{"id":3652,"date":"2012-10-04T19:17:13","date_gmt":"2012-10-04T19:17:13","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3652"},"modified":"2012-10-04T19:17:13","modified_gmt":"2012-10-04T19:17:13","slug":"governo-nao-deve-cumprir-meta-fiscal-definida-para-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3652","title":{"rendered":"Governo n\u00e3o deve cumprir meta fiscal definida para 2012"},"content":{"rendered":"\n<p>O resultado fiscal do setor p\u00fablico at\u00e9 agosto e a perspectiva de press\u00f5es adicionais pelo lado da despesa no \u00faltimo trimestre consolidaram a vis\u00e3o entre economistas de que o governo n\u00e3o conseguir\u00e1 cumprir a meta de super\u00e1vit prim\u00e1rio para 2012, estabelecida em 3,1% do PIB. Mesmo o desconto dos investimentos do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), previsto em lei, pode ser insuficiente para que o objetivo fiscal perseguido pelo governo seja alcan\u00e7ado. Al\u00e9m disso, a expectativa \u00e9 de que a meta tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ada no ano que vem.<\/p>\n<p>Para os analistas, esse esfor\u00e7o menor d\u00e1 respaldo \u00e0 an\u00e1lise, feita pelo Banco Central no \u00faltimo Relat\u00f3rio de Infla\u00e7\u00e3o, de que a pol\u00edtica fiscal passou recentemente de uma posi\u00e7\u00e3o &#8220;de neutralidade para ligeiramente expansionista&#8221;. Ainda assim, afirmam eles, isso tem ocorrido de forma mais inteligente, com desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias, aumento dos investimentos &#8211; pela Uni\u00e3o ou pelos Estados &#8211; e tentativas de conten\u00e7\u00e3o das despesas com custeio da m\u00e1quina federal. Com isso, ainda que a pol\u00edtica fiscal fique mais frouxa neste ano e no ano que vem, isso n\u00e3o dever\u00e1 exigir uma alta muito forte da Selic. Os economistas acreditam que a taxa subir\u00e1 em 2013, mas n\u00e3o alcan\u00e7ar\u00e1 dois d\u00edgitos.<\/p>\n<p>Segundo c\u00e1lculos da LCA Consultores, as despesas com o PAC devem representar cerca de 0,5% do PIB. O desconto, portanto, permitiria que a meta fosse considerada cumprida mesmo com um super\u00e1vit prim\u00e1rio menor, de 2,6%, recurso j\u00e1 utilizado em 2010. A LCA, no entanto, calcula que, neste ano, a economia para o pagamento do servi\u00e7o da d\u00edvida p\u00fablica ser\u00e1 de 2,3% do PIB.<\/p>\n<p>Entre janeiro e agosto a poupan\u00e7a do setor p\u00fablico foi de 2,6% do PIB, lembra o Br\u00e1ulio Borges, economista-chefe da LCA, mas h\u00e1 press\u00f5es de gastos entre setembro e dezembro, em fun\u00e7\u00e3o do pagamento de 13\u00ba sal\u00e1rio para funcion\u00e1rios p\u00fablicos e aposentados que devem comprimir o resultado fiscal at\u00e9 o fim do ano.<\/p>\n<p>Para 2013, o cen\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 de n\u00e3o cumprimento da meta, com estimativa de super\u00e1vit prim\u00e1rio de cerca de 2% do PIB. Mesmo com esse cen\u00e1rio, a trajet\u00f3ria para a rela\u00e7\u00e3o entre d\u00edvida l\u00edquida e PIB \u00e9 cadente, lembra Borges. Isso sugere, diz ele, que \u00e9 preciso rediscutir o tamanho da meta e, principalmente, como essa &#8220;folga fiscal&#8221; ser\u00e1 utilizada pelo governo.<\/p>\n<p>Ele acredita que o espa\u00e7o est\u00e1 sendo usando de forma mais &#8220;inteligente&#8221;, citando, por exemplo, a amplia\u00e7\u00e3o do limite de endividamento de 21 Estados em R$ 58,3 bilh\u00f5es, para que possam levar em frente projetos de investimento em infraestrutura. Esse aumento, estima a LCA, reduz em 0,5% do PIB, tanto em 2013 quanto em 2014, o super\u00e1vit prim\u00e1rio.