{"id":3614,"date":"2012-09-27T22:34:45","date_gmt":"2012-09-27T22:34:45","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3614"},"modified":"2012-09-27T22:34:45","modified_gmt":"2012-09-27T22:34:45","slug":"a-indignacao-popular-e-o-coro-do-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3614","title":{"rendered":"A indigna\u00e7\u00e3o popular e o coro do medo"},"content":{"rendered":"\n<p>No dia 15 de setembro uma manifesta\u00e7ao convocada atraves de redes sociais mobilizou em 40 cidades portuguesas multidoes como n\u00e3o saiam \u00e0s ruas desde o inicio da Revolu\u00e7ao de Abril.Em Lisboa foram 500 000,no Porto 100 000.<\/p>\n<p>O capital estremeceu. De repente, uma faixa importante das for\u00e7as pol\u00edticas que apoiaram as politicas neoliberais dos governos do PS e do PSD-CDS mudou, na apar\u00eancia, de campo.<\/p>\n<p>Apercebendo-se da imin\u00eancia do naufr\u00e1gio, destacadas personalides desses partidos passaram a atacar a estrat\u00e9gia do governo Passos \u2013 Portas.<\/p>\n<p>Por inesperada, chama a aten\u00e7\u00e3o a condena\u00e7\u00e3o e a linguagem que a traduz.<\/p>\n<p>\u00c9 uma metamorfose que n\u00e3o lhes melhora a imagem. Rescende a hipocrisia. Afirmam hoje aquilo que negavam ontem.<\/p>\n<p>Nos seus escritos e em interven\u00e7\u00f5es na TV e na R\u00e1dio uma minoria dos cr\u00edticos afirmou discordar das \u00abmedidas\u00bb do governo por \u00abpatriotismo\u00bb, alguns justificam a cr\u00edtica invocando argumentos econ\u00f3micos e financeiros, outros dizem desaprovar as altera\u00e7\u00f5es propostas \u00e0 Taxa Social \u00danica-TSU ( descontos para a Seguridade ) porque, santa hipocrisia, esmagariam os trabalhadores e somente beneficiariam o capital.<\/p>\n<p>No coro de lamenta\u00e7oes participou gente muito diferente: Pacheco Pereira, M\u00e1rio Soares, Alberto Jo\u00e3o Jardim, Bag\u00e3o F\u00e9lix, Manuela Ferreira Leite, Belmiro de Azevedo, os dirigentes da Confedera\u00e7ao das Industrias -CIP, da Confedera\u00e7ao doa Agricultores Portugueses-CAP e da Confedera\u00e7\u00e3o do Com\u00e9rcio, e uma legi\u00e3o de economistas e soci\u00f3logos da burguesia.<\/p>\n<p>O discurso e os objectivos desses cr\u00edticos divergem.<\/p>\n<p>Pacheco Pereira , o mais talentoso, apresenta se agora como \u00abvelho esquerdista\u00bb (Publico 22 9.2012). \u00c9 muito descaramento de quem foi durante anos no Parlamento porta vez qualificado e entusiasta das pol\u00edticas do governo de Cavaco Silva .<\/p>\n<p>De M\u00e1rio Soares, o camale\u00e3o do PS, veterano contra- revolucion\u00e1rio, tudo se pode esperar. Exige agora a demiss\u00e3o do Governo e fustiga como incompetente o primeiro-ministro que meses atr\u00e1s elogiava; nele via ent\u00e3o um politico \u00abinteligente e simp\u00e1tico\u00bb.<\/p>\n<p>Seria interessante reunir num livro o que escrevem e declaram hoje e, ao lado, o que escreveram e afirmaram ontem estas personagens que pelas suas piruetas parecem arrancadas de pe\u00e7as de teatro de absurdo.<\/p>\n<p>A tribo do PS foi especialmente ruidosa na campanha contra as \u00absolu\u00e7\u00f5es\u00bb propostas pelo ministro das Finan\u00e7as e o seu chefe.<\/p>\n<p>O ex-deputado socialista Artur Penedos escreveu no \u00abPublico\u00bb (22.Set.2012):<\/p>\n<p>\u00abNingu\u00e9m, no seu perfeito ju\u00edzo, pode aceitar a insensatez e o desvario do governo de Passos-Portas e, muito menos, permitir que ambos atirem os portugueses para a mais profunda calamidade dos \u00faltimos 70 anos\u00bb.