{"id":3639,"date":"2012-10-02T03:49:11","date_gmt":"2012-10-02T03:49:11","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3639"},"modified":"2012-10-02T03:49:11","modified_gmt":"2012-10-02T03:49:11","slug":"ujc-participa-ativamente-da-greve-das-ifes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3639","title":{"rendered":"UJC Participa Ativamente da Greve das IFES"},"content":{"rendered":"\n<p>Ap\u00f3s quatro meses de greve, professores, t\u00e9cnicos administrativos em educa\u00e7\u00e3o e estudantes se preparam para voltar \u00e0s suas atividades, n\u00e3o sem a certeza que uma dura realidade os aguarda e das dif\u00edceis lutas que ainda est\u00e3o por vir.<\/p>\n<p>Durante todo este tempo, a Uni\u00e3o da Juventude Comunista (UJC) apoiou e participou da constru\u00e7\u00e3o desse movimento nacional de greve, construindo cotidianamente a greve junto \u00e0s demais categorias nas universidades onde est\u00e1 organizada, assim como compondo os comandos locais e nacional de greve.<\/p>\n<p>A desestrutura\u00e7\u00e3o da carreira docente, as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho a que est\u00e3o submetidos professores e servidores, o aumento das terceiriza\u00e7\u00f5es, assim como salas de aulas lotadas, falta de professores, parca assist\u00eancia estudantil, aus\u00eancia de restaurantes universit\u00e1rios e instala\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias figuram entre os principais problemas enfrentados no cotidiano de todos aqueles que passam pela universidade e foram umas das principais reivindica\u00e7\u00f5es do movimento.<\/p>\n<p>A precariza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o deve ser entendida somente como um problema de ordem administrativa ou de financiamento, mas algo que vai muito al\u00e9m. O sucateamento da educa\u00e7\u00e3o pode ser traduzido numa concep\u00e7\u00e3o de Estado que h\u00e1 anos vem sendo implantado no Brasil, que preza por uma l\u00f3gica de mercado e por parcerias com empresas privadas, colocando nitidamente a Universidade sob interesses privados.<\/p>\n<p>Se voltarmos nossas mem\u00f3rias alguns anos atr\u00e1s, poderemos nos lembrar de uma s\u00e9rie de reformas universit\u00e1rias no per\u00edodo FHC que expandia as institui\u00e7\u00f5es privadas e controlava as verbas p\u00fablicas para o ensino superior. Tal pol\u00edtica, aprofundada, sobretudo, no governo Lula com programas de transfer\u00eancia de verba p\u00fablica para as institui\u00e7\u00f5es privadas, como o FIES e o Prouni, hoje levam a um panorama onde 76,6% dos estudantes do ensino superior est\u00e3o na rede privada, enquanto apenas 23,4% est\u00e3o em universidades p\u00fablicas que est\u00e3o cada vez mais sucateadas.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 alguns anos j\u00e1 se delineava um n\u00edtido processo de favorecimento ao capital privado na expans\u00e3o do ensino particular, nos \u00faltimos anos esses interesses penetraram sem nenhum pudor na rede p\u00fablica. Seja atrav\u00e9s da terceiriza\u00e7\u00e3o de grande parte de seus servi\u00e7os, da exist\u00eancia de funda\u00e7\u00f5es privadas que buscam captar verbas na iniciativa privada ou de privatiza\u00e7\u00f5es dos HU\u2019s atrav\u00e9s das Empresas Brasileiras de Servi\u00e7os Hospitalares (EBSERH), o fato \u00e9 que a Universidade p\u00fablica se transformou no mais novo balc\u00e3o de neg\u00f3cios do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Al\u00e9m desse processo de sucateamento e privatiza\u00e7\u00f5es, a Universidade p\u00fablica se mostra, de uma vez por todas, como um centro de reprodu\u00e7\u00e3o do saber, da forma\u00e7\u00e3o profissional e da ideologia dominante. O que em tese deveria ser um espa\u00e7o para a forma\u00e7\u00e3o do senso cr\u00edtico e para a produ\u00e7\u00e3o de um conhecimento voltado para a classe trabalhadora, mais do que nunca, vem funcionando de acordo com interesses privados; caso contr\u00e1rio, como justificar que certos cursos de agronomia servindo diretamente \u00e0s empresas de agroneg\u00f3cios em um pa\u00eds onde reina a concentra\u00e7\u00e3o de terras? Como explicar projetos de extens\u00e3o que se colocam ao dispor de grandes empresas, perdendo assim o car\u00e1ter de extens\u00e3o? Ou ent\u00e3o, como justificar cursos de arquitetura onde a maior preocupa\u00e7\u00e3o seja elaborar projetos de shoppings centers e pr\u00e9dios de luxos, enquanto grande parte da popula\u00e7\u00e3o sequer tem um teto para morar?