<\/p>\n<p>Como ao mesmo tempo o governo deve promover desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias que reduzem custos, diz Borges, o efeito l\u00edquido da pol\u00edtica fiscal pode ser desinflacion\u00e1rio, principalmente se novas isen\u00e7\u00f5es, como a da cesta b\u00e1sica, forem anunciadas. O economista lembra que, como o BC projeta infla\u00e7\u00e3o de 4,9% para o ano que vem, &#8220;al\u00edvios tribut\u00e1rios podem contribuir para que o BC consiga manter juros parados mais tempo do que hoje imagina o mercado&#8221;.<\/p>\n<p>O Ita\u00fa Unibanco, em sua pr\u00f3xima revis\u00e3o de cen\u00e1rio, deve reduzir a estimativa de super\u00e1vit prim\u00e1rio de 2012 para cerca de 2,5% do PIB. Em 2013, diz Maur\u00edcio Oreng, especialista em contas p\u00fablicas do banco, a poupan\u00e7a do setor p\u00fablico ser\u00e1 &#8220;razoavelmente&#8221; inferior aos 2,6% previstos hoje.<\/p>\n<p>No entanto, diz ele, o banco n\u00e3o deve ajustar a previs\u00e3o de eleva\u00e7\u00e3o da Selic em 125 pontos-base no pr\u00f3ximo ano, para 8,5% ao fim de 2013, porque mesmo com o impulso fiscal maior, a composi\u00e7\u00e3o dos gastos sugere que o governo est\u00e1 focado na redu\u00e7\u00e3o de custos da economia e no aumento dos investimentos. Por isso, a pol\u00edtica fiscal expansionista sobrecarregar\u00e1 menos a pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Embora a proje\u00e7\u00e3o seja de manuten\u00e7\u00e3o do crescimento das despesas em ritmo pr\u00f3ximo a 7% em termos reais, essa alta contempla eleva\u00e7\u00e3o dos gastos com investimento como propor\u00e7\u00e3o do PIB para 1,9% no pr\u00f3ximo ano, diz Oreng. Ao mesmo tempo, o reajuste linear de 15% obtido pelo funcionalismo p\u00fablico para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos foi &#8220;conservador&#8221;, afirma ele, pois meramente prev\u00ea manuten\u00e7\u00e3o do poder de compra dos sal\u00e1rios. Por isso, as despesas com a folha devem cair em rela\u00e7\u00e3o ao PIB para 4,1% em 2013. &#8220;H\u00e1 grande espa\u00e7o para esse cen\u00e1rio se concretizar no pr\u00f3ximo ano&#8221;, diz Oreng.<\/p>\n<p>Roberto Padovani, economista-chefe da Votorantim Corretora, tem vis\u00e3o menos favor\u00e1vel para a pol\u00edtica fiscal. Ele projeta super\u00e1vit prim\u00e1rio de 2,7% neste ano e de 2,2% do PIB em 2013.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o, diz ele, \u00e9 que do ponto de vista da gest\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica, a redu\u00e7\u00e3o do super\u00e1vit prim\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 um risco para o pa\u00eds, j\u00e1 que mesmo com esfor\u00e7o fiscal menor a trajet\u00f3ria para a d\u00edvida p\u00fablica ainda ser\u00e1 favor\u00e1vel &#8211; ou seja, continuar\u00e1 a cair &#8211; &#8220;o que n\u00e3o \u00e9 pouca coisa ante o desafio global de reduzir o endividamento&#8221;, diz Padovani.<\/p>\n<p>Por outro lado, diz, a discuss\u00e3o passa a ser em torno da combina\u00e7\u00e3o de instrumentos de gest\u00e3o econ\u00f4mica. Para ele, esfor\u00e7os fiscais menores, mesmo que contemplem desonera\u00e7\u00f5es e redu\u00e7\u00e3o do custo de produ\u00e7\u00e3o na economia, v\u00e3o &#8220;claramente empurrar o crescimento econ\u00f4mico de 2013&#8221;. A altera\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica fiscal, de neutra para expansionista, com resultados prim\u00e1rios inferiores \u00e0 meta de 3,1% do PIB, vai exigir subida de juros. Para ele, no terceiro trimestre do ano que vem o Copom deve voltar a subir juros e a Selic encerrar\u00e1 2013 em 8,5% ao ano &#8211; hoje, a taxa est\u00e1 em 7,5%.