<\/p>\n<p>A indigna\u00e7\u00e3o \u00e9 oportuna e leg\u00edtima. Mas porventura o ex-parlamentar alguma vez ergueu a voz ou usou a pena para denunciar a destruidora ofensiva de M\u00e1rio Soares-Barreto contra a Reforma Agr\u00e1ria ou a pol\u00edtica de submiss\u00e3o ao capital de Jose S\u00f3crates que lan\u00e7ou centenas de milhares de trabalhadores no desemprego e na mis\u00e9ria? Que eu saiba n\u00e3o. Como assessor para \u00abassuntos sociais\u00bb do seu camarada e amigo, aprovou-lhe a estrat\u00e9gia e defendeu-a.<\/p>\n<p>Era de esperar que a reuni\u00e3o do Conselho de Estado convocada pelo Presidente da Republica para debater a crise fosse uma com\u00e9dia. E isso aconteceu.<\/p>\n<p>O comunicado divulgado confirma que tudo foi encenado previamente na fidelidade \u00e0 m\u00e1xima de Lampedusa, o autor de \u00abO Leopardo\u00bb: Mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma.<\/p>\n<p>A satisfa\u00e7\u00e3o da maioria dos conselheiros n\u00e3o oculta uma evid\u00eancia: a anunciada \u00abmodula\u00e7\u00e3o\u00bb da TSU (na pratica engavetamento) \u00e9 um embuste concebido para que o governo possa prosseguir com a pol\u00edtica que continua a arruinar o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O artificio da transfer\u00eancia do brutal aumento da taxa da TSU que incidiria sobre o trabalho para redu\u00e7\u00f5es reais nos sal\u00e1rios e rendimentos dos trabalhadores e das pens\u00f5es dos reformados \u2013atrav\u00e9s de um aumento do IRS &#8211; foi ideado para simular um recuo do grande capital, confundir as v\u00edtimas e atenuar a tens\u00e3o social.<\/p>\n<p>Os mal chamados \u00abparceiros sociais\u00bb desempenharam na grande farsa um papel fundamental, com destaque para o secretario geral da UGT, figura cimeira do sindicalismo amarelo, que se comportou na televisao como porta voz oficioso do patronato.<\/p>\n<p>A fala de Passos, ao informar que\u00a0 o governo vai repor parcialmente o corte dos subsidios de Natal e de f\u00e9rias (porque a medida fora considerada inconstitucional\u00a0 ), foi mais uma vez um amontoado de frases sem nexo, dificilmente inteligivel.O homem n\u00e3o consegue ocultar a sua indigencia nental.<\/p>\n<p>O Conselho da \u00abConcerta\u00e7\u00e3o Social\u00bb,instrumento do patronato- apressou-se a transformar a indigna\u00e7\u00e3o simulada em colabora\u00e7\u00e3o concreta com o capital. O secretario geral da UGT ,comentando a manobra do governo para camuflar\u00a0 o aumento dos impostos , teve o despudor de qualificar de positivas algumas das medidas da \u00abalternativa \u00bb que o executivo Passos-Portas prepara.<\/p>\n<p>Temo que o desmascaramento dessa manobra pelo Partido Comunista e pela CGTP n\u00e3o seja suficiente para evitar os seus efeitos desmobilizadores numa parcela importante das muitas centenas de milhares de portugueses que sa\u00edram \u00e0s ruas\u00a0 na manifesta\u00e7\u00e3o convocada atrav\u00e9s das redes sociais.<\/p>\n<p>O n\u00edvel da consci\u00eancia pol\u00edtica e de classe da maioria desses \u00abindignados\u00bb \u00e9 baixo. A revolta popular \u00abespont\u00e2nea\u00bb sobe e desce como as mar\u00e9s. Foi extraordinariamente importante a tempestuosa jornada do dia 15 deste m\u00eas. Ela trouxe \u00e0 mem\u00f3ria a li\u00e7\u00e3o permanente da advert\u00eancia de Lenin sobre a morte dos sistemas pol\u00edticos quando \u00abos de baixo j\u00e1 n\u00e3o querem e os de cima j\u00e1 n\u00e3o podem\u00bb.