos motores, medido em megajoules por quil\u00f4metro, a unidade de medida usada pelos t\u00e9cnicos. Haver\u00e1 uma tabela de refer\u00eancia com a previs\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o de consumo de combust\u00edvel (em litros consumidos por quil\u00f4metro), mas sem efeito legal, para dar aos consumidores ideia da economia desejada.<\/p>\n<p>Se as empresas melhorarem os motores a ponto de reduzir o gasto energ\u00e9tico em 15%, ter\u00e3o cr\u00e9dito presumido de IPI para abater at\u00e9 um ponto percentual do imposto pago. Se o ganho for de 18%, o cr\u00e9dito permitir\u00e1 abatimento de at\u00e9 dois pontos percentuais.<\/p>\n<p>Essas metas foram exaustivamente negociadas com as montadoras, e executivos dessas empresas s\u00e3o c\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vantagens econ\u00f4micas de investir em motores t\u00e3o eficientes para abater dois pontos percentuais no IPI. Esse abatimento, sob forma de cr\u00e9dito presumido, s\u00f3 valer\u00e1 a partir de 2018.<\/p>\n<p>As empresas poder\u00e3o, ainda, abater at\u00e9 metade do que gastarem em pesquisa e desenvolvimento (inova\u00e7\u00e3o) no pa\u00eds, no limite de at\u00e9 um ponto percentual de imposto. Outro ponto poder\u00e1 ser descontado proporcionalmente aos gastos feitos com engenharia no Brasil.<\/p>\n<p>S\u00f3 poder\u00e3o se beneficiar do Inovar-Auto as empresas que cumprirem pelo menos tr\u00eas das seguintes exig\u00eancias: 1) realizar no pa\u00eds atividades fabris ou de infraestrutura; 2) investir no pa\u00eds em pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o, pelo menos, 0,5% do faturamento; 3) fazer no pa\u00eds gastos em engenharia, tecnologia industrial b\u00e1sica e capacita\u00e7\u00e3o de fornecedores; e 4) aderir ao programa de etiquetagem veicular nacional.<\/p>\n<p>O governo acredita que as exig\u00eancias atrair\u00e3o investimentos na fabrica\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as no pa\u00eds, aumentar\u00e3o a competitividade dos carros nacionais e dar\u00e3o a esses ve\u00edculos maiores chances no mercado mundial.<\/p>\n<hr \/>\n<p>BB, Caixa e pessoa f\u00edsica sustentam cr\u00e9dito<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es divulgadas ontem pelo Banco Central indicam que a desacelera\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito no Brasil, em 2012, s\u00f3 n\u00e3o ser\u00e1 mais acentuada gra\u00e7as aos bancos p\u00fablicos. Diante da ordem do governo para ajudar na sustenta\u00e7\u00e3o da demanda dom\u00e9stica da economia, al\u00e9m de manter o ritmo do ano passado, que n\u00e3o foi fraco, eles exibir\u00e3o crescimento muito mais vigoroso que o da banca privada, principalmente no cr\u00e9dito a pessoas f\u00edsicas, incluindo o habitacional.<\/p>\n<p>A carteira dos estatais dever\u00e1 fechar o ano com varia\u00e7\u00e3o de 24%, praticamente a mesma taxa do ano passado (23,75%), e n\u00e3o mais de 21%, como o BC previa at\u00e9 ent\u00e3o. Para os bancos privados de controle nacional, a proje\u00e7\u00e3o foi mantida em 10%. Isso refor\u00e7a a tend\u00eancia de desacelera\u00e7\u00e3o nesse segmento que j\u00e1 vinha se observando em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado, apesar das redu\u00e7\u00f5es de taxas de juros anunciadas nos \u00faltimos meses por grandes institui\u00e7\u00f5es como Bradesco e Ita\u00fa.