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Infla\u00e7\u00e3o no Brasil se descola de padr\u00e3o global<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o do Brasil se descolou ainda mais dos padr\u00f5es internacionais no terceiro trimestre. De 22 pa\u00edses que adotam o regime de metas inflacion\u00e1rias, e j\u00e1 divulgaram n\u00fameros referentes a agosto, em apenas tr\u00eas o \u00edndice de pre\u00e7os ao consumidor superou os 5,2% acumulados pelo indicador brasileiro em 12 meses. At\u00e9 junho, seis pa\u00edses ainda mostravam varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os acima do \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), que, na \u00e9poca, marcava alta anualizada de 4,9%.<\/p>\n<p>Dentro desse grupo de 22 pa\u00edses, em 12 deles a infla\u00e7\u00e3o acumulada em 12 meses est\u00e1 acima do centro do alvo perseguido pelo banco central &#8211; o Brasil \u00e9 um deles. A meta brasileira, de 4,5%, no entanto, \u00e9 elevada se comparada \u00e0 de outras economias. Apenas Guatemala e Indon\u00e9sia miram o mesmo n\u00edvel de infla\u00e7\u00e3o que o BC brasileiro, enquanto Turquia e Gana trabalham com metas mais folgadas, de 5% e 8,7%, respectivamente. Nos demais, o alvo \u00e9 inferior ao brasileiro, a maioria entre 2% e 3%.<\/p>\n<p>Para economistas, o mercado de trabalho apertado, o alto grau de indexa\u00e7\u00e3o, a baixa taxa de investimento e o descompasso entre oferta e demanda continuam por tr\u00e1s da resist\u00eancia dos pre\u00e7os no pa\u00eds, mas dois fatores passaram a ter papel predominante sobre a din\u00e2mica inflacion\u00e1ria nos \u00faltimos meses: o choque de commodities e a deprecia\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n<p>Analistas avaliam que o efeito da escalada dos gr\u00e3os ap\u00f3s a estiagem nos Estados Unidos poderia ter sido ao menos parcialmente neutralizado por alguma valoriza\u00e7\u00e3o do real, o que est\u00e1 descartado diante das a\u00e7\u00f5es do governo para controlar a taxa de c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>Daniel Moreli Rocha, superintendente de tesouraria do Banco Indusval &amp; Partners (BI&amp;P), calcula que, desde 1\u00ba de mar\u00e7o, quando o d\u00f3lar ainda estava em R$ 1,71, a moeda brasileira se desvalorizou 18,5% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 americana, enquanto uma cesta de moedas de sete pa\u00edses produtores de commodities ficou praticamente est\u00e1vel frente ao d\u00f3lar no per\u00edodo.<\/p>\n<p>&#8220;Nos ciclos anteriores de altas de commodities, o real estava se valorizando, ent\u00e3o um movimento compensava o outro&#8221;, diz Rocha, para quem a infla\u00e7\u00e3o brasileira &#8220;certamente&#8221; sofrer\u00e1 mais impacto da disparada dos gr\u00e3os do que a de outros pa\u00edses cujas moedas se apreciaram. Caso n\u00e3o tivesse ocorrido novo choque de mat\u00e9rias-primas neste ano, ele acredita que o IPCA poderia encerrar 2012 com aumento de 5,1%, proje\u00e7\u00e3o que foi elevada em 0,4 ponto percentual ap\u00f3s a forte subida dos gr\u00e3os.