<\/p>\n<p>A maioria do povo portugu\u00eas sabe hoje o que repudia e exige uma mudan\u00e7a de rumo. Mas uma enorme percentagem dos que saem \u00e0 rua expressando a sua indigna\u00e7\u00e3o, n\u00e3o responsabiliza directamente o sistema.<\/p>\n<p>A contesta\u00e7\u00e3o abrange\u00a0 camadas sociais muito diferentes. N\u00e3o foi somente gente progressista que saiu \u00e0s ruas. Milhares de pessoas afirmaram ter participado pela primeira vez em manifesta\u00e7\u00f5es. Muitas delas sem qualquer tendencia partid\u00e1ria. E as pedradas, petardos e tentativas isoladas para provocar dist\u00farbios \u00a0 permitem concluir que anarquistas e provocadores\u00a0 se esfor\u00e7aram para criar situa\u00e7\u00f5es que apenas beneficiariam\u00a0 o Governo. N\u00e3o \u00e9 por acaso que nestes dias os analistas de servi\u00e7o formadores de opini\u00e3o e alguns jornalistas multiplicam na imprensa e na TV ataques generalizados aos partidos (como se fossem todos iguais) atribuindo-lhes a responsabilidade pelos males do presente. Essa campanha coincide com uma paradoxal apologia da contesta\u00e7\u00e3o espontaneista. At\u00e9 Cavaco reconhece que \u00e9 preciso ouvir o povo.<\/p>\n<p>Obviamente, a revolta torrencial das massas contra a pol\u00edtica do Governo Passos -Portas, fen\u00f3meno social altamente positivo, colocou este na defensiva. Mas, recordando outra vez ensinamentos de Lenin, torna-se indispens\u00e1vel tomar consci\u00eancia que \u00e9 dever indeclin\u00e1vel de um partido revolucion\u00e1rio organizar as massas, assumir na luta o papel de vanguarda. Ac\u00e7\u00f5es como as grandes manifesta\u00e7\u00f5es de protesto dos \u00faltimos dias somente podem configurar uma amea\u00e7a concreta ao sistema de poder vigente se adquirirem um car\u00e1cter permanente, com organicidade. Essa \u00e9 uma tarefa que, a meu ver, cabe ao PCP e \u00e0 CGTP assumir.<\/p>\n<p>As for\u00e7as do capital est\u00e3o alarmadas. Dai o coro hip\u00f3crita de criticas que desembocou no\u00a0show do Conselho de Estado.<\/p>\n<p>Conter a avalanche da indigna\u00e7\u00e3o, desmobilizar as massas, impedir a sua luta organizada \u00e9 o objectivo imediato das manobras que, superando diverg\u00eancias, unem agora numa frente anti-popular Cavaco Silva , o governo, os partidos que assinaram o memorando com a troika, os falsos parceiros sociais e o grande capital.<\/p>\n<p>\u00c9 dramaticamente necess\u00e1rio compreender que a classe dominante (e aqueles que a servem) tenta com farisaismo enganar a classe trabalhadora, anunciando medidas cosm\u00e9ticas de um falso recuo que lhe permita prosseguir a ofensiva contra ela,ofensiva que est\u00e1 empurrando Portugal para a bancarrota e o caos.<\/p>\n<p>VN de Gaia, 25 de Setembro de 2012<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2625\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2625<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nMiguel Urbano Rodrigues\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3614\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[98],"tags":[],"class_list":["post-3614","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c111-portugal"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Wi","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3614","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3614"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3614\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}