<\/p>\n<p>Tendo em vista essas reflex\u00f5es, a Uni\u00e3o da Juventude Comunista n\u00e3o tem a ilus\u00e3o de alterar esses problemas da Universidade sem superar por completo a inser\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais e produtivas pr\u00f3prias da ordem social em que vivemos e que s\u00e3o base de um n\u00famero sem fim de problemas que afetam a educa\u00e7\u00e3o brasileira e seu car\u00e1ter.<\/p>\n<p>Isso significa que n\u00e3o devemos nos restringir a uma luta reativa ou a simples defesa de uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, gratuita e de qualidade, mas, sobretudo, de uma educa\u00e7\u00e3o popular. Significa tamb\u00e9m que devemos apoiar e ir al\u00e9m de uma simples luta pelos 10% do PIB para educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, j\u00e1!, afinal, de que valeria um aumento de investimentos nesse modelo de universidade sen\u00e3o para aprofundar esse sistema pautado pela l\u00f3gica do mercado?<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que a greve ganhava apoio e ades\u00e3o em todas as Universidades, o governo fechava os olhos para os problemas reais, ora negando o di\u00e1logo com os setores em greve, ora apresentando uma proposta rebaixada aos professores. Com os estudantes o governo tomou a mesma atitude intransigente, negando receber o Comando Nacional de Greve dos Estudantes (CNGE), composto por delegadas e delegados tirados em assembl\u00e9ias nas universidades, optando, ao inv\u00e9s disso, em falar diretamente com a UNE (que n\u00e3o apoiou, na pr\u00e1tica, as greves), num claro sentido de desmobilizar o movimento grevista.<\/p>\n<p>Ainda que a maior parte das reivindica\u00e7\u00f5es dos setores em greve n\u00e3o tenha sido atendida, o movimento de greve tem a potencialidade de al\u00e7ar ganhos pol\u00edticos e organizativos para al\u00e9m das demandas mais imediatistas, o que sem d\u00favida ser\u00e1 o nosso maior desafio a partir de agora. O enfraquecimento do PROIFES e o fortalecimento do ANDES, assim como de suas se\u00e7\u00f5es locais, j\u00e1 s\u00e3o um exemplo desses ganhos.<\/p>\n<p>No movimento estudantil, acreditamos que este ganho s\u00f3 ser\u00e1 dado se o mesmo for referendado atrav\u00e9s de suas bases e n\u00e3o ter como porta-vozes entidades atreladas \u00e0 ordem que servem como correia de transmiss\u00e3o dos interesses do governo \u00e0s Universidades, mas sim por um movimento que esteja pautado na real demanda dos estudantes e trabalhadores e disposto a lutar lado a lado aos movimentos sociais combativos, formulando um novo projeto. Em outras palavras, devemos, de uma vez por todas, debater coletivamente um projeto de universidade que esteja balizado nas demandas concretas dos trabalhadores e que contribua para um processo mais amplo de transforma\u00e7\u00e3o social; desta forma, levantamos a bandeira da UNIVERSIDADE POPULAR.<\/p>\n<p>Sabemos que esse caminho n\u00e3o ser\u00e1 curto nem f\u00e1cil, mas vislumbramos na greve uma excelente oportunidade para o iniciarmos. Isso significa que em todos os espa\u00e7os de luta devemos criar media\u00e7\u00f5es que tensionem contra a l\u00f3gica de mercado nas universidades, seja contra as funda\u00e7\u00f5es privadas; pelo aumento das verbas governamentais para a assist\u00eancia estudantil; pela luta por uma Universidade verdadeiramente democr\u00e1tica, n\u00e3o somente em suas institui\u00e7\u00f5es internas, mas, sobretudo, na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento; contra o conv\u00eanio com empresas privadas e na luta pela reestrutura\u00e7\u00e3o do plano de carreira para os docentes.<\/p>\n<p>Para tanto, esperamos construir junto a todos os setores e organiza\u00e7\u00f5es, um calend\u00e1rio unificado de lutas para os pr\u00f3ximos per\u00edodos na perspectiva de lutar por uma Universidade p\u00fablica, gratuita, democr\u00e1tica, de alta qualidade e popular!<\/p>\n<p>COORDENA\u00c7\u00c3O NACIONAL DA UJC<\/p>\n<p>OUTUBRO DE 2012<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ujc.org.br\/?p=373\">http:\/\/ujc.org.br\/?p=373<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n Cr\u00e9dito: UJC\n\n\n\n\n\n\n\n\nUJC\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3639\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-3639","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c27-ujc"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-WH","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3639"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3639\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}