<\/p>\n<p>A carteira dos bancos privados de controle estrangeiro dever\u00e1 crescer 13%, mais que em 2011 (8,5%), ainda assim muito menos que a dos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O BC fez nova revis\u00e3o de proje\u00e7\u00f5es depois de aproximadamente cinco meses de agressivas campanhas publicit\u00e1rias e de redu\u00e7\u00e3o de juros da Caixa Econ\u00f4mica Federal e do Banco do Brasil (BB) para incrementar suas opera\u00e7\u00f5es. O governo conseguiu fazer com que os bancos privados seguissem o exemplo e tamb\u00e9m cortassem juros. Mas as proje\u00e7\u00f5es indicam que eles n\u00e3o est\u00e3o conseguindo ou n\u00e3o pretendem seguir os estatais tamb\u00e9m no que se refere ao ritmo de crescimento do cr\u00e9dito, at\u00e9 porque a inadimpl\u00eancia mostra resist\u00eancia. A taxa de expans\u00e3o prevista para o estoque total de cr\u00e9dito subiu de 15% para 16% exclusivamente em fun\u00e7\u00e3o do desempenho esperado dos bancos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Os dados dos oito primeiros meses do ano antecipam que as opera\u00e7\u00f5es com pessoas f\u00edsicas ser\u00e3o as principais respons\u00e1veis pela expressiva taxa de crescimento do cr\u00e9dito no segmento estatal em 2012. At\u00e9 agosto, sem contar os financiamentos habitacionais &#8211; que tamb\u00e9m s\u00e3o em sua maioria diretamente concedidos \u00e0s fam\u00edlias -, essa fatia da carteira aumentou 13,6%. Nos bancos privados nacionais, a eleva\u00e7\u00e3o foi de apenas 5,3% e nos estrangeiros, de 5,4%.<\/p>\n<p>O saldo dos financiamentos habitacionais concedidos diretamente a fam\u00edlias e a cooperativas de habita\u00e7\u00e3o subiu ainda mais expressivamente que o das demais opera\u00e7\u00f5es com pessoas f\u00edsicas. Mas esse \u00e9 um fen\u00f4meno comum a todo o sistema financeiro, estatal e privado. O cr\u00e9dito habitacional foi a modalidade que mais cresceu em oito meses (24,7%), muito acima da m\u00e9dia da totalidade da carteira (8,9%). O avan\u00e7o foi de 26,4% nos bancos p\u00fablicos, 21,8% nas institui\u00e7\u00f5es privadas nacionais e de 15,6% nas de controle estrangeiro.<\/p>\n<p>Os bancos p\u00fablicos v\u00eam sustentando tamb\u00e9m o crescimento do cr\u00e9dito a pessoas jur\u00eddicas. O volume de opera\u00e7\u00f5es das institui\u00e7\u00f5es estatais com a ind\u00fastria, com o com\u00e9rcio e com o setor de servi\u00e7os aumentou, respectivamente, 5,1%, 8,8% e 12,3%. Nas institui\u00e7\u00f5es privadas nacionais, o incremento foi somente de 3,8%, de 1% e de 1,1%, respectivamente. Nos estrangeiros, a taxa de expans\u00e3o s\u00f3 foi maior no caso das opera\u00e7\u00f5es com ind\u00fastria (8,1%), pois para o com\u00e9rcio e para o setor de servi\u00e7os, ficou, respectivamente, em -1% e 7,2%.<\/p>\n<p>Consideradas todas as modalidades, o saldo das opera\u00e7\u00f5es cresceu at\u00e9 agosto 14,5% nos bancos p\u00fablicos, modestos 4,2% nos privados de controle nacional e 5,6% nos bancos estrangeiros.<\/p>\n<p>A carteira do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social cresceu no acumulado de janeiro a agosto somente 5,5%, muito abaixo da m\u00e9dia registrada pelo segmento financeiro estatal como um todo. Isso \u00e9 uma evid\u00eancia de que o que vem puxando o avan\u00e7o s\u00e3o as opera\u00e7\u00f5es de Caixa e BB.<\/p>\n<p>Em 12 meses, as opera\u00e7\u00f5es dos bancos estatais cresceram 26,8%. A proje\u00e7\u00e3o para o ano calend\u00e1rio de 2012 (24%) ainda indica, portanto, alguma desacelera\u00e7\u00e3o, embora mais branda do que a esperada pelo BC em junho, quando se projetava crescimento de 19% para o cr\u00e9dito dos bancos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o menor crescimento das opera\u00e7\u00f5es do BNDES ajuda a explicar por que o aumento do estoque de cr\u00e9dito para pessoas jur\u00eddicas (7,3% no ano) do sistema financeiro todo foi inferior ao do cr\u00e9dito a fam\u00edlias (10,9%). A diferen\u00e7a fica mais acentuada quando se olha a evolu\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito direcionado, que cresceu 17,7% para pessoas f\u00edsicas e 5,5% para empresas. O BNDES opera basicamente com empresas e s\u00f3 com recursos direcionados.