<\/p>\n<p>Para Tony Volpon, diretor da Nomura Securities International, o Banco Central e o governo n\u00e3o t\u00eam como evitar a volatilidade causada por choques externos, mas podem escolher qual canal ser\u00e1 afetado por movimentos imprevistos. Em um regime de c\u00e2mbio flutuante, diz, o impacto esperado seria a aprecia\u00e7\u00e3o da moeda. &#8220;Quando h\u00e1 um c\u00e2mbio tabelado, necessariamente parte dessa volatilidade tem de ir para outro lugar. Se o BC n\u00e3o est\u00e1 disposto a apertar as condi\u00e7\u00f5es monet\u00e1rias, esse lugar \u00e9 a infla\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Volpon, o regime de c\u00e2mbio passou de uma flutua\u00e7\u00e3o &#8220;suja&#8221; para outra inexistente, o que dificulta estimar o repasse da varia\u00e7\u00e3o cambial para os pre\u00e7os internos. &#8220;A \u00fanica coisa que sabemos \u00e9 que em um regime de c\u00e2mbio fixo, o choque externo tem de se internalizar via aumento dos juros ou mais infla\u00e7\u00e3o. Sem os juros, o &#8220;pass through&#8221; (repasse) ser\u00e1 maior&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Com base em fundamentos econ\u00f4micos, a tend\u00eancia natural seria que a moeda brasileira estivesse em aprecia\u00e7\u00e3o, de acordo com Juan Jensen, s\u00f3cio da Tend\u00eancias Consultoria. Para ele, definir piso e teto para a taxa de c\u00e2mbio n\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o compat\u00edvel com o regime de metas inflacion\u00e1rias. Al\u00e9m desse antagonismo, Jensen aponta que o centro da meta n\u00e3o \u00e9 mais o primeiro objetivo do BC, ao contr\u00e1rio do que acontece em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, onde as expectativas futuras de infla\u00e7\u00e3o s\u00e3o alinhadas ao alvo central.<\/p>\n<p>Levantamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra que o Brasil tem a terceira maior expectativa de infla\u00e7\u00e3o do mercado para 2013 entre os oito pa\u00edses latino-americanos que adotam o regime de metas, de 5,5%, atr\u00e1s apenas de Uruguai (6,9%) e Paraguai (5,6%).<\/p>\n<p>Chefe de pesquisa para Am\u00e9rica Latina do Goldman Sachs, o economista Alberto Ramos observa que a infla\u00e7\u00e3o brasileira j\u00e1 parte de um n\u00edvel mais alto do que o de outras economias. Enquanto no Brasil, o centro da meta perseguido pelo BC \u00e9 de 4,5% &#8211; o mesmo percentual desde 2005 -, no Chile e na Col\u00f4mbia, os alvos s\u00e3o de 3%. No Peru, o centro \u00e9 de 2%.<\/p>\n<p>O que diferencia o Brasil dessas economias, al\u00e9m do c\u00e2mbio mais depreciado no momento, diz Ramos, \u00e9 a in\u00e9rcia inflacion\u00e1ria, fen\u00f4meno pelo qual a infla\u00e7\u00e3o passada alimenta a infla\u00e7\u00e3o futura, o que, aliado ao baixo desemprego, permite repasses maiores nos pre\u00e7os de servi\u00e7os. Nos 12 meses encerrados em agosto, o grupo de pre\u00e7os formado por aluguel, mensalidade escolar, cabeleireiro e empregado dom\u00e9stico subiu 7,9% no IPCA.<\/p>\n<p>Ramos tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para a taxa de investimento brasileira, na casa de 18% do PIB, o que limita a capacidade de a economia crescer sem gerar infla\u00e7\u00e3o. &#8220;Todas as economias latinas est\u00e3o crescendo acima de 5% e investindo entre 26% e 28% do PIB. Com a taxa de investimento brasileira, qualquer aumento da demanda gera press\u00f5es inflacion\u00e1rias&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>J\u00falia Braga, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e colaboradora do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), concorda com a avalia\u00e7\u00e3o de que a baixa taxa de investimento contribui para repasses maiores aos pre\u00e7os &#8211; ao limitar ganhos de produtividade -, mas n\u00e3o v\u00ea a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial como principal vetor de acelera\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os este ano. Apesar de ter chegado aos alimentos derivados de gr\u00e3os no IPCA, o repasse cambial, diz ela, n\u00e3o alcan\u00e7ou os bens industrializados no varejo, o que reduziu o efeito do c\u00e2mbio na infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para J\u00falia, os problemas clim\u00e1ticos que diminu\u00edram a produ\u00e7\u00e3o interna de alimentos foram cruciais para desviar ainda mais o IPCA da infla\u00e7\u00e3o em outros pa\u00edses, ao lado do choque externo de commodities. Apenas em agosto, o pre\u00e7o do tomate saltou 18,9%, ap\u00f3s alta de 50,3% em julho.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Pesquisa aponta ind\u00edcios de recupera\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os ajustes esperados no Minha Casa, Minha Vida e o Programa de Investimento em Log\u00edstica, anunciado em agosto pelo governo, permitiram uma melhora na confian\u00e7a do setor de constru\u00e7\u00e3o em setembro. Para a Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), o setor pode estar come\u00e7ando a se recuperar, ap\u00f3s a perda de f\u00f4lego dos \u00faltimos meses. Em setembro, o indicador que mede a confian\u00e7a na constru\u00e7\u00e3o apresentou queda de 7,8% na m\u00e9dia trimestral em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2011, inferior \u00e0 retra\u00e7\u00e3o de 9,8% registrada no trimestre encerrado em agosto.<\/p>\n<p>Esse foi o segundo m\u00eas consecutivo de recuos menores no \u00cdndice de Confian\u00e7a da Constru\u00e7\u00e3o (ICC) e a tend\u00eancia, de acordo com Ana Maria Castelo, coordenadora de estudos de constru\u00e7\u00e3o da FGV, \u00e9 a confian\u00e7a do empres\u00e1rio do setor retomar aos poucos o n\u00edvel de 2011. &#8220;Os empres\u00e1rios est\u00e3o vendo um presente melhor e apostam em um futuro mais promissor. O n\u00edvel das expectativas j\u00e1 est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do registrado em 2011.&#8221;<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, a queda na m\u00e9dia trimestral do \u00cdndice de Expectativas (IE), um dos componentes do ICC, foi de 6,4% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2011, menor que o recuo de 8,1% verificado no trimestre encerrado em agosto. No segmento de obras vi\u00e1rias, a confian\u00e7a do empres\u00e1rio no trimestre findo em setembro j\u00e1 era 2,1% maior que a registrada no mesmo intervalo de 2011. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o Programa de Investimento em Log\u00edstica influenciou isso&#8221;, ressalta Ana.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Brasil \u00e9 37\u00ba em competitividade, diz &#8216;Economist&#8217;<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Um estudo da \u00e1rea de pesquisas da revista brit\u00e2nica &#8220;The Economist&#8221; mostra que o Brasil n\u00e3o ter\u00e1 grande evolu\u00e7\u00e3o no quesito competitividade nos pr\u00f3ximos anos. No novo ranking elaborado pela Economist Intelligence Unit, v\u00e1lido para o per\u00edodo de 2012 a 2016, o Pa\u00eds aparece na 37\u00aa posi\u00e7\u00e3o. No anterior, que considerava os anos de 2007 a 2011, o Brasil estava em 39\u00ba lugar.