{"id":3645,"date":"2012-10-03T18:30:28","date_gmt":"2012-10-03T18:30:28","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3645"},"modified":"2012-10-03T18:30:28","modified_gmt":"2012-10-03T18:30:28","slug":"hobsbawn-licoes-do-mestre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3645","title":{"rendered":"Hobsbawn: li\u00e7\u00f5es do mestre"},"content":{"rendered":"\n<p>Em meados dos anos noventa, Eric Hobsbawn esteve entre n\u00f3s, no Brasil, para lan\u00e7ar seu livro A Era dos Extremos (Editora Schwarcz, 1994). Est\u00e1vamos a poucos anos do fim do curto s\u00e9culo XX, 1989, marcado pela queda do muro de Berlin. Testemunha da hist\u00f3ria que historiava o velho e bom mestre nos brindou com uma fina s\u00edntese dial\u00e9tica \u00a0e do que estava por vir: \u201cN\u00f3s, socialistas, somos respons\u00e1veis por algo que n\u00e3o quer\u00edamos. N\u00f3s humanizamos o capitalismo quando n\u00f3s quer\u00edamos destru\u00ed-lo\u201d. Poderia haver melhor s\u00edntese do curto s\u00e9culo XX? N\u00e3o creio. A Revolu\u00e7\u00e3o Russa que, segundo o mestre, iniciara o s\u00e9culo abrira um per\u00edodo hist\u00f3rico de grandes esperan\u00e7as e mobiliza\u00e7\u00f5es em luta por transforma\u00e7\u00f5es com justi\u00e7a e igualdade sociais. Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, express\u00e3o de John Reed o rep\u00f3rter que experimentou o calor dos acontecimentos daquela Revolu\u00e7\u00e3o, projetaram de fato em todo o s\u00e9culo a id\u00e9ia de que era poss\u00edvel transformar o mundo, enfim, que a Revolu\u00e7\u00e3o estava no horizonte hist\u00f3rico do poss\u00edvel.<\/p>\n<p>O fim da 2\u00aa Guerra consagrou, inclusive no plano geopol\u00edtico, uma bipolaridade onde o socialismo mostrava sua for\u00e7a impondo, at\u00e9 mesmo fora de suas fronteiras geogr\u00e1ficas, condi\u00e7\u00f5es de vida que humanizaram o capitalismo. O estado de bem estar social, que a democracia europ\u00e9ia reivindica para si \u00e9, em grande parte, o resultado da amea\u00e7a real de uma transforma\u00e7\u00e3o socialista no territ\u00f3rio da Europa Ocidental, como bem perceberam os estrategistas estadunidenses em sua iniciativa com o Plano Marshall. Bertolucci o percebeu com seu Novecento.<\/p>\n<p>Eric Hobsbawn com sua fina an\u00e1lise dial\u00e9tica n\u00e3o s\u00f3 lia o passado presente como projetava o futuro quando nos alertava, na mesma ocasi\u00e3o, com uma pergunta \u00e0 \u00e9poca ousada, sobretudo diante do clima de euforia que tomava conta dos ide\u00f3logos do fim da hist\u00f3ria, ent\u00e3o e ainda agora, certos da vit\u00f3ria do capitalismo diante da queda do muro. Indagava Hobsbawn: \u201cque ser\u00e1 da humanidade quando o capitalismo j\u00e1 n\u00e3o mais teme o socialismo?\u201d<\/p>\n<p>A pergunta hoje j\u00e1 n\u00e3o parece del\u00edrio de um velho historiador rigoroso, mas posicionado diante das quest\u00f5es de seu tempo. A social democracia caiu junto com o muro e os 200 anos de hist\u00f3ria de luta dos pobres contra os ricos para conquistar direitos se tornaram nos \u00faltimos 20 anos a luta dos ricos contra os pobres para acabar com os direitos. A crise europ\u00e9ia de hoje mostra sobejamente que deixado a si mesmo o capitalismo mostra toda sua face b\u00e1rbara que, para n\u00f3s latino-americanos, africanos e asi\u00e1ticos n\u00e3o \u00e9 nada novo, mas o \u00e9 para os europeus.<\/p>\n<p>Que os indignados se inspirem na dignidade desse intelectual e se transformem numa for\u00e7a pol\u00edtica capaz de humanizar o mundo, tal como ele nos ajudou com suas an\u00e1lises e compromisso pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Carlos Walter Porto-Gon\u00e7alves, 63 anos,<\/p>\n<p>\u00e9 professor da Universidade Federal Fluminense.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Darragh Murray\n\n\n\n\n\n\n\n\nCarlos Walter Porto-Gon\u00e7alves\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3645\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-3645","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-WN","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3645"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3645\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}