<\/p>\n<p>O estoque de cr\u00e9dito com recursos de livre aplica\u00e7\u00e3o pelos bancos, por outro lado, aumentou mais para pessoas jur\u00eddicas (8,4%) do que para as fam\u00edlias (7,8%) nesses oito meses.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es do BC para 2012 apontam que o cr\u00e9dito direcionado vai crescer 20% e o livre, 14%. A proje\u00e7\u00e3o subiu apenas para o cr\u00e9dito livre (era de 13%). Isso indica que a expectativa da autoridade monet\u00e1ria \u00e9 de que os bancos p\u00fablicos tamb\u00e9m ajudem a incrementar o cr\u00e9dito livre.<\/p>\n<p>O governo entende que o cr\u00e9dito tem sido importante elemento de sustenta\u00e7\u00e3o da demanda dom\u00e9stica da economia, motivo pelo qual n\u00e3o tem hesitado em fazer dos bancos federais uma ferramenta para elevar sua oferta.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que o desempenho das institui\u00e7\u00f5es estatais est\u00e1 bem \u00e0 frente. Pelo menos desde 2008, elas v\u00eam crescendo mais do que as privadas. A diferen\u00e7a \u00e9 que em 2012, ao contr\u00e1rio das privadas, elas n\u00e3o perder\u00e3o ritmo, o que tamb\u00e9m ocorreu em 2011.<\/p>\n<p>Mesmo mais ousados na concess\u00e3o de cr\u00e9dito, os bancos p\u00fablicos ainda t\u00eam inadimpl\u00eancia menor que os concorrentes privados. Em rela\u00e7\u00e3o ao total de opera\u00e7\u00f5es com recursos livres e direcionados, aquelas com pelo menos uma parcela em atraso h\u00e1 mais de 90 dias representavam 1,9% no caso do sistema financeiro estatal, no fim de agosto. A inadimpl\u00eancia dos bancos privados de controle nacional era de 5,2% e a dos privados de controle estrangeiro, de 5,7%.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros divulgados ontem pelo BC mostram ainda que a carteira das institui\u00e7\u00f5es estatais alcan\u00e7ou R$ 1,011 trilh\u00e3o no fim de agosto, saldo 1,9% superior ao de julho. O saldo dos empr\u00e9stimos e financiamentos dos bancos privados nacionais aumentou 0,8% e terminou o m\u00eas em R$ 828,279 bilh\u00f5es. A carteira das institui\u00e7\u00f5es de controle estrangeiro cresceu ainda menos, s\u00f3 0,3%, fechando agosto em R$ 370,835 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O BC tamb\u00e9m divulgou dados de fluxo de novas concess\u00f5es. A m\u00e9dia di\u00e1ria caiu pelo segundo m\u00eas consecutivo em agosto, desta vez 1,3%. Em julho, tinha recuado 10,1% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Al\u00e9m de vol\u00e1teis por causa de sazonalidades, os n\u00fameros do fluxo, no entanto, pegam s\u00f3 o cr\u00e9dito com recursos livres e mesmo assim nem todo. Ficam de fora o cr\u00e9dito direcionado todo e ainda financiamentos habitacionais com recursos livres. Por isso, as proje\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao estoque oferecem um panorama melhor da tend\u00eancia. Na s\u00e9rie dessazonalizada pelo BC, a m\u00e9dia di\u00e1ria de concess\u00f5es teve ligeira alta e n\u00e3o queda em agosto, disse Tulio Maciel, chefe do departamento econ\u00f4mico do BC, sem dar o n\u00famero. J\u00e1 para o Itau, a m\u00e9dia di\u00e1ria, na s\u00e9rie com ajustes sazonais, caiu 2% em agosto, ap\u00f3s redu\u00e7\u00e3o de 4% em julho.<\/p>\n<hr \/>\n<p>BCE n\u00e3o pode mais aliviar a d\u00edvida da Gr\u00e9cia, diz autoridade<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O Banco Central Europeu (BCE) n\u00e3o pode mais fornecer al\u00edvio de d\u00edvida adicional para a Gr\u00e9cia, se o pa\u00eds precisar, afirmou Jens Weidmann, membro do conselho da autoridade monet\u00e1ria e presidente do Bundesbank (o banco central da Alemanha), durante uma entrevista coletiva com o ministro de Finan\u00e7as da It\u00e1lia, Vittorio Grilli.<\/p>\n<p>Weidmann n\u00e3o quis comentar quando questionado sobre relatos de que a Gr\u00e9cia pode precisar de um terceiro resgate, dizendo que era melhor esperar at\u00e9 que a troica, grupo de representantes da Comiss\u00e3o Europeia, Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) e do BCE, emita um relat\u00f3rio no pr\u00f3ximo m\u00eas.