<\/p>\n<p>A lista, que inclui 82 pa\u00edses e \u00e9 liderada por Cingapura, Hong Kong e Su\u00ed\u00e7a, mostra dois &#8220;velhos conhecidos&#8221; como os principais gargalos de competitividade brasileira: o custo da m\u00e3o de obra e a carga tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>De acordo com Justine Thody, analista respons\u00e1vel pelo estudo, a dificuldade do Brasil de subir no ranking \u00e9 reflexo de &#8220;amarras estruturais&#8221;. &#8220;E o Pa\u00eds est\u00e1 ficando sem tempo para fazer as mudan\u00e7as, pois a idade m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 subindo.&#8221;<\/p>\n<p>O estudo mostra que, mesmo em \u00e1reas onde o Brasil come\u00e7a a sair da in\u00e9rcia, como a infraestrutura, o ritmo ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para que o Pa\u00eds se destaque perante outras na\u00e7\u00f5es. Em infraestrutura, o Brasil vai continuar em 52\u00aa lugar entre os 82 pa\u00edses analisados. &#8220;N\u00e3o \u00e9 que o Brasil n\u00e3o esteja fazendo nada, mas outras na\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m est\u00e3o empenhadas em melhorar.&#8221;<\/p>\n<p>Se a quest\u00e3o da infraestrutura \u00e9 preocupante, a do custo da m\u00e3o de obra e da carga tribut\u00e1ria s\u00e3o vistas como urgentes. A estrutura de impostos deixa o Brasil na 76\u00aa coloca\u00e7\u00e3o no subitem tributos. O problema n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as altas al\u00edquotas &#8211; que correspondem a 35% do PIB -, mas tamb\u00e9m a dificuldade de as empresas entenderem o sistema.<\/p>\n<p>No quesito m\u00e3o de obra, decis\u00f5es como a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento para 24 setores da economia, ter\u00e3o efeito marginal no desempenho do Pa\u00eds nesse quesito. De uma medi\u00e7\u00e3o para a outra, o Brasil passar\u00e1 da 66\u00aa para 59\u00aa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Evolu\u00e7\u00e3o. Para Justine Thody, o Brasil avan\u00e7ou em \u00e1reas como educa\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o digital. O estudo cita o programa de bolsas de estudo em universidades privadas para jovens de baixa renda como exemplo positivo.<\/p>\n<p>O economista Ernesto Lozardo, professor da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), concorda que o Brasil caminho a percorrer no quesito competitividade, mas v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o de maneira mais positiva do que a Economist Intelligence Unit. Segundo ele, o assunto est\u00e1 na agenda do governo &#8211; algo raro para um Pa\u00eds que tradicionalmente sempre se preocupou mais em apagar inc\u00eandios de crises pol\u00edticas e econ\u00f4micas do que em planejar o futuro.<\/p>\n<p>Lozardo diz que institui\u00e7\u00f5es como o BNDES e a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) est\u00e3o buscando solu\u00e7\u00f5es para tornar a economia mais inovadora. &#8220;Claro que estamos atr\u00e1s. Iniciamos agora um processo pelo qual a \u00c1sia passou h\u00e1 30 anos.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Mercado v\u00ea Selic de um d\u00edgito em 2013, mesmo com aperto<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O juro de um d\u00edgito veio para ficar e o mercado brasileiro vai ter que aprender a conviver com essa novidade no card\u00e1pio da pol\u00edtica monet\u00e1ria. E aqui n\u00e3o se trata da margem que supera a infla\u00e7\u00e3o, mas da taxa b\u00e1sica, a Selic nominal, que passar\u00e1 pelo crivo do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) na pr\u00f3xima semana.