<\/p>\n<p>Weidmann afirmou que os ministros de Finan\u00e7as s\u00e3o respons\u00e1veis por avaliar como as lacunas de financiamento gregas podem ser preenchidas. &#8220;Elas n\u00e3o ser\u00e3o preenchidas pelo BCE. Essa \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o clara que eu tenho tido em v\u00e1rias ocasi\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>O presidente do BC alem\u00e3o disse tamb\u00e9m que o projeto para a cria\u00e7\u00e3o de supervisor banc\u00e1rio na zona do euro \u00e9 complexo.<\/p>\n<p>Grilli, que tamb\u00e9m n\u00e3o quis responder perguntas sobre a Gr\u00e9cia, enfatizou que no momento n\u00e3o \u00e9 o plano da It\u00e1lia buscar ajuda externa de seus parceiros internacionais, apesar da desacelera\u00e7\u00e3o da economia mundial.<\/p>\n<p>&#8220;A It\u00e1lia est\u00e1 fazendo um trabalho muito bom nas reformas, com uma economia sem necessidade de qualquer ajuda extra&#8221;, ressaltou o ministro.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Inadimpl\u00eancia de empresas cresce menos em agosto<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A inadimpl\u00eancia das empresas cresceu 1,7% em agosto na compara\u00e7\u00e3o com julho, influenciada pelo aumento das d\u00edvidas vencidas com institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o banc\u00e1rias, informou a Serasa Experian. O resultado, por\u00e9m, representa leve desacelera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a julho, quando o Indicador de Inadimpl\u00eancia das Empresas apresentou avan\u00e7o de 1,8% sobre o m\u00eas anterior.<\/p>\n<p>Comparado a agosto de 2011, a alta foi de 8,3% &#8211; mas este n\u00famero foi o menor aumento nessa base de compara\u00e7\u00e3o desde fevereiro de 2011. No acumulado de janeiro a agosto de 2012, a inadimpl\u00eancia subiu 14,3% sobre o mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p>Para a Serasa Experian, a redu\u00e7\u00e3o dos juros, a recupera\u00e7\u00e3o gradual das vendas por causa das medidas de est\u00edmulo ao consumo e o recuo na inadimpl\u00eancia do consumidor desaceleraram o indicador. D\u00edvidas com bancos atingiram valor m\u00e9dio de R$ 5.276,52 de janeiro a agosto (alta de 2,2%) e o valor m\u00e9dio dos cheques sem fundos ficou em R$ 2.237,72 (alta de 8,4%).<\/p>\n<hr \/>\n<p>Setor de energia ter\u00e1 investimentos de R$ 1 tri em 10 anos<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O setor de energia deve receber investimentos de mais de R$ 1 trilh\u00e3o no Pa\u00eds nos pr\u00f3ximos dez anos, estima a Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) no Plano Decenal de Expans\u00e3o de Energia (PDE) 2021. O setor de \u00f3leo e g\u00e1s deve responder pela maior parte desse montante: cerca de R$ 750 bilh\u00f5es. A expectativa \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo evolua dos atuais 2 milh\u00f5es para 5,43 milh\u00f5es de barris por dia (bde) at\u00e9 2021.<\/p>\n<p>Para isso, a EPE calcula que ser\u00e3o necess\u00e1rias 90 novas plataformas FPSO, incluindo a convers\u00e3o de navios existentes. Para isso, a EPE conta com a retomada de um ritmo de crescimento da economia mais elevado nos pr\u00f3ximos dez anos. Como resultado da desacelera\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) vista este ano, o n\u00famero de projetos hidrel\u00e9tricos previstos caiu na compara\u00e7\u00e3o com o plano 2011-2020.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o de demanda entre um plano e outro. O efeito do ano passado e deste ano \u00e9 incorporado e isso tem um rebatimento ao longo do horizonte. Mesmo que se considere um cen\u00e1rio em que haja recupera\u00e7\u00e3o da economia adiante, h\u00e1 um efeito no plano. Isso explica a redu\u00e7\u00e3o&#8221;, disse o presidente interino da EPE, Am\u00edlcar Guerreiro.<\/p>\n<p>Um dos destaques do plano \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o da fatia do g\u00e1s natural na oferta interna de energia, que passa de 11% em 2012 para 15,5% em 2021.<\/p>\n<p>A expectativa da EPE \u00e9 que ao longo desse per\u00edodo se elimine o descompasso entre oferta e demanda do insumo.<\/p>\n<p>Hoje, muitos projetos t\u00e9rmicos n\u00e3o saem do papel no Pa\u00eds porque h\u00e1 escassez de g\u00e1s. Por causa disso, o governo estuda uma nova forma de estruturar os leil\u00f5es de energia para permitir que mais empreendedores participem da concorr\u00eancia. Atualmente, para entrar na disputa, \u00e9 preciso ter garantia de acesso ao g\u00e1s. Uma proposta prev\u00ea que uma esp\u00e9cie de leil\u00e3o pr\u00e9vio em que as empresas concorreriam para ter acesso ao produto.<\/p>\n<p>Apesar do aumento da participa\u00e7\u00e3o do g\u00e1s natural, os derivados de cana e a energia e\u00f3lica ajudar\u00e3o a sustentar o crescimento da fatia das fontes renov\u00e1veis no per\u00edodo. Ao longo dos pr\u00f3ximos dez anos, esse tipo de gera\u00e7\u00e3o crescer\u00e1 a uma taxa m\u00e9dia anual de 5,1%. Os derivados de cana devem aumentar em quase 5 pontos porcentuais sua presen\u00e7a, alcan\u00e7ando 21,2%.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Empreiteiras s\u00e3o as maiores financiadoras<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>Doze empreiteiras est\u00e3o entre os 30 maiores doadores individuais de recursos para campanhas a prefeitos e vereadores no pa\u00eds. Essas construtoras doaram R$ 83 milh\u00f5es para partidos e candidatos at\u00e9 o in\u00edcio de setembro. Outras tr\u00eas empresas da lista s\u00e3o bancos e mais tr\u00eas oferecem servi\u00e7os de coleta de lixo. Os dados foram levantados pela ONG Contas Abertas com base na segunda presta\u00e7\u00e3o de contas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).<\/p>\n<p>O maior financiador individual de campanha do pa\u00eds \u00e9 a construtora Andrade Gutierrez, que doou sozinha R$ 23,08 milh\u00f5es para partidos. Esse valor foi distribu\u00eddo entre PMDB (R$ 7,5 milh\u00f5es), PSDB (R$ 5,3 milh\u00f5es) e PSD (R$ 3,7 milh\u00f5es). Outros 11 partidos receberam o restante. Como o valores foram doados aos diret\u00f3rios dos partidos, e n\u00e3o diretamente aos candidatos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber exatamente quem foi o beneficiado.<\/p>\n<p>Outras construtora com destaque na lista \u00e9 a OAS, que financiou campanhas eleitorais em R$ 22,8 milh\u00f5es, sendo R$ 1 milh\u00e3o apenas para a campanha de Fernando Haddad (PT) a prefeito de S\u00e3o Paulo. Tamb\u00e9m na rela\u00e7\u00e3o est\u00e3o gigantes como Queiroz Galv\u00e3o (R$ 7,2 milh\u00f5es), WTorre Engenharia (R$ 4,2 milh\u00f5es) e Norberto Odebrecht (R$ 2,9 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>Entre os bancos, o destaque fica para o Alvorada, ligada ao Bradesco. O banco foi o terceiro maior doador, com R$ 7,7 milh\u00f5es. O BMG doou R$ 7,1 milh\u00f5es. Procuradas, as empresas n\u00e3o comentaram ou limitaram-se a informar que as doa\u00e7\u00f5es foram realizadas dentro da legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Estado de S. Paulo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3611\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3611","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Wf","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3611","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3611"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3611\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3611"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}