<\/p>\n<p>Essa avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o implica descarte de eventual retomada de ciclos de eleva\u00e7\u00e3o da Selic. Embora todos os sinais emitidos pelo governo nas \u00faltimas semanas indiquem inten\u00e7\u00e3o de manter os juros est\u00e1veis em 2013, grande n\u00famero de economistas acredita que o Banco Central deveria promover um aperto monet\u00e1rio a partir da metade do pr\u00f3ximo ano, com a infla\u00e7\u00e3o pressionada e a economia acelerando.<\/p>\n<p>Mas nada indica que a economia brasileira comportar\u00e1 altas agressivas de juros, a menos que precise reagir a um choque no custo do dinheiro especialmente nos Estados Unidos. Considerando que a economia americana navega desde 2008 em in\u00e9dita oferta monet\u00e1ria e com taxa pr\u00f3xima de zero &#8211; n\u00edvel que deve persistir at\u00e9 2015 -, a possibilidade de um choque contagiar o Brasil parece pequeno.<\/p>\n<p>Nem mesmo a expectativa de infla\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica pressionada, resistente acima de 5%, incentiva o mercado a contar com alta expressiva da Selic a m\u00e9dio prazo. O Copom poder\u00e1 puxar a taxa b\u00e1sica, sim, entre o segundo semestre de 2013 e o primeiro trimestre de 2014. Mas, na mais extrema hip\u00f3tese considerada por economistas, a Selic avan\u00e7aria 1,5 ponto percentual e chegaria aos 9%. De um lado, entendem os economistas, o governo, ainda que tendo a inten\u00e7\u00e3o de estimular a atividade, aprendeu a driblar press\u00f5es inflacion\u00e1rias com desonera\u00e7\u00f5es setoriais. De outro, tanto o BC quanto a Fazenda aprenderam a fazer bom uso de medidas macroprudenciais como a\u00e7\u00e3o complementar \u00e0 taxa de juro.<\/p>\n<p>A divis\u00e3o de opini\u00f5es expl\u00edcita na curva de juros \u00e9 reproduzida na pesquisa feita pelo Valor Data com 34 economistas. Desse elenco, 25 contam com manuten\u00e7\u00e3o da Selic nos atuais 7,50% ao ano na semana que vem e 9 esperam redu\u00e7\u00e3o de 0,25 ponto percentual, para 7,25%. Esse placar, com uma exce\u00e7\u00e3o, vale para o encerramento de 2012. Apenas a MB Associados projeta Selic a 7% em dezembro deste ano e at\u00e9 dezembro do ano que vem. Para o final de 2013, 18 analistas contemplam eleva\u00e7\u00e3o da taxa que pode chegar, no m\u00e1ximo, a 9%, e 15 profissionais trabalham com manuten\u00e7\u00e3o do n\u00edvel alcan\u00e7ado no fim deste ano.<\/p>\n<p>&#8220;O Banco Central pode fixar a Selic nominal, mas n\u00e3o a taxa real. Selic de um d\u00edgito \u00e9 fruto da mesma din\u00e2mica: a queda de potencial de crescimento da economia brasileira como de outras grandes economias&#8221;, comenta Tony Volpon. O estrategista da Nomura Securities diz que a principal fun\u00e7\u00e3o da &#8220;taxa neutra&#8221; \u00e9 expressar o rendimento m\u00e9dio do estoque de capital real [das economias]. O governo &#8220;comemora&#8221; a queda da Selic, mas essa queda \u00e9 sintoma de um novo equil\u00edbrio, com crescimento econ\u00f4mico menor, infla\u00e7\u00e3o maior e c\u00e2mbio mais fraco.<\/p>\n<p>Marcelo Kfoury, economista-chefe do Citibank Brasil, que n\u00e3o v\u00ea espa\u00e7o para corte da Selic na semana que vem por enxergar a economia em firme recupera\u00e7\u00e3o, v\u00ea eleva\u00e7\u00e3o do juro no \u00faltimo trimestre de 2013, mas sem que chegue a dois d\u00edgitos. &#8220;Pode at\u00e9 acontecer, mas s\u00f3 quando as pol\u00edticas monet\u00e1rias estiverem normalizadas nas grandes economias. Al\u00e9m disso, considerando que o juro neutro ou de equil\u00edbrio ronda 4% e a infla\u00e7\u00e3o, 5,5%, Selic nominal de 9,5% estaria de bom tamanho e por um bom tempo&#8221;, pondera.<\/p>\n<p>Os modelos econom\u00e9tricos aplicados por Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra, mostram que parcela do atual recuo da taxa real de juros veio para ficar &#8211; \u00e9 estrutural. &#8220;O BC aproveitou a perspectiva de taxa de juros em patamar baixo no \u00e2mbito global por um per\u00edodo prolongado e, acertadamente, reduziu a Selic para patamar abaixo da &#8220;taxa neutra de longo prazo&#8221;. Essa taxa real de juros excepcionalmente baixa pode perdurar por mais alguns anos, dependendo em grande parte do comportamento do hiato do produto global [quanto a economia global pode crescer sem pressionar a infla\u00e7\u00e3o]. Nossa vis\u00e3o \u00e9 que a parcela estrutural da queda do juro real de longo prazo no pa\u00eds \u00e9 suficiente para garantir que a Selic de um d\u00edgito veio para ficar.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Dados sugerem melhora da economia americana<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Dados positivos divulgados ontem sobre cria\u00e7\u00e3o de empregos, pedidos de financiamento imobili\u00e1rio e atividade no setor de servi\u00e7os geraram otimismo com a recupera\u00e7\u00e3o da economia americana.<\/p>\n<p>Levantamento da empresa ADP, que processa folhas de pagamentos, mostra que o setor privado criou 162 mil vagas no m\u00eas passado. O resultado superou a previs\u00e3o de analistas, que esperavam algo em torno de 140 mil. Ainda assim, o ganho n\u00e3o \u00e9 o suficiente para reduzir de maneira significativa a taxa de desemprego, que est\u00e1 acima dos 8% h\u00e1 tr\u00eas anos e meio. S\u00e3o necess\u00e1rias aproximadamente 200 mil novas vagas mensais para baixar o desemprego rapidamente.<\/p>\n<p>Segundo a ADP, as contrata\u00e7\u00f5es foram puxadas por empresas com menos de 500 funcion\u00e1rios. &#8220;Pequenas e m\u00e9dias empresas continuam sendo a for\u00e7a motriz da expans\u00e3o do emprego&#8221;, disse Ward McCarthy, economista-chefe da Jefferies &amp; Co., de Nova York. &#8220;As contrata\u00e7\u00f5es nas novas e pequenas firmas continuar\u00e3o sendo a chave para a sustentabilidade da rea\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho.&#8221;<\/p>\n<p>Hoje o governo divulga o relat\u00f3rio do mercado de trabalho de setembro. Mais amplo, inclui ainda o emprego no setor p\u00fablico. Analistas preveem uma alta moderada.<\/p>\n<p>A pesquisa semanal da Mortgage Bankers Association apontou alta de 20% nos pedidos de financiamento imobili\u00e1rio na semana passada &#8211; para o maior n\u00edvel desde abril de 2009. Taxas de financiamento em seu n\u00edvel hist\u00f3rico mais baixo e os pre\u00e7os menores de im\u00f3veis est\u00e3o dando for\u00e7a ao setor.<\/p>\n<p>O setor servi\u00e7os teve em setembro a maior expans\u00e3o em seis meses. O \u00edndice ISM subiu de 53,7 para 55,1 &#8211; n\u00fameros acima de 50 indicam expans\u00e3o da atividade.<\/p>\n<p>&#8220;A economia parece estar se estabilizando&#8221;, disse Paul Edelstein, diretor da IHS Global Insight. &#8220;Fatores internos come\u00e7am a melhorar. Empregos est\u00e3o sendo criados e as pessoas est\u00e3o um pouco mais confiantes e v\u00e3o gastar mais.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Valor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3652\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3652","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-WU","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3652","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3652"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3652\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}